O PERÍODO DA REGÊNCIA E DO SEGUNDO REINADO

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nos postos de comando.

 Ao final de 1830 e no início de 1831 era visível a aproximação entre o Parlamento e o povo nas ruas, ao mesmo tempo em que a situação política de D. Pedro I se deteriorava rapidamente com a intensificação das manifestações de descontentamento por parte dos brasileiros e mesmo com as tentativas de formação de um novo ministério visando o apaziguamento, o descontentamento continuou e com a adesão de comandantes militares.

Por fim, em 07/04/1831 D. Pedro I abdicou em favor de seu filho, D. Pedro de Alcântara, então com cinco anos e que seria coroado alguns anos depois como D. Pedro II.

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O PERÍODO REGENCIAL: REFORMAS LIBERAIS E DESCENTRALIZADORAS E O “REGRESSO” CENTRALIZADOR

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UMA PRIMEIRA ABORDAGEM A RESPEITO DO PERÍODO REGENCIAL...
O período posterior à abdicação de D. Pedro I ficou conhecido como Período Regencial – ao longo dele o país foi conduzido por figuras públicas, em nome do futuro imperador (cuja maioridade aconteceria antecipadamente, em 23/07/1840, quando então D. Pedro de Alcântara não havia completado 15 anos, já que seu aniversário ocorria no dia 02/12).
A princípio o governo regencial assumiu a forma de Regência Trina (três regentes) – logo após a abdicação de D. Pedro I, instalou-se uma Regência Trina Provisória, escolhida por parlamentares que se encontravam na Corte na manhã do dia 07/04, já que a Assembléia Geral estava em recesso.
Em junho de 1831, foi formada a Regência Trina Permanente e, a partir do Ato Adicional de 1834, transformou-se em Regência Una.
O Período Regencial foi um dos mais agitados da história política do país, quando esteve em jogo a UNIDADE TERRITORIAL DO BRASIL e quando os temas da centralização e da descentralização do poder (autonomia das províncias, organização das forças armadas) estiveram no centro do debate político.

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 As reformas realizadas pelos regentes refletiram as dificuldades em se adotar uma prática liberal que se desligasse da influência do absolutismo – muitas das medidas adotadas que se destinaram a flexibilizar o sistema político e a garantir os direitos individuais, nas condições brasileiras da época, provocaram violentos conflitos entre as elites e resultaram em predomínio dos interesses locais.

 A verdade é que entre os grupos e classes dominantes no Brasil da época, não havia consenso a respeito do arranjo institucional mais conveniente para seus interesses e nem clareza sobre qual o papel a ser desempenhado pelo Estado como organizador dos interesses gerais dominantes.

 As reformas do Período Regencial, pelo menos até 1837, trataram de suprimir ou diminuir as atribuições da Monarquia e criar uma nova forma de organização militar, que reduzisse o papel do Exército.

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As reformas liberais e descentralizadoras implantadas no Primeiro Reinado e nos Governos Regenciais entre 1831 e 1837
Lei de Regência, sancionada em 14 de junho de 1831.
Criação da Guarda Nacional, em 18 de agosto de 1831.
Promulgação do Código Criminal em 16 de dezembro de 1830.
Criação dos JUIZADOS DE PAZ, em 15 de outubro de 1827.
Promulgação do Código de Processo Criminal em 29 de novembro de 1832.
Ato Adicional, promulgado em 12 de agosto de 1834 e implementado sob a forma de Emenda Constitucional.

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SOBRE OS JUIZADOS DE PAZ...
Os JUÍZES DE PAZ eram magistrados não profissionais, sem remuneração, eleitos localmente pelos habitantes de cada distrito ao qual ficavam circunscritos.
Inicialmente foram encarregados da conciliação entre as partes envolvidas em litígios de menor importância e do julgamento de ações cíveis que envolvessem valores de até dezesseis mil-réis, incumbindo-se também de certas funções policiais (dentre as quais podemos destacar: dissolver ajuntamentos ilícitos, perseguir e prender criminosos dentro de sua jurisdição, efetuar o corpo de delito, zelar pela aplicação das posturas municipais, desbaratar quilombos).
A implantação dos Juizados de Paz se constituía em uma das principais “bandeiras” dos liberais e tinha como um de seus objetivos a descentralização e o esvaziamento do excesso de concentração de poderes nas mãos do imperador.

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SOBRE O CÓDIGO CRIMINAL DE 1830...
Em 16/12/1830 foi instituído o Código Criminal do Império, baseado no projeto de Bernardo Pereira de Vasconcellos .

Este código classificou os crimes em três tipos:

 Crimes públicos (crimes políticos e administrativos que atentassem contra a integridade e a existência do Império e dos poderes públicos e que corrompessem a administração pública e os direitos políticos dos cidadãos).
 Crimes particulares (crimes cometidos contra a segurança, a liberdade, a honra e a propriedade do indivíduo, como por exemplo, o conto-do-vigário, o roubo, o insulto, a agressão física e o assassinato).
 Crimes policiais (crimes relacionados à desordem, ajuntamentos ilícitos, falsificação e uso de identidade falsa, abusos contra a liberdade de imprensa, vadiagem e mendicância, atentados contra a religião e a “moral e os bons costumes”, entre outros delitos leves, próximos à contravenção).

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Dentre os aspectos mais significativos do Código Criminal de 1830, podemos destacar:
a pena de morte se daria na forca, cumprida no dia seguinte ao da intimação, não se realizando nunca na véspera do domingo, dia santo ou de festa nacional.
na mulher grávida não se aplicaria a pena de morte e nem seria julgada, no caso de a merecer, senão 40 dias após o parto.
Além da pena de morte, outras penas eram previstas: galés, prisão com trabalho, prisão simples, banimento, degredo, desterro, todas acompanhadas de suspensão de direitos políticos.
Para os escravos mantinham-se as condenações a penas de açoites, no caso de delitos que não implicassem em condenação à morte, ou às galés.
O Código de 1830 não imputava pena, por não considerar como criminosos, os MENORES DE 14 ANOS, os LOUCOS DE TODO GÊNERO e as pessoas que cometessem crime levadas por força ou medo “irresistíveis”.
Os menores de 14 anos, quando considerados com discernimento a respeito do delito cometido, eram recolhidos a casas de correção.
O Código abrigava o Princípio da Legalidade, mas ainda se permitia o arbítrio dos juízes.

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 Até 1871, o Código não contemplava a indicação e a qualificação do crime culposo, quando então a falha foi sanada por lei complementar – pelo artigo 3º não haveria criminoso ou delinqüente sem má fé, ou seja, sem conhecimento do mal que se estava praticando.

Os crimes sexuais eram rigidamente punidos, mas a punição era tão mais contundente se a mulher fosse considerada socialmente como sendo “de família” – no caso da mulher ser prostituta, a pena para o agressor era mais leve.

O adultério feminino era punido com pena de prisão com trabalho de um a três anos – já o homem casado que tivesse concubina “teúda e manteúda”, seria punido com as penas impostas à mulher adúltera.

 Cultos religiosos que não fossem católicos eram considerados crimes quando praticados em público.

No âmbito da responsabilidade podemos destacar que os legisladores imperiais impuseram a responsabilidade sucessiva – isto ocorria nos crimes de imprensa.

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SOBRE A LEI DE REGÊNCIA DE JUNHO DE 1831...
 Um dos temas que mais disputas e controvérsias gerou no Primeiro Reinado, relacionava-se ao tensionamento entre o Executivo e o Legislativo.

Passado o episódio da abdicação de D. Pedro I, começaram a ser debatidas, na Câmara dos Deputados, as atribuições da Regência, tendo prevalecido os argumentos que buscavam evitar um desequilíbrio de poderes a favor do Executivo (ou seja, da Regência), em detrimento do Legislativo.

Assim, foi sancionada a Lei de Regência que fortalecia o poder dos deputados em detrimento dos regentes que estavam impedidos de dissolver a Câmara, de conceder anistia, de outorgar títulos honoríficos, de suspender as liberdades individuais, de decretar estado de sítio, de declarar guerra, de ratificar tratados e de nomear conselheiros - para tanto, dependiam do Parlamento.

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SOBRE A CRIAÇÃO DA GUARDA NACIONAL EM AGOSTO DE 1831...
 Uma das primeiras medidas tomadas