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09 - Prescrição, Decadência, Obrigações (1) doc

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LFG – CIVIL – Aula 09 – Prof. Pablo Stolze – Intensivo I – 26/03/2009
Primeira notícia de hoje: O STJ acabou de editar uma súmula nova, a Súmula 375, que
tem a ver com o tema que vimos na penúltima aula:
Súmula 375: "O reconhecimento da fraude de execução depende
do registro da penhora do bem alienado ou da prova de má-fé do
terceiro adquirente".
Na prática é o seguinte: eu estou sendo demandado e alieno o bem. O terceiro compra e é
acusado de fraude à execução. O que ele alega? “Eu estava de boa-fé”. Eu não sabia de nada.
Ingressa com embargos de terceiro para manter o bem, etc. O STJ, então, firmou a idéia de que
para caracterizar fraude, ou a penhora tem que estar registrada e o terceiro teria como saber ou, o
terceiro tem que estar de má-fé. Em outras palavras, se ele estiver de boa-fé, o terceiro que
adquiriu o bem (alienado em fraude à execução), o bem permanece com ele.
Também foi aprovada hoje, a Lei 11.910/09, determinando a obrigatoriedade do uso do
air bag como item de série nos carros.
Hoje é a aula mais importante da Parte Geral, na minha opinião, porque vamos tratar do
tema prescrição e decadência.
LIVRO III - DOS
FATOS
JURÍDICOS
TÍTULO IV - DA PRESCRIÇÃO E DA DECADÊNCIA
 CAPÍTULO V – DA INVALIDADE DO NEGÓCIO JURÍDICO
 CAPÍTULO I - DA PRESCRIÇÃO
Seção I - Disposições Gerais
Seção II - Das Causas que Impedem ou Suspendem a Prescrição
Seção III - Das Causas que Interrompem a Prescrição
Seção IV - Dos Prazos da Prescrição
 CAPÍTULO II - DA DECADÊNCIA
 
O tempo explica juridicamente a prescrição e a decadência. É verdade. O tempo,
enquanto fato jurídico, é capaz de criar direitos. Exemplo de decurso do tempo com aptidão para
criar direitos: usucapião. A usucapião é o exemplo de prescrição aquisitiva com o condão
constitutivo de direitos. Mas o decurso do tempo também tem o condão de extinguir direitos e
prerrogativas.
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http://www3.dataprev.gov.br/sislex/paginas/11/2002/10406.htm#PG_L3%23PG_L3
http://www3.dataprev.gov.br/sislex/paginas/11/2002/10406.htm#PG_L3%23PG_L3
http://www3.dataprev.gov.br/sislex/paginas/11/2002/10406.htm#PG_L3%23PG_L3
http://www3.dataprev.gov.br/sislex/paginas/11/2002/10406.htm#PG_L3%23PG_L3
http://www3.dataprev.gov.br/sislex/paginas/11/2002/10406.htm#PG_L3_T1%23PG_L3_T1
http://www3.dataprev.gov.br/sislex/paginas/11/2002/10406.htm#PG_L3_T1_CP5%23PG_L3_T1_CP5
http://www3.dataprev.gov.br/sislex/paginas/11/2002/10406.htm#PG_L3_T4_CP1
http://www3.dataprev.gov.br/sislex/paginas/11/2002/10406.htm#PG_L3_T4_CP1_S1
http://www3.dataprev.gov.br/sislex/paginas/11/2002/10406.htm#PG_L3_T4_CP1_S2
http://www3.dataprev.gov.br/sislex/paginas/11/2002/10406.htm#PG_L3_T4_CP1_S3
http://www3.dataprev.gov.br/sislex/paginas/11/2002/10406.htm#PG_L3_T4_CP1_S4
http://www3.dataprev.gov.br/sislex/paginas/11/2002/10406.htm#PG_L3_T4_CP2
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Essa matéria que tem uma finalidade extintiva, liberatória de direitos e prerrogativas,
conforme veremos a partir de agora.
Durante o Século XX, com o aperfeiçoamento da teoria do processo e considerando que o
civilista não era muito sensível ao diálogo com outras fontes, essa matéria, durante décadas, foi
ensinada partindo de um equívoco conceitual. Mas erro conceitual, como? Um equívoco que foi
sendo transmitido, foi sendo cristalizado e até hoje, há doutrina, jurisprudência e questão de
concurso, considerando certo aquilo que há mais de quarenta anos a doutrina mostrara que estava
sendo lecionada partindo-se de um equívoco conceitual.
PRESCRIÇÃO
É muito comum na doutrina clássica você ler: “a prescrição ataca a ação” e outra: “a ação
está prescrita”.
Duas frases que traduzem um equívoco de premissa. Aluno meu, jamais voltará a falar
que ação prescreve ou que a prescrição ataca a ação. Essas frases até já tiveram razão de ser
quando a teoria da ação ainda era a teoria imanentista, que não visualizava diferença entre direito
de ação e direito material, que estariam conjugados. Quando esta teoria imanentista, que já foi
superada há mais de um século, estava em voga, você podia dizer isso: que a prescrição ataca a
ação, que a ação está prescrita. Só que a partir do momento em que a teoria do processo começa
a ter desenvolvimento, no primeiro portal do século XX, essas duas frases passaram a traduzir
um grande equívoco conceitual.
Essas duas frases devem ser riscadas do seu conhecimento jurídico. No Brasil os juristas
não podem mais dizer que a prescrição ataca a ação ou que a ação está prescrita. A prescrição
não fulmina o direito de ação. Eu vou lhe dar um exemplo e você vai ver que nunca mais pode
dizer que a prescrição ataca a ação ou que a ação está prescrita.
Imagine que Caio e Tício celebraram um contrato no dia 02/03. Por força desse contrato
celebrado, Caio credor, passou a ser titular do direito a uma prestação de 10 mil reais e Tício, por
sua vez, passou a ser devedor dessa prestação de 10 mil reais. No contrato há um termo dizendo
que o vencimento da obrigação (dívida) é dali a 30 dias. Só irá vencer no dia 02/04. Vou fazer
uma pergunta: esse negócio jurídico que gerou para Caio uma prestação de 10 mil é existente?
Sim. Válido? Sim. É eficaz? Não. Por que? Porque existe um termo de vencimento. A obrigação
só se tornará exigível no dia 02/04. Acontece que no dia 02/04 o direito de Caio foi violado
porque o devedor Tício não pagou a dívida. Nesse momento, operado o vencimento da dívida, o
violou o direito à prestação do credor. Violou como? Não pagando a dívida, não cumprindo a
prestação no dia do vencimento.
Vem a doutrina clássica e diz assim: Vencida a obrigação, violado o direito à prestação,
começa a fluir, a partir desse momento, o prazo prescricional. Todo mundo sabe disso. A
doutrina clássica também diz isso. No momento em que o direito à prestação é violado, no dia do
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vencimento, para a doutrina clássica, começa a fluir o prazo prescricional para que o credor
ingresse com uma ação de cobrança.
Qual o prazo prescricional para a ação de cobrança no Código anterior? O prazo
prescricional máximo das ações pessoais no Código de 1916 era de 20 anos. Se o credor violasse
o direito do réu e, no dia do vencimento, não propusesse a ação de cobrança no prazo
prescricional, o que aconteceria? Operar-se-ia a prescrição da ação. Não é isso? A ação estaria
prescrita, extinta, fulminada pela pretensão. Significa que se no 22º ano o credor, que estava
dormindo, resolvesse contratar um advogado para ajuizar uma ação de cobrança, o devedor em
defesa, alegaria prescrição. 22 anos depois, foi proposta uma ação de cobrança, o réu foi citado e,
em preliminar de mérito (prescrição e decadência são matéria de mérito), o réu diz que
prescreveu a ação, está extinta. O juiz, então, profere a sentença. E eu pergunto: não houve ação?
Não houve processo? Não houve sentença? O que é ação para o direito processual civil? Ação,
há mais de 50 anos, é o direito público, abstrato, de pedir do Estado um provimento jurisdicional.
Partindo-se dessa premissa, eu lhe pergunto: 22 anos depois não houve direito de ação? 450 anos
depois não haveria direito de ação? Lógico que haveria porque o direito de pedir do Estado um
provimento jurisdicional não prescreve NUNCA! O credor pode ingressar com a ação a qualquer
tempo, 150 anos depois e haverá direito de ação. Haverá processo e haverá sentença que julgará
o mérito porque prescrição e decadência, quando acolhidas, são matérias de mérito.
Nós, então, firmamos uma idéia fundamental nesta primeira etapa da aula: a prescrição
não ataca o direito de ação porque o direito de ação é o direito de pedir ao Estado o provimento
jurisdicional e esse direito não prescreve jamais. Se o direito de ação é um direito processual
púbico, abstrato, imprescritível, que qualquer cidadão tem, se o direito de ação não é negado a
ninguém a tempo nenhum, o que ataca a prescrição?
A imagem mental que eu tenho é a de que um cidadão tem nas mãos um revólver e tem
na frente dele um alvo. O revólver