Prévia do material em texto
ANATOMIA E FISIOLOGIA DA DOR A percepção da dor ocorre através de 3 mecanismos⇒ transdução, transmissão e modulação TRANSDUÇÃO A sensação dolorosa tem início pela estimulação de receptores sensitivos ou nociceptores presentes nas estruturas que constituem o corpo humano. Os nociceptores podem gerar percepções diferentes, como tato, pressão, frio, calor, vibração, estiramento, as quais representam diversas modalidades sensoriais e não necessariamente sensação dolorosa. Os estímulos nocivos podem ser físicos(mecânicos/ térmicos) ou químicos(bradicinina, capsaicina, serotonina e prótons) → Esses estímulos ativam nociceptores que são fibras sensoriais periféricas na pele, músculos e articulações. Tanto os nociceptores térmicos(temperaturas acima de 45°C/abaixo de 5°C) como os mecânicos(ativados por pressão) são compostos por fibras Aδ de pequeno diâmetro, finamente mielinizadas→ correspondem a 20% das fibras nociceptivas são responsáveis pela dor aguda. Os nociceptores polimodais são compostos de fibras C de pequeno diâmetro, não mielinizada→ correspondem a 80% das fibras nociceptivas e são responsáveis pela dor de longa duração e difusa e pelo prurido, são ativadas por pressão, estímulos térmicos ou químicos. Fibras Aβ, de grande diâmetro, mielinizadas, compõem o sistema tátil e não participam do sistema de nocicepção, mas podem modificar a percepção da dor, atenuando-a. No caso de uma degeneração neuronal, essa fibra passa a funcionar como nociceptiva→ essa plasticidade é responsável pela alodinia. As fibras sensoriais se agrupam em neurônios do tipo pseudounipolar ⇒ A conversão do estímulo nociceptivo por substâncias proteicas em potencial elétrico despolarizante se chama transdução TRANSMISSÃO Através do neurônio sensorial de primeira ordem, o potencial elétrico despolarizante conduz o estímulo ao SNC(neurônios de 2a e 3a ordem) com sinapse no corno dorsal da medula espinal ou no tronco cerebral estando os corpos das células nervosas localizados no gânglio da raiz dorsal. Esse processo se chama transmissão e é possível devido ao conjunto de vias e mecanismos que permitem que o impulso nervoso atinja estruturas nervosas centrais onde haja o reconhecimento da dor. TER: trato espinorreticular; TPET: trato paleoespinotalâmico; TNET: trato neoespinotalâmico; SRPB: substância reticular pontobulbar; SRM: substância reticular mesencefálica; NI: núcleos inespecíficos; NVPL: núcleo ventral posterolateral; NVPM: núcleo ventral póstero medial. Nessa imagem, há a representação do estímulo pelo corno dorsal de fibras aferentes somáticas com seus tratos até o tálamo e o córtex sensorial primário e as vias de modulação de dor. Vias do grupo lateral São mais recentes e quase totalmente cruzadas. São representadas pelos tratos neoespinotalâmicos(espinotalâmico lateral), o mais importante ,neo trigeminotalâmico, espinocervical talâmico e sistema pós-sináptico da coluna dorsal.Estas vias terminam, principalmente, nos núcleos talâmicos ventrocaudal e porção posterior do núcleo ventromedial, de onde partem as radiações talâmicas para o córtex somestésico, orbitofrontal e insular. Estas vias estão relacionadas com o aspecto sensorial discriminativo da dor. Vias do grupo medial São mais antigas e parcialmente cruzadas. Incluem os tratos paleoespinotalâmico, paleo trigemino talâmico, espinorreticular e espinomesencefálico e sistema ascendente multi sináptico proprioespinal. Essas vias podem terminar direta ou indiretamente nos núcleos dorsomedial e intralaminares do tálamo medial após sinapse na formação reticular do tronco cerebral e na substância cinzenta periaquedutal, de onde partem as vias reticulotalâmicas. As fibras do grupo medial, são relacionadas com o aspecto afetivo motivacional da dor. As fibras nociceptivas (Aδ e C) constituem os prolongamentos periféricos dos neurônios pseudounipolares situados nos gânglios espinais e de alguns nervos cranianos (trigêmeo, facial, glossofaríngeo e vago). As fibras provenientes de estruturas somáticas cursam por nervos sensoriais ou mistos e apresentam uma distribuição dermatomérica. As fibras que vem das vísceras fazem seu curso pelas cadeias simpáticas e parassimpáticas. Mapa dermatomérico Independente de sua origem(somática ou visceral), as fibras caminhas pelo SNC pelas mesmas vias. Entretanto, os aferentes nociceptivos viscerais são com frequência bilaterais e não unilaterais como os somáticos. Isso, associada a alta ramificação dos nervos viscerais(um nervo inerva muitas vísceras), ao pequeno número de aferentes viscerais, ao elevado número de fibras C(condução lenta) nos nervos viscerais e à chegada dos aferentes de uma única víscera em múltiplos segmentos medulares justifica a imprecisa localização da dor visceral. MODULAÇÃO Além de vias responsáveis pela transmissão da dor, tem estruturas que ajudam a suprimi-la, chamadas vias modulatórias, que também são ativadas por vias nociceptivas. As sinapses entre os neurônios de primeira e segunda ordem ocorrem por modulação de transmissão medular espinal, que depende de neurotransmissores, e os principais são: glutamato, substância P e o peptídeo relacionado com o gene do cálcio. Há vários sistemas modulatórios, o primeiro descoberto se chama teoria do portão ou das comportas. As fibras amielínicas (C) e mielínicas finas (Aδ) conduzem a sensibilidade termoalgésica, enquanto as fibras mielínicas grossas (Aα e Aβ) conduzem as demais formas de sensibilidade (tato, pressão, posição, vibração). Segundo essa teoria, a ativação de fibras mielínicas grossas excitaria interneurônios inibitórios da substância gelatinosa de Rolando(lâmina 2) para os aferentes nociceptivos e impedindo a passagem dos impulsos dolorosos(portão fecha); e ativação de fibras mielínicas finas e amielínicas inibiria os interneurônios inibitórios, possibilitando a passagem de estímulos nociceptivos(portão abre). Depois, outro sistema inibitório foi descoberto ao verificar-se que, em ratos, a estimulação elétrica da substância cinzenta periaquedutal provocava analgesia. Demonstrou-se que, analgesia semelhante ocorria pela estimulação elétrica da substância cinzenta periventricular ( PVG), do bulbo rostroventral (BRV) (núcleos da rafe magno, magnocelular e reticular paragigantocelular lateral) e do segmento pontino dorsolateral (TPDL) (locus ceruleus e sub ceruleus) ou pela injeção de morfina em qualquer desses locais. A estimulação elétrica de outras estruturas, como o funículo posterior da medula espinal, lemnisco medial, tálamo ventrocaudal, cápsula interna, córtex somestésico e córtex motor, também pode proporcionar alívio da dor. A partir da sinapse do corno dorsal da medula espinal, o neurônio sensorial de segunda ordem sobe até o núcleo posterior ventral do tálamo, faz sinapse, e se projeta como neurônio de terceira ordem para o córtex cerebral(dor é interpretada a partir de suas características) e para o sistema límbico e amígdalas, que interpretam o componente afetivo da dor. Estruturas que participam do sistema modulatório: Interneurônios inibitórios da lâmina 2/substância gelatinosa que se projetam para outros lugares a partir do corno dorsal e estruturas do tronco cerebral que enviam projeções neuronais até a medula espinal pela liberação de neurotransmissores e modulam a passagem do estímulo nociceptivo negativamente ou positivamente.