A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
118 pág.
Princípios do processo penal

Pré-visualização | Página 9 de 12

Americana por cinco votos contra quatro, firmou o entendimento de que
nenhuma validade pode ser conferida às declarações feitas pela pessoa à
polícia, a não ser que antes ela tenha sido claramente informada de: 1 –
que tem o direito de não responder; 2 – que tudo o que disser pode vir a
ser utilizado contra ele; 3 – que tem o direito à assistência de defensor
escolhido ou nomeado. Tem-se aqui o que a doutrina denomina de Aviso
de Miranda, que é nada menos que o dever que as autoridades públicas –
policiais ou judiciais- possuem em alertar o suspeito, indiciado ou réu do
direito que este possui ao silêncio, e, que não sofrerá nenhum tipo de
represálias por exercer tal prerrogativa (grifos da autora).
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS NO PROCESSO PENAL
1 – DO PRINCÍPIO DO NEMO TENETUR SE DETEGERE OU DA NÃO
AUTOINCRIMINAÇÃO OU PRINCÍPIO DE QUE NINGUÉM ESTÁ
OBRIGADO A PRODUZIR PROVA CONTRA SI MESMO
1.2 – Dever de advertência quanto ao direito de não se produzir prova
contra si mesmo
Insta trazer à baila o entendimento de Eugênio Pacelli de
Oliveira (2015, p. 388) ao defender que: “Mais que uma
exigência ética de observância do Direito, a informação da
existência do direito ao silêncio presta-se também a evitar a
prática de métodos extorsivos da confissão, que vem a ser a
ratio essendi da norma”.
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS NO PROCESSO PENAL
1 – DO PRINCÍPIO DO NEMO TENETUR SE DETEGERE OU DA NÃO
AUTOINCRIMINAÇÃO OU PRINCÍPIO DE QUE NINGUÉM ESTÁ
OBRIGADO A PRODUZIR PROVA CONTRA SI MESMO
1.2 – Dever de advertência quanto ao direito de não se produzir prova
contra si mesmo
Ao tratar sobre este assunto, Eugênio Pacelli de Oliveira
(2015, p. 388) fala acerca de um interessante debate que
surgiu na Alemanha após decisão prolatada pelo 4º Senado do
Bundesgerichtshof (BGHSt, 53, p. 112 e ss), onde concluiu
que o interrogatório do acusado prestado em juízo não
poderia ser valorado, não pela ausência da informação de que
o depoimento prestado anteriormente em sede policial, sem
que prestasse igual informação (do direito ao silêncio), não
poderia ser considerado para fins de prova.
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS NO PROCESSO PENAL
1 – DO PRINCÍPIO DO NEMO TENETUR SE DETEGERE OU DA NÃO
AUTOINCRIMINAÇÃO OU PRINCÍPIO DE QUE NINGUÉM ESTÁ
OBRIGADO A PRODUZIR PROVA CONTRA SI MESMO
1.2 – Dever de advertência quanto ao direito de não se produzir prova
contra si mesmo
Sobre essa decisão da Justiça Alemã, Claus Roxin (2000,
apud Eugênio Pacelli de Oliveira, 2015) designou o dever de
informação qualificada o dever do juízo de informar ao
interrogando que o depoimento em sede policial, prestado
sem a observância do direito ao silêncio, não pode acarretar
qualquer consequência desfavorável na hipótese de exercício,
agora em sede de procedimento judicial, do seu direito ao
silêncio. A omissão do dever de informação qualificada
implica na impossibilidade de valoração da prova.
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS NO PROCESSO PENAL
1 – DO PRINCÍPIO DO NEMO TENETUR SE DETEGERE OU DA NÃO
AUTOINCRIMINAÇÃO OU PRINCÍPIO DE QUE NINGUÉM ESTÁ
OBRIGADO A PRODUZIR PROVA CONTRA SI MESMO
1.2 – Dever de advertência quanto ao direito de não se produzir prova
contra si mesmo
Na Alemanha e nos Estados Unidos (e, neste país desde o
caso Miranda X Arizona de 1966), contrariamente do que
ocorre no Brasil, o depoimento prestado na fase da
investigação pode ser valorado, desde que observado o dever
de informação acerca do direito ao silêncio. No contexto
jurídico nacional, ainda que tal direito seja efetivamente
esclarecido no inquérito policial, o depoimento não terá
validade se não confirmado em juízo. Essa seria a regra geral
(OLIVEIRA, 2015).
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS NO PROCESSO PENAL
1 – DO PRINCÍPIO DO NEMO TENETUR SE DETEGERE OU DA NÃO
AUTOINCRIMINAÇÃO OU PRINCÍPIO DE QUE NINGUÉM ESTÁ OBRIGADO A
PRODUZIR PROVA CONTRA SI MESMO
1.2 – Dever de advertência quanto ao direito de não se produzir prova contra si
mesmo
Ademais, o STF ao tratar desta matéria assim se pronunciou:
(...) Gravação clandestina de “conversa informal” do indiciado com policiais.
Ilicitude decorrente – quando não da evidência de estar o suspeito, na ocasião,
ilegalmente preso ou da falta de prova idônea do seu assentimento à gravação
ambiental – de constituir, dita “conversa informal”, modalidade de
“interrogatório” sub-reptício, o qual – além de realizar-se sem as formalidades
legais do interrogatório no inquérito policial (CPP, art. 6º, V) -, se faz sem que o
indiciado seja advertido do seu direito ao silêncio. O privilégio contra a auto-
incriminação – nemo tenetur se detegere -, erigido em garantia fundamental pela
Constituição – além da inconstitucionalidade superveniente da parte final do art.
186 do CPP – importou compelir o inquiridor, na polícia ou em juízo, ao dever de
advertir o interrogado do seu direito ao silêncio: a falta de advertência – e da sua
documentação formal – faz ilícita a prova que, contra si mesmo, forneça o
indiciado ou acusado no interrogatório formal e, com mais razão, em “conversa
informal” gravada, clandestinamente ou não. (...) (STF, 1ª Turma, HC 80.949/RJ,
Rel. Min. Sepúlveda Pertence, DJ 14/12/2001).
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS NO
PROCESSO PENAL
1 – DO PRINCÍPIO DO NEMO TENETUR SE DETEGERE OU
DA NÃO AUTOINCRIMINAÇÃO OU PRINCÍPIO DE QUE
NINGUÉM ESTÁ OBRIGADO A PRODUZIR PROVA CONTRA
SI MESMO
Obrigatoriedade de advertência quanto ao direito ao silêncio por parte
da imprensa
Já foi visto que as autoridades públicas possuem o dever de advertir o réu, o
suspeito e o indiciado de que este possui o direito ao silêncio e de não ser obrigado
a produzir prova contra si mesmo. Com isso, surgiu uma dúvida interessante - A
imprensa é obrigada a advertir? Para responder tal questionamento, vislumbra-se a
existência de duas correntes doutrinárias. A primeira defendida por Ana Lúcia
Menezes Vieira entende que a imprensa possui tal obrigatoriedade, tendo em vista
que os direitos e garantias fundamentais gozam de eficácia horizontal. Essa
corrente é minoritária. Já a segunda corrente entende que o dever de advertência
compete única e exclusivamente ao Poder Público.
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS NO PROCESSO PENAL
1 – DO PRINCÍPIO DO NEMO TENETUR SE DETEGERE OU DA NÃO
AUTOINCRIMINAÇÃO OU PRINCÍPIO DE QUE NINGUÉM ESTÁ
OBRIGADO A PRODUZIR PROVA CONTRA SI MESMO
1.3 – Desdobramentos
a) Direito ao silêncio ou o de permanecer calado = O silêncio do réu não
pode ser interpretado em desfavor do acusado, pois isso implicaria a
própria negação do nemo tenetur.
Artigo 198 do CPP: “O silêncio do acusado não importará confissão, mas
poderá constituir elemento para a formação do convencimento do
juiz” (parte não recepcionada pela CF).
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS NO
PROCESSO PENAL
1 – DO PRINCÍPIO DO NEMO TENETUR SE DETEGERE OU
DA NÃO AUTOINCRIMINAÇÃO OU PRINCÍPIO DE QUE
NINGUÉM ESTÁ OBRIGADO A PRODUZIR PROVA CONTRA
SI MESMO
1.3 – Desdobramentos
a) Direito ao silêncio ou o de permanecer calado
ATENÇÃO: O CPP precisa ser examinado à luz da CF, portanto, a parte
final do dispositivo transcrito anteriormente não foi recepcionada pela atual norma
constitucional.
PRINCÍPIOS INFORMATIVOS DO PROCESSO PENAL
DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS NO PROCESSO PENAL
1 – DO PRINCÍPIO DO NEMO TENETUR SE DETEGERE OU DA NÃO
AUTOINCRIMINAÇÃO OU PRINCÍPIO DE QUE NINGUÉM ESTÁ OBRIGADO A
PRODUZIR PROVA CONTRA SI MESMO
1.3 – Desdobramentos
b) Direito ao silêncio no Tribunal do Júri e sua utilização como argumento de
autoridade = No Tribunal do Júri, o réu também tem esse direito, o qual pode ser
utilizado

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.