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HISTÓRIA
HISTÓRIA DO BRASIL 
REPÚBLICA
Fabiano Luiz Curtulo
Andréa Aníbia Wolff
http://unar.info/ead2
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 1 - Movimento Republicano no Mundo e no Brasil 
Fabiano Luiz Curtolo 
Andréa Wolff 
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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” 
 
CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
Os ideais republicanos ressurgiram durante os séculos XVIII e XIX, no contexto 
das ideias iluministas, que entre outras pregações, propunha a liberdade política e 
econômica e a igualdade social e jurídica. 
O republicanismo chegou ao Brasil trazido pelos ventos do iluminismo francês, 
na figura dos filhos dos ilustres membros da elite rural, ou mineradora colonial que se 
diplomavam bacharéis em direito na Europa. 
A crise da Monarquia e a ascensão do republicanismo brasileiro, na segunda 
metade do século XIX, são consequência das transformações sociais, econômicas, 
militares, e consequentemente políticas. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
Republicanismo no Mundo 
 
O conde de Montesquieu, baluarte do iluminismo, apresentou uma proposta 
política que visava à divisão dos poderes políticos em três partes, os quais agiriam de 
forma independente e inter-relacionada. Ele idealizou o Estado regido por três poderes: 
Legislativo, Executivo e Judiciário, e essa teoria influenciaram muitas nações modernas, 
além da causar impacto na política. 
A Declaração de Independência dos Estados Unidos da América, em 4 de Julho 
de 1776, apresentava claramente as propostas iluministas republicanas, isto é, o direito 
inalienável do homem à vida, à liberdade e à busca da felicidade. 
A Revolução Francesa representam a difusão dos ideais republicanos burgueses, 
e serviram de influência para todos os demais movimentos de libertação. Ela é 
considerada como o acontecimento que deu início à Idade Contemporânea, pois aboliu 
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UNIDADE 1 - Movimento Republicano no Mundo e no Brasil 
Fabiano Luiz Curtolo 
Andréa Wolff 
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a servidão e os direitos feudais e proclamou os princípios universais de "Liberté, Egalité, 
Fraternité”, frase de autoria de Jean-Jacques Rousseau. 
Durante o processo revolucionário francês, foi publicada a “Declaração dos 
Direitos do Homem e do Cidadão”, cujo objetivo era ratificar oficialmente os ideais de 
Liberdade, Igualdade e Fraternidade. 
 
Republicanismo no Brasil 
 
Os ventos do republicanismo soprariam tardiamente no Brasil, primeiro nos 
movimentos emancipacionistas do século XVIII (Inconfidência Mineira e Conjuração 
Baiana) e posteriormente, em meados do século XIX, na Revolução Praieira em 
Pernambuco (1848), a qual, segundo alguns autores, foi o último movimento de 
contestação ao modelo monárquico, antes do conjunto de fatores que levariam à ruína 
do império brasileiro. 
As ideias iluministas chegaram ao Brasil, através de muitos brasileiros das classes 
mais altas da sociedade que iam estudar em universidades da Europa e entravam em 
contato com as teorias e pensamentos que se desenvolviam em território europeu. Ao 
retornarem ao país, após os estudos, estas pessoas divulgavam as ideias do iluminismo, 
principalmente, nos centros urbanos. 
Durante a Guerra do Paraguai, os militares brasileiros acabaram tendo contato 
com combatentes de outros países, o que os levou a aprofundar o conhecimento em 
outros regimes políticos. Então, os militares começaram a criar um interesse muito 
grande pelo ideal republicano e a Guerra só evidenciou o quanto suas carreiras eram 
desvalorizadas, pois não tinham autonomia nenhuma, uma vez que eram comandados 
pelo Imperador. 
Os ideais iluministas, outrora citados (liberdade, igualdade e fraternidade), 
difundiram-se e ganharam adeptos. Porém, esses movimentos foram duramente 
reprimidos e sufocados pelas forças militares que defendiam os interesses da coroa 
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UNIDADE 1 - Movimento Republicano no Mundo e no Brasil 
Fabiano Luiz Curtolo 
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portuguesa, mas um século adiante, serviriam de embasamento ideológico para a 
difusão da propaganda de aceitação popular da transformação política no Brasil, 
quando a Monarquia foi substituída pela República. 
Em 1870 foi fundado o PRP (Partido Republicano Paulista), organizado pela elite 
cafeeira paulista ou burguesia do café. Tinha por objetivo, combater os antigos partidos 
políticos do império e, atacar veementemente a instituição monárquica em defesa da 
proposta do federalismo, ou seja, da autonomia das províncias. Segundo Boris Fausto 
em História concisa do Brasil: 
“A República concretizou a autonomia estadual, dando 
plena expressão aos interesses de cada região”; (pag. 
148). 
 
O Imperador D. Pedro II estava fragilizado por uma série de fatores que 
ocorreram ao longo das décadas de 1870 e 1880, entre eles, a campanha abolicionista 
que se difundiu no país após a Guerra do Paraguai (1864-1870), quando os militares, 
impedidos de se pronunciarem politicamente, se aliaram aos cafeicultores do Oeste 
Paulista, ambos insatisfeitos com o modelo monárquico. 
 A Proclamação da República no Brasil, em 15 de novembro de 1889, foi o 
resultado de uma conjunção de fatores econômico-político-militares, pois a burguesia 
cafeeira paulista requeria maior participação política e o Exército era tradicionalmente 
preterido pela Armada (Marinha). A aliança entre os cafeicultores e os militares do 
Exército Brasileiro resultou na deposição do Imperador e na consequente mudança do 
modelo político. 
Durante todo o processo Pedro II não demonstrou qualquer emoção, como se 
não se importasse com o desenlance. Ele rejeitou todas as sugestões para debelar a 
rebelião feitas por políticos e militares. 
Quando soube da notícia de sua deposição, simplesmente comentou: "Se assim 
é, será minha aposentadoria. Trabalhei demais e estou cansado. Agora vou descansar". 
Ele e sua família foram mandados para o exílio na Europa, partindo em 17 de 
novembro. 
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Fabiano Luiz Curtolo 
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Teresa Cristina, ex imperatriz do Brasil, casada com D. Pedro II. 
Maior vítima do exílio imposto à família imperial após a Proclamação da República, teve 
uma crise emocional profunda e morreu logo que pôs os pés em Portugal. 
Houve resistência monarquista significante após a queda do Império, o qual foi 
sempre reprimida. Distúrbios contra o golpe ocorreram, assim como batalhas renhidas 
entre tropas monarquistas do Exército contra milícias republicanas. O “novo regime” 
suprimiu com rápida brutalidade e total desdenho por todas as liberdades civis 
quaisquer tentativas de criar um partido monarquista ou de publicar jornais 
monarquistas. 
Pedro II professou seu amor pelo Brasil ao longo de toda a vida e seu legado de 
realizações é o maior testemunho deste afeto que contribuiu para a formação da nossa 
identidade nacional. 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
O iluminista 
http://www.youtube.com/watch?v=YEJ6Jcpkv4o 
 
Montesquieu e a divisão dos poderes 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 1 - Movimento Republicano no Mundo e no Brasil 
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http://pnld.moderna.com.br/2012/01/18/montesquieu-e-a-divisao-dos-poderes/ 
 
Filme: O Patriota (no original: The Patriot) 
Gênero ação e drama dirigido por Roland Emmerich (Independencia dos EUA) 
 
Entrevista: Historiador fala sobre o impacto da República no Brasil 
http://www.epochtimes.com.br/entrevista-historiador-fala-sobre-o-impacto-da-
republica-no-brasil/ 
 
A transição entre essas duas formas de governo 
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/monarquia-e-republica-entenda-
a-transicao-entre-essas-duas-formas-de-governo.htmA República Brasileira 
http://educaterra.terra.com.br/voltaire/500br/republica.htm 
 
As origens da republica; de Emília Viotti 
http://cafehistoria.ning.com/ 
 
Movimento Republicano 
http://www.youtube.com/watch?v=LMalmFnjhQQ 
 
Itu - Cidade berço do Movimento Republicano 
http://www.youtube.com/watch?v=runf44ZturU 
 
 
 
 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 2 - A Primeira República – 1889 a 1930 
Fabiano Luiz Curtolo 
Andréa Wolff 
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CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
O período da história política brasileira que vai de 1889 a 1930 costuma ser 
designado pelos historiadores de diferentes modos: República Oligárquica –República 
do Café com- Leite – República Velha – Primeira República. 
A República Velha é dividida pelos historiadores em dois períodos. O primeiro 
período, chamado de República da Espada, O segundo período que foi chamado de 
República Oligarquica. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
A Elite 
Fazendeiros de Café, representada pelos partidos regionais, o principal partido 
regional era o paulista PRP – Partido Republicano Paulista. Essas elites estavam muito 
mais preocupadas com os seus interesses em cada região. Por razões claramente 
econômicas, o sonho era fazer uma República, que fosse pouco centralizada. O que 
significava o fim de centralização imperial, e a autonomia dos Estados que se tornaria 
muito amplo, e sendo assim a possibilidade de impor ao país um sistema que 
favorecesse o núcleo agrário-exportador em expansão. 
 
Os Militares 
O Exército, era a outra força que deu origem a república, tinham concepções 
diferentes dessas elites civis, onde a ideia era uma república centralizada, autoritária, 
tinham motivos de ordem corporativa e ideológica para se opuser à monarquia. Os 
militares estavam mais preocupados com a unidade nacional. 
A Guerra do Paraguai favoreceu a identificação dos militares como grupo, e eles 
começaram a criticar a posição secundária que o Império conferia à instituição. Essa luta 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 2 - A Primeira República – 1889 a 1930 
Fabiano Luiz Curtolo 
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foi ganha pelas elites civis, mas nos primeiros tempos os militares predominaram, basta 
se pensar nos governos de Deodoro e Floriano. 
 
República da Espada 
Foi dominado pelos setores mobilizados do Exército apoiados pelos 
republicanos, e vai da Proclamação da República do Brasil, no 15 de Novembro de 1889, 
até a eleição do primeiro presidente civil, Prudente de Moraes. A República da Espada 
teve viés mais centralizador do poder, em especial por temores da volta da Monarquia, 
bem como para evitar uma possível divisão do Brasil. Seus presidentes militares: 
 Marechal Deodoro da Fonseca (1889-1891) 
 Marechal Floriano Peixoto (1891-1894) 
Principais medidas modernizadoras: 
 
Instituição da República Federativa dos Estados Unidos do Brasil: modelo político 
republicano que concede autonomia aos estados, oficializando a descentralização 
política. 
Transformação das Províncias em Estados: oficializava a adoção do modelo federalista 
(descentralização política), uma vez que a denominação província estava fortemente 
ligada à Monarquia. 
Banimento da Família Real do Brasil: evitar qualquer reação monárquica. Extinção do 
Senado Vitalício: faz parte das transformações políticas de cunho estrutural, uma vez 
que o Senado representava a base de apoio do imperador, pois esses senadores eram 
escolhidos pelo mesmo. 
Dissolução da Câmara dos Deputados: evitar oposição às transformações operadas e 
preparar a esfera do poder legislativo para as novas diretrizes políticas vindouras. 
Supressão do Conselho de Estado: extinção de um dos principais órgãos políticos ligados 
ao modelo monárquico. 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 2 - A Primeira República – 1889 a 1930 
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Convocação de Eleições para o Congresso Constituinte: reunir os deputados constituintes 
responsáveis pelo estudo, organização e composição das leis da nova Constituição do 
país, promulgada oficialmente em 1891. 
Concessão de cidadania aos estrangeiros que viviam no Brasil (grande naturalização de 
estrangeiros): para alguns autores, tal lei permitiu um aumento significativo dos 
brasileiros brancos (imigrantes europeus) numa sociedade tradicionalmente marcada 
pelo escravismo africano e significativamente representada pelos afrodescendentes. 
Separação entre Igreja e Estado: faz parte da política de laicização do Estado, 
ideologicamente vinculado aos ideais positivistas difundidos durante o Movimento 
Republicano. 
Secularização dos Cemitérios: esses locais não seriam mais administrados pela igreja, 
tornando os municípios responsáveis pelos locais de sepultamento. 
Estabelecimento da liberdade de cultos religiosos, com isso, o catolicismo deixou de ser a 
religião oficial: processo de liberdade religiosa, tradicionalmente ligado aos ideais 
iluministas e republicanos. 
Extinção do Padroado e do Beneplácito: o padroado era o direito do imperador nomear 
cargos eclesiásticos católicos e o beneplácito era o direito de o imperador examinar as 
decisões da igreja antes das mesmas entrarem em vigor no Brasil. 
Criação dos Cartórios de Registros Civis, para legalizar nascimentos e casamentos: 
Diminuição da influência da Igreja, pois essa instituição era a responsável pelos ditos 
registros. 
 
Encilhamento 
Ainda no Governo Provisório, o jurista Rui Barbosa foi nomeado para o 
Ministério da Fazenda e, com o intuito de estimular os investimentos no setor industrial, 
facilitou a obtenção de crédito. A concessão exagerada de crédito foi possibilitada pela 
excessiva emissão de papel-moeda, sem lastro ouro, tornando o governo responsável 
pelas consequências econômicas. 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
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A intenção era fazer com que aqueles que obtivessem o financiamento público 
investissem no setor produtivo, o qual timidamente se mostrava como uma opção 
inovadora. Porém, a maioria dos beneficiados preferiu investir tais recursos na bolsa de 
valores, esperando um lucro mais rápido e menos trabalhoso que o setor produtivo, 
pois os juros cobrados pelo governo eram inferiores às expectativas de ganho no 
mercado de ações. Em plena crise do Encilhamento, o Congresso elegeu de forma 
indireta Deodoro da Fonseca para a presidência da República e Floriano Peixoto para a 
Vice-presidência. 
 
República Oligarquica 
Foi o período da implantação e consolidação da política oligárquica, controlada 
por grupos político-econômicos, principalmente os cafeicultores de São Paulo e os 
criadores de gado de Minas Gerais, colocando o Estado brasileiro a serviço de seus 
interesses. 
A República Oligárquica é a denominação dada ao período de 1894 a 1930, em 
que a política do país era dirigida por oligarquias agrárias e por representantes civis na 
presidência. Prudente de Morais foi o primeiro presidente civil que favoreceu a volta do 
poder agrário já que estes estavam limitados a dominar somente o poder legislativo. 
Foram presidentes do referido período: 
 Prudente de Morais (1894-1898) 
 Campos Sales (1898-1902) 
 Rodrigues Alves (1902-1906) 
 Afonso Pena (1906-1909) 
 Nilo Peçanha (1909-1910) 
 Hermes da Fonseca (1910-1914) 
 Venceslau Brás (1914-1918) 
 Delfim Moreira (1919) 
 Epitácio Pessoa (1919-1922) 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 2 - A Primeira República – 1889 a 1930 
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 Artur Bernardes (1922-1926) 
 Washington Luís (1926-1930) 
PartidosPolíticos Estaduais 
O período denominado República das Oligarquias ficou marcado pelo 
monopólio político exercido pela elite rural brasileira, reunida nos vários partidos 
republicanos estaduais: PRP (Partido Republicano Paulista), PRM (Partido Republicano 
Mineiro) e PRR (Partido Republicano Rio-grandense), os quais representavam 
respectivamente o poder econômico, político-eleitoral e militar. 
Fazendo uso do modelo constitucional que estabelecia o voto aberto (não 
secreto) para a presidência da República, manipulavam os eleitores e realizavam 
acordos políticos para se perpetuarem no poder. 
 
Política do café com Leite 
A política do café com leite foi uma política de revezamento do poder nacional 
executada na República Velha pelos estados de São Paulo - mais poderoso 
economicamente, principalmente devido à produção de café - e Minas Gerais - maior 
polo eleitoral do país da época e produtor de leite. 
 Foram raras as vezes que esses dois estados se separaram de forma oposta nas 
eleições presidenciais, sendo que o principal exemplo foi o ano de 1910, quando se 
sagrou vencedor o candidato do Rio Grande do Sul Marechal Hermes da Fonseca, 
sobrinho do ex-presidente Deodoro da Fonseca, saiu-se vitorioso nas eleições mais 
concorridas do período da República Velha. 
Durante seu governo, Hermes da Fonseca empenhou-se em realizar a “Política 
das Salvações”, denominação política dada ao autoritarismo implícito nas substituições 
das velhas oligarquias dos Estados opositores durante o processo eleitoral, por políticos 
mais jovens ligados ao Presidente da República. 
 
 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 2 - A Primeira República – 1889 a 1930 
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BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
Livro: História do Brasil 
Boris Fausto -Edusp Ano: 2004 
 
Site: Info Escola: 
http://www.infoescola.com/historia-do-brasil/republica-velha 
 
Museu Prudente de Moraes 
http://www.museuprudentedemoraes.piracicaba.sp.gov.br/home.php 
 
 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 3 - Governo Provisório; a Concepção de República e a 1ª Constituição da República 1891 
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CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
A Proclamação da República ocorreu dia 15 de novembro de 1889, no Rio de 
Janeiro, então capital do Império do Brasil, na Praça da Aclamação (hoje Praça da 
República), quando um grupo de militares do Exército brasileiro, liderados pelo 
comandante Marechal Deodoro da Fonseca, deu um golpe de estado e depôs o 
imperador D. Pedro II. Institui-se então a República Brasileira, o regime republicano no 
país, derrubando a Monarquia, sem derramamento de sangue. 
Após o início da República, havia a necessidade da elaboração de uma nova 
constituição, pois a antiga ainda seguia os ideais monárquicos. A constituição de 1891 
garantiu alguns avanços políticos, embora apresentasse algumas limitações, pois 
representava os interesses das elites agrárias do país. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO. 
 
O Brasil acordou monarquista na sexta-feira 15 de novembro de 1889 e foi 
dormir republicano. A República subtrai um grande país para si, e o Brasil entra numa 
nova era a República, um regime que permite: 
 
- a ampliação da cidadania, 
- a participação popular, 
- a democracia. 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 3 - Governo Provisório; a Concepção de República e a 1ª Constituição da República 1891 
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O governo provisório tem muitos ministros de talento, mas os problemas 
imediatos que eles terão de resolver são os mesmos que embaralharam o Império: o da 
indenização pela abolição, o da autonomia das províncias através da Federação e o da 
anarquia militar que os próprios golpistas criaram. 
 
Governo Provisório 
Faziam parte do governo provisório, organizado na noite de 15 de novembro, o 
Marechal Deodoro da Fonseca como presidente e, como ministros, Benjamin Constant 
(da Guerra), Quintino Bocaiúva (das Relações Exteriores), Rui Barbosa (da Fazenda), 
Campos Sales (da Justiça), Demérito Nunes Ribeiro (da Agricultura); O Almirante Eduardo 
Wandenwolk (da Marinha), Aristides Lobo (do Interior). Sendo que nessa data, o jurista 
Rui Barbosa assinou o primeiro decreto do novo regime, instituindo um governo 
provisório. O primeiro artigo do decreto inaugural do governo afirma: 
"Fica proclamada provisoriamente e decretada como forma de governo da nação 
brasileira a República Federativa". 
Durante o governo provisório foi decretada a separação entre Estado e Igreja; foi 
concedida a nacionalidade brasileira a todos os imigrantes residentes no Brasil; foram 
nomeados governadores para as províncias que se transformaram em estados. 
A família imperial brasileira foi banida do território brasileiro, só podendo a ele 
retornar a partir de 1920, com o decreto 4120 de 3 de setembro de 1920 que revogou o 
banimento da família real. 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 3 - Governo Provisório; a Concepção de República e a 1ª Constituição da República 1891 
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O "Governo Provisório" terminou com a promulgação, em 24 de fevereiro de 
1891, da primeira constituição republicana do Brasil, a constituição de 1891, passando, a 
partir daquele dia, Deodoro a ser presidente constitucional, eleito pelo Congresso 
Nacional, devendo governar até 15 de novembro de 1894. Deodoro, apoiado pelos 
militares, derrotou o candidato dos civis, Prudente de Morais. 
Assim que tomou “o lugar” do regime monárquico, os republicanos se 
preocuparam em estabelecer novos símbolos que tivessem a função de representar a 
transformação política acontecida no final do século XIX. 
Foi criada uma nova bandeira nacional, em 19 de novembro, com o lema 
positivista "Ordem e Progresso": 
 
A bandeira do Brasil é um dos quatro símbolos oficiais da República Federativa 
do Brasil. Os outros símbolos da República são as armas nacionais, o hino nacional e o 
selo nacional. Já em janeiro de 1890, o governo provisório do Marechal Deodoro da 
Fonseca lançou um concurso visando à oficialização de um novo hino para o Brasil e o 
vencedor foi O Hino à Proclamação da República do Brasil letra de Medeiros e 
Albuquerque, e música de Leopoldo Miguez. 
 
“Liberdade! Liberdade! 
Abre as asas sobre nós! 
Das lutas na tempestade 
Dá que ouçamos tua voz!” 
 
 
 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 3 - Governo Provisório; a Concepção de República e a 1ª Constituição da República 1891 
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República 
 
A palavra República significa "coisa pública, coisa de todos", indicando um 
sistema de governo que tem como objetivo atender aos interesses de todos os 
cidadãos. Em uma República, o país é governado pelo presidente, que é eleito pelo 
povo por meio de voto direto. O termo República foi concebido pelos romanos durante 
o processo de deposição do rei Tarquínio, o soberbo, o qual resultou na mudança do 
modelo político vigente em Roma (Monarquia – República) no ano de 509 a.C. A 
primeira república moderna foram os E.U.A., que adotaram em 1787 Constituição 
presidencialista, sendo seguidos pelos países da América espanhola e, no ano de 1889, 
pelo Brasil. 
Desde 1889 até os dias atuais, o sistema de governo no Brasil é republicano. Em 
uma República, o governo não é hereditário, ou seja, não passa de pai para filho. Os 
governantes são eleitos por meio de voto para exercer o poder durante um tempo 
determinado (no caso do Brasil, por quatro anos), podendo ser reeleito uma única vez. 
Durante o Governo Provisório, o Congresso Constituinte reuniu-se com o intuitode elaborar uma Constituição Republicana para o país. O então deputado Prudente de 
Morais, representante da burguesia cafeeira paulista, presidiu as seções e orientou os 
trabalhos. 
 
Constituição Republicana de 1891 
 
A Constituição republicana brasileira seguia o modelo norte-americano e 
assegurava as medidas modernizadoras tomadas durante o Governo Provisório. O 
direito de voto a todos os cidadãos, independentemente de sua posição econômica, 
contrariando e sepultando o modo censitário de cidadania do império, em outras 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 3 - Governo Provisório; a Concepção de República e a 1ª Constituição da República 1891 
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palavras, o voto censitário foi substituído pelo voto universal. Entretanto, eram cidadãos 
com direitos políticos apenas os homens, maiores de 21 anos alfabetizados. 
A votação ocorria de forma direta e descoberta (não secreta), fato que 
possibilitava a prática do coronelismo, isto é, uma maneira encontrada pela elite rural 
brasileira de controlar seus eleitores, obrigando-os, em troca de favores, a votar nos 
candidatos indicados pelos coronéis, sob pena de sofrer sérias represálias se agissem 
de maneira autônoma. Ocorreu ainda, a tripartição dos poderes, sendo que: 
O poder Executivo seria exercido pelo presidente da República eleito para um 
mandato de 4 anos, sem direito à reeleição (esta só seria permitida no Brasil a partir de 
uma reforma constitucional ocorrida em 1997-1998, durante o primeiro mandato do 
então presidente Fernando Henrique Cardoso) e pelos seus ministros de Estado, 
nomeados e se necessário demitido pelo presidente. 
O poder Legislativo era exercido pelo Congresso Nacional, formado pela Câmara 
dos Deputados Federais e pelo Senado Federal. 
O Poder Judiciário encontrava sua maior instância no Supremo Tribunal Federal, o 
qual contava ainda com o auxílio de outros tribunais e juízes. 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
República Velha – Boris Fausto 
http://www.youtube.com/watch?v=PBGhQDaieDo 
 
Significado República 
http://www.significados.com.br/republica/ 
 
Decreto Nº 1º, de 15 de Novembro de 1889: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1851-1899/D0001.htm 
 
 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 3 - Governo Provisório; a Concepção de República e a 1ª Constituição da República 1891 
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Hino da Republica 
https://www.youtube.com/watch?v=nJfKSfqiPqA 
 
História do Brasil 
http://www.historiadobrasil.net/republica/ 
 
Constituição da República 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao91.htm 
 
HISTÓRIA DO BRASIL REPUBLICA 
UNIDADE 4 - Primeiras Revoltas na República Velha 
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CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
Para evitar uma guerra civil, o marechal Deodoro optou por renunciar à 
Presidência da República. O seu cargo foi assumido pelo vice-presidente Floriano 
Peixoto. A Constituição de 1891, no entanto, garantia que, se a presidência ou a vice-
presidência ficassem vagas antes de se completarem dois anos de mandato, deveria 
ocorrer uma nova eleição, o que fez com que a oposição começasse a acusar a Floriano 
de estar ilegalmente no cargo. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
Durante o período militar (1889-1894) ocorreu a Revolta da Armada séria ameaça 
ao governo Floriano Peixoto, e uma de caráter regional, a Revolução Federalista. 
Primeira Revolta Armada 
Aconteceu no ano de 1891, em represália à maneira de atuar do então 
presidente da República Marechal Deodoro da Fonseca que, ao ver-se diante de sérios 
problemas para lidar com os partidos políticos contrários ao governo - representados 
pela nata cafeicultora - resolveu tomar uma atitude radical, fechar o Congresso, 
transgredindo a Constituição de 1891. Uma ação coletiva por parte de alguns centros da 
marinha, entre eles o da Baía de Guanabara, que se revoltaram e prometeram atacar a 
cidade do Rio de Janeiro, então capital da República. 
Para evitar o pior, Deodoro da Fonseca, então com apenas nove meses de 
gestão, decidiu renunciar. Seu vice, Floriano Peixoto, assume provisoriamente, pois 
segundo a Constituição, no prazo sumo de dois anos seriam chamadas novas eleições 
presidenciais. Quando se aproximava o fim de seu mandato à oposição começou a 
alardear que Floriano pretendia continuar no governo ilicitamente. 
 
 
HISTÓRIA DO BRASIL REPUBLICA 
UNIDADE 4 - Primeiras Revoltas na República Velha 
Fabiano Luiz Curtolo 
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Segunda Revolta Armada 
 
Teve início com uma agitação encabeçada por alguns generais, que enviaram 
uma carta ao presidente Floriano Peixoto ordenando-lhe que convocasse 
imediatamente novas eleições, em obediência à Constituição. O presidente coibiu 
severamente a insubordinação, ordenando a prisão dos condutores do levante. 
O golpe era comandado pelos oficiais superiores da armada Saldanha da Gama 
e Custódio de Melo, que ambicionava substituir Floriano Peixoto. 
O movimento retratava a insatisfação da Marinha, que se sentia politicamente 
inferior ao Exército. O levante não encontra apoio necessário no Rio de Janeiro, 
migrando então para o Sul. Algumas tropas se aquartelaram na cidade de Desterro – 
atual Florianópolis – e tentaram um acordo com os gaúchos partidários do federalismo, 
porém sem êxito. 
Em março de 1894 o Presidente da República, amparado pelas forças do Exército 
brasileiro, pelo Partido Republicano Paulista e contando com uma nova frota de navios 
obtida com urgência no exterior, abafou o movimento. 
O jornalista Eduardo Bueno comenta sobre a Revolta da Armada: 
 
Ela entrou para a história com o nome de Revolta da Armada, 
pois até o século 19, a Marinha era chamada de... Armada. 
Foram duas revoltas: a de novembro de 1891, quando caiu o 
presidente Deodoro da Fonseca; e a de setembro de 1893, em 
que rebeldes foram fuzilados na então Desterro, depois 
batizada Florianópolis, em homenagem a Floriano Peixoto, 
quem ordenou a matança. – Brasil: Uma HISTÓRIA, Edit. Leya. – 
Pag. 254. 
 
 As motivações dessa revolta remontam à histórica rivalidade entre a Marinha 
(Armada) e o Exército, pois a primeira ainda guardava a imagem de vinculo com a 
Monarquia, enquanto o Exército era tradicionalmente a força republicana. Além disso, 
temia-se a força da Marinha, única capaz de derrotar Floriano Peixoto. 
HISTÓRIA DO BRASIL REPUBLICA 
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Os rebeldes da Armada do Rio de Janeiro uniram forças com os federalistas do 
Rio Grande do Sul, e realizaram ataques à capital na Baía de Guanabara. Como ambos 
tinham o caráter antiflorianista, foram igualmente reprimidos violentamente pelas 
forças legais republicanas. 
“Tinham razão: a revolta veio a acabar daí a dias. A esquadra 
legal entrou; os oficiais revoltosos se refugiaram nos navios de 
guerra portugueses e o marechal Floriano ficou senhor da baía. 
“No dia da entrada, acreditando que houvesse canhoneiro, uma 
grande parte da população abandonou a cidade, refugiando-se 
nos subúrbios, por baixo das arvores, na casa de amigos ou nos 
galpões construídos adrede pelo Estado. 
“O fim do levante foi um alívio (...) e o marechal ganhou feições 
sobre-humanas com a vitória.”(Barreto, Lima. Triste fim de 
Policarpo Quaresma). 
 
Revolução Federalista: 1893-1895 
Uma das regiões politicamente mais instáveis do país nos primeiros anos da 
República era o Rio Grande do Sul. 
 Os conflitos políticos entre os dois principais grupos opositores do estado, os 
republicanos (maragatos) e os federalistas (pica-paus),acirrou-se durante o governo de 
Floriano, transformando-se em Guerra Civil que se estendeu ao estado de Santa 
Catarina. 
 Os federalistas eram acusados de serem simpatizantes da Monarquia, pois 
defendiam a centralização política e o parlamentarismo. 
 Os republicanos controlavam a política local do Rio Grande do Sul e haviam 
promulgado uma Constituição de caráter positivista. 
Os castilhistas, denominados dessa maneira, pois seu líder era o tradicional 
político gaúcho Júlio de Castilhos, era apoiado pelo presidente Floriano. A Constituição 
rio-grandense era a única do país que permitia a reeleição para governador do estado, 
assegurando o monopólio político. O apoio do Presidente a esse grupo provocou a 
reação política dos pica-paus (federalistas), os quais se tornaram ferrenhos 
antiflorianistas. 
 O governo federal agiu violentamente sufocando a ação dos rebeldes. 
HISTÓRIA DO BRASIL REPUBLICA 
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“Uma das regiões mais instáveis do país nos primeiros anos da 
República era o Rio Grande do Sul. Entre a proclamação da 
República e a eleição de Júlio de Castilhos para a presidência do 
estado, em novembro de 1893, dezessete governos se 
sucederam no comando do estado. Opunham-se, de um lado, 
os republicanos históricos adeptos do positivismo, organizados 
no Partido Republicano Rio-grandense (PRR) e, de outro, os 
liberais. Em março de 1892 estes fundaram o Partido Federalista, 
aclamando como seu líder Silveira Martins, prestigiosa figura do 
Partido Liberal no Império. – Bosris Fauto – Pa. 220 – História do 
Brasil. 
 
O historiador Boris Fausto afirma que As bases sociais dos federalistas 
encontravam-se principalmente entre os estancieiros da Campanha, região localizada 
no sul do estado, na linha de fronteira com o Uruguai. Eles constituíam a elite política 
tradicional, com raízes no Império. Os republicanos baseavam-se na população do 
litoral e da Serra, onde se encontravam muitos imigrantes. Formavam uma elite recente, 
que irrompia na política disposta a monopolizar o poder. 
 
“A guerra civil entre os dois grupos, conhecida como Revolução 
Federalista, começou em fevereiro de 1893 e só terminou mais 
de dois anos e meio depois, já na presidência de Prudente de 
Morais. A luta foi implacável, dela resultando milhares de 
mortos. Muitos deles não morreram em combate: foram 
degolados após terem caído prisioneiros”. (Fausto, Boris, idem). 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
History – Hoje na História 
http://hojenahistoria.seuhistory.com/marechal-deodoro-da-fonseca-renuncia-presidencia-do-brasil 
 
Livro: Uma História , Eduardo Bueno - Edit. Leya. – Pag. 254. 
http://seuhistory.com/eduardo-bueno/a-revolta-da-armada-eduardo-bueno.html 
 
Ebook: Triste fim de Policarpo Quaresma – Lima Barreto 
http://revistavivelatinoamerica.com/2014/02/01/lima-barreto-triste-fim-de-policarpo-quaresma-baixar-livro-em-pdf-
brasil/ 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 05 - A Economia na República Velha 
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CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
Durante a Primeira República (1889-1930) a economia brasileira se caracterizava 
pelo predomínio da atividade agroexportadora. 
O café, o açúcar, a borracha, o cacau e o fumo eram os principais produtos e 
geradores de rendas para o país. Já se registrava, entretanto, o funcionamento de 
diversas indústrias, inauguradas desde as últimas décadas século XIX. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
O café proporcionava poder econômico e poder político. Entretanto, existiam 
outros produtos que tiveram relativa importância nas exportações brasileiras. Todo eixo 
estava voltado para produção de determinados bens que seriam vendidos no exterior, 
houve um grande impulso na população região centro sul por causa do café e do sul 
por causa da instalação da pequena propriedade, carateristica do Paraná, Santa 
Catarina e parte do Rio Grande do Sul. 
 
Café 
 
São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro produziam 70% de toda a da produção 
de café mundial. O estado de São Paulo representava o maior de todos os produtores 
de café do país e isto teve como consequência o enorme poder político alcançado 
pelos latifundiários desta região. Pelo fato de gerar tanta riqueza todo proprietário de 
terra só queria produzir café. Resultado: na última década do século XIX já era 
verificada uma situação de superprodução de café no Brasil. 
A economia cafeeira passou a mostrar sinais de crise. As causas desta crise 
estavam no excesso de produção mundial. A oferta, sendo maior que a procura, 
acarreta uma queda nos preços prejudicando os fazendeiros de café. 
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O convênio de Taubaté 
 
O convênio de Taubaté foi um encontro realizado em 1906 pelos governadores 
dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, na cidade paulista de Taubaté, 
com o objetivo de encontrarem uma política estatal para garantir a rentabilidade da 
cafeicultura brasileira. Os cafeicultores criaram um plano de intervenção do estado na 
cafeicultura, com o objetivo de promover a elevação dos preços do produto. Os 
governadores dos estados produtores de café, garantiam a compra de toda a produção 
cafeeira com o intuito de criar estoques reguladores. O governo provocaria uma falta 
do produto, favorecendo a alta dos preços, e, em seguida vendia o produto. 
Os resultados desta política de valorização do café foram prejudiciais para a 
economia do país. Para comprar toda a produção de café, os governos estaduais 
recorriam a empréstimos no exterior, que seriam arcados por toda a população; além 
disto, os estoques excedentes deveriam ser queimados, causando prejuízos para o 
governo que já havia pagado pelo produto. 
 
Borracha da Amazônia 
 
Entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX a produção de 
borracha na região amazônica cresceu rapidamente e ocupou a segunda posição como 
maior produto de exportação do Brasil, depois do café, superando o açúcar. 
O motivo deste rápido crescimento foi o desenvolvimento da indústria de 
automóveis e de bicicletas ocorrido nos Estados Unidos e Europa. Automóveis e 
bicicletas precisam de pneus. Pneus são feitos de borracha. E a matéria-prima para a 
produção de borracha é o látex, uma seiva extraída da seringueira, árvore intensamente 
presente na região amazônica. As cidades de Belém e Manaus tiveram um rápido 
processo de modernização e urbanização em razão da grande riqueza trazida pela 
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exploração da seringueira. Inclusive, a incorporação do estado do Acre ao território 
brasileiro está diretamente relacionado com a exploração econômica da borracha. 
Como a exportação de borracha tornou-se uma atividade extremamente lucrativa veio 
a concorrência estrangeira dos ingleses e dos holandeses, que por sua vez, passaram a 
produzir borracha na Ásia. Junto com esta concorrência veio a decadência da produção 
nacional da borracha, ocorrida a partir da segunda década do século XX . 
 
Cacau 
 
No caso do cacau também houve um rápido crescimento na sua produção no 
final do século XIX e início do século XX. O motivo do rápido crescimento da produção 
de cacau no Brasil foi o desenvolvimento da indústria mundial de chocolate, que por 
sua vez, aumentou a demanda pela sua matéria-prima básica: o cacau. O principal local 
de produção de cacau no Brasil foi a região sul da Bahia, responsável naquela época 
por 90% da produção brasileira de cacau.Como esta atividade também era mundialmente lucrativa não demorou muito 
para atrair a concorrência da Inglaterra, que passou a produzir cacau na região africana 
da Costa do Ouro. Esta concorrência levou à decadência da produção brasileira de 
cacau, que não suportou a competitividade e qualidade do cacau produzido pelos 
ingleses. 
 
Indústria e Operários 
 
A República Velha foi, durante muito tempo, o período de glória para a 
economia cafeeira. Mas foi também a época em que o crescimento das indústrias 
ganhou impulso. O principal centro de expansão industrial brasileira era o Estado de 
São Paulo. Com a crise do café, muito produtores começaram a investir nas indústrias, 
onde se observa a mão de obra de imigrantes. 
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Substituindo progressivamente as importações, a indústria nacional foi 
conquistando o mercado interno. Empregando crescente número de operários, a 
indústria foi transformando a face socioeconômica do país. Os setores urbanos classe 
média e proletariado industrial, tornaram-se forças sociais cada vez mais expressivas e 
passaram a exigir maiores participações políticas. 
 Um importante fator que contribuiu para o desenvolvimento do setor industrial 
brasileiro durante a República Velha foi a disponibilidade de mão-de-obra especializada 
que chegou aoBrasil por meio da imigração europeia, principalmente com a chegada 
de um grande número de imigrantes italianos. 
 
Imigrantes europeus e asiáticos no Brasil 
 
Em São Paulo, havia grande número de imigrantes, que viviam do trabalho 
assalariado na agricultura. Muitos se desiludiram com o trabalho no campo e buscaram 
nas cidades uma nova oportunidade de vida. 
São Paulo foi o estado que abrigou uma das maiores colônias de italianos vindas 
para o Brasil. Estes italianos serão os responsáveis pela introdução das ideias 
anarquistas e pela organização do movimento operário em nosso país, 
A concentração dos movimentos migratórios em uma única região resultou no 
crescimento populacional dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, locais onde a 
economia era mais dinâmica e atrativa. Isto resultou em um rápido processo de 
urbanização, que por sua vez, contribuiu para a o crescimento de nosso mercado 
interno. 
A produção industrial brasileira não era voltada para a exportação, mas sim para 
o consumo no mercado interno. A Primeira Guerra Mundial, ocorrida entre 1914 e 1918, 
também favoreceu o crescimento do setor industrial brasileiro durante a República 
Velha. Neste período a indústria europeia estava totalmente concentrada na produção 
de armas, munições, veículos de transporte e medicamentos necessários para o esforço 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
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de guerra. Dessa forma, as indústrias europeias deixaram de produzir mercadorias para 
o resto do mundo. 
Mas havia limites nesse processo, pois no Brasil ainda não havia indústria de 
base, indústria pesada, tais como indústria siderúrgica e metalúrgica. Nesse período a 
indústria brasileira começou a se diversificar e desenvolver. 
O capital para financiar a industrialização brasileira veio da agro exportação, 
principalmente do Café. A economia agroexportadora brasileira foi responsável pela 
montagem de canais de escoamento da produção, tais como a construção de portos e 
ferrovias. 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
SITE: Ciclo da Borracha 
http://www.coladaweb.com/historia-do-brasil/ciclo-da-borracha-e-a-amazonia-atual 
 
GUIA DO ESTUDANTE - Ciclo da Borracha: 
Paris tropical, texto de Luciana Zenti, 
http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/ciclo-borracha-paris-tropical-434959.shtml 
 
BRASIL ESCOLA - Ciclo da Borracha, texto de Rainer Sousa. 
http://www.brasilescola.com/historiab/ciclo-borracha.htm 
 
MUNDO EDUCAÇÃO. Economia Cafeeira. 
http://www.mundoeducacao.com/historiadobrasil/economia-cafeeira.htm 
 
TELENOVELA “Renascer”, da Rede Globo mostrou com destaque a cultura do cacau na 
Bahia, e a telenovela “Gabriela” também mostra a cultura do cacau. 
 
LIVRO: Terra dos Sem fim – Jorge Amado 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 06 - Primeira República - Dominação 
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CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
Durante o Império, o governo central impunha seu poder às províncias, 
nomeando quem iria governá-las. Com o estabelecimento da República a situação 
mudou: as famílias poderosas de cada estado - as oligarquias locais - subiram ao poder 
e lá se mantiveram por meio de um esquema político-eleitoral fraudulento. 
Esses chefes locais, em geral grandes fazendeiros, muitas vezes tinham o título 
de coronéis da Guarda Nacional. (coronelismo). 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
Oligarquia: Palavra de origem grega que significa governo exercido por poucos 
indivíduos ou famílias poderosas. 
 
Coronelismo 
 
Os coronéis determinavam o voto de seus agregados e favorecidos políticos 
(troca de favores), exercendo influência na região em que atuava através do "voto de 
cabresto". Para arrancar o voto do eleitor, o coronel usava duas formas: 
 - Violência pura e simples: Caso o eleitor o traísse, votando em outro candidato, podia 
perder seu emprego ou mesmo ser morto pelos capangas; 
- Troca de favores: Como a maioria da população era muito pobre, dependia do 
coronel para tudo, desde dinheiro emprestado, remédio, segurança, vaga no hospital, 
emprego... Assim o coronel fazia esses "favores" a seus dependentes e, em troca, exigia 
que votassem em seus candidatos. Essa prática, chamada de clientelismo, é 
característica na política brasileira até os dias de hoje! 
Eram comuns, ainda: manipulação dos resultados das eleições, roubo de urnas, e até 
inclusão dos votos de pessoas mortas ou ausentes. 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 06 - Primeira República - Dominação 
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 As raízes do coronelismo no Brasil antecedem o período republicano, pois 
surgiram durante o Período Regencial (1931-1940), quando foi criada a Guarda 
Nacional. 
Essa instituição abrigava e titulava os grandes proprietários rurais do país, ou 
seja, a elite rural brasileira, podendo ainda ser definida como aristocracia agrária. 
A concessão do título de Coronel a esses indivíduos dava-lhes o direito de 
formar milícias armadas, cujo objetivo seria proteger as fronteiras e os interesses 
políticos e econômicos na nação. 
Entretanto, na prática, consistia em uma força de poder pessoal do coronel, que 
administrava não só as suas possessões territoriais, mas também toda uma área de 
abrangência de sua influência regional. 
Os coronéis e seus jagunços intimidavam os eleitores ou faziam com eles 
acordos eleitoreiros de dependência assistencialista e clientelista, pois em troca de 
pequenas vantagens pessoais os cidadãos (eleitores) “vendiam” o seu voto. Tal 
mecanismo é denominado historicamente de “voto de cabresto”, isto é, voto 
direcionado de acordo com a vontade do Coronel. 
 
As próximas eleições... “de cabresto”, charge de 1927 publicada na revista Careta. 
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A legenda original era a seguinte: 
Ella – É o Zé Besta? 
Elle – Não, é o Zé Burro! 
Porém, na literatura encontramos outras referências ao coronelismo, não 
culpando somente o coronel, mas também o conjunto de indivíduos que dele 
dependiam para viver cotidianamente. 
 
"O coronel é o homem que comanda a políticanacional, porque 
ele é quem elege os homens que a fazem. Sem ele, ninguém é 
eleito [...] Em verdade, o coronel é o homem que resolve os 
casos sem solução. É ele quem atende o cidadão que bate à sua 
porta às três horas da madrugada, porque não tem recursos [...] 
Ele se levanta e vai procurar um médico, que o atende porque é 
seu amigo e leva a pessoa para a Santa Casa ou ao hospital [...] 
Todo mundo pensa que o sujeito vai para o curral eleitoral à 
força. Não, ele vai porque quer." - J.B.L de Andrada, "Coronel é 
quem comanda a política nacional". Apud Neves, M. de S. e 
Heizer, A. A ordem é o progresso. S.P. Atual, 1991, p. 71 
 
Também utilizavam práticas ilícitas consideradas fraudes eleitorais, as quais 
tinham por objetivo garantir a vitória do candidato indicado pelo coronel, mesmo que 
tal vitória não tivesse se processado nas urnas. 
Eram formas de fraudes eleitorais os eleitores fantasmas, ou seja, eleitores 
registrados às pressas, geralmente após o resultado final das eleições, registrando 
nomes de indivíduos que já haviam falecido ou nunca existido. 
 
“Ao instituir o voto universal a descoberto, a Constituição de 
1891 assegurou o controle do processo eleitoral por aqueles que 
se valiam da força da propriedade. O coronelismo, portanto, 
surge como um dos elementos constitutivos do esquema 
oligárquico que marcou a República Velha” - Francisco Alves da 
Silva. 
 
 
 
 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 06 - Primeira República - Dominação 
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Política dos Governadores 
 
 A política dos Governadores organizada e difundida a partir do governo do 
presidente Campos Sales (1898-1902) consistia numa grande rede de acordos políticos e 
reciprocidade mútua entre as oligarquias locais, regionais e federais, quais sejam, os 
coronéis que controlavam o poder político das cidades, regiões, estados e nação. Tais 
coronéis comprometiam-se em angariar votos para eleger os deputados que estavam 
aliados ao presidente da República, pois dessa maneira os projetos encaminhados ao 
Legislativo não encontrariam resistência para sua aprovação. 
 Em troca, o Governo Federal comprometia-se com as oligarquias 
reciprocamente, liberando verbas para que se realizassem obras nas mais distantes 
regiões do país e com isso, os políticos de tais regiões empenhavam-se em campanhas 
políticas de propaganda administrativa. 
 As oligarquias que não se comprometiam com tal arranjo político sofriam o 
processo da “degola”, isto é, estariam fora da esfera de liberação de verbas para a 
construção de obras públicas ou investimentos diversos em seus estados. 
 
“Campos Sales concebeu um arranjo conhecido como política 
dos governadores. Por meio de uma alteração artificiosa do 
Regimento Interno da Câmara dos Deputados, assegurou-se 
que a representação parlamentar de cada estado 
corresponderia ao grupo regional dominante. Ao mesmo 
tempo, garantiu-se maior subordinação da Câmara ao Poder 
Executivo. O propósito da política dos governadores, só em 
parte alcançado, foi o de eliminar as disputas faccionais nos 
estados e, ao mesmo tempo, reforçar o Poder Executivo, 
considerado por Campos Sales e ‘poder por excelência’.” - 
Fausto Boris, idem. 
 
 
 
 
 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
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BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
Oligarquias 
http://www.dignow.org/area/rep%C3%BAblica-velha-as-oligarquias-no-poder-463744-
95931 
 
Voto do Cabresto 
As próximas eleições... “de cabresto”. Revista de História da Biblioteca Nacional 
(05/08/2008). 
 
Vídeo: Cidadania - Voto Cabresto 
https://www.youtube.com/watch?v=5_2oBAR6cvg 
 
LIVRO: “A. A ordem é o progresso”. 
S.P. Atual, 1991, p. 71 - Neves, M. de S. e Heizer. 
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UNIDADE 7 - Primeira República – Resistência 
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CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
Ocorreram várias revoltas de carácter popular, na República Velha. No período 
militar (1889-1894) ocorreu a Revolta da Armada e a Revolução Federalista. 
Durante o período civil (1894-1930), além da questão externa da anexação do 
Acre, ocorreram grandes revoltas internas no país, incluindo as primeiras greves 
operárias em 1907 e 1917, e o crescimento de movimentos anarquistas e comunistas nos 
grandes centros urbanos do país. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
A maioria dessas revoltas era provocada por questões políticas, religiosas, 
misérias, disputas de terras ou pelo poder. 
 
Revolta de Canudos -1893-1897 
 
No governo de Prudente de Morais, eclodiu um grande movimento de revolta 
social entre os humildes sertanejos baianos. O líder dos sertanejos era Antônio Vicente 
Mendes Maciel, mais conhecido como Antônio Conselheiro. Não compreendendo certas 
mudanças surgidas com a República, Antônio Conselheiro declarava-se, por exemplo, 
contra o casamento civil e, por isso, foi identificado como fanático religioso e 
monarquista. Reunindo grande número de sertanejos, Antônio Conselheiro 
estabeleceu-se em Canudos, um velho arraial no sertão baiano. 
Segundo alguns pesquisadores, vivia num sistema comunitário em que as 
colheitas, os rebanhos e o fruto do trabalho eram repartidos entre todos. Mas havia 
propriedade privada dos bens de uso pessoal (roupas, móveis, etc.). Também não 
existia cobrança de impostos nem autoridade policial. 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
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Aos poucos, construiu-se em torno de Antônio Conselheiro e seus adeptos uma 
imagem equivocada de que todos eram "perigosos monarquistas" a serviço de 
potências estrangeiras, querendo restaurar no país o regime imperial, devido, entre 
outros ao fato de o Exército Brasileiro sair derrotado em três expedições, incluindo uma 
comandada pelo Coronel Antônio Moreira César. A derrota das tropas do Exército nas 
primeiras expedições contra o povoado apavorou o país, e deu legitimidade para a 
perpetração deste massacre que culminou com a morte de mais de seis mil sertanejos. 
Todas as casas foram queimadas e destruídas. 
O conflito foi retratado no livro "Os Sertões" de Euclides da Cunha, que o 
testemunhou como repórter do jornal O Estado de S. Paulo. 
 
Revolta da Vacina – 1904 
 
 O presidente da República Rodrigues Alves, em parceria com o prefeito da 
cidade do Rio de Janeiro, Pereira Passos, anunciou uma série de reformas urbanas no 
intuito de modernizar e higienizar a Capital Federal. Dentre as medidas tomadas 
encontravam-se a derrubada de cortiços para a abertura de largas e modernas 
avenidas, a campanha de caça aos ratos para combater a peste bubônica, a ação das 
brigadas mata-mosquitos contra a proliferação da febre amarela e a vacinação 
obrigatória contra a varíola. 
 No Rio de Janeiro, as camadas populares revoltaram-se, em decorrência da 
obrigatoriedade da vacinação contra a varíola durante o governo do presidente 
Rodrigues Alves, mas que também foi utilizada pela oposição com conotações políticas. 
Os rebeldes armaram barricadas nas ruas da cidade, atacaram e depredaram prédios 
públicos e incendiaram bondes. 
Pressionado, inclusive pelo chefe de saúde pública, o médico sanitarista Oswaldo 
Cruz, o presidente cedeu e tornou a vacinação facultativa. 
 
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UNIDADE 7 - Primeira República – Resistência 
Fabiano Luiz Curtolo 
Andréa Wolff 
 
 
 
Revolta da Chibata – 1910 
 
 Revolta dos marinheiros dos Encouraçados “Minas Gerais” e “São Paulo”, em 
protesto aos maus-tratos sofridos a bordo das embarcações, principalmente a “Lei da 
Chibata”, castigo físico instituído na Marinha e utilizado como forma de punição dada 
aos marinheiros infratores. 
 Os rebeldes liderados pelo marinheiro João Cândido tomaram o controle dasembarcações na Baía da Guanabara, assassinaram os oficiais e apontaram os canhões 
para a cidade do Rio de Janeiro, obrigando o presidente Hermes da Fonseca (marechal 
do exército) a negociar. 
 Com a promessa do fim dos maus-tratos, melhoria na alimentação a bordo, 
aumento dos soldos (salário dos marinheiros) e anistia para os rebeldes, os mesmos 
depuseram as armas e aceitaram a rendição. Entretanto, no desembarque todos foram 
presos e, alguns executados. 
 
 
 
 
 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 7 - Primeira República – Resistência 
Fabiano Luiz Curtolo 
Andréa Wolff 
Guerra do Contestado – 1912 a 1916 
 
Ocorreu na fronteira entre Paraná e Santa Catarina, numa região contestada 
(disputada) pelos dois estados. Nessa área, era grande o número de sertanejos sem-
terra e famintos que trabalhavam sob duras condições para os fazendeiros locais e duas 
empresas norte-americanas que atuavam ali. 
Os sertanejos de Contestado começaram a se organizar sob a liderança de um 
“monge” chamado João Maria. Reuniu mais de 20 mil sertanejos e fundou com eles 
alguns povoados que compunham as chamadas “Vila Santas”. A “monarquia” do 
Contestado tinha um governo próprio e normas igualitárias, não obedecendo às ordens 
emanadas das autoridades da república. 
Os sertanejos do Contestado foram violentamente perseguidos pelos coronéis-
fazendeiros e pelos donos das empresas estrangeiras (a Brazil Railway Company e a 
Lumber ), com o apoio das tropas do governo. O objetivo era destruir a organização 
comunitária dos sertanejos e expulsá-los das terras que ocupavam, pois tinham na 
verdade o interesse de explorar o pinho e a imbuia da rica floresta nativa. 
Em novembro de 1912, o monge Jose Maria foi morto em combate e 
“santificado” pelos moradores da região. Seus seguidores, criaram novos núcleos que 
foram, combatidos e destruídos pelas tropas do exercito brasileiro. Os últimos núcleos 
foram arrasados por tropas de 7 mil homens armados. 
 
Greve Geral de 1917 
 
 O operariado da cidade de São Paulo, orientado ideologicamente pelos ideais 
anarcossindicalistas, um misto de comunismo, socialismo e anarquismo, organizou uma 
greve de proporções estaduais, a qual literalmente paralisou as atividades industriais na 
cidade de São Paulo por alguns dias. 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 7 - Primeira República – Resistência 
Fabiano Luiz Curtolo 
Andréa Wolff 
As principais reivindicações dos grevistas eram a limitação da jornada de 
trabalho em 8 horas diárias, o descanso semanal remunerado, a adoção de um salário 
mínimo para os trabalhadores e um aumento salarial real. 
O governo do presidente Venceslau Brás, esteve disposto a negociar com os 
rebeldes, os quais, entre todas as reivindicações apresentadas, conseguiram um 
aumento nos salários. Porém, as perseguições aos anarquistas e comunistas tornaram-
se intensas e, sendo a maioria deles imigrantes italianos, vários foram expulsos do 
Brasil. 
 
Cangaço – 1870 a 1940 
 
Para alguns pesquisadores, ele foi uma forma pura e simples de banditismo e 
criminalidade. Para outros foi uma forma de banditismo social, isto é, uma forma de 
revolta reconhecida como algo legítimo pelas pessoas que vivem em condições 
semelhantes. 
Miséria, fome, seca e injustiças dos coronéis-fazendeiros produziram no semi-
árido do Nordeste um cenário favorável à formatação de grupos armados conhecidos 
como cangaceiros. Os cangaceiros praticavam crimes, assaltavam fazendas e matavam 
pessoas. 
Os dois mais importantes bandos do cangaço foi o de Antônio Silvino e o de 
Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, o “Rei do Cangaço”.Depois que a polícia 
massacrou o “bando de Lampião”, em 1938, o cangaço praticamente desapareceu do 
Nordeste. 
 
 
 
 
 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 7 - Primeira República – Resistência 
Fabiano Luiz Curtolo 
Andréa Wolff 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
FILME: Guerra de Canudos. ficção de Sérgio Rezende,. Brasil, 1997 
 
LIVRO: Os Sertões – Euclides da Cunha - 1ª edição: RJ, Laemmert, 1902. 
 
REVISTA SUPERINTERESSANTE:- A revolta da vacina - . super.abril.com.br. 
 
NOVELA: Lado a Lado Episódio da Telenovela "Lado a lado", da TV Globo, que retrata o 
episódio da - https://www.youtube.com/watch?v=0B-9hVN9wg0 
 
UOL - Educação: - Guerra do Contestado. 
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/guerra-do-contestado-conflito-
alcancou-enormes-proporcoes.htm 
 
LIVRO: As greves em São Paulo Yara Aun Khoury –, São Paulo, Ed. Cortez 
 
SITE: Ceará de Luz - História do Cangaço 
http://cearadeluz.blogspot.com.br/p/cangaco.html 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 8 - O Processo Político dos Anos 1920 e o Tenentismo 
Fabiano Luiz Curtolo 
Andréa Wolff 
38 
CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” 
 
CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
Após a Primeira Guerra Mundial, a presença da classe média urbana na cena 
política se tornou mais visível. De um modo geral, esse setor da sociedade tendia a 
apoiar figuras e movimentos que levantassem a bandeira de um liberalismo autêntico. 
Isso significava, entre outras coisas, eleições limpas e respeito aos direitos individuais. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
Falava-se nesses meios de reforma social, mas a maior esperança era depositada 
na educação do povo, no voto secreto, na criação de uma Justiça Eleitoral. 
 
Os Anarquistas 
 
O anarquismo é considerado uma doutrina sócio-política que surgiu entre os 
séculos XVII e XVIII na Europa, tendo chegado ao Brasil em 1850 através dos imigrantes 
europeus. O anarquismo defende que a sociedade não deve ter nenhuma forma de 
autoridade e considera que o Estado é uma força coercitiva. 
Durante a República Velha, a ideologia anarquista defendeu a organização 
sindical autônoma, a extinção do Estado, da Igreja e da propriedade privada. Se 
posicionaram contra a organização dos partidos políticos, divulgando suas ideias por 
meio de jornais, revistas, livros, panfletos, etc. 
A ação direta era pregada pelo chamado “sindicalismo revolucionário”. Esta ação 
direta consistia em greves, boicotes e sabotagens e era considerada um meio para os 
trabalhadores adquirirem melhores condições de trabalho, indo contra o sistema 
capitalista. 
Os anarquista na realidades foram defensores dos direitos do trabalhadores, o 
que estava próxima da realidade brasileira e ao mesmo tempo não tinha nada de 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 8 - O Processo Político dos Anos 1920 e o Tenentismo 
Fabiano Luiz Curtolo 
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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” 
 
revolucionárias. No Brasil isso deu origem à formação do partido comunista no Brasil 
em 1922. 
 
O PCB 
 
Partido político de âmbito nacional fundado em março de 1922 com o objetivo 
principal de promover no Brasil uma revolução proletária que substituísse a sociedade 
capitalista pela sociedade socialista. 
O congresso de fundação do PCB realizou-se em Niterói, reunindo alguns 
poucos operários e intelectuais do Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Rio Grande 
do Sul e Distrito Federal. Quase todos os fundadores haviam iniciado sua militância 
política nos meios anarquistas e só se converteram ao comunismo após a vitória da 
Revolução Russa de 1917. Apesar da pouca repercussão do congresso de fundação, já 
em junho de 1922 o governo de Epitácio Pessoa colocou o partido na ilegalidade, 
condição em que passaria a maior parte de sua existência. 
 
Tenentismo 
 
Durante a década de 1920, surgiram movimentos de contestação ao modelo 
político oligárquico, os quais, entre outras reivindicações, reclamavam o direito ao voto 
direto e secreto nas eleições, uma maior autonomia do Poder Judiciário durante o 
processo eleitoral, ou seja, uma maior transparência, uma “verdade eleitoral”. 
Indivíduos insatisfeitos encontravam-se nos diversos jovens oficiais do Exército 
(tenentes e capitães), que, descontentes com os rumospolíticos da nação, levantaram-
se contra os presidentes Epitácio Pessoa (1922) e Artur Bernardes (1924), pois exigiam 
mudanças políticas e sociais imediatas. O Movimento Tenentista apresentava como 
características: 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 8 - O Processo Político dos Anos 1920 e o Tenentismo 
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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” 
 
 Salvacionismo: Ideal de Salvação Nacional, isto é, os tenentes viam-se como os 
únicos agentes capacitados para promover a regeneração política do país e 
salvar o desacreditado modelo republicano. 
 Elitismo: O movimento tenentista estaria restrito ao grupo de militares 
capacitados para a insurreição, não estendendo ao povo, despreparado e 
incapaz, a participação ativa. Ainda propunham uma participação política elitista, 
pois diziam que o povo comum “votava mal” e seria mais interessante substituir 
o voto universal pelo voto de uma “elite eleitoral”. 
 Reformismo: Entre as principais reformas propostas constava a centralização e a 
moralização política, o nacionalismo econômico e um novo sistema de ensino. 
Tais propostas como: A moralização da administração pública; O fim da 
corrupção eleitoral; Reivindicavam o voto secreto e uma justiça Eleitoral 
confiável; Defendiam a economia nacional contra a exploração das empresas e 
do capital estrangeiro; Desejavam uma reforma na educação pública para que o 
ensino fosse gratuito e obrigatório para todos os brasileiros. 
 
A maioria das propostas contava com a simpatia de grande parte das classes 
médias urbanas, dos produtos rurais que não pertenciam ao grupo que estava no 
poder e de alguns empresários da indústria. 
 
Revolta do Forte de Copacabana 
 
Foi uma revolta para impedir a posse do presidente Artur Bernardes, iniciada em 
05/07/1922. 
Tropas do governo cercaram o Forte de Copacabana, isolando os rebeldes. 
Dezessete tenentes e um civil saíram para as ruas num combate corpo-a-corpo com as 
tropas do governo. Dessa luta suicida, só dois escaparam com vida: os tenentes 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 8 - O Processo Político dos Anos 1920 e o Tenentismo 
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Eduardo Gomes e Siqueira Campos. O episódio ficou conhecido como Os Dezoito do 
Forte. 
 
Semana da Arte Moderna de 1922 
 
Artistas e intelectuais organizaram nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, no 
Teatro Municipal de São Paulo, a Semana de Arte Moderna - marco do movimento 
modernista no Brasil. 
O evento, que também envolveu representantes de outros segmentos da 
sociedade-político, educadores, empresários e trabalhadores-, acabou trazendo à tona 
discussões sobre os rumos da nação, propostas de reforma da Constituição de 1891 e 
até da sociedade. 
Na época, a Europa ocupava uma posição de vanguarda e, sob essa influência, 
teve início à discussão de uma nova identidade artística para o país. 
O evento fez mais: denunciou a alienação das camadas cultas em relação à 
realidade do país e criticou as desigualdades sociais -assuntos que, mesmo um século 
mais tarde, permanecem atuais no Brasil. 
 
Revoltas de 1924 
 
Dois anos depois da Primeira Revolta ocorreram novas rebeliões tenentistas em 
regiões como o Rio Grande do Sul e São Paulo. Depois de ocupar a capital paulista, as 
tropas tenentistas abandonaram suas posições diante da ofensiva armada do governo. 
Com uma numerosa tropa de mil homens, os rebeldes formaram a coluna 
paulista, que seguiu em direção ao sul do país, ao encontro de outra coluna militar 
tenentista, liderada pelo capitão Luís Carlos Prestes. 
 
 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 8 - O Processo Político dos Anos 1920 e o Tenentismo 
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Coluna Prestes 
 
As duas forças tenentistas uniram-se e decidiram percorrer o interior do país, 
procurando apoio popular para novas revoltas contra o governo. Nascia aí a Coluna 
Prestes, pois ambas tropas eram lideradas por Prestes. 
Durante mais de dois anos (1924 a 1926), a Coluna Prestes percorreu 24 mil 
quilômetros através de 12 estados. O governo perseguia as tropas da Coluna Prestes 
que, por meio de manobras militares, conseguia escapar. Em 1926 os homens que 
permaneciam na Coluna Prestes decidiram ingressar na Bolívia e desfazer a tropa. 
A Coluna Prestes não conseguiu provocar revoltas capazes de ameaçar 
seriamente o governo, mas também não foi derrotada por eles. Isso demonstrava que o 
poder na República Velha não era tão inatacável. 
Em 1927 o movimento terminou, perdeu o seu caminho e grande parte do 
tenentes se exilaram no Bolívia e na Argentina, outros foram presos e o movimento 
ficou mais ou menos entre parentes. 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
PCB 
http://pcb.org.br/portal/ 
Revolta Dos 18 Do Forte De Copacabana 
http://www.historiadobrasil.net/resumos/revolta_18_forte.htm 
Tenentismo 
http://www.projetomemoria.art.br/RuiBarbosa/glossario/t/tenentismo.htm 
A Coluna Prestes 
http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=297 
Semana de Arte Moderna de 1922 
http://www.suapesquisa.com/artesliteratura/semana22/ 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 09 - A aliança liberal e a Revolução de 30 
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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” 
 
CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
Para as eleições de 1930 aconteceu uma quebra da aliança de São Paulo e Minas 
Gerais, e como conseqüência disso Minas Gerais se aliou ao Rio Grande do Sul e lançou 
o nome de Getulio Vargas a presidência do Republica. 
Essa aliança representava interesses do ponto de vista econômica que não 
estava diretamente vinculado com café. Minas Gerais, especialmente Rio Grande do Sul 
e alguns estados do nordeste se aliaram a essa aliança que se chamou Aliança Liberal. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
Quebra da Bolsa de Valores de 1929 
 
Com a quebra da Bolsa de Nova Iorque ocorrida em outubro de 1929, inicia-se 
uma crise econômica de escala mundial, esmagando todas as economias com alguma 
participação nos mercados internacionais, caso do Brasil e suas exportações de café. É 
nesse momento que chega a um triste fim a irracional ligação do Brasil com a cultura 
cafeeira. Além de não ser um gênero de primeira necessidade na dieta de qualquer 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 09 - A aliança liberal e a Revolução de 30 
Fabiano Luiz Curtolo 
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indivíduo (na verdade, consumido como uma sobremesa nos EUA e Europa), o café 
ocupava a esmagadora maioria das terras cultiváveis do país, impedindo uma 
diversidade das suas exportações. 
Havia uma óbvia teimosia por parte das elites em redirecionar e modernizar a 
política econômica brasileira. 
 
Partido Democrático 1930 
 
De caráter estadual, fundado por dissidentes do Partido Republicano Paulista 
(PRP), durante a República Velha. Era uma organização representativa da classe média 
tradicional, vinculada a setores cafeeiros, mas sobretudo a urbana. 
Em maio de 1926, o Partido da Mocidade (dissidentes da Ala Jovem, que haviam 
organizado essa legenda para as eleições federais de 1925), também dissidente do 
perrepismo (essa palavra não tem significado), se incorporou ao Partido Democrático. - 
eram em sua maioria profissionais liberais, jovens filhos de fazendeiros de café, ou 
egressos de famílias tradicionais. 
Poucos membros eram industriais. Em maio de 1927, o partido tinha 17 diretórios 
em São Paulo e 70 no interior, número elevado para 180 em fins de 1927. Em julho de 
1927 foi criado o Diário Nacional jornal oficial do partido, com tiragem de 35000 
exemplares, em dezembro, e 70000 em agosto de 1928. 
 
Aliança Liberal. 
 
Na sucessão presidencial de 1929, ocorreu a cisão políticaentre as oligarquias 
cafeeiras de São Paulo e Minas Gerais. Pelo costume da política café-com-leite o 
presidente Washington Luís (paulista) deveria indicar um candidato mineiro, entretanto 
ele indicou o paulista Júlio Prestes, pois precisava garantir os interesses financeiros de 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 09 - A aliança liberal e a Revolução de 30 
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São Paulo, frente aos impactos gerados pela crise de 1929. (Quebra da Bolsa de Valores 
de NY) 
Assim, a oligarquia política de Minas Gerais, rompeu com o Partido Republicano 
Paulista (PRP) e aliou-se ao Rio Grande do Sul e à Paraíba, formando a Aliança Liberal. 
Essa Aliança lançou a candidatura de Getúlio Vargas para a presidência com João 
Pessoa como vice. 
A campanha de Vargas recebeu o apoio de militares remanescentes do 
movimento tenentista e angariou a simpatia da população. No sul do Brasil, no 
nordeste e em Minas Gerais, o apoio popular foi grande e em São Paulo, a Aliança 
Liberal (AL) recebeu apoio do Partido Democrático Paulista (PD), que propunha um 
programa liberal por vários integrantes do movimento modernista. 
 
Tomada do poder 
 
Apesar das manifestações populares em torno da candidatura da Aliança Liberal, 
o candidato oficial, Júlio Prestes venceu as eleições. Essa vitória foi acompanhada de 
protestos, revoltas e manifestações em panfletos e jornais contra a corrupção do 
sistema eleitoral. Dessa forma, os militares oposicionistas começaram a tramar um 
golpe de Estado. Os líderes da Aliança Liberal não queriam recorrer às armas. Porém, 
em julho de 1930, o assassinato de João Pessoa mudou os rumos do movimento. 
A ideia era que as tropas começassem a se movimentar no dia 3 de outubro de 
1930, partindo do Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraíba e outros estados aliados. 
Houve luta em alguns pontos de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Pará, assim mesmo, 
a viagem ferroviária de Getúlio Vargas para a capital do Brasil conquistou apoio da 
população. 
 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 09 - A aliança liberal e a Revolução de 30 
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Curitibanos aguardando o desembarque de Getúlio Vargas, na estação ferroviária 
“Quatro e meia. A hora se aproxima. Examino-me e sinto-me com o espírito tranquilo 
de quem joga um lance decisivo porque não encontrou outra saída. A minha vida não 
me interessa e sim a responsabilidade de um ato que decide o destino da coletividade. 
Mas esta queria a luta, pelo menos nos seus elementos mais sadios, vigorosos e 
altivos. Não terei depois uma grande decepção? Como se torna revolucionário um 
governo cuja função é manter a lei e a ordem? E se perdermos? Eu serei depois 
apontado como o responsável, por despeito, por ambição, quem sabe? Sinto que só o 
sacrifício da vida poderá resgatar o erro de um fracasso.” – Anotação do Diário de 
Getúlio Vargas. 
Os revoltosos esperavam resistência em São Paulo, entretanto isso não ocorreu. 
A Aliança Liberal saiu vitoriosa, no dia 3 de novembro de 1930, o presidente eleito Júlio 
Prestes renunciou ao direito de governar e Washington Luís foi deposto. Getúlio Vargas 
assumiu a presidência do Governo Provisório. 
Governo Provisório 
Getúlio Dornelles Vargas, nasceu em São Borja, 19 de abril de 1882 Foi um advogado e 
político brasileiro, líder civil da Revolução de 1930, que pôs fim à República Velha, 
depondo seu 13º e último presidente Washington Luís e impedindo a posse do 
presidente eleito em 1 de março de 1930, Júlio Prestes. 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 09 - A aliança liberal e a Revolução de 30 
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No discurso de posse, Getúlio estabelece 17 metas a serem cumpridas pelo 
Governo Provisório. Na mesma hora, no centro da cidade do Rio de Janeiro, os 
soldados gaúchos cumpriam a promessa de amarrar os cavalos no obelisco da Avenida 
Central, atual Avenida Rio Branco, marcando simbolicamente o triunfo da Revolução de 
1930 
 
Capa da Revista do Globo sobre a vitória da Revolução de 1930. Detalhe: gaúchos 
amarrando os seus cavalos no obelisco da Rio Branco. 
Às 3 horas da tarde de 3 de novembro de 1930, a Junta Militar Provisória passou o 
poder, no Palácio do Catete, a Getúlio Vargas, (que vestia farda militar pela última vez 
na vida), encerrando a chamada “República Velha” ou “República do Café com Leite” 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
História Revolução 1930 - 
http://www.infoescola.com/historia-do-brasil/revolucao-de-1930/ 
 
Revolução de 30 
http://www.culturabrasil.org/revolucaode30.htm 
 
Klepsidra – Boris Fausto 
http://www.klepsidra.net/klepsidra4/borisfausto.html 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE10 - O Estado Getulista: 1930-1945 
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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” 
 
CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
“Assumo provisoriamente o governo da República, como delegado da Revolução, em 
nome do Exército, da Marinha e do Povo.” 
 
Foi com essas palavras que Getúlio Vargas assumiu a presidência da República 
em 3 de novembro de 1930, prometendo reorganizar a política nacional e estimular o 
desenvolvimento econômico-industrial do país e dias depois foram tomadas as 
primeiras medidas do Governo Provisório. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
Governo Provisório: 1930-1934 
 
Principais medidas: 
 Suspensão da Constituição de 1891 que vigorava no país. 
 Dissolução do Congresso Nacional, das Assembleias Legislativas Estaduais e das 
Câmaras Municipais. 
 Nomeação de interventores para os Estados. 
 Criação dos ministérios do Trabalho, Indústria e Comércio e da Educação e 
Saúde. 
Essas medidas davam ao presidente da República plenos poderes, pois 
concentrava em sua figura o poder Executivo e também o Legislativo. Observando a 
nova conformação política, percebemos que o Governo Provisório era, literalmente, 
inconstitucional, pois não havia uma Constituição em vigor, os governadores eleitos 
democraticamente foram substituídos por interventores diretamente nomeados e 
subordinados ao presidente e o poder Legislativo foi temporariamente extinto. 
 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE10 - O Estado Getulista: 1930-1945 
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Revolução Constitucionalista de 1932 
 
A oligarquia cafeeira paulista foi afastada do poder na ocasião da Revolução de 
1930. O presidente deposto (Washington Luís) era representante dos paulistas e o 
presidente eleito (Júlio Prestes) idem, ambos pertenciam ao PRP (Partido Republicano 
Paulista). 
 O interventor nomeado para a administração política do Estado de São Paulo, 
João Alberto Barros, remanescente do movimento tenentista desagradava aos paulistas, 
os quais preferiam a nomeação de um individuo que representasse o Estado. 
 A insatisfação dos paulistas resultou na organização de um movimento civil-
militar denominado Revolução Constitucionalista de 1932, a qual eclodiu oficialmente 
no dia 9 de Julho de 1932, após alguns meses de tensão nas manifestações 
antigetulistas, sendo a principal delas realizada no dia 23 de maio, quando um tiroteio 
vitimou os jovens estudantes Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo, cujas iniciais 
MMDC, serviriam de símbolo para o movimento revolucionário. Os paulistas, entre 
outras coisas, reivindicavam: 
 A substituição do interventor do Estado (reivindicação atendida pelo governo, 
quando o ex-embaixador e paulista Pedro Toledo foi nomeado para a 
interventoria paulista). 
 Convocação imediata de uma Assembleia Nacional Constituinte para promover 
a reconstitucionalização do país (a qual estava prevista para maio de 1933). 
 Afastamento imediato do presidente GetúlioVargas, inconstitucionalmente no 
poder. 
 O movimento revolucionário estendeu-se até outubro de 1932, quando os 
remanescentes paulistas assinaram a rendição, pois a superioridade militar governista 
era visível. A tensão entre o Governo Federal e os paulistas apaziguou-se quando o 
presidente Vargas nomeou Armando de Sales Oliveira (civil e paulista) para Interventor 
Federal do Estado em agosto de 1933 e para fortalecer os vínculos de São Paulo com o 
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Governo Federal foi fundada em 25 de janeiro de 1934 a USP (Universidade de São 
Paulo). 
 As eleições para a convocação da Assembleia Nacional Constituinte foram 
realizadas em maio de 1933 e verificou-se uma acirrada disputa entre os vários partidos 
políticos que se enfrentaram, ressaltando a importância das elites dos estados de Minas 
Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul. 
 Depois de alguns meses de trabalho constituinte, a Constituição Republicana foi 
promulgada em 14 de Junho de 1934. Tinha por base a Constituição de 1891 no que se 
refere ao republicanismo, presidencialismo e federalismo, porém, trazia uma série de 
novidades. 
 
Constituição de 1934 (principais categorias) 
 
 Voto direto, secreto e universal para todos os cidadãos brasileiros, inclusive 
mulheres, maiores de 18 anos e alfabetizados. 
 Mandato presidencial de 4 anos, sem direito a reeleição. 
 Extinção do cargo de vice-presidente da República. 
 Redução do número de senadores por Estado, de 3 para 2. 
 Ensino básico público e de frequência obrigatória. 
 Anistia aos presos políticos. 
 Garantias trabalhistas: limitação da jornada de trabalho em 8 horas diárias ou 44 
horas semanais; descanso semanal remunerado, férias anuais remuneradas, 
indenização para as demissões sem justa causa e um anteprojeto de salário 
mínimo. 
 Liberdade sindical, a qual defenderia a autonomia dos sindicatos. 
 Nacionalização das reservas minerais do país, incluindo minas, jazidas minerais e 
quedas d’água, as quais eram estratégicas para a nação. 
 Obrigatoriedade do serviço militar 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE10 - O Estado Getulista: 1930-1945 
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Em 15 de julho de 1934 ocorreram eleições presidenciais indiretas (como previa a 
Constituição para o primeiro processo eleitoral presidencial). As próximas eleições 
deveriam ocorrer de forma direta. 
 
Governo Constitucional: 1934-1937 
 
 Durante seu governo constitucional, o presidente Vargas enfrentou a polarização 
ideológica entre as correntes políticas da “esquerda” e a “direita”, representadas 
respectivamente pela ANL (Aliança Nacional Libertadora) sob a liderança do ex-
militante tenentista convertido ao marxismo (comunismo) e principal nome da Coluna 
Prestes-Costa, Luís Carlos Prestes (O Cavaleiro da Esperança, nas palavras do escritor 
baiano Jorge Amado) e pela AIB (Ação Integralista Brasileira), cujo mentor e líder era o 
escritor simpatizante do fascismo italiano, Plínio Salgado. 
 Essas duas vertentes políticas, com o passar dos anos, colocaram-se em 
oposição ao governo, enfrentando-o frontalmente, cada uma ao seu modo. 
 
Principais propostas da ANL (Aliança Nacional Libertadora) 
 
A Suspensão imediata e definitiva do pagamento da dívida externa brasileira; A 
Nacionalização das empresas estrangeiras que atuavam no Brasil; A. 
Reforma Agrária: confisco das terras dos latifundiários e distribuição das mesmas para 
os trabalhadores rurais; Garantias individuais de liberdade e cidadania e Implantação de 
um governo de caráter popular. 
Reproduzindo as palavras de Luis Carlos prestes em um discurso radiofônico 
transmitido em 5 de julho de 1935, percebemos que o teor das críticas ao governo 
Vargas tornavam-se ameaçadores. 
 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE10 - O Estado Getulista: 1930-1945 
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“Abaixo o governo odioso de Vargas! Abaixo o fascismo! Por um governo popular 
e revolucionário! Todo poder à Aliança Nacional Libertadora!” 
 
Com base na Lei de Segurança Nacional, recentemente publicada, foi 
determinado o fechamento da sede da ANL e alguns de seus membros foram presos. 
Na clandestinidade, Luís Carlos Prestes, organizou um movimento revolucionário 
inspirado na Revolução Socialista de Outubro de 1917 na Rússia.Seu objetivo era 
derrubar o governo Vargas e implantar no Brasil um governo de inspiração comunista, 
amparado ideologicamente pelo stalinismo da União Soviética. Acreditando ter o apoio 
dos sindicatos, dos trabalhadores, de parte do Exército e quiçá da Marinha, o 
movimento eclodiu em 23 de Novembro de 1935 e, rapidamente foi debelado pelas 
tropas federais. Desde então, a captura de Prestes era ponto de honra para o governo. 
Fato consumado em 5 de março de 1936. 
 A Intentona Comunista estava definitivamente sepultada, mas o governo Vargas 
aproveitaria o temor do comunismo propositadamente propagandeado pelo para 
enrijecer a política nacional. Utilizando-se dos favores de membros do 
Integralismo, elaborou-se um falso plano comunista denominado “Cohen” que, tido 
como uma sigilosa comunicação entre Moscou e Brasil, fora interceptada pelo governo. 
Apresentado pela imprensa para justificar as atitudes de caráter preventivo e autoritário 
tomadas pelo governo, quais sejam: O Fechamento do Congresso Nacional. - A 
suspensão da Constituição Vigente. - Nomeação de Interventores Federais para os 
Estados opositores. 
 Implantava-se dessa forma o Estado Novo, período no qual Getúlio Vargas 
governou de forma excessivamente autoritária ou ditatorial, perseguindo seus 
opositores e difundindo uma propaganda nacionalista. 
 
 
 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
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BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
Filme: “Olga” do diretor Jayme Monjardim, inspirado na biografia escrita por Fernando 
Morais sobre a alemã, judia e comunista Olga Benário Prestes. 
 
Livro: “Getúlio Vargas – Diário” 
Ed. Siciliano/FGV, Rio de Janeiro, 1° Edição, 1995. 
 
Site: Politica para Politicos 
http://www.politicaparapoliticos.com.br/interna.php?t=756076 
 
Constituição de 1934 
http://www2.camara.gov.br/legin/fed/consti/1930-1939/constituicao-35093-10-
novembro-1937-532849-publicacaooriginal-15246-pe.html 
 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE11 - O Estado Novo: 1937-1945 
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CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
Estado Novo, a fase da ditadura civil comandada por Getúlio Vargas entre 1937 e 
1945. Aqui no Brasil quando se fala em ditadura todo mundo lembra a ditadura militar 
ocorrida entre 1964 e 1985. Mas, porém, a grande maioria se esquece da ditadura civil 
da Era Vargas. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
Getúlio Vargas era um civil com amplo apoio dos militares. A primeira medida de 
governo do Estado Novo foi a revogação (anulação) da Constituição de 1934 e a 
elaboração de uma nova carta constitucional que deu a Vargas poderes excepcionais 
para combater a suposta ameaça do Plano Cohen, o plano inventado por Vargas que 
revelava a intenção da realização de uma revolução comunista no Brasil. 
 
Constituição de 1937 
 
A constituição de 1937 foi influenciada pelos governos fascistas. A primeira 
preocupação da nova constituição foi o fortalecimento Poder do Executivo, ou seja, 
Getúlio Vargas ganhou amplos poderes para tomar suas decisões sem ter que consultar 
praticamente ninguém. Paralelamente ocorreu a diminuição da autonomia dos estados 
e dos municípios, queapenas poderiam fazer aquilo que fosse autorizado por Vargas. 
Os governadores eleitos em seus estados somente poderiam assumir seus cargos após 
a autorização de Vargas. O Poder Legislativo praticamente deixou de funcionar, pois ele 
apenas confirmava as decisões tomadas por Getúlio Vargas. Além disso, a Constituição 
de 1937 extinguiu todos os partidos políticos no Brasil. 
 
 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE11 - O Estado Novo: 1937-1945 
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Intentona Integralista 
 
Ação Integralista Brasileira, foi extinta também, o partido fascista que ajudou a 
combater os comunistas da Aliança Nacional Libertadora e que apoiou Vargas no novo 
golpe de Estado de 1937. Os integralistas sentiram-se traídos por Getúlio Vargas, pois 
na verdade eles esperavam ocupar importantes postos na equipe de governo varguista. 
Este foi o motivo da Intentona Integralista ocorrida em 1938. Os integralistas 
tentaram invadir o Palácio da Guanabara para acabar com o governo ditatorial 
implantado por Vargas em 1937. Em outras palavras. A Intentona Integralista foi a 
tentativa de um novo golpe de Estado colocado em prática pelos fascistas da AIB. 
 
Repressão; Exílios; e Prisões 
 
Esta tentativa de golpe foi reprimida pela guarda pessoal de Getúlio Vargas. 
Todos os participantes foram presos e Plínio Salgado, o líder da AIB, foi enviado para o 
exílio, ou seja, foi expulso do Brasil. Para manter o domínio sobre a população o 
governo do Estado Novo utilizou de forma intensiva a repressão e a força. O objetivo 
era garantir que todas as medidas tomadas por Getúlio Vargas fossem apoiadas, 
mesmo que de forma obrigatória por todos os brasileiros. 
Durante o Estado Novo foram efetuadas inúmeras prisões. Posteriormente, os 
presos eram torturados para entregar informações importantes. Depois eles eram 
extraditados para que não apresentassem ameaça ao Governo Vargas. Não podemos 
deixar de citar a criação do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), órgão 
governamental responsável pelo monitoramento e censurados meios de comunicação, 
pela produção da propaganda de governo e pela criação do programa a Hora do Brasil, 
momento em que o presidente falava diretamente com o povo utilizando o meio de 
comunicação de massa daquela época: o rádio. 
 
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Exército; Classe Média e Operária. 
 
As Forças Armadas foram fundamentais para que Getúlio Vargas chegasse ao 
poder. Os militares tiveram participação ativa no golpe de 1930 e na repressão aos 
comunistas. Portanto, este grupo demonstrou ser de fundamental importância no 
governo de Vargas. Foi dessa forma que os militares reivindicaram e conquistaram a 
modernização bélica, ou seja, compraram novas armas e novas máquinas, tais como 
tanques, navios e aviões de guerra. As forças armadas também assumiram o controle 
das polícias públicas estaduais. Os militares ainda conquistaram uma grande autonomia 
para tomar decisões que envolviam a segurança nacional. Isso explica porque os 
militares participaram diretamente das negociações que envolveram a construçãoda 
Companhia Siderúrgica de Volta Redonda. Sem siderurgia não tem aço e sem aço não 
tem matéria-prima para fabricar armas, munições, tanques, aviões e navios. Para as 
Forças Armadas a instalação da indústria de base no Brasil estava diretamente 
relacionada com a defesa da soberania e das riquezas nacionais. 
A classe média foi outro grupo extremamente beneficiado com a Era Vargas. Na 
República Velha os cargos públicos eram ocupados de acordo com o interesse pessoal 
dos governantes. Tudo mudou no governo de Getúlio Vargas. A criação do 
Departamento Administrativodo Serviço Público (DASP) abriu um grande número de 
possibilidades para a construção de carreiras nas instituições civis públicas. Para 
trabalhar em instituições tais como Ministério do Trabalho, Polícia Federal, Tribunal de 
Contas, prefeituras e governos estaduais, era preciso ser aprovado em um concurso 
público. Esta herança da Era Vargas está em vigor até os dias de hoje. Esta mudança 
acabou beneficiando a Classe Média, o grupo social que tinha maior acesso à 
escolaridade naquela época. 
A classe operária também foi tratada com especial atenção durante a Era Vargas. 
Havia um profundo medo do governo de que o socialismo se espalhasse entre a classe 
operária. Foi por isso que Vargas se antecipou às reivindicações a produziu lentamente 
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um conjunto de leis que mais tarde deram origem à Consolidação da Leis Trabalhistas 
(a CLT, que também vigora até os dias de hoje). Porém, foram criados instrumentos que 
permitiram ao governo o poder de intervenção e controle dos sindicatos, impedindo 
que as ideias socialistas se espalhassem no meio operário urbano. 
Propagandas embutidas nos livros didáticos, desfiles e comícios públicos, 
programas de rádio em cadeia nacional, entre muitos outros, foram utilizados para 
demonstrar que Getúlio Vargas era um líder popular, conhecido naquela época como o 
"Pai dos pobres". 
Em 1940 o governo se antecipou às demandas do movimento operário e 
produziu ele mesmo as leis trabalhistas: Salário Mínimo, Jornada de trabalho 
regulamentada em 8 horas; Regulamentação do trabalho infantil e feminino; Licença-
maternidade (que naquela época erade 2 meses); Carteira de Trabalho; Direito a férias 
anuais remuneradas; Descanso semanal e direito à previdência social. (Criação da 
previdência social com o Instituto de Aposentadoria e Pensões (IAPS).) 
Em 1942 toda a legislação produzida pelo governo de Getúlio Vargas desde o 
ano de1930 foi compilada em um único documento que ficou conhecido como 
Consolidaçãodas Leis Trabalhistas (CLT). Foi dessa forma que Getúlio Vargas ficou 
cravado de forma inesquecível nos corações e nas mentes do povo brasileiro. 
 
Segunda Guerra Mundial 
 
Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial (1939), o governo viu-se obrigado a 
se posicionar em relação ao conflito. A “entrada” do Brasil na Segunda Guerra Mundial 
provocou uma contradição ideológica interna, pois ao mesmo tempo em que o Brasil 
“lutava” contra os governos ditatoriais nazifascistas (Alemanha e Itália) na Europa, 
mantinha uma ditadura com aspectos semelhantes no Brasil. 
 As pressões políticas e sociais não tardaram a aparecer e o presidente Vargas 
viu-se obrigado a tomar várias medidas redemocratizadoras, entre as quais destacam-
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se: a liberdade política pluripartidária, possibilitando a fundação de novos partidos 
políticos, o fim da censura à imprensa, favorecendo ao aumento das críticas da oposição 
contra a antidemocracia e o autoritarismo político de Vargas, a anistia aos presos 
políticos, colocando em liberdade históricos opositores de Vargas, como o comunista Luís 
Carlos Prestes, o qual inclusive, participaria do “Movimento Queremista” ; a convocação 
de eleições presidenciais para dezembro de 1945, concluindo a abertura política iniciada 
com a tomada das primeiras medidas de redemocratização. 
 Paralelamente à tomada dessas medidas, setores governistas atrelados ao 
recém-fundado PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), o qual estava diretamente infiltrado 
no sindicalismo governista, iniciou uma campanha nacional denominada “Movimento 
Queremista”, cujo lema era “Queremos Getúlio, com a Constituinte!” Pois sua proposta 
era a manutenção de Vargas na presidência da República pelo menos até a 
promulgaçãode uma nova Constituição, pois só dessa maneira, diziam eles, os direitos 
trabalhistas e sociais estariam assegurados. 
 Temendo o sucesso do “Movimento Queremista”, os mesmos setores do Exército, 
que outrora sustentaram a ditadura pessoal de Vargas, adiantaram-se e depôs o 
presidente na noite do dia 29 de outubro de 1945, entregando o poder interinamente 
ao presidente do Supremo Tribunal Federal José Linhares, o qual governaria o país até 
a realização das eleições presidenciais em dezembro. 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
Site – Só História - Era Vargas 
http://www.sohistoria.com.br/ef2/eravargas/ 
 
Site – Mundo Educação – Estado Novo 
http://www.mundoeducacao.com/historiadobrasil/era-vargas-estado-novo.htm 
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UNIDADE12 - O Período Democrático: 1945 – 1964 
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CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
Esse período foi marcado pela liberdade política, individual e de imprensa e pela 
repartidarização do país, no qual, os principais partidos que administrariam a nação 
pelos próximos 20 anos: PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), PSD (Partido Social 
Democrata) e UDN (União Democrática Nacional) foram organizados. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
Getúlio foi substituído por José Linhares, presidente do Supremo Tribunal 
Federal e o substituto direto, pois pela Constituição de 1937 não existia a figura do vice-
presidente. José Linhares tornou-se, então, presidente interino, ficando três meses no 
cargo, até passar o poder ao presidente eleito Eurico Gaspar Dutra. Dutra foi eleito em 
2 de dezembro de 1945, e tomou posse na presidência da república em 31 de janeiro 
de 1946. 
Getúlio foi afastado do poder sem sofrer nenhuma punição, nem mesmo o 
exílio, como o que ele próprio impusera ao presidente Washington Luís ao depô-lo. 
Getúlio não teve os seus direitos políticos cassados e não respondeu a qualquer 
processo judicial. Getúlio Vargas retirou-se para sua estância em São Borja, a Estância 
Santos Reis, no Rio Grande do Sul. Getúlio apoiou a candidatura do general Eurico 
Gaspar Dutra, o ex-ministro da Guerra (hoje Comando do Exército) durante todo o 
Estado Novo, à presidência da República. O apoio a Dutra era uma das condições 
negociadas para que Getúlio não fosse exilado. 
 
 
 
 
 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE12 - O Período Democrático: 1945 – 1964 
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Eurico Gaspar Dutra (1945-1950) 
 
Nas eleições democráticas de dezembro de 1945, saiu-se vitorioso o candidato 
da coligação partidária PSD-PTB, general Eurico Gaspar Dutra, ex-ministro da Guerra de 
Vargas e um dos responsáveis pela sua deposição. 
 Logo no inicio de seu governo foi convocada a Assembleia Nacional 
Constituinte, cujo objetivo era discutir e promulgar uma Constituição democrática para 
a nação. 
 
A constituição de 1945 
 
Após meses de trabalhos, em 18 de setembro de 1945, a Constituição foi 
promulgada, apresentando as seguintes características: República Federativa 
Presidencialista; Mandato presidencial de 5 anos, sem direito à reeleição; Restauração do 
cargo de vice-presidente nas próximas eleições; Restauração do número de 3 senadores 
por Estado; Voto direto, secreto e universal para todos os cidadãos brasileiros maiores de 
18 anos e alfabetizados.; Preservação da legislação trabalhista; Controle sindical, porém 
reconhecia o direito de greve às categorias não ligadas aos setores especiais, tais como, 
geração e distribuição de energia, distribuição de água e tratamento de esgoto e serviços 
de saúde. 
Em decorrência da Guerra Fria (conflito político-ideológico entre o capitalismo 
dos Estados Unidos e o comunismo da União Soviética), o Brasil aliou-se inteiramente à 
ideologia capitalista liberal dos EUA e tomou algumas medidas políticas anticomunistas: 
Rompimento das relações diplomáticas com a União Soviética; Cassação dos mandatos 
dos congressistas eleitos pelo PCB (Partido Comunista Brasileiro) e ilegalidade desse 
partido. 
O clima de tensão da Guerra Fria e o suposto perigo do comunismo 
amedrontavam a sociedade brasileira, mas a aproximação ideológica do Brasil com os 
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Estados Unidos trouxe consequências econômicas desvantajosas para o país, sabendo 
que aproximadamente 80% das reservas cambiais foram gastas sem que houvesse 
avanços significativos nos setores de infraestrutura, tais como, transporte, geração e 
distribuição de energia. 
 
Getulio Vargas: 1951-1954 
 
Nas eleições presidenciais de 1950, Getúlio Vargas derrotou o candidato da UDN 
(União Democrática Nacional), o brigadeiro Eduardo Gomes (sobrevivente do levante 
tenentista de 5 de julho de 1922: “os 18 do Forte”) e propagandeou a retomada do 
modelo político-econômico nacionalista e intervencionista estatal. 
 Durante seu segundo mandato, enfrentou uma ferrenha oposição dos membros 
da UDN no Congresso Nacional, em especial do jornalista Carlos Lacerda, principal 
crítico e opositor político e pessoal de Vargas. 
 Dentre as principais medidas nacionalistas do governo estão: a criação da 
Petrobrás, da Eletrobrás, do BNDE (Banco Nacional de Desenvolvimento) e do 
encaminhamento para o Congresso Nacional de uma proposta de lei para a Limitação 
das Remessas de Lucros das empresas estrangeiras para seus países de origem, atitude 
que provocou a reação dos representantes dos interesses da burguesia internacional. 
 O modelo nacionalista também era criticado pelos liberais, burguesia nacional, 
comunistas etc. Vargas e familiares eram acusados (principalmente seu irmão Benjamim 
e seu filho Lutero) de corrupção e de favorecimento político e financeiro a amigos. 
Em agosto de 1954, um atentado contra “o corvo”, isto é, Carlos Lacerda, 
incriminou membros da guarda pessoal do presidente da República, entre os quais 
encontrava-se o seu guarda-costas Gregório Fortunato, o qual assumiu ser o mandante 
do crime, porém, descartou qualquer possibilidade de vinculo entre o atentado e o 
presidente. Tal atentado feriu o jornalista, mas vitimou fatalmente o major da 
Aeronáutica Rubens Vaz, o qual prestava a Carlos Lacerda o serviço de guarda-costas. 
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Diante desse crime, a Aeronáutica iniciou na Base Aérea do Galeão, um processo de 
investigação paralela ao da polícia carioca e exigia, ao menos até a conclusão do 
inquérito, o afastamento do presidente Vargas. 
 Diante das pressões da oposição e vendo-se abandonado pelas Forças Armadas, 
inclusive pelo Exército, Getúlio Vargas suicidou-se com um tiro no coração em 24 de 
agosto de 1954, deixando aos brasileiros uma “Carta Testamento”, na qual ele aponta 
suas razões para “sair da vida e entrar na história”. 
 
Carta Testamento 
 
"Deixo à sanha dos meus inimigos o legado da minha morte. Levo o pesar de não haver 
podido fazer, por este bom e generoso povo brasileiro e principalmente pelos mais 
necessitados, todo o bem que pretendia. A mentira, a calúnia, as mais torpes 
invencionices foram geradas pela malignidade de rancorosos e gratuitos inimigos numa 
publicidade dirigida, sistemática e escandalosa... Eu vos dei a minha vida. Agora vos 
ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da 
eternidade e saio da vida para entrar na História”. 
(Rio de Janeiro, 23/08/54 - Getúlio Vargas). 
 No dia seguinte ao suicídio, milhares de pessoas saíram às ruas para prestar o 
"último adeus" ao "pai dos pobres", chocadas com o que ouviram no noticiário 
radiofônicomais popular da época, o Repórter Esso. Enquanto isso, retratos de Getúlio 
eram distribuídos para o povo durante o dia. Carlos Lacerda teve que fugir do país, com 
medo de uma perseguição popular. 
Com o falecimento de Vargas, o vice-presidente João Café Filho assumiu a 
presidência da República, pois diante da comoção nacional em virtude do suicídio de 
Vargas os militares que tramavam a tomada do poder, recuaram. 
 Em 2 de novembro de 1955, Café Filho apresentou uma solicitação de 
afastamento alegando precisar tratar da saúde. Porém, tal atitude foi premeditada e 
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arquitetada pela UDN, a qual estava interessada em anular as eleições de 1955, pois 
nessa eleição o candidato udenista Juarez Távora (membro do movimento tenentista da 
década de 1920 e interventor federal nomeado por Vargas na década de 1930) 
amargou uma derrota nas urnas. Entretanto o candidato vitorioso Juscelino Kubitschek 
de Oliveira, segundo a oposição, teve uma votação inexpressiva, pois venceu com 
apenas 38% dos votos válidos, os quais legalmente lhe asseguravam a maioria simples 
como previa a Constituição. (ou no mínimo omitia a questão da maioria absoluta, isto é, 
50% mais 1 voto válido). 
 Café Filho foi substituído pelo presidente do Congresso Nacional, o deputado 
Carlos Luz que, na presidência da República foi apoiado pela UDN de Carlos Lacerda e 
anunciou a anulação da eleição de outubro de 1955. Seu breve governo (2 a 11 de 
novembro de 1955) foi interrompido por um golpe militar preventivo organizado e 
comandado pelo general Henrique Teixeira Lott, o qual pretendia assegurar a 
manutenção da democracia republicana. 
 Com a deposição de Carlos Luz, quem assumiu a presidência do país foi o 
presidente do senado Nereu Ramos, o qual governou até o dia 31 de janeiro de 1955, 
ocasião da solenidade de posse do presidente Juscelino Kubitschek. 
 A “Novembrada”, denominação dada a esse movimento militar, evitou a 
inconstitucionalidade da atitude dos políticos da oposição (UDN) derrotada pela aliança 
entre PTB-PSD nas três últimas eleições do período. 
 O Exército garantiu a constitucionalidade dos resultados eleitorais, entretanto, 
durante a década de 1960, um movimento civil-militar, iniciado nos anos de governo do 
presidente João Goulart, tomaria o poder de forma inconstitucional e, com o passar dos 
anos, ditatorial. 
 
 
 
 
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BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
Carta-testamento - Fundação Getulio Vargas 
http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas2/artigos/AlemDaVida/CartaTestamento 
 
Livro: Agonia e morte do presidente Getúlio Vargas - Antônio Sérgio Ribeiro 
 
Site: Era Vargas – Estado Novo. Disponível em: http://www.brasilescola.com/historiab/vargas 
 
65 
 
CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
Juscelino Kubitschek empolgou o país com seu slogan "Cinquenta anos em 
cinco", conseguiu encetar um processo de rápida industrialização, tendo como 
carro-chefe a indústria automobilística. Houve, no seu governo, um forte 
crescimento econômico, porém, houve também um significativo aumento da 
dívida pública interna e da dívida externa e da inflação nos governos seguintes. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
Os anos de governo do presidente Juscelino Kubitschek, eleito presidente 
do Brasil nas eleições de 1955, foram denominados “Anos Dourados”, devido ao 
modelo político-econômico Nacional-desenvolvimentista, isto é, um misto de 
investimentos público-privados, no qual o governo assumia o compromisso de 
investir nos setores estratégicos da economia (energia, transporte, alimentação, 
educação e industrialização de base), enquanto os investimentos estrangeiros 
seriam destinados principalmente para a implantação de indústrias de bens de 
consumo, principalmente as automobilísticas. 
 
Plano de Metas 
No começo de seu governo, JK apresentou ao povo brasileiro o seu Plano 
de Metas, cujo lema era “cinqüenta anos em cinco”. Pretendia desenvolver o país 
cinqüenta anos em apenas cinco de governo. O plano consistia no investimento 
em áreas prioritárias para o desenvolvimento econômico, principalmente, infra-
estrutura (rodovias, hidrelétricas, aeroportos) e indústria. 
 
 
 
Desenvolvimento industrial 
 
66 
 
 
Foi na área do desenvolvimento industrial que JK teve maior êxito. Abrindo 
a economia para o capital internacional, atraiu o investimento de grandes 
empresas. Foi no governo JK que entraram no país grandes montadoras de 
automóveis como, por exemplo, Ford, Volkswagen, Willys e GM (General Motors). 
Estas indústrias instalaram seu filial nas região sudeste do Brasil, principalmente, 
nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e ABC (Santo André, São Caetano e São 
Bernardo). As oportunidades de empregos aumentaram muito nesta região, 
atraindo trabalhadores de todo Brasil. Este fato fez aumentar o êxodo rural (saída 
do homem do campo para as cidades) e a migração de nordestinos e nortistas de 
suas regiões para as grandes cidades do Sudeste. 
 
Construção de Brasília 
 
A construção de Brasília – a nova Capital Federal – foi a principal realização 
desse governo. A Novacap, foi a empresa estatal responsável pela administração 
das obras, as quais só foram possíveis graças aos convênios entre as principais 
empreiteiras do país. 
A proposta de planejamento e estudo para a mudança da capital já estava 
prevista nas Constituições de 1891, 1934, 1937 e 1946, entretanto Juscelino 
Kubitschek, ainda em campanha presidencial, assumiu um compromisso público 
com esse artigo constitucional, pois afirmava que a integração nacional era 
necessária e Brasília, construída na região Centro-Oeste, dentro do Estado de 
Goiás, distando algumas dezenas de quilômetros da divisa do Estado de Minas 
Gerais, seria o epicentro de tal integração. 
As obras foram parcialmente concluídas durante seu governo e Brasília 
inaugurada em 21 de abril de 1960. Toda a estrutura dos poderes Legislativo, 
Executivo e Judiciário, foram gradativamente transferida para a nova capital. 
 
67 
 
 As acusações oposicionistas de desvio de verbas, favorecimento às 
empreiteiras, gastos públicos indevidos, internacionalização da economia, 
endividamento externo etc., enfraqueceram o governo e Juscelino Kubitschek não 
conseguiu eleger seu sucessor, o candidato Henrique Teixeira Lott (general e ex-
ministro da Guerra). 
 
Anos Dourados 
 
A era JK estava em todo canto, nos chamados "Anos Dourados". Ao longo 
da década de 1950, a economia brasileira foi industrializada rapidamente, 
passando de rural a urbana. 
Nessa época foram se popularizando os eletrodomésticos, que prometiam 
facilitar a vida do lar. Eram de todos os tipos, desde enceradeiras até aspiradores 
de pó, carros, televisores, o rádio e os toca-discos portáteis e o disco de vinil. 
Foram criados os objetos de plástico e fibra sintética, além de casas com mobílias 
com menos adornos. 
Enquanto tudo isso se consolidava, os meios de comunicações e de 
diversões se ampliavam. Eram emissoras de rádios que através das ondas curtas 
chegavam a grande parte do interior do Brasil, revistas como Seleções e O 
Cruzeiro, jornais, radionovelas, o teatro de revista, teatros, programas radiofônicos 
de musicais e os humorísticos, o radiojornal Repórter Esso e as comédias e as 
chanchadas da Atlântida Cinematográfica do Rio de Janeiro. O cinema brasileiro 
teve sua fase dourada, nos anos 1950, com a Companhia Cinematográfica Vera 
Cruz, de São Paulo, e a premiação do filme O Cangaceiro, no exterior, em 1953. 
Em 1958, a música popular brasileira é sucesso no exterior, especialmente a Bossa 
Nova, criada naquela época.O salário-mínimo, em 1959, em termos reais, 
descontado a inflação, ou seja, em valores reais, é considerado o mais alto da 
história do Brasil. 
 
68 
 
Em janeiro de 1960, pouco antes de deixar a presidência, JK deixou uma 
mensagem de agradecimento ao professor José Antero de Carvalho, na qual 
resume sua visão sobre seu governo e seu futuro político. 
“Sinto-me satisfeito em poder proclamar que, na presidência da república, não faltei 
a um só dos compromissos que assumi como candidato. Mercê de Deus, em muitos 
setores realizei além do que prometi, fazendo o Brasil avançar, pelo menos, 
cinquenta anos de progresso em cinco anos de governo... Sejam quais forem os 
rumos de minha vida pública, levarei comigo, ao deixar o honroso posto que me 
confiou a vontade popular, o firme propósito de continuar servindo ao Brasil com a 
mesma fé, o mesmo entusiasmo e a mesma confiança nos seus altos destinos!” - 
Juscelino Kubitschek 
 
 
 
Janio Quadros 
 
Nas eleições de 1960, a UDN (União Democrática Nacional) coligou-se com 
o PDC (Partido Democrata Cristão) e o candidato Jânio Quadros (ex-prefeito e ex-
governador do Estado de São Paulo) elegeu-se presidente, prometendo “varrer a 
corrupção” do país”, utilizando como símbolo de sua campanha, a imagem de 
uma vassoura, somando-se a ela, um discurso claramente populista e 
demagógico. 
 Jânio Quadros não promoveu à prometida “limpeza política” e, transitando 
politicamente entre a direita udenista e a esquerda socialista, enfrentou a 
oposição dos primeiros e a impaciência dos segundos. Vendo-se abandonado 
pelo Congresso Nacional, principalmente pela UDN que o havia apoiado nas 
eleições, optou pela renúncia presidencial em 25 de agosto de 1961, menos de 
sete meses depois de ter assumido a presidência da República. 
 
 
69 
 
João Goulart 
 
Conhecido também pelo apelido de “Jango”, João Belchior Marques 
Goulart foi presidente do Brasil entre os anos de 1961 e 1964 (foi deposto com o 
Golpe Militar de 1964). Antes disso, tinha sido vice-presidente de JK (Juscelino 
Kubitschek) entre os anos de 1956 e 1961. Em 1961, após a renúncia de Jânio 
Quadros, foi empossado presidente da República. Governou até 31 de março de 
1964, quando foi deposto pelo Golpe Militar. 
 A renúncia de Jânio Quadros promoveu uma crise política nacional, pois a 
oposição (UDN) e parcela dos militares conservadores não queriam aceitar a 
posse do vice-presidente João Goulart, o qual se encontrava na ocasião, em 
viagem à União Soviética e à China, ambos, sabidamente, comunistas 
revolucionários. Entre os dias 25 de agosto e 7 sete de setembro de 1960 a 
presidência da República foi ocupada pelo presidente da Câmara Federal, o 
deputado Ranieri Mazzilli. O parlamentarismo vigorou no Brasil entre setembro 
de 1961 e janeiro de 1963, quando foi realizado um referendo (alguns autores 
chamam de plebiscito) restabelecendo o presidencialismo. 
 O presidente João Goulart iniciou um programa de reformas denominado 
“Reformas de Base”, as quais abrangeriam algumas áreas estratégicas para a 
economia, entre as quais se destacam: Tributária ; Administrativa; Urbana; 
Universitária; Agrária. Sendo que essa última desagradava aos interesses da 
tradicional elite política ruralista. 
Os militares e a oposição começaram a articular o Golpe Civil-Militar de 31 
de março de 1964, resultando na deposição do presidente da República e na 
formação de uma Junta Militar Provisória para governar o país até que a 
normalidade política fosse restabelecida. 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
 
70 
 
50 anos em 5: Plano de Metas 
http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/JK/artigos/Economia/PlanodeMetas 
 
Jk - Minissérie da TV Globo 
http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/1435626/jk-miniserie-da-tv-globo 
 
Livro: O Fenômeno Jânio Quadros – Viariatoo de Castro. SP: 2ª edição, 1959. 
 
Site: João Goulart 
http://www.suapesquisa.com/biografias/joao_goulart.html 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 14 - O Regime Militar: 1964 – 1969 
Fabiano Luiz Curtolo 
Andréa Wolff 
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CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
No dia 9 de abril de 1964 foi publicado o primeiro Ato Institucional (AI-1) 
mecanismo político utilizado pelos militares para mascarar o autoritarismo político, pois 
possibilitava a manutenção da Constituição vigente, porém estava acima das premissas 
constitucionais. 
 
Ditadura - É um regime de governo onde todos os poderes do Estado estão 
concentrados em um indivíduo, um grupo ou um partido. No caso do Brasil o grupo 
dirigente responsável pela tomada de todas as decisões era composto pelos membros 
das Forças Armadas (Exército,Marinha e Aeronáutica). 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
Podemos definir a Ditadura Militar como sendo o período da política brasileira 
em que os militares governaram o Brasil. Esta época vai de 1964 a 1985. Caracterizou-se 
pela falta de democracia, supressão de direitos constitucionais, censura, perseguição 
política e repressão aos que eram contra o regime militar. 
 
O golpe militar de 1964 
 
A crise política se arrastava desde a renúncia de Jânio Quadros em 1961. O vice 
de Jânio era João Goulart, que assumiu a presidência num clima político adverso. O 
governo de João Goulart (1961-1964) foi marcado pela abertura às organizações sociais. 
Estudantes, organização populares e trabalhadores ganharam espaço, causando a 
preocupação das classes conservadoras como, por exemplo, os empresários, 
banqueiros, Igreja Católica, militares e classe média. Todos temiam uma guinada do 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
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Brasil para o lado socialista. Vale lembrar, que neste período, o mundo vivia o auge da 
Guerra Fria. 
Os partidos de oposição acusavam Jango de estar planejando um golpe de 
esquerda e de ser o responsável pela carestia e pelo desabastecimento que o Brasil 
enfrentava. No dia 13 de março de 1964, João Goulart realiza um grande comício na 
Central do Brasil (Rio de Janeiro), onde defende as Reformas de Base. Neste plano, 
Jango prometia mudanças radicais na estrutura agrária, econômica e educacional do 
país. Seis dias depois, em 19 de março, os conservadores organizam uma manifestação 
contra as intenções de João Goulart. Foi a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, 
que reuniu milhares de pessoas pelas ruas do centro da cidade de São Paulo. O clima 
de crise política e as tensões sociais aumentavam a cada dia. 
No dia 31 de março de 1964, tropas de Minas Gerais e São Paulo saem às ruas. 
Para evitar uma guerra civil, Jango deixa o país refugiando-se no Uruguai. Os militares 
tomam o poder. Em 9 de abril, é decretado o Ato Institucional Número 1. 
 
Ato Institucional nº. 1 ( 09 de Abril de 1964) 
 
Redigido por Francisco dos Santos Nascimento , foi editado em 9 de abril de 1964 
pela junta militar. Passou a ser designado como Ato Institucional Número Um, ou AI-1 
somente após a divulgação do AI-2. Com 11 artigos, o AI-1 dava ao governo militar o 
poder de alterar a constituição, cassar mandatos legislativos, suspender direitos 
políticos por dez anos e demitir, colocar em disponibilidade ou aposentar 
compulsoriamente qualquer pessoa que tivesse atentado contra a segurança do país, o 
regime democrático e a probidade da administração pública. 
 Suspensão da Constituição vigente e das garantias constitucionais por seis 
meses. 
 Eleições indiretas para presidente da República. 
 Cassação de mandatos e suspensão dos direitos políticos dos opositores. 
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No dia 10 de abril foi divulgada a primeira lista dos cassados.102 nomes foram incluídos,sendo 41 deputados federais. 
 João Goulart – Ex-presidente da República e Presidente Nacional do PTB 
 Jânio Quadros – Ex-presidente da República 
 Luís Carlos Prestes – Secretário-Geral do proscrito Partido Comunista Brasileiro 
(PCB) 
 Miguel Arraes – Governador deposto de Pernambuco pelo PSB 
 Leonel Brizola – Deputado Federal, Ex-Governador do Rio Grande do Sul pelo 
PTB e Líder da Frente de Mobilização Popular 
 Rubens Paiva – Engenheiro e Deputado Federal por SP (PTB) 
 Plínio de Arruda Sampaio – Deputado Federal PDC e relator do Projeto de 
Reforma Agrária 
 Ney Ortiz Borges - Deputado Federal e Vice-líder da bancada do PTB na Câmara 
dos Deputados em 1963 
 Celso Furtado – Economista e criador do Plano Trienal 
 Abelardo Jurema – Ministro deposto da Justiça 
 Almino Afonso – Ex-ministro do Trabalho 
 Paulo de Tarso – Ex-ministro da Educação 
 Darcy Ribeiro – Reitor deposto da Universidade de Brasília 
 Raul Ryff – Assessor de imprensa de Goulart 
 Samuel Wainer – Jornalista e dono do Jornal Última Hora 
 Osvino Ferreira Alves – Marechal e Presidente deposto da Petrobrás 
 Argemiro de Assis Brasil – General-de-Brigada 
 Luís Tavares da Cunha Melo – Chefe do Gabinete Militar de Goulart 
 Nelson Werneck Sodré - Intelectual, ligado ao setor nacionalista do Clube Militar 
 
Marechal Humberto de Alencar Castello Branco: 1964-1967 
 
Eleito indiretamente pelo Congresso Nacional, acenava com a possibilidade de 
redemocratização política, entretanto tomava medidas de endurecimento e anulação 
da oposição. Durante seu governo foram publicados os Atos Institucionais nº 2 e nº 3. 
A posse de Castello Branco ocorreu em 15 de abril de 1964 e ele governou o Brasil até 
março de 1967 Durante o governo de Castelo Branco iniciou-se o fechamento político e 
a anulação da oposição. 
 
 
 
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Ato Institucional n. 2 ( 27 de Outubro de 1965) 
 
 Suspensão da Constituição e das garantias constitucionais por tempo 
indeterminado. 
 Intervenção do Poder Executivo no Judiciário, cabendo a um tribunal especial 
(militar) o julgamento das ações dos representantes do Governo Militar. 
 Extinção dos partidos políticos vigentes (pluripartidarismo) e adoção do 
bipartidarismo 
 Foram fundados dois novos partidos políticos: 
 Arena (Aliança Renovadora Nacional): representada pelos políticos apoiadores 
do Regime Militar 
 MDB (Movimento Democrático Brasileiro): representado pelos políticos que 
fariam uma suposta oposição ao governo. 
 
Ato Institucional n. 3 (05 de Fevereiro de 1966) 
 
 Eleições indiretas para governadores de Estados e para os cargos de prefeitos 
das capitais e cidades de segurança nacional. 
 
General Artur da Costa e Silva: 1967-1969 
 
 As principais medidas de fechamento político e implantação de uma ditadura de 
fato no país ocorreram durante o breve governo do presidente Costa e Silva 
(interrompido pelo afastamento médico e posterior falecimento), quando o choque 
entre os cidadãos insatisfeitos (políticos, intelectuais, estudantes, operários, 
sindicalistas...) e o governo tornaram-se explícitos. 
 Greves operárias e passeatas estudantis marcaram o ano de 1968, o qual nas 
palavras do escritor Zuenir Ventura foi “o ano que não terminou”, pois o presidente 
apresentaria à nação o Ato Institucional n. 5. 
 
 
 
 
 
 
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Ato Institucional n. 5 (13 de Dezembro de 1968) 
 Recesso do Congresso Nacional, das Assembleias Estaduais e das Câmaras 
Municipais por tempo indeterminado. 
 Sobreposição do Poder Executivo aos demais poderes (Legislativo e Judiciário), 
dando ao presidente o direito de utilizar os decretos-lei. 
 Suspensão dos direitos políticos de qualquer cidadão brasileiro pelo período de 
10 anos. 
 Cassação de mandatos de deputados federais, estaduais e vereadores 
oposicionistas. 
 Proibição das manifestações populares de caráter político. 
 Suspensão do Habeas Corpus (em casos de crimes políticos ou contra a 
segurança nacional). 
 Censura prévia à imprensa (jornais, revistas, músicas, programas televisivos, 
peças de teatro...) 
 Demissões sumárias ou aposentadorias compulsórias para servidores públicos. 
Com o afastamento e posterior falecimento do presidente Costa e Silva em 17 de 
dezembro de 1969, formou-se uma Junta Militar (general Lyra Tavares, almirante 
Augusto Redemaker e brigadeiro Márcio de Souza e Melo) que governou o Brasil até a 
realização de novas eleições presidenciais (indiretas), as quais garantiram a vitória do 
presidente general Emilio Garrastazu Médici. 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
Documentos da Comissão da Verdade 
http://www.documentosrevelados.com.br/ 
 
Acervo da Luta Contra a Ditadura 
http://www.acervoditadura.rs.gov.br/principal.htm 
 
Memorial da Resistência 
http://www.pinacoteca.org.br/pinacoteca-pt/ 
 
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Minissérie Anos Rebeldes 
http://memoriaglobo.globo.com/programas/entretenimento/minisseries/anos-
rebeldes.htm 
 
Musicas 
musicas/10-musicas-de-protesto-a-ditadura-militar/ 
 
Filmes:Pra Frente Brasil; O Que é Isso Companheiro?; Batismo de Sangue ;Hércules 56, 
entre outros. 
 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 15 - Anos de Chumbo e o Início da abertura 
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CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
Em 1969, a Junta Militar escolhe o novo presidente: o general Emílio Garrastazu 
Medici. Seu governo é considerado o mais duro e repressivo do período, conhecido 
como "anos de chumbo". A repressão à luta armada cresce e uma severa política de 
censura é colocada em execução. Jornais, revistas, livros, peças de teatro, filmes, 
músicas e outras formas de expressão artística são censuradas. 
Muitos professores, políticos, músicos, artistas e escritores são investigados, 
presos, torturados ou exilados do país. O DOI-Codi (Destacamento de Operações e 
Informações e ao Centro de Operações de Defesa Interna ) atua como centro de 
investigação e repressão do governo militar. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
General Emilio Garrastazu Médici – 1969 a 1974 
 
 Considerado um dos presidentes militares mais severos com a oposição, Médici, 
logo no primeiro dia de mandato, apresentou uma emenda à Constituição de 1967 – a 
qual , quando publicada, procurava assegurar o endurecimento e a antidemocracia do 
regime, porém mantendo algumas garantias individuais (lembrando que a mesma, foi 
promulgada antes da publicação do AI-5, o qual se sobrepunha aos artigos 
constitucionais). 
 
Emenda Constitucional de 1969 
 
 Mandato presidencial de 5 anos. 
 Constitucionalização de todos os Atos Institucionais publicados anteriormente. 
 Eleições indiretas para governador de Estado em 1970. 
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 Pena de morte para os crimes políticos de guerra revolucionária ou subversão da 
ordem. 
 Garantia ao Poder Executivo da utilização do Decreto-lei. 
 Restrição à inviolabilidade parlamentar. 
 Impedimento do Poder Judiciário em julgar os conteúdos dos Atos institucionais. 
Durante o governo do presidente Médici, o Brasil viveu um momento de euforia 
econômica, denominado “Milagre Econômico” ou “Milagre Brasileiro”, pois as taxas de 
crescimento do país, entre os anos 1969-1973, mantiveram-se entre 11 e 14%. O crédito 
foi expandido e o estímuloao consumo propagandeado. Enquanto a classe média era 
beneficiava pela política econômica do Ministro da Fazenda Delfim Neto, as camadas 
populares sofriam com o arrocho salarial e os alarmantes índices de pobreza e 
marginalização social. 
O governo desmantelou as organizações políticas de oposição responsáveis pela 
luta armada contra os militares, entre as quais se destacam: 
 ALN (Aliança Libertadora Nacional) 
 VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) 
 MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de outubro) 
 VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária – Palmares) 
 COLINA (Comando de Libertação Nacional) 
 PCdoB (Partido Comunista do Brasil) 
 
As pessoas que participaram dessas organizações citadas optaram pela luta 
armada, pois desacreditavam que politicamente se processaria uma abertura 
democrática. Eram de inspiração comunista ou socialista, porém, dividiam-se 
ideologicamente entre stalinistas, trotskistas, maoistas, enfim, propondo caminhos 
diferentes para um mesmo final: derrotar o regime militar. 
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Foto da ficha de Dilma Rousseff no Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) de 
São Paulo, registrada em janeiro de 1970. 
A maioria dos membros dessas organizações foi, literalmente, tirada de combate 
pelos militares (prisões, exílio, banimento, assassinatos e desaparecimentos), além da 
utilização de meios violentos para enfraquecer os guerrilheiros (urbanos ou rurais), tais 
como a tortura física ou psicológica. 
“Escancarada, a ditadura firmou-se. A tortura foi o seu instrumento 
extremo de coerção e extermínio, o último recurso da repressão política 
que o Ato Institucional 5 libertou das amarras da legalidade. A ditadura 
envergonhada foi substituída por um regime a um só tempo anárquico 
nos quartéis e violento nas prisões. Foram os Anos de Chumbo. 
O Milagre Brasileiro e os Anos de Chumbo foram simultâneos. Ambos 
reais, coexistiram negando-se. Quem acha que houve um, não acredita 
(ou não gosta de admitir) que houve o outro. 
É falsa a suposição segundo a qual a tortura é praticada em defesa da 
sociedade. Ela é instrumento do Estado, não da lei. (...) Oficiais-generais, 
ministros e presidentes recorrem à tortura como medida de defesa do 
Estado enquanto podem se confundir com ele. Valem-se dela, em 
determinados momentos, contra determinadas ameaças, para atingir 
objetivos específicos”. - (GASPARI, Elio. A ditadura escancarada. São 
Paulo: Cia. Das Letras, 2002) 
 
Ernesto Geisel: 1974-1979 
 
 Quando Geisel venceu as eleições no Colégio Eleitoral em 1974, comprometeu-
se com a abertura lenta, gradual e segura, pois os militares “Linha Dura”, adeptos do 
fechamento político foram “derrotados”. 
 Embora a promessa de redemocratização existisse, já havia 17 Atos Institucionais, 
muito pouco foi feito nesse sentido nos primeiros anos de governo. Aliás, enquanto 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
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prometia a distensão (abertura), tomava medidas extremamente autoritárias e 
antidemocráticas, tais como: 
 
 Lei Falcão (1976): restrições às propagandas eleitorais no rádio, jornais e 
televisão, proibindo o debate e a defesa de um programa de governo. O 
candidato só poderia dizer seu nome, partido, número e um breve currículo. 
 Pacote de Abril (1977): Eleição indireta de 1/3 dos senadores, o qual passou a ser 
chamado de “senador biônico”, pois era escolhido de acordo com a indicação 
do presidente. 
A principal medida de abertura política tomada durante o governo Geisel foi: 
 Extinção do Ato Institucional n. 5 (1979): tornava nulas todas as determinações 
desse ato que havia completado dez anos. 
 
João Batista Figueiredo: 1979-1985 
 
O presidente João Figueiredo concluiu a abertura política iniciada no governo Geisel. 
Logo em 1979 duas medidas tomadas pelo governo sinalizavam o fim do Regime 
Militar, embora uma parcela significativa das Forças Armadas, ainda não havia se 
convencido disso. 
 Fim da censura à imprensa (1979): possibilitando uma maior liberdade de 
imprensa após anos de controle sobre os veículos de comunicação. 
 Lei da Anistia (1979): concedia liberdade aos presos políticos e possibilitava o 
retorno daqueles que estavam exilados ou banidos. Também isentava os 
torturadores de possíveis processos judiciais. 
 Lei da Elegibilidade (1979): restituía os direitos políticos aos cidadãos que foram 
cassados. 
 Reforma Política (1980): extinção da ARENA e do MDB e permissão para a 
repartidarização (pluripartidarismo). 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 15 - Anos de Chumbo e o Início da abertura 
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Embora tais medidas demonstrassem um abrandamento da Ditadura Militar, a 
democracia não foi de todo efetivada, pois a proposta de Emenda Constitucional 
encaminhada ao Congresso Nacional, propondo eleições diretas para presidente em 
1985, não foi aprovada. 
Para assegurar uma transição civil-militar sem grandes transtornos e evitar o 
avanço da oposição, em 1985 as eleições indiretas foram realizadas e, nessa disputa, 
saíram vitoriosos os candidatos da coligação PMDB-PFL (Tancredo Neves: presidente e 
José Sarney: vice-presidente). 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
Marighella - Retrato Falado do Guerrilheiro, um documentário de Silvio Tendler 
www.youtube.com/watch?v=j7RoEmvOSkU 
 
Governo Geisel (1974-1979): "Distensão", oposições e crise econômica. 
http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/governo-geisel-1974-1979-
distensao-oposicoes-e-crise-economica.htm 
 
Site: General Medici 
http://www.brasilescola.com/historiab/general-medici.htm 
 
Enciclopédia Nosso Século, v.5 1960 – 1980, "Sob as ordens de Brasília", Abril Cultural. 
 
 
 
 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 16 - Nova República: 1985-1990 
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82 
 
CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
Os militares já estavam se mobilizando para uma distensão lenta, gradual e 
segura, visando à volta da democracia plena. Os estrategistas sabiam que não 
havia saída, seu poder estava sob forte pressão nacional e principalmente 
internacional. 
Nos últimos anos do governo militar, o Brasil apresenta vários problemas. A 
inflação é alta e a recessão também. Enquanto isso a oposição ganha terreno com 
o surgimento de novos partidos e com o fortalecimento dos sindicatos. Em 1984, 
políticos de oposição, artistas, jogadores de futebol e milhões de brasileiros 
participam do movimento das Diretas Já. O movimento era favorável à aprovação 
da Emenda Dante de Oliveira que garantiria eleições diretas para presidente 
naquele ano. Para a decepção do povo, a emenda não foi aprovada pela Câmara 
dos Deputados. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
No dia 15 de janeiro de 1985, o Colégio Eleitoral escolheria o deputado 
Tancredo Neves, que concorreu com Paulo Maluf, como novo presidente da 
República. Ele fazia parte da Aliança Democrática – o grupo de oposição formado 
pelo PMDB e pela Frente Liberal. Era o fim do regime militar. 
Porém Tancredo Neves Tancredo Neves, adoecido gravemente, faleceu em 
21 de abril de 1985, sem tomar posse e, oficialmente o vice José Sarney, que já 
governava de forma excepcional, tomou posse como presidente da República. 
 
 
 
 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 16 - Nova República: 1985-1990 
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83 
 
Tancredo Neves 
 
No livro Carlos Castelo Branco - O jornalista do Brasil, o jornalista Pedro 
Jorge de Castro narra o episódio da caneta Parker-21, dizendo que encerrada a 
reunião ministerial, Getúlio sobe as escadas do Palácio do Catetepara ir ao seu 
apartamento. Vira-se e despede-se do ministro da Justiça Tancredo Neves, dando 
a ele uma caneta Parker-21 de ouro e diz, pouco antes de se matar: 
“Para o amigo certo das horas incertas!" - Getúlio Vargas 
Tancredo havia se submetido a uma agenda de campanha bastante 
extenuante, articulando apoios do Congresso Nacional e dos governadores 
estaduais e viajando ao exterior na qualidade de presidente da República. 
Tancredo temia que os militares da chamada "linha-dura" se recusassem a 
passar o poder ao vice-presidente. Tancredo decidiu só anunciar a doença no dia 
da posse, 15 de março, quando já estivessem em Brasília os chefes de estados 
esperados para a cerimônia de posse, com o que ficaria mais difícil uma ruptura 
política. A sua grande preocupação com a garantia da posse , porém com fortes e 
repetidas dores abdominais durante uma cerimônia religiosa no Santuário Dom 
Bosco, em Brasília, na véspera da posse em 14 de março de 1985. Foi, às pressas, 
internado no Hospital de Base do Distrito Federal. A versão oficial informava que 
fora vítima de uma diverticulite, mas apurações posteriores indicaram que se 
tratava de ,um leiomioma benigno, mas infectado. Os médicos esconderam até o 
fim a existência de um tumor, devido ao impacto que a palavra câncer poderia 
provocar à época. 
 
 
 
 
 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 16 - Nova República: 1985-1990 
Fabiano Luiz Curtolo 
Andréa Wolff 
 
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José Sarney – 15 de Março de 1985 – 15 de Março de 1990 
 
 José Sarney assumiu a Presidência em 15 de março de 1985, jurando a 
Constituição de 1967, no Congresso Nacional, aguardando o restabelecimento de 
Tancredo. Leu o discurso de posse que Tancredo havia escrito e que pregava 
conciliação nacional e a instalação de uma assembleia nacional constituinte. Na 
cerimônia de transmissão do cargo, no Palácio do Planalto, o presidente João 
Figueiredo não compareceu, se recusando a passar a faixa presidencial a José 
Sarney, porque Sarney entraria no exercício do cargo como substituto e não como 
sucessor. 
Em 28 de junho de 1985, Sarney cumpriu a promessa de campanha de 
Tancredo Neves e encaminhou ao Congresso Nacional a Mensagem 330, 
propondo a convocação da Constituinte, que resultou na Emenda Constitucional 
26, de 27 de novembro de 1985. Eleitos em novembro de 1986 e empossados em 
1º de fevereiro de 1987, os constituintes iniciaram a elaboração da nova 
Constituição brasileira de 1988. 
Sarney assume um país em pedaços, pois a hiperinflação desvalorizava a 
moeda todos os dias, o pão que se comprava num dia no outro já estava com o 
preço aumentado. 
 
Planos Econômicos 
 
Apesar de um crescimento de 8,5% do PIB, a inflação persistia na entrada 
de 1986, provocando uma quebra da confiança, elemento essencial na política 
econômica. Em 28 de fevereiro de 1986 Sarney lança o Plano Cruzado. Entre as 
medidas de maior destaque do Cruzado estavam o congelamento geral de preços 
por doze meses e a adoção do "gatilho salarial", isto é, o reajuste automático de 
salários sempre que a inflação atingisse ou ultrapassasse os 20%. Os economistas 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 16 - Nova República: 1985-1990 
Fabiano Luiz Curtolo 
Andréa Wolff 
 
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temiam que o plano tivesse caráter recessivo, e Sarney resolveu conceder um 
abono de 12% sobre o valor real dos salários. Houve uma explosão de consumo e 
a incorporação dos consumidores à ação de cidadania: eles passaram a fiscalizar 
os preços e a denunciar as remarcações, ficando conhecidos como "fiscais do 
Sarney". O novo ministro da Fazenda, Dilson Funaro, se tornou uma das figuras 
mais populares do país. Entretanto o congelamento, distorcendo as margens de 
lucro das empresas, levou ao desinvestimento e à queda de produção, o que 
resultou numa grave crise de abastecimento, na cobrança de ágio disseminada e 
finalmente na volta da inflação. 
Em novembro de 1986 foi lançado o Plano Cruzado II, que ainda não 
resolveu o problema da inflação. Em abril de 1987 assumiu o Ministério da 
Fazenda o economista Luiz Carlos Bresser Pereira, que lançou em junho novo 
plano econômico, que levou seu nome, o Plano Bresser, e também teve sucesso 
moderado. O ano de 1988 iniciou com novo ministro da Fazenda, Maílson da 
Nóbrega, que adotou a política ‘feijão com arroz’, de condução pontual dos 
problemas econômicos. Em janeiro de 1989 lançou o Plano Verão. 
No plano econômico, apesar da inflação (em geral acompanhada de 
correção monetária que evitava a corrosão dos salários), o Governo Sarney 
alcançou resultados relevantes. 
 
Constituição de 1988 
 
Em 1988 foi promulgada uma nova Constituição para o país, a qual 
concretizou os anseios democráticos nacionais, pois trazia em seu conteúdo a 
preservação dos direitos humanos de liberdade e igualdade, tornando a tortura e 
o racismo atos criminosos inafiançáveis. A Constituição de 1988 apagou os rastros 
da ditadura militar e estabeleceu princípios democráticos no país. 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 16 - Nova República: 1985-1990 
Fabiano Luiz Curtolo 
Andréa Wolff 
 
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Com a promulgação da nova Constituição de 1988, o Brasil entrou 
finalmente no caminho para a Democracia plena, de fato de direito, com o 
pluripartidarismo e eleições diretas para qualquer cargo eletivo do país. Era o 
início dos tempos democráticos. 
A Constituição Federal Brasil de 1988, também conhecida como a 
Constituição Cidadã, foi a sétima constituição do Brasil desde a Independência. 
Elaborada por 558 constituintes durante 20 meses, ela foi promulgada no dia 5 de 
outubro de 1988. Possui 245 artigos, dividida em nove títulos. Esta Constituição é 
considerada a mais completa, principalmente, no sentido de garantir os direitos a 
cidadania para o povo brasileiro. 
 
Principais características: 
- Se restabeleceram eleições diretas para os cargos de presidente da República, 
governadores de estados e prefeitos municipais; 
- Definiu o mandato presidencial de 5 anos; 
- Estabeleceu o direito de voto para os analfabetos; 
- Definiu o voto facultativo para os jovens de 16 a 18 anos de idade; 
- Sistema pluripartidário; 
- Colocou fim a censura aos meios de comunicação, obras de arte, músicas, filmes, 
teatro, etc 
 
Emenda da reeleição 
- Em 1997, foi elaborada uma emenda constitucional que abriu a possibilidade de 
reeleição para os principais cargos do poder executivo (presidente da República, 
governadores de estados e prefeitos municipais). 
De acordo com o historiador Boris Fausto, o texto refletiu as pressões dos 
diversos grupos da sociedade, interessados na definição de normas que os 
beneficiassem. 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 16 - Nova República: 1985-1990 
Fabiano Luiz Curtolo 
Andréa Wolff 
 
87 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
Memorial Tancredo Neves 
http://www.memorialtancredoneves.com.br/imagens.htm 
 
Livro: Sarney, a Biografia - Regina ECHEVERRIA – ED. LEYA, 
 
Almanaque Folha: http://almanaque.folha.uol.com.br/brasil_17abr1984.htm 
 
Constituição de 1988 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 17 - Retomada do Regime Democrático do Brasil: 1989 -1995 
Fabiano Luiz Curtolo 
Andréa Wolff 
 
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CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
Logo após a transição política vivida durante o governo José Sarney, o 
Brasil viveu um período de movimentação política que consolidou a retomada do 
regime democrático no país. Em 1989, após vinte e nove anos, a população 
brasileira escolheria o novo presidente da República através do voto direto. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
1989 talvez possa ser apontado como o ano da retomada dos sonhos e da 
utopia da construção de um país democrático e menos desigual. A ditadura fora 
extinta quatro anos antes com a saída de cena do último presidente general João 
Figueiredo.Sucedeu-o no cargo José Sarney, o vice de TancredoNeves, presidente 
eleito pelo voto de Deputados Federais, Senadores e Representantes de 
Assembléias Legislativas (eleição indireta). Tancredo morreu em 21 de abril de 
1985 sem ter tomado posse. 
1989 foi o ano da queda do muro de Berlim, que antecederia o fim da 
União Soviética e do comunismo; da morte de três mil manifestantes na Praça 
Celestial da Paz, em Pequim; do Prêmio Nobel da Paz concedido ao Dalai Lama; e 
da posse na presidência dos Estados Unidos do primeiro George Bush. Mas 
nenhum outro fato foi mais relevante para os brasileiros do que a primeira eleição 
pelo voto direto do presidente da República. A anterior ocorrera em 1960 quando 
foi eleito Jânio Quadros. Ele governou menos de sete meses. Renunciou para 
tentar voltar como ditador nos braços do povo, o que deu errado. 
 
 
 
 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 17 - Retomada do Regime Democrático do Brasil: 1989 -1995 
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Andréa Wolff 
 
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Eleição de 1989 
A eleição de 1989 foi disputada por 22 candidatos, entre eles, Fernando 
Collor, Lula, Leonel Brizola, Mário Covas, Paulo Maluf, Ulysses Guimarães, Aureliano 
Chavez, Guilherme Afif Domingos, Roberto Freire, Enéas e Fernando Gabeira. 
Os setores de direita não conseguiram emplacar um candidato capaz de 
garantir uma vitória tranquila no pleito presidencial. 
Já os partidos de esquerda viriam a lançar duas influentes figuras políticas 
que poderiam polarizar a disputa daquela eleição. De um lado, Luís Inácio Lula da 
Silva, representando o Partido dos Trabalhadores (PT) e de outro, Leonel Brizola, 
filiado ao Partido Democrático Trabalhista (PDT). 
Buscando reverter o quadro desfavorável, os partidos de direita passaram a 
apoiar um jovem político alagoano chamado Fernando Collor de Melo. Com boa 
aparência, um discurso carismático e o apoio financeiro do empresariado 
brasileiro. 
Atraindo apoio de diferentes setores da sociedade, Collor prometia 
modernizar a economia promovendo políticas de cunho neoliberal e a abertura 
da participação estrangeira na economia nacional. Ao mesmo tempo, fazia 
discursos de orientação religiosa, se autoproclamava um “caçador de marajás” e 
alertava sobre os perigos de um possível governo de esquerda. 
No primeiro turno, a apuração das urnas deixou a decisão para um 
segundo pleito a ser disputado ente Collor e Lula. Mesmo tendo um significativo 
número de militantes durante seus comícios, a inabilidade do candidato do PT 
diante as câmeras acabou enfraquecendo sua campanha. De outro lado, Collor 
utilizou com eficácia o vantajoso espaço nas mídias a ele cedido. Com a apuração 
final, tais diferenças de proposta e, principalmente, comportamento garantiram a 
vitória de Fernando Collor de Melo no segundo turno. 
 
 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 17 - Retomada do Regime Democrático do Brasil: 1989 -1995 
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Fernando Collor de Melo – 15/03/1990 – 02/10/1992 
 
Foi o presidente mais jovem da história do Brasil (na época com 40 anos de 
idade), o primeiro presidente eleito por voto direto do povo, e o único deposto 
por um processo de impeachment no país. Graças à postura de "guardião da 
moralidade", Collor fez uso de uma elaborada estratégia de marketing focada nos 
temas que mais preocupavam a população. A televisão também teve um papel 
fundamental, pois alguns comentaristas argumentam que a vitória de Collor nas 
urnas não seria possível sem a interferência da Rede Globo, com destaque para 
uma edição do principal debate entre Collor e Lula, veiculado no Jornal Nacional, 
cuja edição beneficiou Collor. Dentro de sua estratégia de marketing pessoal, ao 
assumir a presidência, Fernando Collor andou de jet-ski, comandou um avião de 
caça, pilotou uma Ferrari a 200 quilômetros por hora. Também apareceu em 
público lutando karatê, jogando futebol, vôlei, tênis e correndo. 
No governo Collor, os produtos importados passaram a invadir o mercado 
brasileiro, com a redução dos impostos de importação. A oferta de produtos 
cresceu e os preços de algumas mercadorias caíram ou se estabilizaram. Ao 
mesmo tempo, o governo passou a incentivar os investimentos externos no Brasil 
mediante incentivos fiscais e privatização das empresas estatais. Empossado numa 
quinta-feira, o governo Collor anunciou seu plano econômico no dia seguinte à 
posse: anunciou o retorno do cruzeiro como unidade monetária em substituição ao 
cruzado novo, redução da máquina administrativa com a extinção ou fusão de 
ministérios e órgãos públicos, demissão de funcionários públicos e o congelamento 
de preços e salários, 80% de todos os depósitos do overnight, das contas correntes 
ou das cadernetas de poupança que excedessem a NCz$50mil (Cruzado novo) 
foram congelados por 18 meses, recebendo durante esse período uma rentabilidade 
equivalente a taxa de inflação mais 6% ao ano; aumento de preços dos serviços 
públicos, como gás, energia elétrica, serviços postais, etc.; 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 17 - Retomada do Regime Democrático do Brasil: 1989 -1995 
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Andréa Wolff 
 
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Impeachment 
 
Em meados de 1991, denúncias de irregularidades começaram a surgir na 
imprensa, envolvendo pessoas do círculo próximo de Fernando Collor, como 
ministros, amigos do presidente e mesmo a primeira-dama Rosane Collor. Em 
entrevista à Revista Veja em maio de 1992, Pedro Collor de Mello, irmão do 
presidente, revelou o esquema de corrupção que envolvia o ex-tesoureiro da 
campanha Paulo César Farias, entre outros fatos comprometedores para o 
presidente. Em 1° de junho, a CPI começa seus trabalhos com forte cobertura dos 
meios de comunicação. Em 2 de outubro é aberto o processo de impeachment na 
Câmara dos Deputados, impulsionado pela maciça presença do povo nas ruas, 
como o movimento dos Caras-pintadas. 
Em 29 de setembro, por 441 a 38 votos, a Câmara vota pelo impedimento 
do presidente. A presidência é assumida pelo então vice-presidente, Itamar 
Franco. Em 29 de dezembro de 1992 renunciou à presidência da República, horas 
antes de ser condenado pelo Senado por crime de responsabilidade, perdendo 
seus direitos políticos por oito anos. 
Foi a primeira vez na história republicana do Brasil que um presidente 
eleito pelo voto direto era afastado por vias democráticas, sem recurso aos golpes 
e outros meios ilegais. 
 
Itamar franco - 02/10/1992 a 01/01/1995 
 
A administração do presidente Itamar Franco iniciou-se, como várias outras 
antes na história do Brasil, de modo inesperado. Mais uma vez um vice-presidente 
era alçado ao posto máximo da nação, tendo por meta completar o mandato do 
titular. Assim, de 1992 a 1994 cabe ao vice de Collor lidar com os graves 
problemas nacionais que este prometera resolver, em especial o da hiperinflação 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 17 - Retomada do Regime Democrático do Brasil: 1989 -1995 
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Andréa Wolff 
 
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e a da estagnação do PIB, estacionado nos mesmos patamares do início da 
década de 80. 
O governo de Itamar Franco irá se notabilizar por dois importantes 
acontecimentos, um na área política, e outro na área econômica. Em relação à 
área política, coube a Itamar cumprir o dispositivo constitucional que previa a 
realização de um duplo plebiscito, tratando primeiramente do regime a ser 
instituído no Brasil, ou seja, a manutenção do regime republicano ou a 
restauração da monarquia em território nacional; o segundo ponto do plebiscito 
versava sobre a forma com que este governo deveria se organizar, se sob forma 
presidencialista ou parlamentarista. Tal consulta ocorreu em abril de 1993, 
confirmando o sistema que vinha sendo adotado, e que ainda o é, de república 
presidencialista. Mas, o fato pelo qual talvez seja mais lembrado o período de 
Itamar Franco no poder é o de elaboração do Plano Real, tendo o auxílio do então 
senador Fernando Henrique Cardoso, recémempossado como ministro da 
Fazenda (Economia). Itamar uniu todos os grupos em torno das mudanças a 
serem feitas, além de procurar explicar à população o que seria feito e conclamar 
a união de todos na aceitação das mudanças, algo simples, mas que ainda não 
havia sido feito. 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
Eleições Diretas - http://noticias.uol.com.br/especiais/eleicoes-1989 
Livro: Notícias do Planalto: A imprensa e Fernando Collor. – Mário S. Conti 
Documentário: Muito Além do Cidadão Kane – Simon Hartog 
Governo Collor - https://www.youtube.com/watch?v=Jlgg1C8Jar4 
Governo de Itamar Franco: http://www.alunosonline.com.br/historia-do-brasil/o-
governo-itamar-franco. 
 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 18 - Governo de Fernando Henrique Cardoso:1995-2002 
Fabiano Luiz Curtolo 
Andréa Wolff 
 
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CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
Governo Itamar Franco (1992-1994): vice-presidente, Itamar Franco assumiu 
a presidência em virtude do impeachment do titular. Sua administração foi 
marcada principalmente pelo lançamento do Plano Real, em março de 1994, que 
pôs fim à crise inflacionária que desarticulava a economia brasileira. Com isso, seu 
ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, elegeu-se seu sucessor que 
teve dois mandatos presidenciais. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
Fernando Henrique Cardoso – 1995 a 2002 
 
 
Homenagem filatélica dos Correios para Fernando Henrique. 
 
Governou o Brasil durante oito anos, de 1995 a 2002. Foi o primeiro 
presidente da República a governar por dois mandatos consecutivos. 
FHC, como é conhecido, teve notoriedade com o plano real. Como 
Ministro da Fazenda no Governo de Itamar Franco, ele reuniu um grupo de 
economistas que elaborou um plano capaz de estabilizar a economia. 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 18 - Governo de Fernando Henrique Cardoso:1995-2002 
Fabiano Luiz Curtolo 
Andréa Wolff 
 
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Fernando Henrique Cardoso, nasceu no Rio de Janeiro em 18 de junho de 
1931, é um sociólogo, cientista político, filósofo, professor universitário, escritor e 
político brasileiro. 
Professor emérito da Universidade de São Paulo (USP), lecionou também 
no exterior, notadamente na Universidade de Paris. 
Com o advento do Golpe militar de 1964, Fernando Henrique, ameaçado 
de prisão pelo governo, decidiu auto-exilar-se no Chile, onde viveu até 1967. 
Posteriormente, seguiu para a França e passou a lecionar na Universidade de 
Paris. Foi nessa mesma universidade que Fernando Henrique testemunhou os 
protestos que deram início ao movimento de Maio de 1968. 
Ainda no exílio, ele também lecionou nas universidades de Stanford e 
Berkeley, nos Estados Unidos, de Cambridge na Inglaterra e na Escola de Altos 
Estudos em Ciências Sociais na França. 
Durante esse período, ele publicou vários livros e artigos sobre a burocracia 
estatal, as elites industriais e, em particular, a teoria da dependência. Seu trabalho 
sobre a teoria da dependência seria a sua contribuição aos estudos de sociologia 
e desenvolvimento mais aclamada, especialmente nos Estados Unidos. 
Em outubro de 1968, ele retornou ao Brasil, passando a morar em uma 
casa no Morumbi, na cidade de São Paulo. No mesmo ano assumiu por concurso 
público a cátedra de Ciência Política da USP, mas em abril de 1969 foi aposentado 
compulsoriamente e perdeu seus direitos políticos com base no Decreto-lei 477. 
Nos anos 1970, foi pesquisador e diretor do Centro Brasileiro de Análise e 
Planejamento (CEBRAP), sendo um de seus criadores. Ao mesmo tempo, ele 
também trabalhou no Centro de Estudos Latino-Americanos da Smithsonian 
Institution. 
 
 
 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 18 - Governo de Fernando Henrique Cardoso:1995-2002 
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Nova moeda: Real 
 
Em 1º de julho de 1994 passou a vigorar a nova moeda do país, o Real. O 
Banco Central fixou uma paridade entre o Real e o Dólar, a fim de valorizar a nova 
moeda. Um Real era o equivalente a Um Dólar. 
O Plano Real animou empresários e a população, e impulsionou o 
consumo interno. Mas o que era festa virou preocupação para o governo. Com o 
consumo em alta, temia-se a volta da inflação. 
 
Primeiro mandato 
 
Fernando Henrique tomou posse em 1º de janeiro de 1995, sucedendo ao 
presidente Itamar Franco. Com o sucesso da nova moeda, a principal 
preocupação era controlar a inflação. Para isto, o governo elevou as taxas de juros 
da economia 
Outra iniciativa de destaque de FHC foi privatizar empresas estatais, como 
a Vale do Rio Doce e Sistema Telebrás. Enfrentou muitas críticas de vários setores 
da sociedade, principalmente de partidos de oposição, como o PT (Partido dos 
Trabalhadores). 
Surgiram muitas denúncias relacionadas às privatizações, de 
favorecimentos para determinadas empresas internacionais na compra das 
estatais. Porém, não impediram o plano do governo de levantar verbas para 
promover as reformas necessárias no plano político. 
Em 1997, foi aprovada pelo Congresso uma emenda constitucional 
permitindo a reeleição para cargos executivos: Presidente da República, 
Governadores e Prefeitos. Manobra política que beneficiaria FHC nas eleições de 
1998. 
 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 18 - Governo de Fernando Henrique Cardoso:1995-2002 
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Segundo mandato 
 
 
Reeleito, FHC deu continuidade à política de abertura da economia para o 
mercado mundial e de integração do país no processo de globalização. 
No ano de 1999, FHC assumiu o segundo mandato como presidente do 
Brasil, neste mandato não houve grandes investimentos nas reformas estruturais 
(privatizações). Ocorreram, sim, algumas reformas no setor da Educação, sendo 
aprovadas no ano de 1996 as Leis de Diretrizes e Bases para a Educação (LDB), e 
posteriormente foram criados os Parâmetros Curriculares para o Ensino Básico. 
Ao final do seu segundo mandato (2002), somando oito (8) anos no poder, 
FHC conseguiu controlar a inflação brasileira, entretanto, durante o seu governo a 
distribuição de renda no Brasil continuou desigual, a renda dos 20% da população 
rica continuou cerca de 30 vezes maior que a dos 20% da população mais pobre. 
O Brasil ficou em excessiva dependência do Fundo Monetário Internacional (FMI). 
O governo FHC foi responsável pela efetiva inserção do Brasil na política 
Neoliberal. 
Ao se aproximar o pleito que escolheria o sucessor de Fernando Henrique 
Cardoso, o governo apoiou a candidatura do ministro da saúde, José Serra, do 
PSDB. Os outros candidatos que disputaram o pleito foram: Luiz Inácio Lula da 
HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA 
UNIDADE 18 - Governo de Fernando Henrique Cardoso:1995-2002 
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Silva, Anthony Garotinho, Ciro Gomes, José Maria de Almeida, e Rui Costa. No 
segundo turno das eleições, Lula obteve 61,3 % dos votos; e José Serra, 38,7 %. 
Eleito o novo presidente, Fernando Henrique Cardoso organizou a 
transição de modo a facilitar o acesso antecipado da nova administração às 
informações relevantes ao exercício do governo, fato até então inédito na história 
do país. 
FHC deixou a presidência no dia 1 de janeiro de 2003, e quem a assumiu foi 
Luiz Inácio Lula da Silva. 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
Governo Fernando Henrique Cardoso 
http://www.brasilescola.com/historiab/governo-fernando-henrique-cardoso.htm 
 
Estadão 
http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,lula-x-fhc-imp-,672164 
 
FHC - Veja 
http://veja.abril.com.br/arquivo_veja/fhc-governo-ministro-reeleicao-plano-
real.shtml 
 
Profissão ex presidente 
http://www.youtube.com/watch?v=xXLlMcE-3Wg 
 
Fernando Henrique Cardoso: currículo completo. 
http://www.palestrantes.org/palestrante.asp?id=47 
 
 
HISTÓRIA DO BRASIL REPUBLICA 
UNIDADE 19 - Partido dos Trabalhadores no Poder: Lula e Dilma: 2006 – 2014 
Fabiano Luiz Curtolo 
Andréa Wolff 
 
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CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADENo ano de 2002, as eleições presidenciais agitaram o contexto político 
nacional. Os primeiros problemas que cercavam o governo FHC abriram brechas 
para que Lula chegasse ao poder com a promessa de dar outro rumo à política 
brasileira. 
E para encerrarmos nossa disciplina comentaremos sobre a primeira 
mulher na presidência da República: a mineira Dilma Vana Rousseff. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
Luiz Inácio Lula da Silva - 2003 a 2011 
 
Luiz Inácio Lula da Silva, mais conhecido como Lula, nasceu em Caetés, no 
dia 27 de outubro de 1945. Aos sete anos de idade, Luiz Inácio Lula da Silva 
mudou-se com a família para Santos (SP), deixando o interior de Pernambuco em 
busca de melhores oportunidades de vida. Quatro anos mais tarde, em 1956, foi 
para a capital do Estado de São Paulo. Lá, ainda criança, trabalhou como 
vendedor ambulante, engraxate e office-boy. Aos 15 anos, tornou-se aprendiz de 
torneiro mecânico. 
Em 1970, depois de perder a esposa grávida do primeiro filho, Lula passou 
a se dedicar intensamente à atividade sindical. Em 1973, casou-se com Marisa, sua 
atual mulher. Em 1975, chegou à presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de 
São Bernardo do Campo e Diadema. Liderou a primeira greve de operários do 
ABC paulista em 1978, durante o regime militar. 
Em 1980, aliou-se a intelectuais e a outros líderes sindicais, para fundar o 
PT (Partido dos Trabalhadores), do qual se tornou presidente. No ano seguinte, 
HISTÓRIA DO BRASIL REPUBLICA 
UNIDADE 19 - Partido dos Trabalhadores no Poder: Lula e Dilma: 2006 – 2014 
Fabiano Luiz Curtolo 
Andréa Wolff 
 
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liderou nova greve de metalúrgicos, foi preso e teve seu mandato sindical 
cassado. 
Participou da fundação da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e, em 
junho de 1983, integrou a frente suprapartidária pró-eleições diretas para a 
presidência da República com os governadores de São Paulo, Franco Montoro 
(PMDB), e do Rio de Janeiro, Leonel Brizola (PDT). 
Lula foi eleito, em 1986, deputado federal constituinte com a maior votação 
do país. Concorreu à presidência da República em 1989, quando foi derrotado no 
segundo turno por Fernando Collor de Mello, e em 1994 e 1998, quando perdeu 
para Fernando Henrique Cardoso. 
A eleição de 2002 foi surpreendente, o então candidato Luis Inácio Lula da 
Silva conquistou mais de 58 milhões de votos, atingindo um índice de aprovação 
não alcançado em nenhuma de suas três tentativas anteriores. A posse se deu em 
1º de janeiro de 2003, 
Em 2006, é reeleito na realização de um segundo turno contra Geraldo 
Alckmin. O ex-operário e retirante nordestino conseguiu realizar um feito histórico 
na trajetória política do país. 
Seu mandato caracterizou-se pela não interrupção da estabilidade 
econômica do governo anterior. Obteve êxito com a diminuição, em cerca de 168 
bilhões de reais, da dívida externa, porém não conseguiu frear o aumento da 
dívida interna que pulou do patamar de 731 bilhões de reais no ano de 2002 para 
um trilhão de reais em fevereiro de 2006. 
O governo Lula emprega uma fatia do seu orçamento em programas de 
caráter social como: Fome Zero; Bolsa Família; Programa de Erradicação do 
Trabalho Infantil (Peti); Luz para todos ; Brasil Alfabetizado e Educação de Jovens e 
Adultos; ProUni ; Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE); Programa de 
Aceleração do Crescimento (PAC)... 
HISTÓRIA DO BRASIL REPUBLICA 
UNIDADE 19 - Partido dos Trabalhadores no Poder: Lula e Dilma: 2006 – 2014 
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Porém nem tudo foi um mar de rosas durante o governo petista, várias 
crises surgiram em decorrência de denúncias de corrupção em empresas do 
Estado, como por exemplo, o mensalão, o escândalo dos Correios e vários outros 
que derrubaram diversos ministros. 
Lula terminou o segundo mandato com 87% de aprovação,tornando-se um 
dos mais populares presidentes da história do Brasil e um dos políticos mais 
respeitados do mundo 
 
Dilma Rousseff – 2011 - atualidade 
 
O período é marcado por fato histórico, pois representa a primeira vez que 
uma mulher assumiu o poder no Brasil no posto mais importante do país. Dilma 
Rousseff fez parte do Governo Lula como Ministra de Minas e Energia e, mais 
tarde, Ministra-Chefe da Casa Civil do Brasil. 
Sua estada na presidência está prevista até o dia 1 de janeiro de 2015, 
podendo se estender por mais quatro anos, caso se candidate novamente e 
consiga se reeleger na eleição de 2014. 
A gestão Dilma Rousseff iniciou-se dando seguimento à política econômica 
do Governo Lula. 
Filha do engenheiro e poeta búlgaro Pétar Russév (naturalizado brasileiro 
como Pedro Rousseff) e da professora brasileira Dilma Jane Silva, Dilma Vana 
Rousseff aos 16 anos, que sempre estudou em conceituados colégios católicos 
mineiros, transfere-se para uma escola pública, o Colégio Estadual Central. 
Começa, então, a militar como simpatizante na Organização Revolucionária 
Marxista - Política Operária, conhecida como Polop, organização de esquerda 
contrária à linha do PCB (Partido Comunista Brasileiro), formada por estudantes 
simpáticos ao pensamento de Rosa Luxemburgo e Leon Trotski. 
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Mais tarde, em 1967, Dilma passou a militar no Colina (Comando de 
Libertação Nacional), organização que defendia a luta armada. Em 1969, já 
vivendo na clandestinidade, Dilma usa vários codinomes para não ser encontrada 
pelas forças de repressão aos opositores do regime. 
Presa em 16 de janeiro de 1970, em São Paulo, o promotor militar 
responsável pela acusação a qualificou de "papisa da subversão". Fica detida na 
Oban (Operação Bandeirantes), onde é torturada. Depois, é enviada ao Dops. 
Condenada em 3 Estados, em 1973 já está livre, depois de ter conseguido redução 
de pena no STM (Superior Tribunal Militar). Muda-se, então, para Porto Alegre, 
onde cursa a Faculdade de Ciências Econômicas, na Universidade Federal do RS. 
 
Do PDT ao PT 
 
Filia-se, então, ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), fundado por 
Leonel Brizola em 1979, depois que o governo militar concedeu anistia política a 
todos os envolvidos nos anos duros da ditadura. 
Dilma Rousseff ocupou os cargos de secretária da Fazenda da Prefeitura de 
Porto Alegre (1986-89), presidente da Fundação de Economia e Estatística do 
Estado do Rio Grande do Sul (1991-93) e secretária de estado de Energia, Minas e 
Comunicações em dois governos: Alceu Collares (PDT) e Olívio Dutra (PT). 
Filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde 2001, coordenou a equipe 
de Infra-Estrutura do Governo de Transição entre o último mandato de Fernando 
Henrique Cardoso e o primeiro de Luiz Inácio Lula da Silva, tornando-se membro 
do grupo responsável pelo programa de Energia do governo petista. 
De guerrilheira na década de 1970 a participante da administração pública em 
diferentes governos, Dilma Vana Rousseff tornou-se uma figura pragmática, de 
importância central no governo Lula. 
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Dilma Rousseff venceu as eleições presidenciais de 2010, no segundo turno, com 
56,05% dos votos válidos (derrotou o candidato José Serra, que obteve 43,95% 
dos votos válidos), tornando-se a primeira mulher na presidência da República 
Federativa do Brasil. Ao tomar posse, no dia 1º de janeiro de 2011, discursando no 
Congresso Nacional, Dilma afirmou: “Meu compromisso supremo [...] é honrar as 
mulheres, proteger os mais frágeis e governar para todos! [...] A luta mais 
obstinada do meu governo será pela erradicação da pobreza extrema e a criação 
de oportunidades para todos”. 
 
BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
Instituto Lula 
http://www.institutolula.org/historia/#.U77pPWcU9jo 
Filme: Lula,o Filho do Brasil de 2009. Dirigido por Fábio Barreto 
Presidência da República. 
http://www3.planalto.gov.br/ 
Redemocratização (História do Brasil por Bóris Fausto - parte 07) 
http://www.youtube.com/watch?v=qx2vztmkal0 
Gestão Lula e Dilma 
http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,a-gestao-dilma-e-o-governo-lula-
imp-,679200 
Programa governo Dilma 
http://www.terra.com.br/noticias/infograficos/eleicoes/programa-de-governo-
dilma/programa-de-governo-dilma-01.htm 
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CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE 
 
O Brasil é uma República Federativa Presidencialista, formada pela União, 
estados e municípios, em que o exercício do poder é atribuído a órgãos distintos e 
independentes, submetidos a um sistema de controle para garantir o cumprimento das 
leis e da Constituição. Nesta unidade estudaremos como se dá a organização política 
do Brasil, desde sua proclamação como republica até os dias atuais. 
 
ESTUDANDO E REFLETINDO 
 
O Brasil é uma República porque o Chefe de estado é eleito pelo povo, por 
período de tempo determinado. É Presidencialista porque o presidente da República é 
Chefe de Estado e também Chefe de governo. É Federativa porque os estados têm 
autonomia política. 
 
ORGANIZAÇÃO POLITICA DO BRASIL 
 
 
 
República Federativa do Brasil 
 
A União está divida em três poderes, independentes e harmônicos entre si: 
 
PODER 
 Executivo Legislativo Judiciário 
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O Brasil, seus estados e municípios têm um governo. Esse governo é responsável 
pela elaboração de leis, cobrança dos impostos e prestação de serviços à população. 
Quem cuida da iluminação pública e da coleta de lixo, por exemplo, é a Prefeitura (o 
governo municipal). Já a segurança pública é de responsabilidade do governo estadual. 
E, todas as questões ligadas à defesa do país (Exército) cabem à União (o governo 
federal). 
Os municípios são governados são pelos prefeitos e vice-prefeitos. Os estados, 
pelos governadores e vice-governadores e o país é governado pelo presidente e pelo 
vice-presidente. Todos eles são eleitos pela população, ou seja, são escolhidos por 
meio do voto da maioria das pessoas, para que assim possam exercer o poder em 
nome delas. Ocupam cargos públicos que podem ser preenchidos tanto por homens 
quanto por mulheres. 
 
Nesta foto, vê-se a Praça dos Três Poderes, em Brasília (DF), onde está a sede dos 
poderes Executivo (Palácio do Planalto), Legislativo (Congresso Nacional) e Judiciário 
(Palácio da Justiça), e a Esplanada dos Ministérios, onde trabalham os ministros que 
auxiliam o presidente da República. 
O poder Executivo tem poder exercido pelos prefeitos, governadores e 
presidente. Recebe este nome porque cabe a seus representantes colocar as leis em 
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prática, ou seja, executá-las e administrar os negócios públicos, como cobrar impostos, 
decidir onde o dinheiro recolhido será aplicado, quantas escolas ou hospitais públicos 
serão construídos em um ano, quantas e quais as ruas receberão calçamento, etc. O 
poder executivo é auxiliado, em sua tarefa de governar, pelo poder Legislativo e pelo 
poder Judiciário. 
 
O poder Legislativo é responsável pela elaboração e aprovação das leis. Para 
compor o poder Legislativo, também são eleitos através do voto, os vereadores, os 
deputados (estaduais e federais) e os senadores. 
 
O poder Judiciário é o fiscalizador. Ele cuida para que essas leis sejam cumpridas 
e zela pelos direitos dos indivíduos. Do poder Judiciário fazem parte os juízes e os 
promotores de justiça. 
 
 
Fonte: Revista Nova escola 
O chefe do Poder Executivo é o presidente da República, eleito pelo voto direto 
para um mandato de quatro anos, renovável por mais quatro. 
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Na esfera estadual o Executivo é exercido pelos governadores dos estados; e na 
esfera municipal pelos prefeitos. 
O Poder Legislativo é composto, em âmbito federal, pelo Congresso Nacional, 
sendo este bicameral: dividido entre a Câmara dos Deputados e o Senado. Para a 
Câmara, são eleitos os deputados federais para dividirem as cadeiras em uma razão de 
modo a respeitar ao máximo as diferenças entre as vinte e sete Unidades da Federação, 
para um período de quatro anos. Já no Senado, cada estado é representado por 3 
senadores para um mandato de oito anos cada. 
Em âmbito estadual, o Legislativo é exercido pelas Assembléias Legislativas 
Estaduais; e em âmbito municipal, pelas Câmaras Municipais. 
 
O Brasil tem um sistema político pluripartidário, ou seja, admite a formação legal 
de vários partidos. O partido político é uma associação voluntária de pessoas que 
compartilham os mesmos ideais, interesses, objetivos e doutrinas políticas, que tem 
como objetivo influenciar e fazer parte do poder político. 
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BUSCANDO CONHECIMENTO 
 
Revista Nova Escola 
http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/paco-municipal-historia-cidadania-
atribuicoes-prefeituras-brasileiras-678618.shtml 
 
Significado República 
http://www.significados.com.br/republica/ 
 
Estrutura do Estado Brasileiro 
http://www.brasil.gov.br/governo/2009/11/entenda-como-funciona-a-estrutura-do-
estado-brasileiro 
 
Vídeo: Poderes e esferas de poder brasileiros 
https://www.youtube.com/watch?v=yItuH-79KG0 
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