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Acidentes com animais peçonhentos

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Dessa estimulação resulta a despolarização das fibras 
nervosas pós-ganglionares, com liberação de mediadores químicos, 
principalmente acetilcolina e catecolaminas. 
- Outros mediadores, como serotonina, bradicinina, substância P e outros 
peptídios, mediadores da síndrome de resposta inflamatória sistêmica, 
parecem, também, ser liberados pela toxina. Os sinais e sintomas podem 
ser explicados fisiopatologicamente pelo efeito dessas substâncias sobre 
seus receptores específicos. 
Quadro clínico 
- Os acidentes por Tityus serrulatus são mais graves do que os produzidos 
pelo Tityus bahiensis. Crianças e idosos são mais suscetíveis à toxina. A dor 
local é sintoma predominante no acidente escorpiônico, podendo ser 
acompanhada de parestesias. Nos acidentes moderados e graves, após 
intervalo de minutos até algumas horas, podem surgir manifestações 
clínicas. 
- O encontro dos 
sinais e sintomas 
mencionados 
impõe a suspeita 
clínica de 
escorpionismo, 
mesmo na 
ausência de 
história de picada 
e 
independentemente do encontro do escorpião. 
- A gravidade depende de fatores como a espécie e tamanho do escorpião, 
a quantidade de veneno inoculado, a massa corporal do acidentado e a 
sensibilidade do paciente ao veneno. Influem na evolução o diagnóstico 
precoce, o tempo decorrido entre a picada e a administração do soro e a 
manutenção das funções vitais. Com base nas manifestações clínicas, os 
acidentes podem ser inicialmente classificados como leves, moderados e 
graves. 
- Os óbitos estão relacionados com complicações como ritmos 
bradicárdicos, convulsões, coma, edema pulmonar e choque. 
 
8 SANNDY EMANNUELLY – 6º PERÍODO 2021.1 
Exames complementares 
- Os exames laboratoriais complementares têm importância no 
acompanhamento dos pacientes. O emprego de técnicas de 
imunodiagnóstico (ELISA) para detecção plasmática de veneno do escorpião 
Tityus serrulatus tem demonstrado a presença de veneno circulante nas 
formas graves de escorpionismo. 
- Hemograma: A leucocitose com neutrofilia está presente nas formas 
graves e em cerca de 50% das moderadas. 
- Glicemia: Geralmente se apresenta elevada, nas formas moderadas e 
graves, nas 4 primeiras horas após a picada. 
- Amilasemia: Está elevada em metade dos casos moderados e em cerca de 
80% dos casos graves. 
- Íons: Usualmente ocorrem hiponatremia e hipopotassemia. 
- Creatinofosfoquinase: A CK e sua fração MB estão elevadas em 
porcentagens significativas dos casos graves. 
- Radiografia de tórax: Pode evidenciar aumento da área cardíaca e sinais 
de edema pulmonar agudo, eventualmente unilateral. 
- Eletrocardiograma: É de grande utilidade no acompanhamento dos 
pacientes. Pode mostrar taquicardia ou bradicardia sinusal, extrassístoles 
ventriculares, distúrbios de repolarização ventricular, como inversão da 
onda T em várias derivações, presença de ondas U proeminentes, 
alterações semelhantes às observadas no infarto agudo do miocárdio 
(presença de ondas Q e supra-ou infradesnivelamento do segmento ST) e 
desaparecem em 3 dias na grande maioria dos casos, mas podem persistir 
por 7 ou mais dias. 
- Ecocardiograma: Pode demonstrar, nas formas graves, hipocinesia 
transitória do septo interventricular e da parede posterior do ventrículo 
esquerdo, às vezes associada a regurgitação mitral. 
- Nos casos de pacientes com hemiplegia, a tomografia cerebral 
computadorizada pode mostrar alterações compatíveis com infarto 
cerebral. 
 
Tratamento sintomático 
- A dor no local da picada pode ser tratada com dipirona (10 mg/kg) de 6/6 
h e, se necessário, infiltração de lidocaína a 2%, sem vasoconstritor, no local 
da picada. As náuseas e vômitos são combatidos com bromoprida (5 mg/kg 
a 10 mg/kg), enquanto os distúrbios hidreletrolíticos são abordados de 
acordo com as medidas apropriadas a cada caso. 
Tratamento específico 
- Especialmente indicado nas formas moderadas e graves de escorpionismo, 
mais comum em crianças, consiste na administração do soro 
antiescorpiônico (SAE). A soroterapia deve ser instituída o mais 
precocemente possível por via endovenosa e em dose adequada de acordo 
com a gravidade estimada do acidente. 
- O objetivo da soroterapia específica é neutralizar o veneno circulante. Os 
sinais e sintomas não regridem prontamente após a administração do soro 
específico, pois o SAE não bloqueia o veneno ligado aos receptores teciduais 
que são responsáveis pela liberação de neurotransmissores. Entretanto, a 
administração do antiveneno específico pode, teoricamente, impedir o 
agravamento das manifestações clínicas em função de manter títulos 
elevados de antiveneno circulante capazes de neutralizar a toxina que está 
sendo difundida no plasma a partir do local da picada. 
- A administração do SAE é segura, e a incidência e a gravidade das reações 
de hipersensibilidade precoce são pequenas. Quanto mais grave for a 
intoxicação, menor a possibilidade de reações ao soro, pois a quantidade de 
adrenalina, nos casos graves, protege os pacientes contra o aparecimento 
das reações. 
 
Complicações 
- Os pacientes com manifestações sistêmicas, especialmente crianças (casos 
moderados e graves), devem ser mantidos em regime de observação 
constante das funções vitais, objetivando o diagnóstico e tratamento 
precoce das complicações. 
- A bradicardia sinusal e o bloqueio AV total devem ser tratados com injeção 
venosa de atropina na dose de 0,05/kg de peso para crianças e 0,5 mg a 1 
mg (dose total) para adultos. 
- A hipertensão arterial associada ou não a edema pulmonar agudo é 
tratada com nifedipina sublingual na dose de 0,5 mg/kg em crianças e 5 mg 
a 10 mg em adultos. Nos pacientes com edema pulmonar agudo, além das 
medidas convencionais de tratamento, deve ser considerada a necessidade 
de ventilação artificial me-cânica, dependendo da evolução clínica. 
- O tratamento da insuficiência cardíaca e do choque é complexo e 
geralmente requer o emprego de infusão venosa contínua de dopamina ou 
dobutamina (2,5 μg/kg a 20 μg/kg de peso/min), além de rotinas usuais para 
essas complicações. 
- A experiência com tratamento das intoxicações causadas pela picada de 
escorpião tem demonstrado que crianças apresentam maior risco de 
complicações e que constitui erro frequente a administração de subdoses 
de SAE. Como a área corporal das crianças é menor e o tempo de circulação 
muito mais rápido, esses dois parâmetros devem ser considerados e o SAE 
deve ser administrado na dose suficiente para neutralizar a quantidade de 
veneno inoculado, que, teoricamente, é a mesma em adultos ou crianças. 
Portanto, a dose de soro para crianças deve ser a mesma usada em adultos. 
 
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ARANHAS 
- As aranhas pertencem à ordem Aranea, uma das maiores divisões da classe 
Arachnida. Como outros aracnídeos são predadores, alimentam-se 
principalmente de insetos e desempenham importante papel no controle 
de pragas causadas por esses animais. 
- Ao contrário das peçonhas dos escorpiões, que produzem praticamente o 
mesmo efeito, independentemente da espécie, os venenos das aranhas 
apresentam mecanismos de ação diversos, dependendo da espécie 
considerada. Existem aproximadamente 30.000 espécies de aranhas, quase 
todas venenosas. 
- Felizmente, as quelíceras da maioria das espécies são fracas e incapazes 
de penetrar através da pele, e seus venenos causam apenas sintomas 
discretos ou lesões localizadas. 
- Os gêneros de aranhas no Brasil que apresentam interesse clínico são: 
Loxosceles (aranha marrom) e Latrodectus (viúva-negra). Os casos de 
picadas por Latrodectus no Brasil são pouco frequentes e ocorrem 
sobretudo no litoral da Bahia. 
- As aranhas caranguejeiras, apesar de seu porte avantajado e aparência 
assustadora, têm dificuldade de inocular veneno e, quando picam, 
produzem apenas dor local. Os pelos desprendidos do corpo dessas 
aranhas, quando são manipuladas

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