ASPECTOS RELEVANTES DO DIREITO NO BRASIL IMPERIAL

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ASPECTOS RELEVANTES DO DIREITO NO BRASIL IMPERIAL
  
O PERÍODO DO PRIMEIRO REINADO: PANORAMA SÓCIO-JURÍDICO-POLÍTICO-INSTITUCIONAL.


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UM TEMA PRELIMINAR: O PROCESSO DA EMANCIPAÇÃO POLÍTICA BRASILEIRA.
O entendimento da construção do arcabouço jurídico-político-institucional do Império do Brasil durante o governo de D. Pedro I (Primeiro Reinado – de 1822 a 1831) exige que sejam desenvolvidas algumas considerações a respeito do processo de emancipação.
Para tanto, o início do processo da independência brasileira em relação a Portugal será balizado pela elevação do status jurídico-político do Brasil, no contexto do Império Português e do cenário internacional da época à condição de Reino Unido ao de Portugal e Algarves.



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DA ELEVAÇÃO DO BRASIL À CONDIÇÃO DE REINO UNIDO (1815) À RUPTURA POLÍTICA (1822):
O CONTURBADO PROCESSO DA EMANCIPAÇÃO POLÍTICA BRASILEIRA


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O IMPÉRIO PORTUGUÊS NA ENCRUZILHADA ENTRE A AMÉRICA E A EUROPA (1815 – 1822)
A elevação do Brasil à condição de Reino Unido ao de Portugal e Algarves, ocorrida em 16 de dezembro de 1815, deu legitimidade a uma situação que já existia de fato, por força da transferência da Família Real ocorrida em 1808: o Brasil havia se tornado o centro decisório do Império Português, configurando-se como a parte do Império dotada de maior importância política, econômica e estratégica.
Tal ato foi sugerido pelo representante francês (Talleyrand) nas negociações do Congresso de Viena, com o objetivo de fortalecer a posição de Portugal na Europa pós-napoleônica.
 A elevação do Brasil à categoria de Reino Unido garantiu, todavia, a permanência da Corte no Rio de Janeiro, ao mesmo tempo em que, naquele momento americana do Império Luso-Brasileiro.
Se para o Senado da Câmara do Rio de Janeiro, o ato de 16/12/1815 constituiu-se em “ilustrada política”, pois levava em consideração a “preeminência” que o Brasil fazia por merecer em função de “sua vastidão, fertilidade e riqueza”, para os portugueses (apoiados pelos ingleses) fazia-se imprescindível o retorno da Família Real à Europa. 
A elevação do Brasil à condição de reino, a recusa de D. João a voltar a Portugal e sua coroação como rei (com o título de D. João VI) em 06/02/1818 (em virtude da morte de D. Maria I em 1816 e da Insurreição Pernambucana de 1817) reafirmava o crescente peso político do Brasil sobre o Império e a ascendência do Rio de Janeiro sobre as demais partes do país.


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OBSERVAÇÕES IMPORTANTES
A aclamação de D. João VI em terras americanas atingiu duramente os sentimentos dos portugueses na Europa – o jornal O PORTUGUÊS chamava a Corte no Brasil de “governo tupinambá”.
Algumas medidas paliativas foram tomadas visando atenuar o descontentamento dos súditos portugueses europeus – para tanto, o alvará de 25/04/1818 concedia taxas mais favoráveis para o vinho e a aguardente trazidos de Portugal, enquanto que o aviso de 30/05/1820 isentava dos direitos de entrada nos portos brasileiros, o peixe e alguns tecidos portugueses (como o linho).
O descontentamento, em Portugal, com as condições em que se encontrava a parte européia do Império, levou à chamada Revolução do Porto (24/08/1820) – tal movimento tinha como objetivos, o fim do Antigo Regime, a convocação de cortes (na verdade, uma Assembléia Constituinte) para a elaboração de uma Constituição para o Império e o restabelecimento do lugar que os portugueses entendiam como merecido no contexto do Império Luso-Brasileiro.



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A REVOLUÇÃO DO PORTO E A EMANCIPAÇÃO BRASILEIRA (1820-1822) - I
A dinâmica da Revolução Portuguesa de 1820 deve ser entendida em um ambiente sócio-político-econômico de descontentamento generalizado, visando retirar a antiga sede do império luso-brasileiro do marasmo econômico, da subordinação de governadores considerados ineptos e da arrogância do Marechal Beresford e das tropas inglesas de ocupação.  
Os dirigentes do movimento buscavam construir a imagem de que a revolução se configurava como uma “regeneração” política que levaria a uma substituição das práticas do Antigo Regime pelo liberalismo, evitando-se, contudo, “os perigosos tumultos filhos da anarquia” , típicos de revoluções como a Revolução Francesa.
 O núcleo dos “revolucionários” do Porto era constituído por militares, comerciantes e magistrados, em sua maioria pertencentes ao SINÉDRIO (sociedade secreta que se organizou  em 1818 e que serviu de instância para a discussão das idéias que acionariam o movimento vintista).
Este núcleo de insurgentes era moderado em suas pretensões políticas, desejando tão somente a transformação de Portugal em uma monarquia constitucional, com o retorno do rei e o fim da tutela inglesa – a adesão da burguesia mercantil e financeira ao movimento incorporou outros objetivos, tais como, a reformulação das relações comerciais luso-brasileiras. 
Apesar das autoridades de Lisboa terem tentado deter o movimento que se alastrava por todo o país com a convocação das antigas Cortes do reino, a instalação das Juntas Provisionais do Governo Supremo do Reino e Preparatória das Cortes (27/09/1820) transformaram as antigas Cortes consultivas em deliberativas, visando a elaboração de uma Constituição que subordinasse o trono ao Poder Legislativo.


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A REVOLUÇÃO  DO PORTO E A EMANCIPAÇÃO BRASILEIRA (1820-1822) - II
No Brasil, as notícias da Revolução do Porto encontraram campo propício para sua propagação, tendo diversas províncias aderido ao movimento -  em 01/01/1821, o Grão-Pará aderiu ao movimento liberal, em 10/02/1821, a Bahia jurou a Constituição que iria ser elaborada em Portugal e em 26/02/1821, por pressão das tropas portuguesas, a cidade do Rio de Janeiro incorporou-se ao movimento liberal iniciado no Porto.
Durante o ano de 1821, verificou-se o surgimento de uma pregação liberal e constitucionalista em ambos os lados do Atlântico, com a circulação  de folhetos políticos, panfletos, periódicos – o debate político foi para o domínio público, atingindo, não somente o pequeno círculo de letrados das cidades, mas também outros atores, como pequenos proprietários rurais, pequenos comerciantes, caixeiros, soldados, homens livres pobres, libertos, escravos interessados em uma possível alforria.
Diante deste quadro, D. João VI hesitou entre permanecer no Brasil e voltar para Portugal – mas os acontecimentos do dia 26/02 no Rio de Janeiro, quando as tropas portuguesas exigiram o juramento imediato do soberano das bases da futura constituição portuguesa, a demissão de alguns membros do governo e a adoção temporária da Constituição espanhola de 1812 até a elaboração da constituição portuguesa, apressaram a decisão do rei.
Em 26/04/1821, D. João VI embarcou de volta para Portugal, deixando em seu lugar, como regente, o príncipe D. Pedro, que passou a deter amplos poderes.
Coube-lhe a administração da Fazenda, da Justiça, a resolução de todas as consultas relativas à administração pública, o provimento dos diversos cargos dos ofícios de justiça e fazenda, dos empregos civis e militares, das dignidades eclesiásticas (exceto dos bispos), o perdão da pena de morte, fazer guerra defensiva ou ofensiva no caso de ameaça ao Brasil.


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A REVOLUÇÃO DO PORTO E A EMANCIPAÇÃO BRASILEIRA (1820-1822) - III
O início da regência de D. Pedro ocorreu no transcurso dos preparativos para as eleições dos deputados às Cortes de Lisboa que se deram de forma indireta e em quatro níveis de seleção, não havendo sido estabelecido censo algum, podendo votar  todo o cidadão com mais de 25 anos, estando excluídos da votação: mulheres, menores de 25 anos (a menos que fossem casados), oficiais militares da mesma faixa etária, clérigos regulares, os filhos os criados de servir (excluindo-se os feitores que vivessem em casa separada de seus amos), os vadios, os ociosos e os escravos – para ser eleito deputado era necessário ter mais de 25 anos, não pertencer às ordens regulares e residir na província há mais de 07 anos.
Do ponto de vista político e financeiro, o início da regência de D. Pedro foi bastante difícil: cofres públicos vazios, as províncias

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