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Princípios do processo penal

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reformador, pois essa questão da duração razoável do processo,
mormente do processo penal, já era discutida por muitos estudiosos da matéria e
tal garantia já tinha sido elevada a direito humano pela previsão expressa da
mesma nos tratados mencionados anteriormente.
A grande problemática que se vislumbra com a previsão de tal garantia no
texto constitucional e na Convenção Americana de Direitos Humanos é a não
fixação de prazos para a duração dos processos, bem como não houve delegação
de tal questão para a legislação ordinária. Tem-se com isso que o sistema pátrio
adotou a doutrina ultrapassada do “não prazo”.
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS NO
PROCESSO PENAL
1 – DO PRINCÍPIO DO NEMO TENETUR SE DETEGERE OU DA NÃO
AUTO-INCRIMINAÇÃO OU PRINCÍPIO DE QUE NINGUÉM ESTÁ
OBRIGADO A PRODUZIR PROVA CONTRA SI MESMO
O referido postulado veda a autoincriminação, partindo da premissa básica
de que ninguém é obrigado a produzir provas contra si mesmo. Para a
doutrina pátria, trata-se de um princípio constitucional implícito que
decorre dos seguintes princípios constitucionais expressos: presunção de
inocência (artigo 5º, LVII, CF); ampla defesa (artigo 5º, LV, CF); direito
ao silêncio (artigo 5º, LXIII, CF). Encontra-se previsto expressamente no
artigo 8º, 2, alínea g da CADH (Pacto de São José da Costa Rica.
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DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS NO PROCESSO PENAL
1 – DO PRINCÍPIO DO NEMO TENETUR SE DETEGERE OU DA NÃO AUTO-
INCRIMINAÇÃO OU PRINCÍPIO DE QUE NINGUÉM ESTÁ OBRIGADO A
PRODUZIR PROVA CONTRA SI MESMO
Artigo 8º, 2, alínea g da CADH (Pacto de São José da Costa Rica), que
assim prevê:
2. Toda pessoa acusada de um delito tem direito a que se presuma sua
inocência, enquanto não for legalmente comprovada sua culpa. Durante o
processo, toda pessoa tem direito, em plena igualdade, às seguintes
garantias mínimas:
(...)
g) direito de não ser obrigada a depor contra si mesma, nem a
confessar-se culpada. (grifo da autora)
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DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS NO
PROCESSO PENAL
1 – DO PRINCÍPIO DO NEMO TENETUR SE DETEGERE OU
DA NÃO AUTO-INCRIMINAÇÃO OU PRINCÍPIO DE QUE
NINGUÉM ESTÁ OBRIGADO A PRODUZIR PROVA CONTRA
SI MESMO
O princípio do Nemo Tenetur se Detegere proíbe que o suspeito, indiciado,
acusado ou réu no âmbito do processo penal seja compelido a produzir provas que
possa lhe comprometer. Extrai desse postulado que o acusado ou aprisionado não
está obrigado a produzir ou a contribuir para a obtenção da prova que seja
totalmente contrária ao interesse da sua defesa.
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DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS NO PROCESSO PENAL
1 – DO PRINCÍPIO DO NEMO TENETUR SE DETEGERE OU DA NÃO
AUTO-INCRIMINAÇÃO OU PRINCÍPIO DE QUE NINGUÉM ESTÁ
OBRIGADO A PRODUZIR PROVA CONTRA SI MESMO
Neste contexto, proíbe-se a realização das provas
denominadas invasivas, ou seja, o réu ou o suspeito não pode
ser obrigado, por exemplo, a fornecer sangue para a obtenção
de provas pelo Estado. Agora se o material já estiver
descartado do corpo humano, o mesmo poderá ser utilizado
pela perícia para a obtenção de provas, o que não pode é o réu
ser obrigado a fornecer ou permitir que este material seja
retirado de modo coativo do seu corpo, pois tal conduta
violaria o princípio em comento.
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DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS NO PROCESSO PENAL
1 – DO PRINCÍPIO DO NEMO TENETUR SE DETEGERE OU DA NÃO
AUTO-INCRIMINAÇÃO OU PRINCÍPIO DE QUE NINGUÉM ESTÁ
OBRIGADO A PRODUZIR PROVA CONTRA SI MESMO
Ademais, alguns lembretes devem ser fixados pelo leitor: 1)
O direito ao silêncio é apenas um dos desdobramentos do
Nemo Tenetur se Detegere; e, 2) Não é apenas o preso que é
titular do direito de não se autoincriminar, mas sim todos
aqueles a quem se imputa um ilícito, isto porque o status
prisional do indivíduo não é um critério razoável para se
estabelecer uma discriminação voltada a limitar este rol
(LIMA, 2020).
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DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS NO PROCESSO PENAL
1 – DO PRINCÍPIO DO NEMO TENETUR SE DETEGERE OU DA NÃO
AUTOINCRIMINAÇÃO OU PRINCÍPIO DE QUE NINGUÉM ESTÁ
OBRIGADO A PRODUZIR PROVA CONTRA SI MESMO
1.1 – Titular do Direito a Não autoincriminação
São titulares do direito a não autoincriminação o suspeito, o investigado, o
indiciado e o acusado, vez que tal garantia alcança a todos (LIMA, 2020).
Daí surge um questionamento interessante, seria a testemunha titular deste
direito?
Tem-se que a testemunha seria a pessoa que tem, no processo penal, a
obrigação de dizer a verdade, portanto, o seu silêncio pode ser punido
como falso testemunho, conforme se extrai do artigo 342 do CP, in verbis:
“Fazer afirmação falsa, ou negar, ou calar a verdade como testemunha,
perito, contador, tradutor ou intérprete em processo judicial, ou
administrativo, inquérito policial, ou em juízo arbitral: Pena – reclusão,
de um a três anos, e multa”.
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OBRIGADO A PRODUZIR PROVA CONTRA SI MESMO
1.1 – Titular do Direito a Não autoincriminação
Dessa forma, a testemunha não é titular do princípio da não-
autoincrimação, salvo se das perguntas formuladas pelas
autoridades públicas resultar na autoincriminação da mesma,
caso em que ela estará protegida pelo nemo tenetur se
detegere. Ou seja, seria o caso em que a testemunha passa a
possuir uma condição de ré ou suspeita.
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1.1 – Titular do Direito a Não autoincriminação
Sobre esse assunto assim se posicionou o STF: (...) Paciente que,
embora rotulado de testemunha, em verdade encontrava-se na condição de
investigado. Direito constitucional ao silêncio. Atipicidade da conduta.
Ordem concedida para trancar a ação penal ante patente falta de justa
causa para o prosseguimento. (STF, 2ª Turma, HC 106.876/RN, Rel. Min.
Gilmar Mendes, j. 14/06/2011, DJe 125 30/06/2011). No mesmo sentido:
STF, Pleno HC 73.035/DF, Rel. Min. Carlos Velloso, j. 13/11/1996, DJ
19/12/96; STF, 2ª Turma, RHC 122.279/RJ, Rel. Min. Gilmar Mendes, j.
12/08/2014, DJe 213 29/10/2014.
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AUTOINCRIMINAÇÃO OU PRINCÍPIO DE QUE NINGUÉM ESTÁ
OBRIGADO A PRODUZIR PROVA CONTRA SI MESMO
1.2 – Dever de advertência quanto ao direito de não se produzir prova
contra si mesmo
Tem-se que a consequência lógica da aplicação do direito ao silêncio é a
exigência que se impõe às autoridades, policiais e judiciais, da advertência
ao réu de seu direito de permanecer calado (artigo 186, caput, CPP) ou de
não ser obrigado a produzir prova contra si mesmo, sob pena de nulidade.
Não fosse assim, na prática, o princípio jamais seria observado, como não
o foi no caso que foi levado a Suprema Corte dos Estados Unidos da
América, caso Miranda vs. Arizona, no ano de 1966 onde se anulou uma
confissão que foi prestada pelo réu, por este não ter sido advertido acerca
dos seus direitos constitucionais, entre os quais o de permanecer calado.
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AUTOINCRIMINAÇÃO OU PRINCÍPIO DE QUE NINGUÉM ESTÁ OBRIGADO A
PRODUZIR PROVA CONTRA SI MESMO
1.2 – Dever de advertência quanto ao direito de não se
produzir prova contra si mesmo
Neste emblemático julgamento, o órgão supremo da Justiça Norte-

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