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RESENHA: ESTUDO E PARECER SOCIAL

Artigo sobre o estudo social na área jurídico-social que analisa fundamentos, marcas históricas e procedimentos (estudo, perícia, relatório, laudo, parecer), o impacto do ECA, fatores socioeconômicos na perda do poder familiar e pesquisas em SP e RJ.

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O ESTUDO SOCIAL: FUNDAMENTOS E PARTICULARIDADES DE SUA 
CONTRIBUIÇÃO NA ÁREA JURÍDICA 
 
Eunice Terezinha Fávero 
 
 
O cotidiano da prática profissional do assistente social é o assunto abordado 
por Fávero (2010) no texto O estudo social: fundamentos e particularidades de sua 
contribuição na área jurídica, que está subdividido em intervenção judiciária e 
questão social; as marcas históricas do estudo social; o estudo social na 
contemporaneidade na parte I do artigo e na parte II trata dos procedimentos e 
instrumentos em questão com uma síntese informativa; sobre o conceito de estudo, 
perícia, relatório, laudo e parecer social e das leituras afins. 
A autora é doutora em Serviço Social pela PUC-SP, assistente social do 
judiciário paulista, pesquisadora do NCA/PUC-SP, foi 1º secretaria da AASPTJ-SP- 
Gestão 2001-2005 e conselheira editorial da Revista Serviço Social e Sociedade da 
editora Cortez. 
O texto gira em torno do resgate de condicionantes sociais, econômicos e 
familiares, como um apanhado de questões sociais que envolvem o sujeito que 
perde o poder familiar. Além disso, trata da profissão em si, expondo a diversidade 
desta, abordando pontos que possibilitam a reflexão da construção de sua 
identidade pelo objeto e o processo de trabalho na esfera da política social. 
Fávero (2010) sinaliza alguns pontos para tratar do estudo social e suas 
questões vinculadas ao sistema judiciário; considera expressões da questão social; 
da sistematização das diretrizes do estudo da perícia social; da formação de 
registro, através de instrumentos e procedimentos. 
No decorrer do texto a autora recupera marcas históricas do serviço social no 
poder judiciário, conduzindo o leitor à reflexão e ao diálogo com o tempo presente, 
revelando a importância da recuperação das formas de ação desenvolvidas pelos 
profissionais no seu cotidiano. 
A redescoberta do estudo social na área sócio-jurídica nos últimos anos com 
o objetivo de uma investigação sistemática através de questionamentos, polêmicas e 
debates, é discutido como parte de um desenvolvimento de sistematização e 
aprimoramento de meios para a intervenção. 
Após o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) ampliou-se, 
significativamente, a demanda de atendimento e profissionais para a área com 
vistas ao exercício do projeto ético-político da profissão no fazer profissional que 
vem a público com o objetivo de preocupação investigativa. 
Algumas questões relacionadas aos deveres e funções do assistente social 
no que diz respeito à dimensão da atuação profissional são destacadas pela autora, 
provocando o assistente social a pensar no saber que acumulam no sentido mais 
amplo de diretrizes que regem a profissão por procedimentos teórico-metodológico e 
valores ético-político. 
A autora expõe pesquisas realizadas em São Paulo e Rio de Janeiro que 
buscam responder a realidade social e econômica de sujeitos que perdem o poder 
familiar analisando fatores econômicos, justificando o número bastante elevado de 
ocorrências de casos em que pais passam por atendimento judicial e perdem o 
poder familiar em função do desemprego, analfabetismo, conflitos com a lei, uso de 
drogas e falta de formação escolar. 
 Pode-se perceber que a intervenção do serviço social no espaço judiciário 
deve abordar um ponto de partida em que a questão atravessa o cotidiano desses 
sujeitos entendidos nesse contexto em todas as suas dimensões. Sendo assim, é a 
questão social a base fundante do serviço social como trabalho especializado. 
Fávero (2010) conceitua a ação do assistente social; relata sobre os 
enfrentamentos políticos e teóricos do Serviço Social; explica que as práticas 
judiciais vem por meio de profissionais de várias áreas; expõe as marcas históricas 
através de um apanhado cronológico; retoma o 2º Código de Menores (1979) que 
dita que para aplicar a lei seria levado em conta o contexto sócioeconômico e 
cultural do menor e de seus responsáveis. 
Todo o processo histórico teve como base a metodologia operacional 
promovido pelo estudo do diagnóstico e tratamento no que diz respeito à 
operacionalização do processo de intervenção, situação que até hoje se faz 
presente, nesse campo, nas orientações teóricas que direcionaram a ação do 
assistente social ao longo dos anos. 
Na sociedade contemporânea o estudo social é fundamentado pelo ECA 
(Estatuto da Criança e do Adolescente) e na Legislação Civil referente à família. O 
assistente social deve estudar a situação, avaliar, emitir um parecer, que muitas 
vezes, indicam as medidas sociais e legais a serem tomadas; apresenta em seu 
conteúdo um relatório ou laudo social que é beneficiado pela grande demanda de 
atendimentos podendo contribuir para o melhor aproveitamento do estudo social e 
seu registro documental. 
 A autora fala da intervenção da prática profissional que constantemente está 
sujeita a alienação. Nesse sentido, os grandes desafios impostos ao Serviço Social, 
na contemporaneidade, se direcionam para o engajamento nas lutas sociais, a 
incorporação de um projeto ético-político voltado para a construção de uma 
sociedade igualitária. 
O agente, aqui citado pela autora, é o perito que detém um conhecimento 
especializado que através de instrumentos e procedimentos e de uma metodologia 
de trabalho específica desempenha sua função social. 
Para melhor entendimento e esclarecimento dos conceitos e funções através 
de procedimentos e instrumentos utilizados pelo assistente social, a autora indica 
uma leitura complementar, sugerindo autores como: Magalhães (2003), Fávero 
(2003, 2001), Mioto (2001), Negrão (1999); Iamamoto (1998) e Fonseca (1997). 
No texto fica evidente a proposição para que não se perca de vista que ao 
construir um estudo social, trata-se de um individuo social que foi condicionado pela 
realidade que o cerca e que toda peculiaridade deve ser levada em consideração. 
No que diz respeito às possibilidades de ação, na área sócio-jurídica, incita a 
iniciativa de outros segmentos da sociedade organizada para promover 
transformações sociais. 
 
 
O PARECER SOCIAL: UM INSTRUMENTO DE VIABILIZAÇÃO DE DIREITOS 
(RELATO DE UMA EXPERIÊNCIA) 
 
 
Marinete Cordeiro Moreira 
Raquel Ferreira Crespo de Alvarenga 
 
 
O parecer social: um instrumento de viabilização de direitos (Relato de uma 
experiência) é um capitulo do livro do Conselho Federal de Serviço Social (CFESS), 
em que as autoras Moreira e Alvarenga (2010) expõem reflexões sobre o parecer 
social como instrumento técnico da política previdenciária pública. As autoras trazem 
informações sobre a prática profissional do Serviço Social no INSS, dispostas na Lei 
n. 8.213/91, indicando sobre a ação prioritária da inclusão social e da cidadania 
diante dos problemas sociais existentes no Brasil. 
Explicam, também, sobre as ações do assistente social e de que a emissão 
de um parecer social deve envolver aspectos ético-político, teórico-metodológico e 
técnico-operativo. 
Na sequência do texto, as autoras informam sobre a Lei n. 8662/93 que 
fundamenta legalmente a profissão de assistente social, que estabelece, entre vários 
assuntos, que a competência do assistente social é a realização de estudos 
socioeconômicos que beneficie o serviço social, vinculado a órgãos de 
administração públicas ou privadas, e que as atribuições englobam vistorias, 
perícias técnicas, informações e pareceres sobre a matéria do serviço social, 
porém, o que encontram de dificuldade é a descrição do que é a matéria, área ou 
unidade de serviço. 
Moreira e Alvarenga (2010) indicam que é necessário um projeto profissional, 
conceituando e definindo o que vem a ser parecer social; trazem os indicativos sobre 
o Decreto n. 611/92 e da ordem de Serviço n. 506/95 para explicar as restrições 
legais pelas quais passou a emissão do parecer social; caracterizam as situações de 
emissão do parecer social (dependênciaeconômica, união estável e as 
intercorrências sociais que interferem na origem, evolução e agravamento de 
patologias) sob a ótica de inclusão e exclusão social; abordam sobre os elementos 
constitutivos e a forma e modo como se deve elaborar um parecer social. 
Na conclusão final, as autoras escrevem sobre um estudo que fizeram, 
através da formação de um grupo, realizado no ano de 1998, sobre a ação 
profissional do assistente social do INSS, em que levantaram alguns aspectos em 
relação às dificuldades sentidas pelos profissionais, sendo que a realidade cotidiana 
desses profissionais foi abordada a partir dos relatos de experiências dos mesmos 
com relação ao parecer social. 
Os resultados indicaram que é preciso atenção na realização, emissão e 
elaboração do parecer social por parte do assistente social e que este deve ser um 
viabilizador de direitos, devendo ser refletido e claro. 
Por fim, conclui-se que o propósito do texto é de informar ao profissional 
sobre a utilização de instrumentos técnicos no que diz respeito ao parecer social, 
possibilitando melhor atuação no âmbito da política previdenciária pública. 
 
REFERÊNCIAS 
 
FÁVERO, Eunice Terezinha. O estudo social: fundamentos e particularidades de sua 
contribuição na área jurídica. In: CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL 
(Org.). O Estudo social em perícias, laudos e pareceres técnicos: contribuição ao 
debate no judiciário, penitenciário e previdência social. São Paulo: Cortez, 2010. 
 
MOREIRA, Marinete Cordeiro; ALVARENGA, Raquel Ferreira Crespo de. O parecer 
social: um instrumento de viabilização de direitos (Relato de uma experiência). In: 
CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL (Org.). O Estudo social em 
perícias, laudos e pareceres técnicos: contribuição ao debate no judiciário, 
penitenciário e previdência social. São Paulo: Cortez, 2010.

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