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Princípios do processo penal

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DA JURISDICIONALIDADE
8.2 – Análise da Teoria da Dissonância Cognitiva e os seus reflexos na
questão da imparcialidade do órgão julgador
a essência dessa teoria pode ser sintetizada em duas hipóteses, quais sejam: a –
existindo a dissonância cognitiva surgirá no interior do sujeito uma pressão
involuntária e automática para reduzi-la e, b – diante da dissonância além de se
buscar a sua redução, haverá também um processo de se evitar qualquer contato
com situações que possam aumentá-la. Com isso, o indivíduo tenta estabelecer
uma harmonia interna entre suas opiniões, ações, crenças e etc, e, havendo
dissonância entre essas cognições, dois efeitos surgirão dessa situação quase que
imediatamente conforme elucidam LOPES JR e RITTER (2016): uma pressão
para a redução/eliminação dessa “incoerência” entre os “conhecimentos” ou “entre
a ação empreendida e a razão”; e, um afastamento ativo de possíveis novas fontes
de aumento dessa incongruência; ambos responsáveis pelo desencadeamento, no
indivíduo, de comportamentos involuntários direcionados na recuperação desse
“status” de congruência plena que tanto é favorável.
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DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS EXPRESSOS
8 – DO PRINCÍPIO DA JURISDICIONALIDADE
8.2 – Análise da Teoria da Dissonância Cognitiva e os seus reflexos na
questão da imparcialidade do órgão julgador
Em suma, a teoria da dissonância cognitiva tenta eliminar as contradições
cognitivas conforme elucida SCHÜNEMANN (apud LOPES JR, 2020). O
mencionado autor trabalha com a aplicabilidade dessa teoria no âmbito do
processo penal, mormente de forma direta sobre a atuação do magistrado, na
medida em que este se depara com duas situações totalmente antagônicas (teses de
acusação e defesa).
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DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS EXPRESSOS
8 – DO PRINCÍPIO DA JURISDICIONALIDADE
8.2 – Análise da Teoria da Dissonância Cognitiva e os seus reflexos na
questão da imparcialidade do órgão julgador
Consoante os estudos de SCHÜNEMANN (apud LOPES JR, 2020) tem-se que os
juízes que tomam conhecimento dos autos da investigação não fixaram
corretamente o conteúdo defensivo presente na instrução processual, porque eles
“só apreendiam e armazenaram as informações incriminadoras” que confirmavam
o que estava tanto na investigação como na acusação. Com isso, defende o
mencionado autor que o juiz tem uma tendência de apego à imagem dos fatos que
lhe foram transmitidos pelos autos da investigação, e neste ínterim informações
dissonantes dessa imagem inicial tende a serem “não apenas menosprezadas, como
diria a teoria da dissonância, mas frequentemente sequer percebidas”.
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8 – DO PRINCÍPIO DA JURISDICIONALIDADE
8.2 – Análise da Teoria da Dissonância Cognitiva e os seus reflexos na
questão da imparcialidade do órgão julgador
Para garantir a imparcialidade do órgão julgador torna-se imprescindível a
implantação do juiz das garantias com a separação entre o juiz que atua na fase
processual e aquele que vai julgar. Com isso, torna-se necessária a exclusão física
dos autos do inquérito conforme previsto no artigo 3º - C, § 3º do CPP, in verbis:
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8 – DO PRINCÍPIO DA JURISDICIONALIDADE
8.2 – Análise da Teoria da Dissonância Cognitiva e os seus reflexos na
questão da imparcialidade do órgão julgador
“Os autos que compõem as matérias de competência do juiz das garantias ficarão
acautelados na secretaria desse juízo, à disposição do Ministério Público e da
defesa, e não serão apensados aos autos do processo enviado ao juiz da instrução
e julgamento, ressalvados os documentos relativos às provas irrepetíveis (prova
pericial etc), medidas de obtenção de provas ou de antecipação de provas, que
deverão ser remetidos para apensamento em apartado”.
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8 – DO PRINCÍPIO DA JURISDICIONALIDADE
8.2 – Análise da Teoria da Dissonância Cognitiva e os seus reflexos na
questão da imparcialidade do órgão julgador
Tal dispositivo encontra-se suspenso pela liminar concedida pelo Ministro Fux.
Além da exclusão dos autos do inquérito do processo, tem que ser efetivada a
vedação dos poderes instrutórios do juiz, etc, sendo necessária a implementação de
diversas medidas que buscam dar eficácia ao devido processo legal, pois só assim
estar-se-ia diante de um juiz imparcial. Conclui essa parte com a transcrição das
falas de LOPES JR e RITTER (2016) “não dá mais para fechar os olhos para essa
realidade, exceto se for uma cegueira convenientemente inquisitória e justiceira”.
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DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS EXPRESSOS
9 – DO PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE – artigos 5º, incisos LX
e XXXIII, e 93, inciso IX, da CF e artigo 792, caput, CPP
ARTIGO 5º , INCISO XXXIII – todos têm direito a receber dos órgãos públicos
informações de seu interesse particular, ou de interesse coletivo ou geral, que
serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas
aquelas cujo sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado.
INCISO LX – a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais
quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem.
ARTIGO 93, IX – todos os julgamentos dos órgãos do Poder Público serão
públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei
limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados,
ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do
interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação.
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DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS EXPRESSOS
9 – DO PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE – artigos 5º, incisos LX
e XXXIII, e 93, inciso IX, da CF e artigo 792, CPP
ARTIGO 792 do CPP – As audiências, sessões e os atos processuais serão, em
regra, públicos (...). § 1º Se da publicidade da audiência, da sessão ou do ato
processual, puder resultar em escândalo, inconveniente grave ou perigo de
perturbação da ordem, o juiz, ou o tribunal, câmara, ou turma poderá, de ofício ou
a requerimento da parte ou do Ministério Público, determinar que o ato seja
realizado a portas fechadas, limitando o número de pessoas que possam estar
presentes.
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DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS EXPRESSOS
9 – DO PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE – artigos 5º, incisos LX
e XXXIII, e 93, inciso IX, da CF e artigo 792, CPP
O princípio da publicidade visa ampla divulgação dos atos no processo
penal, permitindo sua transparência e controle social. Cabe ressaltar que o
princípio da publicidade não é absoluto.
Em regra, os atos processuais, audiências e sessões são públicos, de forma
que qualquer pessoa do povo pode consultar os autos, e as salas onde são
realizadas as audiências e as sessões ficam de portas abertas.
Entretanto, quando houver escândalo, inconveniente grave ou perigo de
perturbação da ordem, o juiz pode, de ofício ou a requerimento da parte ou MP,
determinar o segredo de justiça, de forma que a consulta ficará restrita às partes e
seus procuradores, e as salas onde são realizadas as audiências e sessões ficam de
portas fechadas, com número limitado de pessoas.
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DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS EXPRESSOS
9 – DO PRINCÍPIO DA PUBLICIDADE – artigos 5º, incisos LX
e XXXIII, e 93, inciso IX, da CF e artigo 792, CPP
A Constituição Federal, no artigo 5º, LX, permite a publicidade dos atos
processuais para defesa da intimidade (quando não prejudicar o interesse público à
informação) ou o interesse social. Dessa forma, a lei poderá restringir a
publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse
social o exigirem.
No entanto, jamais o ato processual será praticado sem a presença do Ministério
Público, assistente

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