Prévia do material em texto
Anatomia Animal, Veterinaria, Agronomia Anatomia Universidade Federal do Ceará (UFC) 157 pag. Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark ANATOMIA COMPARADA DOS MAMÍFEROS DOMÉSTICOS DE PRODUÇÃO (apostila para os cursos de graduação em Zootecnia e Agronomia) Profa Ana Cláudia Nascimento Campos Universidade Federal do Ceará - UFC Profa Adj. do Departamento de Zootecnia FORTALEZA - 2011 Sala de Anatomia DZ-UFC Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 1 CAPÍTULO 1: INTRODUÇÃO À ANATOMIA Etmologicamente, anatomia significa separação ou desassociação de partes do corpo. No início ela era uma ciência simples descritiva, baseada em observações realizadas a olho nu e com uso de instrumentos simples de dissecação. Com a introdução do microscópio tornou-se possível estudar detalhes mais finos de estruturas de minúsculos organismos até então desconhecidos. Neste campo de pesquisa desenvolveu-se na ciência da anatomia microscópica ou histologia, convencionalmente distinguida da anatomia macroscópica. São três os métodos principais de estudo: o sistemático, o topográfico e o aplicado. Nesse livro será dotado o método sistemático, onde o corpo é visto como constituído de sistema de órgãos ou aparelhos que são semelhantes em origem e estrutura e estão associados na realização de certas funções. As divisões da anatomia sistemática são: (1) osteologia, descrição do esqueleto (ossos e cartilagem), cujas funções são apoiar e proteger as partes macias do corpo; (2) sindesmologia, descrição das juntas, cujas funções são dar mobilidade aos segmentos dos ossos rígidos e mantê-los unidos através de fortes faixas fibrosas, os ligamentos; (3) miologia, descrição dos músculos e estruturas acessórias que funcionam para colocar os ossos e as articulações em movimento; (4) esplancnologia, descrição das vísceras (incluindo os aparelhos digestivo, respiratório e urogenital, o peritônio e as glândulas endócrinas); (5) angiologia, descrição dos órgãos da circulação (coração, artérias, veias, vasos linfáticos e baço); (6) neurologia, descrição do sistema nervoso; (7) órgãos do sentido, que põem o indivíduo em contato com o meio ambiente e (8) tegumento comum, que funciona principalmente como um revestimento protetor do corpo, como uma parte importante do sistema regulador de temperatura. Embora pareça fácil para o iniciante, o conhecimento anatômico, o estudante deve estar sempre atento para prender as relações das várias partes, para com cada uma e com a superfície do corpo, porque o propósito final de seu estudo é visualizá-los em um animal vivo. O termo anatomia topográfica designa os métodos pelos quais as posições relativas das várias partes do corpo são rigorosamente determinadas. Pressupõe-se um conhecimento bem sedimentado de anatomia sistemática. Termos topográficos Para que a posição e a direção das partes do corpo sejam indicadas precisamente, empregam-se certos termos descritivos que precisam ser conhecidos desde já. Assumimos, na explicação destes termos, que sejam aplicados a um quadrúpede na sua posição ereta normal (em estação). A superfície orientada em direção ao plano de apoio (solo) é denominada ventral e a superfície oposta, dorsal; os relacionamentos das partes nesta direção são denominados de forma correspondente. O plano mediano longitudinal divide o corpo em metades similares. Uma estrutura ou superfície que está mais próxima do plano mediano que outra é chamada medial (ou interna) a ele, e um objeto ou superfície que esta mais distante do plano medial que o outro é chamado lateral (ou externo) a ele. Os planos paralelos ao medial são sagitais. Planos transversos ou segmentares cortam o eixo mais longo do corpo perpendicularmente ao plano mediano, ou um órgão ou membro em ângulos retos ao seu eixo mais longo. Um plano frontal é perpendicular aos planos mediano e transversal. O termo também é usado em referência a partes dos membros ou de vários órgãos cortados no mesmo sentido. O lado do corpo mais próximo à cabeça é denominado cranial e o mais próximo à cauda caudal. Com respeito às partes da cabeça, os termos correspondentes são rostral e caudal. Certos termos são usados em sentido especial quando aplicados aos membros. Proximal e distal expressam distâncias relativas das partes em relação ao eixo longo do corpo. Abaixo do carpo os termos usados são dorsal e palmar e abaixo do tarso, dorsal e plantar. Os termos superficial e profundo são úteis para indicar distância relativas a partir da superfície do corpo. Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 2 Plano mediano Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 3 ca ud al Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 4 O termo esqueleto é aplicado para a armação de estruturas duras que suporta e protege os tecidos moles dos animais. O esqueleto pode ser dividido inicialmente em três partes: (1) axial, (2) apendicular e (3) esplâncnico. O esqueleto axial compreende a coluna vertebral, as costelas, o esterno e o crânio. O esqueleto apendicular inclui os ossos dos membros torácicos e pélvicos. O esqueleto esplâncnico ou visceral consiste de certos ossos desenvolvidos na substância de algumas vísceras ou órgãos moles, como por exemplo, o osso hióide (base da língua), o osso do pênis do cão e o osso do coração do boi e carneiro. O número de ossos do esqueleto de um animal varia em função da espécie, idade (fusão dos ossos durante o crescimento), e dentro da mesma espécie. No animal adulto ocorrem variações numéricas constantes, por exemplo, o tarso do cavalo pode consistir de seis ou sete ossos e o carpo de sete ou oito; em todos os mamíferos domésticos, o número de vértebras caudais (coccígeas), varia consideravelmente. Os ossos são comumente divididos em quatros classes de acordo com sua forma e função. Esta classificação não é satisfatória; alguns ossos, por exemplo, as costelas e o esterno, não são claramente classificados, e outros podem ser invariavelmente classificados. Ossos planos: são expandidos e proporcionam suporte para a inserção de músculos, também protegem os órgãos que cobrem. Ex: escápula e muitos ossos do crânio. Consistem de duas lâminas de osso compacto com osso esponjoso e medula óssea vermelha/amarela interpostos. A cavidade esponjosa nos ossos do crânio é designada diploë. Ossos curtos: são aqueles que apresentam dimensões similares no comprimento, largura e espessura. Ex: carpo, tarso e sesamóides. Sua principal função parece aquela de difusão da concussão, pois diminuem a fricção ou mudam a direção dos tendões ou aumentam a força da alavancagem para os músculos e tendões. Ossos remanescentes ou irregulares: Este grupo inclui ossos de forma irregular, como as vértebras e os ossos da base do crânio, que são medianos e ímpares. Suas funções são várias e não tão especializadas como aquelas classes de ossos anteriores (sustentação, proteção ...). Ossos longos: são tipicamente de forma cilíndrica com extremidades alargadas. Eles são encontradosnos membros, onde atuam como colunas de suporte e como alavancas. A parte cilíndrica (diáfise) é tubular e limita a cavidade medular que contém a medula óssea vermelha/amarela; as extremidades são chamadas de epífises. Forame nutrício Subs. esponjosa Subs. esponjosa Canal medular Subs. compacta Figura 2.1 CAPÍTULO 2: OSTEOLOGIA GERAL Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 5 ESTRUTURA DOS OSSOS O osso é uma estrutura viva com vasos sangüíneos, linfáticos e nervos. Por isso cresce, está sujeito a doenças e quando quebrado cicatriza. Torna-se mais delgado e mais fraco com o desuso e hipertrofia-se para suportar aumento de peso. São constituídos por tecido orgânico e substâncias minerais. Os ossos funcionam como uma armação do corpo e como alavancas para os músculos e inserções de músculos, proporcionam proteção para algumas vísceras (coração, encéfalo, pulmões e medula espinhal), contem a medula óssea (formação das células sangüíneas) e constitui uma reserva mineral (fósforo, cálcio). A arquitetura do osso pode ser estudada por meio de cortes longitudinais e transversos do mesmo. O osso consiste de uma camada externa de substância compacta densa, na qual está a substância esponjosa mais frouxamente arranjada. Nos ossos longos típicos, a diáfise está escavada para formar a cavidade medular. A substância compacta difere grandemente em espessura em várias situações, ou seja, de acordo com as pressões e tensões aos quais o osso está sujeito. Nos ossos longos ela é mais espessa próximo à diáfise e mais delgada nas extremidades. Espessamentos circunscritos são encontrados em pontos que estão sujeitos à pressão ou tração especiais. DESCRIÇÃO HISTOLÓGICA DO OSSO O tecido ósseo possui um alto grau de rigidez e resistência à pressão. Por isso, suas principais funções estão relacionadas à proteção e à sustentação. Também funciona como alavanca e apoio para os músculos, aumentando a coordenação e a força do movimento proporcionado pela contração do tecido muscular. Os ossos ainda são grandes armazenadores de substâncias, sobretudo de íons de cálcio e fosfato. Com o envelhecimento, tecido adiposo também vai se acumulando dentro dos ossos longos, substituindo a medula vermelha que ali existia previamente. A extrema rigidez do tecido ósseo é resultado da interação entre o componente orgânico e o componente mineral da matriz. A nutrição das células que se localizam dentro da matriz é feita por canais. No tecido ósseo, destacam-se estes tipos celulares típicos: Osteócitos: estão localizados em cavidades ou lacunas dentro da matriz óssea. Destas lacunas formam-se canalículos que se dirigem para outras lacunas, tornando assim a difusão de nutrientes possível graças à comunicação entre os osteócitos. Os osteócitos têm um papel fundamental na manutenção da integridade da matriz óssea. Osteoblastos: sintetizam a parte orgânica da matriz óssea, composta por colágeno tipo I, glicoproteínas e proteoglicanas. Também concentram fosfato de cálcio, participando da mineralização da matriz. Durante a alta atividade sintética, os osteoblastos destacam-se por apresentar muita basofilia. Possuem sistema de Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 6 comunicação intercelular semelhante ao existente entre os osteócitos. Os osteócitos inclusive originam-se de osteoblastos, quando estes são envolvidos completamente por matriz óssea. Então, sua síntese protéica diminui e o seu citoplasma torna-se menos basófilo. Osteoclastos: participam dos processos de absorção e remodelação do tecido ósseo. São células gigantes e multinucleadas, extensamente ramificadas, derivadas da fusão de monócitos que atravessam os capilares sangüíneos. Nos osteoclastos jovens, o citoplasma apresenta uma leve basofilia que vai progressivamente diminuindo com o amadurecimento da célula, até que o citoplasma finalmente se torna acidófilo. Dilatações dos osteoclastos, através da sua ação enzimática, escavam a matriz óssea, formando depressões conhecidas como lacunas de Howship. Matriz óssea: é composta por uma parte orgânica (já mencionada anteriormente) e uma parte inorgânica cuja composição é dada basicamente por íons fosfato e cálcio formando cristais de hidroxiapatita. A matriz orgânica, quando o osso se apresenta descalcificado, cora-se com os corantes específicos do colágeno (pois ela é composta por 95% de colágeno tipo I). A classificação baseada no critério histológico admite apenas duas variantes de tecido ósseo: o tecido ósseo primário e o tecido ósseo secundário, também chamado de tecido ósseo haversiano ou lacunar. VASOS E NERVOS Os vasos linfáticos existem como canais perivasculares no periósteo e nos canais de Harvers da substância compacta. As fibras nervosas acompanham os vasos sanguíneos do osso. Algumas são vasomotoras e outras são sensitivas para o periósteo. São ricamente supridos por vasos sangüíneos. Reconhecem-se dois grupos de artérias: as periósticas e as medulares. As periósticas ramificam-se no perióstio. A grande artéria nutrícia ou medular (especialmente nos ossos longos) entre no chamado forame nutricio, passa no canal através da substância compacta e ramifica-se na medula óssea. Os vasos metafísários e epifisários que provem das artérias articulares suprem o osso esponjoso e a medula óssea nas extremidades do osso. As veias maiores do osso esponjoso, em geral, não acompanham a s artérias, mas emergem principalmente próximas às superfícies articulares. Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 7 ESQUELETO DE BOVINO – VISTA LATERAL Fonte: Coleção Sala de Anatomia DZ- UFC Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 8 ESQUELETO DE SUÍNO – VISTA LATERAL Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 9 CAPÍTULO 3: OSTEOLOGIA ANIMAL COMPARADA O MEMBRO TORÁCICO ESCÁPULA A escápula é um osso plano que se situa sobre a parte cranial da parede lateral do tórax, lateralmente comprimida, onde é mantida em posição por uma estrutura de músculos, sem formar uma articulação convencional com o tronco. É de contorno triangular e apresenta para descrição 2 faces, 3 bordas e 3 ângulos. É a base da região do ombro. Em ungulados, a escápula é prolongada dorsalmente por uma porção não ossificada, a cartilagem escapular, o que aumenta a área para fixação muscular. A cartilagem se torna cada vez mais ossificadas e, portanto, mais rígida com a idade. Bovino Escápula Eqüina: vista lateral direita Escápula Bovina: vista lateral esquerda O membro torácico consiste de quatro segmentos principais, a saber: cíngulo escapular, braço, antebraço e mão. O Cíngulo escapular (ou peitoral) quando completamente desenvolvido, consiste de três ossos – a escápula (ou osso do ombro), o coracóide (no galo) e a clavícula (ou osso do pescoço). O cíngulo escapular só é completamente desenvolvido nas aves e mamíferos inferiores. Mão Antebraço Braço Escápula Membro torácico bovino P ro fª A n a C láu d ia C am po s D Z - U FC Fossa supra-espinhosa Espinha Tubérculo supraglenóide Fossa infra-espinhosa Cavidade glenóide Ângulo caudal Borda cranial Borda caudal Ângulo cranial Borda dorsal Profª Ana Cláudia Campos DZ - UFC Acrômio Fossa supra-espinhosa Espinha Tubérculo supragleniode Fossa infra-espinhosa Cavidade glenoide Ângulo cranial Ângulo caudal Borda cranial Borda caudal Ângulo cranial Borda dorsal Profª Ana Cláudia Campos DZ - UFC Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 10 A face lateral da escápula é irregularmente dividida por uma espinha em fossas supra-espinhosa (cranial) e infra-espinhosa (caudal), a primeira é a menor das duas. Essa espinha, exceto no equino e no suíno, termina num processo saliente, o acrômio, entretanto, no suíno alguns autores aceitam a existência do acrômio. A face costal está escavada longitudinalmente. Na face medial encontra-se a fossa subescapular. Escápula Suína: vista lateral direita Escápula bovina: vista medial esquerda Escápula Suína: vista medial direita A borda cranial é convexa, a caudal é côncava e a dorsal suporta a cartilagem escapular. O ângulo cranial encontra-se na junção das bordas cranial e dorsal, o caudal é espesso e rugoso, o ventral ou glenóide une-se ao corpo do osso pelo colo da escápula, é alargado e suporta a cavidade glenóide. A clavícula está reduzida a uma intersecção fibrosa no músculo braquiocefálico. Fossa subescapular Face serrátil Borda cranial Borda caudal Ângulo cranialÂngulo caudal Borda dorsal P rofª A na C láudia C am pos D Z - U F C Espinha Tubérculo supraglenóide Fossa infra-espinhosa Cavidade glenóide Ângulo caudal Borda cranial Borda caudal Ângulo cranial Borda dorsal Acrômio P ro fª A n a C lá u d ia C am p o s D Z - U FC Fossa supra-espinhosa Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 11 ÚMERO Escápula equina: vista medial esquerda Fossa subescapular Face serrátil Borda cranial Borda caudal Ângulo cranial Ângulo caudal Borda dorsal P ro fª A n a C lá u d ia C am p o s D Z - U FC Fossa Subescapular Borda Dorsal Borda Cranial Face Serrátil Borda Caudal P ro fª A n a C lá u d ia C am p o s D Z- U FC Vista Ventral Cavidade Glenóide Tubérculo Supra-Glenóide Profª Ana Cláudia Campos DZ- UFC Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 12 O úmero forma o esqueleto do braço, é um osso longo que se estende do ombro proximalmente, onde se articula com a escápula, até ao cotovelo distal e caudalmente onde se articula com o rádio e a ulna, respectivamente. Assim, pode-se dizer que se situa obliquamente contra a parede ventral do tórax, mais horizontalmente nas grandes espécies que nas pequenas. Em eqüinos e bovinos, é relativamente mais curto e mais vigoroso que nos pequenos ruminantes. O corpo (diáfise) é irregularmente cilíndrico e tem a aparência de ter sofrido uma torção. No suíno parece um f em itálico sem o traço. Na extremidade proximal do úmero existe uma grande cabeça articular (caudo-medial) que se articula na cavidade glenóide da escápula. Nessa extremidade do osso (epífise proximal) existem ainda duas protuberâncias, os tubérculos maior (lateral) e menor (medial); que são separadas pelo sulco intertubercular. No cavalo, as protuberâncias são mais ou menos iguais, mas freqüentemente, a protuberância lateral (tubérculo maior) é maior, como ocorre no bovino. No boi, ambos os tubérculos se dividem em porções cranial e caudal. No cavalo, o sulco intertubercular é moldado por um tubérculo intermediário. A extremidade distal apresenta côndilos articulares, denominados de capítulo (côndilo lateral) e tróclea (côndilo medial), que foram um ângulo em relação ao eixo do corpo. Os côndilos articulam-se com a fóvea do rádio. Em todas as espécies, a parte caudal do sulco da tróclea é prolongada por uma fossa profunda (olécrano), que recebe o processo ancôneo da ulna. Existem também duas saliências conhecidas como epicôndilos. O epicôndilo medial dá origem aos músculos flexores do carpo e dos dedos, e o epicôndilo lateral dá origem aos músculos extensores do carpo e dedos. Vista lateral – úmero direito Eqüino Bovino Tuberosidade deltóide Fossa do olécrano Tróclea Capítulo Tubérculo intermediário Cabeça Tubérculo maior Fossa Radial Colo P ro fª A n a C lá u d ia C am p o s D Z - U FC Tuberosidade deltóide Tróclea Capítulo Tubérculo maior Fossa Radial cabeça P ro fª A n a C lá u d ia C am p o s D Z - U FC Capítulo Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 13 Vista cranial – úmero direito A tuberosidade deltóide é menos proeminente no bovino do que no eqüino. No suíno é muito pequena. Sulco intertuberal Tubérculo menor TrócleaCapítulo Tuberosidade deltóide Tubérculo maior Tubérculo intermediário Fossa Radial côndilos Equino Bovino Cabeça Vista caudal da epífise distal Fossa olecrânica Sulco intertuberal Tubérculo menor Tróclea Capítulo Tuberosidade deltóide Tubérculo maior Fossa Radial côndilos Vista Lateral - Suíno Sulco intertuberal Tubérculo menor Tróclea Capítulo Tuberosidade deltóide Tubérculo maior Epífise proximal Epífise distal Diáfise Fossa Radial P ro fª A n a C láu d ia C am p o s D Z - U FC Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 14 ANTEBRAÇO Há dois ossos, o rádio e a ulna. Estes variam quanto ao tamanho e a mobilidade. No cavalo e no boi os dois ossos são fundidos e a parte distal do membro é fixada na posição de pronação. O rádio está colocado cranialmente e suporta o peso. A ulna é bem desenvolvida somente em sua parte proximal, que forma uma alavanca para os músculos extensores do cotovelo. No suíno a ulna é o maior e mais longo dos dois ossos, mas ela está intimamente unida no lado caudal do rádio. RÁDIO E ULNA O rádio e a ulna formam o esqueleto do antebraço. A ulna é caudal ao rádio na parte superior do antebraço, mas lateral na parte inferior. Na maioria dos animais domésticos, esses dois ossos são mantidos firmemente juntos por ligamentos ou por fusão na porção inclinada. Desta maneira, a capacidade para movimentos como supinação* e pronação** é reduzida ou inexistente. Nos ungulados, os ossos estão fundidos, condição que atinge seu extremo no cavalo, em que apenas a extremidade superior da ulna permanece distinta. O rádio é um osso semelhante a uma haste, em geral muito mais forte que a ulna em ungulados. A extremidade proximal é dilatada transversalmente. No suíno o rádio é curto e estreito, mas espesso. O corpo aumenta de tamanho distalmente. Articula-se com a superfície articular distal do úmero. O corpo écomprimido craniocaudalmente e levemente curvo em seu comprimento. A parte distal da superfície cranial é sulcada para a passagem dos tendões extensores, ao passo que a superfície caudal é irregular para a fixação muscular. A extremidade distal do rádio é algo dilatada. Apresenta uma superfície articular que é côncava em sua parte cranial e convexa em sua parte caudal em ungulados. Medial à articulação radiocárpica, o rádio é prolongado e forma um processo estilóide; a projeção lateral correspondente é formada pela ulna e no cavalo pela porção do rádio que representa a ulna incorporada. O corpo da ulna, em geral, é reduzido e segue ao lado do rádio, ao qual se fixa por uma membrana ou fusão. A extremidade distal apresenta uma pequena faceta articular para o rádio e, além desta, continua como o processo estilóide lateral, que fica em contato com o osso ulnar do carpo. Mesmo no cavalo, a fusão é incompleta e existe um pequeno espaço interósseo entre os corpos dos dois ossos. No cavalo, o corpo da ulna está grandemente reduzido e se afila, terminando no meio do antebraço; sua extremidade distal está incorporada ao rádio. Vista lateral – rádio e ulna esquerdos de equino * supinação: rotação da mão de tal maneira que a palma fica voltada para frente (homem) ** pronação: ou voltada para trás. Vista caudal – rádio e ulna esquerdos Superfície articular cárpica Espaço inter-ósseo Corpo do radio Processo ancôneo Tuberosidade do olécrano Fóvea do radio Corpo da Ulna P ro fª A n a C láu d ia C am p o s D Z - U FC Processo estilóide Corpo do rádio Espaço inter-ósseo Ulna Processo ancôneo Tuberosidade do olécrano Corpo da Ulna P ro fª A n a C láu d ia C am p o s D Z - U FC Radio e Ulna direitos de Suíno Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 15 VISTA MEDIAL DIREITA VISTA MEDIAL Tuberosidade do olécrano Processo ancôneo Fóvea do Rádio Corpo do Rádio Corpo da Ulna Processo estilóide P ro fª A n a C láu d ia C am p o s D Z - U FC Radio e Ulna esquerdos de Bovino Tuberosidade do olécrano Processo ancôneo Fóvea do Rádio Corpo da Ulna Corpo do Rádio Processo estilóide Espaço interósseo P ro fª A n a C láu d ia C am p o s D Z - U FC Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 16 MÃO Tal como no homem, consiste de três subdivisões: o carpo, metacarpo e pelas falanges (dedos). Os ossos do carpo (homólogo do pulso do homem) têm um grupo de ossos pequenos e curtos, se articulam de maneira complexa. O plano do esqueleto cárpico primitivo é incerto, mas nas espécies domésticas os ossos em número de seis a oito (eqüino: 7-8; bovino: 6; suíno: 8) e são nitidamente expostos em duas fileiras transversas – uma proximal e outra distal. A fileira proximal compreende (em seqüência mediolateral) os ossos radial, intemediário, ulnar e acessório; o último parece como um apêndice projetando-se atrás do carpo. Os elementos da fileira distal são numerados de um a cinco (seqüência mediolateral), embora o quinto jamais se apresente como osso separado, estando suprimido ou fundido com o quarto. O primeiro costuma estar ausente, enquanto o segundo e o terceiro se fundem em ruminantes. Mão de Equino O padrão primitivo para o esqueleto da mão dos mamíferos apresenta cinco raios, cada um consistindo num osso metacárpico e em falanges proximal, média e distal. Este padrão foi modificado em todas as espécies domésticas. Assim, existem animais plantígrados (urso), que apoiam a planta dos pés no chão; os digitígrados (cães), que se sustentam apenas pelos dedos e ungulados (equino, suíno, ruminantes), que apoiam apenas as pontas dos dedos no chão. O processo resulta nos dedos abaxiais primeiramente perdendo contato permanente com o solo. Os suínos perderam totalmente o primeiro dedo; o 2o e o 5o dedos são muito reduzidos. Em ruminantes, embora estejam presentes elementos dos quatro dedos, os do par abaxial são vestigiais; os ossos metacárpicos do terceiro e quarto dedos funcionais se fundem num único osso. No cavalo, apenas o 3o raio sobrevive em forma funcional e seu eixo coincide com o do membro. Existem vestígios do segundo e quarto ossos metacárpicos. O único osso metacárpico (terceiro) do cavalo tem um corpo particularmente resistente, suporta um dedo, os outros dois são muito reduzidos e são comumente denominados de pequenos metacarpianos. Carpo Equino Fileira Proximal Fileira Distal Vista crânio-lateral Carpo Metacarpos Falange proximal Falange média Falange distal P ro fª A n a C lá u d ia C am p o s D Z - U FC Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 17 Vista caudal Nos ruminantes, consiste de um grande metacarpiano e um osso metacárpico lateral. O grande osso resulta da fusão do 3o e 4o ossos do feto e apresenta evidências de sua dupla origem quando adulto. O corpo é menor que no cavalo e é relativamente mais largo e mais plano. O pequeno osso metacárpico é uma haste arredondada com cerca de 3,5 – 4 cm de comprimento, que se localiza na parte proximal da borda lateral do grande osso. Apresenta a extremidade distal pontiaguda. No suíno quatro ossos metacarpianos estão presentes. O 1o está ausente, o 3o e o 4o são grandes e sustentam os principais dígitos, enquanto o 2o e o 5o são bem menores e comportam os dígitos acessórios. Dedos da mão No cavalo o dedo da mão consiste de três falanges e ossos sesamoides. No boi estão presentes quatro dedos. Destes, dois 3o e 4o estão completamente desenvolvidos, e cada um têm 3 falanges e 3 sesamoides. O 2o e 5o são vestígios e têm situação palmar ao boleto como “para dígitos”; cada um possui 1 ou 2 pequenos ossos que não se articulam com o resto do esqueleto. A falange proximal (1a falange) é um osso cilíndrico curto com a extremidade proximal adaptada à cabeça do osso metacárpico e uma articulação distal na forma de uma tróclea rasa articula-se com a falange média. No bovino é mais curta e mais estreita que no cavalo. A falange média (2a falange) é mais curta que a primeira falange, mas muito semelhante a ela. A falange distal corresponde à forma do casco ou unha em que está contida. Existem na face palmar da articulação metacarpofalângica distal, os ossos sesamóides proximais. Metacarpo bovino Metacarpos e falanges de caprinos Mão de suíno carpo metacarpos falanges Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 18 FALANGES OSSOS DO MEMBRO PÉLVICO O membro pélvico consiste de quatro segmentos: o cíngulo pélvico, coxa, perna e pé. Estas partes estão fundidas no adulto, mas é conveniente descrevê-las separadamente. Ílio: é o maior das três partes, sendo a porção expandida que se estende do acetábulo em direção cranial e está situado na parede lateral da pelve. O ílio é divisível em duas partes, o corpo e a asa. O corpo entra na formação do acetábulo e é contínuo com a face pélvica do ísquio e do púbis. A asa é a grande porção expandida. Ísquio:estende-se do acetábulo em direção caudal e está situado na parte caudal da parede ventral da pelve. É irregularmente quadrilátero. Forma a parte caudal do osso do quadril ou coxal e entra na formação do acetábulo, forame obturatório, e sínfise pélvica. Ele é divisível em um corpo, um ramo, uma tuberosidade e uma tábula. O corpo entra na formação do acetábulo e fica lateral ao forame obturatório. A tábula é uma porção aplanada irregularmente quadrilátera em posição caudal ao ramo e ao O cíngulo pélvico consiste do osso do quadril que se junta ao lado oposto, ventralmente, na sínfise pélvica e articula-se muito firmemente com o sacro, dorsalmente. Os dois ossos do quadril, juntos com o sacro e as primeiras vértebras caudais, constituem a pelve óssea. Sua parede dorsal ou teto é formado pelo sacro e as primeiras vértebras caudais e a parede ventral ou assoalho pelos ossos púbis e ísquio. As paredes laterais são formadas pelos ílios e parte acetabular dos ísquios. Osso do quadril: O osso coxal, do quadril ou osso inominado, é o maior dos ossos planos. Ele consiste primariamente de três partes, o ílio, ísquio e púbis, os corpos dos quais se juntam para formar o acetábulo, uma grande cavidade cotilóide que se articula com a cabeça do fêmur, no bovino é menor que no cavalo. proximal média distal Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 19 corpo e inclui a tuberosidade. A tuberosidade isquiática é uma protuberância rugosa, freqüentemente triangular, que serve como uma área da qual saem músculos. Púbis: estende-se do acetábulo em direção medial ao osso do lado oposto até a sínfise púbica e está situado na parte cranial (assoalho) da pelve. É divisível em um corpo e um ramo cranial e caudal. Sua borda caudal limita a parte cranial do forame obturatório. O corpo é espesso e entra na formação do acetábulo. O ramo cranial estende-se do corpo ao plano mediano onde se encontra com o lado oposto para formar a sínfise púbica. O ramo caudal caminha caudalmente na porção medial do ramo cranial. Ele tornar-se estreito à medida que se dirige caudalmente para unir-se ao ramo do ísquio ao longo do forame obturatório. OSSOS COXAIS BOVINO VISTA VENTRAL Sínfise pélvica Forame Obturatório Acetábulo Tuberosidade Coxal Tuberosidade Sacral Asa Ílio Corpo do Ílio Púbis Tuberosidade Isquiática Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 20 Vista Dorso-Caudal Vista dorsal dos ossos coxais de ovino Vista ventral dos ossos coxais de ovino Ossos Coxais Bovino Sínfise pélvica Tuberosidade Isquiática Tuberosidade Coxal Tuberosidade Sacral Forame Obturatório Púbis Asa do Ílio Corpo do Ílio Ísquio Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 21 FÊMUR É o maior e mais pesado dos ossos longos. É o osso da coxa. Estende-se de modo obliquo, distal e cranialmente, articulando-se proximalmente com o acetábulo e distalmente com a tíbia e a patela (formando a articulação do joelho). Apresenta para exame duas extremidades e um corpo. O corpo (diáfise): no eqüino é geralmente cilíndrico, mas é aplanado caudalmente e mais largo proximalmente que distalmente. O bovino tem o corpo relativamente pequeno, que é cilíndrico no meio e prismático distalmente. No suíno, o corpo é relativamente largo e maciço, no qual quatro superfícies poderiam ser reconhecidas. Diferenças entre as espécies na forma geral do cíngulo pélvico são muito pronunciadas. O ílio é mais vertical nas espécies maiores e mais pesadas, uma conformação que deixa a articulação sacroilíaca e, portanto, o peso do tronco mais aproximadamente acima da articulação coxofemoral. Em espécies menores, nas quais essa consideração é de pouca importância, o ílio é muito oblíquo, isso desloca o assoalho pélvico caudalmente com relação às vértebras e aumenta a eficácia dos músculos abdominais que flexionam a coluna nos saltos. Veja na figura ao lado, o osso coxal de um bovino jovem mostrando as três partes ósseas que formaram o acetábulo. acetábulo ílio ísquio púbis Área de crescimento Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 22 Fêmur Esquerdo Equino Vista Caudal Vista Cranial Fêmur Direito Bovino Vista Caudal Vista Cranial Fêmur Suíno Direito Cabeça Trocanter Maior Côndilos Tróclea Terceiro Trocanter Terceiro Trocanter Chanfradura Profunda Fossa Supracondilar Trocanter Menor Fossa Intercondilar Cabeça Cabeça Trocanter Maior Fossa Trocantérica Trocanter Menor Terceiro Trocanter Tróclea Fossa Intercondilar Côndilos Fossa Trocantérica Fossa Supracondilar Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 23 Vista Caudal Vista Cranio-lateral A extremidade proximal é larga e consiste da cabeça, colo e trocanter maior. A cabeça está colocada no lado medial, em posição proximal e um pouco cranialmente. É aproximadamente esférica e articula-se com o acetábulo. A cabeça é escavada medialmente por uma fóvea (chanfradura profunda no equino). No bovino a cabeça é menor que no equino, a fóvea é pequena e rasa, o colo é bem definido (exceto proximalmente), o trocanter maior é muito maciço e não dividido. No equino o trocanter maior está situado lateralmente e apresenta três aspectos (parte cranial, caudal e chanfradura). No suíno a cabeça é acentuadamente curva, o colo é distinto e o trocanter maior, embora maciço, não se estende acima do nível da cabeça. Equino Bovino Suíno A extremidade distal é larga em ambas as direções e compreendem a tróclea cranialmente e dois côndilos caudalmente. A tróclea consiste de duas cristas separadas por um sulco e forma uma extensa área para a articulação com a patela. Os côndilos medial e lateral são separados por uma fossa profunda intercondilóide e Cabeça Tróclea Trocanter Maior Trocanter Menor Cabeça Fossa Trocantérica Côndilos Fossa Intercondilar Chanfradura Profunda Fóvea Fóvea Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 24 se articulam com os côndilos da tíbia e os meniscos da articulação do joelho. No suíno o terceiro trocanter está ausente.PATELA É um osso sesamóide largo que se articula com a tróclea do fêmur; está desenvolvido na inserção do quadríceps femoral, o principal extensor do joelho. É prismático no eqüino e bovino. É prolongado medial e lateralmente por cartilagens parapatelares no estado fresco. No suíno, é muito comprimida transversalmente. Equino Bovino Suíno vista cranial: 1. Base, 2. ápice, 3. face cutânea. OSSOS DA PERNA Compreendem dois ossos, a tíbia e a fíbula. TÍBIA É um osso longo, grande e prismático que suporta e articula-se proximalmente com o fêmur, distalmente com o talus (osso társico tibial) e lateralmente com a fíbula. A tíbia estende-se obliquamente, distal e caudalmente da soldra (prega da virilha ou babilha do joelho). No suíno a tíbia é ligeiramente curva e convexa medialmente. A tíbia do bovino parece com a do cavalo, porém é um pouco mais curta. O corpo (diáfise) é largo e trifacetado proximalmente, torna-se menor e achatado em direção sagital distalmente, mas alarga-se na extremidade distal. No bovino, o corpo é perfeitamente encurvado, tanto que o lado medial é convexo. A extremidade proximal é larga e trifacetada apresenta duas eminências articulares, os côndilos medial e lateral. A eminência intercondilar ou espinha é uma proeminência central, e em cujos lados prolongam-se as faces articulares. A extremidade distal é muito menor que a proximal, é de forma quadrangular e mais larga medialmente que lateralmente. Apresenta uma face articular que se adapta à tróclea do tarso tibial (astrágalo) e consiste de dois sulcos separados por uma crista. No bovino, os sulcos articulares e a crista da extremidade distal ou tróclea são quase de direção sagital. A do suíno é semelhante a do bovino, porém é relativamente mais estreita transversalmente. eqüino bovino suíno 1 1 1 2 2 2 3 3 3 Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 25 FÍBULA Está situada ao longo da borda lateral da tíbia e tem apenas contato restrito com o jarrete. Ela é mais delgada que a tíbia e não se articula com o fêmur. No suíno ela possui um corpo completo e duas extremidades estendem-se por todo o comprimento da região, estando separado da tíbia pelo espaço interósseo da perna. No equino é um osso longo reduzido, ou seja, uma haste delgada que forma os limite lateral do espaço interósseo da perna, sua extremidade distal geralmente termina em ponta na metade a 2/3 distais da borda lateral da tíbia. No bovino, a cabeça está fundida com o côndilo lateral da tíbia e é continuada distalmente por um pequeno prolongamento, em haste pontiaguda. Todavia, como a fíbula primitiva é cartilaginosa, a parte proximal pode sofrer ossificação parcial, formando uma delgada haste que se une a borda lateral da tíbia (ver figura abaixo). No suíno, o corpo é achatado lateralmente, a parte distal é mais estreita e espessa. A extremidade distal no eqüino está fusionada com a tíbia, constituindo o maléolo lateral, no bovino, permanece separada e forma o maléolo lateral (osso maleolar). Ela é quadrilátera no seu contorno e comprimida lado a lado. No suíno, forma o maléolo lateral. Tíbia Direita Equina Tíbia e Fíbula Direita Bovina Vista Caudal Vista Cranial Vista Caudal Vista Cranial Eminência Intercondilar Côndilos Estrias Musculares Eminência Intercondilar Eminência Intercondilar Estrias Musculares Fíbula Maléolo lateral Tuberosidade da Tíbia Tuberosidade da Tíbia Côndilos Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 26 Tíbia e Fíbula Esquerdas Suína ESQUELETO DO PÉ Homólogo do pé humano consiste de três subdivisões, a saber, o tarso, metatarso e dedos (falanges). No eqüino, o tarso ou jarrete compõe-se de seis ossos curtos (às vezes 7). Estão dispostos em três fileiras: proximal, média e distal. No bovino são 5 peças, pois os ossos társico central e 4o , e 2o e 3o estão fundidos. Pé Equino Côndilos Eminência Intercondilar Eminência Intercondilar Fíbula Maléolo Lateral Eminência Intercondilar Côndilo Vista Dorsal da epífise proximal da Tíbia Vista Cranial Vista Caudal Tarso (jarrete) Metatarso Falanges Ossos sesamóides Metatarso e falanges caprino Pé Suíno Tarso Metatarso Falanges Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 27 TARSO TIBIAL (ASTRÁGALO, TALUS): o osso é medial da 1a fileira proximal, é de forma extremamente irregular. No bovino é relativamente longo e estreito. CALCÂNEO (TARSO FIBULAR): é o maior dos ossos do jarrete e forma uma alavanca para os músculos extensores do jarrete. No bovino é mais longo e mais delgado que no cavalo; no suíno a tuberosidade do calcâneo é profundamente sulcada plantarmente. OSSO CENTRAL DO TARSO: é irregularmente quadrilátero. 1O e 2O TARSIANOS: são fusionados no cavalo é o menor dos ossos társicos. 3O OSSO TARSIANO: assemelha-se ao osso central, porém é menor e de contorno triangular no cavalo. 4o osso tarsiano Os ossos restantes do membro pélvico lembram os do membro torácico, embora tendam a ser menos vigorosos. Os ossos metatarsianos são mais longos (+/- 20%) que os metacárpicos e são mais redondos ao corte sagital. Tarso Calcâneo Talus Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 28 A COLUNA VERTEBRAL É formada por uma série de ossos chamados vértebras. Ela consiste de uma cadeia mediana e ímpar, de ossos irregulares que se estendem do crânio à extremidade da cauda. No adulto, certas vértebras fundem-se para formar uma massa simples óssea com a qual o cíngulo pélvico se articula. As vértebras assim fundidas são chamadas vértebras fixadas (ou falsas), distinguidas das vértebras móveis (ou verdadeiras). A coluna vertebral é subdividida para descrição em cinco regiões, que são designadas de acordo com a parte do corpo na qual as vértebras estão situadas. Assim as vértebras são denominadas cervicais, torácicas, lombares, sacrais e caudais (coccígeas). O número de vértebras em uma dada espécie é perfeitamente constante para cada região, exceto na última, tanto que a fórmula vertebral pode ser expressa como se segue: Cavalo: C7T18L6S5Ca15-21 Bovino: C7T13L6S5Ca18-20 Ovino: C7T13L6-7S4Ca16-18 Suíno: C7T14-15L6-7S4Ca20-23 As vértebras, em uma dada região, têm características através das quais elas podem ser distinguidas daquelas de outras regiões, e as vértebras individualmente têm características especiais que são mais ou menos claramente reconhecíveis. Todas as vértebras típicas têm um plano estrutural comum que pode de início ser compreendido. Uma vértebra consiste de corpo, arco e processos. rame O corpo e o arco formam um anel ósseo que envolve o forame vertebral. Os processos encontrados são: articulares, espinhoso e o transverso.Articulares: são dois craniais e dois caudais que se projetam na borda do arco. São superfícies articulares adaptadas àquelas das vértebras adjacentes. Um processo (apófise) espinhoso está situado dorsalmente no meio do arco. Varia de forma, tamanho e direção nas diferentes vértebras, sendo muito proeminente nas vértebras torácicas. Este processo proporciona inserção a músculos e ligamentos. Transversos: são dois e projetam-se lateralmente dos lados do arco ou da junção do arco com o corpo. Na região cervical, os processos transversos da 3a a 6a vértebra apresentam uma porção cranial e caudal. Ainda nesta região, os processos transversos são perfurados pelo forame transverso. Na região torácica, cada um apresenta uma faceta para articulação com o tubérculo de uma costela. Os processos transversos dão inserção a músculos e ligamentos. O corpo da vértebra é a massa mais ou menos cilíndrica sobre a qual as outras partes estão formadas. As extremidades cranial e caudal estão inseridas nas vértebras adjacentes por discos fibrocartilaginosos intervertebrais e são usualmente convexas e côncavas, respectivamente. A superfície dorsal é aplanada e entra na formação do canal vertebral, enquanto a face ventral é limitada lateralmente e está em relação com vários músculos e vísceras. Na região torácica, o corpo apresenta dois pares de facetas nas extremidades, para a articulação com a parte das cabeças de dois pares de costelas. O arco está formado sobre a face dorsal do corpo e consiste de duas metades laterais, sendo cada uma, constituída de um pedículo (parede lateral do arco) e uma lâmina dorsal (completam o arco dorsalmente). Processo espinhoso Corpo Facetas costais Processo Transverso Processo articular Forame vertebral Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 29 Algumas vértebras também apresentam uma crista ventral, tubérculo ventral ou um arco hemal. Processos mamilares ao encontrados em muitos animais, nas vértebras torácicas, caudais e lombares craniais, entre os processos transversos e articulares craniais ou sobre os últimos. Processos acessórios, quando presentes, estão situados entre os processos transversos e articulares caudais. Vértebras cervicais Bovina Caprina As duas primeiras vértebras cervicais são respectivamente o Atlas e o Axis e estão muito modificadas para permitir livre movimento da cabeça, requerendo descrição individual. O Atlas é o mais singular de todas as vértebras, pois aparentemente não possui corpo algum, mas consiste em duas massas laterais unidas por arcos dorsal e ventral. Vista Dorsal Vista Dorsal Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 30 Atlas Bovino- Vista Dorsal Atlas Bovino- Vista Caudal Atlas Equino- Vista Dorsal Atlas Equino - Vista Caudal O Axis em geral é a vértebra mais longa. Sua extremidade cranial apresenta o dente, que é semelhante a um bico em determinadas espécies. A extremidade cranial do corpo e a superfície ventral do dente colaboram na formação de uma única articulação ampla com o Atlas. O arco contém um processo espinhoso muito alto. Os processos transversos são grandes. Cada um deles perfurado em direção à sua raiz por um forame transverso que conduz a artéria, veia e os nervos vertebrais. Axis Equino – Vista Lateral Axis Equino – Vista Caudal Axis Bovino – Vista Lateral Axis Bovino – Vista Caudal Forame Alar Tubérculo Dorsal Asa Forame Vertebral Crista Ventral Fóvea para o dente do axis Forame Alar Tubérculo Dorsal Forame Vertebral Forame Vertebral Lateral Crista Ventral Asa Processo Espinhoso Dente Superfície Articular Processo Articular Crista Ventral Crista Ventral Corpo Forame Vertebral Lateral Forame Vetebral Forame Transverso Processo Articular Processo Transverso Processo Transverso Fóvea para o dente do axis Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 31 As vértebras cervicais restantes se tornam progressivamente mais curtas, à medida que a série é observada em direção a sua junção com o tórax. As extremidades do corpo são mais distintamente curvadas que em outras regiões e se inclinam obliquamente. A face ventral apresenta uma crista sólida. O arco é forte e mais largo, mas o processo espinhoso é pouco desenvolvido, exceto na última (mas com variação considerável entre as espécies). A 7a vértebra cervical que serve de transição para as vértebras da região torácica, distingue-se por seu processo espinhoso mais alto, por processos transversos não-perfurados e pela presença de fóveas na extremidade caudal de seu corpo, para a articulação com o 1o par de costelas. Vértebras torácicas Face Cranial Em algumas espécies, os últimos elementos da série torácica possuem ainda outros processos (acessórios), que se originam da parte caudal do arco, sobrepondo- se ao osso seguinte. Dente Processo Espinhoso Processo Transverso Crista Ventral Corpo Processo Articular Forame Transverso Forame Vertebral Forame Transverso Forame Vertebral Lateral Processo Articular Crista Ventral Corpo As vértebras torácicas se articulam com as costelas e correspondem às mesmas em número. Todas as vértebras torácicas compartilham aspectos comuns, mas também existem alterações seriadas que distinguem os ossos mais craniais dos mais caudais. Os aspectos torácicos comuns são: corpos curtos com extremidades achatadas; fóveas (facetas) costais em ambas as extremidades para as cabeças das costelas e nos processos transversos para o tubérculo das costelas; processos transversos curtos e grossos; arcos firmemente ajustados; processos espinhais muito proeminentes; processos articulares baixos. Processo Espinhoso Processo Articular Processo Transverso Corpo Forame Vertebral Faceta Costal Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 32 Vértebra Torácica – face cranial Vértebra Torácica – face caudal Vista Lateral Vértebras lombares As vértebras lombares diferem das vértebras torácicas no maior comprimento e no formato mais uniforme de seus corpos. Outras características regionais são: ausência de fóveas ou facetas costais; uma altura menor e geralmente inclinação anterior dos processos espinhosos; processos transversos achatados e longos que se projetam lateralmente; processos articulares enganchados (interligados); e processos mamilares proeminentes e às vezes, também processos acessórios. Forame Vertebral Faceta Costal Corpo Processo Transverso Faceta para o tubérculo da costela Faceta Costal Processo ArticularCrista Ventral Processo Espinhoso Faceta Costal Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 33 Vertebra Lombar - Vista Caudal Vértebras sacrais Caudal ao lombo, a coluna vertebral é prolongada pelo sacro, um osso único formado pela fusão de várias vértebras. O sacro forma uma articulação firme com o cíngulo pélvico, através do qual o impulso dos membros pélvicos é transmitido ao tronco. Em alguns animais (especialmente o suíno), uma ou mais vértebras da cauda podem ser incorporadas ao sacro posteriormente. Na maioria das espécies, a face dorsal da cavidade da pelve é marcada pelo número apropriado de processos espinhosos, embora as mesmas possam ser reduzidas ou mesmo ausentes (suíno). Quando presentes podem preservar sua independência (cão, eqüino) ou se fundir, formando uma crista contínua (ruminantes). O grau de fusão das vértebras sacrais varia entre as espécies; a menos completa é a do suíno. Sacro Bovino – Vista Dorsal O número de vértebras caudais varia bastante, mesmo dentro de uma única espécie. Os contornos da coluna vertebral variam com a postura, espécie e raça. A maior parte da cauda se inclina para baixo em grandes animais. Processo Espinhoso Processo Transverso Processo Articular Caudal Corpo Forame Vertebral Crista Ventral Sacro Bovino – Vista Lateral Crista Mediana Processo Articular Asa Forame do Sacro Crista Lateral Crista Lateral Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 34 Sacro Bovino – Vista Cranial COSTELAS Corpo Canal do Sacro Asa Sacro Equino – Vista Dorsal Sacro Equino – Vista Lateral Asa Processo Espinhoso Processo Articular Forame do sacro Sacro Suíno – Vista Dorsal Sacro Suíno – Vista Ventral Asa do sacro Forame do sacro Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 35 O esqueleto torácico é completado pelas costelas e esterno. As costelas são ossos alongados, encurvados, que formam o esqueleto das paredes laterais do tórax. Elas estão dispostas em série aos pares que correspondem em número às vértebras torácicas. Cada uma articula-se dorsalmente com duas vértebras e é prolongada ventralmente por uma cartilagem costal. Aquelas que se articulam com o esterno por meio de duas cartilagens são designadas costelas esternais (verdadeiras); as restantes são as costelas asternais (falsas). As últimas costelas da série que têm suas extremidades ventrais livres e não inseridas a uma cartilagem adjacente são chamadas costelas flutuantes. Os intervalos entre as costelas são chamados espaços intercostais. As costelas de diferentes partes da série variam muito em comprimento, curvatura e outras características. Uma costela típica consiste de um corpo e duas extremidades. A extremidade dorsal da costela termina numa cabeça arredondada que apresenta duas faces, cada uma para articulação com o corpo de uma das duas vértebras com as quais está ligada. A cabeça é ligada ao corpo da costela por um colo curto e apertado, cuja parte inferior apresenta um tubérculo lateral. O corpo da costela começa além do tubérculo. É longo, curvo em seu comprimento e em geral achatado lateralmente, em particular nas espécies maiores e em direção à extremidade inferior. As cartilagens costais são hastes de cartilagem hialina em continuidade às costelas, são flexíveis no animal jovem. Torna-se mais rígida à medida que a calcificação se desenvolve e aumenta com a idade. Aquelas das costelas esternais articulam-se com o esterno, enquanto que aquelas das costelas asternais estão superpostas e inseridas umas às outras por tecido elástico, para formar o arco costal. As cartilagens das costelas flutuantes não estão inseridas àquelas adjacentes. A primeira costela é sempre relativamente forte, curta e reta. Sua cartilagem também é curta e grossa e se articula com o esterno numa articulação firme que fixa a costela; isto lhe permite funcionar como uma sólida base, em cuja direção as outras costelas podem ser tracionadas à inspiração. As costelas seguintes aumentam em comprimento, curvatura e inclinação caudoventral, mais acentuadamente acima da parte caudal da parede torácica, embora as duas ou três últimas possam novamente ser algo mais curta. As cartilagens das costelas esternais são curtas e aproximadamente tão espessas quanto as costelas ósseas; as cartilagens das costelas asternais são extremamente finas e se afilam em direção às suas extremidades ventrais. Nos suínos, as costelas são em número de 14 ou 15 pares, das quais 7 são normalmente verdadeiras e 7 ou 8 são falsas. Cabeça Colo Tubérculo Colo Cabeça Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 36 Esterno O esterno (osso do peito) é um osso segmentado mediano que completa o esqueleto do tórax ventralmente e articula-se com as cartilagens das costelas esternais lateralmente. Ele consiste de um número variável de segmentos ósseos dependendo da espécie, unidos por meio de cartilagem no indivíduo jovem. Sua forma varia com aquela do tórax em geral e com o desenvolvimento das clavículas nos animais em que estes ossos estão presentes. Sua extremidade cranial, o manúbrio esternal é especialmente afetado pelo último fator, sendo larga e forte quando as clavículas são bem desenvolvidas e articula-se com ela (homem), e relativamente pequena e comprimida lateralmente quando elas estão ausentes (cavalo). As cartilagens do primeiro par de costelas articulam-se com ela. O corpo ou mesoesterno apresenta lateralmente, na junção dos segmentos, facetas côncavas para articulação com as cartilagens das costelas esternais. A extremidade caudal ou última esternébra apresenta o processo xifóide. A cartilagem xifóide estende-se caudalmente do processo xifóide. Ela é delgada e larga no eqüino, bovino, caprino e ovino. No eqüino tem forma de canoa, é comprimido lateralmente. No bovino, o esterno tem sete esternébras, sendo mais largo, mais aplanado e relativamente mais longo que no cavalo. No ovino são 6 esternebras. O esterno de suínos apresenta 6 segmentos e assemelha-se ao do bovino. Esterno Bovino – Vista Ventral 1ª Esternébra: Manúbrio 7ª Esternébra com Processo Xifóide Fragmento da cartilagem Xifóide 2ª Esternébra 3ª Esternébra 4ª Esternébra 5ª Esternébra 6ª Esternébra Manúbrio Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 37 CRÂNIO O crânio constitui um meio de proteção para o encéfalo, os órgãos dos sentidos especiais (visão olfato, audição, equilíbrio e gustação), as aberturas para as passagens de ar e alimentos e os maxilares e mandíbulas, incluindo os dentes para a mastigação. A maior parte dos ossos do crânio é plana, desenvolvida em membranas; aqueles ossos da base do crânio podem ser classificados como irregulares e são desenvolvidos em cartilagem. Somente dois ossos formam articulações móveis permanentes com outras partes do crânio. A mandíbula (ossomaxilar inferior) forma articulações sinoviais com os ossos temporais, e o osso hióide está inserido ao último por hastes de cartilagem. As articulações imóveis localizadas entre a maioria dos ossos do crânio são chamadas de suturas. Elas tomam a aparência de linhas irregulares chamadas linhas de sutura. Elas tomam a aparência de linhas irregulares chamadas linhas de sutura no crânio de animais jovens. Com o evoluir da idade, muitas das suturas desaparecem por fusão óssea entre os ossos adjacentes. Alguns autores dizem que o crânio é um mosaico de muitos ossos, na maioria das vezes pares, mas alguns são medianos e ímpares, que se encaixam perfeitamente para formar uma única estrutura rígida. O crânio apresenta numerosos foramens, canais e fissuras através dos quais os nervos craniais e vasos sanguíneos entram e saem. CRÂNIO DO CAVALO Caracteriza-se por uma face relativamente longa, uma característica que se desenvolve posteriormente com o tamanho crescente; é, portanto, mais pronunciando em animais adultos, que em jovens e em raças grandes que em pequenas. O crânio é relativamente estreito e, a crista sagital externa é mais fraca. A fronte é larga entre as origens dos processos zigomáticos dos ossos frontais, que se inclinam ventralmente e se unem aos arcos zigomáticos. O arco zigomático é nitidamente forte, mesmo sem levar em consideração o suporte extra que obtém o processo zigomático, ligando-o ao osso frontal. Não se curva lateralmente e, em seu aspecto caudoventral, apresenta uma superfície articular bem complexa; esta superfície compreende uma tuberosidade rostral, uma fossa intermediária e um processo retroarticular saliente. A órbita se apresenta quase que lateralmente e possui uma borda óssea completa; sua cavidade é invadida em cima pela grande tuberosidade da maxila que parece continuar o processo alveolar diretamente. O arco zigomático se prolonga rostralmente, além da órbita, como uma aresta saliente sobre a superfície lateral da face. Esta aresta, a crista facial, segue paralela ao contorno dorsal do focinho e termina acima de um septo entre os alvéolos do terceiro e quarto dentes molares. Uma incisura profunda (nasoincisiva) separa o osso nasal agudo do incisivo. Esta incisura e o limite rostral da crista facial são marcos identificados muito facilmente. São usados como guias para a posição do forame infra-orbitário, que se situa um pouco caudal ao meio da linha de união. As características visíveis no aspecto ventral situam-se mais ou menos um mesmo nível. A parte caudal desta superfície se distingue pelos processos jugulares grandes e muito salientes e pelos contornos recortados das grandes aberturas de cada lado do osso occipital. Cada abertura resulta da impossibilidade do osso temporal de atingir a borda lateral do osso occipital, o que permite a confluência de vários forames que são distintos no cão. A parte caudal corresponde à fissura tímpano-occipital; a parte cranial (forame lacerado) combina os forames oval e carótido. A bolha timpânica não é proeminente, mas os processos estilóide (para o aparelho hióide) e muscular do osso temporal são bem desenvolvidos. As coanas situam-se quase no plano do palato duro. A lâmina vertical do osso que separa a região coanal da pterigopalatina apresenta um processo hamular proeminente. O palato é plano e sem nada de extraordinário. A maior parte de sua borda é ocupada pelos alvéolos dos dentes incisivos e molares. Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 38 Há uma protuberância occipital externa bem pronunciada na superfície nucal e a borda dorsal do forame magno. A mandíbula é maciça e suas metades direita e esquerda divergem num ângulo relativamente pequeno. A sínfise se torna obliterada bem cedo, em geral por volta de dois anos. A borda inferior apresenta uma incisura vascular saliente, onde os nervos faciais se viram para a face. O ramo é alto; o processo coronóide se projeta em grande parte na fossa temporal e o processo articular apresenta a superfície articular oval bem acima do plano oclusivo dos dentes molares. As partes do aparelho hióide estão situadas entre os ramos da mandíbula e são comprimidas lateralmente. Um processo lingual considerável se projeta do basisfenóide junto à raiz da língua. Vista Lateral do Crânio Equino Vista Dorsal do Crânio Equino Profª Ana Cláudia Campos DZ - UFC P ro fª A n a C láu d ia C am p o s D Z - U FC Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 39 CRÂNIO DO BOVINO É relativamente curto é largo e sua forma geral sendo piramidal. Processos cornuais (cornos) se projetam dos ossos frontais de raças com cornos, onde as superfícies dorsal, lateral e nucal se unem; seu tamanho e sua direção variam grandemente com a raça, idade e sexo. A região frontal muito larga e plana é limitada por uma fossa temporal salientes, que pende sobre a fossa temporal profunda e restringe a mesma ao aspecto lateral do crânio. A fronte se prolonga de maneira uniforme no contorno dorsal do focinho. As principais características do aspecto lateral são o confinamento da fossa temporal e a elevação da borda orbitária acima de suas adjacências. A borda é completa e, sua parte caudal, é formada pela união dos processos dos ossos zigomático e frontal. Não existe qualquer crista facial, apenas uma discreta tuberosidade facial, da qual se origina a parte rostral do masseter. O forame infra- orbitário fica diretamente acima do primeiro dente molar, bem baixo em direção ao palato. A superfície ventral é muito irregular, com a base cranial localizada num plano consideravelmente mais dorsal que o palato. Os ossos temporal e occipital são separados por uma fissura estreita, uma estrutura intermediária entre a sutura no cão e a larga abertura do cavalo e do suíno. A bolha timpânica é proeminente e lateralmente comprimida. As coanas são separadas pelo prolongamento caudal da parte ventral do septo nasal e são envoltas lateralmente por placas muito extensas de osso. O palato, longo e estrito, é limitado por altos processos alveolares. Não existem, naturalmente, quaisquer alvéolos para dentes incisivos ou caninos (ausentes nos ossos incisivos de ruminantes). Na figura ao lado encontra-se o crânio de equino cujas suturas já desapareceram, exceto a sutura internasal. Vista Lateral Vista Rostral Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 40 A sínfise mandibular se ossifica tarde, se é que isto acontece, em ruminantes. Em geral, a mandíbula é mais fraca que a do cavalo, uma característica muito evidente no corpo do osso com sua borda ventral levemente convexa. O processo coronóide é alto e caudalmente curvado. A superfície articular é côncava e alargada lateralmente. Vista Dorsal – Crânio Bovino Vista lateral – Crânio Bovino Processo Cornual Frontal Nasal Incisivo Maxilar Lacrimal Órbita Temporal Processo Cornual Frontal Lacrimal Zigomático Maxilar Forame Infra- orbitário Incisivo Nasal Parietal Forame Supra-orbitário Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark41 CRÂNIO DO SUÍNO É muito variável. Ele é mais ou menos piramidal em raças primitivas, mas se encurva agudamente, constituindo uma proeminência elevada disposta acima do encéfalo, nas raças geneticamente melhoradas. A superfície dorsal do crânio é agudamente demarcada ao nível da fossa temporal por uma proeminente linha temporal. Esta linha se continua com o processo zigomático do osso frontal, que deixa de completar a margem orbitária. A órbita é pequena. O arco zigomático é extremamente robusto e profundo, ajudando a limitar a fossa temporal lateralmente. A superfície articular temporal é ampla e aplanada. A fossa, disposta rostral à órbita, define a origem do músculo levantador do lábio superior. Sobre a superfície basal, as regiões do crânio e das coanas são dorsais no plano do palato. A região cranial é mais bem demarcada pelo longo processo jugular e pela grande bolha timpânica. As coanas curtas, porém largas, estando bem delimitadas mais caudalmente, onde normalmente são observadas. A elevada superfície nucal é limitada por cristas nucais espessas. A mandíbula é robusta, sólida e preferencialmente segue orientação retilínea. A sínfise da mandíbula se ossifica, em média, um ano após o nascimento. A região mentoniana do suíno é dividida como uma adaptação ao hábito de revirar a terra. O processo coronóide é curto, o processo condilar é pequeno e triangular. Crânio Suíno – Vista Lateral Crista Nucal Côndilos Nasal Incisivo Maxilar Frontal Parietal Temporal Forame Infra- orbitário Mandíbula Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 42 Crânio Suíno- Vista Frontal Vista Caudal – Crânio Bovino P ro fª A n a C láu d ia C am p o s D Z - U FC Frontal Forame Supra-orbitário Nasal Incisivo Maxilar Crista Nucal Vista Caudal – Crânio Suíno Vista Caudal – Crânio Equino Côndilos Processo Jugular Processo Jugular Forame Magno Occiptal Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 43 Mandíbula Equina – Vista Lateral Mandíbula Equina – Vista Caudal Mandíbula Suína – Vista Caudal Forame Mentoniano Processo Condilar Processo Coronóide Corpo Ramo Ângulo da Mandíbula Forame Mandibular Processo Condilar Processo Coronóide Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 44 Mandíbula Suína – Vista Lateral Processo Coronóide Processo Condilar Forames Mentonianos Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 45 CAPÍTULO 4: SINDESMOLOGIA (ARTROLOGIA) Uma articulação ou juntura é formada pela união de dois ou mais ossos ou cartilagens por outro tecido. Articulações fibrosas Neste grupo, os segmentos estão unidos por tecido fibroso de tal modo que impedem os movimentos; assim, elas são freqüentemente denominadas articulações fixas ou imóveis. Não apresentam cavidade articular. A maioria destas articulações é temporária em razão do meio de união ser invadido pelo processo de ossificação, resultando numa sinostose. As principais classes de articulações deste grupo são as seguintes: 1. Sutura: aplica-se este termo às articulações da cabeça (ver figura de crânio – capítulo 3), na qual os ossos adjacentes são intimamente unidos por tecido fibroso – ligamentos suturais. Em muitos casos as bordas dos ossos apresentam irregularidades que se engrenam formando a sutura serrata (sutura interfrontal). Em alguns casos as bordas são biseladas e se superpõem por meio da sutura escamosa (osso temporal e parietal). Se as bordas são planas ou levemente enrugadas, o termo sutura plana (harmônica) é aplicado à articulação (sutura internasal, ou entre as porções horizontais dos ossos palatinos). 2. Sindesmose: o meio de união é constituído ou de tecido fibroso branco ou de tecido elástico ou mesmo uma mistura de ambos. Os exemplos ocorrem nos corpos dos metacarpianos (cavalo) e nas inserções das cartilagens costais entre si. Numa sindesmose quando os ossos em justaposição estão unidos por tecido fibroso como na fusão dos corpos do rádio e ulna e da tíbia e fíbula do cavalo, o meio de união original com a idade sofre um processo de ossificação denominado sinostose. 3. Gonfose: este termo é algumas vezes aplicado para a implantação dos dentes nos alvéolos. A gonfose não é corretamente considerada uma articulação, em absoluto, visto que os dentes não fazem parte do esqueleto. Articulações cartilaginosas Os ossos das articulações estão unidos por fibrocartilagens ou cartilagem hialina, ou uma combinação de ambas. O número e a espécie de movimento estão condicionados pela forma das partes articulares e pela quantidade e pela flexibilidade do meio de união. Classificam-se nos seguintes tipos: O osso é a parte fundamental da maioria das articulações; em alguns casos um osso e uma cartilagem, ou duas cartilagens formam uma articulação. O meio de união é o tecido fibroso principalmente ou cartilagem, ou uma combinação de ambos. As articulações apresentam certas características quer estrutural como funcional que podem classificá-las de três tipos: 1. Articulação fibrosa (sinartrose) 2. Articulação cartilaginosa (anfiartrose) 3. Articulação sinovial (diartrose) Fig 1 Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 46 1. Sincondrose (articulações de cartilagem hialina): este tipo de articulação (algumas vezes denominada de articulação cartilaginosa primária) é um tipo temporário, visto que a cartilagem hialina converte-se em osso antes da fase adulta. As epífises e a diáfise de um osso longo estão unidas por uma placa epifisária cartilaginosa nos animais jovens. A fusão óssea ocorre na fase adulta e a articulação desaparece. 2. Sínfise (articulações fibrocartilaginosas): também denominadas de articulações cartilaginosas secundárias ou mesmo anfiartrose, representam articulações nas quais os ossos contidos estão unidos por fibrocartilagem durante alguma fase de sua existência. Articulações fibrocartilaginosas incluem a sínfise pélvica, esternébras e articulações entre os corpos das vértebras. Uma limitada e variável quantidade de movimentos pode existir nestes tipos de articulações. Articulações sinoviais Nas articulações sinoviais, os ossos que se articulam são separados por um espaço repleto de líquido, a cavidade articular; que possui uma membrana sinovial na cápsula articular e uma mobilidade (figura 1). São igualmente denominadas articulações verdadeiras ou móveis. Uma articulação simples é aquela formada por duas superfícies articulares; uma articulação composta forma-se com várias superfícies articulares. As seguintes estruturas entram na sua formação: 1. Superfície articular: as superfícies articulares são na maioria dos casos lisas, e variam muito quanto à forma. São constituídas de tecido ósseo denso especial, e são revestidaspor uma cartilagem articular. 2. Cartilagem articular: geralmente são do tipo hialino. Elas variam de espessura nas diferentes articulações: são mais espessas naquelas que estão sujeitas a maior pressão e atrito. Comumente elas tendem a acentuar a curvatura do osso, ou seja, numa curvatura côncava a parte periférica é mais espessa, ao passo que numa articulação convexa, é a parte central. As cartilagens articulares são constituídas de material flexível e não são vascularizadas e insensíveis (isso explica por que as lesões podem progredir bastante antes que o paciente se conscientize de sua existência), são muito lisas e translúcidas, mas apresentam uma tonalidade azulada ou rósea no estado fresco em animais jovens. Torna-se amarelada com a idade, uma indicação de perda de elasticidade. Elas diminuem os efeitos dos abalos e reduzem grandemente a fricção. 3. Cápsula articular: é na forma mais simples, um tubo (manguito) cujas extremidades estão inseridas ao redor das superfícies articulares. Compõe-se de duas camadas – uma externa constituída de tecido fibroso e uma interna, a camada ou membrana sinovial. A camada fibrosa também se denomina ligamento capsular, insere-se quer junto às margens das superfícies articulares como a uma variável distância delas. Sua espessura varia muito em diferentes casos: em certos pontos ela é extremamente espessa, e algumas vezes nela se desenvolve cartilagem ou osso; em outros pontos ela é praticamente ausente, e a cápsula então consiste apenas da membrana sinovial. Os tendões que ultrapassam uma articulação podem substituir parcialmente a camada fibrosa; nesses casos a face profunda do tendão está forrada pela membrana sinovial. A membrana sinovial reveste a superfície articular exceto sobre as cartilagens articulares, detendo-se normalmente pela sua periferia. Ela é uma membrana ricamente suprida por uma complicada rede de vasos e nervos. Também secreta um líquido semelhante a clara de ovos (sinovia) que lubrifica a articulação, serve também para transportar material nutritivo para a cartilagem hialina articular. Normalmente ela contem apenas uma quantidade suficiente de sinovia para lubrificar a articulação. Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 47 Os elementos citados até agora são constantes e necessários em todas as articulações sinoviais. Outras estruturas entram na constituição das articulações: ligamentos, discos e meniscos articulares, cartilagens marginais. 4. Ligamentos: são fortes cintas ou membranas (tecido fibroso branco) que unem os ossos entre si. São praticamente inelásticos, com exceção do ligamento nucal (tecido elástico). Podem ser subdivididos, de acordo com sua localização, em peri ou extra-articulares e intra-articulares (não necessariamente dentro da cavidade articular). Os situados nos lados de uma articulação denominam-se ligamentos colaterais. 5. Discos e meniscos articulares: são placas de fibrocartilagem ou tecido fibroso denso embutido entre as cartilagens; dividem a cavidade articular parcial ou completamente em dois compartimentos. Tornam mais congruentes certas superfícies articulares, permitem maior amplitude e variedade de movimentos e diminuem a concussão. Na realidade, simplificam o movimento articular. 6. Cartilagem marginal (lábio articular): é um anel de fibrocartilagem que rodeia a borda de uma cartilagem articular. Amplia a cavidade e contribui na prevenção de fraturas da borda articular. Vasos e Nervos As artérias formam anastomoses ao redor das grandes articulações e fornecem ramos para as extremidades dos ossos e para a cápsula articular. A membrana sinovial possui uma emaranhada rede de capilares. As veias formam plexos. A membrana sinovial é bem suprida de capilares linfáticos. As fibras nervosas são especialmente numerosas na membrana sinovial e ao redor, e existem terminações nervosas especiais, que interferem nos impulsos proprioceptivos, bem como fibras dolorosas. A estabilidade é um atributo necessário da articulação, visto que certos tipos de movimento ativo ocorrem nas articulações sinoviais. Normalmente fala-se de movimento de deslizamento, de movimentos angulares e movimentos rotatórios. Os vários tipos de movimentos freqüentemente se combinam e podem produzir uma variedade infinita, e raramente uma articulação possui único movimento. O tipo mais simples (1) de movimento é descrito como movimentos de deslizamento (translação) e é representado por uma superfície resvalando sobre outra (plana). Já os movimentos angulares podem ser flexão e extensão ou abdução e adução. A flexão ocorre quando um ângulo entre dois ossos diminui, enquanto que extensão significa um estiramento que ocorre numa articulação quando o ângulo entre dois ossos aumenta. Com referência a articulação das partes distais dos membros, parece aconselhável o emprego dos termos flexão dorsal e flexão palmar ou plantar. Igualmente os termos flexão dorsal e ventral são aplicados aos correspondentes movimentos da coluna vertebral. O significado do termo flexão lateral quando aplicado para a coluna vertebral é evidente. Todos estes movimentos que são ao redor de eixos que são aproximadamente transversal ou vertical. Os movimentos de depressão, elevação e transversal da mandíbula incluem-se nesta categoria. Abdução ocorre quando uma parte afasta-se do plano longitudinal mediano do corpo ou um dedo afasta-se do eixo do membro. Na adução a parte movimenta-se em direção ao plano longitudinal mediano do corpo ou dos dedos movem-se em direção ao eixo do membro. Circundação é forma de movimento que ocorre quando o eixo descreve um espaço cônico; a base do cone é descrita pela extremidade distal do osso e o vértice está na cavidade articular. No homem tal movimento é facilmente executado, porém nos quadrúpedes é possível somente num grau limitado. Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 48 Quanto à rotação, por questão de conveniência, este tipo está reservado para indicar a rotação de um segmento que constitui a articulação. É observado tipicamente na articulação atlantoaxial. Todo movimento está limitado pelos ligamentos colaterais e acessórios, extra e intracapsulares, meniscos e discos, músculos e mecanismos físicos (ex: forma da cavidade articular) e biológicos. As articulações sinoviais podem ser classificadas em sete categorias na versão atual do sistema geométrico. A primeira, a plana (1), já foi descrita anteriormente. Um exemplo de ARTICULAÇÃO UNIAXIAL (um eixo de rotação) é a articulação dobradiça ou gínglimo (2), ou seja, possui uma superfície articular com formato semelhante a um segmento cilíndrico e outra escavada para recebê-la. Exemplo, a do cotovelo na qual o eixo é transversal. Flexão e extensão são os movimentos principais. Numa articulação pivô ou trocóide (3), o movimento é ao redor de um eixo longitudinal, e envolve um pivô, ou seja, uma cavilha encaixada num anel, por exemplo, a articulação atlantoaxial. O movimento pode ser BIAXIAL, isto é, ao redor de dois eixos horizontais em ângulos retos entre si (paralelo). Nesta forma de articulação, a circundução é permitida, isto é, um cone é descrito quando executamos movimentos de flexão, abdução, extensão e adução, mas não o de rotação axial. Neste tipo de articulação, condilar (4), um ou dois côndilos (juntos ou separados) e uma superfície articular ovóide estão contidos numa cavidade elíptica. Embora se assemelhe a uma articulação dobradiça, ela permite mais movimentos (articulação do joelho). Numa articulação elipsóide (5) a superfície articular assemelha-se a uma elipse. É também uma articulação biaxial; a articulação antebraquiocarpianaé um exemplo. As superfícies articulares são mais longas numa direção e em ângulos retos para a outra. Numa articulação selar (6) as superfícies são reciprocamente côncavo-convexa ou em sela de montaria, representando um tipo de articulação biaxial. Flexão, extensão, abdução, adução e circundução podem ser executadas, mas não a rotação axial. A articulação carpometacarpiana do polegar é citada como um exemplo no homem e as articulações interfalângicas no cão. O movimento é MULTIAXIAL, são permitidas a circundação e a rotação axial. Uma articulação de esfera e uma cavidade esfenoidal (7) (enartrose) proporcionam uma articulação universal. A superfície esferoide de uma articulação move-se dentro de um “receptáculo” de um osso segundo três eixos. As articulações do osso do quadril incluem- se nesta classificação. Uma articulação que produz um simples movimento de deslizamento ou resvalo, é uma articulação plana (artrodia) na qual as superfícies ósseas justapostas são aproximadamente planas, por exemplo, as dos ossos carpianos e as dos pequenos ossos tarsianos. O movimento consiste de deslizamento de uma superfície sobre outra com limitação do movimento produzida por uma cápsula fibrosa justa. Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 49 Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 50 CAPÍTULO 5. MIOLOGIA GERAL As células musculares, chamadas fibras, têm a capacidade de mover-se. O movimento, uma das propriedades mais surpreendentes da matéria vivente, não é patrimônio exclusivo do músculo. No século XVII, observou-se através de um microscópio o movimento de células espermáticas. Existe uma grande variedade de células capazes de mover-se, como, por exemplo: os glóbulos brancos que viajam pelo sangue até os tecidos onde vão atuar, o movimento dos cílios (pelos) na superfície de algumas células como no Sistema Respiratório. Nestes casos, o movimento é função secundária das células. Com o termo "músculo" nos referimos a um conjunto de células musculares organizadas, unidas por tecido conectivo. Cada célula muscular se denomina fibra muscular. No tecido muscular há três tipos de músculos: esquelético (estriado, voluntário), liso (involuntário), cardíaco (estriado, involuntário). Músculo liso: As células do músculo liso são sempre fusiformes. Seu tamanho varia muito, dependendo de sua origem. As células menores se encontram nas arteríolas e as de maior tamanho no útero grávido. Suas fibras não apresentam estriações e por isso são chamados de liso. Tendem a ser de cor pálida, sua contração é lenta e sustentada, e não estão sujeitos à vontade do indivíduo; de onde deriva seu nome de involuntário. Esse músculo reveste ou forma parte das paredes de órgãos ocos tais como a traquéia, o estômago, o trato intestinal, a bexiga, o útero e os vasos sangüíneos. Como um exemplo de sua função, podemos dizer que os músculos lisos comprimem o conteúdo dessas cavidades, intervindo desta maneira em processos tais como a regulação da pressão arterial, a digestão etc. Além desses conjuntos organizados, também se encontram células de músculo liso no músculo eretor do pêlo, músculos intrínsecos do olho etc. A regulação de sua atividade é realizada pelo sistema nervoso autônomo e hormônios circulantes. As fibras do músculo liso são menores e mais delicadas do que as do músculo esquelético. Não se inserem no osso, mas atuam como paredes de órgãos ocos. Em volta dos tubos, em geral, há duas capas, uma interna circular e uma externa longitudinal. A musculatura circular constringe o tubo; a longitudinal encurta o tubo e tende a ampliar a luz. No tubo digestivo, o esforço conjunto da musculatura circular e da longitudinal impulsiona o conteúdo do tubo produzindo ondas de constrição chamadas movimentos peristálticos. Além disso, (ex: bexiga, piloro) formam os esfíncteres (músculos que circundam aberturas naturais do corpo). O do estômago é conhecido pelo nome de esfíncter pilórico. Há mesmo dois tipos de músculos esfincterianos: os esfíncteres estriados, que estão sob a ação da vontade (esfíncter estriado da uretra, esfíncter estriado do ânus) e os esfíncteres lisos, que não estão sob a ação da vontade (esfíncter da bexiga, esfíncter Pilórico). Músculo cardíaco: Forma as paredes do coração, não está sujeito ao controle da vontade, tem aspecto estriado. Suas fibras se dispõem juntas para formar uma rede contínua e ramificada. Portanto, o miocárdio pode contrair-se em massa. O coração responde a um estímulo do tipo "tudo ou nada", daí que se classifique como unitário simples. O músculo cardíaco se contrai ritmicamente. Tanto o músculo cardíaco quanto o liso são considerados músculos viscerais, pois estes músculos estão presentes no interior das vísceras, e geralmente não se vêem a olho nu (salvo o músculo cardíaco que é volumoso e mesmo constitui a parte fundamental do coração). As células do músculo esquelético são cilíndricas e multinucleadas. Uma fibra muscular ordinária mede aproximadamente 2,5 cm de comprimento e sua largura é menor de um décimo de milímetro. As fibras musculares se agrupam em feixes. Cada músculo se compõe de muitos feixes de fibras musculares. É avermelhado, de contração brusca, e seus movimentos dependem da vontade dos indivíduos. Constitui o tecido mais abundante do organismo e representa de 40 a 45% do peso corporal total. A carne que reveste os ossos é tecido muscular. Esses se encontram unidos aos ossos do corpo e sua contração é que origina os movimentos das distintas partes do Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 51 esqueleto, e também participa em outras atividades como a eliminação da urina e das fezes. A atividade do músculo esquelético está sob o controle do sistema nervoso central e os movimentos que produz se relacionam principalmente com interações entre o organismo e o meio externo. Chama-se de estriado porque suas células aparecem estriadas ou raiadas ao microscópio, igual ao músculo cardíaco. Cada fibra muscular se comporta como uma unidade. Um músculo esquelético tem tantas unidades quanto fibras. Por isso se define como multiunitário. O movimento é feito por contração da fibra muscular. Têm a cor vermelha devido a um pigmento muito semelhante àquele dos glóbulos vermelhos, a hemoglobina muscular ou mioglobina. A forma deles é extremamente variável; há músculos em fita (músculos retos do abdome) em leque (grande peitoral), em cúpula (diafragma), denteados (grande denteado). Todos os músculos podem reunir-se, não obstante, em dois grandes grupos: os músculos longos, os quais, mesmo quando pequenos, desenvolveram-se em comprimento, e os músculos largos, nos quais prevalece a largura sobre as outras dimensões. Os músculos longos se acham principalmente nos membros, enquanto os largos prevalecem nas paredes do abdome e do tórax. Os músculos longos têm a forma de fuso, com uma parte central mais grossa chamada ventre, e duas extremidades mais delgadas; as extremidades se continuam por um cordão branco nacarado: o tendão. Os tendões não são constituídos por tecido muscular, mas por tecido conjuntivo bastante resistente. São os tendões que se inserem nos ossos. Estrutura do músculo esquelético Os músculos esqueléticos estão revestidos por uma lâmina delgada de tecido conjuntivo, o perimísio, que mandaseptos para o interior do músculo, septos dos quais se derivam divisões sempre mais delgadas. O músculo fica assim dividido em feixes (primários, secundários, terciários). O revestimento dos feixes menores (primários), chamado endomísio, manda para o interior do músculo membranas delgadíssimas que envolvem cada uma das fibras musculares. Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 52 Os músculos esqueléticos estão ligados direta ou indiretamente (via tendões) aos ossos, e trabalham em pares antagônicos (enquanto um músculo do par se contrai, o outro, que causa o deslocamento oposto da articulação, relaxa), de forma a produzir os mais diversos movimentos, como andar, diferentes expressões faciais, etc. Há músculos que têm mais de um tendão, embora tendo um só ventre (diz-se então que o músculo é monocaudado, bicaudado, etc.). Outros, ao contrário, têm vários ventres, que, de um lado, têm origem em tendões separados e parecem músculos independentes, mas, do oposto, confluem em um só; estes músculos tomam um nome que indica o número dos seus ventres (bíceps do braço e da coxa, tríceps do braço e da perna, quadríceps da coxa). Há enfim, músculos que têm dois ventres, um depois de outro, como se fossem dois músculos consecutivos (músculo digástrico).Observando-se a musculatura dos membros, é fácil perceber que os músculos se agrupam entre si para realizar uma determinada função; distinguem-se assim grupos e ações antagônicas. Por exemplo, o bíceps dobra o antebraço sobre o braço, enquanto o tríceps, situado da parte oposta, o distende. No antebraço distinguem-se os músculos da face anterior, que dobram os dedos, e os músculos da face posterior que, ao contrário, os distendem. Certos músculos, enfim, têm uma curiosa conformação circular: tais são os esfíncteres, dos quais a contração assegura o fechamento de certos orifícios (esfíncter anal, esfíncter da uretra e da bexiga), e os músculos orbiculares. A estes últimos pertencem o orbicular da boca (que em humanos, arredonda os lábios e os faz salientes para fora, como no ato de assobiar e na pronúncia da vogal U) e o orbicular das pálpebras (que permite fechar os olhos). Os músculos largos não se podem inserir mediante tendões, que são cordões redondos; inserem-se por meio de lâminas ditas aponeuroses, que têm estrutura análoga aos tendões. Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 53 Por vezes, os músculos estão recobertos por faixas, delgadas lâminas conjuntivas que se podem inserir sobre os ossos do mesmo modo que o músculo, e mandar septos para o interior; para dividir as massas musculares ao longo de tais septos caminham vasos e nervos. Os próprios tendões podem ser recobertos por formações características: as bainhas fibrosas e as bainhas mucosas. As bainhas fibrosas representam uma proteção do tendão, e, por vezes, inserindo-se nos ossos, formam uma polia sobre a qual o tendão desliza para mudar de direção. As bainhas mucosas contêm um líquido que favorece o escorregamento do tendão. Estas formações se acham, na verdade, nos pontos em que os tendões têm necessidade de serem lubrificados e de ser o seu movimento facilitado, isto é, em geral, aí onde o tendão está em contacto com o osso. A mesma finalidade tem as bolsas mucosas (bolsa sinovial), que são verdadeiras almofadinhas cheias de líquido, formam-se entre o tendão e o osso. A bainha sinovial do tendão é regularmente constituída com se a bolsa estivesse enrolada ao redor do tendão formando um tubo, um em contato com o tendão e outro em contato com as estrutura vizinhas. No organismo animal existe uma enorme variedade de músculos, dos mais variados tamanhos e formato, onde cada um tem a sua disposição conforme o seu local de origem e de inserção. Inserções dos músculos esqueléticos Um músculo esquelético tem pelo menos duas fixações. Alguns músculos, como os faciais, são presos à pele, enquanto outros (como os da língua) são fixados às membranas mucosas. Uns poucos músculos fixam-se às fáscias (uma lâmina de tecido fibroso) e outros formam faixas circulares (por exemplo, o esfíncter externo do ânus). Para efeito de informação, muitos músculos são comumente descritos como tendo uma origem e uma inserção. Entretanto, alguns podem agir em ambas as direções sob circunstâncias diferentes. Toda vez que um músculo se contrai, uma de suas extremidades permanece fixa enquanto a outra se desloca. A extremidade fixa é a origem e a móvel é a inserção. Às vezes torna-se difícil distingui-las, porém nos membros a afixação proximal é a origem, a afixação distal é a inserção. A maioria dos músculos apresenta um tendão de origem; aqueles que apresentam mais de um tendão são denominados bíceps, tríceps ou quadríceps. O mesmo se aplica a inserção, sendo os músculos denominados bicaudados e policaudados. origem inserção Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 54 Arquitetura dos músculos esqueléticos Em alguns músculos, a maioria das fibras corre paralela ao longo eixo do músculo, e umas poucas correm por todo o seu comprimento. Os músculos com suas fibras dispostas em paralelo, ou quase, podem deslocar um peso por uma grande distância. Em outros músculos, as fibras são oblíquas ao seu longo eixo. Por causa de sua semelhança com as penas, são chamados músculos penados (1. pennatus, pena). Eles são conhecidos como: (1) músculos unipenados, quando as suas fibras têm uma origem linear ou estreita, parecendo uma meia pena; (2) músculos bipenados, quando suas fibras originam-se de uma ampla superfície parecendo uma pena completa; (3) músculos multipenados, quando septos se estendem dentro das inserções dos músculos dividindo- as em várias porções peniformes; (4) músculos circumpenados, quando as fibras convergem para um tendão que se estende em sua substância.* * A terminologia de (1) e (2) é imprópria O melhor seria usar os termos hemipenado para (1) e penado para (2) Importante: alguns músculos podem não se prender ao esqueleto, isto é, são superficiais e ligados somente à pele, denominando-se músculos cutâneos. Normalmente estes músculos estão em associação com a fáscia superficial e com firme ancoragem cutâneo, movem a pele. Fáscias: são lâminas de tecido conjuntivo que envolvem os músculos e os separa em grupos e os firma na posição. Funcionam como bainhas elásticas, tornando assim mais Músculo tríceps braquial, na face lateral do braço esquerdo do cão: A. cabeça lateral, B. cabeça longa e C. inserção Cabeça longa M. tríceps branquial Eqüino Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 55 eficiente a ação muscular. A separação entre os músculos é feita por septos que partem profundamente da fáscia e podem prender-se nos ossos. Proporcionam espaços para que os vasos e nervos atinjam os músculos. As fáscias podem ser superficial ou profunda. A superficial é uma camada mais frouxamente agrupada próxima à pele; a profunda é a camada definitiva que investe os grupos de músculos e que envia septos intermusculares. A fáscia profunda, muitas vezes, possui mais de uma camadae varia de espessura, dependendo da sua localização. Nomenclatura dos músculos Os músculos, assim como todas as estruturas do corpo do animal, são identificados de acordo com a Nômina Anatômica Veterinária, uma publicação que normatiza todos os termos em latim, criando um vocabulário aceito internacionalmente. Para a denominação dos músculos foram utilizados os seguintes fatores: Posição do músculo no esqueleto: intercostal, nasal, peitoral etc. Forma: trapézio, piriforme, serrátil, deltóide etc. Direção das fibras: reto, obliquo, transverso etc. Ação: flexor, adutor, extensor, elevador etc. Atividade fisiológica: adutor, supinador etc. Tamanho: magno. Estrutura: semimembranoso Ou associação desses aspectos: grande dorsal, obliquo abdominal externo. Músculos do Tórax Consiste em sete músculos ou conjunto de músculos, que estão inseridos nas vértebras torácicas, nas costelas e suas cartilagens e no esterno. São os músculos da respiração. Músculos levantadores das costelas: uma série de músculos que ocupam e sobrepõem-se às extremidades dorsais dos espaços intercostais. Agem deslocando as costelas cranialmente na inspiração ou produzem rotação e flexão lateral da espinha. Músculos intercostais externos: cada um ocupa um espaço intercostal, desde o músculo levantador da costela até a extremidade esternal da costela. Na o ocupam espaço intercartilaginoso. Agem puxando as costelas cranialmente na inspiração. Músculos intercostais internos: estende-se por todo o comprimento dos espaços intercostais, incluindo sua parte intercondral. Possuem ação contrária aos músculos intercostais externos durante a expiração, ou seja, puxa as costelas caudalmente na expiração. Reto do tórax: é uma pequena lâmina quadrilátera localizada acima das extremidades inferiores das primeiras costelas em aparente continuação com o reto do abdome. Ele pode auxiliar na inspiração ou concorrer com o músculo reto do abdome. Músculo retrator da costela: pequeno músculo triangular que se situa caudalmente a última costela. Ação: retrair a última costela. Músculo transverso do tórax: é um músculo situado na superfície torácica do esterno e das cartilagens das costelas esternais. Puxa as costelas e suas cartilagens medial e caudalmente, auxiliando dessa forma a expiração. Diafragma: é um largo músculo ímpar, que forma uma partição entre as cavidades torácica e abdominal. Em seu delineamento, ele tem alguma semelhança com a copa de uma palmeira. A superfície torácica é fortemente convexa e está coberta pela pleura. A superfície abdominal é profundamente côncava, e está coberta em sua maioria pelo peritôneo. Apresenta uma borda muscular que pode ser subdividida em partes costal e esternal; uma parte lombar (com 2 pilares); e um centro tendíneo. Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 56 Ovino Os pilares são o direito e o esquerdo, o direito é mais longo. O diafragma é perfurado por três forames: hiato aórtico (intervalo entre os dois pilares por onde passa a aorta descendente), hiato esofágico (perfura o pilar esquerdo e dá passagem ao esôfago) e o forame da veia cava (penetra no centro tendíneo, passa a veia cava). O diafragma é o principal músculo inspiratório e aumenta longitudinalmente o diâmetro do tórax. A contração produz uma diminuição geral da curvatura do diafragma. Diafragma Tórax Abdomen Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 57 Ovino Fáscias e Músculos Abdominais A fáscia superficial do abdome está em parte dorsalmente fundida a fáscia toracolombar. Fáscia profunda: representada pela túnica abdominal. Ela é uma lâmina de tecido elástico que auxilia os músculos abdominais a sustentar o grande peso das vísceras abdominais. Músculos Intercostais Interno Diafragma Centro tendíneo Diafragma Centro tendíneo Músculos Intercostais Interno Veia Cava Caudal Esôfago Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 58 Linha alva: é uma rafe fibrosa mediana que se estende da cartilagem xifóide até o tendão pré-púbico. É essencialmente formada pela junção das três aponeuroses dos músculos obliquo abdominal externo, interno do abdome e transverso do abdome. Ligeiramente caudal ao meio há uma cicatriz, o umbigo, que indica a posição de abertura umbilical do feto. Músculo obliquo externo do abdome: é o mais extenso dos músculos abdominais. É uma lâmina larga e de formato irregularmente triangular, mais largo caudalmente. Ações: 1. comprimir as vísceras abdominais (defecação, micção, parto e expiração) 2. flexionar o tronco (arquear o dorso); 3. agindo isoladamente flexiona o corpo lateralmente. Músculo obliquo interno do abdome: está situado sob o obliquo externo do abdome e tem ação semelhante. Nele há o ânulo inguinal profundo (fenda dilatável). Músculo reto do abdome: está limitado à parte ventral da parede abdominal; estende-se da região esternal ao púbis. Têm ação similar ao anterior e adaptado para flexionar as articulações lombossacrais e as partes lombar e torácica da espinha. Músculo transverso do abdome: é assim denominado pela direção de suas fibras, é uma lâmina triangular curva. Ação: idem geral. Outros: pequeno músculo cremáster (externo): pode ser considerado como uma parte destacada do músculo obliquo interno do abdome, com o qual ele se une em sua origem. Ação: levantar a túnica vaginal e com ela os testículos. Músculo Cremáster Testículo Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 59 CAPÍTULO 6: O CORAÇÃO E OS VASOS SANGUÍNEOS Angiologia é a descrição dos órgãos da circulação do sangue e da linfa – o coração e os vasos sanguíneos, incluindo o baço e o timo. ANATOMIA DO CORAÇÃO Considerações Gerais O coração é um órgão cavitário que se apresenta como uma bomba muscular, cuja função primária é impulsionar o sangue, para todas as partes do corpo por um sistema fechado de vasos sangüíneos. As diferenças de pressão causadas pela sua contração e relaxamento, principalmente, determinam a circulação do sangue e da linfa. O coração está situado na cavidade torácica entre os pulmões, no meio do espaço mediastínico do tórax e contido em um saco seroso – o pericárdio. Os vasos são tubulares e percorrem quase todas as partes do corpo. São denominados de acordo com seu conteúdo em vasos sanguíneos ou linfáticos. Apesar do sistema linfático drenar para as veias, tornam-se dois sistemas interdependentes. Sistema cardiovascular Consiste em: (1) coração; (2) artérias, que conduzem o sangue do coração para os tecidos; (3) capilares, tubos microscópicos nos tecidos, que permitem as trocas necessárias entre o sangue e os tecidos; e (4) veias, que conduzem o sangue de volta para o coração. PERICÁRDIO O coração aparece completamente envolvido por um saco fibrosseroso, o pericárdio, pelo qual está relacionado, cranialmente em grande parte de sua extensão com os pulmões e pleuras. Sua forma é, geralmente, similar àquela do coração. O pericárdio é um saco fibrosseroso que envolve o coração e as raízes dosgrandes vasos. É formado por duas membranas, uma de constituição fibrosa que envolve mais externamente o coração e grandes vasos em intima relação com as estruturas mediastinais, denominado pericárdio fibroso; e outras de consistência serosa, o pericárdio seroso constituído por 2 lâminas, as lâminas parietal e visceral. CORAÇÃO O tamanho e a anatomia variam nas diferentes espécies. No eqüino, seu formato é o de um cone irregular e um tanto achatado. Está inserido em sua base pelos grandes vasos, mas afora isto fica inteiramente livre no pericárdio. Ele é assimétrico na posição, as quantidades (por peso) à direita e esquerda do plano mediano sendo de uma proporção de aproximadamente 4:5. O peso médio do coração é de aproximadamente 4 Kg ( 0,4% do peso corporal). O eixo longo (do meio da base até o ápice) está direcionado ventral e caudalmente. A base do coração está direcionada dorsalmente e sua parte mais elevada situa-se aproximadamente, na junção do terço dorsal e médio do diâmetro dorsoventral do tórax. O ápice situa-se centralmente dorsal a ultima esternébra. No bovino, 5/7 do coração (70%) encontram-se no lado esquerdo do plano mediano do tórax, devido ao grande tamanho do pulmão direito. No adulto pesa 2,5 Kg, ou de cerca de 0,4 a 0,5 do peso do corpo. O comprimento da base ao ápice é relativamente maior que no eqüino, sendo a base menor. No ovino, também é cônico e alongado, o peso absoluto varia de 220 a 240g e sua percentagem de peso é de 0,45 e 0,50%. Este órgão é formado de 4 cavidades, sendo 2 átrios, direito (esternocostal) e esquerdo (diafragmática), que são convexas e marcadas pelos sulcos que indicam a divisão do coração em quatro câmaras. Internamente os átrios estão separados pelo septo interatrial. Os dois ventrículos, direito e esquerdo, estão separados pelo septo cardíaco que se evidencia superficialmente, na parte correspondente a divisão dos ventrículos (septo interventricular). O septo interventricular está situado obliquamente, de modo que na superfície, a que é convexa, está voltada cranialmente e para a direita; a outra face, a que Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 60 está voltada para dentro do ventrículo esquerdo, é côncava e voltada caudalmente para a esquerda. A maior parte do septo é espessa e muscular, mas uma pequena parte é fina e membranosa. Vista Esquerda – Coração Bovino Coração de bovino – Vasos (Base) Ventrículo Esquerdo Ventrículo Direito Sulco Interventricular Paraconal Seio Coronário Aurícula esquerda Tronco Braquio- cefálico Tronco Pulmonar Ápice Aorta Aurícula Direita Aurícula Esquerda Tronco Pulmonar Tronco Braquio- cefálico Aorta Veia Cava Cranial Veia Cava Caudal VISTA DIREITA VISTA ESQUERDA Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 61 Coração Ovino – Vista Esquerda Vista Esquerda Vista Direita Átrio direito: forma a parte cranial direita da base do coração e situa-se dorsalmente ao ventrículo. Consiste de um seio venoso das cavas, no qual se abrem as veias e uma aurícula (apêndice vascular). Esta última é um divertículo cônico que se curva ao redor à direita da superfície cranial da aorta, seu fundo cego aparecendo sobre o lado esquerdo cranial da origem da artéria pulmonar; é a parte mais cranial do coração e é uma bolsa cega com forma de orelha. Existem cinco óstios principais no átrio direito. Sulco Interventricular Paraconal Ventrículo Esquerdo Ventrículo Direito Tronco Pulmonar Aurícula Esquerda Aurícula Direita Seio Coronário Ápice Tronco Braquiocefálico Aurícula Esquerda Seio Coronário Veia Cava Caudal Ventrículo Esquerdo Ventrículo Direito Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 62 1. Óstio da veia cava cranial: situado na parte dorsal; 2. Veia cava caudal: situado na parte caudal; 3. Seio coronário: abre-se ventral à veia cava caudal, o orifício está provido por uma pequena válvula semilunar; 4. Pequena veia coronária: separado, mas às vezes, junto com o coronário. 5. Óstio átrio-ventricular direito: situa-se na parte ventral e conduz ao ventrículo direito. Da mesma forma que as demais cavidades do coração, os óstios são revestidos por uma membrana brilhante, o endocárdio. Suas paredes são lisas, excetos no átrio direito e na aurícula, onde são percorridas, em várias direções, por saliências musculares dos músculos pectíneos. Os óstios das veias cavas são avasculares. A fossa oval é um divertículo na parede septal. A fossa é um remanescente de uma abertura do septo, o forame oval, através do qual os dois átrios se comunicam no feto. Ovino – Vista Ventral do tórax Ventrículo direito: constitui a parte cranial direita da massa ventricular. Ele forma quase toda a borda cranial do coração, mas não alcança o ápice, que é formado inteiramente pelo ventrículo esquerdo. Sua base está conectada, amplamente, átrio direito ao qual se comunica através do óstio atrioventricular direito; sua parte esquerda projeta- se para cima e forma o cone arterial, do qual se origina o tronco pulmonar. O óstio atrioventricular direito é oval, sendo guarnecido pela valva atrioventricular direita (tricúspide). As bordas centrais são irregulares e voltadas para o ventrículo; elas dão inserção às cordas tendinosas (tendíneas). As superfícies auriculares são lisas, as ventriculares são rugosas e fornecem inserção a ramos entrelaçados das cordas tendinosas. Estas cordas estão ligadas ventralmente, aos três músculos papilares que se projetam na superfície ventricular. Cada cúspide da valva recebe as cordas tendinosas de dois músculos papilares. Diafragma Veia Cava Cranial Veia Cava Caudal Pericárdio + Coração Pulmão Esquerdo Veias Pulmonares Profª Ana Cláudia Campos DZ - UFC Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 63 Átrio e ventrículo direitos (bovino) Óstio pulmonar: é circular e no cume do cone arterial. É guarnecido pela valva pulmonar direita composta de três cúspides (semilunares direita e esquerda e intermediária). As paredes dos ventrículos (exceto no cone arterial) apresentam cristas e faixas musculares, denominadas trabéculas carnosas. Estas são de três tipos: 1. Cristas ou colunas em relevo; 2. músculos papilares, projeções cônicas algo achatadas, contínuas na base, com a parede e originando as cordas tendíneas para as valvas atrioventriculares direita; 3. trabéculas septomaginais que se estendem do septo à parede oposta. Acredita-se que elas evitem uma distensão exagerada. Átrio esquerdo: forma a parte caudal da base do coração. Situa-se caudalmente ao tronco pulmonar e à aorta e dorsalmente ao ventrículo esquerdo. A aurícula estende-se lateral e cranialmente sobre o lado esquerdo, e sua ponta, em fundo de saco cego, é caudal à origem do tronco pulmonar. As veias pulmonares,geralmente são em número de sete ou oito, abrem-se no átrio caudalmente ao mesmo e do lado direito. A cavidade atrial é lisa, exceto na aurícula, na qual os músculos pectíneos estão presentes. O óstio atrioventricular esquerdo está situado ventrocranialmente e geralmente parece menor que o direito, devido à contração do ventrículo no animal morto. Ventrículo esquerdo: forma a parte caudal esquerda da massa ventricular. Ele é mais regularmente cônico que o ventrículo direito e sua parede é mais espessa, exceto no ápice. Ele forma o contorno caudal da parte ventricular e do ápice do coração. Sua base é contínua com o átrio esquerdo com o qual ele se comunica com por meio do óstio atrioventricular esquerdo, mas sua parte cranial abre-se na luz da aorta. A cavidade, geralmente, parece menor que o do ventrículo direito, no animal morto, devido a grande contração de sua parede. É quase circular em corte transversal. O óstio atrioventricular esquerdo é quase circular e está guarnecido pelas valvas atrioventriculares esquerdas (bicúspide ou mitral). As cúspides das valvas são mais largas e espessas que as do lado direito do coração. Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 64 Óstio aórtico: está orientado dorsal e levemente cranial. É guarnecido pela valva aórtica composta de três cúspides semilunares. São similares às valvas pulmonares, porém são muito mais fortes e espessas. As cordas tendinosas são menos numerosas e maiores que as do ventrículo direito. As faixas e trabéculas são variáveis. Átrio e Ventrículo Esquerdos (bovino) Estrutura do coração O coração é constituído por tecido muscular, o miocárdio, que tem uma característica particular: é formado de fibras estriadas e pluricelulares. As fibras musculares estriadas são características dos músculos que se contraem sob a ação da vontade: por exemplo, são estriados os músculos dos braços e das pernas que o animal move à vontade. Os músculos não sujeitos à vontade (como aqueles das vísceras) são, ao contrário, lisos. O músculo cardíaco apresenta, pois, uma exceção, porque, não estando o coração sujeito à nossa vontade, é, todavia formado de fibras estriadas musculares que se unem umas às outras, perdendo a sua individualidade. Temos assim a impressão de que o coração é um músculo único e não um conjunto de fibras independentes, como acontece com todos os outros músculos. No interior do músculo se acham quatro anéis fibrosos que representam o esqueleto fibroso do coração, circundam os óstios nas bases dos ventrículos. No bovino, dois ossos, os ossos do coração, desenvolvem-se no anel fibroso aórtico, o direito está em aposição com os anéis atrioventriculares, tendo formato irregularmente triangular (tem aproximadamente 4 cm de comprimento). O osso esquerdo é menor e inconstante. No ovino, apenas um osso aparece, no caprino é par. Como temos já acentuado, o músculo cardíaco é envolvido por uma túnica fibrosa, o pericárdio, que é um verdadeiro revestimento do coração, ao qual, porém não adere intimamente. Entre este e o músculo cardíaco fica um espaço ou cavidade pericárdico, forrado por uma membrana que constitui o pericárdio verdadeiro; deste distinguimos um folheto visceral, que adere ao músculo cardíaco, e um folheto parietal que reveste a parede interna do pericárdio fibroso. A cavidade pericárdica permite ao músculo cardíaco dilatar-se e contrair-se livremente. As Átrio Músculos Pectinados Bicúspide (Mitral) Cordas Tendinosas Músculos Papilares Trabécula septo marginal Ápice Músculos Papilares Profª Ana Cláudia Campos DZ - UFC Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 65 cavidades cardíacas são forradas por uma membrana delgada: o endocárdio que é continuo com a camada interna dos vasos que entram e saem do órgão. Suprimento sangüíneo do coração Tanto o suprimento arterial como a drenagem sangüínea do coração é estabelecida por um sistema próprio de artérias e veias. O coração recebe sangue venoso de três fontes: A veia cava cranial traz sangue da cabeça, pescoço, apêndices torácicos e tórax; A veia cava caudal coleta o sangue venoso do abdome, pelve e apêndices pélvicos; O átrio direito recebe sangue venoso proveniente do miocárdio por meio do seio coronário. . Vasos do coração: Até o próprio coração tem necessidade de ser convenientemente nutrido. O sangue que circula no coração não o nutre, passa simplesmente pelas suas cavidades. A sua nutrição será, ao contrário, realizado por um complexo de artérias e de veias particulares: as artérias coronárias (direita e esquerda). Provêm elas da aorta. Apenas saída do ventrículo esquerdo, a aorta dá origem as artérias coronárias que reentram imediatamente no coração ramificando-se no músculo cardíaco em numerosas subdivisões. O sangue que nutriu e oxigenou o músculo cardíaco é coletado pela grande veia coronária, a qual desemboca diretamente na aurícula direita. O coração é, pois, provido de uma pequena circulação independente. Nervos do coração: O coração é um órgão relativamente autônomo. Como possui uma circulação autônoma, também pulsa "por si só". O estímulo que faz bater o coração nasce; na verdade, no íntimo do músculo cardíaco. Isto é, o coração está em condições de bater sem a intervenção do sistema nervoso. No entanto, ao coração chegam nervos que provêm do nervo vago e do sistema simpático. Estes nervos regulam as batidas cardíacas: o simpático o acelera, enquanto o vago o torna vagaroso. VASOS SANGUÍNEOS: Os vasos sangüíneos são divididos em pulmonar e sistêmico. Quando o sangue retorna ao coração através de veias do corpo, ele entra no átrio direito de onde é impulsionado para o ventrículo direito. É bombeado para os pulmões por meio do tronco pulmonar, que tem origem no ventrículo direito. As artérias pulmonares cedem gás carbônico e absorvem oxigênio. O sangue oxigenado nos pulmões retorna, por meio das veias pulmonares, ao átrio esquerdo, que é impulsionado para o ventrículo esquerdo. O ventrículo esquerdo bombeia o sangue através da aorta e artérias sistêmicas através dos capilares, e retorna ao coração por meio de veias. Esquema da circulação sangüínea: 1-Coração; 2- Circulação cerebral; 3-Circulação pulmonar; 4-Circulação hepática; 5-Circulação gástrica; 6-Baço; 7-Circulação renal; 8-Circulação intestinal; 9-Circulação nos membros inferiores Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 66 O termo sistema porta é muitas vezes aplicado para a veia porta e suas tributárias que vêm do estômago, intestino, pâncreas e baço. A veia entra no fígado, onde ela se ramifica como uma artéria, de modo que o sangue neste sistema subsidiário passa através de um segundo conjunto de capilares (no fígado), antes de ser conduzido ao coração pelas veias hepáticas e caudal. Um corpo cavernoso é uma estrutura erétil que consiste essencialmente, em espaços sangüíneos intercomunicantes delimitados por músculo liso e tecido fibroelástico. Estes espaços são revestidos por endotélio e contem sangue. São responsáveis pela ereção do pênis. Vasa vasorum são pequenas arteríolas presentes nas paredes de grandes vasos, sendo responsáveis pela nutrição destes vasos. Estrutura dos vasos sangüíneos: As artérias e as veias não são canais rígidos: são dotadas de determinadas propriedades, tais: a extensibilidade, a elasticidade e a contractibilidade. Tais caracteres são mais acentuados nas artérias, as quaisrecebem a onda sanguínea que o coração lança nelas a cada sístole ventricular. O choque da onda sanguínea contra as paredes arteriais é tanto mais forte quanto mais a artéria está próxima do coração. As paredes das artérias são constituídas de três túnicas, concentricamente dispostas, que, de dentro para fora, são: -a túnica interna, constituída pelo endotélio, em direto contacto com o sangue circulante; -a túnica média, formada por numerosas fibras musculares e elásticas que conferem à artéria a sua propriedade de alargar-se ou estreitar-se, de acordo com a necessidade; -a túnica externa ou adventícia, que tem a estrutura conjuntiva; na sua espessura se distribuem as terminações nervosas as quais trazem às artérias os estímulos que as fazem estreitar-se (nervos vaso-constritores) ou as fazem dilatar (nervos vaso- dilatadores). Também as veias têm uma estrutura análoga, mas a sua parede é muito mais delgada; além disso, possuem poucas fibras musculares e elásticas. Isto se explica com a diferente função que têm as veias em relação às artérias. As artérias recebem a onda sanguínea e têm de dilatar-se bastante, e imediatamente contrair-se (devem ser, em uma palavra, muito elásticas) para lançar a onda de sangue até a extrema periferia do corpo. As veias, ao contrário, recebem o sangue depois que este percorreu os capilares. A velocidade do sangue que era notável nas artérias diminui muito nos capilares e nas veias. A onda sanguínea perdeu a sua força e as veias, na verdade, não pulsam. A velocidade do sangue nas artérias é maior durante as pulsações do que no intervalo entre uma pulsação e outra. O sangue corre nas artérias com a velocidade de 50 centímetros por segundo. Nos capilares, a velocidade fica reduzida a poucos milímetros por segundo e assim também nas veias. Como é então possível que o sangue volte ao coração, particularmente devendo caminhar de baixo para cima? A velocidade que possui seria insuficiente para vencer a gravidade. Intervêm, então, outros fatores. Antes de tudo, as veias estão providas de válvulas, chamadas, pela sua forma característica, de válvulas em "ninho de andorinha". A presença dessas válvulas e a sua disposição permitem à corrente de sangue progredir em um só sentido, impedindo-o de tornar para trás. Além disso, as veias são comprimidas pelos músculos entre os quais correm. O sangue recebe então, um decisivo impulso para o coração. Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 67 Anatomia dos Grandes Vasos Tronco pulmonar Surge do cone arterial no lado esquerdo da base do ventrículo direito. Bifurca-se caudalmente ao arco da aorta em artéria pulmonar direita e artéria pulmonar esquerda. O tronco é bulboso em sua origem e forma três bolsas, os seios do tronco pulmonar, que correspondem às cúspides da valva do tronco pulmonar. Depois disto ele gradativamente diminui o calibre. Artéria pulmonar direita é mais longa e ligeiramente mais calibrosa do que a artéria pulmonar esquerda, que por sua vez é mais curta. Veias Pulmonares As veias são, geralmente, arranjadas do mesmo modo que as artérias, mas são de maior calibre. No canto cranial esquerdo da base do coração chegam as veias pulmonares esquerda após coletarem o sangue arterial fruto da hematose no pulmão esquerdo. As veias pulmonares penetram no átrio esquerdo e são recobertas parcialmente pela lâmina serosa do pericárdio Aorta É a principal artéria sistêmica da grande circulação. Ela tem início no ventrículo esquerdo e é quase mediana na sua origem. Sua principal parte é a aorta ascendente. Após passar pelos pulmões atravessa o hiato aórtico e penetra na cavidade abdominal. Ventralmente, à 5a ou 6a vértebra lombar (eqüino), ela se divide em duas artérias ilíacas internas. Da bifurcação, um pequeno vaso, a artéria sacral mediana (média), às vezes transcorre caudalmente na superfície pélvica do sacro. O calibre da aorta ascendente é maior na sua origem, que é denominada bulbo da aorta. Aorta Ascendente: situa-se dentro do pericárdio até o ponto de inserção do ligamento arterial, e está circundada, juntamente com o tronco pulmonar, num prolongamento do epicárdio. Além desse ponto ela continua como aorta descendente. As duas artérias coronárias, direita e esquerda, são distribuídas quase inteiramente para o coração, mas enviam algumas pequenas ramificações para as origens dos grandes vasos na base do coração. Tronco braquiocefálico: é um vaso muito grande que surge da convexidade do arco da aorta dentro do pericárdio. Está direcionado cranial e dorsalmente. Nos cavalos tem aproximadamente 1,5 a 5 cm de comprimento e de 10 –12 cm no bovino. Nesta última forma um tronco comum com a artéria subclávia esquerda. Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 68 Aorta Descendente: Pode ser convenientemente dividida nas partes torácica e abdominal. A aorta torácica passa caudalmente entre os dois sacos pleurais. Ela á cruzada á direita pelo esôfago e traquéia, à esquerda pelo nervo vago esquerdo. A aorta abdominal está relacionada dorsalmente às vértebras lombares, ao ligamento longitudinal ventral e ao músculo psoas menor esquerdo. Em sua direita está a veia cava caudal, e em sua esquerda, o rim esquerdo e o ureter. O trecho abdominal, que estende a partir do hiato aórtico do diafragma até a bifurcação, aproximadamente ao nível de L4, na qual derivam as artérias ilíacas comuns direita e esquerda. É, portanto, a principal fonte de irrigação da região abdominal e membros posteriores. Artéria Veia Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 69 CAPÍTULO 7: SISTEMA ENDÓCRINO Este sistema do organismo é constituído de glândulas endócrinas que elaboram suas secreções interas ou hormônios. Diferem das glândulas exócrinas que liberam suas secreções na superfície corpórea. Este sistema difere dos outros sistemas orgânicos porque as glândulas endócrinas estão amplamente espalhadas por todo o organismo e não há continuidade anatômica entre elas, exceto na esfera fisiológica. Nem todos os órgãos sem ductos possuem caráter endócrino (ex: tonsilas, medula óssea, linfonodos, baço...). Algumas das glândulas endócrinas existem como órgãos isolados, outras estão contidas em outros órgãos (ex: ilhotas de langerhans, paratireóides). As glândulas que constituem o sistema endócrino são a hipófise, a pineal, a tireóide, as paratireóides, o timo, as ilhotas de pancreáticas (Langerhans), as adrenais, as gônadas (testículos e ovários) e mucosa gastrintestinal. Hipófise Esta glândula foi identificada pelos anatomistas antigos e medievais, mas não lhe deram a devida importância. Somente no século XX foi descoberto que um sistema endócrino fisiologicamente funcionante é dependente de uma hipófise hígida. A hipófise é uma glândula pequena que ocupa uma depressão central, chamada fossa hipofisária da sella túrcica, no corpo do osso basisfenóide. No eqüino esta depressão é rasa e nos ruminantes é profunda. A glândula diferencia-se, embriologicamente, a partir do ectoderma que reveste o teto da cavidade do estomodeu (teto da cavidade oral) e de uma invaginação ventral do ectoderma neural do assoalho do diencéfalo. Desse modo, a glândula está constituída de dois tipos diferentes de tecidos que contribuem para o aparecimento dos dois grandes lobos hipofisários. Estes podem ser distinguidos macroscopicamente por sua cor. No eqüino, a parte distal é decor castanha. As duas grandes visões da hipófise são a adeno-hipófise (lobo anterior) e a neuro- hipófise (lobo posterior). A parte distal constitui a parte principal da adeno-hipófise. A neuro- hipófise está ligada ao hipotálamo por meio da haste neural, a parte infundibular. A parte distal estende-se dorsalmente a certa distância, formando uma fina camada de células epiteliais ao redor do infundíbulo, constituindo a parte adeno-hipofisária por uma fenda intraglandular ou um lúmen residual (bolsa de Rathke). A parte caudal da fenda é conhecida como parte intermédia da adeno-hipófise. Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 70 Ovelha: é de contorno irregular cônico, pesando aproximadamente 1,75 g é de cor vermelho acastanhado. A glândula é relativamente maior na ovelha que em outros animais domésticos (2 cm de comprimento, 1,2 cm de largura e 1,6 cm de espessura). Suíno: num animal de 6 meses de idade pesa aproximadamente 0,25 g. A pars distalis compreende cerca de 60% do volume, enquanto a neuro-hipófise compreende aproximadamente 25%. Os outros 2 lobos e a parte infundibular completam o restante do volume. Do ponto de vista microscópico a adeno-hipófise é constituída por cordões ou grupos de células epiteliais que podem ser coradas diferencialmente em granulares acidófilas, basófilas e agranulares cromófobas. A neuro-hipófise compõe-se de células chamadas pituícitos que possuem características de células neurogliais (células de sustentação) com grande número de terminações nervosas. A parte distal secreta vários hormônios: GH, FSH e LH, TSH, ACTH e PRL. A parte intermédia, nos animais inferiores (anfíbios), secreta o MSH (hormônio estimulante dos melanócitos). A neuro- hipófise não produz hormônios, mas armazena e secreta hormônios produzidos no hipotálamo denominados ADH (supra- óptico) e ocitocina (paraventricular). O suprimento sanguíneo para a hipófise é fornecido pelas artérias carótida interna e do polígono arterial cerebral. A drenagem venosa é feita geralmente em torno dos seios cavernoso e intracavernoso. Forma: Eqüino: no adulto a hipófise é achatada, redonda, aproximadamente com 0,8 – 1 cm de espessura, e 1,8 a 2,5 cm de largura e comprimento. A parte distal, externamente situada, é a maior da glândula. A neuro-hipófise é de cor clara e quase inteiramente circundada pela parte distal. Cromófila acidófila Cromófila basófila Cromófoba P ro fª A n a C lá u d ia C a m p o s D Z - U F C Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 71 Aves: a parte distal é similar a dos mamíferos; a parte intermédia está ausente. GLÂNDULA TIREÓIDE A glândula tireóide foi assim denominada em 1656 com base na forma de um escudo longo. Está presente em todos os vertebrados. Sua principal função como glândula endócrina é sintetizar, armazenar e liberar hormônios que se relacionam com a regulação da atividade metabólica. Localização: está localizada sobre a parte mais cranial da traquéia, à qual está frouxamente ligada pela fáscia cervical profunda. Também, consiste de dois lobos triangulares achatados ligados por um istmo. Ovinos: lobo de contorno elíptico, de cor vermelha escura e medem 4-5 cm de comprimento. Cada lobo está relacionado com a traquéia desde o 2o até o 7o anel traqueal. Suíno: está situada na linha média ventralmente à traquéia em posição cranial à entrada do tórax. Os lobos são de cor castanha escura, irregularmente triangular em sua forma e medindo de 5 - 6 cm de comprimento. Os lobos são achatados no sentido longitudinal. Os lobos estão unidos por certa extensão em sua porção ventral, de modo que um istmo distinto não pode ser identificado. Ovino Ovino Estrutura: histologicamente, a glândula está revestida por duas cápsulas: a externa é parte da fáscia cervical profunda e a interna reveste a glândula (cápsula verdadeira). O tecido conjuntivo envia septos para o interior do parênquima glandular. Este tecido estabelece uma sustentação interna e contém vasos sangüíneos, linfáticos e nervos. Eqüinos: a glândula é de cor vermelho-castanho escuro, de consistência firme e altamente vascularizada. Normalmente é composta de dois lobos laterais unidos por um istmo (fino no adulto – aglandular - e no potro é bem desenvolvido e glandular). A superfície interna de cada lobo está relacionado com os primeiros 3 ou 4 anéis traqueais. Bovinos: está situado na altura do 1 ou 2o anel. A consistência não é tão firme como no cavalo e é de cor pálida no adulto e vermelho escuro no bezerro. Tireóide Traquéia Traquéia Tireóide sob a fáscia profunda Esôfago Profª Ana Cláudia Campos DZ - UFC Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 72 Os hormônios produzidos nos folículos tireoidianos são triiodotironina e tiroxina (T3 e T4 respectivamente) e pelas células parafoliculares (claras) é a calcitonina (CT). GLÂNDULAS PARATIREÓIDES Inicialmente, as pequenas glândulas paratireóides eram consideradas tecidos tireoidianos acessórios. Embriologicamente, estas estruturas são tidas como estruturas que se desenvolveram separadamente da tireóide. Nos animais existem comumente quatro glândulas paratireóides, um par cranial ou externo e um par caudal ou interno. As glândulas paratireóides são encontradas em todos os animais além dos peixes, mas podem variar bastante quanto à localização. Algumas podem está agregadas á tireóide, ao timo ou às glândulas salivares mandibulares. As paratireóides, via de regra, são corpos epiteliais achatados, ovalados ou piriformes, que medem 5 – 12 mm de comprimento e 3 a 6 mm de largura. Eqüinos: as paratireóides externas (craniais) situam-se sobre o bordo dorsal medial da tireóide. Ocasionalmente podem estar infiltradas no tecido conjuntivo nas proximidades do pólo cranial da tireóide. Freqüentemente, elas podem estar localizadas 1 cm cranial à tireóide e infiltradas no tecido conjuntivo cervical. Sua forma é variável, podendo estruturar-se globular, oval ou achatada e discoidalmente. Elas têm aproximadamente 10 – 13 mm de comprimento e pesam 0,29 – 0,31 g. A cor varia de um amarelo-palha e amarelo-avermelhado ou mesmo vermelho- castanhado. As paratireóides internas (caudais) situam-se infiltradas nos lobos tireoidianos sobre a superfície medial. Elas são de cor clara e envolvidas por uma cápsula de tecido conjuntivo. Bovinos: não são facilmente reconhecidas ou localizadas. Elas são pequenas e variam de posição. As paratireóides externas estão geralmente localizadas cranialmente, aos lobos da tireóide. Não é incomum as glândulas externas infiltrarem-se no tecido conjuntivo dos lobos das glândulas salivares mandibulares ou no ápice do timo. Os lobos externos têm forma discoidal ou alongadas, com 5 – 12 mm de comprimento e 0,05 – 0,3 g de peso. As internas (caudais) são menores que as externas. Freqüentemente estão incluídas no parênquima tireoidiano sobre a superfície dorsal média ou traqueal sobre a borda caudal. Suínos: os anatomistas descrevem apenas um par de glândulas paratireóides externas (craniais). Estas glândulas estão localizadas cranialmente à tireóide e um pouco distante, encaixadas no timo, uns 3 cm distante doprocesso paracondilar, próximo à bifurcação da artéria Nos lobos celulares encontram- se cavidades descontínuas, que constituem os folículos tireoidianos, que encerram o colóide, ou seja, os folículos tireoidianos são a unidade estrutural da tireóide. Os folículos variam de tamanho e forma. Geralmente são irregulares, podendo ter forma arredondada ou tubular. Na glândula normal o epitélio folicular é cúbico baixo, sob estimulação pode tornar-se colunar. As células para foliculares ocupam o espaço entre os folículos e a membrana basal que o circunda. Folículos tireoidianos Profª Ana Cláudia Campos DZ - UFC Folículo tireoidiano Colóide Células Claras Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 73 carótica. As glândulas são globulares ou ovais em formato, medindo de 1 – 4 mm de comprimento e tem coloração rósea. As glândulas são mais consistentes que o tecido do timo circundante. Nenhuma descrição pode ser encontrada para as glândulas paratireóides internas (caudais). Elas estão localizadas, provavelmente, caudal à tireóide. Estrutura: histologicamente, as paratireóides diferenciam-se em maciços cordões de claro. Acredita-se que estas células produzam um único hormônio ativo, o paratormônio (PTH). As células oxínfilas, que aparecem tardiamente durante o período de vida (primatas e bovinos) pode ser o resultado do envelhecimento das células principais. GLÂNDULAS ADRENAIS É um par de órgãos endócrinos compostos e achatados, localizados no tecido retroperitoneal ao longo dos pólos craniais medianos de cada rim. oxífilas principais células epiteliais, entre os quais se encontram dispersos inúmeros vasos sangüíneos pequenos. Cada glândula é envolvida por uma cápsula de tecido conjuntivo que envia septos para o interior do parênquima glandular, que divide cada glândula em dois lóbulos imperfeitos. Há pouca literatura à respeito dos tipos celulares do parênquima da paratireóide dos animais domésticos. As células principais possuem núcleo pequeno, redondo e vesicular. são de pequeno tamanho e possuem citoplasma direito esquerdo Em eqüinos, geralmente, a glândula direita está 1- 4 cm mais cranial que a esquerda. A direita está geralmente situada medial à veia cava caudal e entre a veia cava e o músculo psoas. A glândula direita é alongada, achatada e irregularmente, da forma de um “J” ou uma vírgula “” . Em animais adultos a glândula direita mede 7,4 cm de comprimento, 3 cm de largura e 1,5 cm de espessura. A esquerda é mais curta, algumas vezes linguiforme, alongada e achatada. Mede aproximadamente, 8 cm de comprimento, 3,5 cm de largura e 1,2 cm de espessura. Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 74 Estrutura: um corte transversal macroscópico de uma glândula não corada mostra que ela está constituída de um córtex que é diferente da medula O córtex apresenta-se cor de carne, creme ou amarelo-brilhante, dependendo do seu conteúdo lipídico. A medula tem cor marrom – avermelhada por causa da presença de abundantes veias medulares. Embriologicamente, cada glândula tem uma dupla origem e, na realidade, são duas glândulas endócrinas combinadas dentro de um envoltório constituído por uma cápsula de tecido conjuntivo. A cápsula é constituída de tecido conjuntivo denso disposto irregularmente. Ruminantes: a glândula adrenal direita tem grosseiramente a forma de um “V”. É mais leve que a esquerda (12 – 13 g). Mede aproximadamente 8 cm de comprimento, 4 cm de largura e 2 cm de espessura. A esquerda tem a forma de um “C”. No boi adulto, a glândula pode medir 8 cm de comprimento, 6 cm de largura e 3 cm de espessura. A adrenal esquerda de bovino pesa 14,5 g. No ovino, ambas as glândulas têm forma de feijão. Suínos: são cilíndricas e alongadas. Algumas podem ser triangulares ou ovais. Ambas se encontram aproximadamente no mesmo plano. As glândulas são de cor castanho-avermelhada por causa do pobre conteúdo lipídico. A glândula esquerda é mais longa e mais pesada que a direita. E adulto de 100 kg de PV, medem de 5 – 10 cm de comprimento e cada uma pesa 2,5 g. esquerda direita O córtex apresenta, microscopicamente, 3 zonas celulares distintas: zona glomerular, fasciculada e reticulada. 1. Zona glomerular: subcapsular estreita. No bovino tem 350 m de espessura. 2. Zona fasciculada: mede 3 mm do bovino. 3. consiste de células menores que a fasciculada. Nas três zonas as células são arranjadas em cordões irregulares. Adrenal Ovina Medula Córtex Ana Cláudia Campos (DZ – UFC) Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 75 A medula adrenal é constituída de tipos celulares identificados por técnicas especiais. Existem dois tipos: uma contendo adrenalina e outra noradrenalina. Como se coram por sais de cromo, as células grandes são referidas como cromafins. ILHOTAS DE LANGERHANS O pâncreas é um órgão com dupla função nos animais em que a porção principal da glândula produz uma secreção exócrina relacionada com a digestão, e um grupo de células dispersas, chamadas ilhotas pancreáticas (Langerhans), produzem secreções endócrinas, os hormônios insulina e glucagon. Há um maior número de ilhotas na cauda que na cabeça do pâncreas. As ilhotas são geralmente encontradas no interior do lóbulo parenquimatoso, estando algumas no tecido conjuntivo interlobular e outras ligadas aos ductos exócrinos, os ductos não recebem secreções delas. Do ponto de vista microscópico o pâncreas encontra-se revestido por uma fina cápsula de tecido areolar e reticular. O parênquima das ilhotas consiste em diferentes células, que formam cordões irregulares, anastomosados entre si, ou se apresentam dispersas isoladamente. As células D têm sido descrita nas ilhotas de primatas e cães (5% do total), sugerindo-se que representam células alfa velhas. As células alfas secretam glucagon, as betas secretam insulina, as deltas secretam a somatostatina e a F o polipeptídeo pancreático. As células do tipo alfa representam 20% da totalidade e estão dispersas na ilhota. A maioria das células é do tipo beta, que são relativamente pequenas e coradas de azul (HE). As alfas são maiores e de cor de rosa, estão distribuídas em pequenos grupos em torno das células betas. As ilhotas também contem outros tipos celulares que podem ser identificadas por coloração de imunofluorescência. As células delta (D) e as F (raras). Alfa Beta Aumento de 40x – Ilhota pancreática Profª Ana Cláudia Campos DZ - UFC Ilhota pancreática Profª Ana Cláudia Campos (DZ –UFC) Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 76 CAPÍTULO 8: SISTEMA RESPIRATÓRIO A respiração foi definida como o processo ou processos químicos e osmóticos pelos quais um animal absorve oxigênio e elimina os produtos formados (principalmente CO2) pelas atividades oxidativas dos tecidos. Anatomicamente o sistema respiratório consiste de uma parte condutora, uma parte respiratória e um mecanismo de bombeamento pelo qual o ar alternativamente é puxado para dentro (inspiração) e expelido (expiração) do sistema. (1) porção condutora: o nariz,a cavidade nasal, a faringe, a laringe, a traquéia, os brônquios e os bronquíolos até aos bronquíolos terminais. (2) porção respiratória, que compreende bronquíolos respiratórios (inclusive), ductos alveolares e sacos alveolares, é nesta segunda porção ocorre a troca gasosa. (3) os componentes do aparelho de bombeamento são: (a) os sacos pleurais que abarcam os pulmões e formam câmaras de vácuo ao redor deles, (b) o esqueleto do tórax e seus músculos e (c) o diafragma. Os movimentos da caixa torácica e diafragma resultam numa alteração no volume torácico. Este, por sua vez, afeta a pressão negativa dentro dos sacos pleurais, e como resultado o ar é conduzido ou expelidos dos pulmões. A porção condutora conduz o ar para os pulmões, inicia-se no nariz que serve para filtrar, aquecer e umidificar o ar, que será conduzido para a traquéia, divide–se nos brônquios fonte direito e esquerdo até chegar à porção respiratória bronquíolo respiratório, ducto alveolar e saco alveolar. Seios paranasais: são cavidades encontradas no interior dos ossos da maxila, frontal, esfenóide e etmóide. Eles são revestidos por uma túnica mucosa respiratória e comunicam-se direta ou indiretamente com a cavidade nasal. Além da função respiratória, o sistema respiratório está relacionado com a produção da voz (laringe) Este sistema também está relacionado ao sistema olfatório, pois a túnica da mucosa nasal contém células sensoriais olfatórias e é conhecida como região olfatória. A primeira parte do verdadeiro percurso respiratório é a cavidade nasal, que está contida em grande parte dentro do nariz e é dividida em duas metades laterais, direita e esquerda, por um septo mediano. Ocupando o espaço dentro das cavidades nasais (ossos turbinais), e abrindo-se para fora das cavidades nasais estão os seios paranasais. As cavidades nasais comunicam-se com o exterior por meio das narinas e com a faringe através das coanas (narinas caudais). NARIZ Um nariz proeminente, que se projeta do restante da face, tal como se observa no homem, não é observado nos animais domésticos. Nos animais domésticos, o nariz está incorporado ao esqueleto da face e estende-se do nível transverso dos olhos até a extremidade rostral da cabeça. Partes do nariz: dorsalmente – dorso do nariz Lateralmente – regiões laterais do nariz Rostralmente – extremidade do nariz ou ápice, que sustenta as duas narinas. A pele do nariz, exceto aquela da extremidade, apresenta pêlos curtos ou lamugem. Os ossos que formam a parede dorsal do nariz são os ossos nasal e frontal, os que formam a parede lateral são os ossos incisivos, maxilar, lacrimal e zigomático. A margem óssea formada pela borda rostral dos ossos incisivo e nasal é conhecida como a abertura óssea do nariz. Rostralmente à abertura óssea, a parede do nariz é sustentada por extensões cartilaginosas, dorsal e ventral, do septo nasal. A extremidade ou ápice do nariz apresenta as duas narinas que formam as entradas para a cavidade nasal. O formato das narinas varia muito entre as diferentes espécies, como o faz a estrutura cartilaginosa ou óssea que as sustenta e as mantém abertas. No suíno o septo cartilaginoso é substituído pelo osso rostral no formato de uma cunha. As narinas quando não dilatadas são do formato de uma vírgula no eqüino, bovina, cão e gato, de fenda no ovino e caprino e redonda no suíno. Em todas as espécies (exceto eqüino) a pele ao redor e entre as narinas aparece notavelmente diferente daquela que cobre o restante do órgão, e em algumas espécies ela se estende para dentro do lábio superior. No ovino e caprino a pele que forma a parte brilhosa do Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 77 nariz é conhecida como plano nasal (sem pêlos). No suíno, a pele cobre a superfície e uma estreita faixa ao redor da borda do focinho e é conhecida como plano rostral (possui alguns pêlos curtos e finos ao redor da borda, pêlos com seios). No bovino a pele se estende dentro do lábio superior e forma o plano nasolabial. No eqüino, a pele ao redor e entre as narinas é coberta por finos pêlos curtos intercalados com alguns pêlos com seios. Nos ruminantes e suínos, a pele é mantida úmida pela secreção das glândulas serosas que se abre nas profundezas de sulcos da pele. Plano nasal dos animais domésticos CAVIDADE NASAL (fossas nasais) Estende-se das narinas até as coanas. Está separada da boca pelos palatos duro e mole e dividida em duas metades pelo septo nasal mediano. Cada lado da cavidade nasal comunica-se com a narina do mesmo lado e posteriormente com a faringe e coanas. CONCHAS NASAIS: uma grande parte de cada cavidade nasal (direita e esquerda) é ocupada pelas conchas nasais (ossos turbinais). Na parte rostral da cavidade nasal, imediatamente dentro das narinas, é denominada de vestíbulo. A parte caudal é conhecida como meato nasofaríngeo. A cavidade nasal, o septo nasal e ambas as superfícies das conchas nasais são forradas por uma túnica mucosa. A mucosa do vestíbulo é constituída por epitélio estratificado pavimentoso. O restante da cavidade nasal está dividida em regiões respiratória e olfatória, de acordo com o tipo de epitélio que a cobre. Funções: uma função da cavidade nasal é a olfação. Os animais dependem do sentido do olfato em uma extensão bem maior que o homem, e alguns animais são bem mais dependente do sentido do olfato do que outros para sobreviver. Os animais com bom sentido do olfato são chamados macrosmáticos, os com fraco sentido do olfato são chamado microsmático, e os sem sentido de olfato são anosmáticos. Para maiores informações leia o Getty pg 113. Duas outras funções da cavidade nasal são: preparo e a filtração do ar inspirado. O ar deve ser umedecido e aquecido antes de atingir os bronquíolos terminais. E a filtração do ar é conseguida pela captação das partículas de poeira e bactérias (remoção ciliar e ação de lisoenzimas, respectivamente). FARINGE: Será descrito no tubo digestivo. O philtrum, ou sulco mediano, que divide o lábio superior, é bem desenvolvido no ovino e, caprino e estende-se dorsalmente dentro do plano nasal. As narinas e o vestíbulo da cavidade nasal podem ser dilatadas pela ação de músculos dilatadores do nariz. Esta dilatação ocorre durante a inspiração, a fim de reduzir as chances de obstrução do fluxo de ar. A contração das narinas ocorre no final da expiração e é particularmente observável no eqüino durante a respiração forçada. Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 78 LARINGE É o órgão que liga a parte caudal da faringe com a traquéia. Nos mamíferos a laringe foi grandemente modificada. Ela ainda serve como valva para impedir que materiais estranhos penetrem na traquéia. Além disso, ela foi modificada para permitir mudanças no tamanho da glote para a livre entrada de ar, para o controle da respiração e, em algumas espécies para a regulação da pressão intratorácica. A laringe também é usada como um mecanismo de fonação. A passagem da laringe, ou cavidade, é mantida viável pelo esqueleto cartilaginoso da laringe, que consiste de algumas cartilagens, pares ou simples, que se articulam umas com as outras. Elas são movimentadas por determinados músculos laríngeos e, desta forma, o tamanho da glote, uma parte da cavidade, pode ser alterado. Também se encontram associadas às cartilagens laríngeas ligamentos que podem ser tensionados ou relaxados pelas ações dos músculos. Cartilagens da laringe: cricóide, tireóide, epiglótica, aritenóide, corniculada e cuneiforme. As três primeirassão simples e as últimas três são pares. A laringe dos ruminantes é relativamente curta e larga. No suíno é relativamente longa. Funções: Papel na olfação: auxilia na olfação ao ajudar a segurar o ar inspirado, com seus odores, atingirá as terminações nervosas olfatórias da mucosa nasal. Papel na deglutição: nos mamíferos serve como uma valva para impedir a entrada de material estranho dentro da traquéia durante a deglutição. Papel na respiração: a laringe deve promover, quando necessário, um caminho livre para o ar que entra nos pulmões. Papel na regulação da pressão intratorácica: Em determinados mamíferos, a laringe é projetada como uma valva de entrada ou saída ou ambas para impedir a entrada ou saída ou ambas de ar nos pulmões. Desse modo, os animais com valva de entrada de ar eficiente são aqueles que usam os membros anteriores para subir. A fim de obter a contração máxima dos músculos que contraem os membros anteriores, a caixa torácica terá que estar fixa na posição expiratória (exemplo: gato). Valva de saída: nenhuma espécie doméstica. Papel na fonação: há animais que não possuem voz, mas mesmo assim possuem laringe. Há animais que produzem sons por outros meios. O som é produzido por vibração das cordas vocais. TRAQUÉIA Fonte: Getty, Anatomia dos Animais Domésticos Cartilagem tireóidea da Laringe Traquéia Músculos Laríngeos Profª Ana Cláudia Campos DZ - UFC Vista Ventral e Lateral da laringe e traquéia Cricóide Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 79 A traquéia é um tubo flexível, cartilaginoso e membranoso que se estende da laringe, pelo pescoço abaixo, através da cavidade mediastinal cranial até o mediastino médio. Ele bifurca-se imediatamente dorsal à base do coração, ao nível da 5a vértebra torácica, nos brônquios principais direito e esquerdo. Para fins descritivos a traquéia é dividida em duas partes, a cervical e a torácica. A traquéia é essencialmente uma estrutura mediana, mas próximo a sua bifurcação ela é empurrada ligeiramente para a direita do plano mediano pelo arco aórtico. No pescoço, a traquéia está circundada pela fáscia cervical profunda; no tórax ela é circundada pela fáscia mediastinal. A parede da traquéia é composta de quatro lâminas principais. De dentro para fora são: mucosa, submucosa, lâmina musculocartilaginosa e adventícia. A mucosa é revestida de epitélio pseudoestratificado cilíndrico ciliado, contendo abundantes glândulas secretoras de muco e células caliciformes. Os cílios batem cranialmente e movimentam as secreções mucosas e as partículas estranhas em direção à laringe. Nódulos linfáticos podem ser encontrados na lâmina própria. A submucosa é rica em fibras elástica. Glândulas seromucosas estão presentes. A lâmina musculocartilaginosa é composta de placas cartilaginosas (hialina). O formato exato varia com a espécie, e em determinadas espécies com a região traqueal. Ela provavelmente, também difere no animal vivo e embalsamado. Embora a maioria das placas esteja separada uma da outra, este nem sempre é o caso, e é possível Profª Ana Cláudia Campos DZ - UFC Cartilagem Cricóide da laringe Placas traqueais Entrada do Tórax Tireóide Esôfago Profª Ana Cláudia Campos DZ - UFC Entroncamento lateral direito da traquéia Mucosa da traquéia Abertura realizada pelo corte do músculo traqueal Bifurcação da traquéia (brônquios) Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 80 encontrar placas adjacentes fundidas. A abertura dorsal de cada placa cartilaginosa é preenchida por tecido conjuntivo e pelo músculo traqueal. A adventícia é uma lâmina de tecido conjuntivo, que une a lâmina musculocartilaginosa com o tecido conjuntivo que circunda a traquéia. Nas aves, cada anel cartilaginoso é um círculo completo. O comprimento da traquéia e o número de placas cartilaginosa no órgão variam com a espécie e dentro da mesma espécie. No eqüino e no ruminante há de 48 a 60 placas; no suíno, de 32 a 36 placas; nas aves de 108 a 126 placas. A traquéia possui determinadas exigências que foram muito sutilmente satisfeitas em sua estrutura. Primeiro, a traquéia tem que funcionar como um tubo rígido ou entraria em colapso quando os pulmões se expandissem; a rigidez é suprida pelas placas cartilaginosas. Segundo, a traquéia tem que ser capaz de expansão para que possa acomodar qualquer aumento no volume de ar que passa para os pulmões. Ela é capaz de expansão porque (1) a cartilagem hialina possui uma flexibilidade inerente; (2) as placas cartilaginosas são incompletas dorsalmente; (3) a túnica mucosa forma pregas longitudinais; e (4) há considerável quantidade de tecido elástico na mucosa. Terceiro, a traquéia tem que capturar e remover partículas finas de matérias estranhas admitidas com o ar inspirado. As partículas são captadas no muco pegajoso secretado pelas glândulas traqueais e células caliciformes e depois removidas pelo batimento dos cílios. Quarto, toda a traquéia precisa ser tanto flexível quanto extensível para dar margens aos movimentos da cabeça e do pescoço e da laringe. A flexibilidade é conseguida porque a cartilagem que fornece a rigidez está presente na forma de placas mantidas juntas por ligamentos fibroelásticos, ao invés de na forma de uma lâmina contínua, deste modo permitindo o dobramento do tubo. A disposição das placas cartilaginosas ligadas por ligamentos elásticos também permite que o tubo seja estendido pelo estiramento dos ligamentos. Vasos e Nervos A traquéia é suprida por ramos das artérias carótidas comum e a artéria bronco-esofágica. O sangue é drenado por tributários das veias jugulares e veias bronco-esofágicas. O sistema nervoso autônomo. O nervo vago emite fibras parassimpáticas pré-ganglionares tanto diretamente como indiretamente (nervo laríngeo recorrente). Fonte: Getty, Anatomia dos Animais Domésticos Profª Ana Cláudia Campos DZ - UFC Bifurcação da traquéia Brônquios Traquéia Laringe Tireóide Anéis Traqueais Vista ventro-lateral da laringe e traquéia Profª Ana Cláudia Campos DZ - UFC Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 81 PULMÂO Os pulmões direito e esquerdo são os órgãos da respiração em que o sangue é oxigenado e deles são removidos os produtos gasosos do metabolismo tecidual, essencialmente o dióxido de carbono. Os pulmões estão localizados na cavidade torácica, e cada pulmão está livre para se movimentar, pois está invaginado num saco pleural e inserido apenas por sua raiz e pelo ligamento pulmonar. Os pulmões normais são órgãos elásticos, mas eles sempre contem uma quantidade considerável de ar. Conseqüentemente, eles são muito leves e flutuam na água. Eles são macios e esponjosos ao tato e crepitam ao serem apertados. Os pulmões de um feto ou de um animal recém nascido, que ainda não respirou, são mais firmes ao tato e não flutuam na água. Pulmões cheios de fluidos também não flutuam na água. Os pulmões sadios de animais vivos em áreas rurais são de coloração cor- de –rosa claro, enquanto que os de animais que vivem em áreas urbanas são acinzentados na coloração e muitas vezes aparecem com manchas cinza-escuras; esta diferença é devida a impregnação do tecido pulmonar pela poeira atmosférica. Em determinadas espécies a superfície dos pulmões pode estar subdividida em várias áreas poligonais irregulares.Elas representam os lobos pulmonares que serão descritos mais adiante. Os pulmões são moldados ao formato da cavidade torácica e os demais conteúdos torácicos. Conseqüentemente, quando um pulmão é endurecido in situ pelo embalsamento, ele retém as impressões e marcações das estruturas adjacentes. Por exemplo, há impressões das costelas, coração, esôfago e vários vasos sanguíneos e nervos. Pulmão Direito Ovino Lobo Caudal Lobo Médio Lobo Cranial Incisura Cardíaca Profª Ana Cláudia Campos DZ - UFC Pulmão Ovino Pulmão Direito Pulmão Esquerdo Traquéia aberta Esôfago Mediastino Saco pericárdio e coração Profª Ana Cláudia Campos DZ - UFC Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 82 Caracteristicamente, os pulmões são subdivididos em partes relativamente grandes chamadas de lobos pulmonares por fissuras ou denteações na borda ventral. Um lobo pulmonar pode ser definido como uma grande parte do tecido pulmonar que é ventilado por um grande brônquio surgido ou de um brônquio principal ou da traquéia e que está separado dos lobos adjacentes por fissuras interlobulares. É provável que a finalidade da disposição lobar dos pulmões seja a de permitir que os mesmos se expandam eficazmente durante a inspiração e assim ocupem o espaço tornado disponível pelas alterações do tamanho e no formato da cavidade torácica. CAVIDADE TORÁCICA A cavidade torácica é uma das três principais cavidades do corpo. Ela contém dois pulmões, cada um com um saco pleural e outros órgãos. A cavidade torácica varia de formato, dependendo da espécie e raça. O formato da cavidade torácica é alterado durante cada ciclo respiratório, pois durante a inspiração o volume da cavidade precisa aumentar para permitir que o ar seja levado para dentro dos pulmões. Essa alteração do formato ocorre essencialmente pelo movimento do diafragma, e me menor grau pelos movimentos das articulações do esqueleto torácico. Pulmão Direito Ovino com lobos caudal e médio levantados Profª Ana Cláudia Campos DZ - UFC Lobo Acessório Em todas as espécies domésticas (exceto nos eqüinos) o pulmão direito possui quatro lobos: um cranial, um lobo médio, um acessório e um lobo caudal. No eqüino, a fissura entre os lobos médio e intermediário, normalmente não é desenvolvida, de modo que externamente o pulmão direito possui apenas três lobos: cranial, acessório e caudal. Em todas as espécies domésticas o pulmão esquerdo possui três lobos: um cranial, um médio e um caudal. Pulmão esquerdo Lobo Caudal Lobo Cranial Lobo Médio Profª Ana Cláudia Campos DZ -UFC Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 83 O diafragma é o músculo mais importante na respiração. Quando ele se contrai, a curvatura de seu domo é reduzida e sua parte central movimenta-se caudalmente. Como resultado, o volume da cavidade torácica é aumentado e o ar é levado para dentro dos pulmões. Nos animais não Eqüídeos, o esforço respiratório é só de uma fase (inspiração e expiração), nos eqüinos, o esforço é duas fases. A gama de movimentos de qualquer uma das articulações torácicas é pequena. Durante a respiração quiescente, os movimentos são mais ou menos confinados às articulações associadas às costelas caudais; entretanto, durante a respiração forçada ou expiração forçada, os movimentos podem envolver todas as articulações torácicas. Arquitetura interna Os pulmões podem ser considerados como sendo construídos na estrutura de uma árvore bronquial. O termo árvore bronquial é usado por causa da aparência arborescente dada pela ramificação dos brônquios e bronquíolos. Os brônquios principais originam os brônquios relativamente grandes que ventilam os lobos pulmonares e são denominados brônquios lobares. Histologicamente, os brônquios possuem cartilagem abundante até a sua quinta geração, porém da quinta até a décima quinta geração há pequenas placas cartilaginosas nas paredes, também são revestidas por epitélio pseudoestratificado cilíndrico ciliado, glândulas de muco e células caliciformes. À medida que vão diminuindo de diâmetro e os bronquíolos o epitélio torna-se cilíndrico simples á cúbico baixo. Os bronquíolos são tubos de 1 mm, com paredes compostas de fibras musculares lisas circulares e revestidas de epitélio, contendo poucas glândulas mucosas e caliciformes. Os bronquíolos terminais não contêm cílios e nem glândulas secretoras e caliciformes e nem cartilagem. Estes bronquíolos demarcam o fim da parte condutora. Cada bronquíolo terminal divide-se em dois bronquíolos respiratórios que é caracterizado pela presença de alvéolos simples e semelhantes a sacos que se abrem em suas paredes e por um epitélio de revestimento que é formado por células cúbicas e parcialmente pavimentosas. Os alvéolos são sacos de ar com uma única camada de células achatadas com fibras elásticas finas, envolvidas por uma rede de capilares, nos alvéolos há poros que permitem a passagem de ar de um alvéolo para o outro. Esta passagem ocorre por meio dos poros de Kohn e Lambert, produzindo o fenômeno de corrente colateral de ar. A difusão de oxigênio e dióxido de carbono ocorre através do liquido alveolar, epitélio alveolar, da membrana basal do epitélio alveolar, liquido intersticial, membrana basal do endotélio capilar e do endotélio capilar. Estas seis camadas são citadas como barreira respiratória. Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 84 Suprimento sanguíneo e nervoso O suprimento sanguíneo é derivado da artéria aorta, através das artérias bronquiais e o suprimento nervoso é feito pelo sistema nervoso autônomo. PLEURA A pleura consiste de duas camadas que são contínuas uma com a outra. O pulmão é envolvido por uma camada denominada pleura visceral (pulmonar), que entra nas fissuras e faces interlobulares. A camada externa da pleura envolve a cavidade torácica e é denominada pleura parietal. O espaço entre as duas pleuras forma a cavidade pleural e são lubrificadas pelo líquido pleural, permitindo que elas deslizem facilmente uma contra a outra durante a respiração. A pleura parietal é denominada de acordo com a região que passa: pleura costal (costelas), pleura diafragmática (diafragma), pleura mediastinal (mediastino). Pleura Visceral diafragmática Centro Tendíneo do diafragma Veia Cava Caudal Pulmão direito Esôfago Pericardio + coração Acúmulo de gordura Pleura Visceral diafragmática Músculo diafragmático Profª Ana Cláudia Campos DZ - UFC Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloadedby: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark CAPÍTULO 12: SISTEMA NERVOSO O sistema nervoso, juntamente com o sistema endócrino, capacitam o organismo a perceber as variações do meio (interno e externo), a difundir as modificações que essas variações produzem e a executar as respostas adequadas para que seja mantido o equilíbrio interno do corpo (homeostase). São os sistemas envolvidos na coordenação e regulação das funções corporais. No sistema nervoso diferenciam-se duas linhagens celulares: os neurônios e as células da glia (ou da neuróglia). Os neurônios são as células responsáveis pela recepção e transmissão dos estímulos do meio (interno e externo), possibilitando ao organismo a execução de respostas adequadas para a manutenção da homeostase. Para exercerem tais funções, contam com duas propriedades fundamentais: a irritabilidade (também denominada excitabilidade ou responsividade) e a condutibilidade. Irritabilidade é a capacidade que permite a uma célula responder a estímulos, sejam eles internos ou externos. Portanto, irritabilidade não é uma resposta, mas a propriedade que torna a célula apta a responder. Essa propriedade é inerente aos váriostipos celulares do organismo. No entanto, as respostas emitidas pelos tipos celulares distintos também diferem umas das outras. A resposta emitida pelos neurônios assemelha-se a uma corrente elétrica transmitida ao longo de um fio condutor: uma vez excitados pelos estímulos, os neurônios transmitem essa onda de excitação - chamada de impulso nervoso - por toda a sua extensão em grande velocidade e em um curto espaço de tempo. Esse fenômeno deve-se à propriedade de condutibilidade. Para compreendermos melhor as funções de coordenação e regulação exercidas pelo sistema nervoso, precisamos primeiro conhecer a estrutura básica de um neurônio e como a mensagem nervosa é transmitida. Um neurônio é uma célula composta de um corpo celular (onde está o núcleo, o citoplasma e o citoesqueleto), e de finos prolongamentos celulares denominados neuritos, que podem ser subdivididos em dendritos e axônios. Os dendritos são prolongamentos geralmente muito ramificados e que atuam como receptores de estímulos, funcionando portanto, como "antenas" para o neurônio. Os axônios são prolongamentos longos que atuam como condutores dos impulsos nervosos. Os axônios podem se ramificar e essas ramificações são chamadas de colaterais. Todos os axônios têm um início (cone de implantação), um meio (o axônio propriamente dito) e um fim (terminal axonal ou botão terminal). O terminal axonal é o local onde o axônio entra em contato com outros neurônios e/ou outras células e passa a informação (impulso nervoso) para eles. A região de passagem do impulso nervoso de um neurônio para a célula adjacente chama-se sinapse. Às vezes os axônios têm muitas ramificações em suas regiões terminais e cada ramificação forma uma sinapse com outros dendritos ou corpos celulares. Estas ramificações são chamadas coletivamente de arborização terminal. Fonte: internet Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) http://www.afh.bio.br/endocrino/endocrino1.asp http://www.afh.bio.br/nervoso/nervoso2.asp#neuroglia http://www.afh.bio.br/nervoso/nervoso2.asp#neuroglia https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 125 Os corpos celulares dos neurônios são geralmente encontrados em áreas restritas do sistema nervoso, que formam o Sistema Nervoso Central (SNC), ou nos gânglios nervosos, localizados próximo da coluna vertebral. Sinapses Sinapse é um tipo de junção especializada em que um terminal axonal faz contato com outro neurônio ou tipo celular. As sinapses podem ser elétricas ou químicas (maioria). Sinapses elétricas As sinapses elétricas, mais simples e evolutivamente antigas, permitem a transferência direta da corrente iônica de uma célula para outra. Ocorrem em sítios especializados denominados junções gap ou junções comunicantes. Nesses tipos de junções as membranas pré-sinápticas (do axônio - transmissoras do impulso nervoso) e pós-sinápticas (do dendrito ou corpo celular - receptoras do impulso nervoso) estão separadas por apenas 3 nm. Essa estreita fenda é ainda atravessada por proteínas especiais denominadas conexinas. Seis conexinas reunidas formam um canal denominado conexon, o qual permite que íons passem diretamente do citoplasma de uma célula para outra. A maioria das junções gap permite que a corrente iônica passe adequadamente em ambos os sentidos, sendo desta forma, bidirecionais. Imagem: BEAR, M.F., CONNORS, B.W. & PARADISO, M.A. Neurociências – Desvendando o Sistema Nervoso. Porto Alegre 2ª ed, Artmed Editora, 2002. Em invertebrados, as sinapses elétricas são comumente encontradas em circuitos neuronais que medeiam respostas de fuga. Em mamíferos adultos, esses tipos de Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 126 sinapses são raras, ocorrendo freqüentemente entre neurônios nos estágios iniciais da embriogênese. Sinapses químicas Via de regra, a transmissão sináptica no sistema nervoso humano e animal maduro é química. As membranas pré e pós-sinápticas são separadas por uma fenda com largura de 20 a 50 nm - a fenda sináptica. A passagem do impulso nervoso nessa região é feita, então, por substâncias químicas: os neuro-hormônios, também chamados mediadores químicos ou neurotransmissores, liberados na fenda sináptica. O terminal axonal típico contém dúzias de pequenas vesículas membranosas esféricas que armazenam neurotransmissores - as vesículas sinápticas. A membrana dendrítica relacionada com as sinapses (pós-sináptica) apresenta moléculas de proteínas especializadas na detecção dos neurotransmissores na fenda sináptica - os receptores. Por isso, a transmissão do impulso nervoso ocorre sempre do axônio de um neurônio para o dendrito ou corpo celular do neurônio seguinte. Podemos dizer então que nas sinapses químicas, a informação que viaja na forma de impulsos elétricos ao longo de um axônio é convertida, no terminal axonal, em um sinal químico que atravessa a fenda sináptica. Na membrana pós-sináptica, este sinal químico é convertido novamente em sinal elétrico. Além do transporte anterógrado, há um mecanismo para o deslocamento de material no axônio no sentido oposto, indo do terminal para o soma. Acredita-se que este Fonte: internet Como o citoplasma dos axônios, inclusive do terminal axonal, não possui ribossomos, necessários à síntese de proteínas, as proteínas axonais são sintetizadas no soma (corpo celular), empacotadas em vesículas membranosas e transportadas até o axônio pela ação de uma proteína chamada cinesina, a qual se desloca sobre os microtúbulos, com gasto de ATP. Esse transporte ao longo do axônio é denominado transporte axoplasmático e, como a cinesina só desloca material do soma para o terminal, todo movimento de material neste sentido é chamado de transporte anterógrado. Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 127 processo envia sinais para o soma sobre as mudanças nas necessidades metabólicas do terminal axonal. O movimento neste sentido é chamado transporte retrógrado. As sinapses químicas também ocorrem nas junções entre as terminações dos axônios e os músculos; essas junções são chamadas placas motoras ou junções neuro-musculares. Imagem: CÉSAR & CEZAR. Biologia 2. São Paulo, Ed Saraiva, 2002 Por meio das sinapses, um neurônio pode passar mensagens (impulsos nervosos) para centenas ou até milhares de neurônios diferentes. Neurotransmissores A maioria dos neurotransmissores situa-se em três categorias: aminoácidos, aminas e peptídeos. Os neurotransmissores aminoácidos e aminas são pequenas moléculas orgânicas com pelo menos um átomo de nitrogênio, armazenadas e liberadas em vesículas sinápticas. Sua síntese ocorre no terminal axonal a partir de precursores metabólicos ali presentes. As enzimas envolvidas na síntese de tais neurotransmissores são produzidas no soma (corpo celular do neurônio) e transportadas até o terminal axonal e, neste local, rapidamente dirigem a síntese desses mediadores químicos. Uma vez sintetizados, os neurotransmissores aminoácidos e aminas são levados para as vesículas sinápticas que liberam seus conteúdos por exocitose. Nesse processo, a membrana da vesícula funde-se com a membrana pré-sináptica, permitindo que os conteúdos sejam liberados. A membrana vesicular é posteriormente recuperada por endocitose e a vesícula reciclada é recarregada com neurotransmissores. Os neurotransmissores peptídeos constituem-se de grandes moléculas armazenadas e liberadas em grânulos secretores. A síntese dos neurotransmissores peptídicos ocorre no retículo endoplasmático rugoso do soma. Apósserem sintetizados, são clivados no complexo de golgi, transformando-se em neurotransmissores ativos, que são secretados em grânulos secretores e transportados ao terminal axonal (transporte anterógrado) para serem liberados na fenda sináptica. Diferentes neurônios no SNC liberam também diferentes neurotransmissores. A transmissão sináptica rápida na maioria das sinapses do SNC é mediada pelos neurotransmissores aminoácidos glutamato (GLU), gama-aminobutírico (GABA) e glicina (GLI). A amina acetilcolina medeia a transmissão sináptica rápida em todas as junções neuromusculares. As formas mais lentas de transmissão sináptica no SNC e na periferia são mediadas por neurotransmissores das três categorias. Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 128 O glutamato e a glicina estão entre os 20 aminoácidos que constituem os blocos construtores das proteínas. Conseqüentemente, são abundantes em todas as células do corpo. Em contraste, o GABA e as aminas são produzidas apenas pelos neurônios que os liberam. O mediador químico adrenalina, além de servir como neurotransmissor no encéfalo, também é liberado pela glândula adrenal para a circulação sangüínea. Abaixo são citadas as funções específicas de alguns neurotransmissores. endorfinas e encefalinas: bloqueiam a dor, agindo naturalmente no corpo como analgésicos. dopamina: neurotransmissor inibitório derivado da tirosina. Produz sensações de satisfação e prazer. Os neurônios dopaminérgicos podem ser divididos em três subgrupos com diferentes funções. O primeiro grupo regula os movimentos: uma deficiência de dopamina neste sistema provoca a doença de Parkinson, caracterizada por tremuras, inflexibilidade, e outras desordens motoras, e em fases avançadas pode verificar-se demência. O segundo grupo, o mesolímbico, funciona na regulação do comportamento emocional. O terceiro grupo, o mesocortical, projeta-se apenas para o córtex pré-frontal. Esta área do córtex está envolvida em várias funções cognitivas, memória, planejamento de comportamento e pensamento abstrato, assim como em aspectos emocionais, especialmente relacionados com o estresse. Distúrbios nos dois últimos sistemas estão associados com a esquizofrenia. Serotonina: neurotransmissor derivado do triptofano regula o humor, o sono, a atividade sexual, o apetite, o ritmo circadiano, as funções neuroendócrinas, temperatura corporal, sensibilidade à dor, atividade motora e funções cognitivas. Atualmente vem sendo intimamente relacionada aos transtornos do humor, ou transtornos afetivos e a maioria dos medicamentos chamados antidepressivos agem produzindo um aumento da disponibilidade dessa substância no espaço entre um neurônio e outro. Tem efeito inibidor da conduta e modulador geral da atividade psíquica. Influi sobre quase todas as funções cerebrais, inibindo-a de forma direta ou estimulando o sistema GABA. GABA (ácido gama-aminobutirico): principal neurotransmissor inibitório do SNC. Ele está presente em quase todas as regiões do cérebro, embora sua concentração varie conforme a região. Está envolvido com os processos de ansiedade. Seu efeito ansiolítico seria fruto de alterações provocadas em diversas estruturas do sistema límbico, inclusive a amígdala e o hipocampo. A inibição da síntese do GABA ou o bloqueio de seus Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) http://www.afh.bio.br/endocrino/endocrino2.asp#adrenalina https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 129 neurotransmissores no SNC, resultam em estimulação intensa, manifestada através de convulsões generalizadas. Ácido glutâmico ou glutamato: principal neurotransmissor estimulador do SNC. A sua ativação aumenta a sensibilidade aos estímulos dos outros neurotransmissores. Tipos de neurônios De acordo com suas funções na condução dos impulsos, os neurônios podem ser classificados em: 1. Neurônios receptores ou sensitivos (aferentes): são os que recebem estímulos sensoriais e conduzem o impulso nervoso ao sistema nervoso central. 2. Neurônios motores ou efetuadores (eferentes): transmitem os impulsos motores (respostas ao estímulo). 3. Neurônios associativos ou interneurônios: estabelecem ligações entre os neurônios receptores e os neurônios motores. Células da Glia (neuróglia) As células da neuróglia cumprem a função de sustentar, proteger, isolar e nutrir os neurônios. Há diversos tipos celulares, distintos quanto à morfologia, a origem embrionária e às funções que exercem. Distinguem-se, entre elas, os astrócitos, oligodendrocitos e micróglia. Têm formas estreladas e prolongações que envolvem as diferentes estruturas do tecido. Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 130 Os astrócitos são as maiores células da neuróglia e estão associados à sustentação e à nutrição dos neurônios. Preenchem os espaços entre os neurônios, regulam a concentração de diversas substâncias com potencial para interferir nas funções neuronais normais (como por exemplo as concentrações extracelulares de potássio), regulam os neurotransmissores (restringem a difusão de neurotransmissores liberados e possuem proteínas especiais em suas membranas que removem os neurotransmissores da fenda sináptica). Estudos recentes também sugerem que podem ativar a maturação e a proliferação de células-tronco nervosas adultas e ainda, que fatores de crescimento produzidos pelos astrócitos podem ser críticos na regeneração dos tecidos cerebrais ou espinhais danificados por traumas ou enfermidades. Os oligodendrócitos são encontrados apenas no sistema nervoso central (SNC). Devem exercer papéis importantes na manutenção dos neurônios, uma vez que, sem eles, os neurônios não sobrevivem em meio de cultura. No SNC, são as células responsáveis pela formação da bainha de mielina. Um único oligodendrócito contribui para a formação de mielina de vários neurônios (no sistema nervoso periférico, cada célula de Schwann mieliniza apenas um único axônio) A micróglia é constituída por células fagocitárias, análogas aos macrófagos e que participam da defesa do sistema nervoso. Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 131 Do sistema nervoso central partem os prolongamentos dos neurônios, formando feixes chamados nervos, que constituem o Sistema Nervoso Periférico (SNP). O axônio está envolvido por um dos tipos celulares seguintes: célula de Schwann (encontrada apenas no SNP) ou oligodendrócito (encontrado apenas no SNC) Em muitos axônios, esses tipos celulares determinam a formação da bainha de mielina - invólucro principalmente lipídico (também possui como constituinte a chamada proteína básica da mielina) que atua como isolante térmico e facilita a transmissão do impulso nervoso. Em axônios mielinizados existem regiões de descontinuidade da bainha de mielina, que acarretam a existência de uma constrição (estrangulamento) denominada nódulo de Ranvier. No caso dos axônios mielinizados envolvidos pelas células de Schwann, a parte celular da bainha de mielina, onde estão o citoplasma e o núcleo desta célula, constitui o chamado neurilema. O impulso nervoso A membrana plasmática do neurônio transporta alguns íons ativamente, do líquido extracelular para o interior da fibra, e outros, do interior, de volta ao líquido extracelular. Assim funciona a bomba de sódio e potássio, que bombeia ativamente o sódio para fora, enquanto o potássio é bombeadoativamente para dentro. Porém esse bombeamento não é eqüitativo: para cada três íons sódio bombeados para o líquido extracelular, apenas dois íons potássio são bombeados para o líquido intracelular. Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) http://www.afh.bio.br/nervoso/nervoso2.asp#oligoden https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 132 Imagem: www.octopus.furg.br/ensino/anima/atpase/NaKATPase.html Somando-se a esse fato, em repouso a membrana da célula nervosa é praticamente impermeável ao sódio, impedindo que esse íon se mova a favor de seu gradiente de concentração (de fora para dentro); porém, é muito permeável ao potássio, que, favorecido pelo gradiente de concentração e pela permeabilidade da membrana, se difunde livremente para o meio extracelular. Imagem: www.epub.org.br/cm/n10/fundamentos/animation.html Em repouso: canais de sódio fechados. Membrana é praticamente impermeável ao sódio, impedindo sua difusão a favor do gradiente de concentração. Sódio é bombeado ativamente para fora pela bomba de sódio e potássio. Como a saída de sódio não é acompanhada pela entrada de potássio na mesma proporção, estabelece-se uma diferença de cargas elétricas entre os meios intra e Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) http://www.octopus.furg.br/ensino/anima/atpase/NaKATPase.html http://www.epub.org.br/cm/n10/fundamentos/animation.html https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 133 extracelular: há déficit de cargas positivas dentro da célula e as faces da membrana mantêm-se eletricamente carregadas. O potencial eletronegativo criado no interior da fibra nervosa devido à bomba de sódio e potássio é chamado potencial de repouso da membrana, ficando o exterior da membrana positivo e o interior negativo. Dizemos, então, que a membrana está polarizada. Meio interno Ao ser estimulada, uma pequena região da membrana torna-se permeável ao sódio (abertura dos canais de sódio). Como a concentração desse íon é maior fora do que dentro da célula, o sódio atravessa a membrana no sentido do interior da célula. A entrada de sódio é acompanhada pela pequena saída de potássio. Esta inversão vai sendo transmitida ao longo do axônio, e todo esse processo é denominado onda de despolarização. Os impulsos nervosos ou potenciais de ação são causados pela despolarização da membrana além de um limiar (nível crítico de despolarização que deve ser alcançado para disparar o potencial de ação). Os potenciais de ação assemelham- se em tamanho e duração e não diminuem à medida em que são conduzidos ao longo do axônio, ou seja, são de tamanho e duração fixos. A aplicação de uma despolarização crescente a um neurônio não tem qualquer efeito até que se cruze o limiar e, então, surja o potencial de ação. Por esta razão, diz-se que os potenciais de ação obedecem à "lei do tudo ou nada". Meio externo Imagem: www.biomania.com.br/citologia/membrana.php Imagem: geocities.yahoo.com.br/jcc5001pt/museuelectrofisiologia.htm#impulsos Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) http://www.biomania.com.br/citologia/membrana.php http://geocities.yahoo.com.br/jcc5001pt/museuelectrofisiologia.htm#impulsos https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 134 Imediatamente após a onda de despolarização ter-se propagado ao longo da fibra nervosa, o interior da fibra torna-se carregado positivamente, porque um grande número de íons sódio se difundiu para o interior. Essa positividade determina a parada do fluxo de íons sódio para o interior da fibra, fazendo com que a membrana se torne novamente impermeável a esses íons. Por outro lado, a membrana torna-se ainda mais permeável ao potássio, que migra para o meio interno. Devido à alta concentração desse íon no interior, muitos íons se difundem, então, para o lado de fora. Isso cria novamente eletronegatividade no interior da membrana e positividade no exterior – processo chamado repolarização, pelo qual se reestabelece a polaridade normal da membrana. A repolarização normalmente se inicia no mesmo ponto onde se originou a despolarização, propagando-se ao longo da fibra. Após a repolarização, a bomba de sódio bombeia novamente os íons sódio para o exterior da membrana, criando um déficit extra de cargas positivas no interior da membrana, que se torna temporariamente mais negativo do que o normal. A eletronegatividade excessiva no interior atrai íons potássio de volta para o interior (por difusão e por transporte ativo). Assim, o processo traz as diferenças iônicas de volta aos seus níveis originais. Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 135 Para transferir informação de um ponto para outro no sistema nervoso, é necessário que o potencial de ação, uma vez gerado, seja conduzido ao longo do axônio. Um potencial de ação iniciado em uma extremidade de um axônio apenas se propaga em uma direção, não retornando pelo caminho já percorrido. Conseqüentemente, os potenciais de ação são unidirecionais - ao que chamamos condução ortodrômica. Uma vez que a membrana axonal é excitável ao longo de toda sua extensão, o potencial de ação se propagará sem decaimento. A velocidade com a qual o potencial de ação se propaga ao longo do axônio depende de quão longe a despolarização é projetada à frente do potencial de ação, o que, por sua vez, depende de certas características físicas do axônio: a velocidade de condução do potencial de ação aumenta com o diâmetro axonal. Axônios com menor diâmetro necessitam de uma maior despolarização para alcançar o limiar do potencial de ação. Nesses de axônios, presença de bainha de mielina acelera a velocidade da condução do impulso nervoso. Nas regiões dos nódulos de Ranvier, a onda de despolarização "salta" diretamente de um nódulo para outro, não acontecendo em toda a extensão da região mielinizada (a mielina é isolante). Fala-se em condução saltatória e com isso há um considerável aumento da velocidade do impulso nervoso. Imagem: AMABIS, José Mariano; MARTHO, Gilberto Rodrigues. Conceitos de Biologia. São Paulo, Ed. Moderna, 2001. vol. 2. O percurso do impulso nervoso no neurônio é sempre no sentido dendrito corpo celular axônio. Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 136 Divisões do Sistema Nervoso O SNC recebe, analisa e integra informações. É o local onde ocorre a tomada de decisões e o envio de ordens. O SNP carrega informações dos órgãos sensoriais para o sistema nervoso central e do sistema nervoso central para os órgãos efetores (músculos e glândulas). Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 137 O Sistema Nervoso Central O SNC divide-se em encéfalo e medula. O encéfalo corresponde ao telencéfalo (hemisférios cerebrais), diencéfalo (tálamo e hipotálamo), cerebelo, e tronco cefálico, que se divide em: BULBO, situado caudalmente; MESENCÉFALO, situado cranialmente; e PONTE, situada entre ambos. No SNC, existem as chamadas substâncias cinzenta e branca. A substância cinzenta é formada pelos corpos dos neurônios e a branca, por seus prolongamentos. Com exceção do bulbo e da medula, a substância cinzenta ocorremais externamente e a substância branca, mais internamente. Os órgãos do SNC são protegidos por estruturas esqueléticas (caixa craniana, protegendo o encéfalo; e coluna vertebral, protegendo a medula - também denominada raque) e por membranas denominadas meninges, situadas sob a proteção esquelética: dura-máter (a externa), aracnóide (a do meio) e pia-máter (a interna). Entre as meninges aracnóide e pia-máter há um espaço preenchido por um líquido denominado líquido cefalorraquidiano ou líquor. Encéfalos de vertebrados, ilustrando o desenvolvimento filogenético. O aumento de volume e de capacidade do telencéfalo e cerebelo é muito evidente. A. peixe (carpa), B. réptil (serpente), C. Ave (pato), D. mamífero (boi), E. humano (homem). 1. telencéfalo, 2. mesencéfalo, 3ª e 3b. metencéfalo, 3ª . arquicerebelo, 3b. neocerebelo, 4. mielencéfalo, 5. medula espinhal Fonte: Dyce, Tratado de Anatomia Veterinária Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 138 O TELENCÉFALO Encéfalo é a maior massa de tecido nervoso do corpo, e contém literalmente bilhões de células nervosas. O peso do encéfalo é uma indicação do crescimento. O tamanho do encéfalo não possui qualquer relação constante com aquele do animal de que proveio, mas é relativamente menor nas grandes espécies e, com certeza, é proporcionalmente maior nos mamíferos mais evoluídos. Os pesos dos encéfalos no cão e no cavalo são respectivamente, 70 a 150 g e 400 a 700 g. O encéfalo humano pesa 1.380 g no homem e 1.250 g na mulher, e contém cerca de 100 bilhões de neurônios. O telencéfalo ou cérebro é dividido em dois hemisférios cerebrais bastante desenvolvidos. Nestes, situam-se as sedes da memória e dos nervos sensitivos e motores. Entre os hemisférios, estão os VENTRÍCULOS CEREBRAIS (ventrículos laterais e terceiro ventrículo); contamos ainda com um quarto ventrículo, localizado mais abaixo, ao nível do tronco encefálico. Encéfalo de bovino: vista dorsal P ro fª A na C lá ud ia C am po s D Z - U F C cerebelo cérebro Pólo caudal do hemisfério cérebral Pólo rostral do hemisfério cerebral Bulbo olfatório Fissura longitudinal giros sulco São reservatórios do LÍQUIDO CÉFALO- RAQUIDIANO, (LÍQÜOR), participando na nutrição, proteção e excreção do sistema nervoso. Em seu desenvolvimento, o córtex ganha diversos sulcos para permitir que o cérebro esteja suficientemente compacto para caber na calota craniana, que não acompanha o seu crescimento. Por isso, no cérebro adulto, apenas 1/3 de sua superfície fica "exposta", o restante permanece por entre os sulcos. Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 139 O córtex cerebral está dividido em mais de quarenta áreas funcionalmente distintas, sendo a maioria pertencente ao chamado neocórtex. Substancia cinzenta ou córtex ou telencéfalo Substancia branca Profª Ana Cláudia Campos DZ - UFC Cada uma das áreas do córtex cerebral controla uma atividade específica. 1. hipocampo: região do córtex que está dobrada sobre si e possui apenas três camadas celulares; localiza-se medialmente ao ventrículo lateral. 2. córtex olfativo: localizado ventral e lateralmente ao hipocampo; apresenta duas ou três camadas celulares. 3. neocórtex: córtex mais complexo; separa-se do córtex olfativo mediante um sulco chamado fissura rinal; apresenta muitas camadas celulares e várias áreas sensoriais e motoras. As áreas motoras estão intimamente envolvidas com o controle do movimento voluntário. O Hipocampo desempenha um papel fundamental, mas ainda não esclarecido, na memória, portanto, uma lesão do hipocampo pode afetar severamente a memória. Substancia cinzenta Substancia branca Profª Ana Cláudia Campos DZ - UFC Corte transverso do cerebelo e cérebro cerebelo Glândula Pineal Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) http://www.guia.heu.nom.br/memoria.htm https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 140 Sabe-se da importância do Hipocampo na organização dos episódios vivenciados, como um conjunto de informações coerentes em um tempo e um espaço. A mágica que transforma informações em memória acontece em duas regiões do cérebro ao mesmo tempo: o hipocampo (bem no centro do cérebro, na altura dos lobos temporais) e o córtex frontal (a massa cinzenta que reveste a fronte do cérebro). Cada vez que uma pessoa se lembra de algo, essas áreas sofrem um aumento de metabolismo e, conseqüentemente, do fluxo sanguíneo. O estudo mais recente foi publicado há dois meses na revista Science pelo neurocientista James Brewer, docente da Universidade de Stanford (Referência). Brewer mostrou 96 fotografias a estudantes e conectou-os a aparelhos de ressonância magnética capazes de mapear as funções do cérebro. Depois de 30 minutos, os estudantes tinham que apontar as imagens que lembravam. Sempre que uma imagem era reconhecida pelos alunos, o computador apontava tonalidades mais escuras nas áreas do hipocampo e do córtex frontal, indicando maior oxigenação nessas áreas. Está particularmente envolvido com os fenômenos de memória, em especial com a formação da chamada memória de longa duração (aquela que persiste, as vezes, para sempre). Quando ambos os hipocampos (direito e esquerdo) são destruídos, nada mais é gravado na memória. O indivíduo esquece, rapidamente, a mensagem recém recebida. Um hipocampo intacto possibilita ao animal comparar as condições de uma ameaça atual com experiências passadas similares, permitindo-lhe, assim, escolher qual a melhor opção a ser tomada para garantir sua preservação Imagem: McCRONE, JOHN. Como o cérebro funciona. Série Mais Ciência. São Paulo, Publifolha, 2002. A região superficial do telencéfalo, que acomoda bilhões de corpos celulares de neurônios (substância cinzenta), constitui o córtex cerebral, formado a partir da fusão das partes superficiais telencefálicas e diencefálicas. O córtex recobre um grande centro medular branco, formado por fibras axonais (substância branca). Em meio a este centro branco (nas profundezas do telencéfalo), há agrupamentos de corpos celulares neuronais que formam os núcleos (gânglios) da base ou núcleos (gânglios) basais - CAUDATO, PUTAMEN, GLOBO PÁLIDO e NÚCLEO SUBTALÂMICO, envolvidos em conjunto, no controle do movimento. Parece que os gânglios da base participam também de um grande número de circuitos paralelos, Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) http://www.guia.heu.nom.br/cerebro.htm http://www.guia.heu.nom.br/lobos_do_cerebro.htm http://www.zaz.com.br/istoe/comport/151712.htm https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 141 sendo apenas alguns poucos de função motora. Outros circuitos estão envolvidos em certos aspectos da memória e da função cognitiva. Imagem: BEAR, M.F., CONNORS, B.W. & PARADISO, M.A. Neurociências – Desvendando o Sistema Nervoso. Porto Alegre 2ª ed, Artmed Editora, 2002. Algumas das funções mais específicas dos gânglios basais relacionadas aos movimentos são: 1. núcleo caudato: controla movimentos intencionais grosseiros do corpo (isso ocorre a nível sub-consciente e consciente) e auxilia no controle global dos movimentos do corpo. 2. putamen: funciona em conjunto com o núcleo caudato no controle de movimentos intensionaisgrosseiros. Ambos os núcleos funcionam em associação com o córtex motor, para controlar diversos padrões de movimento. 3. globo pálido: provavelmente controla a posição das principais partes do corpo, quando uma pessoa inicia um movimento complexo, Isto é, se uma pessoa deseja executar uma função precisa com uma de suas mãos, deve primeiro colocar seu corpo numa posição apropriada e, então, contrair a musculatura do braço. Acredita-se que essas funções sejam iniciadas, principalmente, pelo globo pálido. 4. núcleo subtalâmico e áreas associadas: controlam possivelmente os movimentos da marcha e talvez outros tipos de motilidade grosseira do corpo. Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 142 Evidências indicam que a via motora direta funciona para facilitar a iniciação de movimentos voluntários por meio dos gânglios da base. Essa via origina-se com uma conexão excitatória do córtex para as células do putamen. Estas células estabelecem sinapses inibitórias em neurônios do globo pálido, que, por sua vez, faz conexões inibitórias com células do tálamo (núcleo ventrolateral - VL). A conexão do tálamo com a área motora do córtex é excitatória. Ela facilita o disparo de células relacionadas a movimentos na área motora do córtex. Portanto, a conseqüência funcional da ativação cortical do putâmen é a excitação da área motora do córtex pelo núcleo ventrolateral do tálamo. Imagem: BEAR, M.F., CONNORS, B.W. & PARADISO, M.A. Neurociências – Desvendando o Sistema Nervoso. Porto Alegre 2ª ed, Artmed Editora, 2002. O DIENCÉFALO (tálamo e hipotálamo) Todas as mensagens sensoriais, com exceção das provenientes dos receptores do olfato, passam pelo tálamo antes de atingir o córtex cerebral. Esta é uma região de substância cinzenta localizada entre o tronco encefálico e o cérebro. O tálamo atua como Profª Ana Cláudia Campos DZ - UFC Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 143 estação retransmissora de impulsos nervosos para o córtex cerebral. Ele é responsável pela condução dos impulsos às regiões apropriadas do cérebro onde eles devem ser processados. O tálamo também está relacionado com alterações no comportamento emocional; que decorre, não só da própria atividade, mas também de conexões com outras estruturas do sistema límbico (que regula as emoções). O hipotálamo, também constituído por substância cinzenta, é o principal centro integrador das atividades dos órgãos viscerais, sendo um dos principais responsáveis pela homeostase corporal. Ele faz ligação entre o sistema nervoso e o sistema endócrino, atuando na ativação de diversas glândulas endócrinas. O TRONCO ENCEFÁLICO O tronco encefálico interpõe-se entre a medula e o diencéfalo, situando-se ventralmente ao cerebelo. Possui três funções gerais; (1) recebe informações sensitivas de estruturas cranianas e controla os músculos da cabeça; (2) contém circuitos nervosos que transmitem informações da medula espinhal até outras regiões encefálicas e, em direção contrária, do encéfalo para a medula espinhal (lado esquerdo do cérebro controla os movimentos do lado direito do corpo; lado direito de cérebro controla os movimentos do lado esquerdo do corpo); (3) regula a atenção, função esta que é mediada pela formação reticular (agregação mais ou menos difusa de neurônios de tamanhos e tipos diferentes, É o hipotálamo que controla a temperatura corporal, regula o apetite e o balanço de água no corpo, o sono e está envolvido na emoção e no comportamento sexual. Tem amplas conexões com as demais áreas do prosencéfalo e com o mesencéfalo. Aceita-se que o hipotálamo desempenha, ainda, um papel nas emoções. Especificamente, as partes laterais parecem envolvidas com o prazer e a raiva, enquanto que a porção mediana parece mais ligada à aversão, ao desprazer e à tendência ao riso (gargalhada) incontrolável. De um modo geral, contudo, a participação do hipotálamo é menor na gênese (“criação”) do que na expressão (manifestações sintomáticas) dos estados emocionais. Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 144 separados por uma rede de fibras nervosas que ocupa a parte central do tronco encefálico). Além destas 3 funções gerais, as várias divisões do tronco encefálico desempenham funções motoras e sensitivas específicas. Na constituição do tronco encefálico entram corpos de neurônios que se agrupam em núcleos e fibras nervosas, que, por sua vez, se agrupam em feixes denominados tractos, fascículos ou lemniscos. Estes elementos da estrutura interna do tronco encefálico podem estar relacionados com relevos ou depressões de sua superfície. Muitos dos núcleos do tronco encefálico recebem ou emitem fibras nervosas que entram na constituição dos nervos cranianos. Dos 12 pares de nervos cranianos, 10 fazem conexão no tronco encefálico. P ro fª A n a C lá u d ia C a m p o s D Z - U F C Colículos Rostrais Colículos Caudais Tálamo Parte da glândula pineal Cerebelo Tronco encefálico Medula espinhal Vista dorsal do tronco encefálico após remoção dos hemisférios cerebrais Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 145 Imagem: ATLAS INTERATIVO DE ANATOMIA HUMANA. Artmed Editora. Vista ventral do encéfalo Profª Ana Cláudia Campos DZ - UFC Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 146 O CEREBELO Situado atrás do cérebro está o cerebelo, que é primariamente um centro para o controle dos movimentos iniciados pelo córtex motor (possui extensivas conexões com o cérebro e a medula espinhal). Como o cérebro, também está dividido em dois hemisférios. Porém, ao contrário dos hemisférios cerebrais, o lado esquerdo do cerebelo está relacionado com os movimentos do lado esquerdo do corpo, enquanto o lado direito, com os movimentos do lado direito do corpo. O cerebelo recebe informações do córtex motor e dos gânglios basais de todos os estímulos enviados aos músculos. A partir das informações do córtex motor sobre os movimentos musculares que pretende executar e de informações proprioceptivas que recebe diretamente do corpo (articulações, músculos, áreas de pressão do corpo, aparelho vestibular e olhos), avalia o movimento realmente executado. Após a comparação entre desempenho e aquilo que se teve em vista realizar, estímulos corretivos são enviados de volta ao córtex para que o desempenho real seja igual ao pretendido. Dessa forma, o cerebelo relaciona-se com os ajustes dos movimentos, equilíbrio, postura e tônus muscular. Algumas estruturas do encéfalo e suas funções Córtex Cerebral Funções: Pensamento Movimento voluntário Linguagem Julgamento Percepção Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 147 A palavra córtex vem do latim para "casca". Isto porque o córtex é a camada mais externa do cérebro. A espessura do córtex cerebral varia de 2 a 6 mm.O lado esquerdo e direito do córtex cerebral são ligados por um feixe grosso de fibras nervosas chamado de corpo caloso. Os lobos são as principais divisões físicas do córtex cerebral. O lobo frontal é responsável pelo planejamento consciente e pelo controle motor. O lobo temporal tem centros importantes de memória e audição. O lobo parietal lida com os sentidos corporal e espacial. o lobo occipital direciona a visão. Cerebelo Funções: Movimento Equilíbrio Postura Tônus muscular A palavra cerebelo vem do latim para "pequeno cérebro”. O cerebelo fica localizado ao lado do tronco encefálico. É parecido com o córtex cerebral em alguns aspectos: o cerebelo é dividido em hemisférios e tem um córtex que recobre estes hemisférios. Tronco Encefálico Funções: Respiração Ritmo dos batimentos cardíacos Pressão Arterial Mesencéfalo Funções: Visão Audição Movimento dos Olhos Movimento do corpo O Tronco Encefálico é uma área do encéfalo que fica entre o tálamo e a medula espinhal. Possui várias estruturas como o bulbo, o mesencéfalo e a ponte. Algumas destas áreas são responsáveis pelas funções básicas para a manutenção da vida como a respiração, o batimento cardíaco e a pressão arterial. Bulbo: recebe informações de vários órgãos do Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 148 corpo, controlando as funções autônomas (a chamada vida vegetativa): batimento cardíaco, respiração, pressão do sangue, reflexos de salivação, tosse, espirro e o ato de engolir. Ponte: Participa de algumas atividades do bulbo, interferindo no controle da respiração, além de ser um centro de transmissão de impulsos para o cerebelo. Serve ainda de passagem para as fibras nervosas que ligam o cérebro à medula. Tálamo Funções: Integração Sensorial Integração Motora O tálamo recebe informações sensoriais do corpo e as passa para o córtex cerebral. O córtex cerebral envia informações motoras para o tálamo que posteriormente são distribuídas pelo corpo. Participa, juntamente com o tronco encefálico, do sistema reticular, que é encarregado de “filtrar” mensagens que se dirigem às partes conscientes do cérebro. Sistema Límbico Funções: Comportamento Emocional Memória Aprendizado Emoções Vida vegetativa (digestão, circulação, excreção etc.) O Sistema Límbico é um grupo de estruturas que inclui hipotálamo, tálamo, amígdala, hipocampo, os corpos mamilares e o giro do cíngulo. Todas estas áreas são muito importantes para a emoção e reações emocionais. O hipocampo também é importante para a memória e o aprendizado. Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 149 A Medula Espinhal Nossa medula espinhal tem a forma de um cordão com aproximadamente 40 cm de comprimento (em humanos). Ocupa o canal vertebral, desde a região do atlas - primeira vértebra - até o nível da segunda vértebra lombar. A medula funciona como centro nervoso de atos involuntários e, também, como veículo condutor de impulsos nervosos. Da medula partem 31 pares de nervos raquidianos (em humanos, pois em animais o número de pares dependerá do número de vértebras de cada espécie) que se ramificam. Por meio dessa rede de nervos, a medula se conecta com as várias partes do corpo, recebendo mensagens e vários pontos e enviando-as para o cérebro e recebendo mensagens do cérebro e transmitindo-as para as várias partes do corpo. A medula possui dois sistemas de neurônios: o sistema descendente controla funções motoras dos músculos, regula funções como pressão e temperatura e transporta sinais originados no cérebro até seu destino; o sistema ascendente transporta sinais sensoriais das extremidades do corpo até a medula e de lá para o cérebro. Os corpos celulares dos neurônios se concentram no cerne da medula – na massa cinzenta. Os axônios ascendentes e descendentes, na área adjacente – a massa branca. As duas regiões também abrigam células da Glia. Dessa forma, na medula espinhal a massa cinzenta localiza-se internamente e a massa branca, externamente (o contrário do que se observa no encéfalo). Durante uma fratura ou deslocamento da coluna, as vértebras que normalmente protegem a medula podem matar ou danificar as células. Teoricamente, se o dano for Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 150 confinado à massa cinzenta, os distúrbios musculares e sensoriais poderão estar apenas nos tecidos que recebem e mandam sinais aos neurônios “residentes” no nível da fratura. Por exemplo, se a massa cinzenta do segmento da medula onde os nervos rotulados C8 for lesada, o paciente só sofrerá paralisia das mãos, sem perder a capacidade de andar ou o controle sobre as funções intestinais e urinárias. Nesse caso, os axônios levando sinais para “cima e para baixo” através da área branca adjacente continuariam trabalhando. Em comparação, se a área branca for lesada, o trânsito dos sinais será interrompido até o ponto da fratura. Infelizmente, a lesão original é só o começo. Os danos mecânicos promovem rompimento de pequenos vasos sangüíneos, impedindo a entrega de oxigênio e nutrientes para as células não afetadas diretamente, que acabam morrendo; as células lesadas extravasam componentes citoplasmáticos e tóxicos, que afetam células vizinhas, antes intactas; células do sistema imunológico iniciam um quadro inflamatório no local da lesão; células da Glia proliferam criando grumos e uma espécie de cicatriz, que impedem os axônios lesados de crescerem e reconectarem. O vírus da poliomielite causa lesões na raiz ventral dos nervos espinhais, o que leva à paralisia e atrofia dos músculos. O Sistema Nervoso Periférico O sistema nervoso periférico é formado por nervos encarregados de fazer as ligações entre o sistema nervoso central e o corpo. NERVO é a reunião de várias fibras nervosas, que podem ser formadas de axônios ou de dendritos. As fibras nervosas, formadas pelos prolongamentos dos neurônios (dendritos ou axônios) e seus envoltórios, organizam-se em feixes. Cada feixe forma um nervo. Cada fibra nervosa é envolvida por uma camada conjuntiva denominada endoneuro. Cada feixe é envolvido por uma bainha conjuntiva denominada perineuro. Vários feixes agrupados paralelamente formam um nervo. O nervo também é envolvido por uma bainha de tecido conjuntivo chamada epineuro. Em nosso corpo existe um número muito grande de nervos. Seu conjunto forma a rede nervosa. Os nervos que levam informações da periferia do corpo para o SNC são os nervos sensoriais (nervos aferentes ou nervos sensitivos), que são formados por prolongamentos de neurônios sensoriais (centrípetos). Aqueles que transmitem impulsos do SNC para os músculos ou glândulas são nervos motores ou eferentes, feixe de axônios de neurônios motores (centrífugos). Existem ainda os nervos mistos, formados por axônios de neurônios sensoriais e por neurônios motores. Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 151 Quando partem do encéfalo, os nervos são chamados de cranianos; quando partem da medula espinhal denominam-se raquidianos. Do encéfalo partem doze pares de nervos cranianos. Três deles são exclusivamente sensoriais, cinco são motores e os quatro restantes são mistos. Nervo craniano Função I-OLFATÓRIO sensitiva Percepção do olfato. II-ÓPTICO sensitivaPercepção visual. III-OCULOMOTOR motora Controle da movimentação do globo ocular, da pupila e do cristalino. IV-TROCLEAR motora Controle da movimentação do globo ocular. V-TRIGÊMEO mista Controle dos movimentos da mastigação (ramo motor); Percepções sensoriais da face, seios da face e dentes (ramo sensorial). VI-ABDUCENTE motora Controle da movimentação do globo ocular. VII-FACIAL mista Controle dos músculos faciais – mímica facial (ramo motor); Percepção gustativa no terço anterior da língua (ramo sensorial). VIII-VESTÍBULO- COCLEAR sensitiva Percepção postural originária do labirinto (ramo vestibular); Percepção auditiva (ramo coclear). IX- GLOSSOFARÍNGEO mista Percepção gustativa no terço posterior da língua, percepções sensoriais da faringe, laringe e palato. X-VAGO mista Percepções sensoriais da orelha, faringe, laringe, tórax e vísceras. Inervação das vísceras torácicas e abdominais. XI-ACESSÓRIO motora Controle motor da faringe, laringe, palato, dos músculos esternoclidomastóideo e trapézio. XII-HIPOGLOSSO motora Controle dos músculos da faringe, da laringe e da língua. Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 152 Imagem: AMABIS, José Mariano; MARTHO, Gilberto Rodrigues. Conceitos de Biologia. São Paulo, Ed. Moderna, 2001. vol. 2. Profª Ana Cláudia Campos DZ - UFC Nervo óptico (II) Quiasma óptico Infundíbulo Ponte Trigêmeo Vista Ventral Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 153 Os 31 pares de nervos raquidianos (em humanos) que saem da medula relacionam-se com os músculos esqueléticos. Eles se formam a partir de duas raízes que saem lateralmente da medula: a raiz posterior ou dorsal, que é sensitiva, e a raiz anterior ou ventral, que é motora. Essas raízes se unem logo após saírem da medula. Desse modo, os nervos raquidianos são todos mistos. Os corpos dos neurônios que formam as fibras sensitivas dos nervos sensitivos situam-se próximo à medula, porém fora dela, reunindo-se em estruturas especiais chamadas gânglios espinhais. O conjunto de nervos cranianos e raquidianos forma o sistema nervoso periférico. Com base na sua estrutura e função, o sistema nervoso periférico pode ainda subdividir-se em duas partes: o sistema nervoso somático e o sistema nervoso autônomo ou de vida vegetativa. As ações voluntárias resultam da contração de músculos estriados esqueléticos, que estão sob o controle do sistema nervoso periférico voluntário ou somático. Já as ações involuntárias resultam da contração das musculaturas lisa e cardíaca, controladas pelo sistema nervoso periférico autônomo, também chamado involuntário ou visceral. O SNP Voluntário ou Somático tem por função reagir a estímulos provenientes do ambiente externo. Ele é constituído por fibras motoras que conduzem impulsos do sistema nervoso central aos músculos esqueléticos. O corpo celular de uma fibra motora do SNP voluntário fica localizado dentro do SNC e o axônio vai diretamente do encéfalo ou da medula até o órgão que inerva. O SNP Autônomo ou Visceral, como o próprio nome diz, funciona independentemente de nossa vontade e tem por função regular o ambiente interno do corpo, controlando a atividade dos sistemas digestório, cardiovascular, excretor e endócrino. Ele contém fibras nervosas que conduzem impulsos do sistema nervoso central aos músculos lisos das vísceras e à musculatura do coração. Um nervo motor do SNP autônomo difere de um nervo motor do SNP voluntário pelo fato de conter dois tipos de neurônios, um neurônio pré-ganglionar e outro pós-ganglionar. O corpo celular do neurônio pré-ganglionar fica localizado dentro do SNC e seu axônio vai até um gânglio, onde o impulso nervoso é transmitido sinapticamente ao neurônio pós-ganglionar. O corpo celular do neurônio pós-ganglionar fica no interior do gânglio nervoso e seu axônio conduz o estímulo nervoso até o órgão efetuador, que pode ser um músculo liso ou cardíaco. Fonte: internet Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 154 Imagem: LOPES, SÔNIA. Bio 2.São Paulo, Ed. Saraiva, 2002. O sistema nervoso autônomo divide-se em sistema nervoso simpático e sistema nervoso parassimpático. De modo geral, esses dois sistemas têm funções contrárias (antagônicas). Um corrige os excessos do outro. Por exemplo, se o sistema simpático acelera demasiadamente as batidas do coração, o sistema parassimpático entra em ação, diminuindo o ritmo cardíaco. Se o sistema simpático acelera o trabalho do estômago e dos intestinos, o parassimpático entra em ação para diminuir as contrações desses órgãos. O SNP autônomo simpático, de modo geral, estimula ações que mobilizam energia, permitindo ao organismo responder a situações de estresse. Por exemplo, o sistema simpático é responsável pela aceleração dos batimentos cardíacos, pelo aumento da pressão arterial, da concentração de açúcar no sangue e pela ativação do metabolismo geral do corpo. Já o SNP autônomo parassimpático estimula principalmente atividades relaxantes, como as reduções do ritmo cardíaco e da pressão arterial, entre outras. Uma das principais diferenças entre os nervos simpáticos e parassimpáticos é que as fibras pós-ganglionares dos dois sistemas normalmente secretam diferentes hormônios. O hormônio secretado pelos neurônios pós-ganglionares do sistema nervoso parassimpático é a acetilcolina, razão pela qual esses neurônios são chamados colinérgicos. Os neurônios pós-ganglionares do sistema nervoso simpático secretam principalmente noradrenalina, razão por que a maioria deles é chamada neurônios adrenérgicos. As fibras adrenérgicas ligam o sistema nervoso central à glândula supra- Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 155 renal, promovendo aumento da secreção de adrenalina, hormônio que produz a resposta de "luta ou fuga" em situações de stress. A acetilcolina e a noradrenalina têm a capacidade de excitar alguns órgãos e inibir outros, de maneira antagônica. Órgão Efeito da estimulação simpática Efeito da estimulação parassimpática Olho: pupila Músculo ciliar Dilatada nenhum Contraída Excitado Glândulas gastrointestinais vasoconstrição Estimulação de secreção Glândulas sudoríparas sudação Nenhum Coração: músculo (miocárdio) Coronárias Atividade aumentada Vasodilatação Diminuição da atividade Constrição Vasos sanguíneos sistêmicos: Abdominal Músculo Pele Constrição Dilatação Constrição ou dilatação Nenhum Nenhum Nenhum Pulmões: brônquios Vasos sangüíneos Dilatação Constrição moderada Constrição Nenhum Tubo digestivo: luz Esfíncteres Diminuição do tônus e da peristalse Aumento do tônus Aumento do tônus e do peristaltismo Diminuição do tônus Fígado Liberação de glicose Nenhum Rim Diminuição da produção de urina Nenhum Bexiga: corpo Esfíncter Inibição Excitação Excitação Inibição Ato sexual masculino Ejaculação Ereção Glicose sangüínea Aumento Nenhum Metabolismo basal Aumento em até 50% Nenhum Atividade mental Aumento Nenhum Secreção da medula supra-renal (adrenalina) Aumento Nenhum Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark 156 Em geral, quando os centros simpáticoscerebrais se tornam excitados, estimulam, simultaneamente, quase todos os nervos simpáticos, preparando o corpo para a atividade. Além do mecanismo da descarga em massa do sistema simpático, algumas condições fisiológicas podem estimular partes localizadas desse sistema. Duas das condições são as seguintes: Reflexos calóricos: o calor aplicado à pele determina um reflexo que passa através da medula espinhal e volta a ela, dilatando os vasos sangüíneos cutâneos. Também o aquecimento do sangue que passa através do centro de controle térmico do hipotálamo aumenta o grau de vasodilatação superficial, sem alterar os vasos profundos. Exercícios: durante o exercício físico, o metabolismo aumentado nos músculos tem um efeito local de dilatação dos vasos sangüíneos musculares; porém, ao mesmo tempo, o sistema simpático tem efeito vasoconstritor para a maioria das outras regiões do corpo. A vasodilatação muscular permite que o sangue flua facilmente através dos músculos, enquanto a vasoconstrição diminui o fluxo sangüíneo em todas as regiões do corpo, exceto no coração e no cérebro. Nas junções neuro-musculares, tanto nos gânglios do SNPA simpático como nos do parassimpático, ocorrem sinapses químicas entre os neurônios pré-ganglionares e pós- ganglionares. Nos dois casos, a substância neurotransmissora é a acetilcolina. Esse mediador químico atua nas dobras da membrana, aumentando a sua permeabilidade aos íons sódio, que passa para o interior da fibra, despolarizando essa área da membrana do músculo. Essa despolarização local promove um potencial de ação que é conduzido em ambas as direções ao longo da fibra, determinando uma contração muscular. Quase imediatamente após ter a acetilcolina estimulado a fibra muscular, ela é destruída, o que permite a despolarização da membrana. Referência: http://www.afh.bio.br/nervoso/ Document shared on www.docsity.com Downloaded by: mariana-soares-xao (manual.geek1@gmail.com) https://www.docsity.com/?utm_source=docsity&utm_medium=document&utm_campaign=watermark GLÂNDULAS SALIVARES