A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
15 pág.
Semin.09.Estadão-Sarney

Pré-visualização | Página 3 de 7

um de 
seus jornais, os dados que sobre o Sr. Fernando José Macieira Sarney tiver obtido, ou venha a obter, 
durante as suas apurações jornalísticas, bem como levantando o segredo de justiça imposto, não só 
relativamente ao mencionado recurso, mas também referentemente aos autos da ação inibitória que 
tramita perante o MM. Juízo da Décima Segunda Vara Cível de Brasília".
Feito esse breve relato, a par da noticiada Exceção de Suspeição também distribuída a Vossa 
Excelência em sede do Conselho Especial, oposta em face deste magistrado pelo ora impetrante e, 
com efeito, recusada naquela sede própria com claros e exaustivos fundamentos, em manifestação 
já encaminhada a essa d. Relatoria, encontrando-se o feito com vista à d. Procuradoria de Justiça, 
cumpre, pela norma legal, ressaltar alguns aspectos que envolvem a hipótese em exame, agora sob a 
ótica do presente writ.
De início, importa considerar a conduta extraprocessual que vem sendo adotada pelo impetrante, em 
face da causa submetida a exame nesta sede judicial, porquanto, em que pese tratar o Agravo de 
Instrumento em que prolatada a decisão liminar em tela, de questões de alta indagação, com índole 
inegavelmente constitucional e insertas no núcleo essencial de atualíssimo debate jurídico, a 
hipótese dos autos não deveria demandar tamanha repercussão, marcadamente de ordem política, 
indesejáveis e incompatíveis para o bom andamento dos feitos judiciais, tudo ante a exacerbada 
reação esboçada pela mídia nacional, sob o nítido comando do impetrante, com distorcida 
divulgação da decisão monocrática da lavra deste magistrado, ao conceder – por um dever 
inarredável que se impõe ao julgador de decidir – a medida liminar de tutela inibitória, em sede 
desse agravo de instrumento que lhe coube, a todo rigor, por aleatória distribuição. Tudo isso, com 
esta conotação sui generis, só encontra lastro na nítida e abusiva atuação extraprocessual da parte 
ré, a toda evidência bastante hipersuficiente nessa seara.
Nada disso, contudo, tem o condão de abalar ou influir na absoluta imparcialidade, isenção e livre 
convicção deste magistrado, ora reafirmada, em sua legítima, serena e firme atuação nesta hoje 
rumorosa causa, que lhe compete, atuando no regular exercício de sua função jurisdicional, 
cumprindo-lhe não ceder a tais provocações, que já tangenciam, até mesmo, a vida privada e 
familiar do julgador, tudo a refletir uma grande prova de sobriedade, independência, bom senso e 
longanimidade no enfrentamento desses tenazes e infundados ataques.
Como assinala Edgar de Moura Bittencourt, quanto à independência que há de nortear o atuar 
jurisdicional, o tema passa pela "coragem de decidir contra os poderosos e contra a opinião pública. 
Sem dúvida em semelhante conduta está boa parte da grandeza do magistrado; mas não é tudo, nem 
lhe afirma totalmente a personalidade. Se aquela coragem lhe mostra o grau de desprendimento 
pessoal, não seria ocioso dizer que, também em grande parte, é conseqüência das garantias que se 
outorgam aos juízes. A independência, assim, dimana menos da pessoa do que do clima que se lhe 
oferece para decidir. E prossegue, traduzindo Roullet, ao asseverar que "é a independência que gera 
a imparcialidade; esta é aquela em ação. A imparcialidade é aquela considerada sob o ângulo da 
justiça distributiva. É da independência contra os próprios reflexos que precede a firmeza do 
magistrado, no cumprimento de seu ministério" (Bittencourt, Edgard de Moura. O Juiz, Millennium, 
3ª ed., São Paulo, 2002, p. 118 e 122).
Com efeito, decidir contra a grande imprensa de nosso país pode ser considerado, na quadra atual, 
um dos maiores desafios à consciência e grau de independência de um magistrado. Os fatos e 
repercussões do presente caso são eloqüentes a demonstrar tal assertiva e falam por si só.
No presente feito, ressalte-se que a própria parte, empresa de expressão jornalística que é, tem feito 
o mais amplo e irrestrito uso do seu poderio junto à opinião pública e a inúmeras outras instituições 
ligadas à imprensa nacional e internacional, veiculando, reiteradamente, uma equivocada ou quiçá 
distorcida interpretação da decisão desta Relatoria, mesmo após notificada do seu inteiro teor, ao 
viso de moldar uma verdadeira via de exceção, extrajudicial, a seu talante, em seu próprio 
benefício, para registro de sua exacerbada reação a uma decisão judicial, que se mostra sobejamente 
fundamentada, havendo, portanto, a nítida intenção – até aqui frustrada – de causar intimidação a 
um detentor da indeclinável garantia constitucional da independência, no lídimo exercício da 
judicatura.
Há juízes em Brasília!
À guisa de exemplo dessa extraordinária pressão extraprocessual, basta lançar olhos numa das mais 
recentes matérias publicadas acerca do tema, verbis:
"A liberdade de imprensa enfrenta dias sombrios." Esta é a avaliação feita pela organização 
Repórteres Sem Fronteiras sobre a situação brasileira. A entidade, que defende o jornalismo e luta 
contra a censura em 120 países, condenou a decisão do desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de 
Justiça do Distrito Federal, que censurou o Estado, classificando-a de "abuso de poder".
De acordo com Repórteres Sem Fronteiras, o Grupo Estado foi "forçado ao silêncio após ter 
divulgado informações envolvendo autoridades públicas". Em sua decisão, Vieira proibiu o Estado 
de divulgar informações referentes à Operação Boi Barrica, que envolve Fernando Sarney, filho do 
presidente do Senado José Sarney (PMDB-AP). Os áudios em que ambos falam sobre distribuição 
de cargos no Senado tiveram de ser retirados do portal estadao.com.br.
"Quanto à decisão da Justiça que proíbe O Estado de S.Paulo de publicar notícias sobre Fernando 
Sarney, constitui um ato de censura que lesa a liberdade de expressão", anota a entidade.
O advogado Manuel Alceu Affonso Ferreira, do Grupo Estado, pediu na última quarta-feira que 
Vieira se afaste do caso. Ex-consultor jurídico do Senado, o desembargador é do convívio social da 
família Sarney e do ex-diretor-geral Agaciel Maia. Ele foi fotografado ao lado de Sarney no 
casamento de Mayanna Maia, filha de Agaciel, da qual o presidente do Senado foi padrinho.
"O fato de um familiar de um político eleito conseguir que seu nome não seja citado impede a 
imprensa de o mencionar como personalidade pública. Se trata de um abuso de poder, que 
esperamos que seja corrigido pela decisão em recurso", afirma a Repórteres Sem Fronteiras.
Com a declaração, a entidade junta-se à Organização dos Estado Americanos (OEA), Sociedade 
Interamericana de Prensa (SIP), International Federation of Journalists (IFJ) e Artigo 19, que 
também condenaram o caso. Para todas as entidades, a decisão de Vieira vai na contramão dos 
pareceres emitidos pelo Supremo Tribunal Federal por se tratar de "censura prévia".
A OEA, por meio de sua relatora especial para Liberdade de Expressão, Catalina Botero Marino, 
alertou o Brasil para uma possível "responsabilização internacional" caso a decisão não seja 
revertida."
E tal reacionismo avoluma-se a cada dia, focado, em última análise, numa inaceitável intimidação 
das instituições que se coloquem em linha de confronto com os interesses eleitos pela parte litigante 
– que aqui se revela como eminente integrante e insinuante da grande mídia mundial. Nesta seara, 
vale transcrever, por seu elucidativo conteúdo neste aspecto, recente missiva dirigida ao atual 
mandatário da República, Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, constando como remetentes a 
Associação Mundial de Jornais e o Fórum Mundial de Editores com a seguinte redação:
"Vossa Excelência Luiz Inácio Lula da Silva
Presidente do Brasil
Brasília, Brasil
10 de agosto de 2009
 Vossa excelência
 Em nome da Associação Mundial de Jornais e do Fórum Mundial de Editores, representando 18 
mil publicações, 15 mil sites e mais de 3 mil companhias em mais de 120 países, expressamos nossa 
profunda preocupação com a medida judicial que proibiu a mídia de publicar informações sobre

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.