CARDIOLOGIA 02 - Eletrocardiograma COMPLETO
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CARDIOLOGIA 02 - Eletrocardiograma COMPLETO


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exploradores) no 
plano frontal (formando as deriva‚†es perif€ricas \u2013
bipolares ou unipolares) e no plano horizontal (formando 
as deriva‚†es precordiais, unipolares).
OBS3: Teoria do Dipolo. O ECG € o registro grfico da proje‚ƒo dos vetores de ativa‚ƒo 
el€trica do cora‚ƒo, em linhas de deriva‚ƒo. Dipolo € o fen‡meno el€trico resultante de 
dois pontos justapostos e de cargas contrrias. Chama-se de dipolo ao conjunto formado 
por duas cargas de mesmo m…dulo, por€m de sinais contrrios, separadas por uma 
distŠncia d. O dipolo como grandeza vetorial apresenta: m…dulo (produto de uma das 
cargas pela distŠncia entre elas), dire‚o (eixo do dipolo, linha unindo os dois p…los) e 
sentido (do p…lo negativo para o p…lo positivo).
O eletrodo positivo do ECG que \u201colha\u201d para a ponta da seta vetorial (resultante da 
despolariza‚ƒo card„aca) registra uma onda positiva. O eletrodo positivo que \u201colha\u201d para a 
cauda da seta registra uma onda negativa.
OBS4: O sentido de despolariza‚ƒo do cora‚ƒo se d de cima para baixo e da esquerda para a direita.
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Logo, todo ECG € composto por 12 deriva‚†es que permitem uma visƒo tridimensional do potencial de a‚ƒo 
card„aco, de forma que as ondas sejam as mesmas para todas elas. 
Para conseguir estudar o cora‚ƒo de forma tridimensional, devemos dividir as deriva‚†es em dois planos:
\uf0b7 Derivações no Plano Frontal (Derivações de Membros ou Periféricas). Medem a diferen‚a de potencial entre 
os membros (bipolares) ou entre certas partes do corpo e o cora‚ƒo (unipolares). Coloca-se um eletrodo em 
cada bra‚o (direito/esquerdo) e um na perna esquerda, formando um triŠngulo (conhecido como triângulo de 
Einthoven). Na perda direita, coloca-se o fio terra, para estabilizar o tra‚ado. Deslocam-se as trˆs linhas de 
referˆncia, cruzando com precisƒo o t…rax (cora‚ƒo) e obt€m-se uma intersec‚ƒo, formando as deriva‚†es 
bipolares DI, DII e DIII. Em seguida, acrescentam-se outras trˆs linhas de referˆncia nesta intersec‚ƒo, com 
Šngulos de 30’ entre si e obt€m-se as deriva‚†es unipolares dos membros: aVR (direita), aVL (esquerda) e aVF 
(p€). Neste caso, usa-se \u201celetrodos de presilhas\u201d.
\uf0b7 Derivações no plano horizontal (Derivações precordiais). Tˆm-se, com elas, uma visƒo como em um corte 
transversal do cora‚ƒo. Sƒo as deriva‚†es V1, V2, V3, V4, V5 e V6. Neste caso, usa-se \u201celetrodos de suc‚ƒo\u201d.
Medem a diferen‚a de potencial entre o t…rax e o centro el€trico do cora‚ƒo (n…dulo AV), e vƒo desde V1 (4’ 
espa‚o intercostal, na linha paraesternal direita) a V6 (5’ espa‚o intercostal, na linha axilar m€dia esquerda). Em 
todas essas deriva‚†es, considera-se positivo o eletrodo explorador colocado nas seis posi‚†es diferentes sobre 
o t…rax, sendo o p…lo negativo situado no dorso do indiv„duo, por meio da proje‚ƒo das deriva‚†es a partir do 
n…dulo AV.
DERIVAÇÕES BIPOLARES DO PLANO FRONTAL 
\uf0b7 DI: bra‚o direito (-) e bra‚o esquerdo (+).
\uf0b7 DII: bra‚o direito (-) e perna esquerda (+).
\uf0b7 DIII: bra‚o esquerdo (-) e perna esquerda (+). 
DERIVAÇÕES UNIPOLARES DO PLANO FRONTAL 
\uf0b7 aVR: eletrodo no bra‚o direito. 
\uf0b7 aVL: eletrodo no bra‚o esquerdo.
\uf0b7 aVF: eletrodo na perna esquerda.
DERIVAÇÕES DO PLANO HORIZONTAL
\uf0b7 V1: 4’ Espa‚o intercostal direito, justaesternal. Avalia o cora‚ƒo direito.
\uf0b7 V2: 4’ Espa‚o intercostal esquerdo, justaesternal. Avalia o cora‚ƒo 
direito.
\uf0b7 V3: Entre V2 e V4. Avalia uma regiƒo intermediria.
\uf0b7 V4: 5’ Espa‚o intercostal esquerdo, na linha hemiclavicular. Avalia uma 
regiƒo intermediria.
\uf0b7 V5: 5’ Espa‚o intercostal esquerdo, na linha axilar anterior. Avalia o 
cora‚ƒo esquerdo.
\uf0b7 V6: 5’ Espa‚o intercostal esquerdo, na linha axilar m€dia. Avalia o 
cora‚ƒo esquerdo.
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AN…LISE DOS TRA‚ADOS
As reas mais importantes a serem consideradas depois de obtido o grfico do ECG sƒo: frequˆncia card„aca, 
ritmo card„aco, eixo card„aco (QRS), sobrecarga de cŠmaras card„acas (e hipertrofia) e infarto.
No eletrocardiograma normal, esperamos os seguintes achados:
\uf0fc ParŠmetros t€cnicos: antes de mais nada, devemos avaliar se os eletrodos estƒo posicionados corretamente. 
Para isso, a onda P deve estar positiva em DI, DII e DIII e negativa em aVR.
\uf0fc Frequˆncia card„aca: 70 \u2013 100 bpm.
\uf0fc Ritmo card„aco: sinusal.
\uf0fc Eixo QRS: entre -30’ e +100’.
\uf0fc Intervalo PR: 0,12 \u2013 0,20.
\uf0fc Intervalo QRS: menor que 0,12 s.
\uf0fc Progressƒo do tamanho da onda R, ao longo das deriva‚†es V1 a V6.
\uf0fc Intervalo QT: 0,30 \u2013 0,46.
\uf0fc Ausˆncia de: inversƒo de onda T, altera‚ƒo de segmento ST, Q patol…gica.
DETERMINAÇÃO DA FREQUENCIA CARDÍACA
A frequência cardíaca € o n‹mero de vezes que o cora‚ƒo bate por minuto. O controle da Freq‘ˆncia card„aca 
depende de vrios fatores, entre eles: n„vel de atividade do sistema nervoso aut‡nomo; a‚†es hormonais; 
automaticidade card„aca.
\uf0b7 O cora‚ƒo humano bate entre 60 e 100 vezes por minuto. 
\uf0b7 Quando o n‹mero de batimentos € abaixo de 60 vezes por minuto, excluindo o valor 60, por conven‚ƒo tem-se a 
chamada bradicardia. 
\uf0b7 Quando o n‹mero de batimentos € acima de 100 vezes por minuto, incluindo o 100, por conven‚ƒo tem-se a 
chamada taquicardia.
A medi‚ƒo correta da frequˆncia card„aca por meio do ECG deve ser feita por meio dos seguintes passos:
a) Método Correto: 1500/n’ de quadrados pequenos entre duas ondas R (intervalo RR), sabendo que 1 minuto 
tem 1500 quadrados pequenos (0,04 segundos x 1500 = 60 segundos). 
b)Método Prático: 300/n’ de quadrados grandes entre duas ondas R, sabendo que 1 minuto tem 300 quadrados 
grandes (0,20 x 300 = 60 segundos). 
c) Método por observação das linhas verticais e a onda R: € um modo que se leva em considera‚ƒo as linhas 
escuras verticais que delimitam um lado do quadrado grande e a onda R. Esse m€todo € feito da seguinte forma: 
primeiramente deve-se procurar no eletrocardiograma uma onda R que coincida exatamente na linha vertical 
escura. Achado a linha escura rente a onda 
R, marca-se as linhas escuras adiante delas 
com n‹meros decrescentes: 300 \u2013 150 \u2013
100 \u2013 75 \u2013 60 \u2013 50, que correspondem ao 
n‹mero de batimentos card„acos por 
minuto. Caso a pr…xima onda R coincidir na 
linha vertical escura (como na figura, 50), 
siginfica a frequˆncia card„aca do cora‚ƒo 
no momento do registro (como na figura, 50 
bpm). Caso nƒo haja uma rela‚ƒo direta 
entre a onda R e a linha, faz-se uma 
aproxima‚ƒo.
d)Regra de Três: Cada intervalo RR corresponde a um batimento. Para facilitar o clculo, o papel € composto 
tamb€m de \u201cquadrad†es\u201d, que possuem cinco \u201cquadradinhos\u201d de 1 mm cada. Logo, 5 X 0,04 s = 0,2 s. A onda 
percorre o \u201cquadradƒo\u201d em 0,2 s. Precisamos saber a distŠncia em \u201cquadradinhos\u201d ou \u201cquadrad†es\u201d do intervalo 
RR. Imaginemos uma distŠncia entre o intervalo RR sendo de, aproximadamente, 4 quadrad†es, ou 4 X 0,2 s = 
0,8 s. Se eu sei que um batimento (intervalo RR) gasta 0,8 s, quantos batimentos eu terei em um minuto (60s)? 
1 batimento ---- 0,8 s
x batimentos ---- 60 s
x = 60/0,8 = 75 batimentos
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DETERMINA†‡O DO RITMO CARDˆACO \u2013 ARRITMIAS
A determina‚ƒo do ritmo card„aco € fundamental para avaliar se a ativa‚ƒo el€trica das fibras card„acas se faz 
de maneira r„tmica, harm‡nica, ou se acontece na forma de uma arritmia. 
O termo arritmia cardŠaca define uma situa‚ƒo caracterizada por uma altera‚ƒo na frequˆncia, na regularidade 
e no local de origem do est„mulo el€trico ou por um dist‹rbio na condu‚ƒo deste est„mulo (seja ao longo do trio, dos 
ventr„culos ou entre ambos). Qualquer uma destas altera‚†es € responsvel por causar arritmias.
Sabe-se que, o cora‚ƒo € composto por unidades celulares que tˆm a propriedade da excitabilidade. O 
responsvel por comandar todo o funcionamento el€trico do cora‚ƒo € o n… sinuatrial. Contudo, quando h