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MORAL SEXUAL CIVILIZADA E DOENÇA NERVOSA MODERNA (1908) A era Vitoriana marcou a doutrina da sexualidade, e ainda era muito arraigada na cultura europeia, levando em consideração que a Inglaterra era a maior potência econômica estes preceitos doutrinários regiam a moral sexual da época. No prefácio do texto Moral Sexual Civilizada e Doença Nervosa Moderna (1908) é anunciado que o tema principal deste texto serão os antagonismos existentes entre a vida instintual e a civilização. O texto tem seu início com Freud pontuando sobre a obra de Von Ehrenfels (1907) com o título Ética Sexual, onde este autor diferencia a moral sexual ‘natural’ da moral sexual ‘civilizada’. A moral sexual ‘natural’ seria determinada quando um grupo humano é capaz de conservar sua saúde e obediência, enquanto que, a moral sexual ‘civilizada’ é vinculada à obediência e moral sexual, estimulando assim, os homens a uma intensificação nas atividades culturais. Freud (1908) considerará como pertinente a colocação de Von Ehrenfels (1907) sobre a forma como a sociedade lidava com a sexualidade, onde as restrições atingiam homens e mulheres. Freud criticará também a glorificação da monogamia que exclui a seleção pela virilidade causando assim, consequências graves aos sujeitos. Os neurologistas da época já apontavam uma relação entre as doenças nervosas e moderna vida civilizada, que era cada vez mais sofisticada e intranquila. O autor diferenciará dois tipos de distúrbios nervosos, as neuroses que seriam de natureza mais tóxica onde o fator sexual seria básico na formação destas; o outro tipo de distúrbio são as psiconeuroses, com influências hereditárias, a psicanálise atribuirá a este processo a atuação de complexos do inconsciente. Outros fatores que podem ser atribuídos às psiconeuroses é seu vínculo com os conteúdos sexuais, e seu caráter de satisfação substitutiva. Baseado nesta diferenciação entre as neuroses e psiconeuroses Freud (1908), se dispõe a investigar a relação das doenças nervosas e a vida na civilização. É nesse texto que Freud introduz a ideia que para ser possível o convívio na civilização é necessário que cada indivíduo abdique da satisfação total de suas pulsões agressivas e sexuais. Freud também ressalta a importância da religião nesse processo de renuncia às pulsões. Porém nem todos conseguem abdicar dessas pulsões, e essas pessoas são vistas como “outlaw”, criminosos, a menos que consigam executar ações louváveis socialmente, nesse caso eles se tornam heróis. Freud também irá explanar sobre a sublimação – uma forma de redirecionar o destino de uma pulsão sexual para um objetivo não sexual socialmente aceitável. Freud (1908) descreve uma forma de evolução da pulsão sexual em três estágios, no primeiro a pulsão é totalmente desligada do objetivo da reprodução, podendo se manifestar livremente. No segundo há uma fixação em um objeto que não tem como meta a reprodução. É nessa categoria que Freud coloca os invertidos, homossexuais e pessoas que fizeram alguma escolha objetal que não tivesse como fim a procriação. No terceiro estágio somente a reprodução é admitida como meta sexual, o autor situa neste estágio a moral sexual civilizada da época. Por fim Freud coloca que a essa moral sexual favorece o aparecimento de psiconeuroses, pois a vida sexual civilizada não oportuniza a satisfação sexual direta. Nesse período da obra de Freud ele acreditava ser possível diminuir as patologias se a sociedade fosse mais permissiva. Nesse texto é possível suscitar questões que ainda hoje são pertinentes sobre a conduta sexual.