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09 - Prescrição, Decadência, Obrigações (1) doc

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os prazos
prescricionais sempre são legais.”
Prazo prescricional a parte não pode inventar. É sempre de lei. O prazo decadencial pode
ser legal ou convencional.
_ CAUSAS IMPEDITIVAS E SUSPENSIVAS DA PRESCRIÇÃO
Eu estou fazendo análise dos prazos prescricionais da Parte Geral. Chamo sua atenção
porque essas causas também se aplicam ao prazo prescricional aquisitivo da usucapião sobre o
qual incidem essas causas impeditivas, suspensivas e interruptivas do prazo prescricional. Mas
aqui estamos fazendo a análise do prazo prescricional extintivo do Código Civil.
“As causas impeditivas ou suspensivas da prescrição encontram-se nos arts. 197 a 199,
do Código Civil”.
Sempre que o Código Civil disser ‘não corre a prescrição’ é porque você tem aí ou uma
causa impeditiva ou uma causa suspensiva. Essas causas são a mesma coisa? Sim. A diferença é
o momento em que ocorrem. A causa é a mesma. A causa impeditiva ocorre no início do prazo.
É como se fosse uma represa que impede o prazo de começar a correr. Se o prazo de 10 anos já
estava correndo, no segundo ano, sobreveio uma causa, neste caso, a causa é suspensiva. Ela
suspende, congela, paralisa. Desaparecendo a causa o prazo volta a correr. Se já correram 2 anos,
sendo o prazo de 10 anos, faltariam 8 anos. A impeditiva é a mesma da suspensiva. Se ocorreu
no início, impede o início do prazo. Mas se o prazo já estava correndo e a causa sobreveio, o
prazo fica congelado.
Um exemplo para deixar mais claro, com base no inciso I, do art. 197, que poderá ser
aplicado às outras hipóteses do Código Civil, vai servir de paradigma:
“Art. 197. Não corre a prescrição: I - entre os cônjuges, na
constância da sociedade conjugal;”
Então, por exemplo, eu posso ter uma sociedade com minha esposa. Isso é possível, mas
vai depender se o regime de bens permite. Imagine que eu tenha uma sociedade com ela e, por
conta de um balanço mensal, minha esposa passou a ter o direito a um crédito contra mim de 5
mil reais, um crédito que está vencido. Ela é minha sócia, mas também é minha esposa. Ela teve
o direito à prestação violado, vencido, mas enquanto estivermos em sociedade conjugal, o prazo
prescricional está impedido de começar a correr.
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LFG – CIVIL – Aula 09 – Prof. Pablo Stolze – Intensivo I – 26/03/2009
Segunda hipótese: eu não sou casado. Uma moça, Maria, tem um direito de crédito contra
mim, já vencido. O prazo que ela tem para formular a cobrança é de 10 anos. No segundo ano,
me caso com ela. Enquanto estivermos em sociedade conjugal, o prazo fica suspenso. Se nos
separarmos, o prazo volta a correr do ponto em que parou.
Você pode me dar um exemplo de uma causa que suspende, interrompe ou impeça a
decadência? 99% das causas que suspendem, interrompem e impedem, referem-se à prescrição.
Não há no ordenamento jurídico brasileiro, como regra, causas que suspendem a decadência.
Mas existe uma exceção que o concurso público pode perguntar.
OBS.: “Vale anotar que o art. 26, §2º, do Código de Defesa do Consumidor regula
causas impeditivas do prazo decadencial.”
“§ 2° Obstam a decadência: I - a reclamação
comprovadamente formulada pelo consumidor perante o
fornecedor de produtos e serviços até a resposta negativa
correspondente, que deve ser transmitida de forma inequívoca; II -
(Vetado); III - a instauração de inquérito civil, até seu
encerramento.”
Quando você compra um produto com defeito, o prazo decadencial que você tem, à luz
do CDC, para exercer o direito potestativo de reclamar pelo vício é de 30 ou de 90 dias. Nesse §
2º, você vê que existem algumas situações que impedem o início desse prazo. Então, você vai até
a loja com o produto defeituoso, sabendo que tem 90 dias para ir ao Juizado exercer o direito
potestativo de reclamar. Ainda que o gerente diga que vai resolver, é bom que você protocolize
uma reclamação por escrito porque enquanto a loja não lhe der uma resposta negativa, o seu
prazo está impedido de começar a correr. É uma hipótese de prazo decadencial que está
impedido de começar a correr.
CAUSAS INTERRUPTIVAS DA PRESCRIÇÃO
A prescrição é uma defesa indireta de mérito, do credor ou do devedor? A quem interessa
que o prazo prescricional corra logo? Quando o credor interrompe a prescrição, o prazo
prescricional recomeça do zero. Para evitar abuso, o código novo estabeleceu que essa
interrupção só poderá se dar uma única vez.
“A interrupção da prescrição, nos termos do art. 202, só poderá se dar uma única vez.”
Neste segundo prazo que é reaberto do zero, o credor vai ter que formular a pretensão em
juízo, vai ater que ajuizar a ação de cobrança, formulando a pretensão em Juízo. Aqui exaure-se
a sua pretensão.
“Art. 202. A interrupção da prescrição, que somente poderá
ocorrer uma vez, dar-se-á:
 I - por despacho do juiz, mesmo incompetente, que ordenar
a citação, se o interessado a promover no prazo e na forma da lei
processual;”
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http://www.planalto.gov.br/ccivil/leis/Mensagem_Veto/anterior_98/vep664-L8078-90.htm#art26%C2%A72ii
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Quando o juiz ordena a citação, o efeito interruptivo da prescrição retroage à data do
ajuizamento da ação. Lógico, porque, imagine se o credor ajuizou no último dia do prazo e o juiz
despachou um ano depois. Esse despacho do juiz que ordena a citação, opera o efeito retroativo
da prescrição para a data do ajuizamento da ação.
“II - por protesto, nas condições do inciso antecedente;”
Olha a pegadinha. Esse protesto que interrompe a prescrição é o processo cautelar de
protesto. Assim como
“III - por protesto cambial;”
OBS.: O inciso III, do art. 202, ao admitir que o protesto cambial interrompe a
prescrição, prejudicou a Súmula 153, do STF que dizia exatamente o contrário, ou seja, que o
protesto cambiário não interrompe a prescrição. O código, em sentido totalmente diverso,
tornando a súmula sem eficácia disse que o protesto cambial interrompe a prescrição.
“IV - pela apresentação do título de crédito em juízo de
inventário ou em concurso de credores;”
Ocorre quando o credor habilita o crédito dele no inventário ou no concurso de credores.
Isso demonstra que ele está se movimentando.
“V - por qualquer ato judicial que constitua em mora o
devedor;”
Notificação judicial, interpelação judicial, por exemplo. E a notificação extrajudicial? O
credor manda por A.R., por carta registrada a notificação do devedor. Interrompe a prescrição?
Eu acho que deveria, mas ortodoxamente ou literalmente, notificação extrajudicial não
interrompe prescrição porque o código fala em ato judicial.
“VI - por qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial,
que importe reconhecimento do direito pelo devedor.”
 
Exemplo: confissão de dívida que o devedor faz, ainda que extrajudicial, interrompe a
prescrição. No momento em que o devedor reconhece a dívida, ele está interrompendo a
prescrição que recomeça a correr.
“Parágrafo único. A prescrição interrompida recomeça a
correr da data do ato que a interrompeu, ou do último ato do
processo para a interromper.”
 
Essa interrupção só poderá se dar uma única vez. O empregado sofreu os efeitos do
código civil. No direito do trabalho, existe um enunciado do TST que diz que quando a
reclamação trabalhista é arquivada, a cada arquivamento haveria a interrupção do prazo. Para o
empregado isso era ótimo. A interrupção se operava e o prazo recomeçava. O que os empregados
faziam? Iam até a audiência, no momento em que via o empregador, o empregado ia embora.
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Isso era feito inúmeras vezes. Isso acabou. Essa norma do Código Civil que estabelece que a
pretensão só pode ser interrompida uma única vez, também se aplica ao direito do trabalho.
(Fim da 1ª parte da aula)
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA PRESCRIÇÃO E DA DECADÊNCIA
O juiz pode reconhecer de ofício a prescrição? Sim. E se o devedor quiser renunciar à
prescrição? A prescrição é matéria de defesa. É uma defesa do devedor. Como você explica ao
examinador que se o juiz pode pronunciar

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