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Semin.09.Estadão-Sarney

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Neste sentido, originário de Tribunal Estadual – TJPR – e mantido em sede de Agravo interposto 
perante o Superior Tribunal de Justiça, vale transcrever de igual o seguinte precedente 
jurisprudencial:
"O artigo 220, da Constituição Federal, ao dispor sobre a liberdade de informação, admite, em seu 
parágrafo 1º, a existência de restrições quando a hipótese se enquadrar no artigo 5º, inciso X, da 
mesma Carta, que arrola, dentre os direitos e garantias fundamentais, a inviolabilidade da 
intimidade, da vida privada, da honra e da imagem das pessoas, assegurando, ainda, o direito à 
indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação." (STJ, Ag 888759/PR, Rel. 
Min. Humberto Gomes de Barros, em decisão monocrática, DJ 19.06.2007).
Sobre o tema, não destoa a melhor doutrina, ao advertir que:
"Da análise dos direitos individuais pode-se extrair a conclusão errônea de que direitos, liberdades, 
poderes e garantias são passíveis de limitação ou restrição. É preciso não perder de vista, porém, 
que tais restrições são limitadas. Cogita-se aqui dos chamados limites imanentes ou `limites dos 
limites´ (Schranken-Schranken), que balizam a ação do legislador quando restringe direitos 
individuais. Esses limites, que decorrem da própria Constituição, referem-se tanto à necessidade de 
proteção de um núcleo essencial do direito fundamental quanto à clareza, determinação, 
generalidade e proporcionalidade das restrições impostas.
(...)
Ressalte-se que o princípio da proporcionalidade vem sendo utilizado na jurisprudência do Supremo 
Tribunal Federal como instrumento para solução de colisão entre direitos fundamentais.
(...)
Nas colisões entre direitos fundamentais diversos assume peculiar relevo a colisão entre a liberdade 
de opinião, de imprensa ou liberdade artística, de um lado, e o direito à honra, à privacidade e à 
intimidade, de outro. " (Mendes, Gilmar Ferreira. Direitos Fundamentais e Controle de 
Constitucionalidade – Estudos de Direito Constitucional, Saraiva, 3ª Ed., São Paulo, p. 41, 67, 79).
Noutra perspectiva, quanto à questionada possibilidade jurídica do pedido formulado ao viso de 
obtenção da tutela inibitória de urgência, no sentido de fazer cessar de imediato os efeitos civis do 
noticiado ato ilícito, com seus reflexos e implicações, como visto, em se tratando de direitos e 
garantias fundamentais – de indisfarçável índole constitucional – tal direito de ação, outorgado a 
qualquer um que se encontre na situação posta, tem clara previsão nos artigos 12 e 21 do Código 
Civil que, no comentário de Nestor Duarte, sob a magna coordenação do e. Ministro Cezar Peluso, 
discorre, verbis:
"Os direitos da personalidade são oponíveis erga omnes e sua violação configura descumprimento 
de obrigação legal de não fazer, dando, porém, ensejo a sanções de natureza pública ou privada.
No campo do direito público, encontram previsão no direito penal, quando esse pune os crimes 
contra a honra a que se aliam instrumentos constitucionais como as ações de habeas corpus e habeas 
data.
A sanção privada compreende não só a indenização, que não é instrumento específico de proteção 
dos direitos da personalidade, como a pretensão cominatória, a que alude o art. 287 do Código de 
Processo Civil, inclusive em antecipação de tutela (art. 461, § 3º). No caso, harmoniosamente com a 
lei civil, o Código de Processo Civil expressamente prevê a viabilidade de cumulação de 
indenização por perdas e danos com a multa pelo descumprimento da determinação judicial de 
cessação da ameaça ou lesão (art. 461, § 2º)."(G.n.)
Ora, até mesmo o próprio Estado, de quem emana o Poder uno, indivisível e prevalente sobre todas 
as pessoas e instituições existentes no território nacional, pelo Pacto Republicano, não restou imune 
ao comando constitucional acerca da garantia de amplo e livre acesso ao Judiciário em face de 
eventual lesão ou ameaça a direito (art. 5º, XXXV, da CF), inclusive com previsão de uma série de 
tutelas de urgência dispostas em nosso ordenamento processual, a exemplo do habeas corpus, do 
habeas data e do histórico e tupiniquim mandado de segurança, todos de status constitucional.
Sendo assim, não haveria porque cogitar aqui de um insólito privilégio, como regra excludente de 
exame judicial, em favor da chamada "grande imprensa" ao só argumento de estar isenta a qualquer 
controle judicial de urgência em face de uma rotineira prática de tornar públicos eventuais informes 
mesmo com a eiva de ilicitude – como aqui se dá –, ainda que invioláveis na sua origem, com 
censurável posição de sujeitar-se a controle a posteriori, com as medidas de sanção na órbita civil 
ou criminal, diante do confessado e total descaso do segredo de justiça imposto mandamentalmente 
a procedimento de investigação criminal, quando se cuida de matéria obtida ao arrepio da lei, com o 
matiz da clandestinidade, a contaminar a matéria jornalística em seu todo.
Há que se ter em mente o princípio da reserva legal contido no art. 5º, XII, da Constituição Federal.
A considerar, por conseguinte, as peculiaridades que envolvem o caso ora em exame, outra não 
poderia ser a convicção serena e isenta deste julgador e seu proceder, quando se mostrou 
inarredável a concessão da medida inibitória visada no agravo de instrumento em referência, em 
sede de antecipação da tutela recursal, porquanto, como demonstram os fundamentos então 
expendidos, sobejam presentes os necessários requisitos para tanto, quais sejam o perigo na demora 
e a plausibilidade e toda a relevância, a ensejar a alvitrada concessão da medida in limine, cujos 
requisitos se demonstram mediante summaria cognitio consoante autoriza o artigo 461, §§ 3º, 4º e 
5º, do Código de Processo Civil.
Contrario sensu, corresponderia a permitir que o ilícito, já encetado e em pleno curso, devesse 
chegar ao seu máximo exaurimento, permanecendo o Estado-Judiciário – mesmo provocado na via 
própria, na actio, inerte, coartado, impedido de fazer cessar o ilícito em causa em nome de um 
suposto superdireito, na hipótese limitado por outro maior na escala dos valores amparados 
constitucionalmente – colisão de direitos – quando há prevalência do princípio da dignidade 
humana. Doutrinariamente e já constante do repertório jurisprudencial, advém para o deslinde de 
controvérsia desta grandeza, o próprio hodierno juízo de ponderação, inarredável in casu.
Ao final, por incompatível às suas mais íntimas convicções, este magistrado não poderia conceber 
qualquer ato ou conduta de "censura" à liberdade de expressão, de opinião ou de informação, pois 
disso, in casu, certamente não se cuida, tendo experimentado na juventude os rigores dos primeiros 
momentos de instalação do regime de exceção no Brasil, nos idos de 64, como universitário, 
chegando a ser detido e interrogado sem qualquer motivo legal que o justificasse, quando 1º 
Secretário do Centro Acadêmico 21 de Abril da Universidade de Brasília, nos idos de sua criação 
(UNB)também como integrante da FAUNB e do FEUB – Federação dos Estudantes Universitários 
de Brasília. Mais adiante, Aos 28 anos de idade, já advogado, foi eleito 1º Secretário da OAB-DF.
Quando estudante foi fundador da Associação de Imprensa de Brasília.
No contorno bastante sensacionalista dado ao caso, pela conduta da parte insatisfeita com a decisão, 
foram postos em prática procedimentos direcionados a ilaquear o foro íntimo deste julgador com o 
movimento iniciado no interesse de grande parte da mídia mediante acirrada campanha, a redundar, 
nacional e internacionalmente, uma ação orquestrada publicamente com uso de impropérios de toda 
ordem, em detrimento pessoal, familiar, profissional, um verdadeiro envolvimento de pressão 
psicológica que ainda perdura contra este magistrado, com o nítido propósito de intimidação, como 
se se pudesse arrefecer, transformar em "não nada" um dever de ofício revestido de toda isenção, 
um pilar da própria segurança jurídica, apurado na garantia do juízo natural. Toda essa sorte 
negativa

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