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Princípios do processo penal

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que o acusado seja profissional da advocacia. Não sendo
recomendável para que a atuação seja mais neutra.
DEFESA TÉCNICA = ATIVIDADE ESPECÍFICA PARA O ADVOGADO.
4 - Patrocínio da defesa técnica de dois ou mais acusados pelo mesmo defensor.
Pode, desde que não haja divergências nas defesas, ou seja, nas teses defensivas.
Colidência de defesas = cabe ao Juiz intervir e ao MP verificar essa situação.
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3.2 - AUTODEFESA (MATERIAL OU GENÉRICA)
Exercida pelo próprio acusado e se este for advogado poderá exercer tanto a
defesa técnica como a autodefesa. O acusado pode optar pelo seu não exercício.
Direito universal para todo o tipo de réu – preso ou solto.
Desdobra-se em:
a) no direito de audiência: direito que o acusado tem de ser ouvido pelo juiz. Ao
exercitá-lo, poderá convencer o magistrado acerca da sua inocência. Ex:
interrogatório. HC 94.016/SP – 26/09/2009 – STF.
b) no direito de presença: consiste no direito que o acusado possui de
acompanhar os atos da instrução probatória.
c) capacidade postulatória: consiste no direito de praticar certos atos processuais.
Exemplos: impetrar habeas corpus, provocar incidente na execução penal e interpor
recurso. (As razões recursais que são feitas pela defesa técnica)
Inclui-se também na autodefesa, o direito ao silêncio que o acusado possui.
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3.2 – Autodefesa
(Des) necessidade de deslocamento de acusado preso para oitiva de
testemunhas perante o juízo deprecado
A inobservância desse direito é causa de nulidade relativa.
Para os Tribunais: 1) tem que ser alegada na audiência.
2) tem que demonstrar o prejuízo para a defesa.
“(...) A alegação de necessidade da presença do réu em audiências
deprecadas (por carta precatória), estando ele preso, configura
nulidade relativa, devendo-se, comprovar a oportuna requisição e
também a presença de efetivo prejuízo à defesa”.
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- Ampla Defesa no Processo Administrativo Disciplinar
Pela Súmula 343 do STJ = há necessidade de advogado.
STF = entende que não há necessidade de advogado no processo administrativo
disciplinar.
Súmula Vinculante nº 05 – “A falta de defesa técnica por advogado no processo
administrativo disciplinar não ofende a Constituição”.
Esse preceito não é aplicável à execução penal. Só valendo para o procedimento
administrativo disciplinar.
Súmula nº 533 do STJ que possui o seguinte teor: “Para o reconhecimento da
prática de falta disciplinar no âmbito da execução penal, é imprescindível a
instauração de procedimento administrativo pelo diretor do estabelecimento prisional,
assegurado o direito de defesa, a ser realizado por advogado constituído ou
defensor público nomeado” (10/06/2015).
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CONSEQUÊNCIAS DIRETAS DO PRINCÍPIO DA AMPLA
DEFESA NO PROCESSO PENAL
1 – Apenas o réu tem direito à revisão criminal (não se pode desconstituir
a coisa julgada em uma sentença penal absolutória para beneficiar a
sociedade).
2 – O juiz deve sempre fiscalizar a eficiência da defesa do réu = “Por
conta desse dever, o juiz poderá declarar o réu indefeso, fazendo-o
constituir outro defensor ou, se o acusado assim não proceder, nomear-lhe-
á um defensor dativo” (ALVES, 2017, p. 42). Mais uma vez repete-se o
teor da Súmula nº 523 do STF, dada a sua importância = “ No processo
penal, a falta de defesa constitui nulidade absoluta, mas a sua deficiência
só o anulará se houver prova de prejuízo para o réu.
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4 - – PRINCÍPIO DA PLENITUDE DA DEFESA 
Art 5º, XXXVIII da CF- é reconhecida a instituição do júri, com a
organização que lhe der a lei, assegurados:
a) a plenitude de defesa;
Consequências diretas deste princípio:
A atenção do juiz com a efetividade da defesa do réu é ainda maior:
prova disso é que, se o juiz declarar o réu indefeso, nomeará ou permitirá
a constituição de novo defensor, podendo dissolver o Conselho de
Sentença e remarcar a sessão de julgamento (Art. 497, inciso V, do CPP).
Torna-se possível a defesa apresentar nova tese na tréplica.
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5 - PRINCÍPIO DA PREVALÊNCIA DO INTERESSE DO RÉU OU FAVOR
REI, FAVOR LIBERTATIS, IN DUBIO PRO REO, FAVOR INOCENTE – ARTIGO
5º, LVII, CF.
Consequências desse princípio:
A dúvida favorece o réu.
Existem recursos exclusivos da defesa, como é o caso dos embargos
infringentes e de nulidade.
Somente a defesa poderá ingressar em juízo com a revisão criminal, não
sendo possível tal ação em favor da sociedade.
Havendo dúvida na interpretação de um determinado artigo de lei
processual penal, deve-se privilegiar a interpretação que beneficie a
situação do réu.
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6 - PRINCÍPIO DO CONTRADITÓRIO OU DA BILATERALIDADE DA
AUDIÊNCIA – ARTIGO 5º, INCISO LV, CF.
Artigo 5º, inciso LV, “Aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos
acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios
e recursos a ela inerentes”. AMPLA DEFESA = só para o réu. CONTRADITÓRIO =
para ambas as partes.
6.1 – Conceito
Consiste na ciência bilateral dos atos ou termos do processo e a
possibilidade de contrariá-los. Eis o motivo pelo qual se vale a doutrina da
expressão “audiência bilateral”, consubstanciada pela expressão em latim
audiatur et altera pars (seja ouvida também a parte adversa). No
processo penal, só pode se falar e prova, se a mesma for produzida em
contraditório.
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6.2 – Elementos
Direito à informação: grande importância dos atos de comunicação. Deve
haver a informação dos atos processuais que serão ou que já foram
praticados.
Direito à participação: é a reação (a contraprova).
O contraditório seria, assim, a necessária informação às partes e a
possível reação a ato desfavoráveis.
Súmula 707 do STF: “Constitui nulidade a falta de intimação do denunciado
para oferecer contrarrazões ao recurso interposto da rejeição da denúncia,
não a suprindo a nomeação de defensor dativo”.
Nesse caso houve o oferecimento da denuncia, o juiz a rejeitou e o MP ofereceu
um recurso contra esse ato do juiz, mas o réu não fui intimado para contrariar o
recurso. A ausência dessa intimação (para que o réu apresente contrarrazões)
gera nulidade do julgamento desse recurso.
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6.3 – Contraditório Efetivo e Equilibrado
Alteração Subjetiva = O juiz deve zelar pelo respeito à
igualdade/paridade das armas. Se o magistrado verificar que a defesa
do acusado é ausente, encontrando-se este desprovido de defesa, deverá
intimá-lo para constituir um outro defensor e se intimado ficar inerte,
nomeará um defensor dativo para fazer sua defesa. Dessa forma, deve
ser exigido pelo magistrado o devido cumprimento ao princípio do
contraditório pelas partes.
Alteração objetiva = o contraditório hoje deixa de ser trabalhado
apenas com a ideia de reação, devendo essa ser efetiva. Por essa razão
é que o artigo 261 do CPP diz que ninguém será processado sem
defensor, mesmo que o acusado não queira se defender, a defesa será
apresentada.
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6.4 – Contraditório para a prova/Contraditório real e Contraditório sobre
a prova/Contraditório postergado ou diferido.
Contraditório para a prova: é o contraditório observado por ocasião da
produção da prova, funcionando como regra. Exemplo: prova testemunhal
(coletado pelas duas partes do processo).
Contraditório sobre a prova ou postergado ou diferido = a prova é feita
de forma sigilosa. No caso da interceptação telefônica em curso, quando
a mesma for concluída, a mídia e o relatório serão anexados aos autos,
eventual laudo de degravação será juntado e é neste momento que
poderá ser exercitado o contraditório. Ex: busca e apreensão domiciliar
A defesa não será intimada antes de colher a prova, pois esta pode
interferir na efetividade.
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO 
PROCESSO PENAL ( II)
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS

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