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Lesões orais pigmentadas

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Carla Mendes 
 
Lesões pigmentadas 
✤ Pigmentação é a coloração normal ou 
anormal da mucosa oral. 
✤ Possui etiologia multifatorial, a grande 
maioria é fisiológica, mas as vezes pode 
ser a precursora de doenças severas. 
✤ Tem sua classificação dividida em: 
⇝ Pigmentação endógena: 
✤ Melanina, bilirrubina ou ferro. 
✤ Lesão endógena, intrínseca. 
✤ Ocorre devido a produção aumentada 
de melanina produzidas pelos 
melanócitos. Essas células geralmente 
passam despercebidas devido ao seu 
número relativamente baixo de produção 
de pigmento. Com a produção 
aumentada, os melanócitos migram para 
a superfície do epitélio e residem entre as 
células da camada basal. 
✤ A cor pode variar do marrom para azul 
ou preto, dependendo da quantidade e da 
localização da melanina. 
⇝ Pigmentação exógena: 
✤ Bactérias, fungos cromófilos ou metais 
depositados nos tecidos. 
✤ Lesão exógena, extrínseca. 
✤ Raramente causa consequências e 
usualmente é causada por alimentos, 
bebidas ou medicamentos. 
Pigmentações exógenas 
↬ Tatuagem por amálgama: 
✤ Também pode ser chamado de argirose 
focal. 
✤ É uma pigmentação intrabucal 
resultante de um processo acidental, 
deposição ou implantação de material 
pigmentado nos tecidos moles. 
✤ A deposição de amálgama pode ocorrer 
após exodontia, obturações endodônticas 
retrógadas, pelo contato entre 
restaurações de amálgama e gengiva, 
além da penetração de fragmentos de 
amálgama durante manobras de remoção 
do material ou procedimentos cirúrgicos. 
✤ Clinicamente, apresenta-se sob a forma 
de áreas bem delimitada de cor preta, 
azulada ou acastanhada, mucosa jugal e 
rebordo alveolar. 
✤ Diagnóstico diferencial: Nevo 
pigmentado, melanoma e mácula 
melanótica. 
✤ O diagnóstico é dado pelos exames 
clínico, histopatológico e radiográfico. 
✤ O tratamento é feito apenas por razões 
estéticas, através da remoção cirúrgica, 
em geral não tem importância clínica. 
✤ Histopatológico: Presença de partículas 
de amálgama permeando as fibras 
colágenas e elásticas, circundando os 
vasos sanguíneos. Podem ser observados 
células gigantes multinucleadas. 
↬ Pigmentações relacionadas à droga: 
✤ Pode surgir através do uso constante 
de antibiótico (minociclina), antipsicótico 
(clorpromazina), antimalárico (cloroquina), 
antineoplásico (doxorrubicina), 
antirretrovirais (azidotimidina). 
Carla Mendes 
 
✤ Clinicamente apresenta-se como 
manchas difusas, acastanhadas, na pele e 
na superfície mucosa. 
✤ Diagnóstico diferencial: Melanose por 
fumante e pigmentação fisiológica. 
✤ O tratamento consiste, se possível, na 
suspensão da medicação resultando no 
desaparecimento gradual das áreas de 
pigmentação. 
Pigmentações endógenas 
↬ Pigmentação melânica racial: 
✤ Não representa condição patológica, 
mas sim pigmentação fisiológica, por isso, 
pode também ser chamada de 
pigmentação fisiológica. 
✤ A presença de melanina é 
caracterizada por placas escurecidas, 
acastanhadas, comumente observadas 
em indivíduos melanodermas. 
✤ É observada em toda cavidade oral de 
forma simétrica, porém a gengiva inserida 
é o mais afetado. 
✤ Não afeta o aspecto “casca de laranja” 
da gengiva. 
✤ Não contém dificuldade de diagnóstico 
e é realizado de forma clínica. 
✤ Diagnóstico diferencial: Melanose do 
fumante, doença de addison, síndrome de 
Peutz-Jeghers ou melanoma. 
✤ Histopatológico: Melanócitos exibem um 
aumento na produção de melanina. 
↬ Mácula melanótica oral: 
✤ É uma lesão pigmentada produzida 
pelo aumento local da deposição de 
melanina. 
✤ Diferente das efélides da pele, uma 
mácula melanótica não depende da 
exposição ao sol. 
✤ Mácula, oval, bem demarcada, solitária 
e pode representar uma sarda intraoral. 
✤ Ocorre em qualquer idade e sexo. 
✤ Pode acometer o vermelhão do lábio, 
mucosa jugal, gengiva e palato. 
✤ Não requer tratamento, exceto em 
razões estéticas. 
✤ Histopatológico: Melanócitos exibem um 
aumento na produção de melanina; 
acúmulo de melanina nos ceratinócitos 
basais. 
✤ Diagnóstico diferencial: Nevos, 
pigmentação por amálgama, lentigo e 
melanomas superficiais. 
↬ Melanose do fumante: 
✤ Aumento da pigmentação por melanina 
causada pelo uso de cigarro. 
✤ Embora qualquer superfície mucosa 
possa ser afetada, a melanose do fumante 
atinge mais comumente a gengiva 
vestibular anterior. 
✤ Tem maior pigmentação no primeiro 
ano de fumo. 
✤ O diagnóstico é feito clinica e 
macroscopicamente, e deve ser 
descartada a possibilidade de melanoma. 
✤ A interrupção do fumo resulta em 
desaparecimento gradual do excesso de 
pigmentação. 
✤ Histopatológico: Melanócitos exibem um 
aumento na produção de melanina. 
Carla Mendes 
 
✤ Diagnóstico diferencial: Pigmentação 
fisiológica, pigmentação relacionada á 
drogas e doença de addison. 
↬ Melanoma: 
✤ Neoplasia maligna de melanócitos, 
caracterizada como um nódulo 
enegrecido. 
✤ Agressiva e possui alto poder de 
metástase (linfonodos, pulmão e fígado). 
✤ A grande maioria dos melanomas 
originam-se na pele, porém outros locais 
podem estar envolvidos, como boca (raro 
comparado ao de pele), esôfago, mucosa 
nasal, mucosa anogenital, meninges e 
olho. 
✤ O melanoma oral costuma desenvolver-
se no palato, mucosa gengival e rebordo 
alveolar. 
✤ Pode surgir através da luz solar, da 
presença de nevo displásico, pela 
exposição a agentes carcinogênicos ou 
mesmo fatores hereditários. 
✤ Ocorre mais frequentemente em 
indivíduos de pele clara, gênero masculino 
e por volta da 5° década de vida. 
✤ Em indivíduos de etnia branca, o 
melanoma costuma aparecer mais na 
pele, já em indivíduos de etnia preta, 
costuma aparecer na mucosa e planta dos 
pés. 
✤ É assintomático, porém em alguns 
casos pode haver prurido. 
✤ Histopatológico: Melanócitos atípicos e 
junção epitélio-conjuntivo. 
✤ Biópsia: Excisional para lesões 
pequenas e incisional para lesões grandes. 
✤ “ABCDE” do melanoma: 
 
“E” de evolução: lesões que apresentam 
mudanças ao longo do tempo, em 
tamanho, forma, cor, superfície e 
sintomatologia. 
✤ Tratamento cirúrgico com margem de 
segurança. 
✤ O prognóstico depende da espessura 
do tumor: <1mm-95 – 100% de sobrevida 
em 5 anos; 1-2mm – 80 a 96%; 2,1 – 4mm 
– 60 a 75%; >4mm – 50%. 
↬ Nevos: 
✤ Proliferação benigna de células névicas 
provenientes da crista neural. 
✤ É uma malformação da pele ou mucosa 
(raro), podendo ser congênita ou de 
desenvolvimento. 
✤ Surgem na infância, até antes dos 35 
anos de idade. 
✤ São lesões pequenas de 2 a 3mm, 
máculas ou pápulas, castanhas, escuras e 
uniformes, de superfície lisa ou rugosa e 
incomuns na cavidade oral. 
 
✤ Nevos intraorais são incomuns, quando 
surge, o local de aparência é no palato e 
gengiva. 
Carla Mendes 
 
✤ Histopatológico: Depende da 
localização das células névicas. É 
classificado de acordo com seu estágio de 
desenvolvimento, que é refletido pela 
relação das células névicas com o epitélio 
de superfície e tecido conjuntivo. Porém, 
em geral, pode ser visto uma proliferação 
benigna não encapsulada das células 
névicas, que são produtoras de melanina, 
possuem núcleo pequeno, citoplasma 
eosinofilico e agregados névicos. 
✤ Diagnóstico diferencial: Mácula 
melanótica, tatuagem por amálgama e 
melanoma. 
✤ O tratamento é feito apenas por razões 
estéticos ou pela localização, devido a 
traumas. 
✤ Tem sua classificação dividida em: 
⇝ Nevo juncional: 
✤ É a apresentação mais inicial. 
✤ Mácula marrom-negra bem delimitada 
com 6mm de diâmetro. 
✤ Histopatológico: Células lesionais 
restritas à camada basal do epitélio ou as 
células estão localizadas na junção 
epitélio-conjuntivo. 
⇝ Nevo composto: 
✤ Proliferação das células névicas para a 
camada basal durante anos. 
✤ Pápula levemente elevada, de 
consistência macia e coloração mais clara. 
✤ Histopatológico: Células no epitélio e 
camada superficial do tecido conjuntivo. 
⇝ Nevo intradérmico ou intramucoso: 
✤ Perda de pigmentação, superfície 
papilomatosa e pode apresentar pelos.