Prévia do material em texto
HISTÓRIA HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA Fabiano Luiz Curtulo Andréa Aníbia Wolff http://unar.info/ead2 HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 1 - Movimento Republicano no Mundo e no Brasil Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 1 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Os ideais republicanos ressurgiram durante os séculos XVIII e XIX, no contexto das ideias iluministas, que entre outras pregações, propunha a liberdade política e econômica e a igualdade social e jurídica. O republicanismo chegou ao Brasil trazido pelos ventos do iluminismo francês, na figura dos filhos dos ilustres membros da elite rural, ou mineradora colonial que se diplomavam bacharéis em direito na Europa. A crise da Monarquia e a ascensão do republicanismo brasileiro, na segunda metade do século XIX, são consequência das transformações sociais, econômicas, militares, e consequentemente políticas. ESTUDANDO E REFLETINDO Republicanismo no Mundo O conde de Montesquieu, baluarte do iluminismo, apresentou uma proposta política que visava à divisão dos poderes políticos em três partes, os quais agiriam de forma independente e inter-relacionada. Ele idealizou o Estado regido por três poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário, e essa teoria influenciaram muitas nações modernas, além da causar impacto na política. A Declaração de Independência dos Estados Unidos da América, em 4 de Julho de 1776, apresentava claramente as propostas iluministas republicanas, isto é, o direito inalienável do homem à vida, à liberdade e à busca da felicidade. A Revolução Francesa representam a difusão dos ideais republicanos burgueses, e serviram de influência para todos os demais movimentos de libertação. Ela é considerada como o acontecimento que deu início à Idade Contemporânea, pois aboliu HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 1 - Movimento Republicano no Mundo e no Brasil Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 2 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” a servidão e os direitos feudais e proclamou os princípios universais de "Liberté, Egalité, Fraternité”, frase de autoria de Jean-Jacques Rousseau. Durante o processo revolucionário francês, foi publicada a “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão”, cujo objetivo era ratificar oficialmente os ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade. Republicanismo no Brasil Os ventos do republicanismo soprariam tardiamente no Brasil, primeiro nos movimentos emancipacionistas do século XVIII (Inconfidência Mineira e Conjuração Baiana) e posteriormente, em meados do século XIX, na Revolução Praieira em Pernambuco (1848), a qual, segundo alguns autores, foi o último movimento de contestação ao modelo monárquico, antes do conjunto de fatores que levariam à ruína do império brasileiro. As ideias iluministas chegaram ao Brasil, através de muitos brasileiros das classes mais altas da sociedade que iam estudar em universidades da Europa e entravam em contato com as teorias e pensamentos que se desenvolviam em território europeu. Ao retornarem ao país, após os estudos, estas pessoas divulgavam as ideias do iluminismo, principalmente, nos centros urbanos. Durante a Guerra do Paraguai, os militares brasileiros acabaram tendo contato com combatentes de outros países, o que os levou a aprofundar o conhecimento em outros regimes políticos. Então, os militares começaram a criar um interesse muito grande pelo ideal republicano e a Guerra só evidenciou o quanto suas carreiras eram desvalorizadas, pois não tinham autonomia nenhuma, uma vez que eram comandados pelo Imperador. Os ideais iluministas, outrora citados (liberdade, igualdade e fraternidade), difundiram-se e ganharam adeptos. Porém, esses movimentos foram duramente reprimidos e sufocados pelas forças militares que defendiam os interesses da coroa HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 1 - Movimento Republicano no Mundo e no Brasil Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 3 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” portuguesa, mas um século adiante, serviriam de embasamento ideológico para a difusão da propaganda de aceitação popular da transformação política no Brasil, quando a Monarquia foi substituída pela República. Em 1870 foi fundado o PRP (Partido Republicano Paulista), organizado pela elite cafeeira paulista ou burguesia do café. Tinha por objetivo, combater os antigos partidos políticos do império e, atacar veementemente a instituição monárquica em defesa da proposta do federalismo, ou seja, da autonomia das províncias. Segundo Boris Fausto em História concisa do Brasil: “A República concretizou a autonomia estadual, dando plena expressão aos interesses de cada região”; (pag. 148). O Imperador D. Pedro II estava fragilizado por uma série de fatores que ocorreram ao longo das décadas de 1870 e 1880, entre eles, a campanha abolicionista que se difundiu no país após a Guerra do Paraguai (1864-1870), quando os militares, impedidos de se pronunciarem politicamente, se aliaram aos cafeicultores do Oeste Paulista, ambos insatisfeitos com o modelo monárquico. A Proclamação da República no Brasil, em 15 de novembro de 1889, foi o resultado de uma conjunção de fatores econômico-político-militares, pois a burguesia cafeeira paulista requeria maior participação política e o Exército era tradicionalmente preterido pela Armada (Marinha). A aliança entre os cafeicultores e os militares do Exército Brasileiro resultou na deposição do Imperador e na consequente mudança do modelo político. Durante todo o processo Pedro II não demonstrou qualquer emoção, como se não se importasse com o desenlance. Ele rejeitou todas as sugestões para debelar a rebelião feitas por políticos e militares. Quando soube da notícia de sua deposição, simplesmente comentou: "Se assim é, será minha aposentadoria. Trabalhei demais e estou cansado. Agora vou descansar". Ele e sua família foram mandados para o exílio na Europa, partindo em 17 de novembro. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 1 - Movimento Republicano no Mundo e no Brasil Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 4 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Teresa Cristina, ex imperatriz do Brasil, casada com D. Pedro II. Maior vítima do exílio imposto à família imperial após a Proclamação da República, teve uma crise emocional profunda e morreu logo que pôs os pés em Portugal. Houve resistência monarquista significante após a queda do Império, o qual foi sempre reprimida. Distúrbios contra o golpe ocorreram, assim como batalhas renhidas entre tropas monarquistas do Exército contra milícias republicanas. O “novo regime” suprimiu com rápida brutalidade e total desdenho por todas as liberdades civis quaisquer tentativas de criar um partido monarquista ou de publicar jornais monarquistas. Pedro II professou seu amor pelo Brasil ao longo de toda a vida e seu legado de realizações é o maior testemunho deste afeto que contribuiu para a formação da nossa identidade nacional. BUSCANDO CONHECIMENTO O iluminista http://www.youtube.com/watch?v=YEJ6Jcpkv4o Montesquieu e a divisão dos poderes HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 1 - Movimento Republicano no Mundo e no Brasil Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 5 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” http://pnld.moderna.com.br/2012/01/18/montesquieu-e-a-divisao-dos-poderes/ Filme: O Patriota (no original: The Patriot) Gênero ação e drama dirigido por Roland Emmerich (Independencia dos EUA) Entrevista: Historiador fala sobre o impacto da República no Brasil http://www.epochtimes.com.br/entrevista-historiador-fala-sobre-o-impacto-da- republica-no-brasil/ A transição entre essas duas formas de governo http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/monarquia-e-republica-entenda- a-transicao-entre-essas-duas-formas-de-governo.htmA República Brasileira http://educaterra.terra.com.br/voltaire/500br/republica.htm As origens da republica; de Emília Viotti http://cafehistoria.ning.com/ Movimento Republicano http://www.youtube.com/watch?v=LMalmFnjhQQ Itu - Cidade berço do Movimento Republicano http://www.youtube.com/watch?v=runf44ZturU HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 2 - A Primeira República – 1889 a 1930 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 5 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE O período da história política brasileira que vai de 1889 a 1930 costuma ser designado pelos historiadores de diferentes modos: República Oligárquica –República do Café com- Leite – República Velha – Primeira República. A República Velha é dividida pelos historiadores em dois períodos. O primeiro período, chamado de República da Espada, O segundo período que foi chamado de República Oligarquica. ESTUDANDO E REFLETINDO A Elite Fazendeiros de Café, representada pelos partidos regionais, o principal partido regional era o paulista PRP – Partido Republicano Paulista. Essas elites estavam muito mais preocupadas com os seus interesses em cada região. Por razões claramente econômicas, o sonho era fazer uma República, que fosse pouco centralizada. O que significava o fim de centralização imperial, e a autonomia dos Estados que se tornaria muito amplo, e sendo assim a possibilidade de impor ao país um sistema que favorecesse o núcleo agrário-exportador em expansão. Os Militares O Exército, era a outra força que deu origem a república, tinham concepções diferentes dessas elites civis, onde a ideia era uma república centralizada, autoritária, tinham motivos de ordem corporativa e ideológica para se opuser à monarquia. Os militares estavam mais preocupados com a unidade nacional. A Guerra do Paraguai favoreceu a identificação dos militares como grupo, e eles começaram a criticar a posição secundária que o Império conferia à instituição. Essa luta HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 2 - A Primeira República – 1889 a 1930 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 6 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” foi ganha pelas elites civis, mas nos primeiros tempos os militares predominaram, basta se pensar nos governos de Deodoro e Floriano. República da Espada Foi dominado pelos setores mobilizados do Exército apoiados pelos republicanos, e vai da Proclamação da República do Brasil, no 15 de Novembro de 1889, até a eleição do primeiro presidente civil, Prudente de Moraes. A República da Espada teve viés mais centralizador do poder, em especial por temores da volta da Monarquia, bem como para evitar uma possível divisão do Brasil. Seus presidentes militares: Marechal Deodoro da Fonseca (1889-1891) Marechal Floriano Peixoto (1891-1894) Principais medidas modernizadoras: Instituição da República Federativa dos Estados Unidos do Brasil: modelo político republicano que concede autonomia aos estados, oficializando a descentralização política. Transformação das Províncias em Estados: oficializava a adoção do modelo federalista (descentralização política), uma vez que a denominação província estava fortemente ligada à Monarquia. Banimento da Família Real do Brasil: evitar qualquer reação monárquica. Extinção do Senado Vitalício: faz parte das transformações políticas de cunho estrutural, uma vez que o Senado representava a base de apoio do imperador, pois esses senadores eram escolhidos pelo mesmo. Dissolução da Câmara dos Deputados: evitar oposição às transformações operadas e preparar a esfera do poder legislativo para as novas diretrizes políticas vindouras. Supressão do Conselho de Estado: extinção de um dos principais órgãos políticos ligados ao modelo monárquico. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 2 - A Primeira República – 1889 a 1930 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 7 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Convocação de Eleições para o Congresso Constituinte: reunir os deputados constituintes responsáveis pelo estudo, organização e composição das leis da nova Constituição do país, promulgada oficialmente em 1891. Concessão de cidadania aos estrangeiros que viviam no Brasil (grande naturalização de estrangeiros): para alguns autores, tal lei permitiu um aumento significativo dos brasileiros brancos (imigrantes europeus) numa sociedade tradicionalmente marcada pelo escravismo africano e significativamente representada pelos afrodescendentes. Separação entre Igreja e Estado: faz parte da política de laicização do Estado, ideologicamente vinculado aos ideais positivistas difundidos durante o Movimento Republicano. Secularização dos Cemitérios: esses locais não seriam mais administrados pela igreja, tornando os municípios responsáveis pelos locais de sepultamento. Estabelecimento da liberdade de cultos religiosos, com isso, o catolicismo deixou de ser a religião oficial: processo de liberdade religiosa, tradicionalmente ligado aos ideais iluministas e republicanos. Extinção do Padroado e do Beneplácito: o padroado era o direito do imperador nomear cargos eclesiásticos católicos e o beneplácito era o direito de o imperador examinar as decisões da igreja antes das mesmas entrarem em vigor no Brasil. Criação dos Cartórios de Registros Civis, para legalizar nascimentos e casamentos: Diminuição da influência da Igreja, pois essa instituição era a responsável pelos ditos registros. Encilhamento Ainda no Governo Provisório, o jurista Rui Barbosa foi nomeado para o Ministério da Fazenda e, com o intuito de estimular os investimentos no setor industrial, facilitou a obtenção de crédito. A concessão exagerada de crédito foi possibilitada pela excessiva emissão de papel-moeda, sem lastro ouro, tornando o governo responsável pelas consequências econômicas. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 2 - A Primeira República – 1889 a 1930 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 8 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” A intenção era fazer com que aqueles que obtivessem o financiamento público investissem no setor produtivo, o qual timidamente se mostrava como uma opção inovadora. Porém, a maioria dos beneficiados preferiu investir tais recursos na bolsa de valores, esperando um lucro mais rápido e menos trabalhoso que o setor produtivo, pois os juros cobrados pelo governo eram inferiores às expectativas de ganho no mercado de ações. Em plena crise do Encilhamento, o Congresso elegeu de forma indireta Deodoro da Fonseca para a presidência da República e Floriano Peixoto para a Vice-presidência. República Oligarquica Foi o período da implantação e consolidação da política oligárquica, controlada por grupos político-econômicos, principalmente os cafeicultores de São Paulo e os criadores de gado de Minas Gerais, colocando o Estado brasileiro a serviço de seus interesses. A República Oligárquica é a denominação dada ao período de 1894 a 1930, em que a política do país era dirigida por oligarquias agrárias e por representantes civis na presidência. Prudente de Morais foi o primeiro presidente civil que favoreceu a volta do poder agrário já que estes estavam limitados a dominar somente o poder legislativo. Foram presidentes do referido período: Prudente de Morais (1894-1898) Campos Sales (1898-1902) Rodrigues Alves (1902-1906) Afonso Pena (1906-1909) Nilo Peçanha (1909-1910) Hermes da Fonseca (1910-1914) Venceslau Brás (1914-1918) Delfim Moreira (1919) Epitácio Pessoa (1919-1922) HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 2 - A Primeira República – 1889 a 1930 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 9 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Artur Bernardes (1922-1926) Washington Luís (1926-1930) PartidosPolíticos Estaduais O período denominado República das Oligarquias ficou marcado pelo monopólio político exercido pela elite rural brasileira, reunida nos vários partidos republicanos estaduais: PRP (Partido Republicano Paulista), PRM (Partido Republicano Mineiro) e PRR (Partido Republicano Rio-grandense), os quais representavam respectivamente o poder econômico, político-eleitoral e militar. Fazendo uso do modelo constitucional que estabelecia o voto aberto (não secreto) para a presidência da República, manipulavam os eleitores e realizavam acordos políticos para se perpetuarem no poder. Política do café com Leite A política do café com leite foi uma política de revezamento do poder nacional executada na República Velha pelos estados de São Paulo - mais poderoso economicamente, principalmente devido à produção de café - e Minas Gerais - maior polo eleitoral do país da época e produtor de leite. Foram raras as vezes que esses dois estados se separaram de forma oposta nas eleições presidenciais, sendo que o principal exemplo foi o ano de 1910, quando se sagrou vencedor o candidato do Rio Grande do Sul Marechal Hermes da Fonseca, sobrinho do ex-presidente Deodoro da Fonseca, saiu-se vitorioso nas eleições mais concorridas do período da República Velha. Durante seu governo, Hermes da Fonseca empenhou-se em realizar a “Política das Salvações”, denominação política dada ao autoritarismo implícito nas substituições das velhas oligarquias dos Estados opositores durante o processo eleitoral, por políticos mais jovens ligados ao Presidente da República. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 2 - A Primeira República – 1889 a 1930 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 10 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” BUSCANDO CONHECIMENTO Livro: História do Brasil Boris Fausto -Edusp Ano: 2004 Site: Info Escola: http://www.infoescola.com/historia-do-brasil/republica-velha Museu Prudente de Moraes http://www.museuprudentedemoraes.piracicaba.sp.gov.br/home.php HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 3 - Governo Provisório; a Concepção de República e a 1ª Constituição da República 1891 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 11 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE A Proclamação da República ocorreu dia 15 de novembro de 1889, no Rio de Janeiro, então capital do Império do Brasil, na Praça da Aclamação (hoje Praça da República), quando um grupo de militares do Exército brasileiro, liderados pelo comandante Marechal Deodoro da Fonseca, deu um golpe de estado e depôs o imperador D. Pedro II. Institui-se então a República Brasileira, o regime republicano no país, derrubando a Monarquia, sem derramamento de sangue. Após o início da República, havia a necessidade da elaboração de uma nova constituição, pois a antiga ainda seguia os ideais monárquicos. A constituição de 1891 garantiu alguns avanços políticos, embora apresentasse algumas limitações, pois representava os interesses das elites agrárias do país. ESTUDANDO E REFLETINDO. O Brasil acordou monarquista na sexta-feira 15 de novembro de 1889 e foi dormir republicano. A República subtrai um grande país para si, e o Brasil entra numa nova era a República, um regime que permite: - a ampliação da cidadania, - a participação popular, - a democracia. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 3 - Governo Provisório; a Concepção de República e a 1ª Constituição da República 1891 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 12 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” O governo provisório tem muitos ministros de talento, mas os problemas imediatos que eles terão de resolver são os mesmos que embaralharam o Império: o da indenização pela abolição, o da autonomia das províncias através da Federação e o da anarquia militar que os próprios golpistas criaram. Governo Provisório Faziam parte do governo provisório, organizado na noite de 15 de novembro, o Marechal Deodoro da Fonseca como presidente e, como ministros, Benjamin Constant (da Guerra), Quintino Bocaiúva (das Relações Exteriores), Rui Barbosa (da Fazenda), Campos Sales (da Justiça), Demérito Nunes Ribeiro (da Agricultura); O Almirante Eduardo Wandenwolk (da Marinha), Aristides Lobo (do Interior). Sendo que nessa data, o jurista Rui Barbosa assinou o primeiro decreto do novo regime, instituindo um governo provisório. O primeiro artigo do decreto inaugural do governo afirma: "Fica proclamada provisoriamente e decretada como forma de governo da nação brasileira a República Federativa". Durante o governo provisório foi decretada a separação entre Estado e Igreja; foi concedida a nacionalidade brasileira a todos os imigrantes residentes no Brasil; foram nomeados governadores para as províncias que se transformaram em estados. A família imperial brasileira foi banida do território brasileiro, só podendo a ele retornar a partir de 1920, com o decreto 4120 de 3 de setembro de 1920 que revogou o banimento da família real. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 3 - Governo Provisório; a Concepção de República e a 1ª Constituição da República 1891 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 13 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” O "Governo Provisório" terminou com a promulgação, em 24 de fevereiro de 1891, da primeira constituição republicana do Brasil, a constituição de 1891, passando, a partir daquele dia, Deodoro a ser presidente constitucional, eleito pelo Congresso Nacional, devendo governar até 15 de novembro de 1894. Deodoro, apoiado pelos militares, derrotou o candidato dos civis, Prudente de Morais. Assim que tomou “o lugar” do regime monárquico, os republicanos se preocuparam em estabelecer novos símbolos que tivessem a função de representar a transformação política acontecida no final do século XIX. Foi criada uma nova bandeira nacional, em 19 de novembro, com o lema positivista "Ordem e Progresso": A bandeira do Brasil é um dos quatro símbolos oficiais da República Federativa do Brasil. Os outros símbolos da República são as armas nacionais, o hino nacional e o selo nacional. Já em janeiro de 1890, o governo provisório do Marechal Deodoro da Fonseca lançou um concurso visando à oficialização de um novo hino para o Brasil e o vencedor foi O Hino à Proclamação da República do Brasil letra de Medeiros e Albuquerque, e música de Leopoldo Miguez. “Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós! Das lutas na tempestade Dá que ouçamos tua voz!” HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 3 - Governo Provisório; a Concepção de República e a 1ª Constituição da República 1891 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 14 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” República A palavra República significa "coisa pública, coisa de todos", indicando um sistema de governo que tem como objetivo atender aos interesses de todos os cidadãos. Em uma República, o país é governado pelo presidente, que é eleito pelo povo por meio de voto direto. O termo República foi concebido pelos romanos durante o processo de deposição do rei Tarquínio, o soberbo, o qual resultou na mudança do modelo político vigente em Roma (Monarquia – República) no ano de 509 a.C. A primeira república moderna foram os E.U.A., que adotaram em 1787 Constituição presidencialista, sendo seguidos pelos países da América espanhola e, no ano de 1889, pelo Brasil. Desde 1889 até os dias atuais, o sistema de governo no Brasil é republicano. Em uma República, o governo não é hereditário, ou seja, não passa de pai para filho. Os governantes são eleitos por meio de voto para exercer o poder durante um tempo determinado (no caso do Brasil, por quatro anos), podendo ser reeleito uma única vez. Durante o Governo Provisório, o Congresso Constituinte reuniu-se com o intuitode elaborar uma Constituição Republicana para o país. O então deputado Prudente de Morais, representante da burguesia cafeeira paulista, presidiu as seções e orientou os trabalhos. Constituição Republicana de 1891 A Constituição republicana brasileira seguia o modelo norte-americano e assegurava as medidas modernizadoras tomadas durante o Governo Provisório. O direito de voto a todos os cidadãos, independentemente de sua posição econômica, contrariando e sepultando o modo censitário de cidadania do império, em outras HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 3 - Governo Provisório; a Concepção de República e a 1ª Constituição da República 1891 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 15 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” palavras, o voto censitário foi substituído pelo voto universal. Entretanto, eram cidadãos com direitos políticos apenas os homens, maiores de 21 anos alfabetizados. A votação ocorria de forma direta e descoberta (não secreta), fato que possibilitava a prática do coronelismo, isto é, uma maneira encontrada pela elite rural brasileira de controlar seus eleitores, obrigando-os, em troca de favores, a votar nos candidatos indicados pelos coronéis, sob pena de sofrer sérias represálias se agissem de maneira autônoma. Ocorreu ainda, a tripartição dos poderes, sendo que: O poder Executivo seria exercido pelo presidente da República eleito para um mandato de 4 anos, sem direito à reeleição (esta só seria permitida no Brasil a partir de uma reforma constitucional ocorrida em 1997-1998, durante o primeiro mandato do então presidente Fernando Henrique Cardoso) e pelos seus ministros de Estado, nomeados e se necessário demitido pelo presidente. O poder Legislativo era exercido pelo Congresso Nacional, formado pela Câmara dos Deputados Federais e pelo Senado Federal. O Poder Judiciário encontrava sua maior instância no Supremo Tribunal Federal, o qual contava ainda com o auxílio de outros tribunais e juízes. BUSCANDO CONHECIMENTO República Velha – Boris Fausto http://www.youtube.com/watch?v=PBGhQDaieDo Significado República http://www.significados.com.br/republica/ Decreto Nº 1º, de 15 de Novembro de 1889: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1851-1899/D0001.htm HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 3 - Governo Provisório; a Concepção de República e a 1ª Constituição da República 1891 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 16 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Hino da Republica https://www.youtube.com/watch?v=nJfKSfqiPqA História do Brasil http://www.historiadobrasil.net/republica/ Constituição da República http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao91.htm HISTÓRIA DO BRASIL REPUBLICA UNIDADE 4 - Primeiras Revoltas na República Velha Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 17 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Para evitar uma guerra civil, o marechal Deodoro optou por renunciar à Presidência da República. O seu cargo foi assumido pelo vice-presidente Floriano Peixoto. A Constituição de 1891, no entanto, garantia que, se a presidência ou a vice- presidência ficassem vagas antes de se completarem dois anos de mandato, deveria ocorrer uma nova eleição, o que fez com que a oposição começasse a acusar a Floriano de estar ilegalmente no cargo. ESTUDANDO E REFLETINDO Durante o período militar (1889-1894) ocorreu a Revolta da Armada séria ameaça ao governo Floriano Peixoto, e uma de caráter regional, a Revolução Federalista. Primeira Revolta Armada Aconteceu no ano de 1891, em represália à maneira de atuar do então presidente da República Marechal Deodoro da Fonseca que, ao ver-se diante de sérios problemas para lidar com os partidos políticos contrários ao governo - representados pela nata cafeicultora - resolveu tomar uma atitude radical, fechar o Congresso, transgredindo a Constituição de 1891. Uma ação coletiva por parte de alguns centros da marinha, entre eles o da Baía de Guanabara, que se revoltaram e prometeram atacar a cidade do Rio de Janeiro, então capital da República. Para evitar o pior, Deodoro da Fonseca, então com apenas nove meses de gestão, decidiu renunciar. Seu vice, Floriano Peixoto, assume provisoriamente, pois segundo a Constituição, no prazo sumo de dois anos seriam chamadas novas eleições presidenciais. Quando se aproximava o fim de seu mandato à oposição começou a alardear que Floriano pretendia continuar no governo ilicitamente. HISTÓRIA DO BRASIL REPUBLICA UNIDADE 4 - Primeiras Revoltas na República Velha Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 18 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Segunda Revolta Armada Teve início com uma agitação encabeçada por alguns generais, que enviaram uma carta ao presidente Floriano Peixoto ordenando-lhe que convocasse imediatamente novas eleições, em obediência à Constituição. O presidente coibiu severamente a insubordinação, ordenando a prisão dos condutores do levante. O golpe era comandado pelos oficiais superiores da armada Saldanha da Gama e Custódio de Melo, que ambicionava substituir Floriano Peixoto. O movimento retratava a insatisfação da Marinha, que se sentia politicamente inferior ao Exército. O levante não encontra apoio necessário no Rio de Janeiro, migrando então para o Sul. Algumas tropas se aquartelaram na cidade de Desterro – atual Florianópolis – e tentaram um acordo com os gaúchos partidários do federalismo, porém sem êxito. Em março de 1894 o Presidente da República, amparado pelas forças do Exército brasileiro, pelo Partido Republicano Paulista e contando com uma nova frota de navios obtida com urgência no exterior, abafou o movimento. O jornalista Eduardo Bueno comenta sobre a Revolta da Armada: Ela entrou para a história com o nome de Revolta da Armada, pois até o século 19, a Marinha era chamada de... Armada. Foram duas revoltas: a de novembro de 1891, quando caiu o presidente Deodoro da Fonseca; e a de setembro de 1893, em que rebeldes foram fuzilados na então Desterro, depois batizada Florianópolis, em homenagem a Floriano Peixoto, quem ordenou a matança. – Brasil: Uma HISTÓRIA, Edit. Leya. – Pag. 254. As motivações dessa revolta remontam à histórica rivalidade entre a Marinha (Armada) e o Exército, pois a primeira ainda guardava a imagem de vinculo com a Monarquia, enquanto o Exército era tradicionalmente a força republicana. Além disso, temia-se a força da Marinha, única capaz de derrotar Floriano Peixoto. HISTÓRIA DO BRASIL REPUBLICA UNIDADE 4 - Primeiras Revoltas na República Velha Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 19 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Os rebeldes da Armada do Rio de Janeiro uniram forças com os federalistas do Rio Grande do Sul, e realizaram ataques à capital na Baía de Guanabara. Como ambos tinham o caráter antiflorianista, foram igualmente reprimidos violentamente pelas forças legais republicanas. “Tinham razão: a revolta veio a acabar daí a dias. A esquadra legal entrou; os oficiais revoltosos se refugiaram nos navios de guerra portugueses e o marechal Floriano ficou senhor da baía. “No dia da entrada, acreditando que houvesse canhoneiro, uma grande parte da população abandonou a cidade, refugiando-se nos subúrbios, por baixo das arvores, na casa de amigos ou nos galpões construídos adrede pelo Estado. “O fim do levante foi um alívio (...) e o marechal ganhou feições sobre-humanas com a vitória.”(Barreto, Lima. Triste fim de Policarpo Quaresma). Revolução Federalista: 1893-1895 Uma das regiões politicamente mais instáveis do país nos primeiros anos da República era o Rio Grande do Sul. Os conflitos políticos entre os dois principais grupos opositores do estado, os republicanos (maragatos) e os federalistas (pica-paus),acirrou-se durante o governo de Floriano, transformando-se em Guerra Civil que se estendeu ao estado de Santa Catarina. Os federalistas eram acusados de serem simpatizantes da Monarquia, pois defendiam a centralização política e o parlamentarismo. Os republicanos controlavam a política local do Rio Grande do Sul e haviam promulgado uma Constituição de caráter positivista. Os castilhistas, denominados dessa maneira, pois seu líder era o tradicional político gaúcho Júlio de Castilhos, era apoiado pelo presidente Floriano. A Constituição rio-grandense era a única do país que permitia a reeleição para governador do estado, assegurando o monopólio político. O apoio do Presidente a esse grupo provocou a reação política dos pica-paus (federalistas), os quais se tornaram ferrenhos antiflorianistas. O governo federal agiu violentamente sufocando a ação dos rebeldes. HISTÓRIA DO BRASIL REPUBLICA UNIDADE 4 - Primeiras Revoltas na República Velha Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 20 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” “Uma das regiões mais instáveis do país nos primeiros anos da República era o Rio Grande do Sul. Entre a proclamação da República e a eleição de Júlio de Castilhos para a presidência do estado, em novembro de 1893, dezessete governos se sucederam no comando do estado. Opunham-se, de um lado, os republicanos históricos adeptos do positivismo, organizados no Partido Republicano Rio-grandense (PRR) e, de outro, os liberais. Em março de 1892 estes fundaram o Partido Federalista, aclamando como seu líder Silveira Martins, prestigiosa figura do Partido Liberal no Império. – Bosris Fauto – Pa. 220 – História do Brasil. O historiador Boris Fausto afirma que As bases sociais dos federalistas encontravam-se principalmente entre os estancieiros da Campanha, região localizada no sul do estado, na linha de fronteira com o Uruguai. Eles constituíam a elite política tradicional, com raízes no Império. Os republicanos baseavam-se na população do litoral e da Serra, onde se encontravam muitos imigrantes. Formavam uma elite recente, que irrompia na política disposta a monopolizar o poder. “A guerra civil entre os dois grupos, conhecida como Revolução Federalista, começou em fevereiro de 1893 e só terminou mais de dois anos e meio depois, já na presidência de Prudente de Morais. A luta foi implacável, dela resultando milhares de mortos. Muitos deles não morreram em combate: foram degolados após terem caído prisioneiros”. (Fausto, Boris, idem). BUSCANDO CONHECIMENTO History – Hoje na História http://hojenahistoria.seuhistory.com/marechal-deodoro-da-fonseca-renuncia-presidencia-do-brasil Livro: Uma História , Eduardo Bueno - Edit. Leya. – Pag. 254. http://seuhistory.com/eduardo-bueno/a-revolta-da-armada-eduardo-bueno.html Ebook: Triste fim de Policarpo Quaresma – Lima Barreto http://revistavivelatinoamerica.com/2014/02/01/lima-barreto-triste-fim-de-policarpo-quaresma-baixar-livro-em-pdf- brasil/ HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 05 - A Economia na República Velha Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 21 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Durante a Primeira República (1889-1930) a economia brasileira se caracterizava pelo predomínio da atividade agroexportadora. O café, o açúcar, a borracha, o cacau e o fumo eram os principais produtos e geradores de rendas para o país. Já se registrava, entretanto, o funcionamento de diversas indústrias, inauguradas desde as últimas décadas século XIX. ESTUDANDO E REFLETINDO O café proporcionava poder econômico e poder político. Entretanto, existiam outros produtos que tiveram relativa importância nas exportações brasileiras. Todo eixo estava voltado para produção de determinados bens que seriam vendidos no exterior, houve um grande impulso na população região centro sul por causa do café e do sul por causa da instalação da pequena propriedade, carateristica do Paraná, Santa Catarina e parte do Rio Grande do Sul. Café São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro produziam 70% de toda a da produção de café mundial. O estado de São Paulo representava o maior de todos os produtores de café do país e isto teve como consequência o enorme poder político alcançado pelos latifundiários desta região. Pelo fato de gerar tanta riqueza todo proprietário de terra só queria produzir café. Resultado: na última década do século XIX já era verificada uma situação de superprodução de café no Brasil. A economia cafeeira passou a mostrar sinais de crise. As causas desta crise estavam no excesso de produção mundial. A oferta, sendo maior que a procura, acarreta uma queda nos preços prejudicando os fazendeiros de café. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 05 - A Economia na República Velha Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 22 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” O convênio de Taubaté O convênio de Taubaté foi um encontro realizado em 1906 pelos governadores dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, na cidade paulista de Taubaté, com o objetivo de encontrarem uma política estatal para garantir a rentabilidade da cafeicultura brasileira. Os cafeicultores criaram um plano de intervenção do estado na cafeicultura, com o objetivo de promover a elevação dos preços do produto. Os governadores dos estados produtores de café, garantiam a compra de toda a produção cafeeira com o intuito de criar estoques reguladores. O governo provocaria uma falta do produto, favorecendo a alta dos preços, e, em seguida vendia o produto. Os resultados desta política de valorização do café foram prejudiciais para a economia do país. Para comprar toda a produção de café, os governos estaduais recorriam a empréstimos no exterior, que seriam arcados por toda a população; além disto, os estoques excedentes deveriam ser queimados, causando prejuízos para o governo que já havia pagado pelo produto. Borracha da Amazônia Entre o final do século XIX e as primeiras décadas do século XX a produção de borracha na região amazônica cresceu rapidamente e ocupou a segunda posição como maior produto de exportação do Brasil, depois do café, superando o açúcar. O motivo deste rápido crescimento foi o desenvolvimento da indústria de automóveis e de bicicletas ocorrido nos Estados Unidos e Europa. Automóveis e bicicletas precisam de pneus. Pneus são feitos de borracha. E a matéria-prima para a produção de borracha é o látex, uma seiva extraída da seringueira, árvore intensamente presente na região amazônica. As cidades de Belém e Manaus tiveram um rápido processo de modernização e urbanização em razão da grande riqueza trazida pela HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 05 - A Economia na República Velha Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 23 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” exploração da seringueira. Inclusive, a incorporação do estado do Acre ao território brasileiro está diretamente relacionado com a exploração econômica da borracha. Como a exportação de borracha tornou-se uma atividade extremamente lucrativa veio a concorrência estrangeira dos ingleses e dos holandeses, que por sua vez, passaram a produzir borracha na Ásia. Junto com esta concorrência veio a decadência da produção nacional da borracha, ocorrida a partir da segunda década do século XX . Cacau No caso do cacau também houve um rápido crescimento na sua produção no final do século XIX e início do século XX. O motivo do rápido crescimento da produção de cacau no Brasil foi o desenvolvimento da indústria mundial de chocolate, que por sua vez, aumentou a demanda pela sua matéria-prima básica: o cacau. O principal local de produção de cacau no Brasil foi a região sul da Bahia, responsável naquela época por 90% da produção brasileira de cacau.Como esta atividade também era mundialmente lucrativa não demorou muito para atrair a concorrência da Inglaterra, que passou a produzir cacau na região africana da Costa do Ouro. Esta concorrência levou à decadência da produção brasileira de cacau, que não suportou a competitividade e qualidade do cacau produzido pelos ingleses. Indústria e Operários A República Velha foi, durante muito tempo, o período de glória para a economia cafeeira. Mas foi também a época em que o crescimento das indústrias ganhou impulso. O principal centro de expansão industrial brasileira era o Estado de São Paulo. Com a crise do café, muito produtores começaram a investir nas indústrias, onde se observa a mão de obra de imigrantes. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 05 - A Economia na República Velha Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 24 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Substituindo progressivamente as importações, a indústria nacional foi conquistando o mercado interno. Empregando crescente número de operários, a indústria foi transformando a face socioeconômica do país. Os setores urbanos classe média e proletariado industrial, tornaram-se forças sociais cada vez mais expressivas e passaram a exigir maiores participações políticas. Um importante fator que contribuiu para o desenvolvimento do setor industrial brasileiro durante a República Velha foi a disponibilidade de mão-de-obra especializada que chegou aoBrasil por meio da imigração europeia, principalmente com a chegada de um grande número de imigrantes italianos. Imigrantes europeus e asiáticos no Brasil Em São Paulo, havia grande número de imigrantes, que viviam do trabalho assalariado na agricultura. Muitos se desiludiram com o trabalho no campo e buscaram nas cidades uma nova oportunidade de vida. São Paulo foi o estado que abrigou uma das maiores colônias de italianos vindas para o Brasil. Estes italianos serão os responsáveis pela introdução das ideias anarquistas e pela organização do movimento operário em nosso país, A concentração dos movimentos migratórios em uma única região resultou no crescimento populacional dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo, locais onde a economia era mais dinâmica e atrativa. Isto resultou em um rápido processo de urbanização, que por sua vez, contribuiu para a o crescimento de nosso mercado interno. A produção industrial brasileira não era voltada para a exportação, mas sim para o consumo no mercado interno. A Primeira Guerra Mundial, ocorrida entre 1914 e 1918, também favoreceu o crescimento do setor industrial brasileiro durante a República Velha. Neste período a indústria europeia estava totalmente concentrada na produção de armas, munições, veículos de transporte e medicamentos necessários para o esforço HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 05 - A Economia na República Velha Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 25 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” de guerra. Dessa forma, as indústrias europeias deixaram de produzir mercadorias para o resto do mundo. Mas havia limites nesse processo, pois no Brasil ainda não havia indústria de base, indústria pesada, tais como indústria siderúrgica e metalúrgica. Nesse período a indústria brasileira começou a se diversificar e desenvolver. O capital para financiar a industrialização brasileira veio da agro exportação, principalmente do Café. A economia agroexportadora brasileira foi responsável pela montagem de canais de escoamento da produção, tais como a construção de portos e ferrovias. BUSCANDO CONHECIMENTO SITE: Ciclo da Borracha http://www.coladaweb.com/historia-do-brasil/ciclo-da-borracha-e-a-amazonia-atual GUIA DO ESTUDANTE - Ciclo da Borracha: Paris tropical, texto de Luciana Zenti, http://guiadoestudante.abril.com.br/aventuras-historia/ciclo-borracha-paris-tropical-434959.shtml BRASIL ESCOLA - Ciclo da Borracha, texto de Rainer Sousa. http://www.brasilescola.com/historiab/ciclo-borracha.htm MUNDO EDUCAÇÃO. Economia Cafeeira. http://www.mundoeducacao.com/historiadobrasil/economia-cafeeira.htm TELENOVELA “Renascer”, da Rede Globo mostrou com destaque a cultura do cacau na Bahia, e a telenovela “Gabriela” também mostra a cultura do cacau. LIVRO: Terra dos Sem fim – Jorge Amado HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 06 - Primeira República - Dominação Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 26 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Durante o Império, o governo central impunha seu poder às províncias, nomeando quem iria governá-las. Com o estabelecimento da República a situação mudou: as famílias poderosas de cada estado - as oligarquias locais - subiram ao poder e lá se mantiveram por meio de um esquema político-eleitoral fraudulento. Esses chefes locais, em geral grandes fazendeiros, muitas vezes tinham o título de coronéis da Guarda Nacional. (coronelismo). ESTUDANDO E REFLETINDO Oligarquia: Palavra de origem grega que significa governo exercido por poucos indivíduos ou famílias poderosas. Coronelismo Os coronéis determinavam o voto de seus agregados e favorecidos políticos (troca de favores), exercendo influência na região em que atuava através do "voto de cabresto". Para arrancar o voto do eleitor, o coronel usava duas formas: - Violência pura e simples: Caso o eleitor o traísse, votando em outro candidato, podia perder seu emprego ou mesmo ser morto pelos capangas; - Troca de favores: Como a maioria da população era muito pobre, dependia do coronel para tudo, desde dinheiro emprestado, remédio, segurança, vaga no hospital, emprego... Assim o coronel fazia esses "favores" a seus dependentes e, em troca, exigia que votassem em seus candidatos. Essa prática, chamada de clientelismo, é característica na política brasileira até os dias de hoje! Eram comuns, ainda: manipulação dos resultados das eleições, roubo de urnas, e até inclusão dos votos de pessoas mortas ou ausentes. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 06 - Primeira República - Dominação Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 27 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” As raízes do coronelismo no Brasil antecedem o período republicano, pois surgiram durante o Período Regencial (1931-1940), quando foi criada a Guarda Nacional. Essa instituição abrigava e titulava os grandes proprietários rurais do país, ou seja, a elite rural brasileira, podendo ainda ser definida como aristocracia agrária. A concessão do título de Coronel a esses indivíduos dava-lhes o direito de formar milícias armadas, cujo objetivo seria proteger as fronteiras e os interesses políticos e econômicos na nação. Entretanto, na prática, consistia em uma força de poder pessoal do coronel, que administrava não só as suas possessões territoriais, mas também toda uma área de abrangência de sua influência regional. Os coronéis e seus jagunços intimidavam os eleitores ou faziam com eles acordos eleitoreiros de dependência assistencialista e clientelista, pois em troca de pequenas vantagens pessoais os cidadãos (eleitores) “vendiam” o seu voto. Tal mecanismo é denominado historicamente de “voto de cabresto”, isto é, voto direcionado de acordo com a vontade do Coronel. As próximas eleições... “de cabresto”, charge de 1927 publicada na revista Careta. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 06 - Primeira República - Dominação Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 28 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” A legenda original era a seguinte: Ella – É o Zé Besta? Elle – Não, é o Zé Burro! Porém, na literatura encontramos outras referências ao coronelismo, não culpando somente o coronel, mas também o conjunto de indivíduos que dele dependiam para viver cotidianamente. "O coronel é o homem que comanda a políticanacional, porque ele é quem elege os homens que a fazem. Sem ele, ninguém é eleito [...] Em verdade, o coronel é o homem que resolve os casos sem solução. É ele quem atende o cidadão que bate à sua porta às três horas da madrugada, porque não tem recursos [...] Ele se levanta e vai procurar um médico, que o atende porque é seu amigo e leva a pessoa para a Santa Casa ou ao hospital [...] Todo mundo pensa que o sujeito vai para o curral eleitoral à força. Não, ele vai porque quer." - J.B.L de Andrada, "Coronel é quem comanda a política nacional". Apud Neves, M. de S. e Heizer, A. A ordem é o progresso. S.P. Atual, 1991, p. 71 Também utilizavam práticas ilícitas consideradas fraudes eleitorais, as quais tinham por objetivo garantir a vitória do candidato indicado pelo coronel, mesmo que tal vitória não tivesse se processado nas urnas. Eram formas de fraudes eleitorais os eleitores fantasmas, ou seja, eleitores registrados às pressas, geralmente após o resultado final das eleições, registrando nomes de indivíduos que já haviam falecido ou nunca existido. “Ao instituir o voto universal a descoberto, a Constituição de 1891 assegurou o controle do processo eleitoral por aqueles que se valiam da força da propriedade. O coronelismo, portanto, surge como um dos elementos constitutivos do esquema oligárquico que marcou a República Velha” - Francisco Alves da Silva. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 06 - Primeira República - Dominação Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 29 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Política dos Governadores A política dos Governadores organizada e difundida a partir do governo do presidente Campos Sales (1898-1902) consistia numa grande rede de acordos políticos e reciprocidade mútua entre as oligarquias locais, regionais e federais, quais sejam, os coronéis que controlavam o poder político das cidades, regiões, estados e nação. Tais coronéis comprometiam-se em angariar votos para eleger os deputados que estavam aliados ao presidente da República, pois dessa maneira os projetos encaminhados ao Legislativo não encontrariam resistência para sua aprovação. Em troca, o Governo Federal comprometia-se com as oligarquias reciprocamente, liberando verbas para que se realizassem obras nas mais distantes regiões do país e com isso, os políticos de tais regiões empenhavam-se em campanhas políticas de propaganda administrativa. As oligarquias que não se comprometiam com tal arranjo político sofriam o processo da “degola”, isto é, estariam fora da esfera de liberação de verbas para a construção de obras públicas ou investimentos diversos em seus estados. “Campos Sales concebeu um arranjo conhecido como política dos governadores. Por meio de uma alteração artificiosa do Regimento Interno da Câmara dos Deputados, assegurou-se que a representação parlamentar de cada estado corresponderia ao grupo regional dominante. Ao mesmo tempo, garantiu-se maior subordinação da Câmara ao Poder Executivo. O propósito da política dos governadores, só em parte alcançado, foi o de eliminar as disputas faccionais nos estados e, ao mesmo tempo, reforçar o Poder Executivo, considerado por Campos Sales e ‘poder por excelência’.” - Fausto Boris, idem. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 06 - Primeira República - Dominação Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 30 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” BUSCANDO CONHECIMENTO Oligarquias http://www.dignow.org/area/rep%C3%BAblica-velha-as-oligarquias-no-poder-463744- 95931 Voto do Cabresto As próximas eleições... “de cabresto”. Revista de História da Biblioteca Nacional (05/08/2008). Vídeo: Cidadania - Voto Cabresto https://www.youtube.com/watch?v=5_2oBAR6cvg LIVRO: “A. A ordem é o progresso”. S.P. Atual, 1991, p. 71 - Neves, M. de S. e Heizer. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 7 - Primeira República – Resistência Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Ocorreram várias revoltas de carácter popular, na República Velha. No período militar (1889-1894) ocorreu a Revolta da Armada e a Revolução Federalista. Durante o período civil (1894-1930), além da questão externa da anexação do Acre, ocorreram grandes revoltas internas no país, incluindo as primeiras greves operárias em 1907 e 1917, e o crescimento de movimentos anarquistas e comunistas nos grandes centros urbanos do país. ESTUDANDO E REFLETINDO A maioria dessas revoltas era provocada por questões políticas, religiosas, misérias, disputas de terras ou pelo poder. Revolta de Canudos -1893-1897 No governo de Prudente de Morais, eclodiu um grande movimento de revolta social entre os humildes sertanejos baianos. O líder dos sertanejos era Antônio Vicente Mendes Maciel, mais conhecido como Antônio Conselheiro. Não compreendendo certas mudanças surgidas com a República, Antônio Conselheiro declarava-se, por exemplo, contra o casamento civil e, por isso, foi identificado como fanático religioso e monarquista. Reunindo grande número de sertanejos, Antônio Conselheiro estabeleceu-se em Canudos, um velho arraial no sertão baiano. Segundo alguns pesquisadores, vivia num sistema comunitário em que as colheitas, os rebanhos e o fruto do trabalho eram repartidos entre todos. Mas havia propriedade privada dos bens de uso pessoal (roupas, móveis, etc.). Também não existia cobrança de impostos nem autoridade policial. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 7 - Primeira República – Resistência Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff Aos poucos, construiu-se em torno de Antônio Conselheiro e seus adeptos uma imagem equivocada de que todos eram "perigosos monarquistas" a serviço de potências estrangeiras, querendo restaurar no país o regime imperial, devido, entre outros ao fato de o Exército Brasileiro sair derrotado em três expedições, incluindo uma comandada pelo Coronel Antônio Moreira César. A derrota das tropas do Exército nas primeiras expedições contra o povoado apavorou o país, e deu legitimidade para a perpetração deste massacre que culminou com a morte de mais de seis mil sertanejos. Todas as casas foram queimadas e destruídas. O conflito foi retratado no livro "Os Sertões" de Euclides da Cunha, que o testemunhou como repórter do jornal O Estado de S. Paulo. Revolta da Vacina – 1904 O presidente da República Rodrigues Alves, em parceria com o prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Pereira Passos, anunciou uma série de reformas urbanas no intuito de modernizar e higienizar a Capital Federal. Dentre as medidas tomadas encontravam-se a derrubada de cortiços para a abertura de largas e modernas avenidas, a campanha de caça aos ratos para combater a peste bubônica, a ação das brigadas mata-mosquitos contra a proliferação da febre amarela e a vacinação obrigatória contra a varíola. No Rio de Janeiro, as camadas populares revoltaram-se, em decorrência da obrigatoriedade da vacinação contra a varíola durante o governo do presidente Rodrigues Alves, mas que também foi utilizada pela oposição com conotações políticas. Os rebeldes armaram barricadas nas ruas da cidade, atacaram e depredaram prédios públicos e incendiaram bondes. Pressionado, inclusive pelo chefe de saúde pública, o médico sanitarista Oswaldo Cruz, o presidente cedeu e tornou a vacinação facultativa. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 7 - Primeira República – Resistência Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff Revolta da Chibata – 1910 Revolta dos marinheiros dos Encouraçados “Minas Gerais” e “São Paulo”, em protesto aos maus-tratos sofridos a bordo das embarcações, principalmente a “Lei da Chibata”, castigo físico instituído na Marinha e utilizado como forma de punição dada aos marinheiros infratores. Os rebeldes liderados pelo marinheiro João Cândido tomaram o controle dasembarcações na Baía da Guanabara, assassinaram os oficiais e apontaram os canhões para a cidade do Rio de Janeiro, obrigando o presidente Hermes da Fonseca (marechal do exército) a negociar. Com a promessa do fim dos maus-tratos, melhoria na alimentação a bordo, aumento dos soldos (salário dos marinheiros) e anistia para os rebeldes, os mesmos depuseram as armas e aceitaram a rendição. Entretanto, no desembarque todos foram presos e, alguns executados. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 7 - Primeira República – Resistência Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff Guerra do Contestado – 1912 a 1916 Ocorreu na fronteira entre Paraná e Santa Catarina, numa região contestada (disputada) pelos dois estados. Nessa área, era grande o número de sertanejos sem- terra e famintos que trabalhavam sob duras condições para os fazendeiros locais e duas empresas norte-americanas que atuavam ali. Os sertanejos de Contestado começaram a se organizar sob a liderança de um “monge” chamado João Maria. Reuniu mais de 20 mil sertanejos e fundou com eles alguns povoados que compunham as chamadas “Vila Santas”. A “monarquia” do Contestado tinha um governo próprio e normas igualitárias, não obedecendo às ordens emanadas das autoridades da república. Os sertanejos do Contestado foram violentamente perseguidos pelos coronéis- fazendeiros e pelos donos das empresas estrangeiras (a Brazil Railway Company e a Lumber ), com o apoio das tropas do governo. O objetivo era destruir a organização comunitária dos sertanejos e expulsá-los das terras que ocupavam, pois tinham na verdade o interesse de explorar o pinho e a imbuia da rica floresta nativa. Em novembro de 1912, o monge Jose Maria foi morto em combate e “santificado” pelos moradores da região. Seus seguidores, criaram novos núcleos que foram, combatidos e destruídos pelas tropas do exercito brasileiro. Os últimos núcleos foram arrasados por tropas de 7 mil homens armados. Greve Geral de 1917 O operariado da cidade de São Paulo, orientado ideologicamente pelos ideais anarcossindicalistas, um misto de comunismo, socialismo e anarquismo, organizou uma greve de proporções estaduais, a qual literalmente paralisou as atividades industriais na cidade de São Paulo por alguns dias. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 7 - Primeira República – Resistência Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff As principais reivindicações dos grevistas eram a limitação da jornada de trabalho em 8 horas diárias, o descanso semanal remunerado, a adoção de um salário mínimo para os trabalhadores e um aumento salarial real. O governo do presidente Venceslau Brás, esteve disposto a negociar com os rebeldes, os quais, entre todas as reivindicações apresentadas, conseguiram um aumento nos salários. Porém, as perseguições aos anarquistas e comunistas tornaram- se intensas e, sendo a maioria deles imigrantes italianos, vários foram expulsos do Brasil. Cangaço – 1870 a 1940 Para alguns pesquisadores, ele foi uma forma pura e simples de banditismo e criminalidade. Para outros foi uma forma de banditismo social, isto é, uma forma de revolta reconhecida como algo legítimo pelas pessoas que vivem em condições semelhantes. Miséria, fome, seca e injustiças dos coronéis-fazendeiros produziram no semi- árido do Nordeste um cenário favorável à formatação de grupos armados conhecidos como cangaceiros. Os cangaceiros praticavam crimes, assaltavam fazendas e matavam pessoas. Os dois mais importantes bandos do cangaço foi o de Antônio Silvino e o de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, o “Rei do Cangaço”.Depois que a polícia massacrou o “bando de Lampião”, em 1938, o cangaço praticamente desapareceu do Nordeste. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 7 - Primeira República – Resistência Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff BUSCANDO CONHECIMENTO FILME: Guerra de Canudos. ficção de Sérgio Rezende,. Brasil, 1997 LIVRO: Os Sertões – Euclides da Cunha - 1ª edição: RJ, Laemmert, 1902. REVISTA SUPERINTERESSANTE:- A revolta da vacina - . super.abril.com.br. NOVELA: Lado a Lado Episódio da Telenovela "Lado a lado", da TV Globo, que retrata o episódio da - https://www.youtube.com/watch?v=0B-9hVN9wg0 UOL - Educação: - Guerra do Contestado. http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/guerra-do-contestado-conflito- alcancou-enormes-proporcoes.htm LIVRO: As greves em São Paulo Yara Aun Khoury –, São Paulo, Ed. Cortez SITE: Ceará de Luz - História do Cangaço http://cearadeluz.blogspot.com.br/p/cangaco.html HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 8 - O Processo Político dos Anos 1920 e o Tenentismo Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 38 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Após a Primeira Guerra Mundial, a presença da classe média urbana na cena política se tornou mais visível. De um modo geral, esse setor da sociedade tendia a apoiar figuras e movimentos que levantassem a bandeira de um liberalismo autêntico. Isso significava, entre outras coisas, eleições limpas e respeito aos direitos individuais. ESTUDANDO E REFLETINDO Falava-se nesses meios de reforma social, mas a maior esperança era depositada na educação do povo, no voto secreto, na criação de uma Justiça Eleitoral. Os Anarquistas O anarquismo é considerado uma doutrina sócio-política que surgiu entre os séculos XVII e XVIII na Europa, tendo chegado ao Brasil em 1850 através dos imigrantes europeus. O anarquismo defende que a sociedade não deve ter nenhuma forma de autoridade e considera que o Estado é uma força coercitiva. Durante a República Velha, a ideologia anarquista defendeu a organização sindical autônoma, a extinção do Estado, da Igreja e da propriedade privada. Se posicionaram contra a organização dos partidos políticos, divulgando suas ideias por meio de jornais, revistas, livros, panfletos, etc. A ação direta era pregada pelo chamado “sindicalismo revolucionário”. Esta ação direta consistia em greves, boicotes e sabotagens e era considerada um meio para os trabalhadores adquirirem melhores condições de trabalho, indo contra o sistema capitalista. Os anarquista na realidades foram defensores dos direitos do trabalhadores, o que estava próxima da realidade brasileira e ao mesmo tempo não tinha nada de HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 8 - O Processo Político dos Anos 1920 e o Tenentismo Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 39 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” revolucionárias. No Brasil isso deu origem à formação do partido comunista no Brasil em 1922. O PCB Partido político de âmbito nacional fundado em março de 1922 com o objetivo principal de promover no Brasil uma revolução proletária que substituísse a sociedade capitalista pela sociedade socialista. O congresso de fundação do PCB realizou-se em Niterói, reunindo alguns poucos operários e intelectuais do Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. Quase todos os fundadores haviam iniciado sua militância política nos meios anarquistas e só se converteram ao comunismo após a vitória da Revolução Russa de 1917. Apesar da pouca repercussão do congresso de fundação, já em junho de 1922 o governo de Epitácio Pessoa colocou o partido na ilegalidade, condição em que passaria a maior parte de sua existência. Tenentismo Durante a década de 1920, surgiram movimentos de contestação ao modelo político oligárquico, os quais, entre outras reivindicações, reclamavam o direito ao voto direto e secreto nas eleições, uma maior autonomia do Poder Judiciário durante o processo eleitoral, ou seja, uma maior transparência, uma “verdade eleitoral”. Indivíduos insatisfeitos encontravam-se nos diversos jovens oficiais do Exército (tenentes e capitães), que, descontentes com os rumospolíticos da nação, levantaram- se contra os presidentes Epitácio Pessoa (1922) e Artur Bernardes (1924), pois exigiam mudanças políticas e sociais imediatas. O Movimento Tenentista apresentava como características: HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 8 - O Processo Político dos Anos 1920 e o Tenentismo Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 40 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Salvacionismo: Ideal de Salvação Nacional, isto é, os tenentes viam-se como os únicos agentes capacitados para promover a regeneração política do país e salvar o desacreditado modelo republicano. Elitismo: O movimento tenentista estaria restrito ao grupo de militares capacitados para a insurreição, não estendendo ao povo, despreparado e incapaz, a participação ativa. Ainda propunham uma participação política elitista, pois diziam que o povo comum “votava mal” e seria mais interessante substituir o voto universal pelo voto de uma “elite eleitoral”. Reformismo: Entre as principais reformas propostas constava a centralização e a moralização política, o nacionalismo econômico e um novo sistema de ensino. Tais propostas como: A moralização da administração pública; O fim da corrupção eleitoral; Reivindicavam o voto secreto e uma justiça Eleitoral confiável; Defendiam a economia nacional contra a exploração das empresas e do capital estrangeiro; Desejavam uma reforma na educação pública para que o ensino fosse gratuito e obrigatório para todos os brasileiros. A maioria das propostas contava com a simpatia de grande parte das classes médias urbanas, dos produtos rurais que não pertenciam ao grupo que estava no poder e de alguns empresários da indústria. Revolta do Forte de Copacabana Foi uma revolta para impedir a posse do presidente Artur Bernardes, iniciada em 05/07/1922. Tropas do governo cercaram o Forte de Copacabana, isolando os rebeldes. Dezessete tenentes e um civil saíram para as ruas num combate corpo-a-corpo com as tropas do governo. Dessa luta suicida, só dois escaparam com vida: os tenentes HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 8 - O Processo Político dos Anos 1920 e o Tenentismo Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 41 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Eduardo Gomes e Siqueira Campos. O episódio ficou conhecido como Os Dezoito do Forte. Semana da Arte Moderna de 1922 Artistas e intelectuais organizaram nos dias 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo, a Semana de Arte Moderna - marco do movimento modernista no Brasil. O evento, que também envolveu representantes de outros segmentos da sociedade-político, educadores, empresários e trabalhadores-, acabou trazendo à tona discussões sobre os rumos da nação, propostas de reforma da Constituição de 1891 e até da sociedade. Na época, a Europa ocupava uma posição de vanguarda e, sob essa influência, teve início à discussão de uma nova identidade artística para o país. O evento fez mais: denunciou a alienação das camadas cultas em relação à realidade do país e criticou as desigualdades sociais -assuntos que, mesmo um século mais tarde, permanecem atuais no Brasil. Revoltas de 1924 Dois anos depois da Primeira Revolta ocorreram novas rebeliões tenentistas em regiões como o Rio Grande do Sul e São Paulo. Depois de ocupar a capital paulista, as tropas tenentistas abandonaram suas posições diante da ofensiva armada do governo. Com uma numerosa tropa de mil homens, os rebeldes formaram a coluna paulista, que seguiu em direção ao sul do país, ao encontro de outra coluna militar tenentista, liderada pelo capitão Luís Carlos Prestes. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 8 - O Processo Político dos Anos 1920 e o Tenentismo Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 42 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Coluna Prestes As duas forças tenentistas uniram-se e decidiram percorrer o interior do país, procurando apoio popular para novas revoltas contra o governo. Nascia aí a Coluna Prestes, pois ambas tropas eram lideradas por Prestes. Durante mais de dois anos (1924 a 1926), a Coluna Prestes percorreu 24 mil quilômetros através de 12 estados. O governo perseguia as tropas da Coluna Prestes que, por meio de manobras militares, conseguia escapar. Em 1926 os homens que permaneciam na Coluna Prestes decidiram ingressar na Bolívia e desfazer a tropa. A Coluna Prestes não conseguiu provocar revoltas capazes de ameaçar seriamente o governo, mas também não foi derrotada por eles. Isso demonstrava que o poder na República Velha não era tão inatacável. Em 1927 o movimento terminou, perdeu o seu caminho e grande parte do tenentes se exilaram no Bolívia e na Argentina, outros foram presos e o movimento ficou mais ou menos entre parentes. BUSCANDO CONHECIMENTO PCB http://pcb.org.br/portal/ Revolta Dos 18 Do Forte De Copacabana http://www.historiadobrasil.net/resumos/revolta_18_forte.htm Tenentismo http://www.projetomemoria.art.br/RuiBarbosa/glossario/t/tenentismo.htm A Coluna Prestes http://www.historianet.com.br/conteudo/default.aspx?codigo=297 Semana de Arte Moderna de 1922 http://www.suapesquisa.com/artesliteratura/semana22/ HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 09 - A aliança liberal e a Revolução de 30 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 43 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Para as eleições de 1930 aconteceu uma quebra da aliança de São Paulo e Minas Gerais, e como conseqüência disso Minas Gerais se aliou ao Rio Grande do Sul e lançou o nome de Getulio Vargas a presidência do Republica. Essa aliança representava interesses do ponto de vista econômica que não estava diretamente vinculado com café. Minas Gerais, especialmente Rio Grande do Sul e alguns estados do nordeste se aliaram a essa aliança que se chamou Aliança Liberal. ESTUDANDO E REFLETINDO Quebra da Bolsa de Valores de 1929 Com a quebra da Bolsa de Nova Iorque ocorrida em outubro de 1929, inicia-se uma crise econômica de escala mundial, esmagando todas as economias com alguma participação nos mercados internacionais, caso do Brasil e suas exportações de café. É nesse momento que chega a um triste fim a irracional ligação do Brasil com a cultura cafeeira. Além de não ser um gênero de primeira necessidade na dieta de qualquer HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 09 - A aliança liberal e a Revolução de 30 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 44 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” indivíduo (na verdade, consumido como uma sobremesa nos EUA e Europa), o café ocupava a esmagadora maioria das terras cultiváveis do país, impedindo uma diversidade das suas exportações. Havia uma óbvia teimosia por parte das elites em redirecionar e modernizar a política econômica brasileira. Partido Democrático 1930 De caráter estadual, fundado por dissidentes do Partido Republicano Paulista (PRP), durante a República Velha. Era uma organização representativa da classe média tradicional, vinculada a setores cafeeiros, mas sobretudo a urbana. Em maio de 1926, o Partido da Mocidade (dissidentes da Ala Jovem, que haviam organizado essa legenda para as eleições federais de 1925), também dissidente do perrepismo (essa palavra não tem significado), se incorporou ao Partido Democrático. - eram em sua maioria profissionais liberais, jovens filhos de fazendeiros de café, ou egressos de famílias tradicionais. Poucos membros eram industriais. Em maio de 1927, o partido tinha 17 diretórios em São Paulo e 70 no interior, número elevado para 180 em fins de 1927. Em julho de 1927 foi criado o Diário Nacional jornal oficial do partido, com tiragem de 35000 exemplares, em dezembro, e 70000 em agosto de 1928. Aliança Liberal. Na sucessão presidencial de 1929, ocorreu a cisão políticaentre as oligarquias cafeeiras de São Paulo e Minas Gerais. Pelo costume da política café-com-leite o presidente Washington Luís (paulista) deveria indicar um candidato mineiro, entretanto ele indicou o paulista Júlio Prestes, pois precisava garantir os interesses financeiros de HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 09 - A aliança liberal e a Revolução de 30 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 45 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” São Paulo, frente aos impactos gerados pela crise de 1929. (Quebra da Bolsa de Valores de NY) Assim, a oligarquia política de Minas Gerais, rompeu com o Partido Republicano Paulista (PRP) e aliou-se ao Rio Grande do Sul e à Paraíba, formando a Aliança Liberal. Essa Aliança lançou a candidatura de Getúlio Vargas para a presidência com João Pessoa como vice. A campanha de Vargas recebeu o apoio de militares remanescentes do movimento tenentista e angariou a simpatia da população. No sul do Brasil, no nordeste e em Minas Gerais, o apoio popular foi grande e em São Paulo, a Aliança Liberal (AL) recebeu apoio do Partido Democrático Paulista (PD), que propunha um programa liberal por vários integrantes do movimento modernista. Tomada do poder Apesar das manifestações populares em torno da candidatura da Aliança Liberal, o candidato oficial, Júlio Prestes venceu as eleições. Essa vitória foi acompanhada de protestos, revoltas e manifestações em panfletos e jornais contra a corrupção do sistema eleitoral. Dessa forma, os militares oposicionistas começaram a tramar um golpe de Estado. Os líderes da Aliança Liberal não queriam recorrer às armas. Porém, em julho de 1930, o assassinato de João Pessoa mudou os rumos do movimento. A ideia era que as tropas começassem a se movimentar no dia 3 de outubro de 1930, partindo do Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraíba e outros estados aliados. Houve luta em alguns pontos de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Pará, assim mesmo, a viagem ferroviária de Getúlio Vargas para a capital do Brasil conquistou apoio da população. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 09 - A aliança liberal e a Revolução de 30 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 46 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Curitibanos aguardando o desembarque de Getúlio Vargas, na estação ferroviária “Quatro e meia. A hora se aproxima. Examino-me e sinto-me com o espírito tranquilo de quem joga um lance decisivo porque não encontrou outra saída. A minha vida não me interessa e sim a responsabilidade de um ato que decide o destino da coletividade. Mas esta queria a luta, pelo menos nos seus elementos mais sadios, vigorosos e altivos. Não terei depois uma grande decepção? Como se torna revolucionário um governo cuja função é manter a lei e a ordem? E se perdermos? Eu serei depois apontado como o responsável, por despeito, por ambição, quem sabe? Sinto que só o sacrifício da vida poderá resgatar o erro de um fracasso.” – Anotação do Diário de Getúlio Vargas. Os revoltosos esperavam resistência em São Paulo, entretanto isso não ocorreu. A Aliança Liberal saiu vitoriosa, no dia 3 de novembro de 1930, o presidente eleito Júlio Prestes renunciou ao direito de governar e Washington Luís foi deposto. Getúlio Vargas assumiu a presidência do Governo Provisório. Governo Provisório Getúlio Dornelles Vargas, nasceu em São Borja, 19 de abril de 1882 Foi um advogado e político brasileiro, líder civil da Revolução de 1930, que pôs fim à República Velha, depondo seu 13º e último presidente Washington Luís e impedindo a posse do presidente eleito em 1 de março de 1930, Júlio Prestes. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 09 - A aliança liberal e a Revolução de 30 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 47 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” No discurso de posse, Getúlio estabelece 17 metas a serem cumpridas pelo Governo Provisório. Na mesma hora, no centro da cidade do Rio de Janeiro, os soldados gaúchos cumpriam a promessa de amarrar os cavalos no obelisco da Avenida Central, atual Avenida Rio Branco, marcando simbolicamente o triunfo da Revolução de 1930 Capa da Revista do Globo sobre a vitória da Revolução de 1930. Detalhe: gaúchos amarrando os seus cavalos no obelisco da Rio Branco. Às 3 horas da tarde de 3 de novembro de 1930, a Junta Militar Provisória passou o poder, no Palácio do Catete, a Getúlio Vargas, (que vestia farda militar pela última vez na vida), encerrando a chamada “República Velha” ou “República do Café com Leite” BUSCANDO CONHECIMENTO História Revolução 1930 - http://www.infoescola.com/historia-do-brasil/revolucao-de-1930/ Revolução de 30 http://www.culturabrasil.org/revolucaode30.htm Klepsidra – Boris Fausto http://www.klepsidra.net/klepsidra4/borisfausto.html HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE10 - O Estado Getulista: 1930-1945 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 48 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE “Assumo provisoriamente o governo da República, como delegado da Revolução, em nome do Exército, da Marinha e do Povo.” Foi com essas palavras que Getúlio Vargas assumiu a presidência da República em 3 de novembro de 1930, prometendo reorganizar a política nacional e estimular o desenvolvimento econômico-industrial do país e dias depois foram tomadas as primeiras medidas do Governo Provisório. ESTUDANDO E REFLETINDO Governo Provisório: 1930-1934 Principais medidas: Suspensão da Constituição de 1891 que vigorava no país. Dissolução do Congresso Nacional, das Assembleias Legislativas Estaduais e das Câmaras Municipais. Nomeação de interventores para os Estados. Criação dos ministérios do Trabalho, Indústria e Comércio e da Educação e Saúde. Essas medidas davam ao presidente da República plenos poderes, pois concentrava em sua figura o poder Executivo e também o Legislativo. Observando a nova conformação política, percebemos que o Governo Provisório era, literalmente, inconstitucional, pois não havia uma Constituição em vigor, os governadores eleitos democraticamente foram substituídos por interventores diretamente nomeados e subordinados ao presidente e o poder Legislativo foi temporariamente extinto. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE10 - O Estado Getulista: 1930-1945 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 49 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Revolução Constitucionalista de 1932 A oligarquia cafeeira paulista foi afastada do poder na ocasião da Revolução de 1930. O presidente deposto (Washington Luís) era representante dos paulistas e o presidente eleito (Júlio Prestes) idem, ambos pertenciam ao PRP (Partido Republicano Paulista). O interventor nomeado para a administração política do Estado de São Paulo, João Alberto Barros, remanescente do movimento tenentista desagradava aos paulistas, os quais preferiam a nomeação de um individuo que representasse o Estado. A insatisfação dos paulistas resultou na organização de um movimento civil- militar denominado Revolução Constitucionalista de 1932, a qual eclodiu oficialmente no dia 9 de Julho de 1932, após alguns meses de tensão nas manifestações antigetulistas, sendo a principal delas realizada no dia 23 de maio, quando um tiroteio vitimou os jovens estudantes Martins, Miragaia, Dráuzio e Camargo, cujas iniciais MMDC, serviriam de símbolo para o movimento revolucionário. Os paulistas, entre outras coisas, reivindicavam: A substituição do interventor do Estado (reivindicação atendida pelo governo, quando o ex-embaixador e paulista Pedro Toledo foi nomeado para a interventoria paulista). Convocação imediata de uma Assembleia Nacional Constituinte para promover a reconstitucionalização do país (a qual estava prevista para maio de 1933). Afastamento imediato do presidente GetúlioVargas, inconstitucionalmente no poder. O movimento revolucionário estendeu-se até outubro de 1932, quando os remanescentes paulistas assinaram a rendição, pois a superioridade militar governista era visível. A tensão entre o Governo Federal e os paulistas apaziguou-se quando o presidente Vargas nomeou Armando de Sales Oliveira (civil e paulista) para Interventor Federal do Estado em agosto de 1933 e para fortalecer os vínculos de São Paulo com o HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE10 - O Estado Getulista: 1930-1945 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 50 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Governo Federal foi fundada em 25 de janeiro de 1934 a USP (Universidade de São Paulo). As eleições para a convocação da Assembleia Nacional Constituinte foram realizadas em maio de 1933 e verificou-se uma acirrada disputa entre os vários partidos políticos que se enfrentaram, ressaltando a importância das elites dos estados de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul. Depois de alguns meses de trabalho constituinte, a Constituição Republicana foi promulgada em 14 de Junho de 1934. Tinha por base a Constituição de 1891 no que se refere ao republicanismo, presidencialismo e federalismo, porém, trazia uma série de novidades. Constituição de 1934 (principais categorias) Voto direto, secreto e universal para todos os cidadãos brasileiros, inclusive mulheres, maiores de 18 anos e alfabetizados. Mandato presidencial de 4 anos, sem direito a reeleição. Extinção do cargo de vice-presidente da República. Redução do número de senadores por Estado, de 3 para 2. Ensino básico público e de frequência obrigatória. Anistia aos presos políticos. Garantias trabalhistas: limitação da jornada de trabalho em 8 horas diárias ou 44 horas semanais; descanso semanal remunerado, férias anuais remuneradas, indenização para as demissões sem justa causa e um anteprojeto de salário mínimo. Liberdade sindical, a qual defenderia a autonomia dos sindicatos. Nacionalização das reservas minerais do país, incluindo minas, jazidas minerais e quedas d’água, as quais eram estratégicas para a nação. Obrigatoriedade do serviço militar HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE10 - O Estado Getulista: 1930-1945 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 51 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Em 15 de julho de 1934 ocorreram eleições presidenciais indiretas (como previa a Constituição para o primeiro processo eleitoral presidencial). As próximas eleições deveriam ocorrer de forma direta. Governo Constitucional: 1934-1937 Durante seu governo constitucional, o presidente Vargas enfrentou a polarização ideológica entre as correntes políticas da “esquerda” e a “direita”, representadas respectivamente pela ANL (Aliança Nacional Libertadora) sob a liderança do ex- militante tenentista convertido ao marxismo (comunismo) e principal nome da Coluna Prestes-Costa, Luís Carlos Prestes (O Cavaleiro da Esperança, nas palavras do escritor baiano Jorge Amado) e pela AIB (Ação Integralista Brasileira), cujo mentor e líder era o escritor simpatizante do fascismo italiano, Plínio Salgado. Essas duas vertentes políticas, com o passar dos anos, colocaram-se em oposição ao governo, enfrentando-o frontalmente, cada uma ao seu modo. Principais propostas da ANL (Aliança Nacional Libertadora) A Suspensão imediata e definitiva do pagamento da dívida externa brasileira; A Nacionalização das empresas estrangeiras que atuavam no Brasil; A. Reforma Agrária: confisco das terras dos latifundiários e distribuição das mesmas para os trabalhadores rurais; Garantias individuais de liberdade e cidadania e Implantação de um governo de caráter popular. Reproduzindo as palavras de Luis Carlos prestes em um discurso radiofônico transmitido em 5 de julho de 1935, percebemos que o teor das críticas ao governo Vargas tornavam-se ameaçadores. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE10 - O Estado Getulista: 1930-1945 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 52 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” “Abaixo o governo odioso de Vargas! Abaixo o fascismo! Por um governo popular e revolucionário! Todo poder à Aliança Nacional Libertadora!” Com base na Lei de Segurança Nacional, recentemente publicada, foi determinado o fechamento da sede da ANL e alguns de seus membros foram presos. Na clandestinidade, Luís Carlos Prestes, organizou um movimento revolucionário inspirado na Revolução Socialista de Outubro de 1917 na Rússia.Seu objetivo era derrubar o governo Vargas e implantar no Brasil um governo de inspiração comunista, amparado ideologicamente pelo stalinismo da União Soviética. Acreditando ter o apoio dos sindicatos, dos trabalhadores, de parte do Exército e quiçá da Marinha, o movimento eclodiu em 23 de Novembro de 1935 e, rapidamente foi debelado pelas tropas federais. Desde então, a captura de Prestes era ponto de honra para o governo. Fato consumado em 5 de março de 1936. A Intentona Comunista estava definitivamente sepultada, mas o governo Vargas aproveitaria o temor do comunismo propositadamente propagandeado pelo para enrijecer a política nacional. Utilizando-se dos favores de membros do Integralismo, elaborou-se um falso plano comunista denominado “Cohen” que, tido como uma sigilosa comunicação entre Moscou e Brasil, fora interceptada pelo governo. Apresentado pela imprensa para justificar as atitudes de caráter preventivo e autoritário tomadas pelo governo, quais sejam: O Fechamento do Congresso Nacional. - A suspensão da Constituição Vigente. - Nomeação de Interventores Federais para os Estados opositores. Implantava-se dessa forma o Estado Novo, período no qual Getúlio Vargas governou de forma excessivamente autoritária ou ditatorial, perseguindo seus opositores e difundindo uma propaganda nacionalista. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE10 - O Estado Getulista: 1930-1945 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 53 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” BUSCANDO CONHECIMENTO Filme: “Olga” do diretor Jayme Monjardim, inspirado na biografia escrita por Fernando Morais sobre a alemã, judia e comunista Olga Benário Prestes. Livro: “Getúlio Vargas – Diário” Ed. Siciliano/FGV, Rio de Janeiro, 1° Edição, 1995. Site: Politica para Politicos http://www.politicaparapoliticos.com.br/interna.php?t=756076 Constituição de 1934 http://www2.camara.gov.br/legin/fed/consti/1930-1939/constituicao-35093-10- novembro-1937-532849-publicacaooriginal-15246-pe.html HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE11 - O Estado Novo: 1937-1945 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 54 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Estado Novo, a fase da ditadura civil comandada por Getúlio Vargas entre 1937 e 1945. Aqui no Brasil quando se fala em ditadura todo mundo lembra a ditadura militar ocorrida entre 1964 e 1985. Mas, porém, a grande maioria se esquece da ditadura civil da Era Vargas. ESTUDANDO E REFLETINDO Getúlio Vargas era um civil com amplo apoio dos militares. A primeira medida de governo do Estado Novo foi a revogação (anulação) da Constituição de 1934 e a elaboração de uma nova carta constitucional que deu a Vargas poderes excepcionais para combater a suposta ameaça do Plano Cohen, o plano inventado por Vargas que revelava a intenção da realização de uma revolução comunista no Brasil. Constituição de 1937 A constituição de 1937 foi influenciada pelos governos fascistas. A primeira preocupação da nova constituição foi o fortalecimento Poder do Executivo, ou seja, Getúlio Vargas ganhou amplos poderes para tomar suas decisões sem ter que consultar praticamente ninguém. Paralelamente ocorreu a diminuição da autonomia dos estados e dos municípios, queapenas poderiam fazer aquilo que fosse autorizado por Vargas. Os governadores eleitos em seus estados somente poderiam assumir seus cargos após a autorização de Vargas. O Poder Legislativo praticamente deixou de funcionar, pois ele apenas confirmava as decisões tomadas por Getúlio Vargas. Além disso, a Constituição de 1937 extinguiu todos os partidos políticos no Brasil. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE11 - O Estado Novo: 1937-1945 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 55 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Intentona Integralista Ação Integralista Brasileira, foi extinta também, o partido fascista que ajudou a combater os comunistas da Aliança Nacional Libertadora e que apoiou Vargas no novo golpe de Estado de 1937. Os integralistas sentiram-se traídos por Getúlio Vargas, pois na verdade eles esperavam ocupar importantes postos na equipe de governo varguista. Este foi o motivo da Intentona Integralista ocorrida em 1938. Os integralistas tentaram invadir o Palácio da Guanabara para acabar com o governo ditatorial implantado por Vargas em 1937. Em outras palavras. A Intentona Integralista foi a tentativa de um novo golpe de Estado colocado em prática pelos fascistas da AIB. Repressão; Exílios; e Prisões Esta tentativa de golpe foi reprimida pela guarda pessoal de Getúlio Vargas. Todos os participantes foram presos e Plínio Salgado, o líder da AIB, foi enviado para o exílio, ou seja, foi expulso do Brasil. Para manter o domínio sobre a população o governo do Estado Novo utilizou de forma intensiva a repressão e a força. O objetivo era garantir que todas as medidas tomadas por Getúlio Vargas fossem apoiadas, mesmo que de forma obrigatória por todos os brasileiros. Durante o Estado Novo foram efetuadas inúmeras prisões. Posteriormente, os presos eram torturados para entregar informações importantes. Depois eles eram extraditados para que não apresentassem ameaça ao Governo Vargas. Não podemos deixar de citar a criação do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), órgão governamental responsável pelo monitoramento e censurados meios de comunicação, pela produção da propaganda de governo e pela criação do programa a Hora do Brasil, momento em que o presidente falava diretamente com o povo utilizando o meio de comunicação de massa daquela época: o rádio. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE11 - O Estado Novo: 1937-1945 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 56 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Exército; Classe Média e Operária. As Forças Armadas foram fundamentais para que Getúlio Vargas chegasse ao poder. Os militares tiveram participação ativa no golpe de 1930 e na repressão aos comunistas. Portanto, este grupo demonstrou ser de fundamental importância no governo de Vargas. Foi dessa forma que os militares reivindicaram e conquistaram a modernização bélica, ou seja, compraram novas armas e novas máquinas, tais como tanques, navios e aviões de guerra. As forças armadas também assumiram o controle das polícias públicas estaduais. Os militares ainda conquistaram uma grande autonomia para tomar decisões que envolviam a segurança nacional. Isso explica porque os militares participaram diretamente das negociações que envolveram a construçãoda Companhia Siderúrgica de Volta Redonda. Sem siderurgia não tem aço e sem aço não tem matéria-prima para fabricar armas, munições, tanques, aviões e navios. Para as Forças Armadas a instalação da indústria de base no Brasil estava diretamente relacionada com a defesa da soberania e das riquezas nacionais. A classe média foi outro grupo extremamente beneficiado com a Era Vargas. Na República Velha os cargos públicos eram ocupados de acordo com o interesse pessoal dos governantes. Tudo mudou no governo de Getúlio Vargas. A criação do Departamento Administrativodo Serviço Público (DASP) abriu um grande número de possibilidades para a construção de carreiras nas instituições civis públicas. Para trabalhar em instituições tais como Ministério do Trabalho, Polícia Federal, Tribunal de Contas, prefeituras e governos estaduais, era preciso ser aprovado em um concurso público. Esta herança da Era Vargas está em vigor até os dias de hoje. Esta mudança acabou beneficiando a Classe Média, o grupo social que tinha maior acesso à escolaridade naquela época. A classe operária também foi tratada com especial atenção durante a Era Vargas. Havia um profundo medo do governo de que o socialismo se espalhasse entre a classe operária. Foi por isso que Vargas se antecipou às reivindicações a produziu lentamente HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE11 - O Estado Novo: 1937-1945 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 57 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” um conjunto de leis que mais tarde deram origem à Consolidação da Leis Trabalhistas (a CLT, que também vigora até os dias de hoje). Porém, foram criados instrumentos que permitiram ao governo o poder de intervenção e controle dos sindicatos, impedindo que as ideias socialistas se espalhassem no meio operário urbano. Propagandas embutidas nos livros didáticos, desfiles e comícios públicos, programas de rádio em cadeia nacional, entre muitos outros, foram utilizados para demonstrar que Getúlio Vargas era um líder popular, conhecido naquela época como o "Pai dos pobres". Em 1940 o governo se antecipou às demandas do movimento operário e produziu ele mesmo as leis trabalhistas: Salário Mínimo, Jornada de trabalho regulamentada em 8 horas; Regulamentação do trabalho infantil e feminino; Licença- maternidade (que naquela época erade 2 meses); Carteira de Trabalho; Direito a férias anuais remuneradas; Descanso semanal e direito à previdência social. (Criação da previdência social com o Instituto de Aposentadoria e Pensões (IAPS).) Em 1942 toda a legislação produzida pelo governo de Getúlio Vargas desde o ano de1930 foi compilada em um único documento que ficou conhecido como Consolidaçãodas Leis Trabalhistas (CLT). Foi dessa forma que Getúlio Vargas ficou cravado de forma inesquecível nos corações e nas mentes do povo brasileiro. Segunda Guerra Mundial Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial (1939), o governo viu-se obrigado a se posicionar em relação ao conflito. A “entrada” do Brasil na Segunda Guerra Mundial provocou uma contradição ideológica interna, pois ao mesmo tempo em que o Brasil “lutava” contra os governos ditatoriais nazifascistas (Alemanha e Itália) na Europa, mantinha uma ditadura com aspectos semelhantes no Brasil. As pressões políticas e sociais não tardaram a aparecer e o presidente Vargas viu-se obrigado a tomar várias medidas redemocratizadoras, entre as quais destacam- HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE11 - O Estado Novo: 1937-1945 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 58 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” se: a liberdade política pluripartidária, possibilitando a fundação de novos partidos políticos, o fim da censura à imprensa, favorecendo ao aumento das críticas da oposição contra a antidemocracia e o autoritarismo político de Vargas, a anistia aos presos políticos, colocando em liberdade históricos opositores de Vargas, como o comunista Luís Carlos Prestes, o qual inclusive, participaria do “Movimento Queremista” ; a convocação de eleições presidenciais para dezembro de 1945, concluindo a abertura política iniciada com a tomada das primeiras medidas de redemocratização. Paralelamente à tomada dessas medidas, setores governistas atrelados ao recém-fundado PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), o qual estava diretamente infiltrado no sindicalismo governista, iniciou uma campanha nacional denominada “Movimento Queremista”, cujo lema era “Queremos Getúlio, com a Constituinte!” Pois sua proposta era a manutenção de Vargas na presidência da República pelo menos até a promulgaçãode uma nova Constituição, pois só dessa maneira, diziam eles, os direitos trabalhistas e sociais estariam assegurados. Temendo o sucesso do “Movimento Queremista”, os mesmos setores do Exército, que outrora sustentaram a ditadura pessoal de Vargas, adiantaram-se e depôs o presidente na noite do dia 29 de outubro de 1945, entregando o poder interinamente ao presidente do Supremo Tribunal Federal José Linhares, o qual governaria o país até a realização das eleições presidenciais em dezembro. BUSCANDO CONHECIMENTO Site – Só História - Era Vargas http://www.sohistoria.com.br/ef2/eravargas/ Site – Mundo Educação – Estado Novo http://www.mundoeducacao.com/historiadobrasil/era-vargas-estado-novo.htm HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE12 - O Período Democrático: 1945 – 1964 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 59 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Esse período foi marcado pela liberdade política, individual e de imprensa e pela repartidarização do país, no qual, os principais partidos que administrariam a nação pelos próximos 20 anos: PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), PSD (Partido Social Democrata) e UDN (União Democrática Nacional) foram organizados. ESTUDANDO E REFLETINDO Getúlio foi substituído por José Linhares, presidente do Supremo Tribunal Federal e o substituto direto, pois pela Constituição de 1937 não existia a figura do vice- presidente. José Linhares tornou-se, então, presidente interino, ficando três meses no cargo, até passar o poder ao presidente eleito Eurico Gaspar Dutra. Dutra foi eleito em 2 de dezembro de 1945, e tomou posse na presidência da república em 31 de janeiro de 1946. Getúlio foi afastado do poder sem sofrer nenhuma punição, nem mesmo o exílio, como o que ele próprio impusera ao presidente Washington Luís ao depô-lo. Getúlio não teve os seus direitos políticos cassados e não respondeu a qualquer processo judicial. Getúlio Vargas retirou-se para sua estância em São Borja, a Estância Santos Reis, no Rio Grande do Sul. Getúlio apoiou a candidatura do general Eurico Gaspar Dutra, o ex-ministro da Guerra (hoje Comando do Exército) durante todo o Estado Novo, à presidência da República. O apoio a Dutra era uma das condições negociadas para que Getúlio não fosse exilado. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE12 - O Período Democrático: 1945 – 1964 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 60 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Eurico Gaspar Dutra (1945-1950) Nas eleições democráticas de dezembro de 1945, saiu-se vitorioso o candidato da coligação partidária PSD-PTB, general Eurico Gaspar Dutra, ex-ministro da Guerra de Vargas e um dos responsáveis pela sua deposição. Logo no inicio de seu governo foi convocada a Assembleia Nacional Constituinte, cujo objetivo era discutir e promulgar uma Constituição democrática para a nação. A constituição de 1945 Após meses de trabalhos, em 18 de setembro de 1945, a Constituição foi promulgada, apresentando as seguintes características: República Federativa Presidencialista; Mandato presidencial de 5 anos, sem direito à reeleição; Restauração do cargo de vice-presidente nas próximas eleições; Restauração do número de 3 senadores por Estado; Voto direto, secreto e universal para todos os cidadãos brasileiros maiores de 18 anos e alfabetizados.; Preservação da legislação trabalhista; Controle sindical, porém reconhecia o direito de greve às categorias não ligadas aos setores especiais, tais como, geração e distribuição de energia, distribuição de água e tratamento de esgoto e serviços de saúde. Em decorrência da Guerra Fria (conflito político-ideológico entre o capitalismo dos Estados Unidos e o comunismo da União Soviética), o Brasil aliou-se inteiramente à ideologia capitalista liberal dos EUA e tomou algumas medidas políticas anticomunistas: Rompimento das relações diplomáticas com a União Soviética; Cassação dos mandatos dos congressistas eleitos pelo PCB (Partido Comunista Brasileiro) e ilegalidade desse partido. O clima de tensão da Guerra Fria e o suposto perigo do comunismo amedrontavam a sociedade brasileira, mas a aproximação ideológica do Brasil com os HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE12 - O Período Democrático: 1945 – 1964 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 61 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Estados Unidos trouxe consequências econômicas desvantajosas para o país, sabendo que aproximadamente 80% das reservas cambiais foram gastas sem que houvesse avanços significativos nos setores de infraestrutura, tais como, transporte, geração e distribuição de energia. Getulio Vargas: 1951-1954 Nas eleições presidenciais de 1950, Getúlio Vargas derrotou o candidato da UDN (União Democrática Nacional), o brigadeiro Eduardo Gomes (sobrevivente do levante tenentista de 5 de julho de 1922: “os 18 do Forte”) e propagandeou a retomada do modelo político-econômico nacionalista e intervencionista estatal. Durante seu segundo mandato, enfrentou uma ferrenha oposição dos membros da UDN no Congresso Nacional, em especial do jornalista Carlos Lacerda, principal crítico e opositor político e pessoal de Vargas. Dentre as principais medidas nacionalistas do governo estão: a criação da Petrobrás, da Eletrobrás, do BNDE (Banco Nacional de Desenvolvimento) e do encaminhamento para o Congresso Nacional de uma proposta de lei para a Limitação das Remessas de Lucros das empresas estrangeiras para seus países de origem, atitude que provocou a reação dos representantes dos interesses da burguesia internacional. O modelo nacionalista também era criticado pelos liberais, burguesia nacional, comunistas etc. Vargas e familiares eram acusados (principalmente seu irmão Benjamim e seu filho Lutero) de corrupção e de favorecimento político e financeiro a amigos. Em agosto de 1954, um atentado contra “o corvo”, isto é, Carlos Lacerda, incriminou membros da guarda pessoal do presidente da República, entre os quais encontrava-se o seu guarda-costas Gregório Fortunato, o qual assumiu ser o mandante do crime, porém, descartou qualquer possibilidade de vinculo entre o atentado e o presidente. Tal atentado feriu o jornalista, mas vitimou fatalmente o major da Aeronáutica Rubens Vaz, o qual prestava a Carlos Lacerda o serviço de guarda-costas. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE12 - O Período Democrático: 1945 – 1964 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 62 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Diante desse crime, a Aeronáutica iniciou na Base Aérea do Galeão, um processo de investigação paralela ao da polícia carioca e exigia, ao menos até a conclusão do inquérito, o afastamento do presidente Vargas. Diante das pressões da oposição e vendo-se abandonado pelas Forças Armadas, inclusive pelo Exército, Getúlio Vargas suicidou-se com um tiro no coração em 24 de agosto de 1954, deixando aos brasileiros uma “Carta Testamento”, na qual ele aponta suas razões para “sair da vida e entrar na história”. Carta Testamento "Deixo à sanha dos meus inimigos o legado da minha morte. Levo o pesar de não haver podido fazer, por este bom e generoso povo brasileiro e principalmente pelos mais necessitados, todo o bem que pretendia. A mentira, a calúnia, as mais torpes invencionices foram geradas pela malignidade de rancorosos e gratuitos inimigos numa publicidade dirigida, sistemática e escandalosa... Eu vos dei a minha vida. Agora vos ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na História”. (Rio de Janeiro, 23/08/54 - Getúlio Vargas). No dia seguinte ao suicídio, milhares de pessoas saíram às ruas para prestar o "último adeus" ao "pai dos pobres", chocadas com o que ouviram no noticiário radiofônicomais popular da época, o Repórter Esso. Enquanto isso, retratos de Getúlio eram distribuídos para o povo durante o dia. Carlos Lacerda teve que fugir do país, com medo de uma perseguição popular. Com o falecimento de Vargas, o vice-presidente João Café Filho assumiu a presidência da República, pois diante da comoção nacional em virtude do suicídio de Vargas os militares que tramavam a tomada do poder, recuaram. Em 2 de novembro de 1955, Café Filho apresentou uma solicitação de afastamento alegando precisar tratar da saúde. Porém, tal atitude foi premeditada e HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE12 - O Período Democrático: 1945 – 1964 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 63 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” arquitetada pela UDN, a qual estava interessada em anular as eleições de 1955, pois nessa eleição o candidato udenista Juarez Távora (membro do movimento tenentista da década de 1920 e interventor federal nomeado por Vargas na década de 1930) amargou uma derrota nas urnas. Entretanto o candidato vitorioso Juscelino Kubitschek de Oliveira, segundo a oposição, teve uma votação inexpressiva, pois venceu com apenas 38% dos votos válidos, os quais legalmente lhe asseguravam a maioria simples como previa a Constituição. (ou no mínimo omitia a questão da maioria absoluta, isto é, 50% mais 1 voto válido). Café Filho foi substituído pelo presidente do Congresso Nacional, o deputado Carlos Luz que, na presidência da República foi apoiado pela UDN de Carlos Lacerda e anunciou a anulação da eleição de outubro de 1955. Seu breve governo (2 a 11 de novembro de 1955) foi interrompido por um golpe militar preventivo organizado e comandado pelo general Henrique Teixeira Lott, o qual pretendia assegurar a manutenção da democracia republicana. Com a deposição de Carlos Luz, quem assumiu a presidência do país foi o presidente do senado Nereu Ramos, o qual governou até o dia 31 de janeiro de 1955, ocasião da solenidade de posse do presidente Juscelino Kubitschek. A “Novembrada”, denominação dada a esse movimento militar, evitou a inconstitucionalidade da atitude dos políticos da oposição (UDN) derrotada pela aliança entre PTB-PSD nas três últimas eleições do período. O Exército garantiu a constitucionalidade dos resultados eleitorais, entretanto, durante a década de 1960, um movimento civil-militar, iniciado nos anos de governo do presidente João Goulart, tomaria o poder de forma inconstitucional e, com o passar dos anos, ditatorial. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE12 - O Período Democrático: 1945 – 1964 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 64 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” BUSCANDO CONHECIMENTO Carta-testamento - Fundação Getulio Vargas http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/AEraVargas2/artigos/AlemDaVida/CartaTestamento Livro: Agonia e morte do presidente Getúlio Vargas - Antônio Sérgio Ribeiro Site: Era Vargas – Estado Novo. Disponível em: http://www.brasilescola.com/historiab/vargas 65 CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Juscelino Kubitschek empolgou o país com seu slogan "Cinquenta anos em cinco", conseguiu encetar um processo de rápida industrialização, tendo como carro-chefe a indústria automobilística. Houve, no seu governo, um forte crescimento econômico, porém, houve também um significativo aumento da dívida pública interna e da dívida externa e da inflação nos governos seguintes. ESTUDANDO E REFLETINDO Os anos de governo do presidente Juscelino Kubitschek, eleito presidente do Brasil nas eleições de 1955, foram denominados “Anos Dourados”, devido ao modelo político-econômico Nacional-desenvolvimentista, isto é, um misto de investimentos público-privados, no qual o governo assumia o compromisso de investir nos setores estratégicos da economia (energia, transporte, alimentação, educação e industrialização de base), enquanto os investimentos estrangeiros seriam destinados principalmente para a implantação de indústrias de bens de consumo, principalmente as automobilísticas. Plano de Metas No começo de seu governo, JK apresentou ao povo brasileiro o seu Plano de Metas, cujo lema era “cinqüenta anos em cinco”. Pretendia desenvolver o país cinqüenta anos em apenas cinco de governo. O plano consistia no investimento em áreas prioritárias para o desenvolvimento econômico, principalmente, infra- estrutura (rodovias, hidrelétricas, aeroportos) e indústria. Desenvolvimento industrial 66 Foi na área do desenvolvimento industrial que JK teve maior êxito. Abrindo a economia para o capital internacional, atraiu o investimento de grandes empresas. Foi no governo JK que entraram no país grandes montadoras de automóveis como, por exemplo, Ford, Volkswagen, Willys e GM (General Motors). Estas indústrias instalaram seu filial nas região sudeste do Brasil, principalmente, nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e ABC (Santo André, São Caetano e São Bernardo). As oportunidades de empregos aumentaram muito nesta região, atraindo trabalhadores de todo Brasil. Este fato fez aumentar o êxodo rural (saída do homem do campo para as cidades) e a migração de nordestinos e nortistas de suas regiões para as grandes cidades do Sudeste. Construção de Brasília A construção de Brasília – a nova Capital Federal – foi a principal realização desse governo. A Novacap, foi a empresa estatal responsável pela administração das obras, as quais só foram possíveis graças aos convênios entre as principais empreiteiras do país. A proposta de planejamento e estudo para a mudança da capital já estava prevista nas Constituições de 1891, 1934, 1937 e 1946, entretanto Juscelino Kubitschek, ainda em campanha presidencial, assumiu um compromisso público com esse artigo constitucional, pois afirmava que a integração nacional era necessária e Brasília, construída na região Centro-Oeste, dentro do Estado de Goiás, distando algumas dezenas de quilômetros da divisa do Estado de Minas Gerais, seria o epicentro de tal integração. As obras foram parcialmente concluídas durante seu governo e Brasília inaugurada em 21 de abril de 1960. Toda a estrutura dos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, foram gradativamente transferida para a nova capital. 67 As acusações oposicionistas de desvio de verbas, favorecimento às empreiteiras, gastos públicos indevidos, internacionalização da economia, endividamento externo etc., enfraqueceram o governo e Juscelino Kubitschek não conseguiu eleger seu sucessor, o candidato Henrique Teixeira Lott (general e ex- ministro da Guerra). Anos Dourados A era JK estava em todo canto, nos chamados "Anos Dourados". Ao longo da década de 1950, a economia brasileira foi industrializada rapidamente, passando de rural a urbana. Nessa época foram se popularizando os eletrodomésticos, que prometiam facilitar a vida do lar. Eram de todos os tipos, desde enceradeiras até aspiradores de pó, carros, televisores, o rádio e os toca-discos portáteis e o disco de vinil. Foram criados os objetos de plástico e fibra sintética, além de casas com mobílias com menos adornos. Enquanto tudo isso se consolidava, os meios de comunicações e de diversões se ampliavam. Eram emissoras de rádios que através das ondas curtas chegavam a grande parte do interior do Brasil, revistas como Seleções e O Cruzeiro, jornais, radionovelas, o teatro de revista, teatros, programas radiofônicos de musicais e os humorísticos, o radiojornal Repórter Esso e as comédias e as chanchadas da Atlântida Cinematográfica do Rio de Janeiro. O cinema brasileiro teve sua fase dourada, nos anos 1950, com a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, de São Paulo, e a premiação do filme O Cangaceiro, no exterior, em 1953. Em 1958, a música popular brasileira é sucesso no exterior, especialmente a Bossa Nova, criada naquela época.O salário-mínimo, em 1959, em termos reais, descontado a inflação, ou seja, em valores reais, é considerado o mais alto da história do Brasil. 68 Em janeiro de 1960, pouco antes de deixar a presidência, JK deixou uma mensagem de agradecimento ao professor José Antero de Carvalho, na qual resume sua visão sobre seu governo e seu futuro político. “Sinto-me satisfeito em poder proclamar que, na presidência da república, não faltei a um só dos compromissos que assumi como candidato. Mercê de Deus, em muitos setores realizei além do que prometi, fazendo o Brasil avançar, pelo menos, cinquenta anos de progresso em cinco anos de governo... Sejam quais forem os rumos de minha vida pública, levarei comigo, ao deixar o honroso posto que me confiou a vontade popular, o firme propósito de continuar servindo ao Brasil com a mesma fé, o mesmo entusiasmo e a mesma confiança nos seus altos destinos!” - Juscelino Kubitschek Janio Quadros Nas eleições de 1960, a UDN (União Democrática Nacional) coligou-se com o PDC (Partido Democrata Cristão) e o candidato Jânio Quadros (ex-prefeito e ex- governador do Estado de São Paulo) elegeu-se presidente, prometendo “varrer a corrupção” do país”, utilizando como símbolo de sua campanha, a imagem de uma vassoura, somando-se a ela, um discurso claramente populista e demagógico. Jânio Quadros não promoveu à prometida “limpeza política” e, transitando politicamente entre a direita udenista e a esquerda socialista, enfrentou a oposição dos primeiros e a impaciência dos segundos. Vendo-se abandonado pelo Congresso Nacional, principalmente pela UDN que o havia apoiado nas eleições, optou pela renúncia presidencial em 25 de agosto de 1961, menos de sete meses depois de ter assumido a presidência da República. 69 João Goulart Conhecido também pelo apelido de “Jango”, João Belchior Marques Goulart foi presidente do Brasil entre os anos de 1961 e 1964 (foi deposto com o Golpe Militar de 1964). Antes disso, tinha sido vice-presidente de JK (Juscelino Kubitschek) entre os anos de 1956 e 1961. Em 1961, após a renúncia de Jânio Quadros, foi empossado presidente da República. Governou até 31 de março de 1964, quando foi deposto pelo Golpe Militar. A renúncia de Jânio Quadros promoveu uma crise política nacional, pois a oposição (UDN) e parcela dos militares conservadores não queriam aceitar a posse do vice-presidente João Goulart, o qual se encontrava na ocasião, em viagem à União Soviética e à China, ambos, sabidamente, comunistas revolucionários. Entre os dias 25 de agosto e 7 sete de setembro de 1960 a presidência da República foi ocupada pelo presidente da Câmara Federal, o deputado Ranieri Mazzilli. O parlamentarismo vigorou no Brasil entre setembro de 1961 e janeiro de 1963, quando foi realizado um referendo (alguns autores chamam de plebiscito) restabelecendo o presidencialismo. O presidente João Goulart iniciou um programa de reformas denominado “Reformas de Base”, as quais abrangeriam algumas áreas estratégicas para a economia, entre as quais se destacam: Tributária ; Administrativa; Urbana; Universitária; Agrária. Sendo que essa última desagradava aos interesses da tradicional elite política ruralista. Os militares e a oposição começaram a articular o Golpe Civil-Militar de 31 de março de 1964, resultando na deposição do presidente da República e na formação de uma Junta Militar Provisória para governar o país até que a normalidade política fosse restabelecida. BUSCANDO CONHECIMENTO 70 50 anos em 5: Plano de Metas http://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/JK/artigos/Economia/PlanodeMetas Jk - Minissérie da TV Globo http://www.livrariasaraiva.com.br/produto/1435626/jk-miniserie-da-tv-globo Livro: O Fenômeno Jânio Quadros – Viariatoo de Castro. SP: 2ª edição, 1959. Site: João Goulart http://www.suapesquisa.com/biografias/joao_goulart.html HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 14 - O Regime Militar: 1964 – 1969 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 71 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE No dia 9 de abril de 1964 foi publicado o primeiro Ato Institucional (AI-1) mecanismo político utilizado pelos militares para mascarar o autoritarismo político, pois possibilitava a manutenção da Constituição vigente, porém estava acima das premissas constitucionais. Ditadura - É um regime de governo onde todos os poderes do Estado estão concentrados em um indivíduo, um grupo ou um partido. No caso do Brasil o grupo dirigente responsável pela tomada de todas as decisões era composto pelos membros das Forças Armadas (Exército,Marinha e Aeronáutica). ESTUDANDO E REFLETINDO Podemos definir a Ditadura Militar como sendo o período da política brasileira em que os militares governaram o Brasil. Esta época vai de 1964 a 1985. Caracterizou-se pela falta de democracia, supressão de direitos constitucionais, censura, perseguição política e repressão aos que eram contra o regime militar. O golpe militar de 1964 A crise política se arrastava desde a renúncia de Jânio Quadros em 1961. O vice de Jânio era João Goulart, que assumiu a presidência num clima político adverso. O governo de João Goulart (1961-1964) foi marcado pela abertura às organizações sociais. Estudantes, organização populares e trabalhadores ganharam espaço, causando a preocupação das classes conservadoras como, por exemplo, os empresários, banqueiros, Igreja Católica, militares e classe média. Todos temiam uma guinada do HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 14 - O Regime Militar: 1964 – 1969 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 72 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Brasil para o lado socialista. Vale lembrar, que neste período, o mundo vivia o auge da Guerra Fria. Os partidos de oposição acusavam Jango de estar planejando um golpe de esquerda e de ser o responsável pela carestia e pelo desabastecimento que o Brasil enfrentava. No dia 13 de março de 1964, João Goulart realiza um grande comício na Central do Brasil (Rio de Janeiro), onde defende as Reformas de Base. Neste plano, Jango prometia mudanças radicais na estrutura agrária, econômica e educacional do país. Seis dias depois, em 19 de março, os conservadores organizam uma manifestação contra as intenções de João Goulart. Foi a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que reuniu milhares de pessoas pelas ruas do centro da cidade de São Paulo. O clima de crise política e as tensões sociais aumentavam a cada dia. No dia 31 de março de 1964, tropas de Minas Gerais e São Paulo saem às ruas. Para evitar uma guerra civil, Jango deixa o país refugiando-se no Uruguai. Os militares tomam o poder. Em 9 de abril, é decretado o Ato Institucional Número 1. Ato Institucional nº. 1 ( 09 de Abril de 1964) Redigido por Francisco dos Santos Nascimento , foi editado em 9 de abril de 1964 pela junta militar. Passou a ser designado como Ato Institucional Número Um, ou AI-1 somente após a divulgação do AI-2. Com 11 artigos, o AI-1 dava ao governo militar o poder de alterar a constituição, cassar mandatos legislativos, suspender direitos políticos por dez anos e demitir, colocar em disponibilidade ou aposentar compulsoriamente qualquer pessoa que tivesse atentado contra a segurança do país, o regime democrático e a probidade da administração pública. Suspensão da Constituição vigente e das garantias constitucionais por seis meses. Eleições indiretas para presidente da República. Cassação de mandatos e suspensão dos direitos políticos dos opositores. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 14 - O Regime Militar: 1964 – 1969 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 73 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” No dia 10 de abril foi divulgada a primeira lista dos cassados.102 nomes foram incluídos,sendo 41 deputados federais. João Goulart – Ex-presidente da República e Presidente Nacional do PTB Jânio Quadros – Ex-presidente da República Luís Carlos Prestes – Secretário-Geral do proscrito Partido Comunista Brasileiro (PCB) Miguel Arraes – Governador deposto de Pernambuco pelo PSB Leonel Brizola – Deputado Federal, Ex-Governador do Rio Grande do Sul pelo PTB e Líder da Frente de Mobilização Popular Rubens Paiva – Engenheiro e Deputado Federal por SP (PTB) Plínio de Arruda Sampaio – Deputado Federal PDC e relator do Projeto de Reforma Agrária Ney Ortiz Borges - Deputado Federal e Vice-líder da bancada do PTB na Câmara dos Deputados em 1963 Celso Furtado – Economista e criador do Plano Trienal Abelardo Jurema – Ministro deposto da Justiça Almino Afonso – Ex-ministro do Trabalho Paulo de Tarso – Ex-ministro da Educação Darcy Ribeiro – Reitor deposto da Universidade de Brasília Raul Ryff – Assessor de imprensa de Goulart Samuel Wainer – Jornalista e dono do Jornal Última Hora Osvino Ferreira Alves – Marechal e Presidente deposto da Petrobrás Argemiro de Assis Brasil – General-de-Brigada Luís Tavares da Cunha Melo – Chefe do Gabinete Militar de Goulart Nelson Werneck Sodré - Intelectual, ligado ao setor nacionalista do Clube Militar Marechal Humberto de Alencar Castello Branco: 1964-1967 Eleito indiretamente pelo Congresso Nacional, acenava com a possibilidade de redemocratização política, entretanto tomava medidas de endurecimento e anulação da oposição. Durante seu governo foram publicados os Atos Institucionais nº 2 e nº 3. A posse de Castello Branco ocorreu em 15 de abril de 1964 e ele governou o Brasil até março de 1967 Durante o governo de Castelo Branco iniciou-se o fechamento político e a anulação da oposição. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 14 - O Regime Militar: 1964 – 1969 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 74 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Ato Institucional n. 2 ( 27 de Outubro de 1965) Suspensão da Constituição e das garantias constitucionais por tempo indeterminado. Intervenção do Poder Executivo no Judiciário, cabendo a um tribunal especial (militar) o julgamento das ações dos representantes do Governo Militar. Extinção dos partidos políticos vigentes (pluripartidarismo) e adoção do bipartidarismo Foram fundados dois novos partidos políticos: Arena (Aliança Renovadora Nacional): representada pelos políticos apoiadores do Regime Militar MDB (Movimento Democrático Brasileiro): representado pelos políticos que fariam uma suposta oposição ao governo. Ato Institucional n. 3 (05 de Fevereiro de 1966) Eleições indiretas para governadores de Estados e para os cargos de prefeitos das capitais e cidades de segurança nacional. General Artur da Costa e Silva: 1967-1969 As principais medidas de fechamento político e implantação de uma ditadura de fato no país ocorreram durante o breve governo do presidente Costa e Silva (interrompido pelo afastamento médico e posterior falecimento), quando o choque entre os cidadãos insatisfeitos (políticos, intelectuais, estudantes, operários, sindicalistas...) e o governo tornaram-se explícitos. Greves operárias e passeatas estudantis marcaram o ano de 1968, o qual nas palavras do escritor Zuenir Ventura foi “o ano que não terminou”, pois o presidente apresentaria à nação o Ato Institucional n. 5. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 14 - O Regime Militar: 1964 – 1969 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 75 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Ato Institucional n. 5 (13 de Dezembro de 1968) Recesso do Congresso Nacional, das Assembleias Estaduais e das Câmaras Municipais por tempo indeterminado. Sobreposição do Poder Executivo aos demais poderes (Legislativo e Judiciário), dando ao presidente o direito de utilizar os decretos-lei. Suspensão dos direitos políticos de qualquer cidadão brasileiro pelo período de 10 anos. Cassação de mandatos de deputados federais, estaduais e vereadores oposicionistas. Proibição das manifestações populares de caráter político. Suspensão do Habeas Corpus (em casos de crimes políticos ou contra a segurança nacional). Censura prévia à imprensa (jornais, revistas, músicas, programas televisivos, peças de teatro...) Demissões sumárias ou aposentadorias compulsórias para servidores públicos. Com o afastamento e posterior falecimento do presidente Costa e Silva em 17 de dezembro de 1969, formou-se uma Junta Militar (general Lyra Tavares, almirante Augusto Redemaker e brigadeiro Márcio de Souza e Melo) que governou o Brasil até a realização de novas eleições presidenciais (indiretas), as quais garantiram a vitória do presidente general Emilio Garrastazu Médici. BUSCANDO CONHECIMENTO Documentos da Comissão da Verdade http://www.documentosrevelados.com.br/ Acervo da Luta Contra a Ditadura http://www.acervoditadura.rs.gov.br/principal.htm Memorial da Resistência http://www.pinacoteca.org.br/pinacoteca-pt/ HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 14 - O Regime Militar: 1964 – 1969 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 76 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Minissérie Anos Rebeldes http://memoriaglobo.globo.com/programas/entretenimento/minisseries/anos- rebeldes.htm Musicas musicas/10-musicas-de-protesto-a-ditadura-militar/ Filmes:Pra Frente Brasil; O Que é Isso Companheiro?; Batismo de Sangue ;Hércules 56, entre outros. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 15 - Anos de Chumbo e o Início da abertura Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 77 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Em 1969, a Junta Militar escolhe o novo presidente: o general Emílio Garrastazu Medici. Seu governo é considerado o mais duro e repressivo do período, conhecido como "anos de chumbo". A repressão à luta armada cresce e uma severa política de censura é colocada em execução. Jornais, revistas, livros, peças de teatro, filmes, músicas e outras formas de expressão artística são censuradas. Muitos professores, políticos, músicos, artistas e escritores são investigados, presos, torturados ou exilados do país. O DOI-Codi (Destacamento de Operações e Informações e ao Centro de Operações de Defesa Interna ) atua como centro de investigação e repressão do governo militar. ESTUDANDO E REFLETINDO General Emilio Garrastazu Médici – 1969 a 1974 Considerado um dos presidentes militares mais severos com a oposição, Médici, logo no primeiro dia de mandato, apresentou uma emenda à Constituição de 1967 – a qual , quando publicada, procurava assegurar o endurecimento e a antidemocracia do regime, porém mantendo algumas garantias individuais (lembrando que a mesma, foi promulgada antes da publicação do AI-5, o qual se sobrepunha aos artigos constitucionais). Emenda Constitucional de 1969 Mandato presidencial de 5 anos. Constitucionalização de todos os Atos Institucionais publicados anteriormente. Eleições indiretas para governador de Estado em 1970. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 15 - Anos de Chumbo e o Início da abertura Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 78 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Pena de morte para os crimes políticos de guerra revolucionária ou subversão da ordem. Garantia ao Poder Executivo da utilização do Decreto-lei. Restrição à inviolabilidade parlamentar. Impedimento do Poder Judiciário em julgar os conteúdos dos Atos institucionais. Durante o governo do presidente Médici, o Brasil viveu um momento de euforia econômica, denominado “Milagre Econômico” ou “Milagre Brasileiro”, pois as taxas de crescimento do país, entre os anos 1969-1973, mantiveram-se entre 11 e 14%. O crédito foi expandido e o estímuloao consumo propagandeado. Enquanto a classe média era beneficiava pela política econômica do Ministro da Fazenda Delfim Neto, as camadas populares sofriam com o arrocho salarial e os alarmantes índices de pobreza e marginalização social. O governo desmantelou as organizações políticas de oposição responsáveis pela luta armada contra os militares, entre as quais se destacam: ALN (Aliança Libertadora Nacional) VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de outubro) VAR-Palmares (Vanguarda Armada Revolucionária – Palmares) COLINA (Comando de Libertação Nacional) PCdoB (Partido Comunista do Brasil) As pessoas que participaram dessas organizações citadas optaram pela luta armada, pois desacreditavam que politicamente se processaria uma abertura democrática. Eram de inspiração comunista ou socialista, porém, dividiam-se ideologicamente entre stalinistas, trotskistas, maoistas, enfim, propondo caminhos diferentes para um mesmo final: derrotar o regime militar. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 15 - Anos de Chumbo e o Início da abertura Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 79 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Foto da ficha de Dilma Rousseff no Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) de São Paulo, registrada em janeiro de 1970. A maioria dos membros dessas organizações foi, literalmente, tirada de combate pelos militares (prisões, exílio, banimento, assassinatos e desaparecimentos), além da utilização de meios violentos para enfraquecer os guerrilheiros (urbanos ou rurais), tais como a tortura física ou psicológica. “Escancarada, a ditadura firmou-se. A tortura foi o seu instrumento extremo de coerção e extermínio, o último recurso da repressão política que o Ato Institucional 5 libertou das amarras da legalidade. A ditadura envergonhada foi substituída por um regime a um só tempo anárquico nos quartéis e violento nas prisões. Foram os Anos de Chumbo. O Milagre Brasileiro e os Anos de Chumbo foram simultâneos. Ambos reais, coexistiram negando-se. Quem acha que houve um, não acredita (ou não gosta de admitir) que houve o outro. É falsa a suposição segundo a qual a tortura é praticada em defesa da sociedade. Ela é instrumento do Estado, não da lei. (...) Oficiais-generais, ministros e presidentes recorrem à tortura como medida de defesa do Estado enquanto podem se confundir com ele. Valem-se dela, em determinados momentos, contra determinadas ameaças, para atingir objetivos específicos”. - (GASPARI, Elio. A ditadura escancarada. São Paulo: Cia. Das Letras, 2002) Ernesto Geisel: 1974-1979 Quando Geisel venceu as eleições no Colégio Eleitoral em 1974, comprometeu- se com a abertura lenta, gradual e segura, pois os militares “Linha Dura”, adeptos do fechamento político foram “derrotados”. Embora a promessa de redemocratização existisse, já havia 17 Atos Institucionais, muito pouco foi feito nesse sentido nos primeiros anos de governo. Aliás, enquanto HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 15 - Anos de Chumbo e o Início da abertura Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 80 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” prometia a distensão (abertura), tomava medidas extremamente autoritárias e antidemocráticas, tais como: Lei Falcão (1976): restrições às propagandas eleitorais no rádio, jornais e televisão, proibindo o debate e a defesa de um programa de governo. O candidato só poderia dizer seu nome, partido, número e um breve currículo. Pacote de Abril (1977): Eleição indireta de 1/3 dos senadores, o qual passou a ser chamado de “senador biônico”, pois era escolhido de acordo com a indicação do presidente. A principal medida de abertura política tomada durante o governo Geisel foi: Extinção do Ato Institucional n. 5 (1979): tornava nulas todas as determinações desse ato que havia completado dez anos. João Batista Figueiredo: 1979-1985 O presidente João Figueiredo concluiu a abertura política iniciada no governo Geisel. Logo em 1979 duas medidas tomadas pelo governo sinalizavam o fim do Regime Militar, embora uma parcela significativa das Forças Armadas, ainda não havia se convencido disso. Fim da censura à imprensa (1979): possibilitando uma maior liberdade de imprensa após anos de controle sobre os veículos de comunicação. Lei da Anistia (1979): concedia liberdade aos presos políticos e possibilitava o retorno daqueles que estavam exilados ou banidos. Também isentava os torturadores de possíveis processos judiciais. Lei da Elegibilidade (1979): restituía os direitos políticos aos cidadãos que foram cassados. Reforma Política (1980): extinção da ARENA e do MDB e permissão para a repartidarização (pluripartidarismo). HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 15 - Anos de Chumbo e o Início da abertura Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 81 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Embora tais medidas demonstrassem um abrandamento da Ditadura Militar, a democracia não foi de todo efetivada, pois a proposta de Emenda Constitucional encaminhada ao Congresso Nacional, propondo eleições diretas para presidente em 1985, não foi aprovada. Para assegurar uma transição civil-militar sem grandes transtornos e evitar o avanço da oposição, em 1985 as eleições indiretas foram realizadas e, nessa disputa, saíram vitoriosos os candidatos da coligação PMDB-PFL (Tancredo Neves: presidente e José Sarney: vice-presidente). BUSCANDO CONHECIMENTO Marighella - Retrato Falado do Guerrilheiro, um documentário de Silvio Tendler www.youtube.com/watch?v=j7RoEmvOSkU Governo Geisel (1974-1979): "Distensão", oposições e crise econômica. http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia-brasil/governo-geisel-1974-1979- distensao-oposicoes-e-crise-economica.htm Site: General Medici http://www.brasilescola.com/historiab/general-medici.htm Enciclopédia Nosso Século, v.5 1960 – 1980, "Sob as ordens de Brasília", Abril Cultural. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 16 - Nova República: 1985-1990 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 82 CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Os militares já estavam se mobilizando para uma distensão lenta, gradual e segura, visando à volta da democracia plena. Os estrategistas sabiam que não havia saída, seu poder estava sob forte pressão nacional e principalmente internacional. Nos últimos anos do governo militar, o Brasil apresenta vários problemas. A inflação é alta e a recessão também. Enquanto isso a oposição ganha terreno com o surgimento de novos partidos e com o fortalecimento dos sindicatos. Em 1984, políticos de oposição, artistas, jogadores de futebol e milhões de brasileiros participam do movimento das Diretas Já. O movimento era favorável à aprovação da Emenda Dante de Oliveira que garantiria eleições diretas para presidente naquele ano. Para a decepção do povo, a emenda não foi aprovada pela Câmara dos Deputados. ESTUDANDO E REFLETINDO No dia 15 de janeiro de 1985, o Colégio Eleitoral escolheria o deputado Tancredo Neves, que concorreu com Paulo Maluf, como novo presidente da República. Ele fazia parte da Aliança Democrática – o grupo de oposição formado pelo PMDB e pela Frente Liberal. Era o fim do regime militar. Porém Tancredo Neves Tancredo Neves, adoecido gravemente, faleceu em 21 de abril de 1985, sem tomar posse e, oficialmente o vice José Sarney, que já governava de forma excepcional, tomou posse como presidente da República. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 16 - Nova República: 1985-1990 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 83 Tancredo Neves No livro Carlos Castelo Branco - O jornalista do Brasil, o jornalista Pedro Jorge de Castro narra o episódio da caneta Parker-21, dizendo que encerrada a reunião ministerial, Getúlio sobe as escadas do Palácio do Catetepara ir ao seu apartamento. Vira-se e despede-se do ministro da Justiça Tancredo Neves, dando a ele uma caneta Parker-21 de ouro e diz, pouco antes de se matar: “Para o amigo certo das horas incertas!" - Getúlio Vargas Tancredo havia se submetido a uma agenda de campanha bastante extenuante, articulando apoios do Congresso Nacional e dos governadores estaduais e viajando ao exterior na qualidade de presidente da República. Tancredo temia que os militares da chamada "linha-dura" se recusassem a passar o poder ao vice-presidente. Tancredo decidiu só anunciar a doença no dia da posse, 15 de março, quando já estivessem em Brasília os chefes de estados esperados para a cerimônia de posse, com o que ficaria mais difícil uma ruptura política. A sua grande preocupação com a garantia da posse , porém com fortes e repetidas dores abdominais durante uma cerimônia religiosa no Santuário Dom Bosco, em Brasília, na véspera da posse em 14 de março de 1985. Foi, às pressas, internado no Hospital de Base do Distrito Federal. A versão oficial informava que fora vítima de uma diverticulite, mas apurações posteriores indicaram que se tratava de ,um leiomioma benigno, mas infectado. Os médicos esconderam até o fim a existência de um tumor, devido ao impacto que a palavra câncer poderia provocar à época. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 16 - Nova República: 1985-1990 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 84 José Sarney – 15 de Março de 1985 – 15 de Março de 1990 José Sarney assumiu a Presidência em 15 de março de 1985, jurando a Constituição de 1967, no Congresso Nacional, aguardando o restabelecimento de Tancredo. Leu o discurso de posse que Tancredo havia escrito e que pregava conciliação nacional e a instalação de uma assembleia nacional constituinte. Na cerimônia de transmissão do cargo, no Palácio do Planalto, o presidente João Figueiredo não compareceu, se recusando a passar a faixa presidencial a José Sarney, porque Sarney entraria no exercício do cargo como substituto e não como sucessor. Em 28 de junho de 1985, Sarney cumpriu a promessa de campanha de Tancredo Neves e encaminhou ao Congresso Nacional a Mensagem 330, propondo a convocação da Constituinte, que resultou na Emenda Constitucional 26, de 27 de novembro de 1985. Eleitos em novembro de 1986 e empossados em 1º de fevereiro de 1987, os constituintes iniciaram a elaboração da nova Constituição brasileira de 1988. Sarney assume um país em pedaços, pois a hiperinflação desvalorizava a moeda todos os dias, o pão que se comprava num dia no outro já estava com o preço aumentado. Planos Econômicos Apesar de um crescimento de 8,5% do PIB, a inflação persistia na entrada de 1986, provocando uma quebra da confiança, elemento essencial na política econômica. Em 28 de fevereiro de 1986 Sarney lança o Plano Cruzado. Entre as medidas de maior destaque do Cruzado estavam o congelamento geral de preços por doze meses e a adoção do "gatilho salarial", isto é, o reajuste automático de salários sempre que a inflação atingisse ou ultrapassasse os 20%. Os economistas HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 16 - Nova República: 1985-1990 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 85 temiam que o plano tivesse caráter recessivo, e Sarney resolveu conceder um abono de 12% sobre o valor real dos salários. Houve uma explosão de consumo e a incorporação dos consumidores à ação de cidadania: eles passaram a fiscalizar os preços e a denunciar as remarcações, ficando conhecidos como "fiscais do Sarney". O novo ministro da Fazenda, Dilson Funaro, se tornou uma das figuras mais populares do país. Entretanto o congelamento, distorcendo as margens de lucro das empresas, levou ao desinvestimento e à queda de produção, o que resultou numa grave crise de abastecimento, na cobrança de ágio disseminada e finalmente na volta da inflação. Em novembro de 1986 foi lançado o Plano Cruzado II, que ainda não resolveu o problema da inflação. Em abril de 1987 assumiu o Ministério da Fazenda o economista Luiz Carlos Bresser Pereira, que lançou em junho novo plano econômico, que levou seu nome, o Plano Bresser, e também teve sucesso moderado. O ano de 1988 iniciou com novo ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, que adotou a política ‘feijão com arroz’, de condução pontual dos problemas econômicos. Em janeiro de 1989 lançou o Plano Verão. No plano econômico, apesar da inflação (em geral acompanhada de correção monetária que evitava a corrosão dos salários), o Governo Sarney alcançou resultados relevantes. Constituição de 1988 Em 1988 foi promulgada uma nova Constituição para o país, a qual concretizou os anseios democráticos nacionais, pois trazia em seu conteúdo a preservação dos direitos humanos de liberdade e igualdade, tornando a tortura e o racismo atos criminosos inafiançáveis. A Constituição de 1988 apagou os rastros da ditadura militar e estabeleceu princípios democráticos no país. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 16 - Nova República: 1985-1990 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 86 Com a promulgação da nova Constituição de 1988, o Brasil entrou finalmente no caminho para a Democracia plena, de fato de direito, com o pluripartidarismo e eleições diretas para qualquer cargo eletivo do país. Era o início dos tempos democráticos. A Constituição Federal Brasil de 1988, também conhecida como a Constituição Cidadã, foi a sétima constituição do Brasil desde a Independência. Elaborada por 558 constituintes durante 20 meses, ela foi promulgada no dia 5 de outubro de 1988. Possui 245 artigos, dividida em nove títulos. Esta Constituição é considerada a mais completa, principalmente, no sentido de garantir os direitos a cidadania para o povo brasileiro. Principais características: - Se restabeleceram eleições diretas para os cargos de presidente da República, governadores de estados e prefeitos municipais; - Definiu o mandato presidencial de 5 anos; - Estabeleceu o direito de voto para os analfabetos; - Definiu o voto facultativo para os jovens de 16 a 18 anos de idade; - Sistema pluripartidário; - Colocou fim a censura aos meios de comunicação, obras de arte, músicas, filmes, teatro, etc Emenda da reeleição - Em 1997, foi elaborada uma emenda constitucional que abriu a possibilidade de reeleição para os principais cargos do poder executivo (presidente da República, governadores de estados e prefeitos municipais). De acordo com o historiador Boris Fausto, o texto refletiu as pressões dos diversos grupos da sociedade, interessados na definição de normas que os beneficiassem. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 16 - Nova República: 1985-1990 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 87 BUSCANDO CONHECIMENTO Memorial Tancredo Neves http://www.memorialtancredoneves.com.br/imagens.htm Livro: Sarney, a Biografia - Regina ECHEVERRIA – ED. LEYA, Almanaque Folha: http://almanaque.folha.uol.com.br/brasil_17abr1984.htm Constituição de 1988 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.htm HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 17 - Retomada do Regime Democrático do Brasil: 1989 -1995 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 88 CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Logo após a transição política vivida durante o governo José Sarney, o Brasil viveu um período de movimentação política que consolidou a retomada do regime democrático no país. Em 1989, após vinte e nove anos, a população brasileira escolheria o novo presidente da República através do voto direto. ESTUDANDO E REFLETINDO 1989 talvez possa ser apontado como o ano da retomada dos sonhos e da utopia da construção de um país democrático e menos desigual. A ditadura fora extinta quatro anos antes com a saída de cena do último presidente general João Figueiredo.Sucedeu-o no cargo José Sarney, o vice de TancredoNeves, presidente eleito pelo voto de Deputados Federais, Senadores e Representantes de Assembléias Legislativas (eleição indireta). Tancredo morreu em 21 de abril de 1985 sem ter tomado posse. 1989 foi o ano da queda do muro de Berlim, que antecederia o fim da União Soviética e do comunismo; da morte de três mil manifestantes na Praça Celestial da Paz, em Pequim; do Prêmio Nobel da Paz concedido ao Dalai Lama; e da posse na presidência dos Estados Unidos do primeiro George Bush. Mas nenhum outro fato foi mais relevante para os brasileiros do que a primeira eleição pelo voto direto do presidente da República. A anterior ocorrera em 1960 quando foi eleito Jânio Quadros. Ele governou menos de sete meses. Renunciou para tentar voltar como ditador nos braços do povo, o que deu errado. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 17 - Retomada do Regime Democrático do Brasil: 1989 -1995 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 89 Eleição de 1989 A eleição de 1989 foi disputada por 22 candidatos, entre eles, Fernando Collor, Lula, Leonel Brizola, Mário Covas, Paulo Maluf, Ulysses Guimarães, Aureliano Chavez, Guilherme Afif Domingos, Roberto Freire, Enéas e Fernando Gabeira. Os setores de direita não conseguiram emplacar um candidato capaz de garantir uma vitória tranquila no pleito presidencial. Já os partidos de esquerda viriam a lançar duas influentes figuras políticas que poderiam polarizar a disputa daquela eleição. De um lado, Luís Inácio Lula da Silva, representando o Partido dos Trabalhadores (PT) e de outro, Leonel Brizola, filiado ao Partido Democrático Trabalhista (PDT). Buscando reverter o quadro desfavorável, os partidos de direita passaram a apoiar um jovem político alagoano chamado Fernando Collor de Melo. Com boa aparência, um discurso carismático e o apoio financeiro do empresariado brasileiro. Atraindo apoio de diferentes setores da sociedade, Collor prometia modernizar a economia promovendo políticas de cunho neoliberal e a abertura da participação estrangeira na economia nacional. Ao mesmo tempo, fazia discursos de orientação religiosa, se autoproclamava um “caçador de marajás” e alertava sobre os perigos de um possível governo de esquerda. No primeiro turno, a apuração das urnas deixou a decisão para um segundo pleito a ser disputado ente Collor e Lula. Mesmo tendo um significativo número de militantes durante seus comícios, a inabilidade do candidato do PT diante as câmeras acabou enfraquecendo sua campanha. De outro lado, Collor utilizou com eficácia o vantajoso espaço nas mídias a ele cedido. Com a apuração final, tais diferenças de proposta e, principalmente, comportamento garantiram a vitória de Fernando Collor de Melo no segundo turno. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 17 - Retomada do Regime Democrático do Brasil: 1989 -1995 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 90 Fernando Collor de Melo – 15/03/1990 – 02/10/1992 Foi o presidente mais jovem da história do Brasil (na época com 40 anos de idade), o primeiro presidente eleito por voto direto do povo, e o único deposto por um processo de impeachment no país. Graças à postura de "guardião da moralidade", Collor fez uso de uma elaborada estratégia de marketing focada nos temas que mais preocupavam a população. A televisão também teve um papel fundamental, pois alguns comentaristas argumentam que a vitória de Collor nas urnas não seria possível sem a interferência da Rede Globo, com destaque para uma edição do principal debate entre Collor e Lula, veiculado no Jornal Nacional, cuja edição beneficiou Collor. Dentro de sua estratégia de marketing pessoal, ao assumir a presidência, Fernando Collor andou de jet-ski, comandou um avião de caça, pilotou uma Ferrari a 200 quilômetros por hora. Também apareceu em público lutando karatê, jogando futebol, vôlei, tênis e correndo. No governo Collor, os produtos importados passaram a invadir o mercado brasileiro, com a redução dos impostos de importação. A oferta de produtos cresceu e os preços de algumas mercadorias caíram ou se estabilizaram. Ao mesmo tempo, o governo passou a incentivar os investimentos externos no Brasil mediante incentivos fiscais e privatização das empresas estatais. Empossado numa quinta-feira, o governo Collor anunciou seu plano econômico no dia seguinte à posse: anunciou o retorno do cruzeiro como unidade monetária em substituição ao cruzado novo, redução da máquina administrativa com a extinção ou fusão de ministérios e órgãos públicos, demissão de funcionários públicos e o congelamento de preços e salários, 80% de todos os depósitos do overnight, das contas correntes ou das cadernetas de poupança que excedessem a NCz$50mil (Cruzado novo) foram congelados por 18 meses, recebendo durante esse período uma rentabilidade equivalente a taxa de inflação mais 6% ao ano; aumento de preços dos serviços públicos, como gás, energia elétrica, serviços postais, etc.; HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 17 - Retomada do Regime Democrático do Brasil: 1989 -1995 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 91 Impeachment Em meados de 1991, denúncias de irregularidades começaram a surgir na imprensa, envolvendo pessoas do círculo próximo de Fernando Collor, como ministros, amigos do presidente e mesmo a primeira-dama Rosane Collor. Em entrevista à Revista Veja em maio de 1992, Pedro Collor de Mello, irmão do presidente, revelou o esquema de corrupção que envolvia o ex-tesoureiro da campanha Paulo César Farias, entre outros fatos comprometedores para o presidente. Em 1° de junho, a CPI começa seus trabalhos com forte cobertura dos meios de comunicação. Em 2 de outubro é aberto o processo de impeachment na Câmara dos Deputados, impulsionado pela maciça presença do povo nas ruas, como o movimento dos Caras-pintadas. Em 29 de setembro, por 441 a 38 votos, a Câmara vota pelo impedimento do presidente. A presidência é assumida pelo então vice-presidente, Itamar Franco. Em 29 de dezembro de 1992 renunciou à presidência da República, horas antes de ser condenado pelo Senado por crime de responsabilidade, perdendo seus direitos políticos por oito anos. Foi a primeira vez na história republicana do Brasil que um presidente eleito pelo voto direto era afastado por vias democráticas, sem recurso aos golpes e outros meios ilegais. Itamar franco - 02/10/1992 a 01/01/1995 A administração do presidente Itamar Franco iniciou-se, como várias outras antes na história do Brasil, de modo inesperado. Mais uma vez um vice-presidente era alçado ao posto máximo da nação, tendo por meta completar o mandato do titular. Assim, de 1992 a 1994 cabe ao vice de Collor lidar com os graves problemas nacionais que este prometera resolver, em especial o da hiperinflação HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 17 - Retomada do Regime Democrático do Brasil: 1989 -1995 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 92 e a da estagnação do PIB, estacionado nos mesmos patamares do início da década de 80. O governo de Itamar Franco irá se notabilizar por dois importantes acontecimentos, um na área política, e outro na área econômica. Em relação à área política, coube a Itamar cumprir o dispositivo constitucional que previa a realização de um duplo plebiscito, tratando primeiramente do regime a ser instituído no Brasil, ou seja, a manutenção do regime republicano ou a restauração da monarquia em território nacional; o segundo ponto do plebiscito versava sobre a forma com que este governo deveria se organizar, se sob forma presidencialista ou parlamentarista. Tal consulta ocorreu em abril de 1993, confirmando o sistema que vinha sendo adotado, e que ainda o é, de república presidencialista. Mas, o fato pelo qual talvez seja mais lembrado o período de Itamar Franco no poder é o de elaboração do Plano Real, tendo o auxílio do então senador Fernando Henrique Cardoso, recémempossado como ministro da Fazenda (Economia). Itamar uniu todos os grupos em torno das mudanças a serem feitas, além de procurar explicar à população o que seria feito e conclamar a união de todos na aceitação das mudanças, algo simples, mas que ainda não havia sido feito. BUSCANDO CONHECIMENTO Eleições Diretas - http://noticias.uol.com.br/especiais/eleicoes-1989 Livro: Notícias do Planalto: A imprensa e Fernando Collor. – Mário S. Conti Documentário: Muito Além do Cidadão Kane – Simon Hartog Governo Collor - https://www.youtube.com/watch?v=Jlgg1C8Jar4 Governo de Itamar Franco: http://www.alunosonline.com.br/historia-do-brasil/o- governo-itamar-franco. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 18 - Governo de Fernando Henrique Cardoso:1995-2002 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 93 CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Governo Itamar Franco (1992-1994): vice-presidente, Itamar Franco assumiu a presidência em virtude do impeachment do titular. Sua administração foi marcada principalmente pelo lançamento do Plano Real, em março de 1994, que pôs fim à crise inflacionária que desarticulava a economia brasileira. Com isso, seu ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, elegeu-se seu sucessor que teve dois mandatos presidenciais. ESTUDANDO E REFLETINDO Fernando Henrique Cardoso – 1995 a 2002 Homenagem filatélica dos Correios para Fernando Henrique. Governou o Brasil durante oito anos, de 1995 a 2002. Foi o primeiro presidente da República a governar por dois mandatos consecutivos. FHC, como é conhecido, teve notoriedade com o plano real. Como Ministro da Fazenda no Governo de Itamar Franco, ele reuniu um grupo de economistas que elaborou um plano capaz de estabilizar a economia. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 18 - Governo de Fernando Henrique Cardoso:1995-2002 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 94 Fernando Henrique Cardoso, nasceu no Rio de Janeiro em 18 de junho de 1931, é um sociólogo, cientista político, filósofo, professor universitário, escritor e político brasileiro. Professor emérito da Universidade de São Paulo (USP), lecionou também no exterior, notadamente na Universidade de Paris. Com o advento do Golpe militar de 1964, Fernando Henrique, ameaçado de prisão pelo governo, decidiu auto-exilar-se no Chile, onde viveu até 1967. Posteriormente, seguiu para a França e passou a lecionar na Universidade de Paris. Foi nessa mesma universidade que Fernando Henrique testemunhou os protestos que deram início ao movimento de Maio de 1968. Ainda no exílio, ele também lecionou nas universidades de Stanford e Berkeley, nos Estados Unidos, de Cambridge na Inglaterra e na Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais na França. Durante esse período, ele publicou vários livros e artigos sobre a burocracia estatal, as elites industriais e, em particular, a teoria da dependência. Seu trabalho sobre a teoria da dependência seria a sua contribuição aos estudos de sociologia e desenvolvimento mais aclamada, especialmente nos Estados Unidos. Em outubro de 1968, ele retornou ao Brasil, passando a morar em uma casa no Morumbi, na cidade de São Paulo. No mesmo ano assumiu por concurso público a cátedra de Ciência Política da USP, mas em abril de 1969 foi aposentado compulsoriamente e perdeu seus direitos políticos com base no Decreto-lei 477. Nos anos 1970, foi pesquisador e diretor do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (CEBRAP), sendo um de seus criadores. Ao mesmo tempo, ele também trabalhou no Centro de Estudos Latino-Americanos da Smithsonian Institution. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 18 - Governo de Fernando Henrique Cardoso:1995-2002 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 95 Nova moeda: Real Em 1º de julho de 1994 passou a vigorar a nova moeda do país, o Real. O Banco Central fixou uma paridade entre o Real e o Dólar, a fim de valorizar a nova moeda. Um Real era o equivalente a Um Dólar. O Plano Real animou empresários e a população, e impulsionou o consumo interno. Mas o que era festa virou preocupação para o governo. Com o consumo em alta, temia-se a volta da inflação. Primeiro mandato Fernando Henrique tomou posse em 1º de janeiro de 1995, sucedendo ao presidente Itamar Franco. Com o sucesso da nova moeda, a principal preocupação era controlar a inflação. Para isto, o governo elevou as taxas de juros da economia Outra iniciativa de destaque de FHC foi privatizar empresas estatais, como a Vale do Rio Doce e Sistema Telebrás. Enfrentou muitas críticas de vários setores da sociedade, principalmente de partidos de oposição, como o PT (Partido dos Trabalhadores). Surgiram muitas denúncias relacionadas às privatizações, de favorecimentos para determinadas empresas internacionais na compra das estatais. Porém, não impediram o plano do governo de levantar verbas para promover as reformas necessárias no plano político. Em 1997, foi aprovada pelo Congresso uma emenda constitucional permitindo a reeleição para cargos executivos: Presidente da República, Governadores e Prefeitos. Manobra política que beneficiaria FHC nas eleições de 1998. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 18 - Governo de Fernando Henrique Cardoso:1995-2002 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 96 Segundo mandato Reeleito, FHC deu continuidade à política de abertura da economia para o mercado mundial e de integração do país no processo de globalização. No ano de 1999, FHC assumiu o segundo mandato como presidente do Brasil, neste mandato não houve grandes investimentos nas reformas estruturais (privatizações). Ocorreram, sim, algumas reformas no setor da Educação, sendo aprovadas no ano de 1996 as Leis de Diretrizes e Bases para a Educação (LDB), e posteriormente foram criados os Parâmetros Curriculares para o Ensino Básico. Ao final do seu segundo mandato (2002), somando oito (8) anos no poder, FHC conseguiu controlar a inflação brasileira, entretanto, durante o seu governo a distribuição de renda no Brasil continuou desigual, a renda dos 20% da população rica continuou cerca de 30 vezes maior que a dos 20% da população mais pobre. O Brasil ficou em excessiva dependência do Fundo Monetário Internacional (FMI). O governo FHC foi responsável pela efetiva inserção do Brasil na política Neoliberal. Ao se aproximar o pleito que escolheria o sucessor de Fernando Henrique Cardoso, o governo apoiou a candidatura do ministro da saúde, José Serra, do PSDB. Os outros candidatos que disputaram o pleito foram: Luiz Inácio Lula da HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 18 - Governo de Fernando Henrique Cardoso:1995-2002 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 97 Silva, Anthony Garotinho, Ciro Gomes, José Maria de Almeida, e Rui Costa. No segundo turno das eleições, Lula obteve 61,3 % dos votos; e José Serra, 38,7 %. Eleito o novo presidente, Fernando Henrique Cardoso organizou a transição de modo a facilitar o acesso antecipado da nova administração às informações relevantes ao exercício do governo, fato até então inédito na história do país. FHC deixou a presidência no dia 1 de janeiro de 2003, e quem a assumiu foi Luiz Inácio Lula da Silva. BUSCANDO CONHECIMENTO Governo Fernando Henrique Cardoso http://www.brasilescola.com/historiab/governo-fernando-henrique-cardoso.htm Estadão http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,lula-x-fhc-imp-,672164 FHC - Veja http://veja.abril.com.br/arquivo_veja/fhc-governo-ministro-reeleicao-plano- real.shtml Profissão ex presidente http://www.youtube.com/watch?v=xXLlMcE-3Wg Fernando Henrique Cardoso: currículo completo. http://www.palestrantes.org/palestrante.asp?id=47 HISTÓRIA DO BRASIL REPUBLICA UNIDADE 19 - Partido dos Trabalhadores no Poder: Lula e Dilma: 2006 – 2014 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 98 CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADENo ano de 2002, as eleições presidenciais agitaram o contexto político nacional. Os primeiros problemas que cercavam o governo FHC abriram brechas para que Lula chegasse ao poder com a promessa de dar outro rumo à política brasileira. E para encerrarmos nossa disciplina comentaremos sobre a primeira mulher na presidência da República: a mineira Dilma Vana Rousseff. ESTUDANDO E REFLETINDO Luiz Inácio Lula da Silva - 2003 a 2011 Luiz Inácio Lula da Silva, mais conhecido como Lula, nasceu em Caetés, no dia 27 de outubro de 1945. Aos sete anos de idade, Luiz Inácio Lula da Silva mudou-se com a família para Santos (SP), deixando o interior de Pernambuco em busca de melhores oportunidades de vida. Quatro anos mais tarde, em 1956, foi para a capital do Estado de São Paulo. Lá, ainda criança, trabalhou como vendedor ambulante, engraxate e office-boy. Aos 15 anos, tornou-se aprendiz de torneiro mecânico. Em 1970, depois de perder a esposa grávida do primeiro filho, Lula passou a se dedicar intensamente à atividade sindical. Em 1973, casou-se com Marisa, sua atual mulher. Em 1975, chegou à presidência do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. Liderou a primeira greve de operários do ABC paulista em 1978, durante o regime militar. Em 1980, aliou-se a intelectuais e a outros líderes sindicais, para fundar o PT (Partido dos Trabalhadores), do qual se tornou presidente. No ano seguinte, HISTÓRIA DO BRASIL REPUBLICA UNIDADE 19 - Partido dos Trabalhadores no Poder: Lula e Dilma: 2006 – 2014 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 99 liderou nova greve de metalúrgicos, foi preso e teve seu mandato sindical cassado. Participou da fundação da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e, em junho de 1983, integrou a frente suprapartidária pró-eleições diretas para a presidência da República com os governadores de São Paulo, Franco Montoro (PMDB), e do Rio de Janeiro, Leonel Brizola (PDT). Lula foi eleito, em 1986, deputado federal constituinte com a maior votação do país. Concorreu à presidência da República em 1989, quando foi derrotado no segundo turno por Fernando Collor de Mello, e em 1994 e 1998, quando perdeu para Fernando Henrique Cardoso. A eleição de 2002 foi surpreendente, o então candidato Luis Inácio Lula da Silva conquistou mais de 58 milhões de votos, atingindo um índice de aprovação não alcançado em nenhuma de suas três tentativas anteriores. A posse se deu em 1º de janeiro de 2003, Em 2006, é reeleito na realização de um segundo turno contra Geraldo Alckmin. O ex-operário e retirante nordestino conseguiu realizar um feito histórico na trajetória política do país. Seu mandato caracterizou-se pela não interrupção da estabilidade econômica do governo anterior. Obteve êxito com a diminuição, em cerca de 168 bilhões de reais, da dívida externa, porém não conseguiu frear o aumento da dívida interna que pulou do patamar de 731 bilhões de reais no ano de 2002 para um trilhão de reais em fevereiro de 2006. O governo Lula emprega uma fatia do seu orçamento em programas de caráter social como: Fome Zero; Bolsa Família; Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti); Luz para todos ; Brasil Alfabetizado e Educação de Jovens e Adultos; ProUni ; Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE); Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)... HISTÓRIA DO BRASIL REPUBLICA UNIDADE 19 - Partido dos Trabalhadores no Poder: Lula e Dilma: 2006 – 2014 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 100 Porém nem tudo foi um mar de rosas durante o governo petista, várias crises surgiram em decorrência de denúncias de corrupção em empresas do Estado, como por exemplo, o mensalão, o escândalo dos Correios e vários outros que derrubaram diversos ministros. Lula terminou o segundo mandato com 87% de aprovação,tornando-se um dos mais populares presidentes da história do Brasil e um dos políticos mais respeitados do mundo Dilma Rousseff – 2011 - atualidade O período é marcado por fato histórico, pois representa a primeira vez que uma mulher assumiu o poder no Brasil no posto mais importante do país. Dilma Rousseff fez parte do Governo Lula como Ministra de Minas e Energia e, mais tarde, Ministra-Chefe da Casa Civil do Brasil. Sua estada na presidência está prevista até o dia 1 de janeiro de 2015, podendo se estender por mais quatro anos, caso se candidate novamente e consiga se reeleger na eleição de 2014. A gestão Dilma Rousseff iniciou-se dando seguimento à política econômica do Governo Lula. Filha do engenheiro e poeta búlgaro Pétar Russév (naturalizado brasileiro como Pedro Rousseff) e da professora brasileira Dilma Jane Silva, Dilma Vana Rousseff aos 16 anos, que sempre estudou em conceituados colégios católicos mineiros, transfere-se para uma escola pública, o Colégio Estadual Central. Começa, então, a militar como simpatizante na Organização Revolucionária Marxista - Política Operária, conhecida como Polop, organização de esquerda contrária à linha do PCB (Partido Comunista Brasileiro), formada por estudantes simpáticos ao pensamento de Rosa Luxemburgo e Leon Trotski. HISTÓRIA DO BRASIL REPUBLICA UNIDADE 19 - Partido dos Trabalhadores no Poder: Lula e Dilma: 2006 – 2014 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 101 Mais tarde, em 1967, Dilma passou a militar no Colina (Comando de Libertação Nacional), organização que defendia a luta armada. Em 1969, já vivendo na clandestinidade, Dilma usa vários codinomes para não ser encontrada pelas forças de repressão aos opositores do regime. Presa em 16 de janeiro de 1970, em São Paulo, o promotor militar responsável pela acusação a qualificou de "papisa da subversão". Fica detida na Oban (Operação Bandeirantes), onde é torturada. Depois, é enviada ao Dops. Condenada em 3 Estados, em 1973 já está livre, depois de ter conseguido redução de pena no STM (Superior Tribunal Militar). Muda-se, então, para Porto Alegre, onde cursa a Faculdade de Ciências Econômicas, na Universidade Federal do RS. Do PDT ao PT Filia-se, então, ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), fundado por Leonel Brizola em 1979, depois que o governo militar concedeu anistia política a todos os envolvidos nos anos duros da ditadura. Dilma Rousseff ocupou os cargos de secretária da Fazenda da Prefeitura de Porto Alegre (1986-89), presidente da Fundação de Economia e Estatística do Estado do Rio Grande do Sul (1991-93) e secretária de estado de Energia, Minas e Comunicações em dois governos: Alceu Collares (PDT) e Olívio Dutra (PT). Filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde 2001, coordenou a equipe de Infra-Estrutura do Governo de Transição entre o último mandato de Fernando Henrique Cardoso e o primeiro de Luiz Inácio Lula da Silva, tornando-se membro do grupo responsável pelo programa de Energia do governo petista. De guerrilheira na década de 1970 a participante da administração pública em diferentes governos, Dilma Vana Rousseff tornou-se uma figura pragmática, de importância central no governo Lula. HISTÓRIA DO BRASIL REPUBLICA UNIDADE 19 - Partido dos Trabalhadores no Poder: Lula e Dilma: 2006 – 2014 Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 102 Dilma Rousseff venceu as eleições presidenciais de 2010, no segundo turno, com 56,05% dos votos válidos (derrotou o candidato José Serra, que obteve 43,95% dos votos válidos), tornando-se a primeira mulher na presidência da República Federativa do Brasil. Ao tomar posse, no dia 1º de janeiro de 2011, discursando no Congresso Nacional, Dilma afirmou: “Meu compromisso supremo [...] é honrar as mulheres, proteger os mais frágeis e governar para todos! [...] A luta mais obstinada do meu governo será pela erradicação da pobreza extrema e a criação de oportunidades para todos”. BUSCANDO CONHECIMENTO Instituto Lula http://www.institutolula.org/historia/#.U77pPWcU9jo Filme: Lula,o Filho do Brasil de 2009. Dirigido por Fábio Barreto Presidência da República. http://www3.planalto.gov.br/ Redemocratização (História do Brasil por Bóris Fausto - parte 07) http://www.youtube.com/watch?v=qx2vztmkal0 Gestão Lula e Dilma http://opiniao.estadao.com.br/noticias/geral,a-gestao-dilma-e-o-governo-lula- imp-,679200 Programa governo Dilma http://www.terra.com.br/noticias/infograficos/eleicoes/programa-de-governo- dilma/programa-de-governo-dilma-01.htm HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 20 - Organização Política Brasileira Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 103 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE O Brasil é uma República Federativa Presidencialista, formada pela União, estados e municípios, em que o exercício do poder é atribuído a órgãos distintos e independentes, submetidos a um sistema de controle para garantir o cumprimento das leis e da Constituição. Nesta unidade estudaremos como se dá a organização política do Brasil, desde sua proclamação como republica até os dias atuais. ESTUDANDO E REFLETINDO O Brasil é uma República porque o Chefe de estado é eleito pelo povo, por período de tempo determinado. É Presidencialista porque o presidente da República é Chefe de Estado e também Chefe de governo. É Federativa porque os estados têm autonomia política. ORGANIZAÇÃO POLITICA DO BRASIL República Federativa do Brasil A União está divida em três poderes, independentes e harmônicos entre si: PODER Executivo Legislativo Judiciário HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 20 - Organização Política Brasileira Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 104 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” O Brasil, seus estados e municípios têm um governo. Esse governo é responsável pela elaboração de leis, cobrança dos impostos e prestação de serviços à população. Quem cuida da iluminação pública e da coleta de lixo, por exemplo, é a Prefeitura (o governo municipal). Já a segurança pública é de responsabilidade do governo estadual. E, todas as questões ligadas à defesa do país (Exército) cabem à União (o governo federal). Os municípios são governados são pelos prefeitos e vice-prefeitos. Os estados, pelos governadores e vice-governadores e o país é governado pelo presidente e pelo vice-presidente. Todos eles são eleitos pela população, ou seja, são escolhidos por meio do voto da maioria das pessoas, para que assim possam exercer o poder em nome delas. Ocupam cargos públicos que podem ser preenchidos tanto por homens quanto por mulheres. Nesta foto, vê-se a Praça dos Três Poderes, em Brasília (DF), onde está a sede dos poderes Executivo (Palácio do Planalto), Legislativo (Congresso Nacional) e Judiciário (Palácio da Justiça), e a Esplanada dos Ministérios, onde trabalham os ministros que auxiliam o presidente da República. O poder Executivo tem poder exercido pelos prefeitos, governadores e presidente. Recebe este nome porque cabe a seus representantes colocar as leis em HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 20 - Organização Política Brasileira Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 105 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” prática, ou seja, executá-las e administrar os negócios públicos, como cobrar impostos, decidir onde o dinheiro recolhido será aplicado, quantas escolas ou hospitais públicos serão construídos em um ano, quantas e quais as ruas receberão calçamento, etc. O poder executivo é auxiliado, em sua tarefa de governar, pelo poder Legislativo e pelo poder Judiciário. O poder Legislativo é responsável pela elaboração e aprovação das leis. Para compor o poder Legislativo, também são eleitos através do voto, os vereadores, os deputados (estaduais e federais) e os senadores. O poder Judiciário é o fiscalizador. Ele cuida para que essas leis sejam cumpridas e zela pelos direitos dos indivíduos. Do poder Judiciário fazem parte os juízes e os promotores de justiça. Fonte: Revista Nova escola O chefe do Poder Executivo é o presidente da República, eleito pelo voto direto para um mandato de quatro anos, renovável por mais quatro. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 20 - Organização Política Brasileira Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 106 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” Na esfera estadual o Executivo é exercido pelos governadores dos estados; e na esfera municipal pelos prefeitos. O Poder Legislativo é composto, em âmbito federal, pelo Congresso Nacional, sendo este bicameral: dividido entre a Câmara dos Deputados e o Senado. Para a Câmara, são eleitos os deputados federais para dividirem as cadeiras em uma razão de modo a respeitar ao máximo as diferenças entre as vinte e sete Unidades da Federação, para um período de quatro anos. Já no Senado, cada estado é representado por 3 senadores para um mandato de oito anos cada. Em âmbito estadual, o Legislativo é exercido pelas Assembléias Legislativas Estaduais; e em âmbito municipal, pelas Câmaras Municipais. O Brasil tem um sistema político pluripartidário, ou seja, admite a formação legal de vários partidos. O partido político é uma associação voluntária de pessoas que compartilham os mesmos ideais, interesses, objetivos e doutrinas políticas, que tem como objetivo influenciar e fazer parte do poder político. HISTÓRIA DO BRASIL REPÚBLICA UNIDADE 20 - Organização Política Brasileira Fabiano Luiz Curtolo Andréa Wolff 107 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS “DR. EDMUNDO ULSON” – UNAR” BUSCANDO CONHECIMENTO Revista Nova Escola http://revistaescola.abril.com.br/ensino-medio/paco-municipal-historia-cidadania- atribuicoes-prefeituras-brasileiras-678618.shtml Significado República http://www.significados.com.br/republica/ Estrutura do Estado Brasileiro http://www.brasil.gov.br/governo/2009/11/entenda-como-funciona-a-estrutura-do- estado-brasileiro Vídeo: Poderes e esferas de poder brasileiros https://www.youtube.com/watch?v=yItuH-79KG0 Av. Ernani Lacerda de Oliveira, 100 Bairro: Pq. Santa Cândida CEP: 13603-112 Araras / SP (19) 3321-8000 ead@unar.edu.br Rua Américo Gomes da Costa, 52 / 60 Bairro: São Miguel Paulista CEP: 08010-112 São Paulo / SP (11) 2031-6901 eadsp@unar.edu.br www.unar.edu.br 0800-772-8030 POLOS EAD http://www.unar.edu.br http://unar.info/ead2 http://www.unar.edu.br http://www.unar.edu.br Capa Unid 01 Unid 02 Unid 03 Unid 04 Unid 05 Unid 06 Unid 07 Unid 08 Unid 09 Unid 10 Unid 11 Unid 12 Unid 13 Unid 14 Unid 15 Unid 16 Unid 17 Unid 18 Unid 19 Unid 20 Capa