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09 - Prescrição, Decadência, Obrigações (1) doc

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3 anos. O prazo prescricional era de 20, o
credor não se movimentou. Faltariam quantos anos para a prescrição? 3 anos, pelo código novo
ou 8 anos para totalizar 20, pelo código velho? Apesar de o código não ter sido muito minucioso,
adotou uma regra geral sobre isso. Essa regra que vou lhes ensinar pode gerar na prática alguns
problemas matemáticos, mas foi opção do legislador. A resposta a essa pergunta (quantos anos
faltariam para a prescrição) encontra-se no art. 2028, do Código Civil:
“Art. 2.028. Serão os da lei anterior os prazos, quando
reduzidos por este Código, e se, na data de sua entrada em vigor,
já houver transcorrido mais da metade do tempo estabelecido na
lei revogada.”
O prazo foi reduzido? Sim. De 20 para 3 anos. Então, se no concurso cair uma questão
desta a primeira pergunta que você deve fazer é se o prazo foi reduzido. Tendo sido reduzido,
você aplica o 2.028: se decorreu mais da metade do prazo da lei velha, continua a aplicar a lei
velha. Faltariam, no exemplo, quantos anos para a prescrição? 8 anos.
Se no concurso a questão propôs a transcrição de menos da metade, por exemplo, no 7º
ano entra em vigor o código de 2002, faltariam 3 anos para a prescrição. Esses três anos, que é o
prazo da lei nova, você conta da consumação do ilícito ou da entrada em vigor do código novo?
“A esmagadora maioria da doutrina e a jurisprudência do STJ já firmaram o
entendimento no sentido de que o prazo menor da lei nova deve ser contado a partir da entrada
em vigor do novo Código Civil e não do momento em que o direito é descumprido (ver REsp
896635/MT).”
“REsp 896635: (...) O prazo prescricional em curso,
quando diminuído pelo novo Código Civil, só sofre a incidência da
redução a partir da sua entrada em vigor. Precedentes. (...)”
Até porque se você considerasse o prazo contando a partir do início, você estaria dando
retroatividade ao código novo e fulminando o credor que tinha, 20 anos de prazo e, de repente,
acorda sem nada. Maria Helena Diniz sustenta que o prazo tem que ser contado a partir do
direito descumprido. Mas é posição isolada na doutrina.
Vamos ver agora uma matéria que também faz diferença porque cai em todos os tipos de
concurso: tanto federal quanto estadual (MPF adora). Foi a matéria que eu mais estudei na
faculdade. Achei muito difícil no início. Essa matéria,de todos os ramos é o mais lógico de todos
e que, com equilíbrio, você consegue responder sem muita teoria. Estou falando do direito das
obrigações.
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LFG – CIVIL – Aula 09 – Prof. Pablo Stolze – Intensivo I – 26/03/2009
PARTE ESPECIAL
LIVRO I - DO DIREITO DAS OBRIGAÇÕES
CONCEITO
“Ramo mais intelectual do direito civil, o direito das obrigações traduz um conjunto de
normas que disciplina a relação jurídica pessoal entre credor e devedor.”
Uma obra recomendada: “Das Obrigações” (em dois volumes) – João de Matos Antunes
Varela. O tomo “Das Obrigações em Geral” é uma obra insuperável.
O que o direito das obrigações disciplina? É a relação jurídica pessoal, obrigacional,
vinculativa entre dois sujeitos. O direito das obrigações regula uma relação obrigacional entre
dois sujeitos. De um lado, você tem o sujeito ativo, que é o credor e do outro lado, você em o
sujeito passivo, que é o devedor. O recorte científico é que o direito das obrigações disciplina a
relação jurídica pessoal que vincula o credor ao devedor.
O nome da disciplina é ‘direito das obrigações’, como que se homenageasse a parte que
está obrigada. Poderia ser ‘direito dos créditos’, mas a doutrina e o legislador preferiram
consagrar o tema ‘direito das obrigações’. Isso faz parte da sua vida muito mais do que você
imagina. Você tem uma relação jurídico-obrigacional com a sua operadora de celular, com o
banco que você tem conta, com a sua companhia de seguros, e vice-versa. A relação
jurídico-obrigacional é dinâmica e tem um grande conteúdo econômico. É uma relação
horizontal entre pessoas. Que pessoas? Credor e devedor.
RELAÇÃO JURÍDICA OBRIGACIONAL e RELAÇÃO JURÍDICA REAL
Não confunda a relação jurídica obrigacional, que é pessoal com a relação real porque a
real é vertical e é disciplinada por outro ramo do direito, os direitos reais ou das coisas. A
expressão direito das coisas foi utilizada com mais frequência até o início do século XX. Depois,
a doutrina passou a preferir direitos reais, conjunto de normas que disciplina a relação jurídica
real, que é vertical, vinculando o sujeito e uma coisa (res). Relação real não se confunde com a
obrigacional.
OBS.: “A relação jurídica real tem características próprias (ver, nesse ponto, trecho de
parecer do professor Arruda Alvim no material de apoio). Uma das características principais da
relação real é a tipicidade. A relação real é típica. A relação obrigacional não é típica.”
A relação jurídica real pressupõe pretensão em lei. Toda relação real tem tipo na lei. Você
não pode inventar direitos reais, direitos jurídico-reais (propriedade, usufruto, superfície,
servidão, todos estão previstos em lei). Mas há relações obrigacionais que não estão previstas em
lei porque não exigem a tipicidade. A relação jurídico-obrigacional vincula pessoas, sujeito
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http://www3.dataprev.gov.br/sislex/paginas/11/2002/10406.htm#PE
http://www3.dataprev.gov.br/sislex/paginas/11/2002/10406.htm#PE_L1
LFG – CIVIL – Aula 09 – Prof. Pablo Stolze – Intensivo I – 26/03/2009
ativo, credor e passivo, devedor. Ao passo, que a relação real é vertical, entre sujeito e coisa e
típica, prevista em lei.
OBRIGAÇÃO PROPTER REM
Questão de concurso: O que é obrigação propter rem? Alguns chamam a propter rem de
obrigação ob rem, há quem chame de in rem e há quem chame de obrigação real. Como é que
uma obrigação é real? O grande problema dessa obrigação está nisso, na sua taxionomia, no seu
enquadramento científico. Por que? É uma obrigação hermafrodita porque híbrida. Ela está entre
a relação obrigacional pessoal, entre os direitos das obrigações e a relação jurídica real, o direito
das coisas.
“A obrigação ‘propter rem’, de natureza híbrida, ou mista, é aquela que vincula pessoas
(credor e devedor) e se justapõe a uma coisa, acompanhando-a em poder de quem quer que
seja.”
Exemplo clássico: obrigação de pagar taxa condominial. É típica obrigação propter rem.
Vincula pessoas, credor e devedor e se acopla a coisa. Não importa quem seja o dono. Ele terá
que arcar com a dívida condominial (ver REsp 846187/SP).
“REsp 846187/SP: (...) 1. As cotas condominiais, porque
decorrentes da conservação da coisa, situam-se como obrigações
‘propter rem’, ou seja, obrigações reais, que passam a pesar sobre
quem é o titular da coisa; se o direito real que a origina é
transmitido, as obrigações o seguem, de modo que nada obsta que
se volte a ação de cobrança dos encargos condominiais contra os
proprietários.(...)”
O proprietário não pode alegar que a obrigação não é dele porque segundo o contrato de
locação que firmou, o locatário assumiria a obrigação de pagar condomínio. Para o condomínio,
isso não tem nada a ver porque quem tem obrigação de recolher taxa condominial é o
proprietário. Ele que depois, ingresse com a ação regressiva.
Pegadinha: não confundir a obrigação propter rem com obrigação de eficácia real, que é
outra coisa.
OBS.: “Não se deve confundir a obrigação propter rem com a obrigação com eficácia
real.”
Nós estamos vinculados por uma relação obrigacional (você me contratou para dar aula).
Essa obrigação que nos une (você me alugou um apartamento) gera efeitos erga omnes ou inter
partes? Inter partes. A obrigação, em princípio, nos vincula. É caracaterística da relação
obrigacional vincular, em regra, credor e devedor, ao passo que a relação real tem uma
oponibilidade erga omnes. Eu sou dono do meu carro contra qualquer pessoa que se oponha ao
meu exercício de proprietário.
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LFG – CIVIL – Aula 09 – Prof. Pablo Stolze – Intensivo I – 26/03/2009
A obrigação com eficácia real é aquela obrigação comum levada a registro e que passa a
ter efeitos erga omnes como se fosse um direito real. Não é um direito real, mas

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