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AS ALTERAÇÕES NA LEI DE ABUSO DE AUTORIDADE E SUAS IMPLICAÇÕES NAS AÇÕES DOS AGENTES DE SEGURANÇA Acadêmico: Disney Brito de Abreu Orientador: Professor Especialista Eduardo Calheiros Bigeli Dianópolis – TO 2021 UNIVERSIDADE ESTADUAL DO TOCANTINS – UNITINS PRÓ-REITORIA DE GRADUAÇÃO CURSO DE DIREITO Conceito O referido crime consiste em violação dos direitos e garantias fundamentais reconhecidos por sua natureza individual. O crime de abuso de autoridade tipifica condutas praticadas por agentes de segurança, estavam previstas na Lei 4.898/1965, sendo substituída pelo texto normativo Lei nº 13.869/2019 que entrou em vigor em janeiro de 2020. É considerado o uso ilegítimo do poder, ou seja, a autoridade que possui, seja de natureza particular ou pública ultrapassa os limites legais, assim as penas previstas na nova legislação serão aplicadas independentemente de outras sanções sejam estas de âmbito civil ou administrativo. É necessário esclarecer que para que haja a configuração do abuso de autoridade o dolo deve ser expresso, ou seja, há uma motivação certa, intencional, pois, inexiste no Direito brasileiro o abuso de autoridade por negligência. Este estudo traz como problema a seguinte questão: os agentes de segurança são responsabilizados pelo crime de abuso de autoridade? O presente artigo traz a seguinte justificativa O crime de abuso de autoridade, previsto na Lei 13.869/2019, pode ser cometido por qualquer membro dos Poderes Executivo, Legislativo, Judiciário e Membros do Ministério Público. A presente lei tem por objetivo controlar os desvios e abusos de poder praticados por autoridades que afetem à liberdade, integridade física e psicológica dos cidadãos, garantindo os direitos humanos. A metodologia utilizada foi pesquisa bibliográfica e análise de dados estatísticos referentes ao assunto em tela. Sendo objetivo geral constatar se os agentes de segurança são de fato responsabilizados pelos crimes de abuso de autoridade observando as principais mudanças trazidas pela Lei 13.869/2019. Os objetivos específicos: identificar as principais mudanças e os reflexos advindos da nova lei para os agentes de segurança; reconhecer os tipos penais que abarcam a referida lei; constatar as penalidades aplicadas nos casos de autoridades policiais; verificar a existência dessa conduta dos agentes de segurança no Estado do Tocantins. CONTEXTO HISTÓRICO DO ABUSO DE AUTORIDADE NO BRASIL E A ALTERAÇÃO POR MEIO DA LEI Nº 13.869/2019 Seguindo a ordem cronológica tem-se o seguinte artigo 179, da Constituição de 1824, quando o Brasil tornou-se independente de Portugal. Cidadão poderá apresentar por escrito ao Poder Legislativo, e ao Executivo reclamações, queixas, ou petições, e até expor qualquer infração da Constituição, requerendo perante a competente Autoridade a efetiva responsabilidade dos infratores; a Constituição de 1934, que trouxe várias inovações, expõe o abuso de autoridade no dispositivo 113; Já a Constituição de 1891, quando o Brasil deixou de ser império e passou a ser uma República, traz o artigo 72. É permitido a quem quer que seja representar, mediante petição, aos Poderes Públicos, denunciar abusos das autoridades e promover a responsabilidade de culpados; a Constituição de 1934, que trouxe várias inovações, expõe o abuso de autoridade no dispositivo 113. É permitido a quem quer que seja representar, mediante petição, aos Poderes Públicos, denunciar abusos das autoridades e promover-lhes a responsabilidade; Constituição de 1946, sobre o abuso de autoridade, a previsão estava no artigo 141: É assegurado a quem quer que seja o direito de representar, mediante petição dirigida aos Poderes Públicos, contra abusos de autoridades, e promover a responsabilidade delas; a Constituição de 1967, estabeleceu em seu artigo 150 a possibilidade de representação contra o abuso de autoridade: § 30 - É assegurado a qualquer pessoa o direito de representação e de petição aos Poderes Públicos, em defesa de direitos ou contra abusos de autoridade; a Lei nº 4.898/1965, foi um dos mais importantes dispositivos legais, mesmo tendo sido elaborada no início da Ditadura Militar tendo sido aplicada até o ano de 2019; artigo 5º da Lei 4.898/1965, que a definição de autoridade é quem exerce cargo, emprego ou função pública de natureza civil, militar, mesmo que transitório e mesmo que sem remuneração. As principais mudanças e os reflexos advindos da Lei nº 13.869/2019 para os agentes de segurança A Lei nº 13.869/2019, que estabelece os crimes de abuso de autoridade, altera os seguintes dispositivos legais: Lei nº 7.960, de 21 de dezembro de 1989, que trata da prisão temporária. Lei nº 9.296, de 24 de julho de 1996, estabelece como crime a interceptação dos meios de comunicação sem a autorização da justiça. A Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, regulamenta os tramites judiciais das ações que envolva prática delituosa de menores de 18 anos. Para Nucci (2019), para que exista o crime de abuso de autoridade previsto na Lei nº 13.869/2019, referem-se às práticas do agente com uma finalidade específica: “[...] dolo específico, que seria o complemento dessa vontade, adicionada de uma especial finalidade. Essa finalidade específica pode ser expressa no tipo penal incriminador ou pode estar implícita com a finalidade de humilhar” (NUCCI, 2019, p. 546). A Lei 13.869/2019 o Abuso de Autoridade no Contexto da Polícia A Lei 13.869/2019, trata do abuso de autoridade na esfera policial, este dispositivo está de acordo com o texto constitucional: (art. 5º, LXIV). Por questão absolutamente natural, surge o tipo penal incriminador: “art. 16. Deixar de identificar-se ou identificar-se falsamente ao preso por ocasião de sua captura ou quando deva fazê-lo durante sua detenção ou prisão: Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, como responsável por interrogatório em sede de procedimento investigatório de infração penal, deixa de identificar-se ao preso ou atribui a si mesmo falsa identidade, cargo ou função”. O tipo penal encontra-se em perfeita harmonia com a norma constitucional; Para Mezacasa (2020), a Lei 13.869/2019, criou um clima de insegurança nos agentes públicos, pois, estes entenderam que a lei impede que ações sejam desempenhadas conforme a situação, tornando-as engessadas. A LEI Nº 13.869/2019 E OS TIPOS PENAIS QUE IMPLICAM A ATIVIDADE DOS AGENTES DE SEGURANÇA 10 que trata do tipo condução coercitiva de testemunha ou investigado, que seja claramente desnecessária; 12 da Lei 13.869/2019, esclarece que se o agente de modo injustificado, não comunicar prisão em flagrante à autoridade judiciária no prazo determinado; artigo 13 da supracitada norma, estabelece o tipo penal de constrangimento do detento ou preso, quando o agente utilizar de violência ou grave ameaça, ou ainda limitando sua capacidade de defesa; 15, o constrangimento praticado por agentes estatais, diz respeito à imposição de depoimento ou ainda ameaça de prisão de pessoas, que em decorrência da função exercida, ministério, profissão ou oficio deva sigilo ou segredo; 16, estabelece o seguinte, a não identificação ou usar de falsidade para fazê-la, no momento da captura, ou na ocorrência da detenção/prisão; artigo 21, diz que é proibido manter presos de ambos os sexos em confinamento; artigo 22, determina que se o agente invadir com astúcia ou clandestinamente em imóvel alheio, ou ainda permanecer com as mesmas condutas, não havendo determinação judicial, ou que extrapole as condições legais; 23, se o agente usar de mecanismos ludíbrios no transcorrer da diligência, investigação e processo, objetivando alterar lugar, coisa ou pessoa para eximir de responsabilidade ou incriminar alguém; 27, este, disciplina que requisitar ou até instaurar investigação seja administrativa ou penal sem que haja qualquer indício de ilicitude administrativa ou penal; 28, no que se refere à divulgação de gravação ou trechos da mesma, sem que esta tenha liame com a produção da prova almejada,entende-se que tal conduta expõe a intimidade ou vida privada, ferindo, portanto, a honra/imagem do sujeito investigado; 29 da lei em epígrafe assevera que a prestação de informação falsa em procedimento judicial, policial, administrativo ou fiscal, cuja finalidade é prejudicar o investigado; artigo 30, diz o seguinte se der início ou continuidade à persecução penal, civil e administrativa sem justa causa que seja desprovida de fundamentos ou ainda que se saiba inocente; artigo 31, caso se estenda injustificadamente a investigação, configurando a procrastinação para prejudicar o investigado ou fiscalizado; O artigo 32, determina que se houver negativa para o interessado, seu defensor ou advogado o acesso aos atos de investigação, ao termo circunstanciado, inquérito ou qualquer meio utilizado para investigação; artigo 33 diz que se o agente exigir que aja cumprimento de obrigação seja de fazer ou não fazer ou informação, não havendo expressa determinação lícita. CASOS DE ABUSO DE AUTORIDADE NO ESTADO DO TOCANTINS E NA REGIONAL DE DIANÓPOLIS A regional de Dianópolis no período de 2020, por meio de informações solicitadas à Corregedoria da 2ª Companhia Independente da Polícia Militar do Estado do Tocantins, não foi registrado nenhum caso de abuso de autoridade praticado por agentes da Polícia Militar. De acordo com informações solicitadas à Corregedoria-Geral da Polícia Militar do Estado do Tocantins, existem dois casos ocorridos no ano de 2020 que são configurados como o crime em estudo, quanto ao ano corrente até o presente momento não existe nenhuma notificação ou apuração em andamento. CONCLUSÃO Com base no estudo apresentado, nota-se que a Lei 13.869/2019, tem a finalidade de responsabilização dos agentes públicos que ultrapassam os limites das funções inerentes aos cargos ocupados. Portanto, é preciso que se faça estudos mais aprofundados sobre a referida lei e os impactos no exercício da função estatal dos agentes públicos, principalmente os da segurança/polícia militar, para que se verifique de modo, concreto as reais implicações, pois, ainda não é possível ter uma percepção mais aprofundada, por causa de todas as mudanças trazidas pela Pandemia da Covid-19 para a sociedade. REFERÊNCIAS ANDREUCCI, Antônio Ricardo. O Crime de Abuso de Autoridade e Sua Tríplice Responsabilização. Jornal Fatos Jurídicos. 14 ed. ano II. outubro/2014. BRASIL. Lei nº 13.869, de 5 de setembro de 2019. Dispõe sobre os crimes de abuso de autoridade; altera a Lei nº 7.960, de 21 de dezembro de 1989, a Lei nº 9.296, de 24 de julho de 1996, a Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, e a Lei nº 8.906, de 4 de julho de 1994; e revoga a Lei nº 4.898, de 9 de dezembro de 1965, e dispositivos do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal). 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