CARDIOLOGIA 02 - Eletrocardiograma COMPLETO
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CARDIOLOGIA 02 - Eletrocardiograma COMPLETO


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isto € aVL: nesta 
deriva‚ƒo, o complexo QRS tamb€m est positivo e, com isso, o eixo estar acima da deriva‚ƒo DII (isso porque aVL € 
positiva para cima do n„vel de seu vetor perpendicular). 
Conclui-se, pois que o vetor resultante que representa o eixo el€trico card„aco est localizado entre 30º e 60º.
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Exemplo6 \u2013 Eixo el‹trico em 60Œ.
Observando o complexo QRS nas derivações D1 e aVF, percebe-se que, mesmo sendo positivo em ambas 
derivações (determinando a posição do eixo no quadrante inferior direito), devido à grande positividade da derivação 
aVF com relação à DI, podemos prever parte da conclusão final: o eixo elétrico do coração, neste caso, estará mais 
próximo à aVF.
Depois de determinado o quadrante, devemos observar por uma derivação que apresente um complexo QRS 
isoelétrico. No ECG em questão, observamos em aVL, cujo vetor perpendicular é DII.
Portanto, o eixo elétrico cardíaco coincide com DII, estando localizado em 60o, mais próximo de aVF do que DI.
Exemplo7 \u2013 Eixo el‹trico entre 60Œ e 90Œ.
O complexo QRS em aVF está extremamente positivo, enquanto que em DI, embora esteja positivo, está quase 
isoelétrico. Determinamos, assim, que o eixo está no quadrante inferior direito (entre 0o e 90º). Contudo, apenas 
observando a amplitude dos complexos nas duas derivações, veremos, ao final, que o eixo cardíaco está localizado bem 
próximo à aVF.
Como podemos ver no ECG, DIII está positivo e, portanto, podemos observar aVL imediatamente. Como aVL 
está negativo, conclui-se que o eixo está localizado logo abaixo de seu vetor perpendicular DII, isto é: entre 60º e 90º, 
justificando sua maior proximidade à aVF.
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Exemplo8 \u2013 Eixo el‹trico em +90Œ.
Neste ECG, enfim, DI est praticamente isoel€trico, enquanto que, em aVF, o complexo QRS est extremamente 
positivo. Por esta razƒo, o eixo el€trico do cora‚ƒo coincide com o vetor aVF, que € perpendicular ‰ deriva‚ƒo isoel€trica 
\u2013 DI, no caso.
SOBRECARGAS DE CMARAS CARDˆACAS
Por meio do ECG, € poss„vel avaliar a sobrecarga card„aca e o eventual crescimento ou hipertrofia das cŠmaras 
do cora‚ƒo. Como se sabe, o cora‚ƒo € um …rgƒo que apresenta quatro cŠmaras, sendo duas superiores (os trios) e 
duas inferiores (os ventr„culos). A depender do n„vel de estresse ou de trabalho, podemos ter aumento de qualquer uma 
das cŠmaras.
Sobrecargas atriais.
Como se sabe, a despolariza‚ƒo dos trios come‚a no n… 
sinusal, seguindo pelo trio direito e depois pelo trio esquerdo. 
Os vetores do trio direito e do esquerdo sƒo representados por 
um ‹nico vetor resultante (S“P), cuja dire‚ƒo € de cima para 
baixo, da direita para a esquerda e de trs para frente 
(diferentemente dos ventr„culos, que € de frente para trs). 
No ECG, a contra‚ƒo atrial € representada pela onda P e, 
portanto, o vetor de ativa‚ƒo atrial determina ondas positivas em 
todas as deriva‚†es, exceto em aVR. Isto porque aVR € positivo 
no bra‚o direito, o que faz com que seu eletrodo \u201cveja\u201d apenas a
cauda do vetor. Caso a onda P esteja positiva em aVR, significa 
dizer que houve troca de eletrodos pelos t€cnicos ou estamos 
diante de um caso de dextrocardia (sendo mais comum a troca de 
eletrodos, o que faz com que seja necessrio repetir o ECG). 
A onda P € monofsica e a sua primeira metade € 
representada pela despolariza‚ƒo do trio direito, enquanto que a 
segunda parte € representada pelo trio esquerdo. O trio direito € 
responsvel pela amplitude da onda e o trio esquerdo pela 
dura‚ƒo da onda. Entƒo, se houver uma hipertrofia do trio direito,
a onda P vai estar aumentada em sua amplitude; se houver 
hipertrofia do trio esquerdo, a onda P vai estar aumentada em 
sua dura‚ƒo.
Para um melhor estudo das sobrecargas atriais, devemos 
dividi-las em: sobrecarga atrial direita, sobrecarga atrial esquerda 
e sobrecarga biatrial.
1. Sobrecarga atrial direita
Qualquer causa de aumento de trio direito faz com que a onda P torne-se apiculada, isto €, aumente a sua 
amplitude mais que 3 mm, principalmente em DII, DIII e aVF. As principais causas da sobrecarga atrial direita: estenose 
tric‹spide, estenose pulmonar, hipertensƒo pulmonar (onda P € chamada de P pulmonale), DPOC. Estando a onda P em 
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uma ‹nica deriva‚ƒo alterada j podemos considerar que h sobrecarga atrial. 90% dos casos de onda P apiculada €, 
de fato, a chamada onda P pulmonale, provocada por DPOC e/ou por hipertensƒo pulmonar.
Para o diagn…stico de sobrecarga atrial devemos observar, principalmente, duas deriva‚†es: DII e V1. Isto 
porque o eixo de DII passa do bra‚o direito para a perna esquerda, exatamente como o vetor da despolariza‚ƒo atrial 
(isto €, 60˜): de cima para baixo, da direita para a esquerda. A deriva‚ƒo V1, por sua vez, deve ser avaliada pois ela 
avalia bem os trios devido ‰ sua posi‚ƒo.
\uf0fc A onda P normal em V1 € representada da seguinte forma: 
Um padrƒo conhecido como PLUS-MINUS (de forma que primeira parte 
representa o trio direito e a segunda, o trio esquerdo).
Na sobrecarga atrial direita, a onda P aumenta na sua amplitude, apresentando-se em V1 da seguinte forma:
PLUS-PLUS-MINUS (aumento da amplitude da parte do trio direito e 
parte do trio esquerdo continua normal). O eixo do cora‚ƒo fica 
desviado entre 70 e 90˜.
\uf0fc Em DII, temos:
\uf0b7 Dura‚ƒo: normal
\uf0b7 Morfologia: apiculada.
\uf0b7 Amplitude: aumentada (> que 2,5 ou 3,0 mm) em DII, DIII e 
aVF
\uf0b7 Eixo: desvio do eixo para a direita (entre +70’ e +90’) 
2. Sobrecarga atrial esquerda
A sobrecarga atrial esquerda € mais comum do que a sobrecarga do trio direito. Nesta, a onda P est
aumentada em dura‚ƒo, podendo apresentar-se maior do que 0,12 segundos (alguns livros afirmam um pouco maior 
que 0,10 segundos) e de aspecto b„fido.
As causas mais comuns de sobrecarga atrial sƒo: estenose mitral; estenose/insuficiencia a…rtica; coarta‚ƒo da 
aorta, comunica‚ƒo intra-atrial com hipertensƒo pulmonar por hiperfluxo (h uma inversƒo do fluxo, em vez de ser do 
trio esquerdo para o direito, € o trio direito para o esquerdo). Nestes casos, o vetor do AE aumenta de amplitude, 
fazendo com que o vetor m€dio desloque-se para trs e para esquerda. 
No plano frontal, o S“P situa-se entre +40˜ e +20˜, o que promover os seguintes eventos: 
\uf0fc Aumento da dura‚ƒo da onda P em DII, DIII, aFV; 
\uf0fc Onda P alargada e b„fida com o 2’ m…dulo maior em DII, DIII;
\uf0fc Onda P bimodal em V1 com fase negativa mais lenta; 
\uf0fc P mitrale.
Morfologicamente, em DII, a onda fica mais longa em sua dura‚ƒo e 
apresenta entalhes. Em V1, a onda negativa \u2013 que representa o trio 
esquerdo \u2013 fica maior. Em resumo, temos:
\uf0b7 Dura‚ƒo: aumentada, maior que 0,11 s nas deriva‚†es bipolares
\uf0b7 Morfologia: presen‚a de entalhes em DI e DII; onda P bimodal (P 
mitrale) em V1 com predom„nio da fase negativa (quando 
normalmente, a onda P em V1 € isodifsica).
\uf0b7 Amplitude: normal
\uf0b7 Eixo: desvio do eixo el€trico do vetor m€dio de P para a esquerda.
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3. Sobrecarga biatrial
As sobrecargas biatriais serƒo 
caracterizadas pela associa‚ƒo dos 
sinais de sobrecargas atriais direita e 
esquerda: a onda P vai estar 
aumentada em dura‚ƒo e em 
amplitude. O eixo el€trico pode estar 
desviado para a esquerda, para a 
direita, ou estar na faixa normal.
Sobrecarga ventricular.
H uma s€rie de patologias que podem fazer com que os ventr„culos hipertrofiem simultaneamente: hipertensƒo 
arterial sistˆmica, atletismo, entre outras. 
Um aumento da massa muscular em qualquer dos 
ventr„culos vai causar um aumento da atividade el€trica card„aca 
e um aumento da voltagem do complexo QRS.
Como vimos anteriormente, a despolariza‚ƒo dos 
ventr„culos descreve