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LUCIANA GOMES DA SILVA 1ª Edição UPBOOKS ITAPIRA, SP 2019 DA PORTA DE LINHO ATÉ A NUVEM DE GLÓRIA UPBOOKS [Casa Publicadora Bereana] www.upbooks.com.br contato@upbooks.net.br Todos os direitos reservados. Copyright 2019 por Luciana Gomes da Silva Primeira edição 2019 – Impresso no Brasil Editor Chefe: Eneas Francisco Editor: Carla Montebeler Revisão: Thais Santos Capa: César Franca Ilustrações: Santiago Angel Mesa PROIBIDA A REPRODUÇÃO POR QUAISQUER MEIOS, SALVO EM BREVE CITAÇÕES, COM INDICAÇÃO DA FONTE Assim como O TABERNÁCULO foi a única alternativa de redenção para os hebreus, CRISTO é o nosso único Redentor. SUMÁRIO Agradecimentos ..............................................................................7 Introdução ..................................................................................9 Prólogo..................................................................................11 1. A importância do tabernáculo.............................................17 2. A importância histórico social ........................................... 23 3. A tenda do encontro............................................................ 31 4. Capacitados para a boa obra ............................................ 41 5. A nuvem e a escuridade ...........................................................49 6. A organização das tribos................................................... 59 7. Materiais do tabernáculo .................................................... 67 8. O ministério levítico................................................................ 85 9. Três clãs ................................................................................... 97 10. Presentes para os levitas ....................................................... 115 11. A consagração ..................................................................... 127 12. O sumo sacerdote perfeito ................................................ 145 13. As vestes do sumo sacerdote ................................................ 157 14. Mandamentos diversos ........................................................ 165 15. Móveis do tabernáculo ................................................... 177 16. Dentro da Arca ................................................................. 195 17. As Cortinas ......................................................................... 213 18. A mesa dos pães asmos ........................................................ 219 19. O castiçal de ouro puro ........................................................ 233 20. O altar do incenso .................................................................245 21. O Sal da aliança ...................................................................255 22. O átrio e seus objetos ..........................................................261 23. Cristo, a glória de Deus ......................................................273 A autora................................................................................ 279 AGRADECIMENTOS A fascinação pelo conhecimento é um mérito divino. Ele é o Autor e Consumador de todo intelecto humano. Sim, fomos criados para sentir prazer ao aprender algo novo. Ele nos fez assim, amantes do conhecimento. Vivenciando todas as maravilhas de Deus que nos foram reveladas na Sagrada Escritura, me deparei com uma construção luxuosa em pleno deserto e me peguei pensando: O que Deus quer nos revelar por meio desta obra? Desta forma iniciei mais uma jornada pela Bíblia, desta vez, da porta de linho até a nuvem de glória. Ao longo da construção desta obra e no anseio pela busca de mais conhecimento tive várias oportunidades para prantear, orar, pedir perdão, me arrepender e buscar novos caminhos. Enfim, eu estava sendo ministrada enquanto compunha esta obra, e te pergunto: De quem foi a ideia de escrever este livro? Certamente divina. Deus nos impulsionou a fazê-lo. Desta forma agradeço a Deus por me fazer querer e por me ajudar a realizar Sua vontade. Agradeço ao Espírito Santo por todas as vezes que, em oração, me mostrava os caminhos. Agradeço a Jesus por ter vindo até a porta de linho para me encontrar. Agradeço ao meu marido, Djalma, um homem que tem me apoiado e me amado acima das circunstâncias, um homem que acredita no meu chamado. Aos meus filhos, Larissa e Lucas, minha maior riqueza. Aos amigos e familiares que me apoiam sem medidas. Agradeço a todos os leitores, a razão pela qual escrevi este livro. Foi por você, todas as horas de pesquisa e escrita. Sinta-se honrado. Que Deus nos abençoe. “Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.” Filipenses 2:13 INTRODUÇÃO Este livro tem como objetivo primordial trazer luz a assuntos concernentes à tipologia do Cristo redentor e de Sua noiva amada. Para este propósito, traçamos ao longo desta narrativa um caminho no tabernáculo que vai desde a porta de linho, até a presença da Arca da Aliança. Objetivamos enfatizar alguns dos detalhes encontrados ao longo desse caminho. O tabernáculo, para o povo escolhido, era o lugar onde a nuvem da glória de Jeová repousava. E qual é a importância desse lugar sagrado para nós, que estamos debaixo de uma Nova Aliança? A resposta será esclarecida no desfecho da leitura. Posso adiantar que através desta obra literária, você, leitor, compreenderá a profundidade do plano salvífico de Deus. O plano de habitar conosco por meio de Seu Filho, o Emanuel. Jesus é Aquele que através de Sua missão salvadora “tabernaculou” entre nós. O apóstolo e evangelista João, em seu livro, no capítulo 1 e no verso 14, diz que o Unigênito do Pai habitou entre nós: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai.” (João 1:14, JFA). O texto citado acima é muito profundo por causa do termo grego usado para a palavra habitou. A palavra traduzida do grego para o português é eskēnōsen. Segundo o Dicionário Strong, na referência grega 4637, essa palavra significa: “Eu habito como em uma tenda; acampamento; tenho meu tabernáculo; residir (como Deus fez no tabernáculo antigo, um símbolo de proteção e comunhão); morar”. Muitos teóricos, assim como o teólogo e comentarista do texto bíblico Benson, usam o termo tabernaculou para traduzir o grego eskēnōsen. Embora a palavra tabernaculou não exista em nosso dicionário, ela pode nos levar ao verdadeiro sentido do texto de João e à sua real intenção com essa expressão. Jesus, para o apóstolo João, é o unigênito do Pai que tabernaculou entre nós. Não há como negar que o Mestre da Vida é o modelo primordial dessa verdade revelada no deserto através do tabernáculo. A Sua missão, a Sua morte e o Seu amor eterno apontam para aquele lugar de encontro. Em todo metal e madeira entalhados com seus detalhes riquíssimos. Em todas as cortinas bordadas. Na harmonia das cores e até mesmo nas medidas de cada peça usada no tabernáculo existe uma verdade que aponta de forma direta, graciosa e gloriosa para o Cristo redentor e para a igreja. Te convido a olhar para Jesus como o nosso tabernáculo. Somos os caminhantes no deserto da vida rumo à Canaã celestial. Assim como o tabernáculo foi a única alternativa de redenção para os hebreus, Cristo é o nosso único Redentor. PRÓLOGO Hoje é o décimo dia do sétimo mês no calendário judaico. Toda a nação de Israel deixou suas terras e foi até o local onde estava o tabernáculo. Certamente, este é um grande evento, marcado por muita alegria e paz. Durante toda aquela celebração, o povo esperava pelo mais importante: o dia em que Jeová perdoaria toda a nação, aceitando o sangue do inocente derramado sobre o propiciatório. Tornando um povo pecador em remido, divinamente aceito e justificado por meio de sangue inocente. O dia da expiação era chegado. O sumo sacerdote se preparou. Santo ao Senhor, estas são as inscrições feitas em ouro puro e que estão atadas em sua testa. Vestiu-se de linho puro. Não comeu alimento imundo. Não ingeriu bebidaforte. Seu coração e sua mente estão voltados para um dia tão especial. O sumo sacerdote está preparado e ao mesmo tempo se sente ansioso para o encontro com a glória do Senhor no tabernáculo. As leis eram específicas. Ninguém poderia adentrar no Santíssimo Lugar sem santidade. Um misto de alegria e medo o rondava, pois sabia que sem santidade, a morte o encontraria primeiro. O evento era solene. O momento era oportuno. A chance de ser aceito diante de Jeová era única. No átrio, o sumo sacerdote sacrificou os animais segundo os mandamentos. Lavou-se na bacia de bronze. Suas emoções estão palpitantes. Ele está diante do véu do Santo Lugar. Com poucos passos, ele entra. Come do pão e sente o seu sabor amargo ao comê-lo. O pão que ele saboreia tem impregnado em si os aromas do incensário. Enfim ele saboreia as libações do fruto da vide. Enquanto está no Santo Lugar, o sumo sacerdote também é iluminado pelo candelabro, pois este é a única fonte de luz do local. Ele prazerosamente aspira o perfume suave do incensário. Mesmo desfrutando daquele momento ali dentro, seu coração sabe que nada daquela adoração é para si. O alimento, a bebida, a luz, o perfume e os sacrifícios são exclusivamente para o Senhor. O sumo sacerdote está sozinho. Ele entra ali pela primeira vez com o sangue de um boi em sua mão direita e na outra, um incensário. O primeiro animal sacrificado é por seus pecados e pelos pecados de sua família. Com o coração palpitante, o sumo sacerdote se dirige ao véu que dá acesso ao Lugar Santíssimo. Um véu é a única separação existente entre o Santo Lugar e o Lugar Santíssimo. A Arca está lá. Ela é pura. Não pode ser tocada e nem vista. Uma nuvem de Glória vinda do próprio Deus a envolve por inteiro. Suas mãos estão suadas e o silêncio do povo que o aguarda lá fora faz com que sinta o peso deste ato sagrado. Ele prossegue. Entra na presença da Arca. O sangue do animal sacrificado que está em suas mãos é aspergido no propiciatório. Ele aprendeu que não há remissão dos seus pecados sem sangue. O sumo sacerdote sabia que não havia entrado ali sem ser convidado. Foi Deus quem o convidou e este mesmo Deus é quem traz resposta. Como a resposta divina chegava? Ela chegava por meio de trombetas ou por meio de uma voz que bradava do céu? Não! A vida era a resposta. Para todos os que aguardavam do lado de fora do tabernáculo, o sumo sacerdote ainda estar vivo era o sinal da aceitação divina. Ele e sua família saem da presença da Arca remidos. Uma vez que ele está justificado e santificado, está apto para sacrificar pelo povo. A partir daquele momento, ele é o intercessor direto entre Deus e o povo. Ao se voltar para o átrio, o sumo sacerdote continua sua incumbência. Um dos dois bodes escolhidos para a ocasião é sacrificado. Ele caminha pela segunda vez rumo ao Santíssimo Lugar. Em suas mãos está o sangue do bode, que representa remissão dos pecados da nação. O sangue do animal inocente é levado pelas mãos do sumo sacerdote para ser entregue ao Senhor. Aquele sangue satisfaz a justiça divina e é recebido como uma paga pelos pecados da nação. O sumo sacerdote adentra a nuvem de glória e sai de lá pela segunda vez com vida. O povo se alegra intensamente com a remissão que o Senhor proporcionou. O sumo sacerdote ainda não terminou sua missão. Existe mais uma tarefa a ser cumprida neste dia. Ele precisa aspergir o sangue do bode que foi sacrificado sobre a cabeça do segundo bode; este será enviado para o deserto. O pobre animal é solto no deserto sozinho, cheio de sangue sobre si, o que com certeza atrai predadores. Naquele momento, o bode expiatório levará sobre si a culpa do povo para longe deles. E pagará com sua vida pelo pecado da nação. Todo cerimonial é muito extenso e intenso. O sumo sacerdote, com voz cansada, diz ao povo: “Está consumado!”. Sabemos que estava temporariamente consumado. O sacrifício cobriu por mais uma vez o pecado do povo, mas não o extirpou para sempre. A ira de Deus foi aplacada, e não satisfeita. Em Cristo, essa cerimônia foi perfeitamente cumprida e aceita como vicária. *No tempo de Moisés e Josué, todo o povo se apresentava diante do tabernáculo no deserto, depois de conquistarem Canaã. Durante o período dos juízes de Israel até o reinado do monarca Saul, eles se reuniam em Siló. Anos mais tarde, o Rei Davi instalou o tabernáculo em Sião, mas foi seu filho e sucessor, Salomão, que aprimorou o tabernáculo, construindo um suntuoso Templo na capital do reino, em Jerusalém. É importante lembrar que todas as funções e peculiaridades do tabernáculo foram mantidas no Templo. Capítulo 1 A IMPORTÂNCIA DO TABERNÁCULO “E me farão um santuário, para que eu habite no meio deles.” Êxodo 25:8 A primeira questão a ser introdutoriamente tratada é a divisão do tabernáculo. É preciso estar ciente de que apesar de ser único, ele se subdividia em três repartições: o átrio, o Lugar Santo e o Santíssimo Lugar. Cada uma dessas repartições continha objetos e móveis sagrados. No átrio havia dois objetos: o altar de bronze e a bacia de bronze. No Lugar Santo havia três objetos: o altar de incenso, a mesa dos pães asmos e o candelabro. No Santíssimo lugar havia um único objeto: a Arca da Aliança. SEGREDOS DE DEUS Existem segredos e mistérios escondidos no tabernáculo a serem desvendados ao longo do texto. Sabemos que as maravilhas do Senhor se dão em Suas formas de guardar verdades por detrás de Suas obras. O escritor de Provérbios, no capítulo 25, no verso 2 nos diz: “A glória de Deus é encobrir as coisas”. Na versão NTLH, o texto se apresenta assim: “Respeitamos a Deus por causa daquilo que ele esconde de nós”. Todavia, a segunda parte do versículo que se refere a nós diz: “[...] mas a glória dos reis é tentar descobri- las”. Deus tem segredos guardados que estão prontos a serem revelados a quem os buscar. Assim também nos diz o texto de Jeremias: “Clama a mim e responder-te-ei, anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes.” (Jeremias 33:3, AA). Existe uma infindável fonte de conhecimento e novidade em um Deus eternamente criativo, sábio e conhecedor dos corações sedentos por Seus segredos. O QUE SÃO FIGURAS? “[...] e estas coisas foram-nos feitas em figura...” (1 Coríntios 10:6). Uma figura é uma ilustração do que é real. Sendo assim, ao voltarmos os nossos olhos para a estrutura do tabernáculo, não há como negar que este é uma figura da graça salvadora que viria por meio de Cristo. Uma graça que naqueles dias ainda estava, em parte, encoberta. Ao olharmos para o tabernáculo, vemos que, no átrio, Jesus é o Redentor que na cruz se entregou à morte por nós, na figura do altar de bronze. Um lugar onde Suas palavras nos limpam como águas puras, na figura da bacia de bronze. No Lugar Santo, Cristo é a comunhão com Sua Noiva, na figura da mesa dos pães, no pão e no vinho. Ele ilumina a igreja pela gloriosa luz da Santa Palavra, através da revelação do Espírito Santo, na figura do candelabro de ouro puro. Cristo intercede pela igreja e traz sentido à adoração que é feita por meio da oração que sobe como cheiro suave até o Pai por meio dEle, na figura do altar de incenso. No Santíssimo Lugar, Cristo carrega em Si a essência do Seu santíssimo ministério terreno, na figura da Arca da Aliança. A Arca é o lugar onde Deus repousa Sua glória, e dentro da Arca havia três objetos: as tábuas da lei, um pote de maná e uma vara que pertencia à Arão. Nessas figuras vemos o Cristo que viveu sem pecar em nenhum ponto da Lei, pois carregava dentro de Si as tábuas da Lei. Ele alimenta as nações com Suas palavras eternas que eclodem do céu, assim como Deus alimentou multidões no deserto, na figura do maná. Jesus tem toda a autoridade nos céus e na terra para exercer o sacerdócio eterno, na figura da autoridade sacerdotal sobre a vara de Arão. CONSTRUIR CONFORME O MODELO O mandamento principal para Moisés sobre a construção do santuário era este: construir conforme o modelo, ou seja, cumprir todas as medidas e parâmetros mostrados por Deus no Monte Sinai. Moisés viu o tabernáculoeterno, por isso pôde construir um tabernáculo conforme o que havia visto. O apóstolo João declara que esse tabernáculo que foi feito em pleno deserto não passa de uma miniatura do tabernáculo eterno: “E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus.” (Apocalipse 21:3, ACF). Deus queria tudo perfeito, pois através dessa habitação iria (de forma limitada) restaurar a comunhão que outrora havia se perdido no Jardim e que agora é restaurada parcialmente com o homem por meio do tabernáculo. Essa comunhão só veio a ser completa em Jesus Cristo. O Senhor Deus habitou, fez morada com os filhos de Israel enquanto caminhavam no deserto, por meio do tabernáculo; o Espírito Santo veio da glória para habitar conosco por meio de Cristo. É como se pudéssemos (tanto Israel quanto a igreja) fazer uma degustação do que será desfrutar de Sua presença eternamente. A partir da instituição do tabernáculo, os filhos de Jacó desfrutavam da companhia do Senhor no meio do arraial. Viviam diariamente milagres e maravilhas por causa da presença sobrenatural e visível do Deus Altíssimo que havia acampado entre eles. Deus se manifestava de várias maneiras visíveis ao povo. Uma delas era por meio da nuvem de fumaça, que de dia guiava o povo e lhes protegia do calor escaldante. Outra manifestação era a torre de fogo, que durante a noite os aquecia das baixas temperaturas do deserto. Essas formas manifestas de Deus pairavam sobre o tabernáculo. Que maravilha sobrenatural! O tabernáculo foi erguido para ser a habitação de Deus entre o povo. Isso é um fato, mas é necessário olharmos para o contexto histórico-social do povo de Israel após o Êxodo, um período em que eles estavam se agrupando como uma nação. Haviam vivido por gerações como escravos no Egito e debaixo das influências do lugar. No Egito antigo, a dinastia familiar era a forma de sucessão: filho sucedia seu pai no trono, e assim por diante. Eles estavam acostumados a presenciar essa forma de regimento. Contudo, após serem livres, Deus os anuncia uma boa notícia, declarando: “Eu serei o Rei de vocês”. Uma afirmativa que certamente pareceu estranha para muitos deles, e isso não é difícil de imaginar. Quanta confusão foi gerada no meio deles por causa dessa nova forma de regimento, a teocracia, e junto dela o monoteísmo. Teocracia porque a partir daquele dia, Deus seria o Rei da nação hebreia, e monoteísmo porque Deus seria o único Deus. O tabernáculo servia para ser o palácio do Senhor, e a Arca da Aliança o Seu trono. “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor.” (Deuteronômio 6:4, ACF). O contexto social e ético deles no Egito era bem diferente das novas propostas de Deus. Junto com a construção do tabernáculo, inicia-se uma Nova Aliança para os filhos de Jacó. DISPENSAÇÕES A Teologia divide os períodos da história bíblica em dispensações que se subdividem ao longo desta, como no desenrolar de um tapete. As dispensações são definidas como: dispensação da inocência (que vai da criação até o dilúvio); em seguida, temos a dispensação patriarcal (iniciada com Noé e indo até o Êxodo); a dispensação da lei mosaica (quando Moisés sobe no Monte Sinai e ali se encontra com o Senhor. Com esse evento sobrenatural, as Leis são dadas ao povo hebreu); a dispensação da graça (iniciada com o advento do Espírito Santo); e a dispensação milenial (dentro de uma visão escatológica do fim). Estamos tratando neste livro sobre os fatos ocorridos na dispensação da Lei mosaica, que tem como símbolo as duas tábuas de pedra que foram entregues ao líder Moisés no Monte Sinai. As duas tábuas escritas dos dois lados traziam as seguintes instruções: não matar, não adulterar, não roubar, não caluniar, não cobiçar e honrar a teus pais. Ufa! Eles deveriam, de fato, andar em ordem, como uma nação escolhida. Esses mandamentos que citei eram somente o que deveria ser feito ao amigo, vizinho, parente e até mesmo ao forasteiro. Existe outra parte da Lei que se dirige ao próprio Deus, que diz: não terás outros deuses, não farás imagem de escultura para os adorar, não blasfemar o nome do Senhor, teu Deus, e guardar um dia exclusivamente para culto ao Altíssimo. Teocracia e monoteísmo andando de mãos dadas. Deus tem a primazia na Sua lei. Ele requer o trono do coração do Seu povo para Si. Jesus nos ensinou que os mandamentos se resumem em: amar a Deus sobre todas as coisas e a teu próximo como a ti mesmo. Se amarmos aos homens e a Deus, estaremos cumprindo o padrão teocrático monoteísta divino para a igreja. Não há como viver para Deus e Seus propósitos se não existir amor em nós e entre nós. As inscrições, que antes foram gravadas nas pedras, carregavam o poder da vida e da morte. Vida para aqueles que a amaram, e morte para aqueles que a desprezaram. A Lei era dura com seus algozes, contudo, muito prazerosa para seus amantes. A Lei estava sendo exposta para trazer tanto condenação quanto salvação. O Apóstolo Paulo diz em sua primeira carta aos Coríntios que o aguilhão da morte é o pecado, e o poder pecado é a Lei: “O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei.” (1 Coríntios 15:56, JFA). Aos Romanos, o apóstolo diz que a Lei produz a ira, porque onde não há lei também não há transgressão: “Porque a lei opera a ira; mas onde não há lei também não há transgressão.” (Romanos 4:15, JFA). Partindo desse pressuposto, podemos observar que a Lei delineou os parâmetros da santidade divina e apontou os erros do transgressor, revelando os padrões exatos de uma santidade que havia se perdido no Éden. Dentre os principais objetivos da Lei dada àquele povo no deserto, um deles seria: o de começar uma nova nação ordeira e santa. Para esse propósito divino, os moldes éticos eram impecáveis. A nação recém-formada e ainda nômade (por 40 anos) precisava obedecer às tais leis, porque só assim deixariam de ter a mentalidade de escravos e viveriam como cidadãos honrados diante das nações vizinhas e de Deus. A dispensação da Lei ou a dispensação mosaica, como também é conhecida, durou até Cristo. Após a morte e a ressurreição do Messias, se instaurou uma Nova Aliança em Seu sangue. A este período que estamos vivendo deram o nome de dispensação da graça. Toda a Lei, juntamente com as bênçãos e maldições entremetidas nela, foi satisfeita em Jesus. Ele foi o aferidor de medidas da Lei. Por essa razão, os nossos ombros não carregam esse fardo pesado. Assim se entende as dispensações como sendo cinco: dispensação da inocência, patriarcal, mosaica, graça e milenial. Este é um assunto complexo e não tenho por objetivo encerrar ou explicar na totalidade esse tema tão abstruso. O tabernáculo não é uma velharia do passado bíblico, mesmo porque ele não foi feito por vontade humana. Ele é divino e eterno, não está condicionado nem ao tempo e nem às dispensações. Todas as verdades ali relevadas por sombra e alegoria são úteis e proveitosas para o tempo presente. O escritor da carta aos Hebreus é bem categórico nesse assunto, ele fala do serviço de Cristo e da igreja através de figuras com o tabernáculo: “Que é uma alegoria para o tempo presente, em que se oferecem dons e sacrifícios que, quanto à consciência, não podem aperfeiçoar aquele que faz o serviço.” (Hebreus 9:9, ACF). Algumas pessoas tendem a desprezar as verdades do tabernáculo por pensarem que essas coisas já não são exigidas e que estamos vivendo o tempo da graça. E elas estão certas, certíssimas! Contudo, as verdades do Antigo Testamento não podem ser esquecidas ou menosprezadas, pois foram elas que prepararam o caminho para a vinda do Messias. E disso não podemos nos esquecer jamais. A dispensação da Lei foi um pedagogo, um aio e um conselheiro usado até que Jesus se revelasse e como Salvador instaurasse a dispensação da graça. A Lei mosaica não traz vida em si, mas ela ensina a viver. Ela não era o caminho, ela apontava para o Caminho. Jesus Cristo é a vida perfeita e plena. Ele é o Caminho.Um plano lindo arquitetado desde o princípio pelo Senhor do universo. O apóstolo Paulo endereça uma de suas cartas aos cristãos da Galácia e diz que a Lei não justifica: “[...] porque, se a justiça vem mediante a lei, logo Cristo morreu em vão.” (Gálatas 2:21b, JFA). Embora a Lei ensine a santidade divina, ela não nos justifica perpetuamente diante dessa santidade requerida. A Lei e todos os sacrifícios, festas e o próprio tabernáculo apontavam para o Cristo redentor. E mais uma vez, o Apóstolo Paulo escreve sobre este assunto e em sua carta aos Romanos diz que a fé trouxe a promessa, com a Lei a promessa foi adquirida e que esta mesma Lei opera ou traz a ira de um Deus justo: “Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas; isto é, a justiça de Deus pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem; porque não há diferença. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.” (Romanos 3:21-26, ARC). Capítulo 2 A IMPORTÂNCIA HISTÓRICO-SOCIAL “E me farão um santuário, para que eu habite no meio deles.” Êxodo 25:8 Capítulo 3 A TENDA DO ENCONTRO “Quando Moisés caminhava na direção da Tenda, todo o povo se levantava; cada um permanecia em pé, na entrada da sua própria tenda, e apenas seguiam Moisés com o olhar, até que entrasse na Tenda.” Êxodo 33:8 Ora, Moisés costumava montar uma tenda do lado de fora do acampamento e a chamava de Tenda do Encontro. Todas as pessoas que tinham uma questão para formular a Jeová dirigiam-se à Tenda do Encontro, que ficava armada fora do acampamento: “Quando Moisés caminhava na direção da Tenda, todo o povo se levantava; cada um permanecia em pé, na entrada da sua própria tenda, e apenas seguiam Moisés com o olhar, até que entrasse na Tenda. E acontecia que quando Moisés entrava na Tenda, baixava uma coluna de nuvem, parava à entrada da Tenda, e o SENHOR falava com Moisés. Sempre que o povo observava a coluna de nuvem parada à entrada da Tenda, todos se ajoelhavam em frente à entrada de suas próprias tendas, e curvavam-se com o rosto rente à terra, em sinal de respeito e adoração ao SENHOR.” (Êxodo 33:8-10, KJA). O texto acima nos diz que antes mesmo do tabernáculo ser construído, Moisés precisava falar com o Senhor diariamente. Seria complicado subir no Monte Sinai todos os dias, e ainda tinha a questão de estar presente para liderar o povo e julgar suas causas. Se ele se fixasse no Monte Sinai com Deus todos os dias, isso demandaria energia e tempo, e as questões pessoais do povo seriam negligenciadas. Qual foi a solução encontrada por Moisés? Construir para si uma tenda perto do povo, não obstante, fora do acampamento. Se era uma tenda diferenciada, muito ou pouco linda, feita com materiais comuns ou com detalhes bordados, isso o texto não nos diz. A única informação que sabemos é que quando Moisés se direcionava rumo àquele lugar, todo o povo se levantava e o expectava. Uma vez que Moisés entrava na Tenda do Encontro, uma coluna de nuvem pairava sobre ela e o Senhor falava com ele. O povo, estarrecido diante daquela grandiosidade (a presença do Senhor manifesta em uma nuvem de glória), reverenciava a Deus com o rosto rente à terra, e ali O adorava. A Tenda do Encontro foi um local de encontro alternativo, temporário, provisório, transitório, interino e breve, até que o tabernáculo ficasse pronto, possivelmente um ano depois do Êxodo. O tabernáculo foi inaugurado no primeiro dia do primeiro mês: “No dia primeiro do primeiro mês, arme a Tenda da Presença de Deus.” (Êxodo 40:2, NTLH). AS TÁBUAS O povo havia saído do Egito, cruzado o Mar Vermelho. passaram por vários lugares, até que se instalaram no sopé do Monte Sinai: “No terceiro mês depois que os filhos de Israel haviam saído da terra do Egito, no mesmo dia chegaram ao deserto de Sinai.” (Êxodo 19:1). Três meses depois do Êxodo, o líder Moisés é orientado a subir no Sinai. Por algumas vezes, ele vai acompanhado de Arão ou Josué; outras vezes, ele sobe sozinho: “Ao que lhe disse o Senhor: Vai, desce; depois subirás tu, e Arão contigo; os sacerdotes, porém, e o povo não traspassem os limites para subir ao Senhor, para que ele não se lance sobre eles.” (Êxodo 19:24, JFA). O texto acima fala da vez que Moisés recebeu as leis diversas para a organização da nação, que vão de Êxodo 19 até 24: “Depois disse o Senhor a Moisés: Sobe a mim ao monte, e espera ali; e dar-te-ei tábuas de pedra, e a lei, e os mandamentos que tenho escrito, para lhos ensinares. E levantando-se Moisés com Josué, seu servidor, subiu ao monte de Deus.” (Êxodo 24:12-13, JFA). Na segunda vez que Moisés é chamado a subir no Monte Sinai para se encontrar com o Senhor, o jovem e futuro sucessor, Josué, foi seu acompanhante. Foi nessa ocasião que as tábuas e as instruções do tabernáculo foram dadas. TÁBUAS QUEBRADAS É interessante citarmos que as tábuas originais da Lei foram quebradas por Moisés. Ele era um homem que demonstrava um temperamento impulsivo e por vezes agia sem pensar, isso o fez pagar um preço bem alto. Por outro lado da história, podemos pensar que Moisés fez o que fez porque era zeloso com a santidade divina. O texto bíblico relata que Moisés foi orientado por Deus a descer do Monte Sinai e voltar para o acampamento. Em seus braços estavam as tábuas originais, talhadas e escritas pelas mãos de Deus: “Chegando ele ao arraial e vendo o bezerro e as danças, acendeu-se lhe a ira, e ele arremessou das mãos as tábuas, e as despedaçou ao pé do monte. Então tomou o bezerro que tinham feito, e queimou-o no fogo; e, moendo-o até que se tornou em pó, o espargiu sobre a água, e deu-o a beber aos filhos de Israel. E perguntou Moisés a Arão: Que te fez este povo, que sobre ele trouxeste tamanho pecado? Ao que respondeu Arão: Não se acenda a ira do meu senhor; tu conheces o povo, como ele é inclinado ao mal. Pois eles me disseram: Faze-nos um deus que vá adiante de nós; porque, quanto a esse Moisés, o homem que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu. Então eu lhes disse: Quem tem ouro, arranque-o. Assim mo deram; e eu o lancei no fogo, e saiu este bezerro.” (Êxodo 32:19-24, AA). O texto diz que ele viu o povo adorando com danças e júbilo a um bezerro de ouro. Ele ficou irado e arremessou as tais tábuas no chão. Ao olharmos com cuidado para o contexto, veremos um líder zeloso. Acredito que por amar sobremaneira ao Senhor, viu aquele povo como indigno de receber tudo o que Deus havia planejado para eles. Moisés estava diante de um povo que tão rapidamente voltou para a idolatria, o que manifesta o caráter deles. Estavam agindo com ingratidão com o que já haviam recebido até aquele dia, e se mostravam impacientes com o Senhor, procurando os seus próprios caminhos. O castigo chegou logo após o erro que cometeram. Foi preciso passar por um processo de julgamento e de perdão divino. Muitos deles perderam a vida. Penso em Moisés lá no Monte Sinai, muito empolgado com todo o projeto que Deus estava lhe dando. Ele precisava de materiais, de mão de obra especializada, não só para a construção, mas para os serviços do tabernáculo. Sua cabeça devia estar borbulhando com ideias e soluções, e com tamanha responsabilidade. Contudo, ao descer do Monte Sinai, avista uma nação que rejeitou o seu único Deus, mesmo antes de desfrutar de Sua presença. Moisés perde o controle, se irrita e quebra as tábuas originais. As tábuas da Lei já não existem mais, qual estatuto guiará o povo? As tábuas que foram quebradas por um ato espontâneo de Moisés eram essenciais para o projeto divino. Naquele momento da história, Deus, com Sua graça e misericórdia infinita, orienta Moisés paraque novas tábuas fossem feitas: “Mas ninguém suba contigo, nem apareça homem algum em todo o monte; nem mesmo se apascentem defronte dele ovelhas ou bois. Então Moisés lavrou duas tábuas de pedra, como as primeiras; e, levantando-se de madrugada, subiu ao monte Sinai, como o Senhor lhe tinha ordenado, levando na mão as duas tábuas de pedra.” (Êxodo 34:3-4, AA). Moisés teve que talhar e carregar as novas tábuas para o cume do Monte Sinai. Uma subida íngreme, uma caminhada em meio a pedras no caminho. Muito possivelmente tenha sido um trabalho árduo. Moisés não teve ajudantes, nem Arão e nem Josué, ele subiu sozinho. Embora Moisés tenha talhado as novas tábuas de pedra, o texto deixa claro que quem escreveu nas tábuas foi o Senhor, pois dEle vem o nosso único padrão de santidade e ética. Uma pincelada da Graça nas páginas do Antigo Testamento, onde podemos entender que é Deus quem nos estendeu uma nova chance após a queda do homem no Éden. GRAÇA DIVINA Com relação às primeiras tábuas, Deus havia talhado e escrito nas pedras, e infelizmente elas foram quebradas. Na segunda ocasião, é Moisés quem talha as novas tábuas e as leva ao Senhor. A pedra onde a Lei foi escrita tipifica o nosso coração. Nele, Deus quis escrever a Sua Lei perpetuamente. Naquele momento histórico vivenciado no deserto, existe uma bela tipologia entre Adão e nosso Senhor Jesus: “O pecado de um só homem, Adão, fez com que a morte dominasse toda a natureza humana, mas todos os que receberam a maravilhosa graça e justificação de Deus terão, agora, o domínio da vida, através do ato também de um só, Jesus Cristo.” (Romanos 5:17, OL). Adão foi feito pelas mãos do Pai e mesmo assim ele transgrediu, trazendo a morte e a separação eterna sobre todos os seus descendentes. Adão tinha talhada em seu coração a Lei de Deus, contudo, isso não o impediu de se quebrar. Por providência divina e remidora, o Cristo perfeito não quebrou as leis. O Cristo que desceu de Sua morada celestial, despiu-se de Sua glória e veio como um homem salvar a humanidade quebrada, se manteve inalterado: “[...] mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens.” (Filipenses 2:7, ACF). O autoesvaziamento de Cristo só foi possível porque Ele é Deus, não cabe a nenhum ser humano caído. Esse é um processo inteiramente divino. Jesus se humilhou e se esvaziou, talhando em Si as novas tábuas para as levar ao Pai. Passou por sofrimentos grandiosos enquanto cumpria Seu dever de resgatador. Durante Sua estadia aqui na terra, viveu como homem, e mesmo sendo homem, Ele não transgrediu a Lei. Cristo foi perfeitamente correto em toda a Sua missão. Cristo está tipificado nas pedras talhadas por Moisés no pé do Monte Sinai. Foi Cristo quem conquistou para nós o direito de eternidade que outrora fora quebrado pelo pecado de Adão. Nosso Remidor Jesus é a primícia dos que irão ressuscitar. Por causa dEle, nós teremos os nossos corpos transformados e veremos o Pai. Aleluia! O processo de construção do tabernáculo se inicia pelos primeiros objetos, que são: as tábuas de pedra. As novas tábuas da Lei precisavam de proteção. Uma Arca deveria ser construída com esta finalidade primordial: protegê-las e guardá-las. Capítulo 4 CAPACITADOS PARA A OBRA “E o encheu do Espírito de Deus, dando-lhe destreza, habilidade e plena capacidade artística, para desenhar e executar trabalhos em ouro, prata e bronze, para talhar e lapidar pedras e entalhar madeira para todo tipo de obra artesanal. E concedeu tanto a ele como a Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã, a habilidade de ensinar os outros. A todos esses deu capacidade para realizar todo tipo de obra como artesãos, projetistas, bordadores de linho fino e de fios de tecidos azul, roxo e vermelho, e como tecelões. Eram capazes de projetar e executar qualquer trabalho artesanal.” (Êxodo 35:31-35, NVI). A Sagrada Escritura coloca “holofotes” no tabernáculo devido a seu grande valor. Vemos que desde o dia da revelação dada a Moisés no Monte Sinai até o livro do Apocalipse, existem detalhes minuciosos e importantes sobre o tabernáculo. Basta abrirmos o livro de Êxodo que encontraremos cerca de 12 capítulos dedicados à sua explanação. Mas não podemos nos esquecer daquele que com grande honra recebeu o projeto do santuário e o viu em sua forma original. Para construir o que Deus havia instruído a Moisés, era necessário muito material e mão de obra especializada. Para contribuir com o andamento da construção, o próprio Deus convoca vários homens que foram escolhidos dentre o povo. E esses foram os construtores oficiais, os quais pelo Espírito Santo foram dotados de inteligência, competência, conhecimento e habilidade para fazer todo tipo de trabalho artístico necessário naquela obra específica. Eles foram cheios de sabedoria para fazer artesanato, trabalhando em ouro, prata e bronze. A obra é de Deus e é Ele quem escolhe e capacita os trabalhadores. Esses homens eram os escravos que outrora foram desprezados e desonrados pelos egípcios. Todavia, tiveram suas vidas mudadas quando receberam o dom do Espírito Santo para lapidar pedras preciosas e entalhar madeira de forma artesanal. Já não eram escravos, eram artistas dotados de sabedoria divina, passaram a ser exímios desenhistas e estilistas. Eram exímios em obras de materiais como: madeira, prata, ouro e tecidos, que eram materiais usados tanto para sua construção, quanto para a sua manutenção. Esses artesãos também receberam o dom de ensinar o que haviam recebido por dom divino. Deus os deu um coração disposto a serem mestres para os jovens aprendizes. A humildade foi implantada naqueles homens. O que vale ajuntarmos conhecimento e não ensinarmos o que sabemos aos jovens aprendizes da jornada da vida? Não perca a chance de se sentar com um jovem, adolescente e conversar com ele sobre escolhas certas e as consequências que as escolhas erradas suscitam por toda uma vida. Não perca a chance de se assentar com seus filhos à sós (sem televisão, sem eletrônicos), só você e eles. Conte-lhes sobre sua infância, coisas simples da vida (de como foi aprender a andar de bicicleta). Tenho certeza de que eles vão amar ouvir essas histórias. Conte sobre suas aventuras e suas quedas. Existe uma canção popular que pode reviver esses conceitos em nossos corações. A canção se chama Trem bala, da Ana Vilela, que diz: “Segura teu filho no colo, sorria e abraça teus pais enquanto estão aqui.”. Enfim, a vida está cheia de aprendizes vorazes em busca de bons mestres. Participe da construção intelectual dos que estão próximos de você. O NAGID DE DEUS Os artistas do tabernáculo estavam preparados e estabelecidos como mão de obra especializada pelo próprio Deus. Quero atentar para um detalhe bem importante: eles não dispunham de ferramentas de medição, como temos nos dias atuais. É válido lembrar que estamos falando de povos antigos, com pouquíssimos recursos técnicos de medição arquitetônica. Como eles fizeram as medidas da construção? Para a execução daquele trabalho de construção do tabernáculo era necessária uma medida padronizada, única e específica. Como lograr essa medida perfeita em pleno deserto? Agora entra a participação ativa de Moisés durante a construção. Ele foi escolhido por Deus para ser o padrão de medidas do santuário. Vamos compreender esse padrão por meio da compreensão da palavra hebraica muitas vezes usada para príncipe. No Dicionário Strong, na referência 5057: “instrumento medidor”, ou o nagid. Nagid é uma palavra hebraica que tem conotação com a palavra líder; príncipe ou aquele que vai na frente. Da raiz Nagad: “ser visível, ser conspícuo”. A palavra líder em inglês é ruler, a mesma palavra usada para uma régua, que é um instrumento usado como parâmetro básico de medida. Um líder ou um nagid era primordial para a construção da morada do Senhor. O próprio Deus foi quem deu as medidas, porém era o líder quem cedia os parâmetros. Moisés era o padrão através do qual era possível estabelecer uma comparação. Ficou bem esclarecidoque nagid é aquele que se deixa usar ou se disponibiliza como instrumento medidor, ou medida principal. Moisés foi o aferidor de medidas do tabernáculo. Não há como falarmos de medidas e parâmetros do tabernáculo sem mencionarmos Aquele que é perfeito e que estava tipificado em Moisés. Cristo é o nosso nagid perfeito. As medidas estabelecidas para a salvação da humanidade foram dadas pelo próprio Deus através de Sua Lei perfeita e justa. Suas medidas são altíssimas. Não há dúvidas de que para nós (com nossos delitos e pecados) tais medidas são, de fato, inalcançáveis. MEDIDAS PERFEITAS É muito lindo vermos no texto sagrado que todas as medidas do tabernáculo foram efetuadas com as mãos, os dedos e os braços de Moisés. Ele foi a metragem padronizada da construção. Ao longo do texto de Êxodo sobre as medidas do tabernáculo, tais termos são frequentemente usados: O palmo (que é a medida entre a ponta dos dedos extremos com a mão espalmada, ou seja, do polegar ao dedo mínimo): “[...] será de um palmo o seu comprimento, e de um palmo a sua largura.” (Êxodo 28:16, JFA). O palmo menor (que é a largura da mão, na base dos quatro dedos): “Fez- lhe também, ao redor, uma moldura da largura de um palmo menor.” (Êxodo 37:12). O côvado (que é a distância entre o cotovelo e a ponta do dedo médio): “[...] e a sua largura de um côvado e meio.” (Êxodo 25:17). As medidas do tabernáculo e as medidas de santidade foram preestabelecidas por Deus. O homem, após a queda, passou a não ter condições de alcançá-las. Para o propósito de alcançar as tais medidas de santidade divina foi que Jesus veio até nós. Ele atuou como o aferidor da medida perfeita, o nagid do Senhor. Jesus se oferece para ser o parâmetro da santidade excelente. Ele é o padrão correto para o homem caído e imperfeito se alinhar novamente na justiça do Senhor. Não há tabernáculo sem padrão de santidade divina. Não existe habitação do Espírito Santo em nós sem que Jesus possa primeiro ser o padrão de santidade divina. “Acaso não sabeis que o vosso corpo é santuário do Espírito Santo, que está em vós, o qual tendes da parte de Deus, e que não sois de vós mesmos?” (1 Coríntios 6:19, ARA). Cabe a nós carregar e apregoar Cristo em nossas reuniões, pregações e em nosso caminhar diário. Ele já fez tudo. Nos constrói como igreja diariamente. Somos a morada do Senhor no deserto desta vida, somos Seus tabernáculos. Deus, por Sua misericórdia e graça, enviou o Espírito Santo para habitar com Sua igreja (o tabernáculo de Deus) até a consumação dos séculos. Ele é o ouro que cobre a Arca e por meio de Cristo (Arca), Deus habita conosco. O ARQUITETO E SEU TABERNÁCULO Deus foi o grandioso engenheiro. Ele mesmo desenhou e arquitetou toda a planta de Sua habitação. Essa verdade nos faz saber que Deus é o arquiteto por excelência da nossa história. Ele conhece cada cantinho e cada detalhe da nossa estrutura, nossas emoções, fraquezas e desejos mais íntimos. Se não aceitarmos o propósito para o qual fomos criados, que é o de receber a salvação em Cristo através do Espírito Santo que nos santifica, para então sermos novamente e eternamente a morada dEle e nos entregarmos como sacrifícios vivos, santos e perfeitos em Seu altar todos os dias, nunca veremos, de fato, a Sua glória eterna. O Apóstolo Paulo em sua primeira carta aos cristãos em Corinto enfatiza a importância de a igreja ser a morada do Senhor e afirma que na atual dispensação da Graça, o tabernáculo são os salvos em Jesus: “Não sabeis vós que sois santuário de Deus, e que o Espírito de Deus habita em vós?” (1 Coríntios 3:16, AA). Essa verdade deve estar bem estabelecida em nosso entendimento para que possamos nos aprofundar cada vez mais nesta maravilhosa revelação: nós, o corpo de Cristo, somos Seu tabernáculo. O lugar aonde os pecadores virão para se encontrarem com Jesus. Como ser um tabernáculo? Com o nosso testemunho diário, com as nossas palavras e com as mensagens que pregamos em nossos altares. A mensagem do Evangelho precisa, mais do que nunca, deixar de ser humanista e narcisista. O alvo do cristão é apontar o Cristo Salvador às nações que ainda estão desnorteadas da verdade divina, e nunca falar de nós mesmos. Capítulo 5 “Mas o povo permaneceu a distância, ao passo que Moisés aproximou-se da nuvem escura em que Deus se encontrava.” Êxodo 20:21 A NUVEM E A ESCURIDADE Até o momento, não há mais dúvidas de que o objetivo principal da construção do tabernáculo é único: ele foi preparado para que Deus habitasse com o homem em comunhão plena. Essa habitação não foi uma iniciativa do povo peregrino, mas foi manifestação da iniciativa divina. É Deus desejando habitar com a humanidade por meio da manifestação de Sua graça, através do tabernáculo. O povo havia saído do Egito pelas mãos poderosas do Senhor. Muitos milagres e maravilhas aconteceram. Mas o coração do povo ainda estava preso aos costumes egípcios de adoração a outros deuses, estavam completamente ligados ao modus vivendi daquele povo, que era a cosmovisão politeísta. Após serem libertos da escravidão egípcia, caminharam por cerca de 3 meses e finalmente chegaram ao pé do Monte Sinai, o lugar onde todo o plano e planejamento do tabernáculo, juntamente com as leis, é revelado a Moisés. No Monte Sinai, Deus manifesta Sua presença de forma extraordinária. Uma nuvem densa cobre o cume do monte; trovão, relâmpagos e fumaça. O monte tremia. De longe, eles ouviam um sonido crescente de uma trombeta ou de um shofar, que soava tão forte ao ponto de fazer o povo estremecer. Moisés falava do arraial e Deus lhe respondia lá do Monte Sinai. Até que o Senhor o chamou para subir no monte e adentrar naquela nuvem espessa. O povo foi orientado a ficar no pé do monte, para que não morresse. Moisés se chegou por várias vezes com medo à escuridade divina. O povo recuava, e ele superava seu pavor e se aproximava. A maravilhosa manifestação da glória que contemplaram trouxe um tremendo pavor no arraial, e com medo da morte, procuraram se afastar de Deus. Todavia, Moisés era completamente atraído. Existe uma palavra em hebraico para o ato de Moisés se aproximar. O termo “aproximou-se”, que vem da raiz hebraica nagash, pode ser analisado no Dicionário Hebraico Strong, na referência 5066. Ela é usada em Êxodo, capítulo 20, verso 21, que diz: “Mas o povo permaneceu a distância, ao passo que Moisés aproximou-se da nuvem escura em que Deus se encontrava” (NVI). E também pode ser traduzido como: “ele foi atraído para perto”, ou “foi feito se aproximar”. Feita uma definição simples do hebraico da forma correta usada no termo, entendemos que Moisés se aproximou não por vontade própria, mas por ter sido atraído pelo Senhor. Na carta aos Hebreus, capítulo 12, no verso 21, o texto nos diz que Moisés estava assombrado e tremendo naquele momento. E tão terrível era a visão, que Moisés disse: “Estou todo aterrorizado e trêmulo” (JFA). Existe um lugar para onde Deus está a nos atrair. Não há como esquecer que a obra salvífica de Cristo sempre nos atrai à cruz. Somos levados cativos a ela, para ali vivermos as maravilhas da redenção. No mesmo texto citado anteriormente em Êxodo, capítulo 20, verso 21, o termo “escuridade” aparece. Esse termo vem do hebraico araphel, na referência 6205 no Dicionário Hebraico Strong. A sua tradução pode ser: “densas nuvens”. Araphel é o termo usado para expressar uma ideia básica, é como se o céu estivesse bem perto. As transcrições bíblicas para o português variam quanto a tradução dessa palavra. A tradução da Bíblia Almeida Atualizada diz “trevas espessas”. A Nova Versão Internacional diz “nuvem escura”. Mas todas elas nos apontam a direção correta, para a tradução escuridade, ou simplesmente como se o céu estivesse perto. A nuvem que cobre e traz a escuridade é chamada de anan. Anan cobre o ambiente para que este se torne escuridade. Sua referência no Strong é 6051. Anan aparece pela primeira vez em Gênesis, capítulo 9, versos 13, 14 e 16. A nuvem que trouxe o sinal da aliança noética, o arco-íris, tambémé anan: “O meu arco tenho posto nas nuvens, e ele será por sinal de haver um pacto entre mim e a terra. E acontecerá que, quando eu trouxer nuvens sobre a terra, e aparecer o arco nas nuvens, então me lembrarei do meu pacto, que está entre mim e vós e todo ser vivente de toda a carne; e as águas não se tornarão mais em dilúvio para destruir toda a carne (AA)”. Curiosamente, o texto de Ezequiel, capítulo 1 e verso 28 fala da aparência do arco-íris que aparece na nuvem. Este era o aspecto do resplendor, o aspecto da semelhança da glória do Senhor. Como o aspecto do arco que aparece na nuvem no dia da chuva, assim era o aspecto do resplendor em redor: “Este era o aspecto da semelhança da glória do Senhor; e, vendo isto, caí com o rosto em terra, e ouvi uma voz de quem falava.” (AA). A segunda vez que aparece a palavra anan é em Êxodo, capítulo 13, nos versos 21 e 22, se referindo à nuvem que acompanhou a jornada do povo no deserto: “E o Senhor ia adiante deles, de dia numa coluna de nuvem para os guiar pelo caminho, e de noite numa coluna de fogo para os alumiar, a fim de que caminhassem de dia e de noite. Não desaparecia de diante do povo a coluna de nuvem de dia, nem a coluna de fogo de noite.” (JFA). Números, capítulo 9, dos versos 15 ao 23 relata esse evento, onde a nuvem da glória, anan, guia o povo: “No dia em que foi levantado o tabernáculo, a nuvem cobriu o tabernáculo, isto é, a própria tenda do testemunho; e desde a tarde até pela manhã havia sobre o tabernáculo uma aparência de fogo. Assim acontecia de contínuo: a nuvem o cobria, e de noite havia aparência de fogo. Mas sempre que a nuvem se alçava de sobre a tenda, os filhos de Israel partiam; e no lugar em que a nuvem parava, ali os filhos de Israel se acampavam. À ordem do Senhor os filhos de Israel partiam, e à ordem do Senhor se acampavam; por todos os dias em que a nuvem parava sobre o tabernáculo eles ficavam acampados. E, quando a nuvem se detinha sobre o tabernáculo muitos dias, os filhos de Israel cumpriam o mandado do Senhor, e não partiam. Às vezes a nuvem ficava poucos dias sobre o tabernáculo; então à ordem do Senhor permaneciam acampados, e à ordem do Senhor partiam. Outras vezes ficava a nuvem desde a tarde até pela manhã; e quando pela manhã a nuvem se alçava, eles partiam; ou de dia ou de noite, alçando-se a nuvem, partiam. Quer fosse por dois dias, quer por um mês, quer por mais tempo, que a nuvem se detinha sobre o tabernáculo, enquanto ficava sobre ele os filhos de Israel permaneciam acampados, e não partiam; mas, alçando-se ela, eles partiam. À ordem do Senhor se acampavam, e à ordem do Senhor partiam; cumpriam o mandado do Senhor, que ele lhes dera por intermédio de Moisés.” (JFA). Essa palavra aparece novamente na narrativa bíblica em Levítico, capítulo 16, no verso 2. Nessa narrativa, Deus está dando instruções quanto ao ministério sacerdotal, e que se o sumo sacerdote entrasse no Santíssimo Lugar, onde a nuvem habitava e Deus aparecia por meio dela, ele certamente morreria. Ele poderia entrar lá, contudo, uma vez por ano. Isso se dava no dia determinado, ao qual se chama: dia da expiação, ou Yom Kippur. “Disse, pois, o Senhor a Moisés: Dize a Arão, teu irmão, que não entre em todo tempo no lugar santo, para dentro do véu, diante do propiciatório que está sobre a arca, para que não morra; porque aparecerei na nuvem sobre o propiciatório.” (JFA). Um outro evento importante para os hebreus trouxe a nuvem para perto, e junto dela a escuridade. Está na narrativa do primeiro livro dos Reis, no capítulo 8, nos versos 10 ao 12: a nuvem veio sobre os levitas e sobre todos que estavam presentes na inauguração do Templo que Salomão havia construído. E no verso 12, o rei Salomão se pronuncia, dizendo: “O Senhor disse que habitaria numa nuvem escura (araphel)”. “E sucedeu que, saindo os sacerdotes do santuário, uma nuvem encheu a casa do Senhor; de modo que os sacerdotes não podiam ter-se em pé para ministrarem, por causa da nuvem; porque a glória do Senhor enchera a casa do Senhor. Então falou Salomão: O Senhor disse que habitaria na escuridão.” (JFA). O termo nuvem está, de certa forma, ligado à palavra fogo e à escuridade, e isso acontece em praticamente todos os textos citados acima. Vejamos mais algumas dessas eventualidades. Deuteronômio, capítulo 5, no verso 22 diz: “Falou o Senhor estas palavras, do meio do fogo, da nuvem e da escuridade…”. O salmista, no salmo 97, no verso 2 diz: “Nuvem e escuridade estão ao redor dele…”. Ezequiel, capítulo 1 e verso 4 diz: “[...] e uma grande nuvem, com um fogo a revolver-se…”. Ezequiel, capítulo 34, no verso 12 diz: “[...] e as farei voltar de todos os lugares por onde andam espalhadas no dia de nuvem e escuridade.”. O texto bíblico também apresenta uma visão escatológica para o termo. Veja que Joel, capítulo 2, no verso 2 diz: “[...] dias de nuvens e de trevas espessas…”. E em Sofonias, no primeiro capítulo, o verso 15 diz: “[...] dia de nuvens (anan) e de escuridade (araphel).”, “[...] aquele dia é um dia de indignação…”. Os textos falam do Dia do Senhor, e se referem a esse dia como dia de nuvens e de escuridade. Enfim, essa nuvem cobriu o monte por vários dias. E no sétimo dia, do meio daquela escuridade, Deus chama Moisés. Aquela era a nuvem da glória divina. Êxodo, capítulo 24, versos 16 e 17 diz que a aparência da glória era como de um fogo consumidor: “Também a glória do Senhor repousou sobre o monte Sinai, e a nuvem o cobriu por seis dias; e ao sétimo dia, do meio da nuvem, Deus chamou a Moisés. Ora, a aparência da glória do Senhor era como um fogo consumidor no cume do monte, aos olhos dos filhos de Israel.” (JFA). O fato de estarmos diante do Senhor é um privilégio. Sua presença nos faz ver quem somos. Diante de Deus somos pequenos. Porque como humanos, nossos sonhos são limitados à nossa cosmovisão. Nossos sentimentos variam de acordo com o nosso dia. Nossa alegria vai de alto à baixo em fração de segundos. Somos simplesmente humanos, e Deus é Deus. Naquela nuvem espessa, não se via nada além da glória manifesta do Senhor. Quando estamos diante da presença do Senhor, nada mais deve importar. Porque se estamos em meio à Sua escuridade, não enxergamos nada além da Sua nuvem de glória. Não havendo espaço para nosso ego, o orgulho se dissipa diante dEle. E esse grande dia em que somos atraídos à Sua glória, às vezes acontece em particular. Deus teve uma conversa isoladamente com Moisés no período em que ele era apenas um pastor de ovelhas em Midiã. Nesse dia, a presença do Senhor estava manifesta em um arbusto, e esse arbusto não se consumia pelo fogo. Deus o chamou de profeta e líder enquanto estavam sozinhos, pois Moisés precisava enxergar sua humanidade e fragilidade diante da grandeza do Criador. Existem princípios lindos no relato do chamado de Moisés. Posso destacar vários atos marcantes no teatro de sua vida. Um deles certamente seria o dia em que ele se vê diante de uma sarça ardente no Monte Horebe e ali conversa com o Anjo do Senhor: “Apareceu-lhe o Anjo do Senhor numa chama de fogo, no meio de uma sarça; Moisés olhou, e eis que a sarça ardia no fogo, e a sarça não se consumia.” (Êxodo 3:2, JFA). Haverá momentos únicos que servirão de crescimento em nossa vida ministerial, no nosso chamado e na nossa intimidade com Deus. Esses momentos são com Ele e nós, a sós. Em uma comunhão singular e particular. A multidão não precisa ver. Na solidão, Deus levou o pastor a se ver como príncipe. Uma maravilhosa ilustração pode tentar definir esse conceito, O bambu e a samambaia: “Olhe em redor. Você está vendo a samambaia e o bambu? Pois bem, a Vida se encarregou de semear, a um só tempo, a samambaia e o bambu. A ambos não faltaram água, luz, seiva… A samambaia cresceu rapidamente. Seu verde brilhante cobria o solo. Porém, da semente do bambu nada saía. Apesar disso, a Vida não desistiu do bambu. No segundo ano, a samambaia cresceu ainda mais brilhante e viçosa. E, novamente, da semente do bambu, nada apareceu. Mas a Vida não desistiu do bambu. Noterceiro ano, no quarto, a mesma coisa. Mas no quinto ano, um pequeno broto saiu da terra. Aparentemente, em comparação com a samambaia, era muito pequeno, até insignificante. Seis meses depois, o bambu cresceu mais de 5 metros de altura. Ele ficara cinco anos afundando raízes. Aquelas raízes o tornaram forte e lhe deram o necessário para sobreviver. Essa dor que você sente e aparenta ser sem propósito, ao longo de todos esses anos é, na verdade, o rasgo de suas raízes. Elas estão se tornando mais profundas aí dentro.” (autor desconhecido) Capítulo 6 A ORGANIZAÇÃO DAS TRIBOS Moisés ainda teve resistências quando Deus o chamou no Sinai, apesar de ele ter experimentado do sobrenatural e da presença da glória no Monte Horebe. Moisés permanece no Sinai por 40 dias e 40 noites conversando com o Senhor. Naquele momento de fogo, glória, fumaça e trovões, ele recebe o direcionamento das leis, do sacerdócio, dos mandamentos escritos nas pedras e de toda a construção do tabernáculo, inclusive a sua localização. Tudo minuciosamente planejado por Deus. Deus pediu que o tabernáculo se instalasse no meio das tribos. O Deus minucioso em detalhes orienta Moisés em todo o processo. É necessário falarmos das repartições das tribos de Israel enquanto caminhavam no deserto com detalhes mais específicos, para que tenhamos uma visão esclarecida de onde o tabernáculo se instalou. Enquanto caminhavam no deserto, as tribos se dividiram em agrupamentos, e cada tribo com seus descendentes. Felizmente, existem dois censos realizados nesse período e que são muito úteis. O livro de Números, capítulo 1 tem o primeiro censo, e o segundo censo está no capítulo 26 de Números. Censos que têm aproximadamente 38 anos distantes um do outro. Os homens que eram contados tinham de 20 anos para cima, até uma idade em que não se pode guerrear mais. Dos 40 anos do povo no deserto, não sabemos muitos detalhes porque, curiosamente, a Bíblia relata aproximadamente 1 ano e meio do povo no deserto. No entanto, aproximadamente 38 anos são ocultados das páginas sagradas. Quando lemos de Êxodo 12 até Números 14, verso 45, ali estão registrados esses 1 ano e meio de história. De Números, capítulo 14, verso 45 até Números 20, verso 14, são 38 anos de história. De Números 20, verso 14 até Números 36, verso 13, são aproximadamente os 6 meses da história final dessa caminhada no deserto rumo à Canaã. Enfim faremos uma comparação entre os dois censos. Neste momento é preciso ressaltar que a tribo de Levi não foi contada nos censos. Os motivos eram simples, sacerdócio e serviço militar. Por serem uma tribo sacerdotal, estavam isentos de ir à guerra. Entre um censo e outro, pôde ser percebida uma diferença de 1.820 pessoas a menos. O tabernáculo será nossa referência geográfica, porque ele se localizava no meio das 12 tribos. Ao sul do tabernáculo, três tribos: Rúben, com 46.500 homens; Simeão, com 59.300 homens; e Gade, com 45.650 homens. Ao leste do tabernáculo, três tribos: Judá, com 74.600 homens; Issacar, com 54.400 homens; e Zebulon, com 57.400 homens. A oeste do tabernáculo, três tribos: Efraim, com 40.500 homens; Manassés, com 32.200 homens; e Benjamin, com 35.400 homens. Ao norte do tabernáculo, três tribos: Dã, com 62.600 homens; Aser, com 41.500 homens; e Naftali, com 53.400 homens. Num total de 603.550 homens de 20 anos para cima. A tribo de Levi é dividida em três clãs pela linhagem de seus filhos: Gérson, Coate e Merari. A oeste, os gersonitas, com 7.500 homens. Ao norte, os meraritas, com 6.200 homens e ao sul, os coatitas, com 8.600 homens. À frente do tabernáculo, que era ao leste, estavam acampados Moisés, Arão, Miriã e suas famílias, que também eram levitas. COMO SÃO BELAS AS TUAS MORADAS Não há como mencionarmos a organização das tribos e a localização do tabernáculo sem citarmos a narrativa que nos apresenta o profeta Balaão. Balaão foi um profeta hebreu que viveu junto com o povo de Israel ainda no tempo da peregrinação pelo deserto. A Sagrada Escritura conta que, certa feita, ele recebe uma proposta comprometedora e má. O rei dos moabitas o contratou para amaldiçoar a Israel. Isso mesmo, um profeta em Israel foi chamado para amaldiçoar seu próprio povo. Ao fim de sua tarefa, Balaão ganharia um prêmio, ou um pagamento. A história é bem extensa, se encontra em Números, do capítulo 22 ao 24. Recomendo a leitura do texto na íntegra. Vamos nos ater apenas ao desfecho dessa história. Balaão subiu ao monte Peor, onde os historiadores acreditam ser um pico das montanhas de Abarim, ao norte do Mar Morto, na Transjordânia. A narrativa nos diz que lá do Monte Peor, Balaão viu os acampamentos de Israel de forma única e singular. A Bíblia diz que ele viu o acampamento por completo e em absoluta grandeza. Ao se maravilhar com o que estava avistando, ele disse um dos versículos mais lindos da Sagrada Escritura. Ele se emocionou ao ver a forma que as 12 tribos estavam organizadas ao redor do tabernáculo. “Como é bonito o acampamento do povo de Israel! Como são belas as suas moradas!” (Números 24:5, NTLH). Mas o que, de fato, o profeta Balaão avistou para se emocionar? Veremos pelo gráfico na pagina ao lado que o que estava sendo revelado lá era maravilhoso demais. Quem via o acampamento lá do alto conseguia ver a organização das tribos, que por sua vez tem uma conexão muito forte com a cruz, pois esse era o desenho que se formava no acampamento. Isso mesmo, uma cruz. Que tipologia esplêndida. Como negar a existência do Cristo e o plano de salvação que estava sendo revelado anos antes de Cristo entre as tendas dos filhos de Israel? Balaão vivia entre as tribos, mas não conseguia ver as maravilhas de Deus, pois não O olhava de uma forma absoluta e contemplativa. Algumas pessoas, assim como o profeta, deixam de contemplar o nosso Salvador e Suas maravilhas que estão espalhadas por toda a Bíblia em cada versículo só porque não a olham como um todo, como uma obra única e completa. 151.450 157.500 MATERIAIS DO TABERNÁCULO Capítulo 7 Relembrando que para que o tabernáculo fosse construído foi necessária mão de obra especializada, medidas e muitos materiais específicos. Uma lista desses materiais foi feita, exatamente da forma que Deus pediu. Esses materiais foram entregues a Moisés pelo povo, e isso voluntariamente, pois um coração voluntário era a exigência primordial. É interessante voltarmos à narrativa bíblica do evento que aconteceu com o povo durante o tempo que esperavam por Moisés, enquanto ele estava com o Senhor no Monte Sinai. O povo ansiava uma resposta rápida, e Moisés ficara no monte por 40 dias, que se pareceram dias eternos para um povo ansioso e obstinado. Como o coração do ser humano é enganoso! Tentaram se esquecer do Libertador e usaram o ouro que tinham despojado dos egípcios para fazerem um ídolo. Um bezerro de ouro para que pudessem adorar e clamar. Assim fizeram e terrivelmente lhes sobreveio a angústia das consequências. O ouro de Israel é o ouro das nossas vidas. A perfeita vontade do Senhor é que o ouro que Ele mesmo nos concedeu de antemão, que são os nossos dons, talentos e ministérios, fosse usado para a glória dEle no tabernáculo. Infelizmente, com muita frequência não os usamos de forma correta. Por causa da nossa ansiedade e autodependência. Vivemos em um tempo de escândalos ministeriais, onde o “ouro” é usado como símbolo de idolatria em nossas congregações, e não de benção para o povo. Cantores e expositores da Palavra corrompidos pela glória desta terra. Creio que a igreja pertence ao Senhor, e assim como Ele enviou Moisés para intervir naquela situação, Ele nos enviará Sua Palavra. SIMBOLISMOS Existe um amplo simbolismo nos materiais que deveriam ser recolhidos entre o povo e entregues à Moisés para a construção. Essa lista se encontra no livro de Êxodo 25, versos 3 ao 7: “Estas são as ofertas que deverá receber deles: ouro, prata e bronze, fios de tecidos azul, roxo e vermelho, linho fino, pêlos de cabra, peles de carneiro tingidas de vermelho, couro, madeirade acácia, azeite para iluminação; especiarias para o óleo da unção e para o incenso aromático; pedras de ônix e outras pedras preciosas para serem encravadas no colete sacerdotal e no peitoral.” (NVI). OURO O primeiro item da lista era o ouro. O metal mais precioso de todos os tempos. Seu simbolismo está ligado diretamente à divindade e à perfeição. Apontando para o Deus Espírito Santo. Podemos nos perguntar: E de onde veio tanto ouro? A resposta é bem simples, pois esse ouro veio do Egito, por um ato de despojamento: “Os israelitas obedeceram à ordem de Moisés e pediram aos egípcios objetos de prata e de ouro, bem como roupas. O Senhor concedeu ao povo uma disposição favorável da parte dos egípcios, de modo que lhes davam o que pediam; assim eles despojaram os egípcios.” (Êxodo 12:35-36, NVI). PRATA O segundo material da lista é a prata. Nela está um símbolo de redenção e de entrega total. A prata era usada para o resgate dos primogênitos do serviço sacerdotal e na compra de escravos. Aponta para Jesus, o Deus Filho. Jesus foi vendido por preço de prata, 30 moedas, valor de redenção dos primogênitos: “Então Judas, aquele que o traíra, vendo que Jesus fora condenado, devolveu, compungido, as trinta moedas de prata aos anciãos, dizendo: Pequei, traindo o sangue inocente. Responderam eles: Que nos importa? Seja isto lá contigo.” (Mateus 27:3-4, AA). COBRE O terceiro material usado no tabernáculo é o cobre. Este é o símbolo do julgamento divino. Apontando para a humilhação vicária de Cristo e como esse ato saciou a justiça divina. Vemos aqui a figura do Deus Pai e Juiz Soberano: “Fez, pois, Moisés uma serpente de bronze, e pô-la sobre uma haste; e sucedia que, tendo uma serpente mordido a alguém, quando este olhava para a serpente de bronze, vivia.” (Números 21:9, AA). “E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado.” (João 3:14, JFA). CORANTES Nessa lista se encontra o nome de alguns corantes; muitas cores foram usadas na construção. Essas cores estavam presentes nas cortinas internas e externas, nos véus das portas, nas vestes dos ministrantes e nos panos que cobriam os móveis. AS CORES CARREGAM UM SIMBOLISMO MARAVILHOSO: Azul: A cor azul aponta para a Lei e as moradas celestiais. A Arca da Aliança era coberta de pano azul enquanto transportada. O azul é a cor daquele que é celestial. O ministério celestial de Cristo. Púrpura: A cor púrpura usada no tabernáculo aponta para a realeza e a beleza dos reis. O Filho do homem e Seu Reino sempiterno. O altar de bronze era coberto por púrpura ao ser transportado. A cor púrpura está ligada à poder e autoridade. As roupas de Daniel e Mardoqueu eram púrpuras. “Então Belsazar deu ordem, e vestiram a Daniel de púrpura, puseram-lhe uma cadeia de ouro ao pescoço, e proclamaram a respeito dele que seria o terceiro em autoridade no reino.” (Daniel 5:29, JFA). “Então Mardoqueu saiu da presença do rei, vestido de um traje real azul celeste e branco, trazendo uma grande coroa de ouro, e um manto de linho fino e de púrpura, e a cidade de Susã exultou e se alegrou.” (Ester 8:15, JFA). O Novo Testamento cita uma cristã chamada Lídia. Ela era vendedora de púrpura. “E certa mulher chamada Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, e que temia a Deus, nos escutava e o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia.” (Atos 16:14). Carmesim: A cor carmesim é o simbolismo do sangue sacrificial que conduz à remissão dos pecados. Nela, vemos Jesus na cruz do calvário, que carregou o pecado de muitos. A mesa dos pães era coberta de carmesim enquanto era transportada. A cor carmesim nos traz preceitos extremamente maravilhosos. Ela é única e especial. O modo que essa coloração toma forma me atraiu muito. Vamos ao texto em hebraico de Êxodo 25, verso 4. A palavra hebraica para escarlate é tolá shani: “estofo azul, púrpura, carmesim (tolá shani), linho fino, pêlos de cabras”. O texto se refere a cor do pigmento extraído de um verme. Isso mesmo, de um verme. Pois sabemos que todas as cores usadas no tabernáculo tinham uma origem animal ou vegetal, afinal, estamos falando da cultura antiga do Oriente Médio. Tolá shani é o termo usado para falar dessa coloração, e sua referência no Dicionário Hebraico Strong está no 8438. Uma tradução literal da palavra seria assim: “o esplendor escarlate de um verme”. O verme citado no texto é o coccus ilicis. A forma como esse verme faz a coloração é, de fato, deslumbrante. A biologia nos diz que é o corpo da fêmea quem produz o corante escarlate. A coloração avermelhada é adquirida por um processo que o coccus ilicis passa, por isso é chamado de verme escarlate. Assim se dá o processo: a fêmea coccus ilicis, quando fecundada e pronta para se reproduzir, vai à procura de uma árvore para fazer seu casulo, de preferência um tronco de carvalho. Voluntariamente, ela sobe o tronco e segue seu desígnio. Ela se apega àquele tronco de tal maneira a criar um casulo bem sólido. A coccus ilicis sabe que será definitivamente ligada a ele. O objetivo principal de se apegar ao tronco e fazer uma espécie de casulo ou casca protetora é para esconder as suas larvas, ou seus futuros filhos. As larvas recém-nascidas ou os filhos da coccus ilicis ficam dentro do casulo, junto com a mãe, até criarem maturidade para viverem sozinhos do lado de fora. No período em que as larvas estão presas no casulo com a mãe e vão crescendo, elas se alimentam do corpo da mãe, que ainda está viva. Eles sabem que somente quando o verme escarlate (mãe) morre, é a hora de eles saírem do casulo. No fim de sua missão e no ato de sua morte, é criado dentro do casulo o pigmento escarlate. Este é um pigmento tão forte que o tronco e seus filhos ficam manchados por ele pelo resto de suas vidas. A cor escarlate é feita no momento de sua morte. Como um sinal de que a mãe, dignamente, havia dado a vida em favor de seus filhos. Ao subir no carvalho, o verme escarlate sabe que não sairá de lá com vida. Uma linda figura do que aconteceu com Cristo na cruz e nós, os Seus filhos. Mas onde está Jesus nesse conceito? Pois bem, vemos essa comparação em um dos salmos messiânicos. No salmo 22, no verso 6 está escrito: “Eu sou um verme (tolá)”. A palavra hebraica para verme é tolá, o verme escarlata. Uma tipologia do Cristo que deu a vida para os Seus filhos e que se entregou como um sacrifício para muitos. Jesus disse em João, capítulo 10, versos 17 e 18: “[...] Eu dou a minha vida...”. Jesus nos alimenta com Seu corpo e Seu sangue. A nossa comunhão restaurada com o Pai foi feita pela Nova Aliança através do sangue do Cordeiro inocente. A cor escarlata que saiu do Cristo sofredor quando Ele morreu deixou as marcas de salvação na Sua igreja. Somos manchados por Seu sangue. O autor da carta aos Hebreus, no capítulo 2, no verso 20 nos afirma o seguinte: “Pois Deus, que cria e sustenta todas as coisas, fez o que era apropriado e tornou Jesus perfeito por meio do sofrimento. Deus fez isso a fim de que muitos, isto é, os seus filhos, tomassem parte na glória de Jesus. Pois é Jesus quem os guia para a salvação.” (NTLH). Quanta agonia Cristo sofreu na cruz! Um ato de amor realizado para que pudéssemos cantar num só coro harmônico e O adorar: “Há poder, sim, força e vigor neste sangue de Jesus”. A linda jornada do coccus ilicis ainda não se findou. Após dar a sua vida naquele madeiro, ela passa por uma grande metamorfose no terceiro dia após sua morte. Ela perde a coloração e se transforma em uma cera totalmente branca, que agora não tem mais a forma de um verme. Ela se desgruda do tronco e cai no chão, branca como a neve. Não há como não citarmos o que diz o profeta Isaías, no capítulo 1 e no verso 18: “[...] ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, tornar-se-ão como a lã.” (AA). Parece que profeta Isaías fez uma pequena referência ao processo do verme escarlata (coccus ilicis) para nos mostrar o plano de redençãodivina. Oh, glória! Morte e ressurreição. Condenação e redenção. Quantos preceitos eternos e divinos são encontrados em um único vermezinho, que assim como Cristo, se entrega por muitos derramando o seu sangue. Após passar três dias na tumba, Ele ressuscitou e subiu aos céus com Seu corpo glorificado. Alguns tecidos também foram requisitados na lista. Tecidos finos, como o linho branco, que é um símbolo de pureza e santidade. O linho branco cobria todo o lado de fora do tabernáculo, como um muro que delimita o acesso tanto das 12 tribos de Israel, quanto do homem comum que se encontrava do lado de fora. Esse linho branco aponta para uma justiça plena e inatingível. Se alguém quisesse se encontrar com Deus, que habitava lá dentro, ele não poderia pular os muros da justiça própria, pois só existia uma porta de acesso. Falaremos dela mais adiante. O homem não foi criado do lado de fora da “habitação plena de Deus”, ele foi criado dentro, no Jardim do Éden. O homem foi expulso da “presença plena de Deus”, afinal de contas, o Jardim do Éden representa a comunhão plena e sem intermediários, e foi colocado para fora após sua queda. Existe dentro de cada pessoa o desejo de voltar ao Jardim, ao que outrora era a plena e perfeita comunhão com o Criador. TECIDOS PELOS DE CABRAS: Alguns tecidos foram requeridos com a finalidade de cobrir a tenda. Um deles é o pelo de cabras. Este simboliza o pecador. Aponta para os injustos. “Todas as nações serão reunidas diante dele, e ele separará umas das outras como o pastor separa as ovelhas dos bodes.” (Mateus 25:32, NVI). José teve sua capa manchada com sangue de um cabrito. Figura de Cristo carregando sobre Si os nossos pecados. “Então eles mataram um bode, mergulharam no sangue a túnica de José.” (Gênesis 37:31, NVI). PELES DE CARNEIRO: As peles de carneiro carregam o símbolo dos que foram salvos. Símbolo da igreja de Cristo, que é composta de gentios e de judeus. “Junto com os pães apresentem sete cordeiros, cada um com um ano de idade e sem defeito, um novilho e dois carneiros. Eles serão holocausto ao Senhor, juntamente com as suas ofertas de cereal e ofertas derramadas; é oferta preparada no fogo, de aroma agradável ao Senhor.” (Levítico 23:18, NVI). Essas cortinas de carneiro eram tintas de vermelho. Assim como o Cristo vencedor tem as vestes salpicadas de sangue: “Está vestido com um manto tingido de sangue, e o seu nome é Palavra de Deus.” (Apocalipse 19:13, NVI). No Éden, após a queda, Adão foi vestido por Deus com peles, provavelmente de carneiro. O texto referente às roupas que Deus fez para Adão é Gênesis, capítulo 3, verso 21: “E o Senhor Deus fez túnicas de peles para Adão e sua mulher, e os vestiu” (AA). A palavra usada em hebraico é kuttoneth, referência no Dicionário Hebraico Strong 3801, que traz um sentido literal de: “roupa usada para cobrir ou túnica comprida, geralmente de linho”. O comentarista de Cambridge Bible for Schools and Colleges diz: “O verso presente dá a explicação tradicional da origem da roupa. A palavra ‘casacos’ dificilmente representa o hebraico tão bem como ‘túnicas’. O hebraico Kuttoneth era uma espécie de camisa sem mangas, chegando até os joelhos.”. A narrativa bíblica diz que José do Egito ganhou uma túnica de mangas longas de seu pai, e a princesa Tamar, filha do rei Davi, também usava uma túnica de mangas longas. “Israel amava mais a José do que a todos os seus filhos, porque era filho da sua velhice; e fez-lhe uma túnica de várias cores.” (Gênesis 37:3, AA). “Ora, trazia ela uma túnica talar; porque assim se vestiam as filhas virgens dos reis. Então o criado dele a deitou fora, e fechou a porta após ela. Pelo que Tamar, lançando cinza sobre a cabeça, e rasgando a túnica talar que trazia, pôs as mãos sobre a cabeça, e se foi andando e clamando.” (2 Samuel 13:18- 19, AA). PELES DE GOLFINHO OU TEXUGO: Um outro material requerido, bem útil no deserto, são as peles de golfinho ou texugo. As peles de golfinho eram comercializadas no antigo Oriente Médio por causa da sua durabilidade. Elas carregam um símbolo de força e resistência contra as ações do tempo. As peles de golfinho eram importadas. Não eram nativas do deserto. Nos deparamos com um princípio cristão muito profundo, que anos mais tarde Paulo usou em suas cartas, dizendo que somos peregrinos nesta terra: “A nossa cidadania, porém, está nos céus, de onde esperamos ansiosamente o Salvador, o Senhor Jesus Cristo.” (Filipenses 3:20, NVI). A pele de golfinho era usada como matéria-prima nos calçados dos filhos de Israel na caminhada pelo deserto: “Pus-lhe um vestido bordado e sandálias de couro (possivelmente peles de animais marinhos).” (Ezequiel 16:10a, NVI). O texto se refere àqueles sapatos que cresciam nos pés dos caminhantes do deserto e não se consumiram por 40 anos: “Quarenta anos vos fiz andar pelo deserto; não se envelheceu sobre vós a vossa roupa, nem o sapato no vosso pé.” (Deuteronômio 29:5, AA). Não há como passarmos por esse texto e não falarmos da suficiência do Evangelho de Cristo. Os reformadores chamam essa suficiência de Sola Scriptura, onde exaltam a Bíblia e sua primazia absoluta sobre a igreja cristã. O apóstolo Paulo em sua carta aos Efésios, capítulo 6, no verso 15 diz: “Calçados os pés na preparação do evangelho da paz.” (ACF). A conexão dos sapatos duradouros dos filhos de Israel e o calçado do cristão está na suficiência e durabilidade. Assim como os peregrinos do deserto não trocaram seus calçados, os cristãos também são alertados a não negarem o Evangelho durante a caminhada. Paulo nos ensinou esse princípio primordial e essencial em sua carta aos Gálatas, capítulo 1 e verso 8: “Contudo, ainda que nós ou mesmo um anjo dos céus vos anuncie um evangelho diferente do que já vos pregamos, seja considerado maldito!” (KJA). A proteção necessária para os nossos pés durante a jornada cristã é a Bíblia. Os filhos de Israel que olhassem para o tabernáculo no deserto viam somente as cortinas externas, principalmente as cortinas de pele de golfinho. Não havia beleza ou formosura nesse tipo de cobertura, contudo, ela durou por cerca de 500 anos sem ser substituída. Elas representam a rejeição e humilhação presentes no ministério terreno de Cristo: “Era desprezado, e rejeitado dos homens; homem de dores, e experimentado nos sofrimentos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum.” (Isaías 53:3, AA). As peles de carneiro e as peles de cabras estão embaixo e não eram contempladas por ninguém. Um conceito ligado à redenção. Elas representam o sacrifício vicário de Cristo. A visão do sacerdote que adentrava o tabernáculo era bem diferente do que se podia ser avistado do lado de fora. Ele via as cortinas de linho branco com bordados, com querubins nas cores azul, púrpura e carmesim. Eram lindas e representavam a beleza de Cristo e Sua glória. Esses materiais formavam as coberturas externas do tabernáculo, que curiosamente passaram a ser moradas de pássaros. O poeta, no salmo 84 e verso 3, diz: “Até o pardal encontrou casa, e a andorinha ninho para si, onde ponha seus filhos, até mesmo nos teus altares, Senhor dos Exércitos, Rei meu e Deus meu.” (ACF). O tabernáculo também servia de ninho para alguns pássaros do deserto: “Respondeu-lhe Jesus: As raposas têm covis, e as aves do céu têm ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça.” (Mateus 8:20, AA). ACÁCIA Na lista dos materiais requeridos, temos também a madeira de acácia. Um simbolismo da natureza humana. A acácia é uma árvore linda e cheia de espinhos. Vemos a ilustração da igreja, que é composta de pecadores arrependidos que alcançaram salvação por meio da graça maravilhosa que há na perfeição de Cristo. AZEITE O tabernáculo precisaria de materiais para manter a ordem do culto diário, como o óleo ou azeite de oliva. O azeite seria usado para a unção e para suprir o candelabro. Portanto, é um simbolismo da unção e do ministério do Espírito Santo, que nos capacita para a caminhada cristã diária. O óleo tambémtinha a finalidade de dar liga às especiarias usadas para fazer o incenso aromático. MIRRA A mirra é a primeira na lista das especiarias para o incenso: “Junte as seguintes especiarias: seis quilos de mirra líquida, a metade disso, ou seja, três quilos de canela, três quilos de cana aromática, seis quilos de cássia, com base no peso padrão do santuário, e um him de azeite de oliva (o him era uma medida de capacidade para líquidos. As estimativas variam entre 3 e 6 litros.). Faça com eles o óleo sagrado para as unções, uma mistura de aromas, obra de perfumista. Este será o óleo sagrado para as unções.” (Êxodo 30:23-25, NVI). A mirra sai de uma árvore espinhosa e que no inverno perde suas folhas, é extraída por golpes em seu tronco. Porém, a que tem mais valor é a que fluía naturalmente entre as cascas do tronco. Um material muito valioso. Ela era amarga em seu sabor, porém exalava um perfume suave. Também é medicinal, tem poder antisséptico e apazigua a dor. A língua dos salvos gotejam mirra: “Suas faces são como um jardim de especiarias que exalam perfume. Seus lábios são como lírios que destilam mirra.” (Cantares 5:13, NVI). CANELA A canela também fazia parte dos pós aromáticos, por causa de sua doçura e fragrância. A parte usada era a casca interna da planta. A canela simboliza a vida ética. O nosso testemunho íntimo. As pessoas que convivem conosco precisam sentir doçura e bom perfume em nossos atos, por mais corriqueiros que estes sejam. CÁLAMO Outro pó aromático é o cálamo. Dessa planta aromática é usado o miolo. A obra do Espírito Santo na santificação da igreja, a mudança que Ele opera em nosso caráter. O cálamo nos direciona a pensarmos nas intenções do nosso coração, pois os pensamentos que dele procedem, por mais íntimos que sejam, não podem ser encobertos do Espírito Santo. CASCA DA ACÁCIA O último dos aromas listados é a acácia. Dessa planta era usada a casca externa. Simbolismo de um caráter cristão extrínseco. A igreja contemporânea é mensageira das boas novas quando Jesus for anunciado por meio de nossa conduta e forma de agir na sociedade. Nossas vestimentas precisam representar quem somos em Cristo. Se realmente sou uma testemunha de Cristo, minha conduta ética a revelará. Contudo, a pós- modernidade fomenta o contrário. PEDRAS PRECIOSAS Algumas pedras preciosas compunham a lista de Moisés, elas seriam usadas na veste sacerdotal. Essas pedras serão detalhadas em outro capítulo do livro, onde trataremos sobre vestes sacerdotais. As pedras são um símbolo de intercessão e de aliança. MESTRE DE OBRAS Todos esses materiais valiosos e com todas as exigências, que por vezes chegam a ser exageradas em suas minúcias, não poderiam ser entregues a um mestre de obras qualquer. Deus acertou quando chamou Moisés, porque ele não era um indouto, pelo contrário, havia sido criado como príncipe no Egito e por 40 anos teve acesso a todas as ciências egípcias da época. A história nos conta que a civilização egípcia era muito avançada em tecnologia e ciência: “Moisés foi educado em toda a sabedoria dos egípcios e veio a ser poderoso em palavras e obras.” (Atos 7:22, NVI). Deus permitiu que Moisés fosse preparado para ser um rei egípcio, para que no momento oportuno, esse conhecimento trouxesse esperança para Israel. Moisés tinha plena capacidade de arquitetar e construir uma tenda para o culto ao Senhor, contudo, não o fez. O arquiteto foi o Grandioso Engenheiro Jeová. A planta foi Deus quem fez. Moisés foi o mestre de obras, avaliando cada detalhe para garantir que estivesse de acordo com a planta apresentada no Monte Sinai. Mesmo com todas as nossas capacidades, dons e talentos, se tentarmos construir nossos próprios tabernáculos de adoração ao Senhor fora dos parâmetros divinos, não alcançaremos sucesso. É Deus quem nos diz o que fazer, como viver, como adorar e como caminhar na jornada desta vida. Ele é o arquiteto da nossa história. Não seremos aceitos se não respeitarmos esses limites. A plenitude de Deus não virá sobre nós se tentarmos construir nossos próprios rumos. Distante dos parâmetros pré-estabelecidos por Deus, nos resta sermos infrutíferos, amargos e infelizes. A glória de Deus veio sobre o tabernáculo quando inaugurado. É preciso lembrar que a glória de Deus não viria àquele lugar se não fosse construído de acordo com Sua vontade. A vontade de Deus é boa, é perfeita e agradável: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12:2, NVI). O MINISTÉRIO LEVÍTICO Capítulo 8 O ministério levítico recebeu este nome por causa da única tribo dentre as 12 tribos de Israel que trabalhava no ministério sacerdotal por escolha divina: a tribo de Levi. Afinal, como se deu essa escolha divina? O capítulo 32 de Êxodo exigirá nossa atenção no desenrolar desse evento. Este é um capítulo muito rico em informações e conceitos que nos servirão de suporte para melhor assimilação. Tudo começou quando o povo de Israel aguardava no pé do Monte Sinai a volta de Moisés, que estave no monte por 40 dias. Essa narrativa aparece em Êxodo, do capitulo 24 até o 31, onde o texto relata o que acontecia no monte entre Deus e Moisés naqueles dias, tem seu desfecho no capítulo 32 onde o holofote principal da narrativa bíblica é lançado sobre o povo de Israel. O texto sagrado nos diz que eles não sabiam o que havia acontecido com Moisés. Se ele voltaria ou quando voltaria. Eles se sentiram abandonados. Arão estava no meio daquele povo e por um momento de fraqueza, ele deixou de olhar para o Sinai e passou a ouvir a voz do povo que clamava por uma resposta rápida. A mesma situação aconteceu anos atrás com Adão e Eva no Jardim do Éden. Seus próprios desejos foram os geradores do engodo. Arão pede o ouro daquele povo e com ele fabrica um ídolo. Não um ídolo qualquer, mas um ídolo que tomaria o lugar de Deus em suas orações. Forjaram um bezerro de ouro (tinham o que adorar). Construíram um altar para o bezerro (tinham um lugar de adoração). Prepararam uma festa para o bezerro (eles sabiam como adorar o ídolo). Eles não precisaram de instruções para fazer isso, pois a natureza humana é dotada de criatividade. Infelizmente, uma criatividade que se revela maligna contra o seu Criador. A igreja contemporânea insiste em cair nessa mesma armadilha do inimigo, assim como o povo recém tirado da escravidão. A igreja não sabe quando Cristo voltará. Pior pensar que também existem aqueles que não creem que Ele voltará. Caem na armadilha do próprio coração. Pessoas contaminadas por seus enganos, que usam seus dons e talentos para criar ídolos para si, quando não fazem de si mesmos seus próprios ídolos. A atual e enganosa teoria da prosperidade diz para o fiel o que ele deve adorar (o dinheiro), onde ele deve adorar (traga no altar seu dinheiro) e como adorar (entregando tudo em sacrifício). Essa prática é um insulto à suficiência salvífica de Cristo. A ganância por prosperidade em nome de Cristo é uma farsa que diz constantemente aos seus fiéis: “Traga tudo o que você tem em suas mãos para o altar, porque tudo isso se multiplicará”. Porém, se esquecem de dizer aos fiéis que tudo aquilo será o seu ídolo daquele momento em diante, será seu objeto de desejo profundo e será o seu deus. Um deus de barganha, um simples bezerro de ouro que ludibria os caminhantes do deserto da vida. A cultura do Oriente Médio antigo é cheia de associações de bois e bezerros com as divindades. Alguns comentaristas dizem que a intenção do povo não era substituir o Senhor, mas substituir Moisés, o mediador. Muitos estão em busca de um novo mediador, procuram pelos ídolos deste mundo e se esquecem dAquele que deu a vida por eles. Não se lembram da água viva que sacia eternamente. Não se lembram do pão vivo que desceu do céu. Muitos cristãos contemporâneos estão completamente esquecidos dAquele que subiu aos céus e que em breve voltará. E o Espírito Santo é o ouro que Deus nos deu.Ele estará conosco até a consumação dos séculos. Enquanto Deus planejava usar o ouro para cobrir a Arca e os utensílios sagrados, o inimigo usava o ouro deles para promover idolatria. O inimigo quer nossos dons e talentos, e nos convencer a usá-los para a glória deste mundo vil. O coração enganoso te diz: “Não use seus dons para Deus, não os use na igreja. Você canta tão bem e na igreja ninguém te reconhece. Você escreve tão bem e na literatura cristã há pouco espaço para seus livros. Olhe essas canções, como são lindas! Componha para o mundo e muitos te amarão”. Vivemos em uma geração que pensa ser melhor, objetiva reluzir mais que todos os cristãos à sua volta, e desse pensamento desprezível surge o movimento dos desigrejados. Os desigrejados são cristãos, confessam a fé em Cristo, mas não suportam os irmãos. Não precisa ser mestre em Teologia para perceber o embuste de satanás por detrás desse movimento. Como amar a Deus e não amar meu irmão? Responda essa pergunta a você mesmo e seja sincero. De volta ao pé do Monte Sinai, temos uma grande festa acontecendo para o bezerro. Um grande quadro de caos e orgia entre os filhos de Israel: “O povo se assentou para comer e beber, e levantou-se para se entregar à farra.” (Êxodo 32:6b, NVI). Deus orientou Moisés que descesse depressa, pois o povo estava se corrompendo. Ao se aproximar do arraial, pôde ouvir o som das danças e da adoração. Ao avistar aquele bezerro de ouro sendo adorado, Moisés se inflama em ira e quebra as tábuas da Lei que estavam em suas mãos. Moisés veio para consertar aquela situação. Primeiro, ele intercede por Israel diante de Deus. Depois, quebra e derrete aquele bezerro de ouro, fazendo-o virar pó. O pó é derramado sobre as fontes de água. O povo idólatra bebeu da água com as cinzas do bezerro. O objetivo desse ato era simples, adquirir o perdão do Senhor através daquela atitude de arrependimento. O objetivo de traçar este contexto é o ministério levítico. A chave do texto com relação ao chamado dos levitas está no versículo 26 do capítulo 32 de Êxodo, que diz: “Quem é do Senhor que venha a mim. Então se ajuntaram a ele todos os filhos de Levi.”. Antes da tribo de Levi se apresentar a Moisés, Deus havia separado o ofício de ministrar perante o Senhor no tabernáculo para os primogênitos dos filhos de Israel. Naquele momento, Deus os resignou do cargo. Deus escolheu a tribo de Levi para o sacerdócio, embora que, aparentemente, este não fosse o plano primário. Seria uma função de primogênitos hebreus. Números, capítulo 3, versos 40 ao 45 fala sobre esse princípio de primogenitura. E para a resignação do serviço sacerdotal, era preciso um resgate dos primogênitos: “E o Senhor disse a Moisés: Conte todos os primeiros filhos dos israelitas, do sexo masculino, de um mês de idade para cima e faça uma relação de seus nomes. Dedique a mim os levitas em lugar de todos os primogênitos dos israelitas, e os rebanhos dos levitas, em lugar de todas as primeiras crias dos rebanhos dos israelitas. Eu sou o Senhor. E Moisés contou todos os primeiros filhos dos israelitas, conforme o Senhor lhe havia ordenado. O número total dos primeiros filhos do sexo masculino, de um mês de idade para cima, relacionados pelo nome, foi 22.273. Disse também o Senhor a Moisés: Dedique os levitas em lugar de todos os primogênitos dos israelitas, e os rebanhos dos levitas em lugar dos rebanhos dos israelitas. Os levitas serão meus. Eu sou o Senhor”. Houve um censo com o propósito de resgate e os primogênitos contados foram 22.273 homens, e os levitas contados foram 22.000 homens. Eram contadas crianças a partir de um mês: “Conte os levitas pelas suas famílias e clãs. Serão contados todos os do sexo masculino de um mês de idade para cima.” (Números 3:15, NVI). A diferença entre eles foi de 273 primogênitos a mais que os levitas, e por esta razão foi cobrado o valor de resgate. Os primogênitos deveriam ser resgatados do dever ministerial, e então pagar o preço estipulado por essa redenção. A prata deveria ser usada como pagamento e o valor era de aproximadamente 70 gramas, ou 5 ciclos: “Os que deles se houverem de remir, desde a idade de um mês os remirás, segundo a tua avaliação, por cinco siclos de dinheiro, segundo o siclo do santuário, que é de vinte jeiras.” (Números 18:16, AA). Não há como avaliar essa quantia de prata em valores atuais, embora alguns estudiosos digam que um siclo corresponderia a um mês de salário de um trabalhador braçal. A prática de pagamento pelos primogênitos foi introduzida após o Senhor livrá-los da morte no Egito. No livro de Êxodo, capítulo 13 e versos 11 ao 16, o escritor do texto sagrado explica o motivo e o propósito dos primogênitos oferecerem prata ao Senhor, era o agradecimento pela vida. O primogênito era separado como posse peculiar (separado) do Senhor. O pagamento era para efetuar a dispensa desses primogênitos do serviço sacerdotal, que agora está nas mãos da tribo de Levi. “Depois que o Senhor os fizer entrar na terra dos cananeus e entregá-la a vocês, como jurou a vocês e aos seus antepassados, separem para o Senhor o primeiro nascido de todo ventre. Todos os primeiros machos dos seus rebanhos pertencem ao Senhor. Resgatem com um cordeiro toda primeira cria dos jumentos, mas se não quiser resgatá-la, quebrem-lhe o pescoço. Resgatem também todo primogênito entre os seus filhos. No futuro, quando os seus filhos lhes perguntarem: ‘Que significa isto?’, digam-lhes: Com mão poderosa o Senhor nos tirou do Egito, da terra da escravidão. Quando o faraó resistiu e recusou deixar-nos sair, o Senhor matou todos os primogênitos do Egito, tanto os de homens como os de animais. Por isso sacrificamos ao Senhor os primeiros machos de todo ventre e resgatamos os nossos primogênitos. Isto será como sinal em sua mão e símbolo em sua testa de que o Senhor nos tirou do Egito com mão poderosa. (NVI)” Em outras ocasiões, o pagamento pelo resgate está relacionado a viúvas, a propriedades e aos escravos: “As mulheres disseram a Noemi: Louvado seja o Senhor, que hoje não a deixou sem resgatador! Que o seu nome seja celebrado em Israel!” (Rute 4:14, NVI). “Se, contudo, um homem não tiver quem lhe resgate a terra, mas ele mesmo prosperar e adquirir recursos para resgatá-la.” (Levítico 25:26, NVI). “Se um estrangeiro ou um residente temporário entre vocês enriquecer e alguém do seu povo empobrecer e se vender a esse estrangeiro ou a alguém que pertence ao clã desse estrangeiro, manterá o direito de resgate mesmo depois de se vender. Um dos seus parentes poderá resgatá-lo: ou tio, ou primo, ou qualquer parente próximo poderá resgatá-lo. Se, todavia, prosperar, poderá resgatar a si mesmo.” (Levítico 25:47-49, NVI). A boa notícia é que nós, a igreja, já quitamos essa dívida. O apóstolo Pedro em sua primeira carta, no capítulo 1 e versos 18 e 19, diz que fomos remidos. A nossa remissão não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, e sim mediante o sangue de Cristo: “Pois vocês sabem que não foi por meio de coisas perecíveis como prata ou ouro que vocês foram redimidos da sua maneira vazia de viver, transmitida por seus antepassados, mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha e sem defeito.” (1 Pedro 1:18-19, NVI). A BÊNÇÃO DE JACÓ SOBRE LEVI Os patriarcas do Antigo Testamento tinham o costume de abençoar cada filho. As bênçãos do pai foram um fator especial no ministério levítico. Os textos sagrados não estão em ordem cronológica, mas eles seguem uma linha histórica que se completa. Essa linha histórica segue as bênçãos proféticas de Jacó, pois todas essas bênçãos se concretizaram na vida da nação. Estas são as bênçãos que Jacó deixou para os filhos: O texto de Gênesis, capítulo 49, versos 5 ao 7 diz: “Simeão e Levi são irmãos; suas espadas são armas de violência. Que eu não entre no conselho deles, nem participe da sua assembleia, porque em sua ira mataram homens e a seu bel-prazer aleijaram bois, cortando-lhes o tendão. Maldita seja a sua ira, tão tremenda, e a sua fúria, tão cruel! Euos dividirei pelas terras de Jacó e os dispersarei em Israel.” (NVI). Simeão e Levi seriam espalhados em Israel. Anos mais tarde, a palavra de Jacó se cumpriu. Sabemos que logo após passarem 40 anos de peregrinação no deserto, Israel conquista a Canaã e divide a terra entre as 12 tribos. A tribo de Simeão era tão pequena em número, que viveram no meio da tribo de Judá e com os anos se mesclaram. Os levitas foram espalhados entre as tribos. Recebiam os dízimos e as ofertas do tabernáculo para a sobrevivência, como pagamento por ministrarem diante do Senhor no ofício sacerdotal. Não trabalhavam, não vendiam e nem compravam, pois a herança deles era o Senhor. Os levitas não tinham território em Canaã. Viviam em 48 cidades em todo Israel. Essas cidades levíticas são chamadas de cidades de refúgio, espalhadas por todas as tribos. Cumprindo a profecia de Jacó, os levitas não têm herança na terra de Israel. Oh, aleluia! Somos cidadãos do céu. “É por isso que os levitas não têm nenhuma porção de terra ou herança entre os seus irmãos; o Senhor é a sua herança, conforme o Senhor, o seu Deus, lhes prometeu.” (Deuteronômio 10:9, NVI). Paulo escreveu em sua carta aos Filipenses, capítulo 3, verso 20 que: “A nossa cidadania está nos céus. Não somos cidadãos deste mundo. Nossos pensamentos devem estar cativos à Deus. E por sermos cidadãos do céu, não podemos nos ocupar, ou nos embaraçar com as coisas deste mundo”. E continuando, em sua carta aos Filipenses, capítulo 4, verso 8, Paulo diz aos irmãos que: “Tudo o que for verdadeiro, tudo o que for nobre, tudo o que for correto, tudo o que for puro, tudo o que for amável, tudo o que for de boa fama, se houver algo de excelente ou digno de louvor, pensem nessas coisas” (NVI). TRÊS CLÃS Capítulo 9 A tribo de Levi se subdividia em três clãs, de acordo com a linhagem de seus filhos, Coate, Gérson e Merari. Dando origem aos coatitas, gersonitas e meraritas. Tanto as suas posições ao redor do tabernáculo, quanto quem seriam seus líderes e o que cada tribo deveria fazer foi muito bem explicado pelo Senhor. Deus deu ordenanças de cuidado sobre a família deles, a moradia e o ofício sacerdotal. Deus reitera o que fez no Éden com o primeiro casal. Deus passeava pelo Jardim e os visitava. Aquela era uma habitação do Senhor com Adão. O tabernáculo de Deus entre os homens. O Senhor deu a Adão um lugar para viver (Éden), deu a ele uma família (Eva) e também deu a ele um ofício (cuidar do Jardim). A manutenção do lugar de visitação do Senhor deve ser tida como ofício. E por falar em ofício, vamos ver quais eram os ofícios específicos dos levitas. Alguns deles eram somente os ajudantes dos sacerdotes. Nem todo levita era sacerdote, contudo, todo sacerdote era levita. Números, capítulo 4 e 8, mostra como os levitas seguiam em seu ofício. Cada clã cumpriu o seu chamado e trabalhou com excelência no que foi chamado a fazer. Os levitas começam a aprender com 25 anos e a servir com 30 anos. Aposentavam-se aos 50 anos. Depois de aposentados, eles trabalhavam como os mestres dos jovens aprendizes: “Isto diz respeito aos levitas: os homens de vinte e cinco anos para cima, aptos para servir, tomarão parte no trabalho que se faz na Tenda do Encontro, mas aos cinquenta anos deverão afastar-se do serviço regular e nele não mais trabalharão. Poderão ajudar seus companheiros de ofício na responsabilidade de cuidar da Tenda do Encontro, mas eles mesmos não deverão fazer o trabalho. Assim você designará as responsabilidades dos levitas.” (Números 8:24-26, NVI). OS COATITAS – Eles cuidavam dos utensílios sagrados. A Arca, a mesa, o castiçal, os altares e o véu com que ministravam. O sacerdote Eleazar, filho de Arão, os liderava (Números 4:1-49). O primeiro dos objetos a ser transportado era a Arca. Em seguida, a mesa dos pães, o candelabro e o altar de ouro. Esses eram os primeiros a serem retirados do tabernáculo quando começavam uma nova jornada no deserto. Esses 4 móveis eram cobertos com pano azul. Lembrando que eram os sacerdotes que cobriam os objetos. Os levitas só podiam tocar nos varais. Somente o sumo sacerdote era autorizado a cobrir a Arca e colocar os varais nela. Ela era santíssima. Todos os objetos sagrados tinham varais, e por eles os levitas faziam o transporte. Andavam com eles em seus ombros, não importasse a distância a ser percorrida, pois era estritamente proibido que vissem ou tocassem neles. O altar de bronze e a pia de bronze que faziam parte do átrio eram cobertos com pano púrpura. Isso nos faz lembrar do episódio ocorrido enquanto o rei Davi tenta resgatar a Arca que estava com os filisteus de volta para Israel: “Quando chegaram à eira de Quidom, Uzá esticou o braço e segurou a arca, porque os bois haviam tropeçado. A ira do Senhor acendeu-se contra Uzá, e ele o feriu por ter tocado na arca. Uzá morreu ali mesmo, diante de Deus.” (1 Crônicas 13:9-10, NVI). O texto sagrado nos diz que eles queriam transportar a Arca para Jerusalém nas costas de bois. E, previsivelmente, o final foi trágico. Uzá, um dos levitas que acompanhavam o cortejo, tentou proteger a Arca com suas mãos. Ao fazer o que não deveria ser feito, a morte foi ao encontro de Uzá naquele momento. Havia uma grande preocupação quanto ao clã dos coatitas. Israel precisava cuidar para que nunca faltasse essa geração: “O Senhor disse ainda a Moisés e a Arão: Não permitam que o ramo dos clãs coatitas seja eliminado dentre os levitas.” (Números 4:18, NVI). Os coatitas tinham como função a preparação dos pães da proposição todo sábado, para os depositar no Santo Lugar: “E dentre os coatitas, seus irmãos, alguns estavam encarregados de preparar os pães que eram postos sobre a mesa todo sábado.” (1 Crônicas 9:32, NVI). A igreja de Cristo deve manter o pão continuamente sobre o altar. O povo está faminto por ouvir a Palavra de Deus: “Estão chegando os dias, declara o Senhor, o Soberano, em que enviarei fome a toda esta terra; não fome de comida nem sede de água, mas fome e sede de ouvir as palavras do Senhor. Os homens vaguearão de um mar a outro, do Norte ao Oriente, buscando a palavra do Senhor, mas não a encontrarão.” (Amós 8:11-12, NVI). A NUVEM OS GUIAVA. A TROMBETA OS ORIENTAVA Os textos sagrados relatam a forma em que as tribos se repartiam ao redor do tabernáculo, está descrito em Números 4. E a forma como eles se locomoviam no deserto durante a jornada rumo à Canaã está descrita em Números 10. No momento dessas narrativas, o povo estava vivendo no deserto do Sinai por aproximadamente 2 anos. O texto sagrado fala do som de trombetas que eram usadas para orientar e preparar as tribos em relação à uma nova jornada. Estamos falando de quase 2 milhões de pessoas, com filhos, seus idosos, seus rebanhos e suas tendas. Duas trombetas de prata foram confeccionadas. E por meio de seus sons variados, as tribos saberiam o que fazer. Assim se dividiam as funções dos sonidos das trombetas de prata: O toque de ambas as trombetas era um chamado para a congregação se achegar ao tabernáculo, chamamos de ajuntamento solene. O som de uma trombeta era o chamado para os príncipes das tribos e os líderes. O toque de ambas as trombetas com retinido era para que os acampamentos do oriente partissem (Judá, Issacar e Zebulom). E junto deles iam os gersonitas e os meraritas com o tabernáculo já desarmado. Na segunda vez que o sonido retinido fosse tocado, as tribos do sul deveriam partir (Rúben, Simeão e Gade). Junto deles, os coatitas com os objetos sagrados. Na terceira vez que a trombeta retinisse, as tribos do oeste deveriam partir (Efraim, Manassés e Benjamim). Na quarta vez que a trombeta retinisse, as tribos do norte deveriam partir (Dã, Aser e Naftali). O calendário judaico é lunar e bem diferente do calendário solar que usamos. No primeiro mês de cada ano judaico é feita a páscoa (Êxodo 12). A narrativa bíblica diz que no segundo mês judaico (Números 10), a nuvem de glória os levou para acampar em outro lugar. Ou seja, após as festas da páscoa. A nuvem sempre os guiou pelo deserto, indicandoo lugar do próximo acampamento: “No dia em que foi armado o tabernáculo, a tenda que guarda as tábuas da aliança, a nuvem o cobriu. Desde o entardecer até o amanhecer a nuvem por cima do tabernáculo tinha a aparência de fogo. Era assim que sempre acontecia: de dia a nuvem o cobria, e de noite tinha a aparência de fogo. Sempre que a nuvem se levantava de cima da Tenda, os israelitas partiam; no lugar em que a nuvem descia, ali acampavam. Conforme a ordem do Senhor os israelitas partiam, e conforme a ordem do Senhor, acampavam. Enquanto a nuvem estivesse por cima do tabernáculo, eles permaneciam acampados. Quando a nuvem ficava sobre o tabernáculo por muito tempo, os israelitas cumpriam suas responsabilidades para com o Senhor, e não partiam. Às vezes a nuvem ficava sobre o tabernáculo poucos dias; conforme a ordem do Senhor eles acampavam, e também conforme a ordem do Senhor, partiam. Outras vezes a nuvem permanecia somente desde o entardecer até o amanhecer, e quando se levantava pela manhã, eles partiam. De dia ou de noite, sempre que a nuvem se levantava, eles partiam. Quer a nuvem se detivesse sobre o tabernáculo dois dias, quer um mês, quer mais tempo, os israelitas permaneciam no acampamento e não partiam; mas, quando ela se levantava, eles partiam. Tanto acampavam quanto jornadeavam pela ordem direta do Senhor. Nesse meio tempo, cumpriam suas responsabilidades para com o Senhor, de acordo com as suas ordens, anunciadas por Moisés.” (Números 9:15-23, NVI). Segundo o mandado do Senhor através da nuvem, andavam ou paravam em ordem, segundo as suas posições e funções no tabernáculo. Ouvir o som de uma trombeta é um sinal muito aguardado pela igreja de Cristo na terra. Fomos alertados pelo apóstolo Paulo que ao som de uma trombeta, seremos arrebatados. Mudaremos de acampamento. Seremos guiados pela nuvem de glória do Senhor até as mansões celestiais. “Pois, dada a ordem, com a voz do arcanjo e o ressoar da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá dos céus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro.” (1 Tessalonicenses 4:16, NVI). OS GERSONITAS – Este era o clã que cuidava das cortinas, das coberturas, dos véus e das cordas. Tanto na manutenção diária, quanto no momento do transporte. Eles desmontavam e as montavam no lugar. O sacerdote Eliasafe os liderava. Êxodo, capítulo 26 traz detalhes das cortinas do tabernáculo. As 10 primeiras cortinas são de linho. Com bordados de querubins em azul, púrpura e carmesim. Em grupo de 5, as cortinas são ligadas uma à outra com colchetes de ouro. Essa cortina é vista de dentro do tabernáculo. Por cima dessa cobertura estão as cortinas de pelo de cabra. São 5 cortinas ligadas às outras 6 por meio de colchetes de cobre. Por ser maior, essa cortina tocava o chão. Por cima dessa cobertura eram colocadas cortinas de peles de carneiro pintadas de carmesim, e por último as cortinas de pele de texugo. Sobre essas duas camadas de cortinas não temos as medidas. Essas cortinas eram mantidas presas ao chão com estacas de prata e amarradas com cordas em suas bordas. Por esse tabernáculo ter sido construído no deserto, em uma cultura do antigo Oriente Médio, ele apresenta uma belíssima cobertura para o clima desértico. Ele foi arquitetado para ser protegido do sol escaldante, do frio noturno e dos fortes ventos de areia. E ainda servia de ninho para os pássaros da região. O salmista diz que o pardal encontrou casa, e as andorinhas ninhos nos altares do Senhor. Provavelmente, ele se referia aos ninhos que faziam em meio às cortinas do tabernáculo: “Até o pardal achou um lar, e a andorinha um ninho para si, para abrigar os seus filhotes, um lugar perto do teu altar, ó Senhor dos Exércitos, meu Rei e meu Deus.” (Salmos 84:3, NVI). A visão do tabernáculo não era bela por fora, o linho bordado estava por baixo. As cores da primeira cortina eram avistadas somente por aqueles que entravam no tabernáculo. Por fora não havia a formosura avistada lá dentro. Entendemos que a beleza de Cristo não estava por fora. Jesus, um carpinteiro de família pobre, teve poucos amigos e foi desacreditado por muitos. Foi tido como digno de morte. A tendência humana natural é embelezar o estereótipo. A beleza de Jesus é diferente. A beleza da Noiva é diferente. A igreja é despida de beleza para o mundo, por vezes é tida como descredibilizada. Frequentar os cultos é cansativo. Às vezes, a mensagem pregada não nos atrai, o louvor é longo. Esse é um sinal de que estamos olhando de fora para dentro. A visão é mudada quando estamos lá dentro e fazemos parte do corpo eclesiástico de Cristo. Lá dentro veremos a glória de Cristo manifesta na igreja. Veremos o poder da oração, o poder da adoração, o poder da união, o poder de bons conselhos, o poder do evangelismo, o poder que a Palavra carrega e o poder do Espírito Santo atuando. Nosso olhar sobre Cristo deve ser o de Cantares 5, versos 10 ao 16, que diz: “[...] Ele é totalmente desejável”. Enfim, o véu do tabernáculo era responsabilidade dos gersonitas. Era um véu que separava o Lugar Santo do Santíssimo Lugar: “Faça um véu de linho fino trançado e de fios de tecidos azul, roxo e vermelho, e mande bordar nele querubins. Pendure-o com ganchos de ouro em quatro colunas de madeira de acácia revestidas de ouro e fincadas em quatro bases de prata. Pendure o véu pelos colchetes e coloque atrás do véu a arca da aliança. O véu separará o Lugar Santo do Lugar Santíssimo. Coloque a tampa sobre a arca da aliança no Lugar Santíssimo. Coloque a mesa do lado de fora do véu, no lado norte do tabernáculo; e o candelabro em frente dela, no lado sul.” (Êxodo 26:31-35, NVI). O tabernáculo, mesmo em suas funções regulares, tinha muitas regras. Uma delas é o acesso ao Santíssimo Lugar, pois ninguém além do sumo sacerdote poderia adentrar por aquele véu. Esse véu era feito de linho fino branco, com bordaduras de querubins em azul, púrpura e carmesim. As cores têm simbolismos. O branco, a justiça de Cristo; o azul, a divindade de Cristo; a púrpura, a realeza de Cristo; e o carmesim, a redenção por meio do sacrifício de Cristo. Podem representar com facilidade os quatro evangelhos. O Cristo Rei em Mateus, O Cristo homem em Marcos, o Cristo servo em Lucas e o Cristo Deus em João. O véu fala da intermediação entre a lei e o ministério levítico, para que haja alcance de perdão dos pecados e de salvação. Nesse período de Lei, era absolutamente necessária essa mediação feita pelo sumo sacerdote. Somente ele entraria no Santíssimo Lugar e sairia vivo de lá, era impossível o acesso do povo pecador a Deus. Um fato muito lindo relatado pelo evangelista Mateus no capítulo 27 e versos 50 e 51 diz que o véu do templo se rasgou de alto a baixo quando Cristo consumou Sua obra na cruz; um terremoto assolou a região. Depois de o véu ser rasgado por Deus, pois foi rasgado de alto a baixo, todos nós temos acesso à presença de Deus. Acesso à comunhão plena e acesso à intimidade com Deus. Entendemos que não há mais o véu da Lei, que mediava e barrava o acesso, e que pela Graça proveniente de Cristo temos livre acesso ao Pai. Depois de ter bradado novamente em alta voz, Jesus entregou o espírito. Naquele momento, o véu do santuário rasgou-se em duas partes, de alto a baixo. A terra tremeu e as rochas se partiram. Já não precisamos de intermediação de sumos sacerdotes terrenos, Jesus é o nosso Sumo Sacerdote: “Quando, porém, veio Cristo como sumo sacerdote dos bens já realizados, mediante o maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, quer dizer, não desta criação.” (Hebreus 9:11, ARA). As cortinas do pátio estão descritas em Êxodo 27, versos 9 ao 19. Essas cortinas tinham suas medidas específicas: “Faça um pátio para o tabernáculo. O lado sul terá quarenta e cinco metros de comprimento, e cortinas externas de linho fino trançado, com vinte colunas e vinte bases de bronze, com ganchos e ligaduras de prata nas colunas. O lado norte também terá quarenta e cinco metros de comprimento e cortinas externas, com vinte colunas e vinte bases de bronze, com ganchos eligaduras de prata nas colunas. O lado ocidental, com as suas cortinas externas, terá vinte e dois metros e meio de largura, com dez colunas e dez bases. O lado oriental, que dá para o nascente, também terá vinte e dois metros e meio de largura. Haverá cortinas de seis metros e setenta e cinco centímetros de comprimento num dos lados da entrada, com três colunas e três bases, e cortinas externas de seis metros e setenta e cinco centímetros de comprimento no outro lado, também com três colunas e três bases. À entrada do pátio, haverá uma cortina de nove metros de comprimento, de linho fino trançado e de fios de tecidos azul, roxo e vermelho, obra de bordador, com quatro colunas e quatro bases. Todas as colunas ao redor do pátio terão ligaduras, ganchos de prata e bases de bronze. O pátio terá quarenta e cinco metros de comprimento e vinte e dois metros e meio de largura, com cortinas de linho fino trançado de dois metros e vinte e cinco centímetros de altura e bases de bronze. Todos os utensílios para o serviço do tabernáculo, inclusive todas as estacas da tenda e as do pátio, serão feitos de bronze.” (NVI). Ao sul do tabernáculo havia cortinas de linho fino trançado, com cerca de 45 metros de comprimento. Sustentadas por 20 colunas de acácia firmadas em 20 bases de bronze. Havia ganchos e ligaduras de prata nas colunas para as cordas. Todas as colunas do pátio eram responsabilidade dos meraritas. Ao norte do tabernáculo são 45 metros de cortina de linho fino trançado, sustentadas por 20 colunas de madeira em bases de bronze. Com ganchos e ligaduras de prata nas colunas para as cordas. A oeste do tabernáculo, as cortinas mediam 22,5 metros. Sustentadas por 10 colunas e 10 bases de bronze. Com ganchos e ligaduras de prata nas colunas para encaixar as cordas. Ao lado leste do tabernáculo, temos 22,5 metros de comprimento. As cortinas de 6,75 metros, com 3 colunas com ganchos e ligaduras de prata para as cordas e 3 bases de bronze de cada lado. No centro havia a entrada, chamada de porta principal. Ao leste não havia acampamento dos clãs. Ao leste habitavam Moisés, Arão e seus filhos: “E acamparam a leste do tabernáculo, em frente da Tenda do Encontro, Moisés, Arão e seus filhos. Tinham a responsabilidade de cuidar do santuário em favor dos israelitas. Qualquer pessoa não autorizada que se aproximasse do santuário teria que ser executada.” (Números 3:38, NVI). Para a porta, as medidas eram de 9 metros de comprimento, feita de linho fino trançado com bordadura de fios de tecido azul, púrpura e vermelho. Com 4 colunas com ganchos e ligaduras de prata para as cordas, e quatro bases de bronze. As medidas do átrio eram de 45 metros de comprimento e 22,5 de largura por 2,25 de altura de cortinas de linho fino trançado. Está bem claro que com a nossa justiça não conseguiremos adentrar pela exigência da santidade divina. O linho aponta para a perfeição. As colunas estão firmadas em bases de bronze, um símbolo de julgamento divino, apontando para um Deus que julga. As cordas que seguram essa estrutura têm estacas de bronze. A forma de entrar no tabernáculo é por sua única porta. A porta é a única parte do átrio que carrega cores. Ela é idêntica ao véu que separa o Santo Lugar e o Santíssimo Lugar. As cores da porta são: branco (justiça), azul (divino), púrpura (reino) e carmesim (redenção). PORTA AO LESTE A entrada do tabernáculo sempre devia estar ao leste. Existe um motivo cultural a ser levado em consideração. O tabernáculo foi dado ao povo logo depois de saírem do Egito. Eles viveram por gerações no Egito, o texto diz que foram aproximadamente 400 anos. Nesse período, o povo conviveu com a cultura egípcia e suas formas de adoração. O sol nasce ao leste naquela região, e ao se voltarem para o leste, os egípcios davam louvor e honras ao deus Sol, chamado Rá. Ao colocar a porta ao leste, Deus ensinava aos caminhantes do deserto que a maneira correta de adorá-lO é com as costas voltadas para o deus egípcio. Somos chamados para andar na contramão deste século, somos chamados para virar os conceitos deste mundo de cabeça para baixo. “Contudo, não os achando, arrastaram Jasom e alguns outros irmãos para diante dos oficiais da cidade, gritando: Esses homens, que têm causado alvoroço por todo o mundo, agora chegaram aqui.” (Atos 17:6, NVI). Somos contra as tendências malignas deste século, somos contra as opiniões que tentam destruir o modelo familiar bíblico. O povo nômade era direcionado ou pelo sol, ou por estrelas, assim à noite também era possível encontrar a direção certa enquanto moviam o tabernáculo. No céu tem constelações que apontam para o norte. Só existe uma entrada. Este fato nos faz lembrar do que Jesus nos ensinou: “Eu sou o caminho”. Aquele que nos leva até o Santíssimo Lugar, onde a presença de Deus habita. “Respondeu Jesus: Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim.” (João 14:6). OS MERARITAS – Estes tomavam conta das tábuas do tabernáculo, dos varais, das colunas, das bases, de todos os utensílios, das colunas do pátio em redor, das suas bases, das estacas e das cordas. O sacerdote Zuriel os liderava. As tábuas do tabernáculo eram de madeira de acácia, totalmente cobertas de ouro e fixadas umas às outras por barras de madeira que as transpassavam em seu exterior. As tábuas tinham dois engastes ou pinos embaixo que eram afixados no chão do deserto nas bases de prata. O que tocava no chão não era o ouro, mas a base de prata. O simbolismo dos materiais usados nos apresenta um belo quadro da obra redentora em Cristo. O ouro simboliza o divino. A madeira simboliza a humanidade e a prata é símbolo de redenção. Os valores de um escravo, o valor cobrado pelos irmãos de José e os valores cobrados por Judas ao vender Jesus eram em prata. Os dois engastes de ouro de cada tábua são símbolos de fé e obediência. E esses dois engastes são essenciais para que permaneçamos de pé, pois estão firmados em prata, no preço da redenção que já foi completa em Cristo. Individualmente, cada tábua tem seus engastes e sua base de prata. Em Cristo somos iguais, não há acepção de pessoas, somos afixados na base da redenção, não tocamos a areia dos desertos da vida. Estamos no mundo, mas não pertencemos a este mundo. Uma tábua sozinha não forma paredes de tabernáculo. A comunhão é necessária. Fazendo dessa forma, não havia tempestade de areia que abalasse as suas estruturas. “Os que criam mantinham-se unidos e tinham tudo em comum.” (Atos 2:44, NVI). Uma tábua estava unida à outra, travadas uma à outra por um travessão de madeira coberto de ouro: “Faça armações verticais de madeira de acácia para o tabernáculo. Cada armação terá quatro metros e meio de comprimento por setenta centímetros de largura, com dois encaixes paralelos um ao outro. Todas as armações do tabernáculo devem ser feitas dessa maneira. Faça vinte armações para o lado sul do tabernáculo e quarenta bases de prata debaixo delas: duas bases para cada armação, uma debaixo de cada encaixe. Para o outro lado, o lado norte do tabernáculo, faça vinte armações e quarenta bases de prata, duas debaixo de cada armação. Faça seis armações para o lado ocidental do tabernáculo, e duas armações na parte de trás, nos cantos. As armações nesses dois cantos serão duplas, desde a parte inferior até a superior, colocadas numa única argola; ambas serão assim. Desse modo, haverá oito armações e dezesseis bases de prata, duas debaixo de cada armação. Faça também travessões de madeira de acácia: cinco para as armações de um lado do tabernáculo, cinco para as do outro lado e cinco para as do lado ocidental, na parte de trás do tabernáculo. O travessão central se estenderá de uma extremidade à outra entre as armações. Revista de ouro as armações e faça argolas de ouro para sustentar os travessões, os quais também terão que ser revestidos de ouro. Faça o tabernáculo de acordo com o modelo que lhe foi mostrado no monte.” (Êxodo 26:15-30, NVI). Os aspectos espirituais da vida cristã estão presentes neste conceito. Oapóstolo Paulo em sua carta aos Efésios, no capítulo 2 e versos 19 ao 22, diz que somos edifício do Senhor: “Ele veio e anunciou paz a vocês que estavam longe e paz aos que estavam perto, pois por meio dele tanto nós como vocês temos acesso ao Pai, por um só Espírito. Portanto, vocês já não são estrangeiros nem forasteiros, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus, edificados sobre o fundamento e dos profetas, tendo Jesus Cristo como pedra angular, no qual todo o edifício é ajustado e cresce para tornar-se um santuário santo no Senhor. Nele vocês também estão sendo edificados juntos, para se tornarem morada de Deus por seu Espírito...” (Efésios 2:17-22). Dentro dessa construção feita de tábuas e cortinas, está o Lugar Santíssimo. Um lugar de adoração plena. Onde o incenso sobe como cheiro suave ao Senhor. Onde o pão traz sustento. Um lugar onde Deus projetou para ser Sua habitação. Neemias entendia esse conceito. Neemias, capítulo 3 e versos a seguir: verso 4 – E, ao seu lado... verso 7 – Ao seu lado… verso 17 – E, ao seu lado… verso 18 – Depois dele... verso 19 – Ao seu lado… verso 21 – Depois dele… verso 22 – E, depois dele… verso 24 – Depois dele… verso 25 – Depois dele… verso 27 – Depois… verso 29 – Depois deles… verso 30 – Depois dele… Um do lado do outro trabalharam unidos e em 52 dias reconstruíram os muros de Jerusalém até a metade, e a cidade teve uma nova aparência, resgatou o senso de proteção. Aconteceu assim porque o coração do povo se inclinava a trabalhar unido: “Nesse meio tempo, fomos reconstruindo o muro, até que em toda a sua extensão chegamos à metade da sua altura, pois o povo estava totalmente dedicado ao trabalho.” (Neemias 4:6, NVI). As colunas do tabernáculo eram responsabilidade dos meraritas. As divisões internas do tabernáculo contavam com colunas e o véu era afixado nelas por colchetes de ouro que as colunas tinham. Na entrada do Santíssimo Lugar temos 4 colunas de madeira de acácia e 4 bases de prata. Essas quatro colunas são associadas aos quatro evangelhos, que têm suas mensagens fixadas na obra redentora de Cristo na terra. “Pendure-o com ganchos de ouro em quatro colunas de madeira de acácia revestidas de ouro e fincadas em quatro bases de prata.” (Êxodo 26:32, NTLH). Na entrada do Santo Lugar são 5 colunas de madeira de acácia, com colchetes de ouro para afixar as cortinas e 5 bases de bronze. Segundo o estudo dos números bíblicos, o número cinco é o número do homem caído e o número da graça redentora. Aponta para a insuficiência do homem e sua fraqueza, e então necessitado da graça salvadora. E suas bases são de cobre, apontando o julgamento e juízo de Deus. Foi a cruz o meio pelo qual a graça se tornou real para nós, foi na cruz que o julgamento aconteceu, onde Cristo se fez culpado por nós. Jesus suportou o julgamento e ira divina por nós, sendo nós ainda pecadores. O pátio era todo cercado por linho branco fino trançado e por estacas que seguravam essa cortina. Ao todo eram 60 colunas e 60 bases de bronze para o sustento das colunas no solo. As colunas disponibilizavam ganhos e ligaduras de prata para as cordas que asseguravam. Estacas de bronze eram usadas para prender as tais cordas no solo. Capítulo 10 PRESENTES PARA OS LEVITAS O livro de Números, capítulo 7, versos 1 ao 11 fala de alguns presentes que as tribos trouxeram aos levitas. Entre os presentes estão 12 bois e 6 carros de bois: “Quando Moisés acabou de armar o tabernáculo, ele o ungiu e o consagrou, juntamente com todos os seus utensílios. Também ungiu e consagrou o altar com todos os seus utensílios. Então os líderes de Israel, os chefes das famílias que eram os líderes das tribos encarregados do recenseamento, apresentaram ofertas. Trouxeram as suas dádivas ao Senhor: seis carroças cobertas e doze bois, um boi de cada líder e uma carroça de cada dois líderes; e as apresentaram diante do tabernáculo. O Senhor disse a Moisés: ‘Aceite as ofertas deles para que sejam usadas no trabalho da Tenda do Encontro. Entregue-as aos levitas, conforme exigir o trabalho de cada homem’. Então Moisés recebeu as carroças e os bois e os entregou aos levitas. Deu duas carroças e quatro bois aos gersonitas, conforme exigia o trabalho deles, e quatro carroças e oito bois aos meraritas, conforme exigia o trabalho deles. Estavam todos sob a supervisão de Itamar, filho do sacerdote Arão. Mas aos coatitas, Moisés não deu nada, pois eles deveriam carregar nos ombros os objetos sagrados pelos quais eram responsáveis. Quando o altar foi ungido, os líderes trouxeram as suas ofertas para a dedicação do altar, e as apresentaram diante dele. Pois o Senhor tinha dito a Moisés: ‘Cada dia um líder deverá trazer a sua oferta para a dedicação do altar’.” (NVI). Se pensássemos em todas as funções dos clãs e então dividíssemos de forma justa e exata, seriam 4 bois e 2 carros para cada um dos clãs. Mas não foi bem assim que foi feita a divisão. Moisés deu aos meraritas, os encarregados das tábuas e das colunas, 4 carros e 8 bois. Para os gersonitas, os encarregados das cortinas e cobertura, foram dados 2 carros e 4 bois. Aos coatitas, os encarregados dos objetos sagrados, não foi lhes dado nenhum boi ou carro de boi. Deus foi injusto? De maneira nenhuma. Deus nos dará recurso se o nosso ministério realmente precisar. Para explicar de forma contemporânea este conceito, é preciso falar da parábola de Jesus sobre os trabalhadores assalariados. O evangelista Mateus, no capítulo 20 nos conta a história de um senhor, dono de terras, que buscou trabalhadores e de manhã os contratou por um denário, que é o pagamento por um dia de serviço braçal. De tarde, contratou mais trabalhadores por 1 denário. E, faltando 1 hora para findar o expediente, contratou trabalhadores por 1 denário. Quando foi pagá-los, o primeiro grupo reclamou, pois todos eles receberam o mesmo valor, e de fato trabalharam muito mais. O senhor os repreendeu dizendo que eles haviam concordado em trabalhar por 1 denário. Deus é justo. Na igreja de Cristo não há espaço para ciúmes nem competições. Os trabalhadores são poucos pelo tamanho da seara. O patrão é sempre o mesmo. O que um trabalhador faz na obra, o outro não faz, todos são úteis para que se complete. Foi dito que os coatitas não ganharam nem um carro sequer, nem um boi sequer, pelo simples fato de não precisarem. Os utensílios sagrados eram repousados em seus ombros. Contudo, os coatitas estavam em destaque por serem os primeiros a entrar no rio Jordão no dia em que as águas se recuaram para o povo atravessar rumo à Canaã, e foram os últimos a sair: “Quando, pois, o povo desmontou o acampamento para atravessar o Jordão, os sacerdotes que carregavam a arca da aliança foram adiante (O Jordão transborda em ambas as margens na época da colheita.). Assim que os sacerdotes que carregavam a arca da aliança chegaram ao Jordão e seus pés tocaram as águas, a correnteza que descia parou de correr e formou uma muralha a grande distância, perto de uma cidade chamada Adã, nas proximidades de Zaretã; e as águas que desciam para o mar da Arabá, o mar Morto, escoaram totalmente. E assim o povo atravessou o rio em frente de Jericó. Os sacerdotes que carregavam a arca da aliança do Senhor ficaram parados em terra seca no meio do Jordão, enquanto todo o Israel passava, até que toda a nação o atravessou pisando em terra seca.” (Josué 3:14-17, NVI). O episódio do sacerdote que morreu tocando a Arca levou o rei Davi a pensar nos coatitas e em sua importância. Ele aceitou a ordem divina que nos diz que a Arca deve ser colocada nos ombros dos coatitas. Chegará o dia em que Deus nos usará para um propósito pré-designado. Mesmo que no momento não estejamos trabalhando, nosso chamado nos impulsiona ao nosso propósito. Não há como passarmos despercebidos pelo fato de que a Arca, coberta com texugo e com pano azul, deve ser carregada nos ombros. O pé se machuca. O ombro tem calos, contudo, o rosto está alegre. O que carregam é a presença da glória do Senhor, o Seu trono móvel. Deus tem serviços específicospara cada um de nós. Não podemos desejar ou querer carregar o que não fomos chamados para carregar. Alguns de nós podem ser um coatita, carregando os objetos sagrados. Ou seja, carrega o dom de pregar, dom de ensinar ou dom da Palavra. Mas nunca podemos nos esquecer de que Aquele que nos deu os dons, os cobriu de pano azul. Tudo pertence a Ele, a glória é dEle. E se carregamos algo tão precioso quanto a mensagem do Evangelho de Cristo, precisamos vigiar ainda mais: “A quem muito é dado, muito será cobrado.” (Lucas 12:48). Ou quem sabe somos gersonitas e carregamos as cortinas do tabernáculo? As cortinas eram a aparência externa. E por vezes nosso chamado é aconselhar, apontar a direção pelo evangelismo e falar as verdades duras da salvação. Ou podemos ser meraritas, carregando o ouro e a prata do tabernáculo. Você gostaria desse ofício? Gostaria de carregar essas tábuas? Eu te digo algo. Pode ser lindo esse ministério de pastorear, mas só quem carrega as tábuas é que sabe o peso delas. De longe, as tábuas cobertas de ouro são vistas pelo seu resplendor, mas ninguém percebe o quanto elas pesam. Pastores são chamados para suportar o irmão em suas fraquezas. Carregar o soldado que se feriu. Sofrer a afronta e a perseguição injusta. Esse é o peso das tábuas. Existe um conceito cristão nessas tábuas. Uma vez que elas estavam juntas, formavam as paredes do tabernáculo. Elas eram feitas de acácia (humanidade) e cobertas de ouro (divino). Estamos falando da igreja de Cristo na terra. Somos humanos, porém somos revestidos do ouro, que é o Espírito Santo adornando. A igreja é linda, porém pesada. Pastor, carregue as ovelhas de Cristo com amor. Suporte as fraquezas com amor. Cuide do seu chamado com amor. Os gersonitas não foram chamados para esse ofício, os coatitas também não. Você foi chamado para esse ofício ministerial, então pastoreai o rebanho de Cristo com amor genuíno. ISENTOS DA GUERRA A palavra hebraica para Levi é traduzida como: “unido, ajuntado, anexado”. Assim como a igreja é unida a Cristo (o Sumo Sacerdote), os levitas foram unidos ao sumo sacerdote para a execução do serviço ministerial. Em uma oração no monte das oliveiras, Jesus disse que somos dEle: “Eu revelei teu nome àqueles que do mundo me deste. Eles eram teus; tu os deste a mim, e eles têm obedecido à tua palavra. Agora eles sabem que tudo o que me deste vem de ti. Pois eu lhes transmiti as palavras que me deste, e eles as aceitaram. Eles reconheceram de fato que vim de ti e creram que me enviaste. Eu rogo por eles. Não estou rogando pelo mundo, mas por aqueles que me deste, pois são teus.” (João 17:6-9, NVI). Os levitas eram um povo cheio de tarefas, porém um povo privilegiado em Israel. Um desses privilégios é o fato de não irem às guerras: “A nossa batalha não é contra carne ou sangue, mas contra principados e potestades.” (Efésios 6). As famílias da tribo de Levi, porém, não foram contadas juntamente com as outras, pois o Senhor tinha dito a Moisés: “Não faça o recenseamento da tribo de Levi nem a relacione entre os demais israelitas. Em vez disso, designe os levitas como responsáveis pelo tabernáculo que guarda as tábuas da aliança, por todos os seus utensílios e por tudo o que pertence a ele. Eles transportarão o tabernáculo e todos os seus utensílios; cuidarão dele e acamparão ao seu redor. Sempre que o tabernáculo tiver que ser removido, os levitas o desmontarão e, sempre que tiver que ser armado, os levitas o farão. Qualquer pessoa não autorizada que se aproximar do tabernáculo terá que ser executada. Os israelitas armarão as suas tendas organizadas segundo as suas divisões, cada um em seu próprio acampamento e junto à sua bandeira. Os levitas, porém, armarão as suas tendas ao redor do tabernáculo que guarda as tábuas da aliança, para que a ira divina não caia sobre a comunidade de Israel. Os levitas terão a responsabilidade de cuidar do tabernáculo que guarda as tábuas da aliança. Os israelitas fizeram tudo exatamente como o Senhor tinha ordenado a Moisés.” (Números 1:47-54, NVI). Existe um fato bem curioso sobre os levitas, como já disse anteriormente, já que eles não faziam parte do serviço militar, embora muitos pensem que os 12 espias são um homem de cada tribo. Os levitas não fazem parte dessa lista. Foi o próprio Deus quem os isentou de serem enviados a espiarem a terra prometida. Esta é a relação dos nomes dos espias alistados, que está em Números, capítulo 13, e seus significados: Da tribo de Rúben foi enviado Samua (O renomado). Da tribo de Simeão foi enviado Safate (Ele tem julgado) Da tribo de Judá foi enviado Calebe (Um cão). Da tribo de Issacar foi enviado Igal (Deus Remidor). Da tribo de Efraim foi enviado Josué (O libertador). Da tribo de Benjamim foi enviado Palti (Meu escape). Da tribo de Zebulom foi enviado Gadiel (O Senhor é minha fortuna). Da tribo de Manassés foi enviado Gadi (Minha fortuna). Da tribo de Dã foi enviado Amiel (Meu parente é Deus). Da tribo de Aser foi enviado Setur (O escondido). Da tribo de Naftali foi enviado Narbi (O oculto). Da tribo de Gade foi enviado Geuel (Majestade do Senhor). Esses homens foram escolhidos pelo próprio Deus. E pelo fato de serem escolhidos por Deus, muitos deles não deixaram de falhar. O chamamento de Deus não nos exonera da responsabilidade de escolha diária de fugir do erro. “Muitos são chamados, mas poucos os escolhidos.” (Mateus 22:14). Aqui existe uma figura clara dessa verdade. Não existe garantia de santidade ou blindagem contra o pecado para os chamados. Tanto para líderes, mestres, diáconos, ajudantes do culto em geral, quanto para os congregados. O fato de você limpar o templo uma vez por semana não te faz mais santo que o congregado. O fato de você subir na plataforma e segurar um microfone, seja ministrando louvor ou fazendo backing vocal, não te promove à santidade. Tocar maravilhosamente os instrumentos, ajustar com perfeição o som, dedicar todas as tardes nas tarefas da igreja ou fazer visitas constantes aos necessitados não te eleva para mais perto de Deus. Ministros da Palavra não são ou não deveriam ser considerados os mais santos da igreja. Eles são chamados para servir. E como servos de Cristo, deveriam servir a noiva com amor e tremor diante de Deus. A igreja contemporânea tem idolatrado os “grandes ministros”. E, se são grandes, não são servos de Cristo, pois não há como um servo ser grande. E servos são só servos. E assim, pequenos diante de seu Senhor, com diligência devem cumprir o serviço diário e não buscar a glória para si. Cristo nos aproximou ao Pai por Seu mérito próprio na cruz. Existe uma canção do Ministério Zoe que pode representar bem esse conceito e diz: “Nunca foi sobre nós, e nem sobre o que podemos fazer, é tudo sobre Você, tudo para Você, Jesus...”. O contexto histórico que relato é este: 12 espias foram enviados de Cades Barnéia para Canaã e lá eles deveriam explorar a terra por 40 dias, e quando voltassem deveriam trazer os seus relatórios ao povo que aguardava ansiosamente no deserto pela resposta. Eles estavam prestes a entrar na Terra Prometida, pois estavam nas divisas de Canaã. Para a tristeza do povo, 10 dos espias trouxeram um relatório de derrota. Falaram que a terra realmente manava leite e mel, porém o povo que habitava lá era de dar medo. Eram gigantes guerreiros e poderosos. Suas cidades eram fortificadas e grandiosas. Afirmavam, dizendo: não podemos ir até lá para possuir aquela terra, aquele povo é mais forte do que nós. Infelizmente, aqueles 10 espias não conseguiram olhar para o Senhor, olharam para si mesmos, para seu povo e para suas fraquezas. Esses 10 espias morreram subitamente por uma praga ou doença. Não continuaram a jornada. Josué e Calebe foram os 2 espias que até então não haviam se pronunciado. Mas quando abrem a boca, dizem: “Realmente são gigantes, mas certamente prevaleceremos contra eles pela força do braço do Senhor”. A confiança desses dois espias não era a grandeza dos filhos de Israel, mas criam com todas as forças que o Deus que agora habitavano meio deles os conduziria à vitória. Realmente, como igreja, nós não podemos conquistar a Terra Prometida (Nova Jerusalém) se Cristo não for conosco. O que ouvimos dos espias muda nossos corações na direção errada. Poderiam escolher crer no Deus de maravilha ou murmurarem amedrontados. Cuidado com quem você tem emprestado seus ouvidos. É nesse momento de murmuração, infidelidade e insegurança que Deus pronuncia o que chamamos de “sentença de morte” para os caminhantes do deserto. Que palavra dura de ouvir. “E disse Deus: Neste deserto cairá o vosso cadáver.” (Números 14:32, ARA). E para que se cumprisse o que Deus ordenou, por 40 anos não deveriam adentrar na Terra Prometida, um ano para cada dia que peregrinaram pela terra. Eles até tentaram entrar, mesmo sendo avisados de que a presença do Senhor não iria com eles. Naquela tentativa frustrada, muitos pereceram: “Não subam, porque o Senhor não está com vocês. Vocês serão derrotados pelos inimigos, pois os amalequitas e os cananeus os enfrentarão ali, e vocês cairão à espada. Visto que deixaram de seguir o Senhor, ele não estará com vocês. Apesar disso, eles subiram desafiadoramente ao alto da região montanhosa, mas nem Moisés nem a arca da aliança do Senhor saíram do acampamento. Então os amalequitas e os cananeus que lá viviam desceram, derrotaram-nos e os perseguiram até Hormá.” (Números 14:42-45). Durante o tempo determinado pelo Senhor, uma geração inteira, cheia de escravos murmuradores, foi trocada por uma nova geração de guerreiros. O livro de Josué, capítulo 5, verso 4 nos afirma que depois de 40 anos de caminhada, não havia nenhum homem de guerra que havia saído do Egito, eram já todos mortos no deserto. Ele fez isso porque todos os homens aptos para a guerra morreram no deserto depois de terem saído do Egito. O texto relata que Eleazar, o sacerdote, e seu filho Finéias e todos os levitas entram na Terra Prometida. Eleazar já tinha mais de 30 anos, pois servia no tabernáculo, e está relatado seu nome entre os que entraram em Canaã. Os levitas não morreram naquele deserto. “Foram essas as terras que os israelitas receberam por herança em Canaã e que o sacerdote Eleazar, Josué, filho de Num, e os chefes dos clãs das tribos dos israelitas repartiram entre eles.” (Josué 14:1, NVI). Moisés, Arão e Miriã não entraram na terra prometida: “O Senhor, porém, disse a Moisés e a Arão: Como vocês não confiaram em mim para honrar minha santidade à vista dos israelitas, vocês não conduzirão esta comunidade para a terra que lhes dou.” (Números 20:12, NVI). A CONSAGRAÇÃO Capítulo 11 Já está esclarecido que os primogênitos seriam os ministrantes no tabernáculo: “[...] e escolhi os levitas em lugar de todos os primogênitos em Israel.” (Números 8:18). Os levitas se apossaram desse ofício e eram considerados como santos ou separados para o Senhor: “Dessa maneira você separará os levitas do meio dos israelitas, e os levitas serão meus.” (Números 8:14, NVI). Os levitas que trabalhavam no tabernáculo como auxiliadores ou sacerdotes eram como um presente ao sumo sacerdote: “Dentre todos os israelitas, dediquei os levitas como dádivas a Arão e aos seus filhos; eles ministrarão na Tenda do Encontro em nome dos israelitas e farão propiciação por eles, para que nenhuma praga atinja os israelitas quando se aproximarem do santuário.” (Números 8:19, NVI). Todos os membros da tribo de Levi não tinham herança em Israel. Mesmo sendo sacerdotes: “Os sacerdotes levitas e todo o restante da tribo de Levi não terão posse nem herança em Israel. Viverão das ofertas sacrificadas para o Senhor, preparadas no fogo, pois esta é a sua herança.” (Deuteronômio 18:1, NVI). O sumo sacerdote não era o Deus do tabernáculo ou seu dono, ele era apenas o ministrante principal sobre quem estava toda a responsabilidade do culto. O sumo sacerdote, ou hakoren hagadol, era assim chamado por ser considerado maior que seus irmãos ministradores. Gadol em hebraico é “tornar-se grande em vários sentidos, ser excelente”. E koren é o título de sacerdote. Havia um processo de consagração do sumo sacerdote para o ofício descrito nos textos de Êxodo, capítulo 29, e Levítico, capítulo 8. Moisés traz Arão e seus filhos até a porta do tabernáculo, onde a congregação está reunida. E ali, na frente de todo o povo, Moisés os lava. Eles não poderiam se lavar sozinhos. A lição aqui é óbvia: um pecador não pode se lavar sozinho, alguém deve lavá-lo. Vemos aqui Jesus sendo tipificado em Moisés. Ele nos lava para o ministério na frente de testemunhas (o mundo). Jesus nos lavou e nos perdoou para um propósito excelente. A ordenação de Arão para o sumo sacerdócio a partir desse momento diferencia-se da ordenação dos sacerdotes. Moisés veste as roupas sacerdotais em Arão. O tabernáculo havia sido ungido com óleo, este mesmo óleo agora é derramado sobre a cabeça de Arão para o santificar. O salmista, no salmo 133, no verso 2 diz: “É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desceu sobre a barba, a barba de Arão, que desceu sobre a gola das suas vestes” (JFA). O sangue dos animais sacrificados foi colocado na ponta da orelha direita, no polegar da mão direita e no dedão do pé direito de Arão. E depois, o mesmo processo é repetido com os seus filhos. “Moisés sacrificou o carneiro e pôs um pouco do sangue na ponta da orelha direita de Arão, no polegar da sua mão direita e no polegar do seu pé direito. Moisés também mandou que os filhos de Arão se aproximassem, e sobre cada um pôs um pouco do sangue na ponta da orelha direita, no polegar da mão direita e no polegar do pé direito; e derramou o restante do sangue nos lados do altar.” (Levítico 8:23-24, NVI). Mais uma vez o óleo é usado, dessa vez é aspergido sobre Arão (sumo sacerdote) e seus filhos (sacerdotes). Curiosamente, existe uma semelhança muito grande entre essa ordenação sacerdotal e a purificação de um leproso: “O sacerdote porá um pouco do sangue da oferta pela culpa na ponta da orelha direita daquele que será purificado, no polegar da sua mão direita e no polegar do seu pé direito. Então o sacerdote pegará um pouco de óleo da caneca e o derramará na palma da sua própria mão esquerda, molhará o dedo direito no óleo que está na palma da mão esquerda, e com o dedo o aspergirá sete vezes perante o Senhor. O sacerdote ainda porá um pouco do óleo restante na palma da sua mão, na ponta da orelha direita daquele que está sendo purificado, no polegar da sua mão direita e no polegar do seu pé direito, em cima do sangue da oferta pela culpa. O óleo que restar na palma da sua mão, o sacerdote derramará sobre a cabeça daquele que está sendo purificado e fará propiciação por ele perante o Senhor.” (Levítico 14:14-18, NVI). A lepra é o símbolo do pecado. A lepra enfraquece o leproso, sua dignidade, seu corpo é deformado e cheira mal. O leproso é um rejeitado da sociedade e passará a viver isolado, pois a doença é contagiosa. Eu e você somos pecadores leprosos diante da justiça divina. O processo de purificação é mostrado para nós como um símbolo de aceitação. O Sumo Sacerdote, Jesus Cristo, nos deu o poder de sermos chamados filhos de Deus: “Mas, a todos quantos o receberam, aos que creem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus.” (João 1:12, JFA). Quem olhar de longe e vir todo o processo do sangue sendo passado na orelha direita, no polegar da mão direita e no dedão do pé direito não poderá identificar se estão consagrando um novo sacerdote para o ofício ou se um leproso está sendo purificado. Temos o privilégio de sermos participantes da mesa de Cristo, termos o nosso nome no Livro da Vida e sermos chamados de povo comprado. Mesmo sendo pecadores, Deus nos elevou ao privilégio de sermos sacerdotes: “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifesto o que havemos de ser. Mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é, o veremos.” (1 João 3:2, JFA). Os sacerdotes, ajudantes do sumo sacerdote, também passavam por um processo de separação e santidade antes de ministraremno tabernáculo. A purificação sacerdotal também era feita na porta da tenda. Eles e suas vestes eram lavados com água. Um símbolo do batismo, pois a água facilmente representa uma purificação natural. Eram vestidos apropriadamente para o ofício. As vestes dos sacerdotes eram compostas de três peças. Eles usavam uma túnica feita de linho fino com um cinturão que provavelmente tinha o mesmo bordado das vestes do sumo sacerdote, com calções embaixo da túnica que iam da cintura até os joelhos e uma mitra ou um turbante branco. Essas vestes eram para a glória e beleza dos sacerdotes: “Você fiará para o sacerdote uma túnica de linho fino, uma mitra de linho fino e um cinto bordado.” (Êxodo 28:40). Um novilho para oferta de pecado é usado na cerimônia de consagração sacerdotal. Eles impõem as mãos sobre o animal, um ato de expiação vicária. O salário do pecado é a morte, então o novilho recebe os pecados por transferência, e com a morte do novilho já não havia pecados sobre eles. O novilho levaria a maldição deles. Um segundo animal é usado no cerimonial, desta vez um carneiro. As mãos foram impostas sobre o animal da mesma forma que fizeram ao novilho. Esse animal seria queimado por inteiro no altar como oferta de cheiro suave ao Senhor. Em seguida, um terceiro animal entra em cena. Um outro carneiro que agora servirá como oferta de consagração. Ou seja, uma oferta pacífica que expressa gratidão por serem escolhidos para o ofício sacerdotal. E o sangue desse último animal era passado na ponta da orelha direita, no polegar direito e no dedão do pé direito deles, primeiro de Arão (sumo sacerdote) e depois dos sacerdotes. Logo depois, uma oferta movida, feita com a gordura e com a coxa direita do carneiro, e por cima uma oferta de cereais contendo um cesto de pães asmos, bolo asmo, pão feito de azeite e um pão fino. Eles os moveram para frente e para trás na direção do altar, entregando a Deus. Reconhecendo a soberania de um Deus provedor sobre suas vidas, pois de Deus viria o sustento dos ministrantes. Em seguida, o óleo da unção e um pouco do sangue que ainda estava sobre o altar são aspergidos neles, ungindo os ministrantes e suas vestes especiais. Mas ainda não terminou aqui a consagração, a oferta movida ao Senhor deveria ser cozida e ingerida por eles na frente de toda a congregação. A oferta de cereais e as partes do carneiro. O que sobrasse deveria ser queimado no altar. Eles ficariam na porta do tabernáculo por sete dias e sete noites passando por este processo diariamente até que se completasse esse período de sete dias. Sete é o número da perfeição. Deus criou tudo em sete dias. “Para a ordenação de Arão e seus filhos, faça durante sete dias tudo o que lhe mandei. Sacrifique um novilho por dia como oferta pelo pecado para fazer propiciação. Purifique o altar, fazendo propiciação por ele, e unja-o para consagra-lo. Durante sete dias faça propiciação pelo altar, consagrando-o. Então o altar será santíssimo, e tudo o que nele tocar será santo. Eis o que você terá que sacrificar regularmente sobre o altar: a cada dia dois cordeiros de um ano. Ofereça um de manhã e o outro ao entardecer. Com o primeiro cordeiro ofereça 1/10 de efa (Uma medida de capacidade para secos. As estimativas variam entre 20 e 40 litros) da melhor farinha misturada com um 1/4 de him (Uma medida de capacidade para líquidos. As estimativas variam entre 3 e 6 litros) de azeite de olivas batidas, e 1/4 de him de vinho como oferta derramada. Ofereça o outro cordeiro ao entardecer com uma oferta de cereal e uma oferta derramada, como de manhã. É oferta de aroma agradável ao Senhor preparada no fogo. De geração em geração esse holocausto deverá ser feito regularmente à entrada da Tenda do Encontro, diante do Senhor. Nesse local eu os encontrarei e falarei com você; ali me encontrarei com os israelitas, e o lugar será consagrado pela minha glória. Assim consagrarei a Tenda do Encontro e o altar, e consagrarei também Arão e seus filhos para me servirem como sacerdotes. E habitarei no meio dos israelitas e serei o seu Deus.” (Êxodo 29:35-46, NVI). O objetivo dessa consagração dos ministrantes era óbvio: Fazer deles homens santificados para que pudessem ter acesso à presença da glória e não morrerem. Sem santificação é impossível esse acesso. Se todos os ministros da nossa geração levassem seu ofício ou sua ordenação a sério, o mundo seria diferente. Deixariam de lado a fama, o dinheiro, a popularidade e entenderiam que os convocados são chamados com um único objetivo, o de servir ao Senhor. Consagração é um ato de convocação ao serviço em prol do outro. A igreja precisa entender que existem duas águas. A primeira se refere ao batismo, e a segunda é um processo que ainda estamos passando e que simboliza o novo nascimento ou a regeneração. Tito 3:5 diz que somos lavados para a regeneração: “Não por causa de atos de justiça por nós praticados, mas devido à sua misericórdia, ele nos salvou pelo lavar regenerador e renovador do Espírito Santo” (NVI). Existem duas formas pelas quais os sacerdotes foram lavados. Uma delas é por Moisés, na porta da tenda, a qual chamamos regeneração. E outra vez ele se lavava, só que dessa vez lá dentro, no átrio, na pia de bronze. Esse é um símbolo de limpeza diária. Lavados diariamente pela Palavra. “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça.” (1 João 1:9, NVI). Eles se lavaram e se santificaram ao Senhor para que por meio disso pudessem ajudar o povo. Paulo alerta o jovem pastor Timóteo a cuidar dele mesmo primeiro, e depois da doutrina. Existem muitos pastores, líderes religiosos em geral caindo nos laços do adultério, da depressão, da lascívia e acabam perdendo o foco de suas vidas. O resultado é assustador, chegam a se suicidar. Recentemente, o pastor George Alves foi acusado de estuprar, agredir e queimar vivos um filho de 3 anos e um enteado de 6. Durante o processo investigativo, ele subia no altar e pregava. Quanta hipocrisia! “Atente bem para a sua própria vida e para a doutrina, perseverando nesses deveres, pois, agindo assim, você salvará tanto a si mesmo quanto aos que o ouvem.” (1 Timóteo 4:16, NVI). E para nós, igreja de Cristo, como é feita a nossa consagração para termos acesso ao Pai? A resposta é bem simples, porém profunda. Por meio de Cristo, pois Sua obra expiatória foi completa. Por meio de Cristo somos perdoados, somos consagrados, somos lavados, somos alimentados e somos santificados para termos acesso livre ao Pai. É uma obra completa. CONSAGRAR OS LEVITAS A ordem de Deus registrada em Números, capítulo 8 é que todos os levitas com idade apropriada fossem separados para o ofício sacerdotal. Nesse processo havia um cerimonial de limpeza. Eles tinham todo seu corpo raspado e suas roupas bem lavadas, e água era aspergida sobre eles: “Aquele que estiver sendo purificado lavará as suas roupas, rapará todos os seus pelos e se banhará com água; e assim estará puro. Depois disso poderá entrar no acampamento, mas ficará fora da sua tenda por sete dias. No sétimo dia rapará todos os seus pelos: o cabelo, a barba, as sobrancelhas e o restante dos pelos. Lavará suas roupas e banhará o corpo com água; então ficará puro.” (Levítico 14:8-9, NVI). Os levitas eram colocados diante da congregação. O povo de Israel impunha as mãos sobre eles. Um símbolo de que eles eram um sacrifício vivo. Na sequência, os levitas impunham suas mãos sobre os dois animais que seriam sacrificados por eles. Um animal por holocausto, e o outro por oferta de pecado. Existe uma diferença entre a consagração dos levitas e a ordenação dos sacerdotes. Os levitas foram aspergidos com água, e os sacerdotes são lavados com água. As roupas dos levitas foram lavadas, mas as roupas dos sacerdotes foram trocadas. Os levitas foram separados, e não ordenados como os sacerdotes. O livro de Números, capítulo 8, no verso 11 diz que os levitas foram dados como oferta ao Senhor para a execução do serviço no tabernáculo, como um presenteao povo e ao sumo sacerdote: “Arão apresentará os levitas ao Senhor como oferta ritualmente movida da parte dos israelitas: eles serão dedicados ao trabalho do Senhor” (NVI). Tito, capítulo 3, verso 5 diz que “Jesus nos salvou mediante o lavar da regeneração e renovação pelo Espírito Santo”. Somos separados para a boa obra de Cristo, nossas vestes foram lavadas no sangue do Cordeiro, mas nosso coração aguarda o dia em que nossas vestes serão trocadas. A parábola das bodas relata o fato de todos os convidados se vestirem de novas vestes, apontando a glória do reino celestial: “Então os servos saíram para as ruas e reuniram todas as pessoas que puderam encontrar, gente boa e gente má, e a sala do banquete de casamento ficou cheia de convidados. Mas quando o rei entrou para ver os convidados, notou ali um homem que não estava usando veste nupcial. E lhe perguntou: ‘Amigo, como você entrou aqui sem veste nupcial?’. O homem emudeceu. Então o rei disse aos que serviam: ‘Amarrem-lhe as mãos e os pés, e lancem- no para fora, nas trevas; ali haverá choro e ranger de dentes’. Pois muitos são chamados, mas poucos são escolhidos.” (Mateus 22:10-14, NVI). Da mesma forma que o ministério sacerdotal ajudava o sumo sacerdote, os levitas ajudavam os sacerdotes nos deveres diários. Os levitas também passaram por um processo de cerimonial diante do povo. Números, capítulo 8 e versos 5 ao 15 nos relatam como acontecia: “O Senhor disse a Moisés: Separe os levitas do meio dos israelitas e purifique-os. A purificação deles será assim: você aspergirá a água da purificação sobre eles; fará com que rapem o corpo todo e lavem as roupas, para que se purifiquem. Depois eles trarão um novilho com a oferta de cereal da melhor farinha amassada com óleo; e você trará um segundo novilho como oferta pelo pecado. Você levará os levitas para a frente da Tenda do Encontro e reunirá toda a comunidade de Israel. Levará os levitas à presença do Senhor, e os israelitas imporão as mãos sobre eles. Arão apresentará os levitas ao Senhor como oferta ritualmente movida da parte dos israelitas: eles serão dedicados ao trabalho do Senhor. Depois que os levitas impuserem as mãos sobre a cabeça dos novilhos, você oferecerá um novilho como oferta pelo pecado e o outro como holocausto ao Senhor, para fazer propiciação pelos levitas. Disponha os levitas em frente de Arão e dos filhos dele e apresente-os como oferta movida ao Senhor. Dessa maneira você separará os levitas do meio dos israelitas, e os levitas serão meus. Depois que você purificar os levitas e os apresentar como oferta movida, eles entrarão na Tenda do Encontro para ministrar.” (NVI). Não havia necessidade de usar vestes especiais, como os sacerdotes e o sumo sacerdote, mas as vestes dos levitas deveriam estar limpas. A água da purificação era aspergida sobre eles e tinham todo seu corpo raspado. Dois novilhos foram usados. Um deles junto com a oferta de cereais ou oferta de agradecimento, que era uma oferta movida. E o outro novilho era para oferta de pecado ou holocausto. Os filhos de Israel imporiam as mãos sobre eles. E eles imporão as mãos sobre os novilhos. Um tópico interessante é o fato de os levitas serem apresentados em oferecimento a Deus como oferta de movimento. Eles foram literalmente balançados em frente ao altar e Deus os recebeu, e assim foi. O texto diz que os levitas passaram a ser propriedade do Senhor. Os levitas trabalhavam arduamente para manter a ordem do culto, no sentido literal, pois eles preparavam os sacrifícios. Estou me referindo a vários animais sendo degolados todos os dias. Eles mantinham a limpeza e manutenção do local, e por se instalarem ao redor do tabernáculo, pressupõe- se uma vigilância contínua sobre o tabernáculo e seus utensílios. Eram os guardas do tabernáculo. No átrio, os levitas podiam entrar para ministrar, mas não iam além. Esses homens trabalhavam diligentemente, dia e noite perante Deus no tabernáculo. O que o povo não via era o que mais importava para Deus: o que fazemos em secreto, em nosso momento de oração, de confissão e de adoração de joelhos. Ali, na beira da nossa cama, no banheiro ou no leito do hospital o povo não vê, e nem precisa ver, mas nosso Pai Celestial contempla e em secreto nos recompensa: “Mas quando você orar, vá para seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está em secreto. Então seu Pai, que vê em secreto, o recompensará.” (Mateus 6:6, NVI). Eram os sacerdotes aqueles que mantinham o fogo do altar de bronze aceso. Na manutenção do altar está incluída a retirada das cinzas: “Dê este mandamento a Arão e a seus filhos, a regulamentação acerca do holocausto: Ele terá que ficar queimando até de manhã sobre as brasas do altar, onde o fogo terá que ser mantido aceso. O sacerdote vestirá suas roupas de linho e os calções de linho por baixo, retirará as cinzas do holocausto que o fogo consumiu no altar e as colocará ao lado do altar. Depois trocará de roupa e levará as cinzas para fora do acampamento, a um lugar cerimonialmente puro. Mantenha-se aceso o fogo no altar; não deve ser apagado. Toda manhã o sacerdote acrescentará lenha, arrumará o holocausto sobre o fogo e queimará sobre ele a gordura das ofertas de comunhão.” (Levítico 6:9-12, NVI). Cabia aos sacerdotes que soprassem as trombetas para as santas convocações. Agiam como juízes e detinham o poder de analisar casos como os de lepra. Esta é a regulamentação acerca da purificação de um leproso: “Ele será levado ao sacerdote.” (Levítico 14:2). E os casos de adultério, dando as suas sentenças finais: “O sacerdote trará a mulher e a colocará perante o Senhor.” (Números 5:16). Jesus, ao curar um leproso, pediu que se apresentasse ao sacerdote: “Um leproso (o termo grego não se refere somente à lepra, mas também a diversas doenças da pele), aproximando-se, adorou-o de joelhos e disse: ‘Senhor, se quiseres, podes purificar-me!’. Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: ‘Quero. Seja purificado!’. Imediatamente ele foi purificado da lepra. Em seguida Jesus lhe disse: ‘Olhe, não conte isso a ninguém. Mas vá mostrar-se ao sacerdote e apresente a oferta que Moisés ordenou, para que sirva de testemunho’.” (Mateus 8:2-4, NVI). Outro fator muito interessante quanto aos ministrantes do ofício sacerdotal é o fato de ministrarem com os pés descalços. O texto não faz menção de calçados, e existe uma enfática ligação do tabernáculo como habitação de Deus e dois eventos registrados na Sagrada Escritura. O primeiro evento foi Moisés e a sarça ardente, onde precisou tirar suas sandálias a pedido do Senhor. “Então disse Deus: ‘Não se aproxime. Tire as sandálias dos pés, pois o lugar em que você está é terra santa’.” (Êxodo 3:5, NVI). O segundo evento onde os pés foram descalços ocorreu com Josué. Ao entrar em Canaã, perto de Jericó, ele avistou um príncipe do exército do Senhor, provavelmente uma teofania, pois somente Deus aceita adoração. E ali naquele momento, o “príncipe” pediu que Josué tirasse as sandálias dos pés porque aquele lugar era santo. Onde Deus está, ali se torna Sua habitação. “Estando Josué já perto de Jericó, olhou para cima e viu um homem em pé, empunhando uma espada. Aproximou-se dele e perguntou-lhe: ‘Você é por nós, ou por nossos inimigos?’. ‘Nem uma coisa nem outra’, respondeu ele. ‘Venho na qualidade de comandante do exército do Senhor.’. Então Josué prostrou-se com o rosto em terra, em sinal de respeito, e lhe perguntou: ‘Que mensagem o meu senhor tem para o seu servo?’. O comandante do exército do Senhor respondeu: ‘Tire as sandálias dos pés, pois o lugar em que você está é santo.’. E Josué as tirou.” (Josué 5:13-15, NVI). Nosso mestre Jesus nos ensinou que onde estivermos reunidos em Seu nome, ali Ele se faria presente: “Pois onde se reunirem dois ou três em meu nome, ali eu estou no meio deles.” (Mateus 18:20, NVI). A noiva de Cristo, para o mundo que a avista por fora, não tem beleza ou ministério de importância. Ou até mesmo muitos congregados que acham o louvor cansativo, a Palavra muito isso ou aquilo, com certeza estãoolhando de fora para dentro. Eu te convido a adentrar nos átrios do Senhor e olhar a beleza da igreja de dentro para fora. É certo que se estivermos lá dentro, veremos que ainda existe poder na oração. Que a adoração ainda atrai a glória de Deus aos nossos corações. Veremos que é muito bom vivermos em união. Que ainda existem conselheiros com bons conselhos. Perceberá que ainda existem evangelistas que dão suas vidas nos campos missionários. Que a Palavra pregada muda o caráter de quem a recebe e que o mesmo Espírito que ressuscitou Jesus dentre os mortos e O glorificou, habita e atua na igreja. Ele estará no meio da igreja. Algumas vezes na história bíblica, Deus dá uma pincelada de Graça no texto sagrado da antiga aliança. Um dos exemplos dessa graça é o sumo sacerdote Samuel. O texto diz que ele não pertencia à tribo de Levi, pertencia à tribo de Efraim. Samuel exerceu com excelência seu ministério: “Havia certo homem de Ramataim, zufita dos montes de Efraim, chamado Elcana, filho de Jeroão, neto de Eliú e bisneto de Toú, filho do efraimita Zufe.” (1 Samuel 1:1, NVI). Outro exemplo dentre tantos outros é Gideão. Deus deu ordem a Gideão para cumprir uma função de sumo sacerdote, apto a sacrificar: “Depois faça um altar para o Senhor, o seu Deus, no topo desta elevação. Ofereça o segundo novilho em holocausto com a madeira do poste sagrado que você irá cortar.” (Juízes 6:26, NVI). E Manoá, o pai de Sansão, também fez sacrifícios a Deus como um sumo sacerdote, a pedido do próprio Deus: “Então Manoá apanhou um cabrito e a oferta de cereal, e os ofereceu ao Senhor sobre uma rocha. E o Senhor fez algo estranho enquanto Manoá e sua mulher observavam.” (Juízes 13:19, NVI). OS MINISTROS REPROVADOS Nem sempre tudo termina como o desejado. Neste momento, quero falar de homens que falharam em suas funções sacerdotais e foram reprovados. Para o ofício de sacerdote, Deus chamou Arão e seus filhos: Nadabe, em hebraico, que significa “apresentar-se voluntariamente”; Abiú, que significa “Ele é pai”; Eleazar, que significa “Deus tem ajudado”; e Itamar, que significa “terra de palmeiras”. Eles faziam todo o serviço sacerdotal com a ajuda dos levitas, incluindo principalmente a manutenção do fogo sagrado. Por que esse fogo era tão importante? Que fogo era esse? E por que era tão especial? Para responder a essas perguntas, falaremos do dia da inauguração do tabernáculo. Levítico, capítulo 9, versos 23 e 24 diz que depois de tudo preparado de acordo com as medidas e regras exigidas para aquele cerimonial, Deus respondeu com fogo: “Assim Moisés e Arão entraram na Tenda do Encontro. Quando saíram, abençoaram o povo; e a glória do Senhor apareceu a todos eles. Saiu fogo da presença do Senhor e consumiu o holocausto e as porções de gordura sobre o altar. E, quando todo o povo viu isso, gritou de alegria e prostrou-se com o rosto em terra.” (NVI). O fogo veio do céu, do próprio Senhor, pois saiu da Glória que havia pousado sobre o tabernáculo. Por isso ele era tão importante. Deus aceitou os primeiros sacrifícios no tabernáculo enviando o Seu fogo. Os sacrifícios deveriam ser queimados por esse fogo, pois quando isso acontecia, era como um cheiro suave para o Senhor. O animal era julgado pelo fogo, consumido por ele, e Deus se alegrava porque esse ato de sacrifício substitutivo limpava os pecados do povo. A ira de Deus era aplacada. Os sacerdotes viram o fogo vir da Glória de Deus e entendiam que eles não tinham o controle do fogo (da justiça, da aceitação, do perdão), porém conheciam aquele que tem total controle dele (Deus). Nesse momento da narrativa, o texto bíblico coloca os holofotes da cena em cima de dois dos filhos de Arão. Esse foi um evento triste, que aconteceu logo após o fogo do Senhor vir sobre o holocausto. Os recém-chamados ao ministério sacerdotal, Nadabe e Abiú, acenderam seu incensário com um fogo natural e se chegaram onde estava a Glória de Deus. O desfecho da história deles é trágica. Perderam suas vidas por não compreenderem quão grande é a santidade e a justiça do Senhor. “Nadabe e Abiú, filhos de Arão, pegaram cada um o seu incensário, nos quais acenderam fogo, acrescentaram incenso, e trouxeram fogo profano perante o Senhor, sem que tivessem sido autorizados. Então saiu fogo da presença do Senhor e os consumiu. Morreram perante o Senhor.” (Levítico 10:1-2, NVI). “Justiça e juízo são a base do teu trono.” (Salmos 89:14, ACF). Eles foram desaprovados depois de serem ungidos. Existe uma enorme diferença entre santo (separado) e profano (comum). Nós, como igreja contemporânea, deveríamos olhar para esse conceito como um exemplo. É necessário que conscientemente paremos de buscar os aplausos dos congregados para nós mesmos. Nosso holocausto, que são os nossos dons, talentos, capacidades de liderança, dons da música, da escrita, da arte... e tantos outros talentos, deveriam estar aguardando o fogo (aprovação) vir de Deus, e não tentarmos usar nosso fogo em nosso incensário medíocre (ministério) e acharmos que só porque é feito com capricho e com propósito do Reino, Deus nos aceitará. Não! Deus não nos aceitará. Há algum tempo na história de Israel, um rei foi escolhido e ungido, e logo depois foi rejeitado por causa de seus atos de impiedade. Ele passou a ser um reprovado, até mesmo com todos os seus talentos e com sua coroa real de ouro em sua cabeça. Não há como nos escondermos. Se formos ingênuos ao ponto de acharmos que Deus não nos verá, precisamos de amadurecimento e mais conhecimento. A Sagrada Escritura é clara em nos afirmar que Ele conhece todas as intenções dos nossos corações. Deus enviou uma mensagem ao “desaprovado” rei Saul através do profeta Samuel, dizendo: Ele diz que quer obediência, e não sacrifícios, Saul. “É melhor obedecer a Deus do que oferecer-lhe em sacrifício as melhores ovelhas.” (1 Samuel 15:22, NTLH). O SUMO SACERDOTE PERFEITO Capítulo 12 “[...] tomarás as vestes, e vestirás Arão da túnica, da sobrepeliz, da estola sacerdotal e do peitoral, e o cingirás com o cinto de obra esmerada da estola sacerdotal; pôr-lhe-ás a mitra na cabeça e sobre a mitra, a coroa sagrada.” Êxodo 29:5-6, ARA O sumo sacerdote em muito se diferencia dos sacerdotes e dos levitas. Ele era único. Era totalmente responsável por todas as celebrações e se vestia de forma singular. O sumo sacerdote tinha restrições quanto ao seu casamento, não podia se casar com uma viúva, com uma prostituta ou com uma estrangeira. Somente se casaria com uma virgem israelita: “Não poderá ser viúva, nem divorciada, nem moça que perdeu a virgindade, nem prostituta, mas terá que ser uma virgem do seu próprio povo.” (Levítico 21:14, NVI). Ou com a viúva de outro sumo sacerdote: “Eles não se casarão com viúva ou divorciada; só poderão casar-se com mulher virgem, de ascendência israelita, ou com viúva de sacerdote.” (Ezequiel 44:22, NVI). Existe uma declaração bem enfática quanto ao itinerário sacerdotal, ele não podia se ausentar nem para chorar pela morte de parentes: “O sumo sacerdote, aquele entre seus irmãos sobre cuja cabeça tiver sido derramado o óleo da unção, e que tiver sido consagrado para usar as vestes sacerdotais, não andará descabelado, nem rasgará as roupas em sinal de luto. Não entrará onde houver um cadáver. Não se tornará impuro, nem mesmo por causa do seu pai ou da sua mãe.” (Levítico 21:10-12, NVI). Vivia sob uma rigorosa restrição alimentar: “Também não poderá comer animal encontrado morto ou despedaçado por animais selvagens, pois se tornaria impuro por causa deles. Eu sou o Senhor.” (Levítico 22:8, NVI). E sempre deveria lavar suas mãos e seus pés antes das refeições: “Arão e seus filhos lavarão as mãos e os pés com a água da bacia. Toda vez que entrarem na Tenda do Encontro, terão que lavar-se com água, para que não morram. Quando também se aproximarem do altar para ministrar ao Senhor, apresentando uma oferta preparada no fogo, lavarão as mãos e os pés para que não morram. Esse é um decreto perpétuo, para Arão e os seus descendentes, geração após geração.”(Êxodo 30:19-21, NVI). Era ele quem comia os pães da proposição todo sábado: “Pertencem a Arão e a seus descendentes, que os comerão num lugar sagrado, porque é parte santíssima de sua porção regular das ofertas dedicadas ao Senhor, preparadas no fogo. É decreto perpétuo.” (Levítico 24:9, NVI). Lembrando que esses pães já estavam há uma semana expostos ao incenso aromático. Muitos estudiosos dizem que esse pão tinha um sabor amargo por causa dessa longa exposição. O sumo sacerdote precisava agir com perfeição em todas as áreas da vida, sendo ela moral, espiritual ou sentimental. O que poucas pessoas observam é a restrição de Deus para o porte físico do que seria um candidato para o sumo sacerdócio. Deus fez exigências físicas. Existe uma lista contendo os defeitos físicos que esses homens não podiam ter, e se o tivesse, este estaria desclassificado do serviço sacerdotal. Da mesma forma que um animal defeituoso não pôde ser levado diante do Senhor para ser sacrificado, assim se fazia ao ministrante. Essa lista se encontra no livro de Levítico, no capítulo 21, dos versos 18 ao 20: “Nenhum homem que tenha algum defeito poderá aproximar-se: ninguém que seja cego ou aleijado, que tenha o rosto defeituoso ou o corpo deformado; ninguém que tenha o pé ou a mão defeituosos, ou que seja corcunda ou anão, ou que tenha qualquer defeito na vista, ou que esteja com feridas purulentas ou com fluxo, ou que tenha testículos defeituosos.” (NVI). O primeiro defeito dessa lista é a cegueira, incluindo todo e qualquer defeito nos olhos ou nas pálpebras. Ao trazer essa premissa como um simbolismo espiritual para os nossos dias, aparecerá no contexto neotestamentário o conceito de cegueira espiritual. Mateus 15:14 diz que existem líderes cegos tentando guiar a seguidores cegos: “Deixem-nos; eles são guias cegos [A]. Se um cego conduzir outro cego, ambos cairão num buraco”. A referência A: Alguns manuscritos dizem que são cegos, guias de cegos. Essa realidade faz parte de nosso contexto atual. Em Apocalipse 3:17, João adverte uma igreja que pensava ser rica. João diz que ela era, de fato, pobre, cega e nua. Diante de verdades espirituais, podemos pensar que essa igreja não guardava tesouros no céu, não enxergava a beleza de Cristo e não se vestia da salvação de Cristo. Ela é descrita como pobre, cega e nua. “Você diz: ‘Estou rico, adquiri riquezas e não preciso de nada’. Não reconhece, porém, que é miserável, digno de compaixão, pobre, cego, e que está nu.” (NVI). Deus sempre advertiu Israel por meio de seus profetas. Um deles foi o profeta Isaías, que comparou Israel, chamando-os de cegos que apalparam as paredes e caíam de dia por causa de seus pecados: “Apalpamos as paredes como cegos; sim, como os que não têm olhos andamos apalpando; tropeçamos ao meio-dia como no crepúsculo, e entre os vivos somos como mortos.” (Isaías 59:10, AA). Jesus, em um de Seus diálogos com os mestres religiosos, os chamou de cegos, ou seja, eram incapacitados de exercer seus cargos diante de Deus (Mateus 23). O apóstolo João também fala da cegueira daquele que, como os religiosos, não consegue amar o seu próximo. A religiosidade traz cegueira, pois com os olhos da religião as pessoas são capazes de excluir, de julgar, de odiar em nome de seus dogmas. O que Jesus ensinou aos mestres se aplica a nós, como igreja contemporânea: não podemos proibir as pessoas de se achegarem ao reino dos céus por causa da nossa cegueira. Para nossa alegria, Jesus fez muitos milagres e um deles foi curar os cegos (Mateus 9). Jesus estava nos indicando o caminho de cura que existe em Si. A igreja que foi chamada de cega em Apocalipse 3, é convidada a comprar colírio para obter a cura. “O Senhor abre os olhos aos cegos; o Senhor levanta os abatidos; o Senhor ama os justos.” (Salmos 146:8, AA). O salmista pediu que seus olhos fossem abertos, pois queria contemplar as maravilhas da lei de Deus. Este deveria ser o anseio da igreja, buscar a cura da cegueira que nos impede de enxergar que todas as coisas já foram reveladas em Cristo. “Desvenda os meus olhos, para que eu veja as maravilhas da tua lei.” (Salmos 119:18, AA). Entenda que não há mais nenhuma dívida a ser paga com jejum, oração ou voto, pois em Cristo temos toda dívida quitada. Devemos, sim, orar, mas com o intuito de conversarmos com o nosso amigo Espírito Santo, e não para “pagarmos o preço”. “Pagar o preço” tem sido um bordão que muitos neopentecostais usam para dizer que são cristãos de muita oração, muito jejum e muito voto. Existe uma luz vermelha piscando na nossa frente quando pensamos dessa maneira. Se conversarmos com um Amigo por meio de oração for um ato de sofrimento, de pagamento de preço, nós estaríamos desconsiderando Sua amizade. O ato de “subir no monte” tem sido um ato de “classificação espiritual” que mede o nível de comunhão que o cristão tem com Deus. Perceptivelmente, nossa geração tem se cegado para as maravilhas da Palavra de Deus. Jesus nos ensinou a entrar em nosso quarto, fecharmos nossa porta e em secreto falarmos e sermos ouvidos pelo Pai: “Mas tu, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” (Mateus 6:6, JFA). Esse modelo de comunhão parece não funcionar por ser simples demais. Contudo, é essa a verdade que todo cristão precisa aprender. Meu anseio é que minha geração passe a enxergar esses equívocos e se livre desses dogmas. O Evangelho de Cristo nos liberta por completo. Lucas, capítulo 7 e verso 22 diz que Jesus fez os cegos enxergarem (compreensão da fé), os coxos andarem (evangelismo), os leprosos são purificados (pecadores arrependidos), os surdos ouvem (obedecem Sua Palavra), os mortos são ressuscitados (transformação de vidas) e os pobres têm ouvido as boas novas da salvação (missionários são enviados). “Então ele respondeu aos mensageiros: Voltem e anunciem a João o que vocês viram e ouviram: os cegos vêem, os aleijados andam, os leprosos [29] são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados e as boas novas são pregadas aos pobres;”. A referência 29: O termo grego não se refere somente à lepra, mas também a diversas doenças da pele. Outra deficiência física que desclassificava para o sacerdócio era a pessoa ser aleijada. Ou seja, deficiência nos pés ou nas pernas que as impossibilitasse de andar normalmente. Estamos falando de uma cultura antiga do Oriente Médio, onde não existia os recursos e aparelhagens existentes nos dias atuais. Esse conceito traz o valor espiritual de que o cristão é proibido de ser um aleijado espiritual, partindo também da premissa que nosso caminhar deve ser constante. Aquele que lança mão do arado não pode olhar para trás, não pode parar. “Jesus respondeu: ‘Ninguém que põe a mão no arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus’.” (Lucas 9:62, NVI). O profeta messiânico Isaías, no capítulo 60 e no verso 3 diz que as nações caminharão para a luz de Cristo, para o resplendor da Sua aurora. As nações virão à sua luz e os reis ao fulgor do seu alvorecer. A promessa para a igreja é caminhar e não se cansar: “Mas aqueles que esperam no Senhor renovam as suas forças. Voam alto como águias; correm e não ficam exaustos, andam e não se cansam.” (Isaías 40:31, NVI). Viver as maravilhas de Cristo, andando na luz da Sua palavra, pois se precisaremos de luz em nossa caminhada é porque certamente haveremos de andar em dias de escuridão. “A tua palavra é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho.” (Salmos 119:105, NVI). Jesus curou pessoas aleijadas: “Uma grande multidão dirigiu-se à Ele, levando-lhe os aleijados, os cegos, os mancos, os mudos e muitos outros, e os colocaram aos seus pés; e ele os curou.” (Mateus 15:30, NVI). Seus discípulos seguiram os passos do Mestre e também viram os aleijados serem livres: “Vendo que Pedro e João iam entrar no pátio do templo, pediu-lhes esmola. Pedro e João olharam bem para ele e, então, Pedro disse: ‘Olhe para nós!’. O homem olhou para eles com atenção,esperando receber deles alguma coisa. Disse Pedro: ‘Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isto lhe dou. Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, ande’. Segurando-o pela mão direita, ajudou-o a levantar-se, e imediatamente os pés e os tornozelos do homem ficaram firmes. E de um salto pôs-se em pé e começou a andar. Depois entrou com eles no pátio do templo, andando, saltando e louvando a Deus.” (Atos 3:3-8, NVI). Nessa lista de restrições físicas para o ofício sacerdotal estão: o nariz chato, a mão quebrada, ou corcunda, ou anão, que também se inclui nessa lista de restrições, e até mesmo o que tem sarna e impigem, ou aquele que é castrado. Ao olharmos para tamanha lista, devemos glorificar a Jesus, pois Ele nos chama, mesmo com defeitos, para sermos participantes de Sua festa nupcial. A mensagem da inclusão é trazida a nós por meio da Graça. Jesus contou uma parábola a Seus seguidores. Ele dizia que um certo homem dava uma grande festa, e por isso enviou seus servos e convidou a muitos nobres. Todos os convidados, um a um, começaram a dar desculpas para não participarem da grande festa. Ao perceber que não viriam, o dono da festa disse aos seus servos: “Vá pelas ruas e becos da cidade, traga os pobres, os aleijados, os cegos e os coxos e traga-os para a minha festa nupcial”. Jesus falava do Evangelho da Graça, uma mensagem que os mestres religiosos se recusaram a aceitar. Essa parábola me faz lembrar de um fato interessante que aconteceu com o rei Davi. O grande rei guerreiro e destemido chamado Davi, antes de conquistar a cidade de Jerusalém foi insultado pelos guardas daquela cidade. Aqueles guardas diziam lá do alto dos muros da fortificada Jerusalém que até os cegos e aleijados poderiam combater o exército de Davi. Por meio de uma estratégia de guerra, Davi tomou a fortaleza de Jerusalém e conquistou a cidade dos jebuseus para fazer dela a cidade real. Contudo, por causa do insulto que havia sofrido pelos inimigos, ele proibiu a entrada de cegos e aleijados no palácio. Segue-se o desfecho da história e veremos que esse foi um simples desejo egoísta de Davi, e não o desejo de Deus: “Depois partiu o rei com os seus homens para Jerusalém, contra os jebuseus, que habitavam naquela terra, os quais disseram a Davi: Não entrarás aqui; os cegos e os coxos te repelirão; querendo dizer: Davi de maneira alguma entrará aqui. Todavia Davi tomou a fortaleza de Sião; esta é a cidade de Davi. Naquele dia disse Davi: ‘Quem quiser vencer os jebuseus terá que utilizar a passagem de água para chegar àqueles cegos e aleijados, inimigos de Davi’. É por isso que dizem: ‘Os cegos e aleijados não entrarão no palácio’.” (2 Samuel 5:6-8, AA). Todos nós conhecemos a aliança de amizade que Davi tinha com o príncipe Jônatas. Deus usou essa aliança para mostrar a Davi o poder da graça imerecida. Após a morte do príncipe Jônatas, seu filho, chamado Mefibosete, foge, e na fuga um acidente o deixa aleijado. Anos mais tarde, Davi se lembra da aliança com o príncipe. Um de seus servos faz menção de Mefibosete e diz: Ele é aleijado dos pés, porém, dono de uma aliança. “Prosseguiu o rei: Não há ainda alguém da casa de Saul para que eu possa usar com ele da benevolência de Deus? Então disse Ziba ao rei: Ainda há um filho de Jônatas, aleijado dos pés. Perguntou-lhe o rei: Onde está? Respondeu Ziba ao rei: Está em casa de Maquir, filho de Amiel, em Lo-Debar. Então mandou o rei Davi, e o tomou da casa de Maquir, filho de Amiel, em Lo- Debar. E Mefibosete, filho de Jônatas, filho de Saul, veio a Davi e, prostrando-se com o rosto em terra, lhe fez reverência. E disse Davi: Mefibosete! Respondeu ele: Eis aqui teu servo. Então lhe disse Davi: Não temas, porque de certo usarei contigo de benevolência por amor de Jônatas, teu pai, e te restituirei todas as terras de Saul, teu pai; e tu sempre comerás à minha mesa. Então Mefibosete lhe fez reverência, e disse: Que é o teu servo, para teres olhado para um cão morto tal como eu? Então chamou Davi a Ziba, servo de Saul, e disse-lhe: Tudo o que pertencia a Saul, e a toda a sua casa, tenho dado ao filho de teu senhor. Cultivar-lhe-ás, pois, a terra, tu e teus filhos, e teus servos; e recolherás os frutos, para que o filho de teu senhor tenha pão para comer; mas Mefibosete, filho de teu senhor, comerá sempre à minha mesa. Ora, tinha Ziba quinze filhos e vinte servos. Respondeu Ziba ao rei: Conforme tudo quanto meu senhor, o rei, manda a seu servo, assim o fará ele. Disse o rei: Quanto a Mefibosete, ele comerá à minha mesa como um dos filhos do rei. E tinha Mefibosete um filho pequeno, cujo nome era Mica. E todos quantos moravam em casa de Ziba eram servos de Mefibosete. Morava, pois, Mefibosete em Jerusalém, porquanto sempre comia à mesa do rei. E era coxo de ambos os pés.” (2 Samuel 9:3-13, JFA). Davi se encontra diante de um dilema. Contudo, a força da aliança o fez agir com misericórdia. O texto continua em sua narrativa, dizendo que Mefibosete viveu em Jerusalém e comeu da mesa do rei. Foi-lhe devolvido o direito à herança em Israel. Enquanto estivermos na mesa do Rei, precisamos entender que nossas imperfeições e lista de defeitos, ainda que existentes em nós, foram perdoadas pelo poder da aliança que há no sangue de Jesus Cristo. Oh, glória! Enfim no tabernáculo, o candidato ao ministério sacerdotal passava por todo esse teste de perfeição. A finalidade desse parâmetro físico de perfeição é apontar o perfeito Sumo Sacerdote, Cristo. Uma autora chamada Mary Douglas, em seu livro “Leviticus as literature”, deixa claro que: “A beleza física, ou a falta de defeitos físicos, parece estar interligada à santidade; é Deus dizendo que a santidade pode ser perigosa se for misturada com nossos defeitos.”. Matthew Henry, em seu comentário bíblico sobre esse texto de Levítico acerca da lista de restrições físicas dos levitas, diz: “Como esses sacerdotes eram tipos de Cristo, todos os ministros deveriam ser seguidores dele, para que o exemplo deles ensinasse outros a imitar o Salvador. Sem mácula e separado dos pecadores, Ele executou seu ofício sacerdotal na terra. Que tipo de pessoas então deveriam ser seus ministros! Mas todos são, nós cristãos, sacerdotes espirituais; o ministro é especialmente chamado a dar um bom exemplo, para que o povo o siga.”. A beleza da santidade divina e da perfeição que há em Cristo se mesclam nessa passagem. Capítulo 13 VESTES DO SUMO SACERDOTE Assim como o sumo sacerdote devia seguir um padrão de perfeição, também as suas vestes deveriam ser impecáveis, pois elas simbolizam a plenitude ministerial. A narrativa bíblica nos diz que as vestes sacerdotais foram feitas por homens cheios do espírito de sabedoria. O objetivo dessas roupas especiais era de santificar o sumo sacerdote: “Diga a todos os homens capazes, aos quais dei habilidade, que façam vestes para a consagração de Arão, para que me sirva como sacerdote.” (Êxodo 28:3, NVI). Ao ponto de as tais vestimentas transmitirem santidade ao povo: “Quando saírem para o pátio externo onde fica o povo, tirarão as roupas com que estiveram ministrando e as deixarão nos quartos sagrados, e vestirão outras roupas, para que não consagrem o povo por meio de suas roupas sacerdotais.” (Ezequiel 44:19, NVI). Como um símbolo de honra e dignidade, o sumo sacerdote se distinguia dos demais ministros pela sua vestimenta. Essa vestimenta era dividida em partes. O sumo sacerdote deveria se vestir com um calção feito de linho fino branco, que ia da cintura até os joelhos. Certamente porque os sacerdotes pagãos do antigo Oriente Médio ministravam nus, ou seminus aos seus deuses, e Deus traz a Israel um ethos divino, um conceito de moralidade singular. Por cima, ele se vestia com uma túnica de linho fino branco e amarrava um turbante branco. Essas três peças da vestimenta eram parecidas com a roupa dos sacerdotes. As peças que falaremos agora diferenciam o sumo sacerdote dos demais ministrantes. Na testa, o sumo sacerdote carregava uma inscrição gravada em uma lâmina de ouro puro, esta era afixada no turbantecom um cordão azul. A inscrição dizia: Kodesh LaYehovah. Que transliterado significa: Santificado para o Senhor. “Fizeram de ouro puro o diadema sagrado, e gravaram nele como se grava um selo: Consagrado ao Senhor. Depois usaram um cordão azul para prendê-lo na parte de cima do turbante, como o Senhor tinha ordenado a Moisés.” (Êxodo 39:30-31, NVI). A lâmina simbolizava o sacerdócio perfeito e o resplendor de um rei. “Assim como Israel era um reino sacerdotal. E vós sereis para mim reino sacerdotal e nação santa. São estas as palavras que falarás aos filhos de Israel.” (Êxodo 19:6, AA). A igreja também recebe esse título: “E nos fez reino, sacerdotes para Deus, seu Pai, a ele seja glória e domínio pelos séculos dos séculos. Amém.” (Apocalipse 1:6, JFA). Por cima da túnica branca era colocado um colete inteiramente azul, feito sem costura. Na orla desse colete azul estavam os sinos de ouro que retiniam e as romãs de cor azul, púrpura e carmesim. Esse colete, ou túnica larga, ia do pescoço até abaixo dos joelhos do sumo sacerdote. Segundo o historiador Flávio Josefo, esse colete não tinha mangas. As romãs são símbolo de frutificação, e os sinos símbolo de testemunho. Estavam ornamentando o colete azul de forma alternada, um sino e uma romã, um sino e uma romã, a obra e a fé, a pregação e o testemunho público, a oração e a leitura bíblica, a confissão e o arrependimento, um sino e uma romã. Sobre o colete azul era colocada a estola sacerdotal. A estola em hebraico é דופא efod. Que simplesmente significa uma cobertura. Essa estola também não tinha mangas e era bordada com as cores azul, púrpura, carmesim e fios de ouro. Os significados dessas cores são de suma importância, pois o leitor já deve ter percebido que estas estão por toda a parte no tabernáculo. Na porta, no véu, na cobertura interior e a agora nas vestes do ministrante. A estola sacerdotal tinha ombreiras, que eram duas pedras de ônix, uma em cada ombro. Eram elas que sustentavam e ligavam a parte da frente com a parte das costas da estola. Essas pedras continham inscritos. Em cada uma dessas pedras estava registrado o nome de seis filhos de Israel, segundo a ordem de nascimento. Em uma delas continha os nomes de: Rúben, Simeão, Levi, Judá, Dã e Naftali. A outra continha os nomes de: Gade, Aser, Issacar, Zebulom, José e Benjamim. Preso à estola tinha um peitoral de ouro com 12 pedras preciosas. Cada pedra do peitoral carregava uma inscrição, um nome dos filhos, ou das tribos de Israel. As pedras eram: Sárdio, Topázio, Carbúnculo, Esmeralda, Safira, Diamante, Jacinto, Ágata, Ametista, Berilo, Ônix e Jaspe. O peitoral era preso à estola por meio de correntes de ouro vindas das ombreiras, e este composto era preso ao peito do sumo sacerdote por meio de fitas azuis. O peitoral era de aproximadamente 46 cm por 23 cm, e como era usado dobrado, passava a ser um quadrado de 23cm. O peitoral foi feito dobrado com a finalidade de carregar Urim e Tumim. Urim e Tumim eram pedras preciosas por meio das quais o sumo sacerdote obtinha respostas de Deus. A Sagrada Escritura não deixa esclarecido quanto à forma em que eram usadas essas pedras, ou como essas respostas vinham ao sacerdote. Em várias ocasiões de narrativas bíblicas, vemos Urim e Tumim sendo usados. Um dos exemplos é este: “E o governador lhes disse que não comesse das coisas sagradas, até que se levantasse um sacerdote com Urim e Tumim.” (Neemias 7:65, ACF). Um cinto era usado para prender a estola ao corpo do sumo sacerdote. Esse cinto era feito com as mesmas cores da estola. Quando a Bíblia fala de cinto, ela fala de algo que carrega o símbolo da disposição para o serviço. É costumeiro no Oriente Médio tanto homens quanto mulheres usarem túnicas longas e largas. Ao cingir os lombos, a pessoa amarra essa túnica à cintura, elevando-a para que as pernas fiquem livres e ganhem velocidade. Quando a Bíblia diz que Elias cingiu os lombos, está se referindo ao ato dele amarrar as vestes no cinto para que haja mais liberdade para a corrida: “E a mão do Senhor estava sobre Elias, o qual cingiu os lombos, e veio correndo perante Acabe, até a entrada de Jizreel.” (1 Reis 18:46, ARC). O próprio Jesus orienta Seus discípulos a se prepararem para tudo, e que eles tenham seus lombos cingidos: “Estejam cingidos os vossos lombos e acesas as vossas candeias.” (Lucas 12:35, AA). Indo um pouco mais profundo neste conceito de preparação, o apóstolo Pedro diz que o cristão deve estar com o entendimento preparado, ou cingido: “Portanto, cingindo os lombos do vosso entendimento, sede sóbrios, e esperai inteiramente na graça que se vos oferece na revelação de Jesus Cristo.” (1 Pedro 1:13, AA). Jesus, ao ser visto por João na ilha de Patmos, usava um cinto de ouro. Uma demonstração do ministério sacerdotal eterno do Cristo ressurreto: “E no meio dos candeeiros um semelhante a filho de homem, vestido de uma roupa talar, e cingido à altura do peito com um cinto de ouro.” (Apocalipse 1:13, AA). A roupa do sumo sacerdote era graciosa, colorida e até honrosa, mas no dia da expiação, ele não se vestia com esse glamour. O texto de Levítico, capítulo 16 e verso 4 diz: “Ele vestirá a túnica sagrada de linho, com calções também de linho por baixo; porá o cinto de linho na cintura e também o turbante de linho. Essas vestes são sagradas; por isso ele se banhará com água antes de vesti-las” (NVI). Isso mesmo, ele se vestia como os outros sacerdotes. Pois lá na presença da Glória de Deus não há espaço para as glórias do ministério terreno. Ele se banhava e se vestia de branco. Diante da presença do Altíssimo, não há como escondermos nossa verdadeira intenção. O salmista, no salmo 139, nos versos 1 ao 3 se maravilha com os atributos divinos, principalmente com a forma que Ele nos sonda e vê: “Senhor, tu me sondas e me conheces. Sabes quando me assento e quando me levanto; de longe penetras os meus pensamentos. Esquadrinhas o meu andar e o meu deitar e conheces todos os meus caminhos” (ARA). Existe um detalhe riquíssimo a ser compreendido quanto à roupa do sumo sacerdote no dia da expiação. Antes de entrar no Santíssimo Lugar, ele oferecia um sacrifício pelo seu pecado, um novilho. Isso garantia ao sumo sacerdote a certeza de que a ira de Deus estava aplacada através do sangue do animal inocente, neste caso, o novilho. Se Deus não aceitasse esse sacrifício, certamente ele não entraria lá, só entrou porque foi de antemão perdoado de seus pecados. E quando somos perdoados, não há necessidade de enfeites espirituais, de sinetes, de estola, de peitoral, de Urim e Tumim, de sinos ou de romãs como requisitos primários para nos achegarmos a Deus. A justiça e o sangue de Cristo nos garantem total acesso. MANDAMENTOS DIVERSOS Capítulo 14 Vamos voltar por um momento para o período patriarcal. Antes da dispensação da Lei, os patriarcas faziam seus altares ao Senhor e neles sacrificavam. Abraão era um construtor de altares. Leia Gênesis 13 e Gênesis 22 também. “Passando dali para o monte ao oriente de Betel, armou a sua tenda, ficando Betel ao ocidente e Ai ao oriente; ali edificou um altar ao SENHOR e invocou o nome do SENHOR.” (Gênesis 12:8, ARA). Outro pai de família que também construiu altares foi Noé, isso antes dos patriarcas: “Levantou Noé um altar ao SENHOR e, tomando de animais limpos e de aves limpas, ofereceu holocaustos sobre o altar.” (Gênesis 8:20, ARA). Jó também construía altares. Essa prática de Jó é um gatilho para entendermos que provavelmente tenha vivido antes da dispensação da Lei e depois de Noé: “E sucedia que, tendo decorrido o turno de dias de seus banquetes, enviava Jó e os santificava; e, levantando-se de madrugada, oferecia holocaustos segundo o número de todos eles; pois dizia Jó: Talvez meus filhos tenham pecado, e blasfemado de Deus no seu coração. Assim o fazia Jó continuamente.” (Jó 1:5, NTLH). Eles entendiam que sem derramamento de sangue não há remissão, e essa era uma prática comum no mundo do Oriente Médio antigo. De forma completa e definitiva, a partir daquele encontrode Deus e Moisés no Sinai, esse modelo sacerdotal familiar mudaria. E junto com as leis espirituais, as leis morais e sociais se alteraram. As Leis dadas por Deus no Monte Sinai não se restringem ao que conhecemos como 10 mandamentos escritos em pedras talhadas. Contudo, existe uma gama de leis, estatutos e orientações além do decálogo. A cultura judaica admite que existam 613 mandamentos diversos. Aproximadamente 3 meses haviam se passado após a saída deles do Egito, estavam longe de Canaã. Eram escravos egípcios recém-libertos e a cosmovisão deles era egípcia. É preciso lembrar ao leitor que os filhos de Israel estavam vivendo como escravos por mais de 400 anos no Egito. Entendemos que houve uma razão maior pela qual a Lei é dada ao povo enquanto ainda no deserto, pois não tinham leis para defender o cidadão ou para culpar o homem mau. A Lei então é dada para nomear em seus ethos diários, se bons ou maus, se certo ou errado. Como cristãos de uma Nova Aliança em Cristo Jesus, é preciso entendermos essa Lei pelo prisma da Graça. E para isso, aconselho a leitura e análise das cartas de Paulo aos Gálatas, capítulo 2 e 3, e também Romanos, capítulo 4. Gálatas 2:16 – A Lei não justifica: “Sabendo, contudo, que o homem não é justificado por obras da lei, mas sim, pela fé em Cristo Jesus, temos também crido em Cristo Jesus para sermos justificados pela fé em Cristo, e não por obras da lei; pois por obras da lei nenhuma carne será justificada.” (JFA). Romanos 4:13 – A fé trouxe a promessa: “Porque não foi pela lei que veio a Abraão, ou à sua descendência, a promessa de que havia de ser herdeiro do mundo, mas pela justiça da fé.” (JFA). Romanos 4:14 – Com a Lei, a promessa é aniquilada: “Pois, se os que são da lei são herdeiros, logo a fé é vã e a promessa é anulada.” (JFA). Romanos 4:15 – A Lei traz (opera) a ira de Deus: “Porque a lei opera a ira; mas onde não há lei também não há transgressão.” (JFA). A Lei é o aio, ou seja, o conselheiro. A Lei é aquela que diz à humanidade: “Vá por este caminho”, ou, “Não ande por ali”. E essa orientação conselheira (a Lei) foi usada até que veio o Messias. A Lei não dava vida àqueles que a buscavam, mas ela ensinava a viver. Quando Jesus estava sendo perseguido pelos mestres do Templo, os chamados fariseus, Ele disse que nem mesmo estes mestres estavam suportando o peso da Lei e queriam colocá-la sobre o povo (Mateus 24). A Lei tem um peso insuportável. Na dispensação da Lei, era exigido do povo, ao ser chamado para um encontro com Deus, que todos se santificassem, tomassem banho e trocassem suas vestes, incluindo os ministrantes: “Mesmo os sacerdotes que se aproximarem do Senhor devem consagrar-se; senão o Senhor os fulminará.” (Êxodo 19:22, NVI). O conceito básico a ser lembrado é este: Deus é santo. E todos que se aproximam de Deus devem ser santificados. Quando o Messias prometido chega à Israel, Ele é rejeitado por muitos. E um dos motivos de tamanha rejeição é a questão do zelo com a santidade divina. Como o Messias, sendo Deus, pode ser chamado de amigo de prostitutas e pecadores? Os fariseus viram quando a prostituta lava seus pés. Quando um leproso é tocado por Jesus. Isso é impossível de acontecer, eles pensavam. E segundo a Lei, estavam corretos. Mas segundo a Graça salvadora que há em Cristo, eles estavam equivocados. O que eles ainda não sabiam é que o Deus encarnado, Jesus Cristo, viria para mudar o curso da história. É Cristo quem nos chama, dizendo: “Venha como estás, venha para a minha festa de núpcias que Eu te limpo, te curo, te perdoo e troco as suas vestes”. Durante muitos e muitos anos, o povo de Israel precisava se preparar, tomar banho, lavar as vestes, se consagrar e se santificar para ir ao Templo, levando os seus sacrifícios. De repente, a Graça invade a história, muda o curso natural da adoração para a sua própria direção. O capítulo 21 de Êxodo fala sobre alguns dos mandamentos dados a Israel, e dentre eles a Lei fala sobre os escravos que viviam no meio deles. A Lei era específica: Por seis anos um escravo serviria seu senhor, mas no sétimo ano seria livre da escravidão. Mais uma vez vemos uma pincelada da Graça do Senhor. O texto diz que se o escravo amar o seu senhor, ele poderá ficar para sempre como escravo na casa, servindo por amor. Esse escravo após seis anos tinha a liberdade pela lei de ser alforriado, mas podia escolher viver nas propriedades de seu senhor e o servir pelo resto de sua vida. Ao aceitar ser um escravo livre, que viveria e serviria para sempre seu senhor, ele adquiriria uma marca física permanente: “Ali ele o encostará na porta ou no batente da porta e furará a orelha dele com um furador. Então ele será seu escravo por toda a vida.” (Êxodo 21:6, NTLH). Uma de suas orelhas era furada como um sinal dessa escolha. A orelha furada como sinal de amor e um símbolo de obediência às palavras que ouvira de seu senhor. O salmista diz: “Sacrifício e oferta não pediste, mas furaste a minha orelha.” (Salmos 40:6). Deus está nos dizendo através desse conceito que se O amarmos, poderemos cumprir Seus mandamentos e servi-lO de todo coração. Por opção própria, simplesmente por amor. Cristo trouxe consigo o ano sabático, o ano da alforria. O sétimo ano da história de Israel. Ele trouxe o jubileu, o ano aceitável do Senhor. O ano que coloca todas as coisas em seu devido lugar. Os mandamentos trazem transparência para a ética cristã. No capítulo 22 de Êxodo, no verso 6, Deus trata sobre outra questão, a agricultura: “Se um fogo se espalhar e alcançar os espinheiros, e queimar os feixes colhidos ou o trigo plantado ou até a lavoura toda, aquele que iniciou o incêndio restituirá o prejuízo” (NVI). O povo hebreu era agropecuarista, cuidavam de suas plantações e rebanhos. O texto diz que se alguém, por uma boa causa, atear fogo em um espinheiro e o fogo se alastrar para uma seara madura, aquele que ateou o fogo pagará por todo o prejuízo. Jesus, em uma de Suas parábolas, disse que o joio foi semeado e cresceu no meio do trigo, ou seja, que haverá injustos no meio dos justos: “Jesus lhes contou outra parábola, dizendo: O Reino dos céus é como um homem que semeou boa semente em seu campo. Mas enquanto todos dormiam, veio o seu inimigo e semeou o joio no meio do trigo e se foi. Quando o trigo brotou e formou espigas, o joio também apareceu. Os servos do dono do campo dirigiram-se a ele e disseram: ‘O senhor não semeou boa semente em seu campo? Então, de onde veio o joio?’. ‘Um inimigo fez isso’, respondeu ele. Os servos lhe perguntaram: ‘O senhor quer que o tiremos?’. Ele respondeu: ‘Não, porque, ao tirar o joio, vocês poderiam arrancar com ele o trigo. Deixem que cresçam juntos até a colheita. Então direi aos encarregados da colheita: Juntem primeiro o joio e amarrem-no em feixes para ser queimado; depois juntem o trigo e guardem-no no meu celeiro’.” (Mateus 13:24-30, NVI). Na parábola, fica esclarecido que não é função particular, seja líder ou congregado, separar os dois. Essa função é do Senhor. Porque se tentando eliminar os espinhos (injustos), o fogo pegar na seara madura (justos), sofreremos as consequências de tais atos. Lucas, capítulo 17, dos versos 1 ao 4 diz que: “É impossível que não venham escândalos, mas ai daquele por quem vierem! Melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma mó de atafona, e fosse lançado ao mar, do que fazer tropeçar um destes pequenos. Olhai por vós mesmos. E, se teu irmão pecar contra ti, repreende-o e, se ele se arrepender, perdoa-lhe. E, se pecar contra ti sete vezes no dia, e sete vezes no dia vier ter contigo, dizendo: Arrependo-me; perdoa-lhe.” (ACF). O princípio aqui é eliminar todo senso de justiça própria, rebelião ou acusações que podem afligir a noiva de Cristo. Fica um alerta para os líderes: que vocês não sejam achados culpados quanto à perda dos justos. Deus também trouxe leis que beneficiaram a terra de Canaã. Deus é o Criador que cuida com carinho de Suas obras criadas. O descanso da terra, ou o ano sabático da terra, foi exigido por lei. Lembrandoque o sábado era dia de descanso do povo. E a terra deles, a Canaã, deveria descansar de sete em sete anos. Uma entrega de suas propriedades para o Senhor naquele ano. E se não plantassem e nem colhessem naquele ano, com o que viveriam e se sustentariam? O texto diz que eles deveriam comer do que a terra desse livremente, sem que plantassem nela. Os pobres eram orientados para que tivessem todo o acesso a suas propriedades, para colherem dos sobejos. E que os animais selvagens pastassem na terra. Aquela propriedade deveria ser tratada como um lugar selvagem, sem dono. Sendo Deus o seu agricultor: “Plantem e colham em sua terra durante seis anos, mas no sétimo deixem-na descansar sem cultivá-la. Assim os pobres do povo poderão comer o que crescer por si, e o que restar ficará para os animais do campo. Façam o mesmo com as suas vinhas e com os seus olivais.” (Êxodo 23:10-11, NVI). “Então disse o Senhor a Moisés no monte Sinai: Diga o seguinte aos israelitas: Quando vocês entrarem na terra que lhes dou, a própria terra guardará um sábado para o Senhor. Durante seis anos semeiem as suas lavouras, aparem as suas vinhas e façam a colheita de suas plantações. Mas no sétimo ano a terra terá um sábado de descanso, um sábado dedicado ao Senhor. Não semeiem as suas lavouras, nem aparem as suas vinhas. Não colham o que crescer por si, nem colham as uvas das suas vinhas, que não serão podadas. A terra terá um ano de descanso. Vocês se sustentarão do que a terra produzir no ano de descanso, você, o seu escravo, a sua escrava, o trabalhador contratado e o residente temporário que vive entre vocês, bem como os seus rebanhos e os animais selvagens de sua terra. Tudo o que a terra produzir poderá ser comido.” (Levítico 25:1-7, NVI). Esse mandamento foi lhes dado enquanto ainda viviam no deserto. Quando tomaram posse de Canaã, esse mandamento lhes causou o que chamamos de exílio. O que tem o exílio de Israel a ver com esse mandamento? Pois bem, o profeta Jeremias, no capítulo 29, no verso 10 diz que por setenta anos estariam cativos, e somente depois desse período poderiam retornar: “Assim diz o Senhor: Quando se completarem os setenta anos da Babilônia, eu cumprirei a minha promessa em favor de vocês, de trazê-los de volta para este lugar” (NVI). No período do exílio de Israel, já havia se passado 490 anos após entrarem em Canaã. E o povo nunca guardou o ano sabático da terra. Eles aravam, plantavam e colhiam no ano sabático. Então o Senhor resolveu separar o ano sabático, exilando os habitantes. E por 70 anos a terra finalmente descansou. Que tragédia! Estavam recebendo o galardão de seus erros. A Lei era boa e específica, porém muito dura e cortante. Toda ela foi feita para um padrão de santidade, ao ponto de Deus habitar no meio do povo (tabernáculo) e não os consumir. Nosso mestre Jesus cumpriu toda a Lei com eterna perfeição. Por meio dEle, as demandas da justiça de Deus foram satisfeitas (Romanos 3). “Não pensem que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir.” (Mateus 5:17, NVI). A FACE DE DEUS Durante aquele período de Lei e castigos, de santo e profano, vemos que lá no monte, Moisés conversa com Deus e pede para ver Sua face. Afinal de contas, Moisés viu a face desse Deus Santo ou não? “Não poderás ver a minha face, porquanto homem nenhum pode ver a minha face e viver.” (Êxodo 33:20, AA). O texto bíblico diz que Moisés viu a glória de Deus: “E quando a minha glória passar, eu te porei numa fenda da penha, e te cobrirei com a minha mão, até que eu haja passado. Depois, quando eu tirar a mão, me verás pelas costas; porém a minha face não se verá.” (Êxodo 33:22-23, AA). Existe um argumento dizendo que Moisés via a Deus, pelo fato de falar com Ele. Mas não acredito que essa seja a verdade. Todos conhecem este versículo, que diz: “Nunca mais se levantou em Israel profeta algum como Moisés, com quem o SENHOR houvesse tratado face a face.” (Deuteronômio 34:10, ARA). Esse versículo não contradiz os versículos anteriores, que proíbem o homem de ver a face de Deus sem morrer. Quando a Bíblia traz a expressão face a face, está se referindo a um grau altíssimo de intimidade. Para nos ajudar a compreender essa premissa e essa relação entre santidade divina e o pecador, o apóstolo João nos diz que “Ninguém jamais viu a Deus; o Deus unigênito, que está no seio do Pai, é quem o revelou.” (João 1:18, KJA). Portanto, partindo desse pressuposto, o único que viu a Deus foi Aquele que está com o Pai, Jesus Cristo, o Deus Filho. E somente por meio de Jesus Cristo, os homens puderam, de fato, ver a Deus. João continua, dizendo que Jesus tabernaculou entre nós e eles puderam ver a Sua glória, a glória do Unigênito do Pai: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.” (João 1:14, ARA). A glória (do hebraico: kavod) que se revelou em Israel lá dentro do Santo dos santos no tabernáculo pôde ser vista em Jesus. O Monte Tabor foi testemunha de um evento glorioso. Certo dia, Jesus chama Seus discípulos mais próximos para um período de oração, e ali no monte, Ele se transfigura diante deles. Transfiguração é um estado de glória. O texto diz que Elias e Moisés estavam presentes e conversavam com Jesus glorificado, ou transfigurado. Moisés viu o rosto de Jesus, viu a glória de Deus nEle e pôde contemplar por completo naquele dia o que havia pedido ao Senhor. MÓVEIS DO TABERNÁCULO Capítulo 15 A estrutura do tabernáculo era retangular, tendo seu comprimento total de aproximadamente 45 metros; a largura era de aproximadamente 23 metros. O Santo Lugar tinha aproximadamente 9 metros de comprimento por 4,5 metros, e o Santíssimo Lugar era de 4,5 metros quadrados. No lugar onde a glória de Deus habita, não há espaço para imperfeições. Nosso Senhor é chamado de Emanuel, Deus Conosco. Deus habitando conosco, em nosso coração através da perfeição que há no Cristo. A Bíblia nos apresenta outros textos onde um cubo perfeito representa o divino, Jesus como medida perfeita. Não há falhas nEle, perfeito como homem e perfeito sendo Deus. Em 1 Reis 6:19-20 vemos um cubo perfeito: “Preparou também o santuário interno no templo para ali colocar a arca da aliança do Senhor. O santuário interno tinha nove metros de comprimento, nove de largura e nove de altura. Ele revestiu o interior de ouro puro, e também revestiu de ouro o altar de cedro” (NVI). Em Ezequiel 41:4 temos um cubo perfeito: “E ele mediu o comprimento do santuário interno; tinha dez metros, e sua largura era de dez metros até o fim do santuário externo. Ele me disse: Este é o Lugar Santíssimo.” (NVI). Em Apocalipse 21:16, o texto grego diz que existiam 12.000 estádios, e um estádio equivalia a 185 metros. Um cubo perfeito. “A cidade era quadrangular, de comprimento e largura iguais. Ele mediu a cidade com a vara; tinha dois mil e duzentos quilômetros de comprimento; a largura e a altura eram iguais ao comprimento” (KJA). Tanto o Santíssimo Lugar do tabernáculo quanto o suntuoso Templo de Salomão, Santíssimo Lugar mostrado em visão ao profeta Ezequiel e também na visão escatológica do apóstolo João sobre a Cidade Santa, todos esses lugares são representados por um quadrado exato, um cubo perfeito. A ARCA DA ALIANÇA As subdivisões do tabernáculo são marcadas por objetos autênticos. No átrio foram colocados dois objetos sagrados: o altar de bronze e a bacia de bronze. O Santo Lugar contém três objetos sagrados: a mesa dos pães, o candelabro e o altar do incenso. E no Santíssimo Lugar, um único objeto: a Arca da Aliança. A Arca da Aliança era parte essencial do Santíssimo Lugar, pois sobre ela estava o propiciatório onde os querubins estendiam suas asas. Lugar onde a presença da glória habitava. A Arca da Aliança tinha aproximadamente 150 cm de comprimento por 75 cm de altura e 75 cm de largura. Temos essa estimativa aproximada porque estamos fazendo referência das medidas dadas no texto hebraico, que é o côvado. O côvado era a medida do antebraço de Moisés,que ia da ponta do dedo médio até a ponta do cotovelo. Não há como estimarmos a medida física exata de Moisés, mas podemos ter uma estimativa baseada na medida de um homem mediano. O que nos leva a concluir que um côvado equivale a aproximadamente cinquenta centímetros. O filósofo grego Pitágoras declarou que “o homem é a medida de todas as coisas”. Ele certamente se referia a esse modo de medição que foi muito usado por seus contemporâneos (Pitágoras é considerado o pai da matemática). Vários exemplos bíblicos de medidas usaram o côvado como conceito, um método que, segundo a arqueologia moderna, surgiu no Egito antigo. A arca de Noé usou tais medidas, as águas do dilúvio foram medidas em côvados: “Quinze côvados acima deles prevaleceram as águas; e assim foram cobertos.” (Gênesis 7:20, AA). A estátua que o profeta Daniel viu era medida em côvados: “O rei Nabucodonosor fez uma estátua de ouro, a altura da qual era de sessenta côvados, e a sua largura de seis côvados; levantou-a no campo de Dura, na província de Babilônia.” (Daniel 3:1, JFA). O rolo que o profeta Zacarias viu foi medido em côvados: “Perguntou-me o anjo: Que vês? Eu respondi: Vejo um rolo voante, que tem vinte côvados de comprido e dez côvados de largo.” (Zacarias 5:2, JFA). Jesus perguntou quem poderia acrescentar um côvado à sua estatura: “Ora, qual de vós, por mais ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado à sua estatura?” (Mateus 6:27, AA). Os muros da Cidade Santa avistada por João era em côvados: “[...] medida de homem... Também mediu o seu muro, e era de cento e quarenta e quatro côvados, segundo a medida de homem, isto é, de anjo.” (Apocalipse 21:17, JFA). A Arca da Aliança foi construída em madeira de acácia e toda revestida de ouro puro. Ela possuía quatro argolas de ouro ao redor, duas de cada lado. As argolas eram usadas somente no transporte da Arca, quando dois varais de madeira de acácia cobertos de ouro eram colocados nas argolas. Esses varais eram suportados pelos ombros dos coatitas. A Arca também contava com uma coroa artesanalmente desenhada em sua borda, o que representa facilmente o reino terreno e celestial de Cristo. A acácia tem uma característica muito marcante, pois ela foi a base de todos os utensílios, móveis e estrutura do tabernáculo. Por vezes, os salmistas e profetas usaram a acácia como metáfora. Temos o exemplo do salmo 1 e de Jeremias 17. Elas são árvores relativamente grandes, pelo fato de nascerem no deserto. Sua sombra, sua folhagem, sua lenha e seu fruto são muito úteis para os caminhantes do deserto. Ela fornece sombra, alimento, remédio e água. Pelo fato dessa árvore crescer no deserto, eles sabem que onde tem uma acácia, ali também tem um lençol freático suprindo suas raízes. Não se vê a água, mas pelos frutos e as folhas verdes os viajantes sabem que ali tem água. Na nossa vida ministerial, a água do Espírito nos supre primeiro, para que depois possamos fornecer folhagem (conselhos), sombra (palavras de refrigério), fruto (bom testemunho), lenha (suprimento da Palavra) e tantos outros benefícios aos caminhantes do deserto da vida. Feita de madeira de acácia e coberta totalmente por ouro puro batido. A madeira de acácia é uma madeira dura e cheia de nós. Historiadores dizem que essa madeira foi proveniente de uma árvore espinhosa do deserto e cheia de imperfeições. Sabe-se que a acácia, apesar de tantas benesses, é espinhosa. Isso mesmo, Deus nos faz lembrar da nossa humanidade, de quem somos. Temos espinhos, somos falhos, não somos perfeitos, só carregamos a mensagem de quem é perfeito, Cristo. A humanidade de Cristo é revelada nessa madeira. E o ouro que a cobre por inteiro, por dentro e por fora, é o símbolo de Sua divindade. Aquele que é 100% homem e 100% Deus. Podemos espelhar essa imagem na igreja de Cristo. Somos a morada de Deus por meio de Cristo e através do Espírito Santo. Fomos redimidos, justificados e seremos glorificados com Cristo. Mas apesar desse revestimento de gloriosa salvação (ouro puro) que nos cobre por dentro e por fora, ainda somos humanos (acácia cheia de espinhos e imperfeita). Mesmo assim, Deus escolheu trabalhar conosco, nos fazer Arca e nos revestir com o melhor ouro (Espírito Santo). Ao testemunharmos de Cristo e o Seu Evangelho, não temos o que dizer de nossas experiências pessoais, por mais que pareçam extraordinárias. A acácia não foi feita para aparecer. Se ela aparecer, certamente não é o modelo que Deus arquitetou. “Que eu diminua, e o Senhor cresça.” (João 3:30). A Arca era uma caixa, ou um aron em hebraico. O texto sagrado apresenta cerca de 200 referências sobre aron. Aron Haêdut, ou “arca do testemunho”, como em Êxodo 26:34 diz: “Porás o propiciatório sobre a arca do testemunho no santo dos santos.” (JFA). Ou chamada de Aron berith Yehovah, a “Arca da Aliança com Yehovah”, como em Números 10:33: “Partiram, pois, do monte do SENHOR caminho de três dias; a arca da Aliança do SENHOR ia adiante deles caminho de três dias, para lhes deparar lugar de descanso.” (ARA). Outras vezes chamada de Aron Yehovah, “Arca de Yehovah (Jeová)”, como em 1 Samuel 6:19: “Feriu Jeová os homens de Bete-Semes, porque olharam para dentro da arca de Jeová, sim, feriu deles setenta homens; então, o povo chorou, porquanto Jeová fizera tão grande morticínio entre eles.” (JFA). E em Josué 3:6 ela é chamada de Aron Haberit, “Arca da Aliança”: “E também falou aos sacerdotes, dizendo: Levantai a Arca da Aliança e passai adiante do povo. Levantaram, pois, a arca da Aliança e foram andando adiante do povo.” (ARA). Ao analisarmos a raiz da palavra aron, facilmente encontraremos uma ligação profunda dessa palavra com um sarcófago. Isso mesmo, aquele que recebeu o corpo de José no Egito em Gênesis 50:26. A mesma palavra hebraica foi usada no texto: “Morreu José da idade de cento e dez anos; embalsamaram-no e o puseram num sarcófago no Egito.” (ACF). Aqui está uma revelação bem profunda. Aquele que mais tarde seria tipificado na Arca, deveria antes passar pela morte. Outras duas arcas são citadas na Bíblia. A arca de Noé e a arca de Moisés. Embora a palavra hebraica usada seja a mesma para essas duas arcas, não é Aron, mas Tebah. A Arca era a única peça do tabernáculo que era considerada santíssima. Enquanto que todos os outros utensílios e o próprio tabernáculo eram considerados santos. Ela era santíssima porque era um receptor da presença de Deus. PROPICIATÓRIO O propiciatório era uma peça de muita importância, não era exclusivamente uma tampa para a Arca, sua utilidade vai além. O propiciatório era de ouro puro, não tinha madeira. Tinha sobre si a figura de dois querubins, também feitos de ouro puro. Apontando a adoração do divino feita por esses dois seres celestiais. Esses querubins estendiam as suas asas e se tocavam, cobrindo toda a Arca. As faces dos seres se espelhavam, voltadas para a Arca. Uma linda figura de adoração, reverência e proteção. Eles estavam ali como guardiões da glória do Senhor. E do meio dos querubins, Deus falava. Os querubins podem ser facilmente associados com anjos de fogo ou guerreiros celestiais. Eles fazem parte do tabernáculo. Não somente no propiciatório, mas toda a cobertura interna, as cortinas, os véus e a porta da entrada eram cobertos com suas gravuras. Os querubins aparecem cerca de 90 vezes no Antigo Testamento. E são citados pela primeira vez em Gênesis, capítulo 3, verso 24, que diz: “E havendo lançado fora o homem, pôs ao oriente do Jardim do Éden os querubins, e uma espada flamejante que se volvia por todos os lados, para guardar o caminho da árvore da vida.” (AA). A existência de querubins guardando a santidade do Jardim do Éden e querubins guardando a santidade da Arca nos leva ao primeiro lugar de habitação de Deus com o homem. Sim, o Jardim do Éden era um tabernáculo. Um Lugar Santíssimo onde Deus vinha para se encontrar e conversar com Sua criação. Que Deus tremendo! O Jardim do Éden era o lugar que Deus havia construído para ter plena comunhão com o homem na terra. O tabernáculo veio parafazer essa função até que Cristo, a verdadeira habitação de Deus, viesse e cumprisse o que havia sido revelado por meio de sombras e alegorias. Assim como a árvore da vida estava no centro do Jardim do Éden, o tabernáculo está no meio da congregação, e a Arca da Aliança está literalmente colocada no meio do tabernáculo. O escritor da carta aos Hebreus, no capítulo 10, verso 5, diz que: “Pelo que, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, mas um corpo me preparaste;” (JFA). Cristo foi preparado como habitação do Senhor entre nós, Seu povo. A Arca caminhou com o povo de Israel por muitas gerações. E assim como a Arca esteve com Israel, o mestre Jesus está pronto para caminhar conosco e nos garantir a vitória na jornada da vida até chegarmos à Canaã celestial. É importante atentarmos para a palavra “querubim” em hebraico. A referência está no Dicionário Strong, na numeração 3742, como querub. A palavra querubim está no plural. Apesar de nós não sermos familiarizados com a sua forma singular, ela existe. Algumas traduções inglesas, como a World English Bible, trazem a palavra no singular, que seria algo como querub em português. Por algumas vezes, o singular da palavra querubim , kerub aparece no texto sagrado original, como em Êxodo 25:19: “Farás um querub numa extremidade e o outro querub na outra extremidade.”. Alguns teólogos e arqueólogos associam a palavra hebraica kerub ao termo assírio quirubu. Esse termo dava nome a touros alados. Outros teóricos não creem nessa associação com o termo assírio. É válido pensar na figura de um ser guardião. Esses seres que desde os primeiros habitantes primitivos foram moldados e colocados em lugar de destaque, como vemos em muito material arqueológico. Talvez a humanidade tenha usado essa figura celestial pelo fato de Deus usá-los desde a queda do homem, guardando a entrada do Jardim do Éden. O ofício dos querubins sempre foi o mesmo, o de proteger. Protegeram o Jardim do Éden dos homens caídos e protegeram a Arca da Aliança dos intrusos. Os querubins mantinham a árvore da vida e o caminho da vida eterna bem guardados, até que a justiça divina fosse satisfeita em Jesus. “E em Jesus temos livre acesso ao Pai. Ninguém vem ao Pai senão por Mim.” (João 14:6). A verdade que o tabernáculo trouxe é imutável, Deus habita em meio aos querubins: “Ali, virei a ti e, de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins que estão sobre a arca do Testemunho, falarei contigo acerca de tudo o que eu te ordenar para os filhos de Israel.” (Êxodo 25:22, ARA). O apóstolo João, na ilha de Patmos, viu a habitação divina, rodeado de seres e de querubins. Ele viu Cristo ressurreto, assentado em Seu trono de glória. Ao redor do trono, viu coisas maravilhosas e difíceis de serem entendidas, e em cada lado ele viu querubins. Guardiões do trono de Cristo: “Imediatamente me vi tomado pelo Espírito, e diante de mim estava um trono no céu e nele estava assentado alguém. Aquele que estava assentado era de aspecto semelhante a jaspe e sardônio. Um arco-íris, parecendo uma esmeralda, circundava o trono, ao redor do qual estavam outros vinte e quatro tronos, e assentados neles havia vinte e quatro anciãos. Eles estavam vestidos de branco e na cabeça tinham coroas de ouro. Do trono saíam relâmpagos, vozes e trovões. Diante dele estavam acesas sete lâmpadas de fogo, que são os sete espíritos de Deus. E diante do trono havia algo parecido com um mar de vidro, claro como cristal. No centro, ao redor do trono, havia quatro seres viventes cobertos de olhos, tanto na frente como atrás. O primeiro ser parecia um leão, o segundo parecia um boi, o terceiro tinha rosto como de homem, o quarto parecia uma águia em voo. Cada um deles tinha seis asas e era cheio de olhos, tanto ao redor como por baixo das asas. Dia e noite repetem sem cessar: Santo, santo, santo é o Senhor, o Deus todo-poderoso, que era, que é e que há de vir.” (Apocalipse 4:2-8, NVI). Os salmistas inspirados pelo Espírito Santo relataram as maravilhas dos querubins e sua associação com a glória do Senhor. Salmos 18, verso 10 diz: “Cavalgava um querubim e voou; sim, levado velozmente nas asas do vento.” (ARA). O salmo 99, verso 1 diz: “Reina o SENHOR; tremam os povos. Ele está entronizado acima dos querubins; abale-se a terra.” (ARA). O salmo 80, verso 1 diz: “Dá ouvidos, ó pastor de Israel, tu que conduzes a José como um rebanho; tu que estás entronizado acima dos querubins, mostra o teu esplendor.” (NAA). Isaías, em seu devocional, orou usando a figura dos querubins: “Ó SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel, que estás entronizado acima dos querubins, tu somente és o Deus de todos os reinos da terra; tu fizeste os céus e a terra.” (Isaías 37:16, ARA). Podemos usar o exemplo dos poetas e dos profetas e orar as maravilhas de Deus em adoração. RESGATE A tampa que cobria a Arca da Aliança era chamada de propiciatório. Essa palavra faz uma referência direta com o ato de cobrir uma dívida ou um resgate. No hebraico é chamada de תרפכ (kapporeth), uma palavra que vem da raiz kophar, que significa: Apaziguar, cobrir, pacificar e fazer propiciação. O Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa classifica propiciação como sendo a ação ou efeito de propiciar; fazer com que seja propício ou aceito. Está bem definido que todos os pecadores que ofereciam sacrifícios no tabernáculo o faziam para apaziguar seus pecados. E Deus os considerava propiciados, cobertos pela justiça por meio das ofertas. Deus aceitou essa forma de justificação propiciatória de uma maneira suficiente e satisfatória, até que Cristo viesse e a cumprisse. Cristo fez isso de forma completa, aplacando a ira de Deus em relação às mazelas do pecado humano: “E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.” (1 João 2:2, JFA). A Arca e o propiciatório (que também era chamado de assento de misericórdia) formavam uma só peça, um só ministério e um só Cristo. A completude de Seu ato salvífico. Homem caído, Deus e um intercessor. A premissa: criação, queda e redenção. O homem caído oferecendo sacrifícios por seus delitos, e Deus o aceitando por meio de um intercessor. A história de Israel com a Arca (me refiro à Arca e sua tampa) é contagiante, são várias narrativas e todas elas nos contagiam por sua profundidade. Não conseguirei citar todas as ocasiões, somente algumas delas. No caminho para Canaã, em sua jornada pelo deserto através da Arca que estava na frente, o Jordão se abriu para o povo passar (Josué 3). E quando rodearam Jericó para a possuir como herança, era a Arca que estava mais uma vez na frente do povo, liderando a marcha ao redor dos muros da cidade, até que eles caíram (Josué 6). Anos mais tarde na história, a Arca foi tomada pelos filisteus nos tempos do reinado de Saul e levada para território inimigo. Ao ser coroado, Davi, o segundo rei de Israel, intenta trazer a Arca de volta para Israel. Usou técnica militar, enviou um batalhão composto de 30 mil soldados altamente treinados para que pudessem trazer a Arca de volta com extrema segurança. Aquele dia foi uma decepção. Davi acreditou ser suficiente a força dos seus valentes e um numeroso exército para proteger a Arca do Senhor. Que tristeza! Davi não pensou como um adorador, estava agindo como um líder político. Resgataram a Arca e durante a trajetória, ela estava sendo carregada em carro de boi. Infelizmente, Davi havia se esquecido de que ela não poderia ser carregada pela força de bois, mas somente nos ombros de levitas coatitas. A Arca balançava em cima da carruagem e Uzá, um sacerdote que acompanhava a caravana, tenta segurá-la e morre. Ele era um dos filhos do sumo sacerdote Abinadabe, um sacerdote que perdeu a vida por encostar na Arca de forma indevida; certamente não foi instruído por seu próprio pai. Toda a tropa, os valentes, sacerdotes e o rei Davi se entristecem. Com temor, eles deixam a Arca na casa mais próxima do caminho e voltam para Jerusalém. Estavam abatidos como quem perde a batalha (2 Samuel 6). E defato a perderam, pois não compreenderam a santidade do Senhor. A Arca fica na casa de um homem chamado Obede-Edom, e por três meses ela permaneceu ali. O relato bíblico diz que ele foi abençoado pela presença da Glória e sua vida foi mudada. Curiosamente, o texto diz que Obede-Edom era de Gate, uma cidade filisteia. Ele era um gitita. Um homem considerado imundo pelos judeus. Ele era um gentio (2 Samuel 6:11). Mais uma vez, vemos que Deus já estava dando uma pincelada de Sua Graça sobre a humanidade. Um sacerdote é morto pela glória de Deus e um gitita é abençoado pela glória de Deus, que paradigma. Que Deus de surpresas! Davi fica sabendo que Obede-Edom estava sendo abençoado. E durante aqueles três meses, ele pôde refletir sobre tudo o que havia acontecido naquela tentativa frustrada de recuperar a presença de Deus para trazê-la de volta à Jerusalém. Finalmente seu coração é aberto para a graça divina. Davi reconhece que não precisa de tropas, nem de valentes, mas de adoradores (2 Samuel 6:12- 13). Dessa vez, Davi vai ao encontro do Senhor de forma humilde e desarmado. Ele vai despido de suas vestes reais, levando consigo somente os coatitas, os adoradores, os músicos e as ofertas. A cada seis passos de volta a Jerusalém com a Arca nos ombros, eles sacrificavam ao Senhor. Se fizeram assim durante todo o percurso, não sabemos, essa é uma possibilidade passiva. Alguns eruditos acreditam que foi um sacrifício solene no início, e quando estavam em Jerusalém houve um segundo ato sacrificial maior, feito de sacrifícios de holocausto e pacíficos. Nós não sabemos ao certo como foi, mas podemos especular. O que o relato deixa claro é que foi com adoração contínua: “E assim ele e todos os israelitas levaram a arca da aliança para Jerusalém, com gritos de alegria e sons de trombetas.” (2 Samuel 6:15, NTLH). O TRANSPORTE Ao levarem a Arca em carros de boi, foram malsucedidos, e na segunda tentativa, quando usaram os ombros dos levitas coatitas, tudo ocorreu bem. Pois bem, até para o manejo e transporte da Arca tinham instruções estritas de como deveria ser feito. A tribo de Levi era dividida em três clãs, sendo eles: os gersonitas, os meraritas e os coatitas. Os gersonitas e os meraritas tinham carros de boi a seu dispor para transportarem tanto as cortinas quanto as tábuas do tabernáculo. E para esse ofício, eles se dispunham de 6 carros de boi e 12 bois: “Assim Moisés recebeu os carros e os bois, e os deu aos levitas. Dois carros e quatro bois deu aos filhos de Gérson segundo o seu serviço; e quatro carros e oito bois deu aos filhos de Merari, segundo o seu serviço, sob as ordens de Itamar, filho de Arão, o sacerdote.” (Números 7:6-8, AA). Porém, os coatitas, o clã que era encarregado do transporte dos objetos sagrados (dentre eles estava a Arca), não receberam nem carros e nem bois. Deveriam usar os próprios ombros e sua força para o ofício. Deus não queria que a Arca estivesse em cima de carros de boi: “Mas aos filhos de Coate não deu nenhum, porquanto lhes pertencia o serviço de levar o santuário, e o levavam aos ombros.” (Números 7:9, AA). Números, capítulo 4 esclarece todo esse longo e complexo processo de transporte dos objetos sagrados. Os coatitas eram escolhidos quando jovens. Da idade de vinte e cinco anos começavam como estagiários, e aos trinta anos serviam no tabernáculo até os 50 anos de idade. Precisavam ser maduros e ao mesmo tempo cheios de juventude para essa árdua tarefa. O verso 5 de Números 4 nos diz que o véu que separava o Santíssimo Lugar era retirado pelo sacerdote Eleazar e colocado em cima da Arca e do propiciatório para os cobrir. O verso 6 diz que depois dessa primeira cobertura era colocada outra camada, desta vez as peles de texugo. E por cima dessa pele colocavam um pano todo azul. Não era somente para proteger a Arca, era principalmente para mantê-la coberta, sem ser vista ou tocada. Os coatitas nunca colocaram os olhos nem as mãos na Arca ou em nenhum dos objetos sagrados que carregavam nos ombros. Eles tinham permissão para tocar os varais cobertos de ouro que passavam pelas argolas que havia na Arca e nos outros objetos sagrados. Somos igreja de Cristo e precisamos compreender essa gloriosa função de servir. Cristo habita em nós através do Espírito Santo. Portanto, partindo dessa premissa, somos nós que carregamos a Sua glória para as nações. Nada além disso. Na realidade, sentimos o ardor desse encargo nos ombros e não nos foi revelada ainda a plenitude do que carregamos e anunciamos: “Agora, portanto, enxergamos apenas um reflexo obscuro, como em um material polido; entretanto, haverá o dia em que veremos face a face…” (1 Coríntios 13:12, KJA). Nossos olhos ainda não viram a beleza radiante da Arca (Jesus) e nossas mãos ainda não apalparam a Arca (Jesus). Mas um dia O veremos face a face. Nossos ombros sabem muito bem o peso de estar carregando a glória. Os calos nos nossos ombros fazem parte desse ofício sagrado. É para doer mesmo! Jesus disse que deveríamos negar a nós mesmos e carregar a cruz. A glória não é nossa. Não temos domínio sobre ela. Apenas a temos em nossos ombros por um curto período de tempo nesta caminhada da vida. Capítulo 16 DENTRO DA ARCA Dentro da Arca, Moisés depositou três objetos. Dois desses objetos foram colocados ali ao longo da caminhada. As tábuas da Lei foram colocadas no primeiro dia, para serem guardadas e protegidas. O pote de maná foi colocado a pedido do próprio Deus: “Disse Moisés: O Senhor ordenou-lhes que recolham um jarro de maná e que o guardem para as futuras gerações, para que vejam o pão que lhes dei no deserto, quando os tirei do Egito. Então Moisés disse a Arão: Ponha numa vasilha a medida de um jarro de maná, e coloque-a diante do Senhor, para que seja conservado para as futuras gerações.” (Êxodo 16:32-33, NVI). O cajado de Arão foi colocado lá dentro depois de uma amostra de milagre para os príncipes das tribos: “O Senhor disse a Moisés: ‘Ponha de volta a vara de Arão em frente da arca das tábuas da aliança, para ser guardada como uma advertência para os rebeldes. Isso porá fim à queixa deles contra mim, para que não morram’.” (Números 17:10, NVI). As tábuas da Lei, um pote (de barro ou de ouro) com maná e o cajado do sumo sacerdote Arão. “Nessa Arca estavam o vaso de ouro contendo o maná, a vara de Arão que floresceu e as tábuas da aliança.” (Hebreus 9:4, KJA). AS TÁBUAS As tábuas da Lei foram os primeiros objetos do tabernáculo, elas foram recebidas por Moisés no Monte Sinai, mesmo antes da construção do tabernáculo. E elas foram as únicas peças que permaneceram dentro da Arca no Templo construído por Salomão. Provavelmente, os outros dois objetos se perderam pelas jornadas que a Arca fez ao longo da história. O período de tempo entre instituição do tabernáculo e Templo de Salomão é realmente longo. Entre a construção do tabernáculo e a instituição do Templo foram aproximadamente trezentos anos. “Na Arca não havia coisa alguma senão as duas tábuas que Moisés ali tinha posto em Horebe, quando o Senhor fez um pacto com os filhos de Israel, ao saírem eles do Egito.” (2 Crônicas 5:10, JFA). Entendemos que os julgamentos de Deus sempre permaneceram dentro da Arca, provando que o homem, mesmo sendo pecador, alcança misericórdia divina. Somos pecadores e mortais, isto é uma das grandes verdades reveladas a nós pelo próprio Deus. O apóstolo Paulo em uma de suas cartas à igreja de Corinto diz que o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a Lei. Isso mesmo, a Lei prova para nós que somos pecadores. Sem a Lei não haveria conhecimento do pecado: “O aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a Lei.” (1 Coríntios 15:56, ACF). Como essa Lei que me acusa é misericordiosa? A resposta é: a Lei mostra misericórdia pelo fato de estar dentro da Arca protegida pela glória de Deus, debaixo do propiciatório e dos querubins que a escondem. O propiciatório é também chamado de “assento de misericórdia”. É essa misericórdia que faz com que as punições sejam desviadas do pecador. As misericórdiasdo Senhor são a causa de não sermos consumidos. Nunca se esqueça dessa verdade. Nesse lugar de glória e misericórdia é onde Deus se encontra com o homem no tabernáculo. Ali entre os querubins, rodeado por uma densa nuvem de glória, Ele fala com Seu povo e os perdoa. Partindo dessa premissa, compreendemos que a misericórdia nos dá acesso a Deus, e não à Lei (os julgamentos divinos são severos, são um jugo pesado). É importante termos bem esclarecida essa verdade divina em nosso coração e saber que a Lei foi totalmente cumprida por Cristo. E por Cristo somos justificados diante da Lei. Não passaríamos no teste da perfeição da Lei para sermos santificados. Isso seria impossível cumprirmos com exata perfeição. As tábuas traziam em si mesmas, encravadas, os mandamentos divinos. O rei e poeta Davi disse que guardou as palavras do Senhor em seu coração. Anos mais tarde, o apóstolo Paulo introduz esse conceito para a igreja. Ele nos mostra que o verdadeiro cristão traz em si, encravados em seu coração, os mandamentos de Deus. E estes não podem se perder. “Sendo manifestos como carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne do coração.” (2 Coríntios 3:3, AA). O MANÁ Um pote com o maná deveria ser colocado na Arca da Aliança. Essa porção seria guardada para as gerações futuras. A Septuaginta diz que era um pote afunilado no topo, e o escritor da carta aos Hebreus diz que era um pote de ouro “[...] na qual estava um vaso de ouro, que continha o maná, e a vara de Arão, que tinha brotado, e as tábuas do pacto.” (Hebreus 9:4, AA). O maná foi o alimento dado por Deus para os caminhantes do deserto. Por 40 anos, eles comeram do pão do céu. Paulo diz que: “Todos comeram do mesmo alimento espiritual.” (1 Coríntios 10:3, KJA). Era estipulada uma medida certa para cada família, uma porção diária. Ninguém pegava sobejando ou pegava tão pouco que não fosse suficiente para se alimentar naquele dia. A ordem era que às sextas-feiras eles recolhessem porção dobrada. Pois no sábado, o maná não caía. Sábado era o dia dedicado ao Senhor, dia de descanso. E desse maná, o sumo sacerdote Arão recolheu um pote equivalente a um ômer, ou seja, um vaso cheio equivalente à porção diária de um homem, e colocou na Arca. Ele fez obedecendo instruções divinas. A medida exata do maná fala da completude do ato salvífico de Cristo para o homem todo. Quando digo todo, me refiro à estrutura física, espiritual, sentimental, moral e intelectual humana. Somos afetados pela salvação em todas as áreas da nossa vida. O texto é enfático quando diz que: “Foi isto que o SENHOR ordenou: ‘Enchei deste alimento um jarro equivalente a um ômer, a fim de conservá-lo para vossas futuras gerações, para que possam ver o pão que vos dei no deserto, quando vos tirei da terra do Egito!’” (Êxodo 16:32, KJA). O maná se perdia ao ser armazenado e derretia com o calor do sol. Mas o maná que estava na Arca não se estragou. Essa é uma ilustração do que Deus pode fazer com o que não podemos preservar sem Sua presença. Uma pincelada de Sua Graça demonstrada aos homens. O que é o maná? Qual seu sabor? Essas perguntas são respondidas quando lemos o capítulo 16 de Êxodo. O texto diz que o maná descia do céu para Israel junto com o orvalho da noite desértica. De manhã, quando o orvalho se evaporava, flocos finos semelhantes à geada estavam sobre a superfície (tradução NVI). Segundo a tradução bíblica NTLH, ele se parecia com escamas pelo chão, fino como geada: “Quando o orvalho secou, por cima da areia do deserto ficou uma coisa parecida com escamas, fina como a geada no chão.” (Êxodo 16:14). Os israelitas, quando viram esse fenômeno pela primeira vez, não sabiam o que era. Moisés os ensinou que aquilo era o pão do céu, a providência divina. E que cada um recolhesse um ômer para cada membro da família. O ômer era uma medida de capacidade para grãos equivalente a 2 ou 4 litros. Ou seja, uma medida em um jarro de barro, afunilado no topo, frequentemente usado nos tempos antigos para armazenamento de mantimentos secos. Era saboroso, cheiroso e branco. O texto sagrado nos diz que o maná era branco como semente de coentro, com sabor de bolo fino de mel. E em Números, capítulo 11 temos uma descrição do cheiro do maná: “Era o maná como semente de coentro, e a sua aparência, semelhante à de bdélio.” (Números 11:7, ARA). Semelhante ao bdélio. O que é isso? O bdélio é uma resina perfumada produzida por uma espécie de árvores relacionadas à mirra, e era usada no antigo Oriente Médio para confecção de perfumes. De alguma forma, era como semente de coentro e como o bdélio, uma resina perfumada, e tinha sabor de mel. O maná tinha cor, sabor, fragrância e textura. Era branco e como semente de coentro. Tinha sabor de mel. E tinha uma fragrância comparada com a resina do bdélio. Como Israel preparava os alimentos com o maná? A narrativa bíblica nos diz que o povo tinha um certo trabalho para fazer com relação à preparação de alimento com o maná. O texto diz que “Eles o moíam em moinhos ou o socavam em pilões, cozinhavam numa panela e faziam pães achatados que tinham gosto de pão assado com azeite.” (Números 11:8, NTLH). Mesmo diante do que Jesus fez por nós na cruz, ainda temos alguns processos éticos de conduta a vivermos diariamente. Não basta ter o maná (Jesus, a Palavra), temos que praticar os Seus ensinos. E praticar os ensinamentos de Jesus requer de nós renúncia diária, disposição de vida ética e correta diante da sociedade e de Deus. Jesus compara a vida humana como uma casa. Uma dessas casas está sem fundamentos, apesar de, aparentemente, ninguém perceber, e ela cai com as adversidades da vida. A outra casa, que está firmada em fundamento sólido, o que esteticamente no seu exterior ninguém vê, não cai com as adversidades da vida. E essa casa firmada na rocha, Jesus diz ser os prudentes. Aqueles que ouvem e praticam Seus ensinos. “Por que vocês me chamam ‘Senhor, Senhor’ e não fazem o que eu digo? Eu lhes mostrarei com quem se compara aquele que vem a mim, ouve as minhas palavras e as pratica. É como um homem que, ao construir uma casa, cavou fundo e colocou os alicerces na rocha. Quando veio a inundação, a torrente deu contra aquela casa, mas não a conseguiu abalar, porque estava bem construída. Mas aquele que ouve as minhas palavras e não as pratica, é como um homem que construiu uma casa sobre o chão, sem alicerces. No momento em que a torrente deu contra aquela casa, ela caiu, e a sua destruição foi completa.” (Lucas 6:46-49, NVI). E como o povo reclama de tudo, até mesmo o maná foi alvo de revolta e murmuração. Algumas pessoas que vieram do Egito com o povo de Israel, os estrangeiros no meio deles, começaram a reclamar. E influenciaram os israelitas a murmurarem e desejarem alimento egípcio novamente: “Lembramo-nos dos peixes que no Egito comíamos de graça, e dos pepinos, dos melões, dos porros, das cebolas e dos alhos. Mas agora a nossa alma se seca; coisa nenhuma há senão este maná diante dos nossos olhos.” (Números 11:5-6, AA). Infelizmente, o que o Senhor fez é ligeiramente esquecido quando existe o contato com o engodo das bocas caluniadoras. Ao darmos ouvidos aos estrangeiros, aos egípcios (aos bodes, ao joio) que querem e insistem em andar com Israel (as ovelhas, o trigo, a igreja), mas não são parte do povo, certamente nos desviaremos dos planos originais de Deus. O maná gotejava sobre a areia do deserto gratuitamente, e Provérbios 19:12 diz que o favor do rei é como o orvalho sobre a erva: “A ira do rei é como o rugido do leão, mas a sua bondade é como o orvalho sobre a relva.” (NVI). Vemos a simbologia da Graça imerecida que chega todas as manhãs sobre Seu povo. O poeta, no salmo 119:103, diz que as palavras de Deus são doces como mel ao paladar: “Como são doces para o meu paladar as tuas palavras! Mais que o mel para a minha boca!” (NVI). E o Apóstolo João escreve em Apocalipse 2:17 que os salvos na glória eterna irão comer do maná escondido:“Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao vencedor darei do maná escondido. Também lhe darei uma pedra branca com um novo nome nela inscrito, conhecido apenas por aquele que o recebe” (NVI). É isso mesmo, a igreja arrebatada se alimentará do pão do céu. Que maravilha! O maná é Cristo, Ele mesmo afirmou isso. O maná é a comida do céu, ou a comida dos anjos. Simbolismo também da Palavra de Deus. “Não só de pão viverá o homem, mas de toda a Palavra que sai da boca de Deus”. Neste momento, enquanto caminhantes da jornada da vida, você e eu somos alimentados com maná do céu. Nosso mestre Jesus disse: “Eu Sou o pão do céu”. Em Seu ministério terreno, em um contexto de multiplicação de pães e milagres, Jesus é interrogado com relação ao pão que descia no deserto, o maná. Vejamos o que nos diz o texto em João, capítulo 6, versos 32-35 e 58: “Disse-lhes, pois, Jesus: Na verdade, na verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu; mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu. Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo. Disseram-lhe, pois: Senhor, dá-nos sempre desse pão. E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede. Este é o pão que desceu do céu; não é o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre.” (ACF). A certeza absoluta que temos é que a igreja de Cristo continua se alimentando dEle. Ainda não chegamos à Canaã celestial. Acreditamos que enquanto durar nossa caminhada, manteremos comunhão com nosso alimento diário, Jesus. Nossa fraqueza absorve de Sua força, nossa impaciência absorve de Seu sofrimento, nossa inquietação absorve de Sua calma e mansidão, nossa ignorância absorve de Sua sabedoria. Pois Ele foi feito para nós sabedoria, justiça, redenção e santificação. Seu corpo é o alimento que nos torna fortes, Seu sangue é a verdadeira bebida que nos alegra o coração e nos sacia a alma. O MANÁ CESSOU O maná cessou! Assim diz o texto de Josué, capítulo 5 e verso 12. O pano de fundo da narrativa é este: Logo após entrarem em Canaã, depois de cruzarem o rio Jordão com pés enxutos, eles se acamparam e aos poucos foram conquistando. Um dia depois de comerem do produto da terra, o maná cessou. Já não havia maná para os israelitas, e naquele mesmo ano eles comeram do fruto da terra de Canaã. O texto diz que no décimo quarto dia do Nissan, ou o primeiro mês, foi comemorada a páscoa. No décimo quinto dia, Israel comeu do fruto da terra de Canaã, e no dia seguinte, no décimo sexto dia, o maná cessou. É imprescindível notarmos que Cristo ressuscitou no décimo sexto dia do primeiro mês. Cumpriu Seu ofício como homem e logo depois ascendeu-se ao céu. O pão divino havia cumprido a Sua missão. Curiosamente, o maná surgiu como provisão divina pela primeira vez no décimo sexto dia do segundo mês do primeiro ano de Israel no deserto: “Aos quinze dias do segundo mês depois que saíram da terra do Egito; e amanhã vereis a glória do Senhor, porquanto ele ouviu as vossas murmurações contra o Senhor.” (Êxodo 16:1,7). Por aproximadamente 39 anos e 11 meses, o maná caiu todas as manhãs, com exceção dos sábados. Êxodo 16:26 diz: “Seis dias o colhereis, mas o sétimo dia é o sábado; nele não haverá” (ARC). O maná cessou! Gostaria de aguçar seu conhecimento para um fator iminente dessa verdade. Existem 4 leis levíticas que não tinham influência sobre a condição do povo no deserto, eram específicas para quando entrassem em Canaã. São elas: SOBRE A LEPRA, em Levítico 14:34, que diz: “Quando vocês entrarem na terra de Canaã, que lhes dou como propriedade, e eu puser mancha de mofo numa casa, na terra que lhes pertence.”. SOBRE O FRUTO, em Levítico 19:23, que diz: “Quando vocês entrarem na terra e plantarem qualquer tipo de árvore frutífera, considerem proibidas as suas frutas. Durante três anos vocês as considerarão proibidas; não poderão comê-las.”. SOBRE A COLHEITA, em Levítico 23:10, que diz: “Diga o seguinte aos israelitas: Quando vocês entrarem na terra que lhes dou e fizerem colheita, tragam ao sacerdote um feixe do primeiro cereal que colherem.”. E SOBRE O DESCANSO DA TERRA, em Levítico 25:2, que diz: “Diga o seguinte aos israelitas: Quando vocês entrarem na terra que lhes dou, a própria terra guardará um sábado para o Senhor.”. Como alinhar o texto de Josué 5:10-12, que diz: “Os israelitas estavam acampados em Gilgal, na planície em volta da cidade de Jericó, e ali comemoraram a Páscoa na noite do dia catorze do primeiro mês. No dia seguinte comeram alimentos daquela terra: cereais torrados e pão sem fermento. Depois disso, os israelitas não tiveram mais o maná porque ele parou de cair do céu. Desse ano em diante, eles começaram a comer os alimentos da terra de Canaã.” (NTLH). Com o texto de Levítico 19:23-25, que diz: “Quando vocês estiverem morando na terra de Canaã e plantarem árvores frutíferas, não comam as frutas que as árvores derem nos primeiros três anos; essas frutas são impuras. No quarto ano as frutas serão dedicadas a mim, o SENHOR, como oferta de louvor. No quinto ano vocês poderão comer as frutas, e assim as árvores produzirão cada vez mais. Eu sou o SENHOR, o Deus de vocês.” (NTLH)? Eis que surge uma dúvida: Eles comeram do fruto da terra no mesmo ano, ou no quinto ano? Os judeus acreditam que as árvores madeireiras impróprias para alimentação e que crescem sozinhas plantadas pelos cananeus estavam isentas dessa lei, pois foram plantadas antes que Israel tomasse a terra. E que essa lei se aplica a árvores frutíferas, como cidra, oliveiras e figueiras. Os frutos que já estavam em Canaã eram contados como impuros ou incircuncisos. Um fruto desqualificado ou impróprio. A ato de circuncidar é o fato de retirar o prepúcio do órgão sexual do menino ainda recém-nascido. A incircuncisão de uma criança dura até o oitavo dia. No oitavo dia, a criança do sexo masculino era consagrada e circuncidada. Era cortado o seu prepúcio. Como pode haver fruto incircunciso? É preciso salientar que Deus usa essa palavra como metáfora para certo tipo de pessoas também. Pessoas que ouvem coisas impuras. Sendo assim, o fruto incircunciso era um fruto impróprio, desqualificado. “Como também o Egito, Judá, Edom, Amom, Moabe e todos os que rapam a cabeça e vivem no deserto; porque todas essas nações são incircuncisas, e a comunidade de Israel tem o coração obstinado.” (Jeremias 9:26, NVI). O CAJADO O cajado do sumo sacerdote Arão também estava dentro da Arca. O cajado é o símbolo da autoridade outorgada por Deus a Arão e à sua descendência, como sendo eles os sacerdotes escolhidos para o ministério do santuário. Símbolo da eleição divina. Como o cajado de Arão veio a ser guardado dentro da Arca? Para entendermos o que aconteceu é preciso analisar os seguintes textos: Números, capítulo 16 e 17. O texto diz que houve uma grande rebelião no meio do povo que caminhava pelo deserto. Dentre os rebelados, seus líderes se destacaram: Corá, Datã e Abirão. A questão levantada entre os rebelados era a escolha irrevogável de Deus para o sacerdócio. Eles também queriam o direito de ministrarem diante do Senhor como sacerdotes. O texto sagrado nos diz que a descendência de Corá era levita, do clã dos coatitas. Os coatitas eram os incumbidos de carregarem os utensílios sagrados em seus ombros, mas isso já não era o suficiente para ele. Corá queria fazer o que o sumo sacerdote fazia. O coração de Corá, assim como o coração de Lúcifer (se é que Lúcifer tem um coração), foi o local escolhido para o orgulho crescer. Lúcifer queria a glória, o ministério, o poderio e o lugar de Cristo. Corá seguiu por esse mesmo caminho. Carregar a glória já não lhe bastava, ele queria ter o lugar do seu intercessor, Arão, o sumo sacerdote, tipo de Cristo. O pecado do orgulho e soberba é, por várias vezes, citado nas Escrituras. Por meio dele, homens com grandes talentos e chamados de “Deus” caíram nos engodos desse mal. O orgulhoso encontra pelo caminho uma grande muralha,a própria mão do Senhor, que se estende e o limita. Tiago, o apóstolo e irmão de Jesus, nos diz que Deus resiste aos soberbos: “Mas ele nos concede graça maior. Por isso diz a Escritura: Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes.” (Tiago 4:6, NVI). A igreja contemporânea tem vivido essa depravação moral nos púlpitos. Homens e mulheres, pregadores e ministrantes sobem nos altares das igrejas e vomitam seu orgulho exacerbado. O que fazer? Sinceramente, não há o que fazer, a não ser orar. Percebemos que quando esses orgulhosos são desafiados ou afrontados em suas maldades, eles se defendem acusando e difamando a qualquer um que cruze seus caminhos. Com os tais “Corás” da igreja contemporânea, devemos fazer o que Moisés fez: clamar ao Senhor e pedir ajuda a Ele. É preciso nos lembrarmos que quem tira o joio do meio do trigo são os anjos do Senhor: “Ele respondeu: Aquele que semeou a boa semente é o Filho do homem. O campo é o mundo, e a boa semente são os filhos do Reino. O joio são os filhos do Maligno, e o inimigo que o semeia é o Diabo. A colheita é o fim desta era, e os encarregados da colheita são anjos. Assim como o joio é colhido e queimado no fogo, assim também acontecerá no fim desta era. O Filho do homem enviará os seus anjos, e eles tirarão do seu Reino tudo o que faz cair no pecado e todos os que praticam o mal. Eles os lançarão na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes. Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Aquele que tem ouvidos, ouça.” (Mateus 13:37-43, NVI). Pelo pedido de Moisés, houve intervenção divina. Os rebeldes são chamados para um julgamento e sentenciados. Naquele dia, houve muita morte no arraial. Para resolver a questão de sacerdócio de uma vez por todas, o próprio Deus pede a todos os líderes, um de cada tribo em Israel, que levem seus cajados até o tabernáculo e os entreguem a Moisés. Lembrando que todos os israelitas ao saírem do Egito portavam suas varas ou cajados em suas mãos. A Sagrada Escritura diz que estavam com os lombos cingidos, os sapatos nos pés e o cajado na mão: “Assim pois o comereis: Os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a páscoa do Senhor.” (Êxodo 12:11, AA). A ordem foi que os cajados estivessem diante da Arca, dentro do Santíssimo Lugar, na presença da glória por uma noite inteira. O cajado que florescesse, este seria a tribo escolhida por Deus para o sacerdócio. O texto nos conta que o cajado de Arão, além de florescer, deu brotos e fruto. Estamos diante de um texto bíblico bem intrigante. Um milagre, uma maravilha. O cajado estava sequíssimo, cortado de seu tronco já havia muitos anos e sem vida em si mesmo. Como pôde isso acontecer? Brotos, flor e frutos. A primeira palavra que nos salta à boca é: ressurreição! Deus estava mostrando através dessa maravilha o que vai acontecer com Sua igreja no dia do arrebatamento. Sim, seremos transformados em um abrir e fechar de olhos: “[...] num momento, num abrir e fechar de olhos, ao som da última trombeta. Pois a trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis e nós seremos transformados.” (1 Coríntios 15:52, NVI). Com corpos gloriosos subiremos para habitar com Cristo. Ressurreição! Esta é a palavra exata para esse milagre. O milagre da ressurreição. O cajado de Arão floresce, dá seus frutos, brotos e flores. Símbolo de ressurreição e vida. Símbolo de autoridade sacerdotal e símbolo da escolha divina. Esse cajado é o que está guardado dentro da Arca. Um cajado cortado de uma amendoeira, que um dia passou por uma limpeza, foi levado para se secar ao sol. Um cajado que foi usado por anos e anos e agora, ao ser levado diante do Senhor, floresce e dá seus frutos. Oh, Glória! Diante da presença de Jeová daremos nossos frutos, e não por nós mesmos, mas por Sua graça e misericórdia. Não importa o quanto a vida tenha sido dura conosco. Sempre haverá esperança na presença do Senhor. COMEÇA POR SI Até aqui enfatizamos muitos detalhes especiais, mas não todos eles. Existe muita beleza no tabernáculo e em seus objetos. O tabernáculo certamente é um lugar onde tudo aponta para Cristo e Seu ministério. E não há como passarmos despercebidos por ele. A madeira de acácia: O ministério terreno de Cristo homem. O ouro puro: A divindade de Jesus Cristo. O maná: O pão da Vida, a Palavra, que é Cristo. A vara de Arão: Cristo ressurreto. As tábuas: O Cristo perfeito em Suas obras. Podemos notar que ao longo da história, Deus sempre começa por Si. Em Gênesis 1, vemos Deus como o agente Criador. Na oração (modelo), Jesus nos ensinou que deveríamos começar clamando ao Pai. E não é diferente no tabernáculo. O primeiro objeto a ser construído para compor os móveis do tabernáculo foi a Arca, certamente porque ela carregaria ou portaria a presença do Pai. Jesus é essa Arca. O Emanuel. O Deus conosco. Deus sempre começa com Ele mesmo. Ele é o princípio e o fim de todas as coisas. “Todas as coisas foram feitas por Ele, e sem Ele nada do que foi feito se fez.” (João 1:3, ACF). Por que Deus começou o tabernáculo com a Arca da Aliança? A resposta é simples: Ele estava construindo um lugar aonde viria e habitaria com Seu povo. E nesse encontro entre divino e terreno, a misericórdia faz com que as punições sejam desviadas para longe. Esse lugar (entre os querubins) é onde Deus fala conosco, através de um encontro pessoal. Se o propiciatório não estivesse disponível, certamente não poderíamos ter acesso a Deus. É a Graça ou a misericórdia que nos garante esse acesso ao Pai, e não o julgamento. O julgamento, o sacerdócio, a provisão sacrificial e a Lei foram cumpridos em Jesus para que a Graça tivesse primazia. AS CORTINAS “Farás o tabernáculo, que terá dez cortinas, de linho retorcido, estofo azul, púrpura e carmesim; com querubins, as farás de obra de artista. O comprimento de cada cortina será de vinte e oito côvados, e a largura, de quatro côvados; todas as cortinas serão de igual medida. Cinco cortinas serão ligadas umas às outras; e as outras cinco também ligadas umas às outras. Farás laçadas de estofo azul na orla da cortina extrema do primeiro agrupamento; e de igual modo farás na orla da cortina extrema do segundo agrupamento. Cinquenta laçadas farás numa cortina, e cinquenta, na outra cortina no extremo do segundo agrupamento; as laçadas serão contrapostas uma à outra. Farás cinquenta colchetes de ouro, com os quais prenderás as cortinas uma à outra; e o tabernáculo passará a ser um todo.” (Êxodo 26:1-6, ARA). Capítulo 17 As cortinas, assim como todas as medidas do tabernáculo, foram medidas em côvados. Seguindo a ordem citada no texto acima, começando de dentro do tabernáculo para fora, as cortinas estão na seguinte sequência: as dez primeiras cortinas são de linho branco puro com bordados em azul, púrpura e carmesim, com desenhos de querubins. Essa é a beleza que o sumo sacerdote contempla lá de dentro do recinto sagrado. Essas cortinas são ligadas umas às outras em dois grupos por meio de laçadas de pano azul, e depois unidas por meio de cinquenta colchetes de ouro. Esta é a primeira camada. A segunda camada de cortinas é composta por onze cortinas feitas de pelos de cabra que serão ligadas umas às outras por colchetes de cobre. Essa camada de cortinas é maior que a primeira, pois tem onze cortinas, e por isso ela tocava o chão. Era uma proteção para a primeira camada de cortinas bordadas: “Faça uma cobertura para a Tenda, com onze pedaços de pano feito de pelos de cabra. Os pedaços deverão ter o mesmo tamanho, medindo treze metros e trinta de comprimento por um metro e oitenta de largura. Costure cinco pedaços uns nos outros, formando uma peça, e os outros seis, formando outra peça, ficando o sexto pedaço dobrado na parte da frente da Tenda. Ponha cinquenta laçadas na beirada do último pedaço da primeira peça e cinquenta laçadas na beirada da outra peça. Faça também cinquenta prendedores de bronze e passe esses prendedores nas laçadas, juntando assimas duas peças uma com a outra para que formem uma cobertura só. A metade da cortina que sobrar ficará pendurada na parte de trás da Tenda. Os quarenta e cinco centímetros que sobrarem de cada lado do comprimento das cortinas ficarão de um lado e do outro para cobrir a Tenda.” (Êxodo 26:7-13, NTLH). A terceira camada era de peles de carneiro tingidas de vermelho, e a quarta camada é de peles de texugo, ou golfinho. Essas cortinas tinham o dever de proteger e dar durabilidade à toda a estrutura. Uma preservação quanto ao clima desértico, à poeira, aos fortes ventos e à chuva: “O Senhor criará sobre todo o monte Sião e sobre aqueles que se reunirem ali uma nuvem de dia e um clarão de fogo de noite. A glória tudo cobrirá e será um abrigo e sombra para o calor do dia, refúgio e esconderijo contra a tempestade e a chuva.” (Isaías 4:5-6, NVI). As cortinas de texugo eram presas ao chão por meio de cordas e estacas de bronze: “Todos os utensílios do tabernáculo em todo o seu serviço, e todas as suas estacas, e todas as estacas do átrio serão de bronze.” (Êxodo 27:19, AA). Estamos falando de uma estrutura high tech para o tempo em que foi construída. O tabernáculo foi arquitetado para passar por várias condições climáticas do deserto, ser montado e desmontado quando necessário. Ele era um templo móvel. As cortinas usadas para o véu que separava o Santíssimo Lugar e as cortinas da entrada do Santo Lugar, e as cortinas da porta principal do pátio eram feitas da mesma forma que as cortinas da primeira camada. Feitas de linho puro, com bordados de querubins em azul, púrpura e carmesim. As cortinas que delimitavam os limites do pátio eram de linho puro, demarcavam o espaço externo do átrio, eram presas em colunas. As colunas estavam firmadas em base de bronze e continham ganchos e ligaduras de prata para que passassem as cordas que ajudariam suportar a estrutura. A única porta de acesso ao tabernáculo era de linho fino bordado, bem colorida. Não tinha como errar a entrada. ILUMINAÇÃO O sol era a luz dos que adentravam no pátio trazendo suas ofertas. O candelabro era a luz dos levitas que ofereciam os incensos e libações no Santo Lugar. E a glória de Deus era a luz do sumo sacerdote enquanto ele adentrava no Santíssimo Lugar. Deus não fez cortinas rasgadas ou furadas para que a haja reflexos da luz natural. Pelo contrário, nos ambientes sagrados não há espaço para a luz que brilha lá fora. Igreja, cuidado com as propostas do idealismo ecumenista contemporâneo. As divisões do tabernáculo nos fazem pensar no processo ministerial. No pátio somos aceitos como estamos. No Santo Lugar temos muito serviço a fazer, temos ministério, chamado e vocação. No Santíssimo Lugar adoramos a Deus, completamente rendidos na comunhão dessa glória. E esse momento acontecerá na eternidade, pois chegará o momento em que moraremos com o Senhor, e Apocalipse 21:3 diz: “E ouvi uma grande voz, vinda do trono, que dizia: Eis que o tabernáculo de Deus está com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles”. O que faremos no céu? Teremos plena comunhão com Deus e O adoraremos. A MESA DOS PAES ASMOS Capítulo 18 “Faça uma mesa de madeira de acácia com noventa centímetros de comprimento, quarenta e cinco centímetros de largura e setenta centímetros de altura. Revista-a de ouro puro e faça uma moldura de ouro ao seu redor. Faça também ao seu redor uma borda com a largura de quatro dedos e uma moldura de ouro para essa borda. Faça quatro argolas de ouro para a mesa e prenda-as nos quatro cantos dela, onde estão os seus quatro pés. As argolas devem ser presas próximas da borda para que sustentem as varas usadas para carregar a mesa. Faça as varas de madeira de acácia, revestindo-as de ouro; com elas se carregará a mesa. Faça de ouro puro os seus pratos e o recipiente para incenso, as suas tigelas e as bacias nas quais se derramam as ofertas de bebidas. Coloque sobre a mesa os pães da Presença, para que estejam sempre diante de mim.” (Êxodo 25:23-30, NVI). A mesa dos pães asmos se encontra no Lugar Santo, na segunda divisão do tabernáculo. No Lugar Santo havia três objetos sagrados: a mesa dos pães asmos, o altar de ouro (incensário) e o candelabro (menorah). A mesa dos pães asmos era feita de madeira de acácia, toda coberta de ouro com adornos ao redor e emoldurada com coroas de ouro. Suas medidas eram de 1 metro de comprimento por 50 cm de largura e 75 cm de altura. Quais são os alimentos que vão em cima dessa mesa, somente pão asmo? Não. A Sagrada Escritura diz que tem pão e vinho. Isso mesmo. Os elementos usados na última ceia de Jesus. “Faça os pratos, os copos, as taças e as jarras que serão usados para as ofertas de vinho. Tudo isso deverá ser feito de ouro puro. A mesa será colocada na frente da arca da aliança, e em cima da mesa estarão sempre os pães sagrados que são oferecidos a mim.” (Êxodo 25:29-30, NTLH). Outra versão do texto diz que a mesa tinha doze pães e vinho. “Também farás os seus pratos, e as suas colheres, e as suas cobertas, e as suas tigelas com que se hão de oferecer libações; de ouro puro os farás. E sobre a mesa porás o pão da proposição perante a minha face perpetuamente.” (Êxodo 25:29-30, ACF). Qual o propósito desse objeto no tabernáculo? A resposta está em João, capítulo 6 e verso 35, quando Jesus faz menção de Si como sendo o pão da presença, e Seu sangue seria derramado para expiação. Mateus 26:26-28 nos fala do que Jesus fez em Sua ceia particular com Seus discípulos: “Estando eles comendo, tomou Jesus o pão e, tendo dado graças, partiu-o e deu aos discípulos, dizendo: Tomai e comei; este é o meu corpo. Tomando o cálice, rendeu graças e deu-lho, dizendo: Bebei dele todos; porque este é o meu sangue, o sangue da aliança, que é derramado por muitos para remissão de pecados” (TB). JESUS, O PÃO DA PRESENÇA Existem vários textos que fazem uma descrição sobre o Messias. Neste momento, quero me apegar a dois deles, pois aparentemente são discordantes. Em Cantares 5:10-16, Ele é o desejado: “O meu amado tem a pele bronzeada; ele se destaca entre dez mil. Sua cabeça é como ouro, o ouro mais puro; seus cabelos ondulam ao vento como ramos de palmeira; são negros como o corvo. Seus olhos são como pombas junto aos regatos de água, lavados em leite, incrustados como joias. Suas faces são como um jardim de especiarias que exalam perfume. Seus lábios são como lírios que destilam mirra. Seus braços são cilindros de ouro com berilo neles engastado. Seu tronco é como marfim polido adornado de safiras. Suas pernas são colunas de mármore firmadas em bases de ouro puro. Sua aparência é como o Líbano; ele é elegante como os cedros. Sua boca é a própria doçura; ele é mui desejável. Esse é o meu amado, esse é o meu querido, ó mulheres de Jerusalém.” (NVI). E em Isaías 53:2-11, Ele é o desprezado: “Ele cresceu diante dele como um broto tenro, e como uma raiz saída de uma terra seca. Ele não tinha qualquer beleza ou majestade que nos atraísse, nada havia em sua aparência para que o desejássemos. Foi desprezado e rejeitado pelos homens, um homem de dores e experimentado no sofrimento. Como alguém de quem os homens escondem o rosto, foi desprezado, e nós não o tínhamos em estima. Certamente ele tomou sobre si as nossas enfermidades e sobre si levou as nossas doenças; contudo nós o consideramos castigado por Deus, por Deus atingido e afligido. Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados. Todos nós, tal qual ovelhas, nos desviamos, cada um de nós se voltou para o seu próprio caminho; e o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós. Ele foi oprimido e afligido; e, contudo, não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado para o matadouro, e como uma ovelha que diante de seus tosquiadores fica calada, ele não abriu a sua boca. Com julgamento opressivo ele foi levado. E quem pode falar dos seus descendentes? Poisele foi eliminado da terra dos viventes; por causa da transgressão do meu povo ele foi golpeado. Foi-lhe dado um túmulo com os ímpios, e com os ricos em sua morte, embora não tivesse cometido nenhuma violência nem houvesse nenhuma mentira em sua boca. Contudo, foi da vontade do Senhor esmagá-lo e fazê-lo sofrer, e, embora o Senhor tenha feito da vida dele uma oferta pela culpa, ele verá sua prole e prolongará seus dias, e a vontade do Senhor prosperará em sua mão. Depois do sofrimento de sua alma, ele verá a luz e ficará satisfeito; pelo seu conhecimento meu servo justo justificará a muitos, e levará a iniquidade deles.” (NVI). O pão do céu que alimenta multidões é desejado e saboroso, precisou passar por um processo dolorido. O grão de trigo precisa ser amassado para que dele se extraia a flor de farinha. O apóstolo João fala desse grão de trigo ser amassado: “Agora meu coração está perturbado, e o que direi? Pai, salva- me desta hora? Não; eu vim exatamente para isto, para esta hora. Pai, glorifica o teu nome! Então veio uma voz dos céus: ‘Eu já o glorifiquei e o glorificarei novamente’.” (João 12:27-28, NVI). Esse grão de trigo morre para gerar vida. “Chegou a hora de ser julgado este mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo. Mas eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim. Ele disse isso para indicar o tipo de morte que haveria de sofrer.” (João 12:31-33, NVI). O pão da presença era um pão preparado pelos coatitas: “E dentre os coatitas, seus irmãos, alguns estavam encarregados de preparar os pães que eram postos sobre a mesa todo sábado.” (1 Crônicas 9:32, NVI). Feito de flor de farinha e azeite. Pães asmos, sem fermento: “Apanhe da melhor farinha e asse doze pães, usando dois jarros para cada pão. Coloque-os em duas fileiras, com seis pães em cada uma, sobre a mesa de ouro puro perante o Senhor.” (Levítico 24:5-6, NVI). Os pães eram preparados pelos coatitas todo sábado. Os pães asmos que estavam lá por uma semana, os pães velhos, deveriam servir de alimento para os sacerdotes, e somente para eles, pois eram santos. Todo sábado, os novos pães eram colocados sobre a mesa. No sábado seguinte, serviriam de comida para o sacerdote. Esse era um ciclo contínuo, um mandamento do Senhor. Somente ao sacerdote é permitido comer desse pão sagrado. Como Deus não perde a chance de mostrar Sua graça à humanidade, a Sagrada Escritura diz que certo dia, Davi e seus valentes, fugindo de Saul, tiveram fome e foram até o tabernáculo. Davi pediu comida ao sacerdote e ele disse que não tinha nada, a não ser os pães da presença. Davi os comeu, deu aos seus valentes e seguiram viagem saciados. Ato de misericórdia divina eles não terem morrido, uma pincelada da graça nas páginas do Antigo Testamento. “Então, o sacerdote lhe deu os pães consagrados, visto que não havia outro além do pão da Presença, que era retirado de diante do Senhor e substituído por pão quente no dia em que era tirado.” (1 Samuel 21:6, NVI). É obrigação do sacerdote ter sempre em mãos o pão que alimenta os viajantes da jornada desta vida. Cristo é oferecido às nações através da igreja. A igreja é a casa do pão, pois o pão da presença deve sempre estar previamente preparado para quem o buscar com diligência. PREPARANDO O PÃO É lindo e sobrenatural o modo que faziam esse pão. A flor da farinha é retirada, este era o melhor do trigo. Era amassado com azeite e assado em pedra quente, como nos costumes antigos orientais. O pão não foi feito para ficar na pedra quente por muito tempo, mas somente o tempo necessário. O pão precisa ser retirado da pedra quente para ser servido ao faminto. O calvário foi o fogo, a cruz foi a pedra e a espátula que o retirou foi o Espírito Santo. Ele ressuscitou para ser servido às nações. “Se em vocês vive o Espírito daquele que ressuscitou Jesus, então aquele que ressuscitou Jesus Cristo dará também vida ao corpo mortal de vocês, por meio do seu Espírito, que vive em vocês.” (Romanos 8:11, NTLH). Nos alimentamos do corpo de Cristo através do pão da presença, por meio da santa ceia, da leitura, da oração e da comunhão. Davi, em um dos seus poemas, disse: “[...] Tem seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e noite.” (Salmos 1:2, ACF). Meditar nas palavras do Senhor é como fazer digestão do pão celestial e retirar dele todas as energias, proteínas e vitaminas. O processo da digestão é lento e necessário para o sustentar da vida. O livro de Josué, no capítulo 1, no verso 8 diz que meditar na Palavra de Deus nos faz bem-sucedidos: “Não deixe de falar as palavras deste Livro da Lei e de meditar nelas de dia e de noite, para que você cumpra fielmente tudo o que nele está escrito. Só então os seus caminhos prosperarão e você será bem-sucedido” (NVI). O poeta do salmo 119 e verso 112 diz que essa palavra deve ser guardada no coração: “Dispus o meu coração para cumprir os teus decretos até o fim” (NVI). O profeta Amós, no capítulo 8 e no verso 11 diz que “Eis que vêm os dias, diz o Senhor Deus, em que enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do Senhor” (ACF). Haverá dias sobre a terra em que o povo procurará por pão (Jesus) para saciar seus anseios. Esses dias se podem comparar aos dias atuais. Segundo um sociólogo e filósofo polonês chamado Zygmunt Bauman, nos tempos atuais as relações entre os indivíduos nas sociedades tendem a ser menos frequentes e menos duradouras. A esse fenômeno, ele dá o nome de liquidez, ou modernidade líquida. Esta geração atual tende a se preocupar cada vez menos com o outro, afirma Bauman. E daí surge uma pergunta: “Como ouvirão se não houver quem pregue?”. Existe um alerta a ser feito a todos nós, chamados de igreja de Cristo e sacerdócio real. E como já falamos, é ofício e obrigação do sacerdote manter o pão continuamente sobre o altar para que, no momento oportuno, as pessoas famintas se alimentem desse pão do céu. Este chamado é importante e indispensável: apregoar o Cristo que alimenta e sacia a alma do faminto (carentes espiritual e emocionalmente). Quantas e quantas mazelas existem em nossa geração devido à falta desse alimento chamado Cristo! Nem seria possível citar as atrocidades que têm acontecido nos âmbitos familiares, éticos, pessoais e morais da sociedade. Com os valores imprescindíveis do ser humano e com as nossas crianças (legalização de aborto). “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho”. Dê alimento às nações famintas. Dê alimento celestial ao seu vizinho depressivo. Dê esse alimento às crianças do seu bairro. Dê do pão eterno aos seus amigos e aos seus inimigos. Nunca se esqueça de que você precisa comê-lo também. Isaías diz que podemos comprá-lo sem dinheiro, pois é de graça: “Venham, todos vocês que estão com sede, venham às águas; e vocês que não possuem dinheiro algum, venham, comprem e comam! Venham, comprem vinho e leite sem dinheiro e sem custo. Por que gastar dinheiro naquilo que não é pão, e o seu trabalho árduo naquilo que não satisfaz? Escutem, escutem-me, e comam o que é bom, e a alma de vocês se deliciará com a mais fina refeição.” (Isaías 55:1-2, NVI). DOIS PÃES Havia dois tipos de pães no tabernáculo: o maná e o pão da presença. O pão da presença era servido de alimento aos sacerdotes. Ele deveria ser refeito todos os sábados. O pão da vida, os ensinos e Graça de Jesus. Esse nos alimenta. O maná que estava no tabernáculo era eterno, este não era alimento. O maná representa a árvore da vida do Éden, o Cristo glorificado. Ele traz vida. Romanos, capítulo 11 e verso 36 diz: “Pois todas as coisas foram criadas por ele, e tudo existe por meio dele e para ele. Glória a Deus para sempre! Amém!” (NTLH). O pão da presença é como as outras árvores do Éden, que estão ali para servirem de alimento, como o Cristo que em Seu ministério salvífico sustenta a vida. Os pães da presença eram empilhados de 6 em 6 na mesa, e sobre eles o incenso. Levítico, capítulo 24, verso 7 diz: “Em cima das duas pilhas será colocado incenso puro para lembrar que todos os pães são oferecidosao Senhor como oferta de alimento” (NTLH). O incenso era colocado sobre os pães, tipificando o Cristo intercessor que orou por nós. VINHO Na mesa também havia a oferta de libação. A oferta de libação era uma oferta de vinho. A primeira ocorrência bíblica registrada de uma oferta de bebida foi a de Jacó quando voltou à Betel, em Gênesis 35:14, que diz: “Então Jacó pegou uma pedra e a colocou como pilar no lugar onde Deus havia falado com ele. Ele a separou para Deus, derramando vinho e azeite em cima.” (NTLH). Êxodo 29:40 diz: “Junto com o primeiro carneirinho ofereça um quilo de farinha de trigo misturada com um litro de azeite. E, como oferta, derrame um litro de vinho.” (NTLH). O texto diz que ofertas de bebida também foram incluídas com ofertas de cereais e cereais queimados em sacrifícios ordenados por Deus, incluindo os sacrifícios de manhã e à noite. A importância da oferta de libação no tabernáculo pode ser vista nas leis levíticas relacionadas à oferta. A ordem era que um quarto de him, ou seja, cerca de um litro de vinho fosse derramado no fogo do altar para cada cordeiro sacrificado. Vejamos o texto em Números 15:4-5, que diz: “Aquele que apresentar ao SENHOR uma ovelha ou um cabrito como oferta para ser completamente queimada deverá trazer também com cada animal um quilo de farinha fina misturada com um litro e um quarto de azeite e também um litro de vinho” (NTLH). O cheiro desses sacrifícios é agradável ao Senhor. E junto com o sacrifício de um touro, era exigido a metade de um him. O texto de Números 15:8-10 diz: “Quando vocês oferecerem um touro novo como oferta que será completamente queimada, ou como oferta especial para pagar uma promessa, ou, ainda, como oferta de paz, deverão apresentar também com o touro uma oferta de cereais de três quilos de farinha fina misturada com um litro e três quartos de azeite e também um litro e três quartos de vinho. O cheiro desse sacrifício é agradável a Deus, o SENHOR.” (NTLH). Tem sido especulado que tanto a oferta de um animal, ou a de grãos, junto com azeite e vinho proporcionavam uma fumaça, um aroma suave ao Senhor, uma linguagem bíblica metafórica. Como se esses sacrifícios fornecessem satisfação a Deus, um ato cultural muito importante do antigo Oriente Médio (agradar a divindade). O derramamento de uma oferta de bebida é uma metáfora atual para o sangue de Jesus, que se derramou na cruz. Jesus falou diretamente sobre isso quando Ele instituiu a Nova Aliança em Seu sangue. Lucas 22:20 diz: “Depois do jantar, do mesmo modo deu a eles o cálice de vinho, dizendo: Este cálice é a nova aliança feita por Deus com o seu povo, aliança que é garantida pelo meu sangue, derramado em favor de vocês. Ele pegou uma taça de vinho e disse: Esta taça que é derramada para você é a nova aliança em Meu sangue.” (NTLH). O sacrifício de Jesus satisfez toda a necessidade de uma oferta de bebida. Seu sangue literalmente jorrando quando o soldado perfurou Seu lado com uma lança. João 19:34 diz: “Porém um dos soldados furou o lado de Jesus com uma lança. No mesmo instante saiu sangue e água.” (NTLH). Paulo levou a metáfora ainda mais adiante, quando por duas vezes usou a imagem de uma oferta de bebida para descrever seu próprio serviço. Em Filipenses 2:17, ele disse: “Contudo, mesmo que eu esteja sendo derramado como oferta de bebida sobre o serviço que provém da fé que vocês têm, o sacrifício que oferecem a Deus, estou alegre e me regozijo com todos vocês.” (NVI). Paulo, nesse texto, desafiou a igreja em Filipos a viver uma vida digna de sua dedicação a eles. A segunda ocorrência da citação de Paulo está em 2 Timóteo 4:6, que diz: “Quanto a mim, já estou sendo derramado como libação, e o tempo da minha partida está próximo.” (JFA). O apóstolo Paulo sentiu estar próximo o fim de seu ministério, e novamente comparou seus esforços ao vinho derramado de um vaso sobre um altar do sacrifício pelas mãos do Sumo Sacerdote Eterno (Cristo). O fato de tanto o pão quanto o vinho fazerem parte do nosso ato de comunhão com Cristo, por meio da celebração da ceia, é uma ligação direta aos atos sacrificiais do tabernáculo, só que dessa vez feitos de uma vez por todas. Restando à igreja o dever de comer do pão e beber do vinho em memória do ato completo em Cristo. Capítulo 19 O CASTIÇAL DE OURO PURO “Fez o candelabro de ouro puro e batido. O pedestal, a haste, as taças, as flores e os botões formavam com ele uma só peça. Seis braços saíam do candelabro: três de um lado e três do outro. Havia três taças com formato de flor de amêndoa num dos braços, cada uma com botão e flor, e três taças com formato de flor de amêndoa no braço seguinte, cada uma com botão e flor. Assim era com os seis braços que saem do candelabro. Na haste do candelabro havia quatro taças com formato de flor de amêndoa, cada uma com flor e botão. Havia um botão debaixo de cada par dos seis braços que saíam do candelabro. Os braços com seus botões formavam uma só peça com o candelabro, tudo feito de ouro puro e batido. Fez de ouro puro suas sete lâmpadas, seus cortadores de pavio e seus apagadores. Com trinta e cinco quilos de ouro puro fez o candelabro com seus botões e todos esses utensílios.” (Êxodo 37:17-24, NVI). O castiçal, diferentemente da Arca e da mesa dos pães asmos, não tinha madeira em sua composição, era feito de ouro puro. Muita quantidade de ouro foi usada para moldar esse objeto sagrado. O texto diz que foram cerca de 35 quilos de ouro. Representa o divino em Sua essência pura, espiritual e eterna. O ouro é o símbolo do ser divino em Sua pureza e majestade. Na filosofia, o ouro tem um belo simbolismo, por ser um metal puro. O ouro não se mistura facilmente e não perde seu valor pela corrosão do tempo, ele é resistente. O tabernáculo tinha três repartições, e cada uma delas obtinha sua iluminação de forma diferente. O átrio não era coberto, portanto, a luz do sol o iluminava de dia e a nuvem de fogo que repousava sobre o tabernáculo o iluminava de noite: “De dia a nuvem do Senhor ficava sobre o tabernáculo, e de noite havia fogo na nuvem, à vista de toda a nação de Israel, em todas as suas viagens.” (Êxodo 40:38, NVI). “Era assim que sempre acontecia, de dia a nuvem o cobria, e de noite tinha a aparência de fogo.” (Números 9:16, NVI). No Santíssimo Lugar era a luz da Glória de Deus que se fazia presente e alumiava o ambiente. No Santo Lugar era a luz do candelabro que gerava claridade. Este era o propósito do candelabro, trazer luz, por isso ele nunca poderia ser apagado. Êxodo 27:20 diz: “Ordene aos israelitas que lhe tragam azeite puro de olivas batidas para a iluminação, para que as lâmpadas fiquem sempre acesas.” (NVI). O texto sagrado que veremos a seguir nos coloca nesse cenário de serviço sacerdotal. O texto de 1 Samuel 3:3 diz que: “Samuel dormia na Tenda Sagrada, onde ficava a arca da aliança. E a lâmpada de Deus ainda estava acesa.” (NTLH). A Palavra de Deus foi até Samuel enquanto ele estava sendo iluminado pela luz do candelabro. Que luz é essa que nos capacita a ouvir as verdades divinas? Certamente é a luz do Espírito. João 16:13-14 diz: “Mas quando o Espírito da verdade vier, ele os guiará a toda a verdade. Não falará de si mesmo; falará apenas o que ouvir, e lhes anunciará o que está por vir. Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e o tornará conhecido a vocês.” (NVI). O Espírito Santo veio sobre os cristãos no dia de Pentecostes. Daquele dia em diante, o Espírito Santo flui sem medidas sobre a igreja. Com essa premissa, entendemos que somos candelabros de Deus e carregamos a luz do Espírito Santo em nós. Não podemos nos esquecer de que não temos luz própria. A glória é de Deus, sem Ele nada podemos fazer. Somos receptores e transmissores dessa luz gloriosa do Espírito Santo que revela o Cristo Salvador a este mundo em trevas. AZEITE Para se manter acesa, a luz do candelabro necessitava de um líquido apropriado para a combustão, e também de fogo. O fogo foi o que desceu do céu sobrenaturalmente no dia da inauguração do tabernáculo,e o líquido era o azeite, um produto da oliveira. Por falar em azeite, mencionarei a parábola das 10 virgens, relatada em Mateus 25. Naquele momento, 10 virgens dormiram e 10 virgens acordaram. Não houve distinção nesse ponto da narrativa, mas a diferença elementar estava no fato de que 5 delas tinham azeite armazenado, e as outras não tinham. O azeite representa facilmente nossa vida diária de oração, jejum e leitura bíblica. Se somos cheios do Espírito Santo, isso não ajudará diretamente nosso cônjuge ou nossos amigos a serem cheios do Espírito Santo também, serão de forma indireta influenciados pelo nosso testemunho pessoal. Contudo, esta é uma missão particular e peculiar de cada indivíduo: a responsabilidade de nos mantermos cheios de combustível e de fé. Existe uma fonte inesgotável desse azeite, e essa fonte não somos nós ou as nossas mensagens eloquentes, ou canções extraordinárias. A fonte é divina. Um exemplo pode nos ajudar na compreensão desse conceito. Veja que: se estamos em um culto onde o ministrante está cheio de azeite divino ou cheio do Espírito e de virtude para ministrar, não fará com que os ouvintes se encham também, ou seja, não fará com que os pecadores se convençam do pecado e se arrependam, pois essa é uma missão específica do Espírito Santo. O azeite usado no candelabro deveria vir do fruto da oliveira. A oliveira é uma planta que gosta do solo rochoso de Israel. Em sua fase adulta, pode atingir cerca de 7 metros de altura e viver por cerca de mil anos. O texto de Isaías 17:6 diz: “Contudo, restarão algumas espigas, como, quando se sacode uma oliveira, ficam duas ou três azeitonas nos galhos mais altos e umas quatro ou cinco nos ramos mais produtivos, anuncia o Senhor, o Deus de Israel.” (NVI). E Isaías 24:13 diz: “Assim será na terra, entre as nações, como quando se usa a vara na oliveira ou se buscam os restos das uvas após a colheita.” (NVI). O texto acima se refere ao modo de colheita do fruto. A árvore precisa ser sacudida para que caia seu fruto, e os frutos que permanecem nos galhos mais altos são retirados com uma vara, literalmente batendo nos galhos. A oliveira é muito importante para Israel, tanto seu fruto serve para alimento, quanto o azeite que é utilizado para combustão, alimento, produtos de higiene, remédios... enfim, benefícios infinitos para quem vive em uma região desértica. O salmista, no salmo 52, verso 8 se diz ser como oliveira na casa de Deus. Davi se considerava um alimento para Israel e um agente de combustão para o poder do Espírito Santo operar em sua geração. Que cada um de nós tenha consciência do nosso dever ético cristão. O dever de dar bons testemunhos, de orar, de amar o nosso semelhante e a Deus, o dever de congregar e termos comunhão com a igreja. Sermos alimento e luz. Somos portadores do Espírito Santo, nossa missão é apontar Cristo para a humanidade. Somos a luz do mundo, e se não estivermos no velador (posição correta do objeto), o que haveríamos de alumiar se estivermos debaixo da mesa (posição incorreta do objeto)? (Mateus 5:15). Mesmo com azeite de sobra e com a luz do Espírito Santo, não estaríamos cumprindo nosso dever de iluminar se estivermos fora da posição. ESPEVITADORES A Sagrada Escritura faz menção de diversos objetos que compõem um conjunto de auxiliares nos serviços sacerdotais diários. Quando falamos de candelabro e todo o trabalho que os sacerdotes tinham para o manter acesso, é de suma importância lembrarmos que Deus é detalhista. Ele é o arquiteto, designer e o decorador do tabernáculo. Cada detalhe, cada objeto e cada função muito bem harmonizados. Dentro desse conjunto de objetos correlacionados com o candelabro estão: as tesouras de aparar, apagadores e algumas vasilhas. “Pegarão um pano azul e cobrirão o candelabro com as suas lamparinas, as tesouras de cortar pavios de lamparinas, os apagadores e as vasilhas necessárias para distribuir o azeite.” (Números 4:9, NTLH). Todos esses objetos foram feitos de ouro puro. Êxodo 25:38 diz: “Seus cortadores de pavio e seus apagadores serão de ouro puro.” (NVI). O cortador de pavio era usado pelo menos duas vezes por dia pelos sacerdotes. Ele tinha a função de manter as lâmpadas do candelabro acesas continuamente, faziam isso com a retirada do pavio queimado. Êxodo 27:20- 21 diz: “Ordenarás aos filhos de Israel que te tragam azeite puro de oliveiras, batido, para o candeeiro, para manter uma lâmpada acesa continuamente. Na tenda da revelação, fora do véu que está diante do testemunho, Arão e seus filhos a conservarão em ordem, desde a tarde até pela manhã, perante o Senhor; este será um estatuto perpétuo para os filhos de Israel pelas suas gerações.” (AA). Podemos comparar o pavio fumegante à algumas das sete igrejas relatadas em Apocalipse, capítulos 2 e 3, conhecidas teologicamente como as sete igrejas da Ásia. O candelabro visto por João em Apocalipse 1:20, que diz: “Eis o mistério das sete estrelas, que viste na minha destra, e dos sete candeeiros de ouro: as estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candeeiros são as sete igrejas.” (JFA). A figura de um pavio que fumega foi uma forma de relatar a apostasia nas igrejas. Igrejas que antes portavam a luz do Espírito Santo, e agora só lhes restam cinzas e fumaça. As cinzas em seu pavio as tornam incapazes de gerar luz. Um dia, foram ótimos em seus ministérios; agora, as cinzas são seus frutos. E a cinza sufoca o fogo. A história relata que os antigos persas tinham uma forma de punição que consistia em executar seus criminosos sufocando-os em cinzas (Valério Máximo, 9:2). Na Sagrada Escritura, as cinzas são símbolo da fragilidade humana. Vejamos o que Gênesis 18:27 diz: “Mas Abraão tornou a falar: Sei que já fui muito ousado ao ponto de falar ao Senhor, eu que não passo de pó e cinza.” (NVI). Um símbolo de profunda humilhação, Jó 42:6, que diz: “Por isso menosprezo a mim mesmo e me arrependo no pó e na cinza.” (NVI). A lei mosaica diz que as cinzas servem para o cerimonial de purificação daquele que tocar em um cadáver. Números 19:17 diz: “Pela pessoa impura, colocarão um pouco das cinzas do holocausto de purificação num jarro e derramarão água da fonte por cima.” (NVI). A cinza foi várias vezes usada no texto sagrado em uma linguagem poética para representar a dor humana. O texto de Jó 2:8 fala da humilhação de Jó: “Então Jó apanhou um caco de louça e com ele se raspava, sentado entre as cinzas.” (NVI). O salmista, no salmo 102:9 fala da sua tristeza profunda e de seu sentimento angustiante: “Cinzas são a minha comida, e com lágrimas misturo o que bebo.” (NVI). Isaías, capítulo 44 e no verso 20 diz que existem pessoas se alimentando de cinzas, ou seja, alimentando-se com aquilo que não gera nutrição para o corpo: “Ele se alimenta de cinzas, um coração iludido o desvia; ele é incapaz de salvar a si mesmo ou de dizer: Esta coisa na minha mão direita não é uma mentira?” (NVI). Em Isaías 61:3, o texto diz que virá o Messias, transformará nosso pranto em alegria: “E dar a todos os que choram em Sião uma bela coroa em vez de cinzas, o óleo da alegria em vez de pranto, e um manto de louvor em vez de espírito deprimido. Eles serão chamados carvalhos de justiça, plantio do Senhor, para manifestação da sua glória. Ele já veio e já tem transformado muitas vidas.” (NVI). Já aprendemos um pouco sobre as cinzas, agora vamos voltar nosso foco na espevitadeira. A espevitadeira vem do hebraico melqachim. A raiz dessa palavra é laqach, do verbo pegar. Curiosamente, esse objeto aparece citado no texto de Isaías 6:6, que diz: “Logo um dos serafins voou até mim trazendo uma brasa viva, que havia tirado do altar com uma tenaz (uma melqachim).” (NVI). Enfim, esse objeto era semelhante a uma tesoura comprida. Usada para retirar, pegar, agarrar, remover ou tocar algo quente sem se queimar. Daí sua ligação com o verbo hebraico laqach. Deus proveu a ferramenta para renovar o brilho da lâmpada que tem se apagado. Um dos fatores primordiais para a lâmpada se apagar é a falta de azeite ou sujeira nopavio. Creio que o azeite não faltava, pois essa era uma função do sumo sacerdote. O texto de Levítico 24:2-3 diz: “Ordena aos filhos de Israel que te tragam, para o candeeiro, azeite de oliveira, puro, batido, a fim de manter uma lâmpada acesa continuamente. Arão a conservará em ordem perante o Senhor, continuamente, desde a tarde até a manhã, fora do véu do testemunho, na tenda da revelação; será estatuto perpétuo pelas vossas gerações.” Nosso Sumo Sacerdote não falhou nessa função, Ele enviou o Consolador (João 16:7), o Espírito Santo, que por muitas vezes é tipificado como o azeite. Só nos resta cumprir nosso dever, retirar as cinzas dos pavios. A disciplina da Palavra de Deus precisa ser mantida nas igrejas. De nada adianta ouvirmos e não praticarmos Seus mandamentos. Se a correção divina for negada na igreja, certamente serão lâmpadas apagadas, pavios fumegantes e com a saudosa lembrança de que um dia portaram a luz divina. Apocalipse 2:5 diz: “Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas.” (ARA). Se a Bíblia não for nossa única estratégia de pregação, se o ato de nos prostrarmos na casa do Senhor não for nosso deleite, certamente que nossa luz se apagará. A boa notícia é que Deus tem as espevitadeiras, as tesouras cortantes que serão usadas como atalaias nesta geração. Certamente, o pavio que fumega não é desprezado pelo Senhor, assim como uma pérola pequena tem muito valor àquele que a possui. Pedro, o discípulo de Jesus, aquele que tinha um temperamento sanguíneo, foi um dia um pavio que fumega. A história relatada por Lucas, no capítulo 22:60-61 diz: “Mas Pedro respondeu: Homem, não sei o que dizes. E imediatamente estando ele ainda a falar, cantou o galo. Virando-se o Senhor, olhou para Pedro; e Pedro lembrou-se da palavra do Senhor, como lhe havia dito: Hoje, antes que o galo cante, três vezes me negarás” (AA). A luz de Pedro tinha sido ofuscada pelas cinzas. O que Jesus fez para que a chama pudesse flamejar no coração do pecador novamente? Jesus cortou o pavio fumegante com a demonstração de Seu perdão e amor. Pedro foi perdoado e amado. E nós, a igreja de Cristo, devemos seguir os Seus passos e sermos os espevitadores usados para reacender a chama do pavio fumegante, a chama do fraco na fé. O apóstolo Paulo em sua carta aos Romanos, capítulo 15 e verso 1 diz: “Ora nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos fracos, e não agradar a nós mesmos.” (JFA). João 9:4 diz que Jesus é luz do mundo, a luz que emana da glória no Santíssimo Lugar. E Mateus 5:14 diz que a igreja é a luz também, mas somos a luz do Santo Lugar, pois não temos brilho em nós mesmos, emitimos o brilho do Espírito Santo. É o azeite divino que mantém a luz da igreja acesa até a consumação dos séculos. O ALTAR DE INCENSO Capítulo 20 “Farás também um altar para queimares nele o incenso; de madeira de acácia o farás. Terá um côvado de comprimento, e um de largura (será quadrado), e dois de altura; os chifres formarão uma só peça com ele. De ouro puro o cobrirás, a parte superior, as paredes ao redor e os chifres; e lhe farás uma bordadura de ouro ao redor. Também lhe farás duas argolas de ouro debaixo da bordadura; de ambos os lados as farás; nelas, se meterão os varais para se levar o altar. De madeira de acácia farás os varais e os cobrirás de ouro. Porás o altar defronte do véu que está diante da arca do Testemunho, diante do propiciatório que está sobre o Testemunho, onde me avistarei contigo. Arão queimará sobre ele o incenso aromático; cada manhã, quando preparar as lâmpadas, o queimará. Quando, ao crepúsculo da tarde, acender as lâmpadas, o queimará; será incenso contínuo perante o SENHOR, pelas vossas gerações. Não oferecereis sobre ele incenso estranho, nem holocausto, nem ofertas de manjares; nem tampouco derramareis libações sobre ele.” (Êxodo 30:1-9, ARA). O terceiro móvel ou objeto do Lugar Santo era o altar de incenso. Um objeto sagrado e que foi feito de madeira de acácia e coberto com ouro puro. O incenso é um símbolo de oração. Apocalipse, capítulo 5, verso 8 diz que ele é a oração dos santos. Não podemos nos esquecer de que Jesus orava. Era costumeiro o Mestre se retirar com Seus discípulos para momentos de oração: “E quando Jesus também tinha sido batizado e estava orando, os céus se abriram.” (Lucas 3:21). Jesus é relatado nos evangelhos como alguém que sempre passava a noite nas colinas de Israel orando a Deus. Ele orou antes que selecionasse os Seus discípulos na manhã seguinte. Lucas 6:12-16 diz: “Num daqueles dias, Jesus saiu para o monte a fim de orar, e passou a noite orando a Deus. Ao amanhecer, chamou seus discípulos e escolheu doze deles, a quem também designou apóstolos: Simão, a quem deu o nome de Pedro; seu irmão André; Tiago; João; Filipe; Bartolomeu; Mateus; Tomé; Tiago, filho de Alfeu; Simão, chamado Zelote; Judas, filho de Tiago; e Judas Iscariotes, que veio a ser o traidor.” (NVI). Jesus também orava em momentos de angústia. Orou depois de Sua rejeição nas cidades em Corazim, Betsaida e Cafarnaum, em que passaram anunciando o Reino de Deus. Mateus 11:20-26 diz: “Passou, então, Jesus a increpar as cidades nas quais ele operara numerosos milagres, pelo fato de não se terem arrependido: Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido com pano de saco e cinza. E, contudo, vos digo: no Dia do Juízo, haverá menos rigor para Tiro e Sidom do que para vós outras. Tu, Cafarnaum, elevar-te-ás, porventura, até ao céu? Descerás até ao inferno; porque, se em Sodoma se tivessem operado os milagres que em ti se fizeram, teria ela permanecido até ao dia de hoje. Digo-vos, porém, que menos rigor haverá, no Dia do Juízo, para com a terra de Sodoma do que para contigo. Por aquele tempo, exclamou Jesus: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado.” (ARA). Ao estar diante do túmulo de seu amigo Lázaro, Jesus ordena que a pedra fosse removida e, em seguida, ora. João 11:41-42 diz: “Tiraram, então, a pedra. E Jesus, levantando os olhos para o céu, disse: Pai, graças te dou porque me ouviste. Aliás, eu sabia que sempre me ouves, mas assim falei por causa da multidão presente, para que creiam que tu me enviaste” (ARA). Jesus orou por nós no jardim do Getsêmani. Lucas 22:41-44 diz: “Ele, por sua vez, se afastou, cerca de um tiro de pedra, e, de joelhos, orava, dizendo: Pai, se queres, passa de mim este cálice; contudo, não se faça a minha vontade, e sim a tua. Então, lhe apareceu um anjo do céu que o confortava. E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra.” (ARA). E orou na cruz. Marcos 15:34 diz: “À hora nona, clamou Jesus em alta voz: Eloí, Eloí, lamá sabactâni? Que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (ARA). Ele estava oferecendo incenso a Deus por nós, assim como o sumo sacerdote fazia no tabernáculo quando tomava as petições do povo pecador e as levava até o Pai. O incenso do tabernáculo era aceso de manhã e à tarde. O que denota muito cuidado e um serviço repetitivo. O fogo usado no altar do tabernáculo vem do fogo divino. O fogo que Deus enviou do céu quando aceitou o primeiro sacrifício feito no dia da inauguração do tabernáculo. “O fogo se conservará continuamente aceso sobre o altar; não se apagará.” (Levítico 6:13, AA). Era dever dos sacerdotes manter esse fogo ardendo continuamente sobre o altar, pois desse fogo provinha toda fonte para a manutenção dos altares. O pão da presença era assado e o incenso aceso com esse fogo. Fogo estranho era o nome dado a qualquer outra fonte de fogo, e era estritamente proibido seu uso no tabernáculo. A narrativa bíblica diz que dois sacerdotes,filhos de Arão, foram mortos dentro do Santo Lugar por tentarem oferecer incenso usando fogo estranho. Levítico, capítulo 10 e verso 1 diz que Nadabe e Abiú tentaram fazer do jeito que Deus não havia ordenado. Esse foi um exemplo de má conduta. Tentaram burlar o sagrado com o profano, que até parecia ser fogo sagrado para eles, mas não era. Fica um alerta à igreja de Jesus: cuidado com a adoração que parece sagrada, mas carrega traços de humanismo. Cuidado com a exposição da Palavra que parece sagrada, mas que no fundo tem um contexto de autoajuda ou do coaching moderno. A mensagem de Deus não necessita de fogo estranho ao ser entregue no altar. Ela precisa ser pura e autêntica. O Evangelho que veio dos céus não pode ser alterado ou acrescentado. Apesar de alguns maus exemplos, ainda existem vários bons exemplos a serem seguidos. Exemplos de personagens da história bíblica, que assim como Jesus acenderam o incenso de seus ministérios com o fogo divino. A narrativa conta que o profeta Daniel orava três vezes ao dia. Daniel 6:10 diz: “Quando Daniel soube que o edital estava assinado, entrou em sua casa, no seu quarto em cima, onde estavam abertas as janelas que davam para o lado de Jerusalém; e três vezes no dia se punha de joelhos e orava, e dava graças diante do seu Deus, como também antes costumava fazer.” (JFA). O salmista relata com sua poesia e canção que orava sete vezes ao dia. Salmos 119:164 diz: “Sete vezes no dia te louvo pelas tuas justas ordenanças.”. Os discípulos conheciam essa verdade e pediram a Cristo: “Mestre, ensina-nos a orar”. Um ministério, seja ele qual for, sem momentos de oração não prevalecerá. A oração é um encontro com o Rei dos reis, é uma conversa íntima com o dono do universo. Oração é um momento de alegria pura e genuína. Ao subirmos os montes para orarmos, ou quando de madrugada dobrarmos nosso joelho em secreto, não estamos pagando um preço de oração. Pois orar é uma conversa com o nosso Amado, e quando conversamos com quem amamos não estamos pagando preço algum por essa comunhão. Ela é recíproca e prazerosa. Um livro que marcou minha vida devocional é Poder através da oração, de E.M Bounds, que diz: “Nenhuma erudição pode suprir a oração. Nem o zelo, nem a diligência, nem o estudo e nem os dons suprirão sua falta”. No dia da expiação havia uma fumaça que cobria o Santíssimo Lugar. Essa fumaça vinha do incenso que foi queimado lá dentro. O sumo sacerdote, depois de haver sacrificado o novilho para si mesmo, tomou um incensário cheio de brasas de fogo do altar com dois punhados de incenso aromático moído e o colocou sobre o fogo, e o levou diante da Arca. A nuvem do incenso encobria o propiciatório. Qual era o objetivo dessa fumaça perfumada? Levítico 16:12-13 traz a resposta: “[...] para que não morra”. Oração nos mantém vivos diante de Deus. INGREDIENTES DO INCENSO SUAVE O incenso usado no tabernáculo era composto de quatro elementos. Em Êxodo 30, verso 34 ao 38, lemos: “Disse mais o Senhor a Moisés: Toma especiarias aromáticas: estoraque, e ônica, e gálbano, especiarias aromáticas com incenso puro; de cada uma delas tomarás peso igual; e disto farás incenso, um perfume segundo a arte do perfumista, temperado com sal, puro e santo; e uma parte dele reduzirás a pó e o porás diante do testemunho, na tenda da revelação onde eu virei a ti; coisa santíssima vos será. Ora, o incenso que fareis conforme essa composição, não o fareis para vós mesmos; santo vos será para o Senhor. O homem que fizer tal como este para o cheirar, será extirpado do seu povo.” (AA). Essas eram especiarias aromáticas de muito cheiro e valor, que passaram a ser uma mistura de exclusividade sacerdotal. E com ordens estritas para que não a reproduzissem entre o povo. Estes quatro elementos são: estoraque, ônica, gálbano e incenso puro. O estoraque é uma resina que vem da árvore do bálsamo. Essa árvore é comum na terra de Canaã. A mirra e o estoraque são produtos da mesma árvore, a diferença está na forma da resina ser retirada dela. A mirra é obtida por meio de feridas no tronco da árvore, e o estoraque são as resinas que gotejam naturalmente e lentamente do tronco, sem nenhuma interferência humana. E esta é considerada a melhor das mirras. Estoraque em hebraico é nataph, que pode ser traduzido como: uma gota. Um símbolo da Graça divina que nos resgatou por Sua vontade. A Bíblia diz que nenhuma profecia sobre o Messias foi feita por vontade humana. 2 Pedro 1:21 diz: “Porque jamais uma profecia foi proferida por efeito de uma vontade humana. A graça foi gotejada por meio de Cristo.”. O segundo elemento usado na composição do incenso suave é a ônica. Esse elemento é proveniente de uma espécie de concha marinha comum no Mar Morto. E quando queimada, ela emite um forte odor. A palavra hebraica usada para ônica é sherelet. Ela vem da raiz da palavra leão feroz, um símbolo de firmeza, fidelidade e decisão forte. O Leão de Judá é Cristo. Apocalipse 5:5 diz: “[...] Eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos.”. O terceiro ingrediente é gálbano. Ela é uma resina gordurosa de cor marrom amarelada e é bem conhecida nas fragrâncias modernas. Seu odor é desagradável, mas ela ajuda a prolongar o aroma das outras especiarias, melhorando-as e preservando-as. Seu odor pungente chega a ser ofensivo. Como pode fazer parte de uma mistura aromática suave? Interessantemente, Deus, o arquiteto do universo, é conhecedor de todas as Suas criações e sabia da necessidade do gálbano no tabernáculo. Apesar de seu odor ser desagradável, essa resina tem um poder inseticida, podendo afastar até serpentes do ambiente. Ela é medicinal também, chegaram à conclusão que seu odor ajudou abelhas doentes a reviverem. Gálbano em hebraico é chelbenah. Sua raiz está ligada à palavra gordura, ou gordurosa. Nos fazendo lembrar das ofertas queimadas no altar de bronze, pois toda a gordura das entranhas é do Senhor. O último elemento a ser usado nessa mistura é o incenso puro. A palavra hebraica é lebonah, que vem da raiz da palavra branco, um símbolo de pureza, justiça e piedade. Essa resina, ao ser extraída por golpes no tronco da mandril thuris, aparenta uma forma leitosa de resina e com um odor bem peculiar. Esse era o principal elemento, pois seu odor é bastante agradável e chega nomear a mistura: incenso suave ou incenso doce. O incenso puro é encontrado entre os presentes dados a Jesus por meio dos magos do oriente. Mateus 2:12 diz: “[...] e abrindo os seus tesouros, ofertaram-lhe dádivas: ouro, incenso e mirra.” (JFA). Vimos que o incenso puro era usado de várias formas, até como presente. Enfim, cada uma dessas especiarias era moída separada, e depois misturadas. No mesmo peso e na mesma medida, apontando para o caráter balanceado de Cristo. O incenso do tabernáculo era uma mistura exclusiva, assim como Cristo é exclusivo. Ele é perfume do Senhor, é único. Cantares 1:3 diz: “Suave é o cheiro dos teus perfumes; como perfume derramado é o teu nome; por isso as donzelas te amam.” (JFA). Cristo veio nos resgatar por meio de Sua Graça (estoraque). Ele se apresentou como o Rei de Judá (ônica). Seu sacrifício sobre a cruz foi perfeito e aceitável a Deus (gálbano). Sua justiça (incenso puro) nos faz brancos como a neve. Não podemos usar esse incenso suave (o nome de Jesus) para transmitir nossos interesses, sejam eles mundanos ou pessoais. Vimos com Nadabe e Abiú, o fato de aspergirem incenso em fogo estranho lhes custou a vida. Levítico 10:1: “[...] pondo neles fogo e sobre ele deitando incenso...”. Fazermos do nome de Cristo um mercado lucrativo pode ser perigoso e fatal. O fogo estranho pode ser caracterizado de emoção da alma, histeria e misticismo exacerbado. 2 Coríntios 2:14-16 diz: “Mas graças a Deus, que sempre nos conduz vitoriosamente em Cristo e por nosso intermédio exala em todo lugar a fragrância do seu conhecimento; porque para Deus somos o aroma de Cristo entre os que estão sendo salvos e os que estão perecendo. Para estes somos cheiro demorte; para aqueles, fragrância de vida. Mas quem está capacitado para tanto?” (NVI). O SAL DA ALIANÇA Capítulo 21 “Tempere com sal todas as suas ofertas de cereal. Não excluam de suas ofertas de cereal o sal da aliança do seu Deus; acrescente sal a todas as suas ofertas.” Levítico 2:13 Um detalhe que não posso deixar de citar é o sal. O sal é um produto que não podia faltar nas funções diárias do tabernáculo. O sal era requerido, tanto nas ofertas de grão quanto nas ofertas de animais. Ezequiel 43:24 diz: “Você os oferecerá perante o Senhor, e os sacerdotes deverão pôr sal sobre eles e sacrificá-los como holocausto ao Senhor.” (NVI). Assim como era proibido o uso do fermento e do mel, o sal era requerido pelo Senhor. O fermento e o mel têm propriedades putrefatas, corrompem o alimento. Em todas as ofertas é requerido o sal, sem sal eram desagradáveis. Levítico 2:12-16 diz: “Deles, trareis ao SENHOR por oferta das primícias; todavia, não se porão sobre o altar como aroma agradável. Toda oferta dos teus manjares temperarás com sal; à tua oferta de manjares não deixarás faltar o sal da aliança do teu Deus; em todas as tuas ofertas aplicarás sal. Se trouxeres ao SENHOR oferta de manjares das primícias, farás a oferta de manjares das tuas primícias de espigas verdes, tostadas ao fogo, isto é, os grãos esmagados de espigas verdes. Deitarás azeite sobre ela e, por cima, lhe porás incenso; é oferta de manjares. Assim, o sacerdote queimará a porção memorial dos grãos de espigas esmagados e do azeite, com todo o incenso; é oferta queimada ao SENHOR.” (ARA). Havia um simbolismo e um propósito no sal. O simbolismo do sal é a graça inabalável, companheirismo, aliança duradoura e fidelidade divina. O propósito do sal ser usado nas ofertas do tabernáculo se dá pelo fato de que ele era um agente preservador. O sal tem um grande valor na história antiga. Os homens do Oriente costumavam selar seus pactos com sal. Números 18:19 diz: “Todas as ofertas sagradas, que os filhos de Israel oferecerem ao SENHOR, dei-as a ti, e a teus filhos, e a tuas filhas contigo, por direito perpétuo; aliança perpétua de sal perante o SENHOR é esta, para ti e para tua descendência contigo.” (ARA). O costume judaico diz que quando os homens faziam uma aliança, eles colocavam sal na lâmina de uma espada, e dali cada um colocava uma pitada de sal na boca. Um vínculo de aliança que incluía obrigações. Esdras 4:14 diz: “Agora, visto que comemos do sal do palácio, e não nos convém ver a desonra do rei, por isso mandamos dar aviso ao rei.” (JFA). O sal era usado como pagamento pelo trabalho. Daí surgiu a palavra salário. O sal na vida da igreja de Cristo tem um grande simbolismo. Mateus 5:13 diz: “Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá- lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens.” (NVI). A igreja é o sal. Ela é incorruptível, dá sabor e preserva. Esta é uma das funções da igreja no mundo, preservar a moral e a ética. Marcos 9:50 diz: “O sal é bom, mas se deixar de ser salgado, como restaurar o seu sabor? Tenham sal em vocês mesmos e vivam em paz uns com os outros.” (NTLH). Mesmo com a garantia de ser sal, a igreja ainda pode se tornar insípida, sem sabor. Deixando de dar sabor ao mundo, negociando seus valores imutáveis, certamente será imprestável. O caos tem reinado nesta geração, cito novamente, uma geração líquida (segundo Bauman). Os valores de Deus para as famílias têm sido corrompidos pelos fermentos deste mundo. A igreja é o sal da terra, salgando-a por suas palavras de vida. Colossenses 4:6 diz: “O seu falar seja sempre agradável e temperado com sal, para que saibam como responder a cada um.” (NVI). Nosso testemunho é a nossa melhor pregação. O ÁTRIO E SEUS OBJETOS Capítulo 22 Ao falarmos do pátio e de seus objetos é preciso fazer referência à parábola do semeador. Mateus 13:8 diz: “Outra, enfim, caiu em boa terra e deu fruto: a cem, a sessenta e a trinta por um.” (ARA). O átrio é a medida total do tabernáculo, suas divisões são 100%. As medidas divisórias do Santo Lugar ocupam 60% do tabernáculo e o Santíssimo Lugar delimita 30% do ambiente. Na nossa caminhada rumo à presença da glória, no pátio somos aceitos e justificados. No Santo Lugar temos muito trabalho a fazer, pois é ali o lugar do ministério e da comunhão diária. No Santíssimo Lugar simplesmente adoramos a Deus em espírito e em verdade, experimentando uma gotinha da eternidade. Pois adoraremos a Deus na eternidade: “Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles.” (Apocalipse 21:3, ARA). Os levitas e sacerdotes, suas divisões e funções se resumem em: levitas (pátio), sacerdotes (Santo Lugar) e sumo sacerdote (Santíssimo Lugar). AS CORTINAS DO ÁTRIO “Faça um pátio para o tabernáculo. O lado sul terá quarenta e cinco metros de comprimento, e cortinas externas de linho fino trançado, com vinte colunas e vinte bases de bronze, com ganchos e ligaduras de prata nas colunas. O lado norte também terá quarenta e cinco metros de comprimento e cortinas externas, com vinte colunas e vinte bases de bronze, com ganchos e ligaduras de prata nas colunas. O lado ocidental, com as suas cortinas externas, terá vinte e dois metros e meio de largura, com dez colunas e dez bases. O lado oriental, que dá para o nascente, também terá vinte e dois metros e meio de largura. Haverá cortinas de seis metros e setenta e cinco centímetros de comprimento num dos lados da entrada, com três colunas e três bases, e cortinas externas de seis metros e setenta e cinco centímetros de comprimento no outro lado, também com três colunas e três bases. À entrada do pátio, haverá uma cortina de nove metros de comprimento, de linho fino trançado e de fios de tecidos azul, roxo e vermelho, obra de bordador, com quatro colunas e quatro bases. Todas as colunas ao redor do pátio terão ligaduras, ganchos de prata e bases de bronze.” (Êxodo 27: 9-17, NVI). Para o sul e para o norte são 45 metros de largura, feita de linho fino trançado, amarrados em vinte colunas e vinte bases de bronze, com ganchos e ligaduras de prata nas colunas. Cordas fincadas ao chão por estacas de bronze firmavam as colunas. Para o oeste eram 22,5 metros de largura, feitas de linho fino trançado, amarrados em 10 colunas e 10 bases de bronze, com ganchos e ligaduras de prata nas colunas. Cordas fincadas por estacas de bronze ao chão firmavam as colunas. “Todos os utensílios para o serviço do tabernáculo, inclusive todas as estacas da tenda e as do pátio, serão feitos de bronze.” (Êxodo 27:19, NVI). Para o leste eram 22,5 metros de largura. Sendo 6,65 metros feitos de cada lado com linho fino trançado, amarrados em 3 colunas e 3 bases de bronze com ganchos e ligaduras de prata nas colunas. Cordas fincadas ao chão por estacas de bronze firmavam as colunas. No centro se encontra a porta de linho do tabernáculo. Para a porta de linho eram usados 9 metros de linho fino trançado, com bordados em azul, púrpura e escarlate. Com 4 colunas e 4 bases de bronze, todas as colunas têm ganchos e ligaduras de prata. Com cordas fincadas por estacas de bronze para que se firmem ao chão. A altura das cortinas ao redor do átrio era de 2,25 metros. Os caminhantes do deserto avistavam de longe as cortinas brancas, postas como muro de proteção ao redor do tabernáculo. A graça salvadora de Jesus se revelou, apesar de ser impossível conquistarmos os padrões de santidade estipulados pela Lei. A entrada do tabernáculo, a porta de linho, é mais uma pincelada da Graça divina nas páginas do Antigo Testamento. Cordas presas em ganchos de prata (redenção), uma corda presa por dentro e outra corda presa por fora da coluna. A igreja precisa testemunhar a redenção dentro (igreja) e fora (perdidos). O pátio fazia parte da adoração. A PORTA DE LINHO A porta de linho tinha a mesma bordadura do véu de acesso ao Santíssimo Lugar. Talvez esse fosse um fatoque todos sabiam, ou talvez era um segredo guardado pelos sacerdotes. Por que a porta de entrada estava voltada para o leste? É necessário olhar para o pano de fundo da história dos caminhantes. O tabernáculo foi pedido a Moisés pouco depois de saírem do Egito. Eles estavam naquele lugar, sendo educados naquela cultura. A história nos conta que os egípcios eram politeístas, adoravam a várias deidades. E dentre o panteão egípcio estava o deus Sol. Adoravam ao deus Sol se voltando para o sol nascente, que era ao leste. A premissa é simples: virem as costas ao deus Sol quando forem adorar ao Deus Jehovah. Dê as costas para o inimigo, corra para Deus. Nossas costas devem estar voltadas para as opiniões, tendências, modismos, ídolos e sugestões deste mundo mal. Uma única entrada. João 14:6 diz: “Eu Sou o caminho...”. Por nossa justiça própria, nunca poderemos ter acesso à presença inacessível da glória. Isaías diz que: “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia; todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniquidades, como um vento, nos arrebatam.”. O termo “trapo de imundícia” está se referindo ao período menstrual de uma mulher. Um termo forte. As colunas que suportam as cortinas de linho (justiça divina) são de bronze (julgamento divino). Romanos 3:10 diz: “como está escrito: Não há justo, nem um sequer.”. Miquéias 7:2 diz: “Pereceu da terra o piedoso, e não há entre os homens um que seja reto; todos espreitam para derramarem sangue; cada um caça a seu irmão com rede.”. Não há outra forma de entrarmos, a não ser por meio de Cristo, nossa porta de linho. A cor púrpura indica Sua realeza, a cor azul aponta Sua divindade, a cor escarlate fala de obra expiatória e o branco fala de Sua justiça. O ALTAR DE BRONZE “Farás também o altar de madeira de acácia; de cinco côvados será o seu comprimento, e de cinco, a largura (será quadrado o altar), e de três côvados, a altura. Dos quatro cantos farás levantar-se quatro chifres, os quais formarão uma só peça com o altar; e o cobrirás de bronze. Far-lhe-ás também recipientes para recolher a sua cinza, e pás, e bacias, e garfos, e braseiros; todos esses utensílios farás de bronze. Far-lhe-ás também uma grelha de bronze em forma de rede, à qual farás quatro argolas de metal nos seus quatro cantos, e as porás dentro do rebordo do altar para baixo, de maneira que a rede chegue até ao meio do altar.” (Êxodo 27:1-5, JFA). O altar de bronze é uma caixa de madeira de acácia (humanidade) coberta de bronze (julgamento), com pontas em forma de chifres nos cantos. Era oca e por cima dessa caixa ia uma grelha. Outros utensílios faziam parte desse altar. Um recipiente para colher as cinzas, uma pá para retirar a cinza, bacias, garfos para retirar e colocar os sacrifícios no altar e braseiros, tudo feito de bronze. Ao passarem pela porta de linho, os filhos de Israel se depararam com um ambiente de serviço sacerdotal. Animais sendo sacrificados, levitas carregando as cinzas, sacerdotes lavando suas mãos na bacia de bronze. OS RITUAIS SACRIFICIAIS O altar tinha pontas nos cantos, estas pontas em forma de chifres eram extremamente importantes para os rituais sacrificiais. Quando um animal é ofertado, antes de ser sacrificado era preso nessas pontas até o momento de ser morto. Não era um serviço de um homem só. O bronze é condutor de calor, e certamente a madeira interior foi totalmente incendiada. A cada sacrifício, o bronze se aquece ainda mais. O que aconteceu com Jesus na cruz? Sua humanidade sofreu. Os evangelistas relatam em suas narrativas que Jesus, antes de se entregar na cruz, chorou, se agoniou ao ponto de suar gotas de sangue. Ficou em um estado de tensão. O altar de bronze tipifica a cruz. A obra expiatória de Jesus. Esse é o primeiro lugar que Deus se revela ao pecador. Olhando para o tabernáculo, podemos compreender João 3:16, que diz: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”. Compreenderemos Filipenses 2:8, quando diz: “a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.”. A PIA DE BRONZE “Disse mais o SENHOR a Moisés: Farás também uma bacia de bronze com o seu suporte de bronze, para lavar. Pô-la-ás entre a tenda da congregação e o altar e deitarás água nela. Nela, Arão e seus filhos lavarão as mãos e os pés. Quando entrarem na tenda da congregação, lavar-se-ão com água, para que não morram; ou quando se chegarem ao altar para ministrar, para acender a oferta queimada ao SENHOR. Lavarão, pois, as mãos e os pés, para que não morram; e isto lhes será por estatuto perpétuo, a ele e à sua posteridade, através de suas gerações.” (Êxodo 30:17-21, ARA). A função da pia de bronze é fornecer um meio para que os ministradores do ofício sacerdotal lavem seus pés e mãos antes de entrarem no Santo Lugar e no Santíssimo Lugar. Esse objeto é o único que Deus não deixa as medidas para Moisés. O que isso possivelmente significa? O que esse objeto tem a ver com a caminhada espiritual cristã? Para responder essas e tantas outras perguntas que poderemos ter, é necessário analisarmos de que material ela é feita. De bronze. O texto de Êxodo 38:8 diz que o bronze usado nesse objeto era o bronze usado pelas mulheres como espelho. Veja: “Fez também a bacia de bronze, com o seu suporte de bronze, dos espelhos das mulheres que se reuniam para ministrar à porta da tenda da congregação.” (ARA). Bronze polido, reluzente e que refletia. Imagine o sacerdote ou o sumo sacerdote, sabendo que ao entrar nos compartimentos sagrados do tabernáculo com algum pecado morreria instantaneamente. E, antes de entrar ali, ele tinha a chance de se olhar. Olhar nos próprios olhos. Ver refletida uma imagem verídica de si mesmo. Diante de nós mesmos não há como manipular, burlar ou esconder quem somos. Podemos até enganar uma multidão, usar máscaras como os atores gregos, os hipócritas. O apóstolo Tiago em sua carta nos diz quem é o espelho que reflete nosso verdadeiro eu. Tiago 1:23-24 diz: “Porque, se alguém é ouvinte da palavra e não praticante, assemelha-se ao homem que contempla, num espelho, o seu rosto natural; pois a si mesmo se contempla, e se retira, e para logo se esquece de como era a sua aparência.” (ARA). São os ensinos da Palavra de Deus. E sobre a simbologia da água, o texto de Efésios 5:26 diz: “para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra.”. A Palavra nos lava, ela é a água. Tanto o espelho quanto a água simbolizam a Palavra. Partindo desses pressupostos, podemos dizer que a Palavra tem poder de nos lavar por dentro. Não há dimensões para a Graça salvadora. Uma bacia feita de bronze (julgamento, lei) que contenha a Palavra de vida eterna, a água. Somos limpos, e devemos ser limpos todos os dias. Não há limites, pois onde abundou o pecado, superabundou a graça. Romanos 5:20 diz: “A Lei foi introduzida para que a transgressão fosse ressaltada. Mas onde aumentou o pecado, transbordou a graça.” (NVI). Deus não quer que Seus ministros se apresentem a Ele com mãos e pés sujos, pois se assim o fizermos, certamente morreremos (espiritualmente, moralmente, ministerialmente). Talvez pela falta de atentar para os ensinos da Palavra e os cumprir, tantos ministérios têm falido e fracassado em sua missão primordial. Pois sacerdotes (pastores e ministros contemporâneos) que se recusam dia a dia a passarem por uma limpeza pela Palavra estão mortos e pregam sermões mortos. O apóstolo Paulo diz que todas as vezes antes de comermos do pão e bebermos do vinho (ceia), devemos fazer um autoexame de consciência. E só então cearmos. Nos examinar, pedir perdão e alcançar misericórdia de Deus. “Portanto, todo aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será culpado de pecar contra o corpo e o sangue do Senhor. Examine-se cada um a si mesmo, e então coma do pão e beba do cálice. Pois quem come e bebe sem discernir o corpo do Senhor, come e bebe para sua própriacondenação. Por isso há entre vocês muitos fracos e doentes, e vários já dormiram.” (1 Coríntios 11:27-30, NVI). Um cheiro forte de sangue, entranhas de animais e gordura queimada. O altar de bronze era o primeiro a ser visto por quem entrava no tabernáculo. Era um lugar de sacrifícios expiatórios diários. A pia é um objeto curioso. Ela está bem perto do altar de bronze, onde tem fogo, cinza, sangue, gordura queimando e muita fumaça, mas ela contém água limpa. CRISTO, A GLÓRIA DE DEUS Capítulo 23 Chegamos à parte final deste livro, e eu quero proferir sobre o caminho que Cristo fez no tabernáculo até chegar a nós. Sei que com esta obra nem arranhei a superfície das verdades eternas entregues a nós por meio do tabernáculo. Está bem claro que o pecador (que está de fora) precisa se achegar e entrar pelas portas da frente. Não há outro caminho. Lá dentro, ele se encontra com a cruz, recebe perdão, entra no Santo Lugar e desfruta das bênçãos celestiais (oração, alimento e luz). O pecador agora pode entrar em seu quarto de oração (Santíssimo Lugar) e em secreto falar com Deus, e Deus em secreto o responderá. Isto se chama o milagre da Graça salvadora. O pecador vai da porta de linho até a presença da glória, mas Cristo estava na glória com Deus e fez o percurso da presença da glória para o mundo. O apóstolo Paulo explica essa dinâmica aos cristãos de Filipos. Filipenses 2:6-8 diz: “pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.” (ARA). O profeta Habacuque, no capítulo 2:14 diz que a terra se encherá do conhecimento da glória de Deus. Esta é a missão da igreja, pregar o Cristo Salvador a todas as nações. O profeta Ezequiel teve uma visão do Filho do homem, que é descrito da seguinte forma: “Como o aspecto do arco que aparece na nuvem em dia de chuva, assim era o resplendor em redor. Esta era a aparência da glória do Senhor; vendo isto, caí com o rosto em terra e ouvi a voz de quem falava.” (Ezequiel 1:28, AA). Jesus abriu o caminho para nós. A glória de Deus que estava estritamente em cima da Arca, entre as asas dos querubins, é vista por Ezequiel, e ela saía do Templo, ia par as portas do Templo e depois pousava sobre o Monte das Oliveiras. O comentário Benson diz que “A nuvem de sua presença foi primeiramente retirada do propiciatório do santo dos santos, o lugar habitual de sua residência, e levada para o limiar do Templo.”. Ezequiel 9:1: “[...] retirou-se para o portão leste do pátio interno.”. Ezequiel 10:19: “[...] E agora, finalmente, deixa completamente Jerusalém, e fixa-se na montanha no lado leste da cidade.” O comentário Matthew Henry diz: “Foi a partir do Monte das Oliveiras que a visão subiu, tipificando a ascensão de Cristo ao céu daquela mesma montanha”. Os profetas profetizaram o Messias que virá vencedor, e quando vier colocará Seus pés no Monte das Oliveiras. Zacarias 14:4 diz: “Naquele dia, estarão os seus pés sobre o monte das Oliveiras, que está defronte de Jerusalém para o oriente.” (JFA). A Presença da Glória de Deus está no Cristo glorificado, por meio dEle temos livre acesso a esse esplendor. “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Por que quem compreendeu a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a Ele, para que lhe seja recompensado? Porque dEle e por Ele, e para Ele, são todas as coisas; glória, pois, a Ele eternamente. Amém.” (Romanos 11:33-36, ACF). A autora Luciana Gomes da Silva nasceu em Caratinga, Minas Gerais, em setembro de 1984. Residente nos Estados Unidos desde 2004 (Cheguei aqui com o sonho de vencer e conquistar o que até então estava distante de mim, uma vida melhor). Casada com Djalma Souza, com quem forma uma família linda com dois filhos, Larissa e Lucas. Tem formação em Bacharel em Teologia, com especialização em Ministério Pastoral e Aconselhamento Cristão pela Boston Theological School. Tem formação certificada em Hebraico Moderno pela Hebrew College of Boston e formação em Cultura Bíblica e Contexto Judaico pela Israel Study Center. Escritora e autora de alguns exemplares disponíveis pela editora UpBooks (O Caminho das águas e Viagens Fantásticas pela Bíblia – volumes 2, 3 e 5), atualmente cursa Pedagogia e Pós em Psicopedagogia EAD pela Faculdade de Ciências de Wenceslau Braz (Facibra). “Sou amante da Palavra de Deus: ela me impulsiona a prosseguir!” Leia também: REFLEXÕES PARA DIAS DESAFIADORES Elisabeth Santana 130 pág. -R$25,00 A CASA ONDE DEUS HABITA Tamara Arruda 132 pág. - R$25,00 Leia também da Upbooks AÇÃO E PODER Leilane Soares e Adriana Yamaguchi 158 pág. - R$25,00 PRINCESAS ADORADORAS Thais Oliveira 152 pág. - R$25,00 LAGARTAS TAMBÉM SONHAM Nathalia Camargo 120 pág. - R$30,00 MINUTO COM DEUS Edvaldo Oliveira 380pág. - R$32,00 SEJA BEM-VINDO TEMPO DE ORAR Sara Evangelista 170 pág. -R$25,00 TUDO POSSO NAQUELE QUE ME FORTALECE Leilane Soares 156 pág. -R$27,00 PRÁTICAS CONSTANTES DA ORAÇÃO Jediel Gonçalves 114 pág. - R$25,00 A GUARDIÃ DO LAR Bruna Oliveira 144 pág. - R$28,00 DE DENTRO PARA FORA Érica Leite 117 pág. - R$25,00 RAZÃO E FÉ Moisés Martins 72 pág. - R$22,00 INSPIRAÇÕES PARA O SEU DIA Vand Pires Vol. 1: 216 páginas Vol.2: 240 páginas Vol. 3: 140 páginas Vol. 4: 190 páginas R$25,00 cada Conheça nossa loja virtual: www.upbooks.com.br Envie seu livro para análise da editora: carlamontebeler@gmail.com Miolo Da Porta de linho