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Referencias Bibliográficas ➢ Cezar Roberto Bitencourt – Tratado de Direito Penal – Parte Geral – V.1 ➢ Luiz Regis Prado – Curso de Direito Penal – Parte Geral – V.1 ➢ Rogério Greco – Curso de Direito Penal Brasileiro – Parte 1 – Parte Geral ➢ Paulo Queiroz – Curso de Direito Penal Brasileiro – Parte Geral ➢ Luiz Henrique e Zaffaroni – Manual de Direito Penal Brasileiro TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 05/04/2018 ➢ A garantia mais essencial do ser humano, depois da vida e da integridade física, é a liberdade, por isso o direito penal é o mais invasivo. ➢ Pena ● Ideia de sentimento afetivo. É necessário passar por um sistema de repressão para desenvolver um sentimento afetivo. ● Temos 3 Tipos de pena: o Pena de prisão restritiva de direito; o Multa; o Medida de segurança → para as pessoas incapazes de serem punidas penalmente (inimputáveis). ➢ Direito Penal nasce do Direito Canônico. ● Descumprir a lei tem relação com o pecado, então é necessário passar por aflição que lhe faça espiar o seu pecado no claustro → Descumprimento da norma precisa ter uma repressão afetiva. o Claustro → cela pequena, isolada, na qual se fica contido até espionar o seu pecado. TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 ➢ Sistema penal → Sistema antigo para reprimir qualquer inadequação / disparidade. ➢ Forma de poder distinta determina o que vai ser considerado crime e o que vai ser considerado aceito. Implicação é maior do que falar de lei, que cria a lei determina não só o crime, mas também o criminoso. Histórico do sistema penal carcerário segrega massas indesejadas. ➢ Contexto das revoluções europeias ● Põe fim ao sistema feudal → rompimento da estrutura estatal que mantinha grupos à margem. Ascensão da burguesia. Trabalhadores dos feudos passam a ficar à margem. ➢ Tipificar → estabelecer determinada conduta como crime. ● Tipo penal → crime posto na lei ➢ Bem jurídico é o que a norma penal, em tese, protege: Bittencourt (2010, p. 38), bens jurídicos "[...] são bens vitais da sociedade e do indivíduo, que merecem proteção legal exatamente em razão de sua significação social. [...] A soma dos bens jurídicos constitui, afinal, a ordem social " . O direito penal existe para proteger o bem jurídico, mas na prática atinge os marginalizados socialmente. ➢ Primeira ideia do direito penal → limitar o poder do Estado. TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 ➢ Quem determina a pessoa que vai ser sujeito do direito penal é quem também cria as normas. ● O destinatário da norma penal é essencialmente a população mais vulnerável no seio social, seja por racismo, miserabilidade... A seletividade do direito penal é cristalina. A neutralidade da lei penal é um mito. ➢ Direito penal deveria ser subsidiário / fragmentário. ● Subsidiário e Fragmentário ou de “ ultima ratio ” → princípio que diz que só será utilizado quando não houver outra forma de resolver a situação do ponto de vista jurídico. ➢ Prisão ● A repressão que exerce é pautada na noção de cárcere. ● Só deveria ocorrer em última instância. ● Um dos fundamentos da prisão → garantia de ordem pública (vem do regime ditatorial que ainda tem resquícios no código penal). ● O Estado não permite sanção que atinja a vida da pessoa, a não ser em uma situação de guerra. ➢ Princípio da Presunção de Inocência / Não Culpabilidade ● Qualquer pessoa não será considerada culpada até que seja comprovado o crime (após o trânsito em julgado) TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 o Trânsito em julgado → impossibilidade de discussão ➢ Princípio da Proporcionalidade no direito penal ● Segundo o qual a medida necessária da sanção penal vai ser proporcional ao objetivo da pena, proporcionalidade entre a sanção aplicada e a finalidade. ➢ Formalmente a pena servirá para ressocializar, para prevenir a reincidência do criminoso. → Não funciona na prática para prevenir a criminalidade. ➢ Quanto mais desigualdade social, maior a criminalidade. ➢ Direito penal em tese tenta proteger o bem jurídico. ➢ Direito penal basilar → deve ser mínimo, que intervenha menos. ➢ Não há relação direta entre criação de leis e redução de crimes. 10/04/2018 Na aula anterior… ➢ Princípio da Fragmentariedade ● O Direito Penal é para ser utilizado no último caso, quando já não houver outra ferramenta jurídica capaz de resolver o problema, é a última instância a ser utilizada. TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 ➢ Princípio da Presunção da Inocência ● Nenhuma pessoa pode ser presumida culpada → convenção de direitos fundamentais. ● Ninguém deve ser considerado culpado sem a comprovação definitiva de culpa. ● Esgotamento de demonstração de culpa, através de provas, é do Ministério Público. ● Não se prova o não fazer, pois vai limitar a garantia essencial do indivíduo que é a liberdade. ➢ Princípio da Legalidade ● É o princípio segundo o qual não haverá pena, sequer crime, sem prévia lei penal que determine a conduta e a pena atribuída a essa conduta . ● Só pode ser sancionado se houver uma lei prévia, genérica e abstrata. ● Existência da lei penal na prática não é capaz de evitar a existência de crime. Não se pode tipo penal de previsão legal. Objetivo é que a pessoa não seja pega de surpresa, com o tipo penal criado anteriormente. ➔ Tipo penal ● Forma como o crime é descrito na lei. Ex.: Matar alguém é o tipo penal homicídio. ● Não se deve criar um tipo penal novo se existir outros meios de solucionar o problema. Escolas do Direito Penal TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 1. Escola Clássica ➢ Dos delitos e das penas 1.1. Cezar Beccaria ● Necessidade de limitar o poder do Estado e de racionalizar o direito penal com ideias pautadas na... ● O Estado como união de poderes cedidos pelas pessoas. Se o governante se utilizardo poder de forma desmedida ele vai perder o respeito e a capacidade de gerir o governador. Beccaria fala disso no contexto do iluminismo, contexto de transição, poder centralizado do monarca que passa a ser dividido com as figuras em ascensão, a classe burguesa. ● Beccaria tenta coibir um tipo de pena especificamente → a pena de morte (também envolvendo penas corpóreas, torturas) e consegue. A burguesia se vale das ideias dele. 1.2. Romagnosci ● O Direito penal precisa ser pautado em uma forma de limitar a atuação do Estado sobre a pessoa, traduz a mesma ideia de Beccaria. O Estado tem que ter limites a sua forma de punir. ● Tutela Estatal não pode ser total ou toda vez que um monarca achar que está descumprindo um interesse seu. Tutela precisa ser abstrata, genérica e não porque desagradou pessoalmente o monarca. TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 ● Nesse período as sociedades estão se organizando de forma mais complexa, aumentando também a desigualdade social e a marginalização. Teorias não dão conta de diminuir o índice de criminalidade, só aumentou a racionalização do direito penal, dando um limite à forma como o Estado atua. Depois da Escola Clássica as penas deixam de ser físicas. Surgem então outras teorias criminológicas. 2. Escolas Positivistas ➢ Ainda sob influência do cientificismo. 2.1 Lombroso – adotadas por Nina Rodrigues ● Trabalhava no IML e desenvolveu tese de que haveria um perfil anatômico de homem delinquente, propensos ao cometimento de crime. 2.2 Enrico Ferri ● Pessoas de classe social mais baixa seriam as mais propensas a ser delinquentes. Viés sociológico trabalhado de uma forma positivista, determinista, classe baixa é a cometedores de crimes. 2.3. Raelli Garofaro ● Determinismo Moral → pessoas ruins estavam fadadas ao cometimento de crimes. ● Solução: a morte. Se o indivíduo optou por desobedecer uma norma moral, não tem condição de conviver em sociedade, a solução é a pena de morte. TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 3. Dias de hoje… Direito Penal Contemporâneo 3.1. Funcionalismo Sistêmico – Jackobs ( IMPORTANTE) ● Direito penal do inimigo o A pessoa que descumpre as normas não é mais sujeito de direito. Existem pessoas que se adéquam ao cumprimento da norma, estas então possuem garantias de cidadãs. Para as que não se adéquam, o Estado é o executor do direito penal do outro. o Direito penal é escolha do sujeito. Se você cumpre a lei você é um cidadão de direitos, se não cumpre a lei você é um inimigo do Estado . o Se não houver o cumprimento por um, há um incentivo ao não cumprimento por todos. 3.2. Funcionalismo - Roxin ● Lei penal existe para cumprir uma função na sociedade, para se adequar, para prevenir . Necessário a prevenção de determinadas condutas através do direito penal. ● Teoria Dialética de Roxin o Formas de prevenção: lei e repressão → sentido negativo e positivo que se complementam. o Lei → Desestimula → Negativo TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 o Repressão → Ressocializa (através do cumprimento da pena) → Positivo 17/04/2018 ➔ Documentário: “Justiça” da diretora Maria Augusta Ramos ➢ Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa ● Contraditório o É o princípio, segundo o qual, é dado a todas as partes envolvidas no processo a oportunidade de contraditar as informações apresentadas. o Para convencer a outra parte, ela tem que poder participar do processo, então ela tem que entender o que está sendo dito para poder efetivamente participar. Não tem como a pessoa se defender de algo que ela não entende o que é. ● Ampla Defesa o Meio de exercício do direito do contraditório. Possibilidade de, por todos os meios, utilizar de prova disponíveis para demonstrar a sua inocência. Utilizar todas as possibilidades de defesa possível para demonstrar a razão que a pessoa afirma ter. 24/04/2018 ➔ Documentário: As Mulheres e o Cárcere ➔ Para Leitura: Vigiar e Punir - Michel Foucault TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 4. Escola deslegitimadoras do direito penal ➢ Partem do pressuposto de que o sistema penal é feito para controle social → gestão de indesejáveis. ➢ Necropoder ● Vertente de uma teoria desenvolvida por Achile Mbemde. Essa perversão se dá pela escolha da forma de extermínio de grupos indesejados que acontece de forma racista, em um Estado de exceção para esses grupos. ● Foucault - Vigiar e punir → a burguesia ascende ao poder e quer ter massas como súditas, massas para serem apropriadas como capital humano. ● Mbemde dialoga com Foucault, só que através de uma óptica pós moderna, reconhece o que Foucault chamou de biopoder (poder sobre a vida de determinadas pessoas), mas em sociedades que passaram por um processo de colonização. ● “ ...há um padrão mórbido de governança espacial que elege determinadas geografias urbanas e determinados corpos como os alvos de controle e produção do medo. Os conceitos de necropoder e governamentalidade discutidos por Michael Foucault e Achilles Mbembe, respectivamente, sustentam o argumento de que a distribuição desigual da morte no município se constitui em uma necro-política estatal de gestão do espaço urbano e controle da população, seja por omissão seja por cumplicidade com os padrões mórbidos de relações raciais no Brasil .” ● Por que o direito penal coloca as pessoas em uma condição de cela, de claustro? TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 o É um processo de desumanização das pessoas, que é uma parte do exercício do necropoder, para tirar a condição de ser de direito, tirar a concepção própria de se reconhecer como ser existente. ● Em sociedades que passaram por um processo de descolonização, principalmente na nossa sociedade escravocrata, o necropoder está vinculado ao sistema penal, pois este cria diferenciação para quem possui privilégios sociaise quem está alcançado pela situação do racismo estrutural. Começando da abordagem policial, que é seletiva, e vai até as execuções. ● A polícia também sofre com a mesma estratificação social, pois é vista por quem detém o poder também como um grupo indesejado, então é posta na linha de frente para ser vista pela sociedade também como um inimigo. ● Necropolítica → Gestão política do indesejável, seleciona um grupo indesejado e identifica como inimigo. ➢ Nesse contexto nascem as teorias deslegitimadoras da pena, que são teorias que concentram críticas à sistemática penal e entendem que não é possível falar em um sistema penal legitimado numa sociedade democrática de direito. Atuam em diversas esferas. 4.1 Teoria Garantista – Luigui Ferrajoli ● Italiano que trata do direito penal como um direito que serve e é legítimo unicamente quando limita o poder punitivo do Estado de acordo com as garantias previstas pelas Constituições e pelo próprio direito penal . Como os princípios já abordados, que TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 servem para limitar a atuação do direito penal, pois se iniciam como uma forma de limite ao poder punitivo do Estado. ● Quando Ferrajoli dialoga sobre isso, o que ele quer dizer é que não podemos falar em uma ampliação do direito penal, pois foi criado para proteger a integridade da pessoa diante de um poder de punir que o Estado tem. O direito penal deve atingir as pessoas como um protetor de suas garantias. O direito penal deve ser um reprodutor das garantias fundamentais do indivíduo, é para isso que o direito penal serve e foi criado primordialmente, e atrelado a isso proibir que um indivíduo mate o outro para que a vida seja preservada. Para o funcionamento do Estado capitalista deve-se preservar a vida das pessoas até o ponto em que essa seja uma população aproveitada e desejada, no momento em que se fala de uma massa indesejada aí não se preocupa mais com a vida ou com a integridade. 4.2 Correntes Agnósticas – Zafforoni ● Argentino que analisa a partir da premissa latino americana, um direito penal de Estados colonizados. ● Diz que a função primordial do direito penal é promover um sistema de vingança, o Estado tirou o poder das pessoas de se vingar para ele mesmo realizar a vingança. Vingança perpetrada pelo Estado através da pena. ● O Estado vende a ideia que o direito penal ressocializa e que previne o cometimento do delito. → Ideia equivocada do direito penal. TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 4.3 Teoria do Abolicionismo Penal – Nils Christie / Louk Hulsman / (Zaforoni não admite) ● Os mais radicais essencialmente, propõem a extinção da prisão. A extinção de um sistema penal nos moldes que temos é a única forma de lidar com o direito penal, pois não resolve, ao contrario, é um sistema de perpetuação do holocausto. O sistema penal em si mesmo deve ser revisto. ● Os mais comedidos, como Vera Regina Pereira de Andrade no Brasil, trabalham com perspectivas de diminuir o alcance do cárcere, o que se aproxima do direito penal mínimo → direito penal só tem que atuar quando se tratar de bens jurídicos imprescindíveis: à vida, à liberdade, à integridade física, a saúde... são bens que efetivamente merecem as sanções do direito penal. (ideia mais racional que temos). ➢ Existem teorias legitimadoras de bens que pregam o direito penal máximo , ideia de direito penal do inimigo – Jackobs – quem descumpre as normas perde as garantias inerentes à condição de cidadã, podemos escolher cumprir as normas ou não, se eu não cumpro, não faço parte do Estado. A norma existe e precisa ser cumprida para proteger o sistema normativo, não tem a ver com a proteção do bem jurídico em si mesmo, tem a ver com a garantia de que o sistema normativo é respeitado. É baseado na teoria do sistemas de Luhman que fala em retroalimentação. ➢ Justiça Restaurativa → decorre de correntes abolicionistas, mas não faz parte desse abolicionismo, pode ser trabalhada em paralelo com o sistema penal. O Estado atua só através de técnicas, por profissionais, que possibilitem reconhecimento da ofensa e um diálogo entre quem praticou e quem sofreu a ofensa. 26/04/2018 TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 5. Teorias sobre o direito penal máximo ➢ Direito Penal de lei e ordem → Para manter a ordem social o direito penal deve ser aplicado sem isenções ou a ordem social vai se perder. 5.1 Teoria das Janelas Quebradas – James Q. Wilson (Universidade de Chicago) ● Teoria foi utilizada para aplicar uma política de lei e ordem a partir de um estudo que concluiu que se não houver uma repressão quando a primeira conduta inadequada ocorrer, outras maiores acontecerão . Por isso o Estado deve reprimir as primeiras condutas, por mais insignificantes que elas pareçam. No entanto, estas experiências sociais foram realizadas em um período de aprofundamento da crise após a queda da bolsa. o Experiência fez análise patrimonial. o No primeiro momento a criminalidade diminui, mas posteriormente não. o Teorias forjadas em um momento de desconexão com o momento social → momento de crise, de nichos de miserabilidade, qualquer coisa era motivo para levar a prisão. (Série Gothan) o Posteriormente identificou falácias dessas teorias, mas o Direito Penal de lei e ordem não deixou de existir. ➢ Essas teorias partem da premissa que o direito penal pode ser caracterizado de duas formas: retributivo ou de prevenção. TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 o Direito Penal Retributivo → quando a finalidade da pena é exclusivamente reprimir a conduta e não existe preocupação para ressocializar ou para prevenir. Retribuição Estatal. o Direito Penal de Prevenção → serviria, no primeiro momento, para prevenir o cometimento de crime, servir como um limitador. No segundo momento, para ser aplicado sobre a figurado próprio condenado (direito penal especial). ▪ Atuação sobre a figura do condenado (especial): positiva ou negativa ̽ Positiva → Ressocialização. ̽ Negativa → Segregação social. Vai impedir o condenado de cometer novos crimes, tirando o condenado da sociedade através da prisão. ➢ Nosso código se diz da prevenção (consta no código), mas na prática é retributivista. ➢ Prevenção geral → toda a sociedade entende que existam valores que estão protegidos. ● Valores positivos → abster-se de determinada conduta por causa da norma. ● Valores negativos → abster-se de fazer algo porque vai ser preso. (mito) ➢ Socialização → comunhão de valores e de oportunidades. ➢ Direito penal simbólico ou promocional serve a 3 pilares: TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 ● 1. Tenta convencer a população através de leis mais rígidas. Assim o legislativo “escapa” de dialogar com a população sobre o problema real. ● 2. Diminui no primeiro momento a sensação de frustração social, acalma a comoção pública. ● 3. Adia a resolução de questões sociais, o que é vantajoso para quem detém o poder, o legislador ganha vantagem sobre isso. ➢ A Constituição de 88, na tentativa de diminuir desigualdades e tentando assegurar que não tenhamos um Estado penal de exceção, trouxe princípios a cerca do direito penal que estão estabelecidos no código penal e na constituição, que são os princípios penais constitucionais: como legalidade, fragmentariedade ou subsidiariedade ou intervenção mínima, presunção de inocência, contraditório e ampla defesa, proporcionalidade, devido processo legal... Outros princípios vão fornecer garantias mínimas, pois, ao criar as leis tem que haver ideia de lesividade, ideia de proteção dos bens jurídicos, direito penal só deveria poder tutelar atos que resultem em uma efetiva lesão ao bem jurídico, direito penal não pode tutelar uma conduta por uma violação moral, ideológica, de acepção de linguagem ou qualquer fator que não seja externalizado, que gere um dano a um bem jurídico. ● Jackobs discorda, pois acredita que a função do direito penal não é proteger bem jurídico, e sim proteger a norma. Daí decorre que não deve existir o direito penal do autor . ➢ Direito penal do autor → direito penal não pode ser direcionado a proibir a conduta de uma figura em específica, não pode atingir alguém em razão de uma acepção pessoal TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 desse alguém, é preciso que haja um direito penal do fato, quer dizer que a conduta lesiva é que será observada, não da pessoa que cometeu a conduta. ➢ Observância ao Princípio da Culpabilidade ? diferença entre sentido amplo e stricto? ● Culpabilidade no sentido amplo → Capacidade de responder penalmente pelos atos, capacidade de autodeterminação, possibilidade de ser responsabilizado. É a atribuição de responsabilidade pessoal, demonstrar que a pessoa pode responder por aquela situação na medida da sua responsabilidade. Sentido amplo é o primeiro momento, para saber se a pessoa vai ser responsabilizada pelo crime. Essa medida vai ser verificada no caso concreto e vai fazer com que exista outra espécie de responsabilidade, a responsabilidade subjetiva. o Responsabilidade subjetiva → só a pessoa que age de forma ilícita vai poder ser sancionada / punida, pois não podemos falar em transferência de responsabilidade no direito penal. o Necessário demonstrar que o ato da pessoa partiu dela, com o intuito de causar o dano ou no mínimo um descuido pelo dever que ela deveria ter cumprido. o A pessoa só pode ser responsabilizada quando agiu ou omitiu com dolo ou culpa. Só nesses casos é que a pessoa poderá ser sancionada na esfera penal. ▪ Dolo → o intuito, a vontade dirigida a realização de algo. TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 ▪ Culpa → descumprimento de um dever objetivo de cuidado. Deveria ter tomado precaução, foi imperita ou descuidada... ● Culpabilidade no sentido stricto : capacidade da pessoa de se orientar consciente do fato e podendo agir de outro modo. É o segundo momento, depois que a pessoa já foi responsabilizada pelo crime, já está sendo processada, ocorre outra análise de culpabilidade: saber se essa pessoa podia naquele momento agir de uma forma diferente, se ela tinha consciência do ato e saber se a pessoa pode ser efetivamente sancionada com uma pena comum. ✹ Imputabilidade penal → capacidade de responder pelos atos cometidos. ● O critério de imputabilidade do nosso ordenamento é biopsíquico → formação biológica da pessoa (através da idade) e a formação mental. ● Inimputáveis → direito penal não irá atingir essas pessoas. 1. Abaixo de 18 anos ▪ Serão sancionados pelo ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), através de medidas sócio educativas. ▪ Atos praticados contra o bem jurídico nesses casos são chamados de atos infracionais equiparados a crime. 2. Incapacidade da pessoa de se autodeterminar no momento do ato. TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 ▪ Ex.: um surto esquizofrênico → outro tipo de pena: medida de segurança (como internamento em hospital psiquiátrico). 03/05/2018 Para leitura: Vigiar e Punir - Foucault ● Parte 1 → Cap. 1 e 2 ● Parte 2 → Mitigações das Penas ● Parte 3 e 4 → para a segunda parte de curso ✹ Imputabilidade e Inimputáveis TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 ➢ O critério de definição de imputável para o nosso sistema penal é biopsíquica, pois considera caracteres físicos e mentais (aspecto emocional de autodiscernimento, de autodeterminação). ➢ O legislador entendeu (como base em pesquisas) que a idade a partir da qual o indivíduo é considerado imputável, capaz de responder pelos seus atos, é de 18 anos. ➢ Há pessoas que mesmo após ultrapassarem o marco de 18 anos serão consideradas inimputáveis, que são aquelas cujo desenvolvimento mental seja comprometido. Um dos critériospara avaliar esse contexto é se no momento da ação a pessoa era capaz de autodeterminar - se. ➢ O conceito de imputabilidade e de inimputabilidade vai trabalhar a ideia de capacidade de entendimento e de autodeterminação. ● Ex.: Uma pessoa sobre os efeitos do álcool pode perder a capacidade de autodeterminação, apesar de não ser considerado inimputável, no caso de um alcoolista. TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 o Embriaguez involuntária não é causa de afastamento da culpabilidade, da responsabilidade penal, pode ser causa de atenuação de pena. A embriaguez voluntária pode ser causa de aumento da pena. ➢ Criança e adolescente cometem ato infracional equiparado a crime , respondem pelo ECA com medidas sócio educativas, entre as quais pode haver a medida de internação, afastando o menor do convívio social para tenha condição de reinserção em uma condição melhor (na teoria). No entanto, costuma ser um sistema tão ineficaz quanto o sistema prisional tradicional. Criança e adolescente podem ser sancionados, mas tecnicamente não cometem crime. ➢ Duas situações distintas para a inimputabilidade: total (Art. 26 – CP) e parcial (Art. 26 parágrafo único – CP) Art. 26 do CP → Isenção de pena por incompletude de entender os fatos. ➢ Nuances da própria culpabilidade pode ser menor a depender da capacidade da pessoa de se autodeterminar, além disso existem situações nas quais a pessoa vai estar sobre efeito de substâncias e sua pena pode ser atenuada. ✹ Prevenção: geral e especial (Teorias Prevencionistas) ➢ Prevenção Geral → para todas as pessoas. Direito Penal tendo por fim prevenção geral de futuros delitos. ● Positiva TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 o Reforçar a norma → “tem gente presa e se você fizer o mesmo será preso também”. É aplicada através do temor pela ameaça da sanção. Pena fortalece os valores da norma. o Jackobs → Teoria do direito penal do inimigo, que vem da teoria do funcionalismo sistêmico, onde a meta é assustar a pessoa para que ela não cometa o delito por causa da sanção. ● Negativa o Simbolizada através da prisão → uma “espetacularização” da aplicação da norma, abstém a prática de delitos. o Feuerbach → precursor das teorias absolutas preventivas. Serve para dizer que temos um Estado forte, que pune através da norma. Fim da pena é a prevenção geral de novos delitos por meio de coação psicológica. ➢ Prevenção Especial → Focada no sujeito. Finalidade: prevenir novos crimes ressocializando os autores. ● Positiva → Ideia de ressocialização do indivíduo. ● Negativa → Retirada da pessoa que cometeu delito da sociedade através do encarceramento. TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 ➢ Revisando... A justificativa formal é que o direito penal existe para proteger o bem jurídico. A instrumentalização da pessoa sustentada por Jackobs viola alguns dos princípios, como o da lesividade e da ofensividade, estes justificam a aplicação do direito penal tão somente quando uma conduta for capaz de violar um bem jurídico, o que inviabiliza em tese que o direito penal seja utilizado para perseguir determinados grupos por manifestação ideológica, por identidade pessoal, por orientação... Só se poderia aplicar o direito penal se a conduta da pessoa violasse um bem jurídico, por isso não se deve ter um direito penal do autor (criado para um grupo específico) e sim dos fatos. Apesar da ideia que o direito será abstrato (não será do autor), existe uma ideia dentro da prevenção especial chamada de correcionalismo. ➢ Teoria do Correcionalismo ● É uma parte extremada das teorias de prevenção especial, que entende que o direito penal exerce uma espécie de medicalização social, porque o direito penal retira da sociedade os problemas com os quais ela não tá conseguindo lidar, é uma espécie de saneamento social (tratando pessoas com sujeira, limpar a sociedade). ● Para essa teoria é permitido ao direito penal aplicar inclusive medidas terapêuticas, cirúrgicas, retiradas de glândulas, intervenções cerebrais, restrição de contato com outras pessoas para fazer com que esses sujeitos se tornem dóceis. ● Vigiar e Punir (Foucault) fala dos corpos dóceis, onde a docilização é feita através de todos os tipos de subjugação para que a pessoa fique menos confrontadora diante da circunstância que ela se encontra. TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 ● Indicação de filme: Laranja Mecânica e o Documentário Nise da Silveira ➢ Teoria moderada de prevenção especial - Von Liszt ● A ideia de prevenção é mais moderada, pois através da prisão especial só é sancionado o indivíduo que cometeu a violação ao bem jurídico, então o direito penal só é aplicado quando na violação do bem jurídico. No entanto, a norma não trata só do aspecto do bem jurídico, não é aplicada de acordo com a lesividade, existem vítimas (ou ofensores) adequadas e inadequadas. ➢ Teoria Dialética Unificadora → Teoria eclética a cerca da legitimação da pena ● Defendidas por Roxin. ● A pena será justificada pra proteger bens jurídicos de acordo com preceitos justos ● Teoria eclética, pois vai do geral para o especial (visão utópica). ● Para Roxin o Direito Penal deve ser utilizado pra fins de prevenção geral, mas só se não existir outro instrumento no direito capaz de evitar determinada conduta. Deve ser também utilizado na sua função especial, pois a pessoa que cometeu o delito precisa ser reintegrada socialmente e a pessoa que foi vítima do delito precisa ter um retorno estatal quanto aquela situação para evitar que queira exercer vingança privada. ● Necessário regra para determinar, aplicar e executar a pena, para isso devem existir parâmetros para criar, aplicar e executar a norma. o No momento de criar a lei → o Estado deve se atentar somente em proteger o indivíduo. TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 o No momento daaplicação → o Estado deve buscar dá um retorno pela lesão ao bem jurídico e possibilitar a ressocialização. Tudo com base nas normas existentes. Não tem busca por valor moral. o Na fase da execução → o Estado deve possibilitar a pessoa sancionada que se reintegre socialmente. ● Para Roxin esses são os limites essenciais que legitimam a pena: ela só vai ser aplicada para bens jurídicos que não podem ser tutelados em outras esferas e a norma tem que ser geral e específica. 08/05/2018 ✹ Debate: Como é que o sistema penal se desenvolve, quais os princípios que ele alega possuir, mas viola nas formas como executa as penas? Associar com os princípios e escolas vistas em aulas, exemplos dos documentários... Revisando... ● Escola Clássica: Justificativa do direito penal → limitação do poder do soberano sobre as pessoas. Justificativa das penas → a repressão, a retribuição para a pessoa que optou por não se coaduna com o respeito devido às instituições, finalidade da pena: retribuição, escolas retributivas. ● Escola positivista: Escolas penais que buscam não mais falar de uma justificativa de pena, buscam sustentar o direito penal através dos conceitos de antropologia, escolas de corrente lombrasianas, cientificismo exacerbado, idéia de criminoso nato, TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 morfologia, conceitos de caracteres inerentes, racializadora, utilizam da pena como forma de segregação social e a pretexto de justificar a incidência de determinadas condutas associadas a alguns grupos, características fenotípicas, depois sociológicas (Henrico Ferry). Vai desenhando um sujeito, um destinatário dessa pena. ● Homo sacer - “homem sagrado” → figura escolhida para ser sacrificada, que se pode tirar a humanidade e colocar como sujeito de qualquer sanção. Devir negro aqui assume várias formas, imigrantes, mulher... ● Necropoder → poder de decidir sobre vida e morte. 10/05/2018 Revisando os Princípios ➢ Legalidade ● A lei precisa está prevista de forma abstrata e anterior, não pode subsistir posteriormente ao fato alcançando o fato pretérito, como regra. ➢ Humanidade das penas ● Proíbe as sanções de natureza aflitiva sobre o corpo. ➢ Presunção da inocência ou não culpabilidade ● A pessoa é considerada inocente até que se demonstre a culpa. ➢ Contraditório e da ampla defesa TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 ● Permitem que os fatos alegados possam ser objeto de discussão por quem está sendo acusado por todos os meios de defesa cabível. O acusado precisa ser devidamente informado sobre os fatos, para saber do que precisa se defender, precisa ter possibilidade de arguir o contrário e de provar o contrário. ● Contraditório → Direito de questionar a acusação, contradizer o que está sendo dito. É o poder fazer. ● Ampla defesa → Meio pelo qual se exerce o contraditório, os meios para demonstrar que não é culpado. É a forma como se faz. ➢ Fragmentariedade e Subsidiariedade ● O direito penal só irá atuar quando o caso não puder ser tratado dentro de outra esfera do direito. ➢ Lesividade ou ofensividade ● O direito penal só pode tutelar condutas que causem lesão a um bem jurídico . Isso impede o direito penal do autor e faz com que seja direito penal dos fatos. ➢ Individualização da pena ou da Responsabilidade pessoal ● Responsabilidade sempre será subjetiva e pessoal, não se transfere da pessoa do condenado para outras. ➢ Insignificância TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 ● Não se justifica que o direito penal possa incidir sobre comportamentos insignificantes, irrelevantes. ➢ Culpabilidade ● Sentido amplo - medida de reprovabilidade do ato. ● Sentido stricto - capacidade de se responsabilizar pelo ato. ➢ Proporcionalidade e Razoabilidade ● Proporcionalidade – o direito penal deve retribuir somente na medida necessária para a reparação do dano. Adequação da pena a finalidade proposta. ● Razoabilidade – somente aplicar o direito penal quando ele é efetivamente necessário, na medida de resposta a conduta. ➢ Teoria do Etiquetamento ou Labelin Aproach – Sutherland ● “A criminalidade não é uma propriedade inerente a um sujeito, mas uma “etiqueta” atribuída a certos indivíduos que a sociedade entende como delinquentes. Em outras palavras, o comportamento desvian te é aquele rotulado como tal.” → Baseada no perfil. ● O crime e o criminoso são socialmente construídos e rotulados ● Criminologia da Reação Social – Lola Aniyar de Castro TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 https://pt.wikipedia.org/wiki/Comportamento_desviante o “Para essa teoria o desvio é uma construção social, e não uma conduta em si mesma má. Trata-se de uma interpretação, de acordo com um dado momento histórico-cultural, que define quais serão os comportamentos tolerados e quais serão tipificados como ilícitos. Assim sendo, um delito só o é considerado como tal, se dessa forma for rotulado pela sociedade. Não há que se falar em conduta criminosa, em si mesma, ou em um autor criminoso por fatores naturais ou intrínsecos: o próprio sistema formata quais delitos e que pessoas sevem ser acossadas.” Fontes do Direito Penal ➢ Como regra o direito penal vai se orientar por normas no senso stricto, seja a CF, seja os códigos. 1. Norma → Primeira fonte do direito penal. Irá obedecer ao sistema de normas: constituição, legislação e depois portarias, regimentos (pirâmide de Kelsen). 2. Doutrina → Complementando o sentido do direito penal, é responsável pelas interpretações das teorias jurídicas, pela permeabilidade de entendimento das teorias jurídicas que vão nortear as normas. 3. Jurisprudência → Vai dizer como o direito está sendo aplicado no caso concreto. Só suprime a norma em caso de divergência constitucional e só para proteger. TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 4. Analogia → Como regra não vai poder ser aplicada, mas poderá como exceção sempre que foraplicada em “bonam partem”, a favor da parte ré. Se coaduna com a impossibilidade de extensão do direito penal, não se pode fazer interpretação do direito penal que seja extensiva. ➢ Anomia (falta de leis) → no direito penal não se fala em ausência de lei, se o legislador não colocou, não é crime. ➢ Princípio da Especialidade ● Conflito aparente, duas previsões para uma conduta, fala-se de especialidade para saber qual norma será aplicada, pode-se utilizar norma de outras esferas do direito. ➢ Norma penal em branco → precisa de outros elementos para que a norma penal seja integralizada, elementos normativos também. 22/05/2018 1. LEI PENAL NO TEMPO E NO ESPAÇO (Pág. 123 – Queiroz) ➢ A partir de quando uma lei é valida no caso concreto. ➢ Regra Geral: A lei penal não poderá retroagir, se não em benefício do réu. 1.1. LEI PENAL NO TEMPO - TEORIAS QUE TENTAM JUSTIFICAR 1.1.1. TEORIA DA AÇÃO – CP brasileiro TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 ● O tempo do crime é o tempo da ação ou omissão. ● Ex.: Se João atirou em José hoje e José morreu depois de 3 meses. Nesse tempo surgiu uma lei penal mais gravosa, o tempo considerado do crime vai ser o tempo que João atirou em José. 1.1.2. TEORIA DO RESULTADO ● O tempo do crime vai ser o tempo em que de fato o resultado se consuma. ● Para o mesmo exemplo: O tempo seria o do resultado (da morte) e João seria condenado de acordo com a nova lei. 1.1.3. UBIQUIDADE ● Teoria segundo a qual temos o tempo do crime como o momento em que houve a ação ou o momento em que houve o resultado. As duas situações podem ser considerados o cometimento do delito. Não vai ser considerada para fins te tempo do crime no nosso ordenamento. Art. 4º, CP Ex.: Se Pedro, com 17 anos, atira em João e João só morre quando Pedro já fez 18 anos → Pedro não vai responder criminalmente, e sim ato infracional. 2. EXCEÇÕES 2.1 LEI ESPECIAL TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 2.1.1 LEI EXTRAORDINÁRIA OU TEMPORÁRIA OU EXCEPCIONAL → o que motiva uma situação excepcional. ➢ LEI DE EFICÁCIA DEFERIDA → os fatos vão se prolongar no tempo. ➢ Exceções ao Tempo do Crime: Lei determinada por uma circunstancia extraordinária (Ex.: Lei da Copa) que tem sua eficácia que se estende no tempo, deferida. Os fatos acontecidos neste tempo, mesmo depois não sendo considerados mais criminosos, vão ser tutelados por essa lei, ainda que posteriormente venha uma lei mais benéfica. A eficácia deferida irá se prolongar no tempo. Tem uma espécie de ultra atividade. Tempo do crime é que será considerado para o réu. 2.2. SÚMULA 711 DO STF Nos crimes permanentes a lei penal válida será do ultimo dia de existência do crime. "A lei penal mais grave aplica-se ao crime continuado ou ao crime permanente, se a sua vigência é anterior à cessação da continuidade ou da permanência.” ● Crime permanente → Tem caráter de continuidade no tempo, se prolonga. Ex.: criação de grupo terrorista, de milícia, sequestro. A cada dia estão reiterando a conduta criminosa. A lei penal válida será a lei em vigor no ultimo dia do crime. TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 ● Crime continuado → Crimes vinculados. Ex.: Assalto a banco, depois roubo de um carro para fuga, atira... faz isso em cidades vizinhas... Aí existe um ciclo de delimitação espacial e temporal, se cria uma figura jurídica que é mais benéfica réu, porque se entende que esses crimes estão conectados, no sentido de continuidade. A pena não será somada isoladamente por cada crime, será a mais grave aumentada. Se houver uma lei nova que tenha vigência iniciada até o ultimo ato, será esta a ser aplicada, ainda que mais gravosa. ● Crime Preterdoloso → dolo na ação e culpa no resultado. Quer praticar um ato doloso, mas acaba acontecendo um outro, não intencional. Ex.: A intenção era o roubo, mas acontece de matar a pessoa. Vai responder por um dolo equivocado. Responderá pela pena da primeira ação, só que de forma mais grave. ● Consumação → exposição da pessoa ao risco. ● Exaurimento → efeito final de uma conduta. Ex.: Crime de transmissão de doença venérea consiste na exposição de outra pessoa ao risco. O individuo sabe que tem a doença e pratica o ato sexual sem medidas de impedir a transmissão, esse crime vai se consumar mesmo que a outra pessoa não adquira a doença. Se contrair a doença, além da consumação teve o exaurimento . 2.3 RETROATIVIDADE DA LEI PENAL Existe a possibilidade de que a lei penal e a jurisprudência mais benéficas retroajam, inclusive na fase de execução penal. TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 Ex.: João cometeu crime de sequestro quando tinha 17 anos, passam-se 2 meses, findou-se o sequestro e João já tinha 18 anos. Como é classificado como crime continuado, João pode ser processado por sequestro. Revisão... Pessoas doentes (sem discernimento) são inimputáveis, sofrem medida de segurança. Psicopata não tem patologia, ele sabe o que é errado, tem discernimento, só não se importa. Teoria da Adequação Social → conduta que é aceita socialmente não pode ser tutelada pelo direito penal, mas tem dificuldade de aplicação prática, pode ser perigoso em períodos de exceção. Principio da humanização das penas → proíbe castigos de natureza física e psíquica. Individualização das penas → a pena não pode se estender para além da pessoa que cometeu o crime. Princípio da proporcionalidade → grau necessário para sancionar, a pena deve ter a medida da gravidade do ato, adequação e necessidade da pena. Finalidade da pena formalmente para o nosso sistema: ressocializar o indivíduo → Concepção / Corrente teórica: Funcionalismo de Roxin – teoria preventiva que tem por finalidade a sanção na medida necessária quando houver violação do bem jurídico no sistema fragmentário,sanção que impeça a pessoa de cometer mais delitos, que sirva de reconfiguração para que não exista vingança privada e ao mesmo tempo ressocialize a pessoa. TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 Questão nos moldes da prova: Mário é preso com 10g de maconha depois de uma busca policial. Mário foi abordado aleatoriamente pelos policiais que o levou até sua casa onde estavam esses 10g de maconha. No Processo... Defesa: Mario não deveria ter sido coagido a ser levado a sua casa já que existem princípios que norteiam o procedimento e que ele não deveria ser condenado. MP: A conduta de Mario deve ser reprimida porque com base em teorias a sansão será necessária para evitar que a conduta se alastre socialmente e que o Estado seja entendido como um Estado que aceita a prática criminosa. Quais princípios que podem ser invocados na defesa? Presunção da inocência (pessoa selecionada aleatoriamente), fragmentariedade, lesividade (taxação das 10g). Quais teorias que sustentam a tese do MP? Funcionalismo sistêmico de Jackobs, Teoria da lei e ordem. TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 UNIDADE II 07/06/2018 e 12/06/2018 LEI PENAL NO ESPAÇO ➢ Diz respeito ao conceito de soberania. ➢ Necessária para discutir até que ponto determinado regramento jurídico é válido dentro de uma circunscrição. ● E se o crime for cometido numa margem entre uma circunscrição e outra? ● E se houver ação em um local e resultado em outro? ➢ Precisamos saber qual é local que vai ter competência para processar a situação jurídica. 1. TEORIA DA AÇÃO O espaço de competência para julgamento do crime é o espaço do cometimento do ato , não importa onde ocorra o resultado. 2. TEORIA DO RESULTADO Não importa onde ocorreu a ação inicial, o local competente para o processamento do feito será o local onde o resultado aconteceu. TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 Ex.: Pessoa tomou o tiro no avião no Brasil, mas só morreu quando estava no espaço Peruano, vai ser processado no Peru. 3. TEORIA DA UBIQUIDADE Teoria mista segundo a qual o espaço competente para processar o feito será tanto o do cometimento do delito quanto o do resultado. Qualquer um vai ser competente para processar o feito. Se as decisões forem contraditórias, a primeira será válida, em caso de competência relativa. Em caso de competência absoluta do Brasil, não vai importar a decisão do outro local. A competência absoluta e relativa são definidas de acordo com o tipo de pessoa contra a qual se cometeu o delito. Se as decisões forem coincidentes no sentido de condenar mas distinta quanto a pena, a pessoa pode cumprir a pena em mais de um lugar. Se for absolvido lá não poderá ser condenado aqui. Em caso de competência absoluta do Brasil não vai importar a decisão estrangeira. CP/40 Territorialidade Art. 5º - Aplica-se a lei brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional, ao crime cometido no território nacional. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984) . → Incondicionada, pois envolve a questão da territorialidade. TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 § 1º - Para os efeitos penais, consideram-se como extensão do território nacional as embarcações e aeronaves brasileiras, de natureza pública ou a serviço do governo brasileiro onde quer que se encontrem, bem como as aeronaves e as embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, que se achem, respectivamente, no espaço aéreo correspondente ou em alto-mar. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984) § 2º - É também aplicável a lei brasileira aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou embarcações estrangeiras de propriedade privada, achando-se aquelas em pouso no território nacional ou em vôo no espaço aéreo correspondente, e estas em porto ou mar territorial do Brasil. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984) Lugar do crime (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984) Art. 6º - Considera-se praticado o crime no lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984) → Teoria da Ubiquidade Extraterritorialidade (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984) Art. 7º - Ficam sujeitos à lei brasileira, embora cometidos no estrangeiro: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 1984) I - os crimes: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) a) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República ; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984) b) contra o patrimônio ou a fé pública da União, do Distrito Federal, de Estado, de Território, de Município, de empresa pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 instituída pelo Poder Público; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984) → Pessoas Jurídicas de Direito Público. c) contra a administração pública, por quem está a seu serviço; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984) d) de genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no Brasil; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984). II - os crimes: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) a) que, por tratado ou convenção, o Brasil se obrigou a reprimir; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984) b) praticados por brasileiro; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984) c) praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984) – necessário requerimentos legais para que isso aconteça (nas alíneas do § 2º) § 1º - Nos casos do inciso I, o agente é punido segundo a lei brasileira, ainda que absolvido ou condenado no estrangeiro. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984) § 2º - Nos casos do inciso II (crimes de tratadosou convenções) , a aplicação da lei brasileira depende do concurso das seguintes condições: (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984) a) entrar o agente no território nacional; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984) TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 b) ser o fato punível também no país em que foi praticado; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984) – dupla tipicidade, diferente do inciso I, que não importa se é crime no outro país ou não. c) estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984) d) não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984) e) não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a lei mais favorável. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984) § 3º - A lei brasileira aplica-se também ao crime cometido por estrangeiro contra brasileiro fora do Brasil, se, reunidas as condições previstas no parágrafo anterior: (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984) a) não foi pedida ou foi negada a extradição; (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984) b) houve requisição do Ministro da Justiça. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 1984) ➢ Extraterritoidade poderá ser condicionada ou incondicionada. ● Condicionada → dupla tipicidade, vinculação do julgamento também no outro país. o Ex.: Pena de 8 anos, a pessoa já cumpriu 5 no exterior, então só cumprirá 3 anos aqui no Brasil. TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 ● Incondicionada → a lei brasileira, para ser aplicada, não depende do preenchimento de nenhum requisito . ➢ Quando o crime é cometido contra a pessoa brasileira e houver uma negativa de extradição é possível que haja requisição no Ministério da Justiça para o julgamento acontecer no Brasil. Isso vale para quando houver aqui uma relevância maior no caso. ➢ Teoria da Ubiquidade → Para o nosso código será considerado para o crime tanto o local da ação como o local do resultado, isso evita que uma situação tenha inicio em um local e final em outra jurisdição e esta tenha a teoria contrária. ● Ex.: Supondo que o Brasil adotasse teoria da ação e Paraguai a do resultado. Começa uma ação no Paraguai e consuma no Brasil, como Paraguai adota a teoria do resultado não pode julgar essa situação, como Brasil adota da ação, também não poderia julgar. Haveria um crime sem possibilidade de julgamento. ● O Brasil adota a teoria da Ubiquidade para que seja possível que o crime seja processado tanto no outro local ou aqui, sem maiores danos, para que não haja um ato ilícito sem julgamento. ● No Brasil: Lei penal no tempo → teoria da ação / Lei penal no espaço → ubiquidade ● Teoria da ubiquidade está atrelada a questão da soberania. ● Exceções: Para fins de tribunal penal internacional, mesmo que uma pessoa seja brasileira e tenha cometido crime de genocídio, por ser um crime de competência estendida/cedida ao tribunal penal internacional, a pessoa poderá ser julgada pelo TPI. TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 Corpos Indóceis de Foucault → Sua perspectiva do corpus indóceis através do sistema de repressão é o de controle dos corpos e de simbolismo desses corpos. Quando se tira o suplício da frente das pessoas e começa a trabalhar a punição longe da vista, também tira das vistas das pessoas quem cometeu o delito, então em tese, parece que a sociedade está se tornando mais organizada e humanizada, o imaginário do sistema prisional é importante para compreendermos não só o sistema prisional, mas toda a gestão do público indesejado socialmente. Quando se fecha um local com pessoas que socialmente não tem voz, está dizendo a sociedade que está tudo bem, se não são corpos visíveis para o público de fora, aquele contexto social aparentemente não existe. Quando fala em corpos indóceis são corpos que não se submetem a regramentos sociais, então como não é desejado socialmente precisa ser colocado dentro de um objeto que é a estrutura prisional. 19/06/2018 e 05/07/18 Revisando... O conceito de lei penal no espaço tem haver com soberania, pois temos o conceito básico da territorialidade segundo o qual dentro de um espaço de um determinado país é a lei desse país que será aplicada, regra geral. Mas é possível uma exceção a essa regra, chamada de extraterritorialidade que a priori é uma exceção pautada em determinada circunstância. Temos dois tipos de extraterritorialidade: condicionada (dupla tipicidade) e incondicionada. Na condicionada há uma situação em que, se cometido o crime em outro local, mesmo que tenha a soberania definida, podem ser julgados no Brasil por requisição do TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 Ministro da Justiça quando o crime for praticado contra brasileiro e não houver apreciação no lugar de origem e não houver extradição solicitada ou indeferida. NOÇÕES BÁSICAS DA TEORIA DO CRIME Existem diferentes concepções sobre o que é que faz uma conduta ser passível de sanção. Teoria Causalista ou Naturalista A conduta que deveria ser sancionada pelo direito penal era uma conduta dotada de espontaneidade que gerasse um resultado danoso. Essa teoria não explica determinadas situações, como quando a pessoa não tem consciência do ato (não havendo previsibilidade), nem quando há uma omissão e essa omissão gera um resultado danoso que a parte deveria evitar. Considera que a ação era uma manifestação voluntária do resultado lesivo e a omissão era uma contração de vontade. Teoria Finalista - Welzel Uma teoria causal com um resultado pautado na vontade. A ação ou omissão que devem ser sancionadas são aquelas que são a causa de um resultado danoso com o direcionamento para aquele resultado. Tem a finalidade de ocasionar um resultado. Conseguia explicar em parte determinadassituações, mas não conseguia explicar a culpa. ● Culpa → situação de negligência, imprudência ou imperícia que acaba ocasionando o resultado em que se ignora a previsibilidade do risco. ● Dolo → vontade direcionado para o resultado. TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 Teoria associa ação e omissão penalmente relevantes não mais ao simples gesto que causa o resultado danoso, mas a vontade de produzir esse resultado. Teoria também não explica conduta relevante para o direito penal. Teoria das Escadas ou Árvore do Crime Para passar para o outra fase de análise precisa ter passado pela prévia, nessa ordem para quem adota a teoria tríplice, como no Brasil: 1) Tipicidade → adequação da conduta ao que a norma prevê e a relevância disso para o meio em que a pessoa se encontra (tipicidade material). 2) Ilicitude / Antijuridicidade → confrontação do ordenamento jurídico com aquela conduta. Verificar se a conduta contrária em toda a estrutura do ordenamento jurídico, não será considerada crime se o direito penal for proibido, mas outra esfera do direito permitir. Ex.: invasão de domicílio. Para ser ilícito penal, tem que ser ilícito em todas as esferas do direito. 3) Culpabilidade → potencial consciência da ilicitude (capacidade de discernimento) do grau de reprovabilidade daquela conduta, a possibilidade de conduta diversa e capacidade de autodeterminação. ➢ Foucault → 3ª parte – Cap. 1 e 2 / 4ª parte – Cap. 1 TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1 ● Conectar a análise de Foucault sobre o sistema de punição e o que aprendemos como a pretensa seleção de bens jurídicos, como tribunal simbólico, como funções das penas formais... Por que existe uma distinção …. TEORIA DO DIREITO PENAL I – PROF. ª ANA GABRIELA FERREIRA 2018.1