Prévia do material em texto
Esteffane Seitz- TXVIA Edemas e Efusões • Distúrbios que afetam funções cardiovasculares, renais e hepáticas são marcadas por acúmulos de líquido nos tecidos (edemas) ou cavidades corporais fechadas (efusões). • A tendência da pressão hidrostática vascular empurrar água e sais dos capilares para o espaço intersticial é balanceada pela tendência da pressão coloido-osmótica plasmática puxar para o leito venoso • Geralmente ocorre um espalhamento de líquido no interstício, mas ele é drenado pelos vasos linfáticos e retorna a corrente sanguínea pelo ducto torácico (os tecidos se mantém secos). • Pressão hidrostática elevada ou pressão coloido-osmótica diminuída rompe o balanço e causa aumento da saída de líquidos dos vasos. • O líquido se acumula quando a taxa de saída é maior que a de drenagem. • Edema: resultante de acúmulo de líquidos no tecido. • Efusão: resultante de acúmulo em cavidade serosa. • Líquidos de edemas podem ser inflamatórios e não inflamatórios. • Exsudatos: edemas e efusões inflamatórias. São ricos em proteínas, se acumulam pelo aumento da permeabilidade vascular causada por mediadores inflamatórios. - Edemas associados a inflamação geralmente são localizados em tecidos ou sua vizinhança. - Mas em casos de inflamação sistêmica, edemas generalizados podem aparecer e gerar consequências graves. • Transudatos: edemas e efusões não inflamatórios, pobres em proteínas. São comuns em muitas doenças (insuf. Renal, cardíaca, doenças renais e desnutrição grave). Causas de Edema AUMENTO DA PRESSÃO HIDROSTÁTICA • Causado principalmente por disfunções que impedem o retorno venoso. • Obstrução localizada: o edema vai estar na parte afetada. • Obstrução generalizada: ocorre aumento sistêmico da pressão venosa. REDUÇÃO DA PRESSÃO OSMÓTICA PLASMÁTICA • Albumina: responsável por quase a metade da proteína total de plasma. • Quando ocorre síntese inadequada ou maior perda de albumina, gera a redução da pressão oncótica do plasma. • A redução na síntese de albumina ocorre principalmente na doença hepática grave e na desnutrição proteica. • Síndrome nefrótica: importante da perda de albumina. A albumina é perdida na urina através de capilares glomerulares com permeabilidade anormal. Esteffane Seitz- TXVIA • Com qualquer causa, a redução da pressão causa edema, redução de volume intravascular, hipoperfusão renal e hiperaldosteronismo secundário. • Retenção de sal e água pelos rins: falha a correção do déficit de volume plasmático, exacerba edema por causa da persistência do defeito primário. RETENÇÃO DE SÓDIO E ÁGUA • Provoca aumento da pressão hidrostática (por causa da expansão de volume líquido intravascular). • Provoca diminuição da pressão coloido- osmótica vascular (devido à diluição. • A retenção de sal ocorre quando a função renal está comprometida. OBSTRUÇÃO LINFÁTICA • Traumas, fibroses, tumores invasivos e agentes infecciosos podem romper vasos linfáticos e bloquear a eliminação de líquido intersticial, resulta em linfedema. • Exemplo: filariose parasitária. O organismo induz a fibrose obstrutiva dos canais linfáticos e linfonodos. MORFOLOGIA DO EDEMA • Se apresenta como clareamento e separação da matriz extracelular e uma discreta tumefação celular. • É mais comumente observado nos tecidos subcutâneos, nos pulmões e no cérebro. • Edema subcutâneo: pode ser difuso ou pode ser mais evidente em regiões com pressão hidrostática elevada. • Edema gravitacional: sua distribuição é influenciada pela gravidade. • Edema cacifo: A pressão digital sobre o tecido subcutâneo muito edemaciado desloca o líquido intersticial e deixa uma depressão. • Edema periorbital: achado característico em doenças renais graves, geralmente aparecem, primeiramente, nas partes do corpo com tecidos conjuntivos frouxos, como as pálpebras. • Edema Pulmonar: os pulmões apresentam duas a três vezes o seu peso normal. • Edema cerebral: pode ser localizado ou generalizado, dependendo da natureza e extensão da lesão ou processo patológico. ASPECTOS CLÍNICOS • As consequências de um edema variam de uma condição desagradável até uma fatal. • O edema subcutâneo é importante pois sinaliza uma possível doença cardíaca ou renal de base. • Mas quando é significativo pode prejudicar a cura de feridas ou a eliminação de infecções. Hiperemia e Congestão • Decorrem do aumento do volume sanguíneo dentro dos tecidos, mas têm mecanismos subjacentes e consequências diferentes. • Hipereremia: processo ativo resultante da dilatação arteriolar, levando a um aumento do fluxo sanguíneo. • Os tecidos afetados tornam-se vermelhos (eritema) devido ao aumento no fornecimento de sangue oxigenado. • Congestão: processo passivo resultante da redução do efluxo sanguíneo de um tecido. Pode ser sistêmica ou localizada. • A congestão, por aumentar a pressão hidrostática, leva a edema. • Na congestão crônica de longa duração, a hipóxia associada pode levar a lesão tecidual isquêmica e cicatrização. Esteffane Seitz- TXVIA MORFOLOGIA • Apresentam uma cor que varia do vermelho-escuro ao azul (cianose) devido à estase das hemácias e à presença de hemoglobina desoxigenada. • Congestão pulmonar aguda: apresenta capilares alveolares distendidos, edema septal alveolar e hemorragia intra- alveolar focal. • Congestão pulmonar crônica: causada por insuficiência cardíaca congestiva, os septos estão mais espessos e fibróticos e os alvéolos contêm vários macrófagos carregados de hemossiderina • Congestão hepática aguda: a veia centrolobular e os sinusoides estão distendidos. • Congestão hepática crônica: as regiões centrolobulares apresentam macroscopicamente uma cor vermelho- acastanhada e estão levemente deprimidas. Hemostasia • Processo orquestrado. • Envolve plaquetas, fatores da coagulação e o endotélio. • Ocorre no local da lesão vascular. • Culmina na formação do tampão fibrinoplaquetário, (serve para prevenir ou limitar a extensão do sangramento). • Mediada por mecanismos reflexos neurogênicos + secreção local de fatores como a endotelina (potente vasoconstritor derivado do endotélio). 1. Hemostasia primária: formação de tampão plaquetário. 2. Hemostasia secundária: deposição de fibrina. 3. Estabilização e reabsorção do tampão PLAQUETAS • Papel importante na hemostasia. • Formam o tampão primário que sela as rupturas vasculares e fornece superfície que liga e concentra fatores de coagulação ativados. • Fragmentos anucleados de células em forma de disco, que se originam dos megacariócitos, na medula óssea, para a corrente sanguínea. • Sua função depende de vários receptores glicoproteicos, um citoesqueleto contrátil e dois tipos de grânulos citoplasmáticos. • Após lesão vascular traumática, plaquetas encontram componentes do tecido conjuntivo subendotelial. • Em contato com proteínas, as plaquetas passam por sequência de reações que geram a formação de tampão plaquetário. ➢ Adesão plaquetária: Mediada por interações com vWF, que funcionam como ponte entre os receptores da superfície plaquetária glicoproteína Ib e o colágeno exposto. ➢ Após a adesão, as plaquetas mudam de forma, ficam com superfície aumentada e em forma de discos lisos. Há alterações na glicoproteína IIb/IIIa (aumentam sua afinidade pelo Esteffane Seitz- TXVIA fibrinogênio) e translocação de fosfolipídios com carga para a superfície. ➢ Secreção do conteúdo dos grânulos + ocorre com as mudanças na forma= ativação plaquetária. ➢ Ativação p.: acionada por vários fatores, como o fator da coagulação trombina e ADP. ➢ Agregação plaquetária: ocorre depois da ativação. A mudança conformacionalda glicoproteína permite a ligação do fibrinogênio. CASCATA DE COAGULAÇÃO • Uma série de reações enzimáticas amplificadoras que culminam com a deposição de um coágulo de fibrina insolúvel. • Coagulação em laboratório e in vivo são diferentes. • Etapas da laboratorial: divididas em vias intrínsecas e extrínsecas 1. Tempo de protrombina: teste que avalia a função das proteínas na via extrínseca. 2. Tempo de tromboplastina parcial: teste que avalia a função das proteínas na via intrínseca. • Trombina: fator de coagulação mais importante, suas atividades enzimáticas controlam vários aspectos de hemostasia e ligam a coagulação à inflamação e ao reparo tecidual. • Atividades da trombina: - Conversão de fibrinogênio em fibrina entrecruzada. - Ativação plaquetária. - Efeitos pró-inflamatórios. Distúrbios hemorrágicos • Geralmente ocorrem por causa dos defeitos primários ou secundários das paredes dos vasos. • Hemorragias maciças: associadas à ruptura de grandes vasos como a aorta ou do coração. • Defeitos sutis na coagulação: são evidenciados só sob condições de estresse hemostático, como cirurgias, menstruação ou traumas. • Defeitos da hemostasia primária: apresentam como pequenos sangramentos na pele ou nas membranas mucosas. • Defeitos generalizados com pequenos vasos: se apresentam como “púrpura palpável” e equimoses. ➢ Esquimoses: hemorragias com tamanho entre 1 e 2 cm. ➢ Tanto na púrpura quanto na equimose, o volume de sangue extravasado é pode criar uma massa palpável de sangue. Trombose • Anormalidades que levam a trombose: 1. Lesões endoteliais 2. Estase/fluxo sanguíneo turbulento 3. Hipercoagulabilidade do sangue LESÃO ENDOTELIAL • As lesões endoteliais que levam à ativação plaquetária são a base da formação de trombo no coração e na circulação arterial. • Troncos cardíacos e arteriais são ricos em plaquetas. • Alterações pró-trombóticas: ➢ Alterações pró-coagulantes: Cél. endoteliais ativadas por citocinas reduzem a expressão de trombomodulina e podem ativar prolongadamente a trombina. ➢ Efeitos antifibrinolíticos: células endoteliais secretam inibidores do ativador plasminogênio (limitam a Esteffane Seitz- TXVIA fibrinólise e diminuem expressão de t- PA. ALTERAÇÕES NO FLUXO SANGUÍNEO NORMAL • A turbulência contribui para trombose pois causa lesão endotelial. • A estase e a turbulência: - Promovem ativação endotelial, aumentam a atividade pró-coagulante e a adesão de leucócitos através de mudanças induzidas pelo fluxo na expressão de moléculas de adesão e de fatores pró-inflamatórios. - Rompem o fluxo laminar, permitem que as plaquetas entrem em contato com o endotélio. - Reduzem a eliminação e a diluição dos fatores de coagulação ativados pelo afluxo de sangue fresco e por inibidores dos fatores de coagulação. HIPERCOAGULABILIDADE • Qualquer distúrbio do sangue que predispõe à trombose. • Pode ser dividida em distúrbios primários (genéticos) e secundários (adquiridos). • Causas hereditárias devem ser consideradas em pacientes abaixo de 50 anos que possuem trombose, mesmo que tenha fatores de risco. • A adquirida é multifatorial. • Hipercoagulabilidade por contraceptivos orais: causada pelo aumento da síntese hepática dos fatores de coagulação e diminuição da síntese de fatores anticoagulantes. DESTINOS DO TROMBO • Propagação: os trombos acumulam plaquetas e fibrinas adicionais. • Embolização: O trombo se desaloja e viaja para outros locais da rede vascular. • Dissolução: resultado da fibrinólise, que pode resultar em rápida diminuição e total desaparecimento de trombos recentes. • Organização e recanalização: trombos antigos se organizam pela proliferação de células endoteliais, células musculares lisas e fibroblastos, sobre e dentro do trombo. Coagulação Intravascular Disseminada • Não é uma doença específica. • Complicação de várias condições associadas à ativação sistêmica da trombina. • Vários distúrbios podem ser agravados pela CID.