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A ENTREVISTA PSICOLÓGICA
FONTE: JOSÉ BLEGER
-CONSIDERAÇÕES GERAIS-
-Técnica de investigação científica em
psicologia (Modelo clínico);
-Como técnica tem seus procedimentos
ou regras empíricas;
-Faz coexistir no psicólogo as funções de
investigador e de profissional;
-Aquela em que se buscam objetivos
psicológicos (investigação, diagnóstico,
terapia, etc.)
-Sua denominação deriva exclusivamente
de seus objetivos;
-COMO TÉCNICA INCLUI DOIS
ASPECTOS-
-Regras ou indicações práticas de sua
execução;
-A psicologia da entrevista psicológica
que fundamenta as regras ou indicações
de sua execução.
-Utilizada por outros profissionais:
psiquiatra, assistente social, sociólogo,
etc...)
-TIPOS DE ENTREVISTA
PSICOLÓGICA-
-Aberta:
-O entrevistador tem ampla liberdade p/
as perguntas ou intervenções;
-Permite ao entrevistador flexibilidade
necessária em cada caso particular.
-Flexibilidade p/ permitir que o
entrevistado configure o campo da
entrevista segundo sua estrutura
psicológica.
-Possibilita uma investigação mais ampla
e profunda da personalidade do
entrevistado
-Fechada:
-As perguntas já estão previstas, assim
como sua ordem e a maneira de
formulá-las;
-O entrevistador não pode alterar
nenhuma destas disposições;
-Permite uma melhor comparação
sistemática de dados (devido a
padronização).
-QUANTO AO NÚMERO DE
PARTICIPANTES-
-Individual
-Grupal
* Em todos os casos a entrevista é
sempre um fenômeno grupal, basta
ter um entrevistado e um entrevistador –
relação interpessoal.
-QUANTO AO BENEFICIÁRIO DO
RESULTADO-
-Do entrevistado (Consulta psicológica ou
psiquiátrica);
-Dos participantes através dos resultados
científicos (Qdo o objetivo é a pesquisa);
-A instituição (A entrevista que é realizada
para um terceiro).
* Diferença – O entrevistador desperta
interesse e participação no entrevistado
quando o benefício não é para si próprio.
-ENTREVISTA, CONSULTA E
ANAMNESE-
-A entrevista tem origem no método
clínico (Medicina), mas não podem
ser confundidas com a entrevista
psicológica e nem superpostas.
-Consulta = Solicitação da assistência
técnica ou profissional;
-Consulta não é sinônimo de entrevista,
mas é apenas um dos procedimentos de
que o técnico ou o profissional dispõe
para realizar a consulta.
-Entrevista não é uma anamnese;
-Termo “anamnese” vem do grego = Ana
(Remontar) + Mnesis (Memória). É a
evocação voluntária do passado feita pelo
paciente, sob a orientação do médico ou
do terapeuta.
-Compilação de dados preestabelecidos,
com amplitude de detalhes que permite a
síntese da situação presente e passada
de um indivíduo, sua saúde, sua doença.
-Uma boa anamnese, utiliza corretamente
os princípios que regem a entrevista;
-O paciente fica reduzido a um mediador
entre sua enfermidade;
-Em alguns casos, utilizada para cumprir
metas estatísticas e regulamentares de
uma instituição (a cargo de pessoal
auxiliar).
-A entrevista psicológica objetiva o estudo
e a utilização do cpt total do indivíduo em
todo o curso da relação interpessoal
(entrevistador/entrevistado);
-A entrevista psicológica não pode ser
transformada em um “interrogatório”;
-A entrevista psicológica é uma relação
que se estabelece entre duas ou
mais pessoas, com características
particulares;
-Um dos integrantes – técnico em
psicologia – atua nesse papel e do
outro lado, o outro ou os outros que
necessitam de sua intervenção técnica.
-É uma relação humana onde um dos
integrantes procura saber o que está
acontecendo com o outro e usa o seu
conhecimento para essa compreensão;
-Objetivos: Investigação, diagnóstico,
orientação etc ...
-A regra básica de uma entrevista
psicológica não é obter todas as
informações de uma pessoa, do seu
comportamento. Mas sabermos
“ouvir”, “vivenciar” e “observar” o
entrevistado.
-TEORIAS PSICOLÓGICAS QUE
INFLUENCIARAM A
ENTREVISTA PSICOLÓGICA-
-Psicanálise: Inconsciente, da
transferência e contratransferência, da
resistência, repressão, projeção, da
introjeção, etc ...;
-Gestalt: Como um todo no qual o
entrevistador é um de seus integrantes,
considerando o cpt destes como um dos
elementos da totalidade;
-Topologia: Levou a delinear e a
reconhecer o campo psicológico
(enfoque situacional);
-Behaviorismo: A importância da
observação do comportamento. A
entrevista constitui um procedimento de
observação em condições controladas ou,
pelo menos, em condições conhecidas.
* A metodologia da entrevista psicológica
está diretamente relacionada à
abordagem psicológica do psicólogo
(entrevistador).
-A ENTREVISTA COMO CAMPO-
-Entrevista de anamnese: Um campo com
características definidas, ideais para a
investigação da personalidade.
-Anamnese: Procurar fazer com que o
campo seja configurado especialmente (e
em seu maior grau) pelas variáveis que
dependem do entrevistado. O
entrevistador controla a entrevista, porém
quem a dirige é o entrevistado.
-O entrevistador deve permitir que o
campo seja predominantemente e
estabelecido e configurado pelo
entrevistado.
-A entrevista não pode substituir nem
excluir outros procedimentos de
investigação da personalidade, porém
estes procedimentos não podem
dispensar a entrevista.
-Para obter um campo particular de
entrevista, devemos contar com um
enquadramento rígido.
-O campo da entrevista não é fixo e sim
dinâmico, através da observação
possibilita esse entendimento.
-SISTEMATIZAÇÃO: ENTREVISTA
COMO CAMPO-
-O entrevistador inclui sua atitude, sua
dissociação instrumental,
contratransferência, identificação, etc;
-O entrevistado, inclui aqui a
transferência, estruturas de
comportamento, traços de caráter,
ansiedade, defesas, etc;
-A relação interpessoal na qual se inclui a
interação entre os participantes,o
processo de comunicação (projeção,
introjeção, identificação, etc).
-CONCORDÂNCIAS E DIVERGÊNCIAS-
-Diferença entre entrevista e anamnese.
-Na anamnese trabalha-se com a
suposição de que o paciente conhece sua
vida e está capacitado a fornecer dados
sobre ela.
-Na entrevista cada ser humano tem
organizado uma história de sua vida
e um esquema de seu presente e destas
temos que deduzir o que ele não sabe.
Aquilo que não nos pode dar como
conhecimento explícito, nos é oferecido
ou emerge através do seu comportamento
não-verbal.
-Em diferentes entrevistas, o entrevistado
pode oferecer-nos diferentes histórias
ou diferentes esquemas de sua vida atual
que podem se complementar ou
contradizer.
-As dissociações e contradições que
observamos correspondem a contradições
e dissociações da própria personalidade.
-A entrevista nos permite trabalhar com
essas contradições e dissociações.
-A simulação perde o valor que tem na
anamnese como fator de perturbação.
-A simulação na entrevista é considerada
como parte dissociada da personalidade
que o entrevistado não reconhece como
sua.
-Pode acontecer que o mesmo
entrevistador ou diferentes
entrevistadores recolham, em momentos
diferentes, partes distintas e ainda
contraditórias da mesma personalidade.
-Pode ter entrevistado que possui uma
rigidez na sua história e no seu esquema
de vida presente, como meio de defesa
de acesso do entrevistador. Às vezes até
repete por muitas vezes a mesma história
estereotipada em diferentes entrevistas.
-Técnica e teoria se inter-relacionam com
a teoria de personalidade com a qual se
trabalha.
-O grau de interação entre entrevistador e
entrevistado se dá de acordo com o
modelo de sua operacionalidade como
investigador.
-A entrevista não consiste apenas na
técnica, mas em investigar a
personalidade do entrevistado (teoria x
técnica).
-O OBSERVADOR PARTICIPANTE-
-Nas ciências da natureza, a observação
científica é objetiva, no sentido que o
observador registra o que ocorre, os
fenômenos que são externos e
independente dele (exclusão total de todo
o estado subjetivo).
-Nas ciências sociais, a observação
científica é subjetiva, o observador está
condicionando o fenômeno que observa,
não estuda o fenômeno tal como ele é,
mas em relação a sua presença.
-Toda conduta se dá sempre num
contexto de vínculos e relações humanas.
-A entrevista é a situação “natural” em que
se dá o fenômeno psicológico que
interessa aoentrevistador.
-Cada situação humana é sempre original
e única, assim como a entrevista.
-O entrevistador deve assumir sua
condição humana e não se sentir em
posição privilegiada em relação ao
entrevistado.
-ENTREVISTA E INVESTIGAÇÃO-
-Entrevista é um instrumento ou um
técnica da “prática” cuja pretensão é
diagnosticar, utilizando-se dos
conhecimentos científicos sobre
determinado fenômeno.
-É um campo de trabalho no qual se
investiga a conduta e a personalidade
de seres humanos.
-A chave principal de entrevista está na
investigação que se realiza durante
o seu transcurso.
-Durante a entrevista a observação se
enriquece. Pois o entrevistador possui
suas primeiras hipóteses e no decorrer da
entrevista, vai observando e revendo suas
hipóteses.
-Na entrevista está sendo realizada uma
investigação, quando acontece
sistematicamente em um campo de
trabalho definido, sendo inseparáveis a
teoria é a prática.
-O GRUPO NA ENTREVISTA-
-Entrevistador e entrevistado formam um
grupo, uma totalidade onde se dão as
inter relações .
-Na entrevista, o que difere de outros
grupos é que um dos integrantes
assume um papel específico e tende a
cumprir determinados objetivos.
-Através do processo de comunicação, a
conduta de um estimula a do outro.
-O tipo de comunicação que se
estabelece é altamente significativo da
personalidade do entrevistado.
-O entrevistador observa como e através
do que o entrevistado condiciona.
-A comunicação é um fenômeno chave de
toda a relação interpessoal, portanto o
tipo de comunicação do entrevistador é
capaz de graduar ou orientar a entrevista.
-TRANSFERÊNCIA E
CONTRATRANSFERÊNCIA-
-São dois fenômenos altamente
significativos.
-Transferência = À atualização na
entrevista de sentimentos, atitudes,
condutas inconscientes por parte do
entrevistado que correspondem a
modelos que se estabelecem na relação
interpessoal no meio familiar.
-Na transferência, o entrevistado atribui
papéis ao entrevistador e comporta-se em
função deles.
-Com a transferência, o entrevistado
fornece aspectos irracionais ou imaturos
de sua personalidade, seu grau de
dependência, sua onipotência e seu
pensamento mágico. Aqui o entrevistador
poderá descobrir o que o entrevistado
espera dele (fantasias).
-Na contratransferência, incluem-se todos
os fenômenos que aparecem no
entrevistador como emergentes do campo
psicológico: as respostas do entrevistador
às manifestações do entrevistado, o efeito
que têm sobre eles.
-A contratransferência serve para orientar
o entrevistador no estudo que
realiza, mas seu manejo requer alto grau
de equilíbrio mental.
-Transferência e contratransferência são
fenômenos que aparecem em toda
relação interpessoal. A diferença é que na
entrevista psicológica devem ser
utilizados como instrumentos técnicos de
observação e compreensão.
-ANSIEDADE NA ENTREVISTA-
-Constitui um indicador do
desenvolvimento de uma entrevista e
deve ser atentamente acompanhada pelo
entrevistador, tanto a que se produz nele
como a que aparece no entrevistado.
-Em certo limite, serve como um agente
motor da relação interpessoal,
mas em níveis exagerados pode ser
prejudicial.
-O entrevistado solicita ajuda técnica ou
profissional e durante a entrevista, sua
ansiedade pode aumentar pelo
desconhecimento da situação e até
mesmo do que desconhece sobre sua
própria personalidade. Pois é papel do
entrevistador fazer surgir estes conteúdos,
e quando não aparecem, motivar o
entrevistado para isso.
-A ansiedade do entrevistador é um dos
fatores mais difíceis de manipular.
Pois é ela que auxilia-o na investigação
(penetrar no desconhecido).
-O entrevistador deve ter capacidade para
tolerá-la e poder instrumentalizá-la.
-O ENTREVISTADOR-
-O instrumento de trabalho do
entrevistador é ele mesmo, sua
personalidade, que participa da relação
interpessoal, de que o agravante de que o
objeto que deve estudar é outro ser
humano.
-Ao examinar a vida do outro é implicado
a examinar e rever sua própria vida, de
sua personalidade, conflitos, frustrações,
sua própria saúde ou doença.
-O entrevistador, na sua atuação deve
estar dissociado:
-Em parte, atuar com um identificação
projetiva com o entrevistado;
-Em parte, permanecer fora dessa
identificação, observando e controlando
o que ocorre, de maneira a graduar o
impacto emocional e a desorganização
ansiosa.
-O ENTREVISTADO-
-A pessoa que procura a entrevista,
geralmente é porque tem uma
preocupação de que algo não está bem,
de que algo mudou ou se modificou, ou
então porque percebe suas próprias
ansiedades ou temores.
-Há entrevistados que vem consultar, os
que são trazidos e os que “mandaram”, o
que vem consultar por um familiar,
precedido por um informante.
-Há os que vem sozinho, os vários
membros de uma família (aqui o
entrevistador precisa perguntar quem é o
entrevistado ou por quem eles vêm), os
que vem acompanhado por uma pessoa,
familiar ou amigo.
-Há casos de grupos que vêm à consulta
(a família). Nestes casos, a culpa da
família reflete nessa decisão.
-FUNCIONAMENTO DA ENTREVISTA-
-O campo da entrevista deve ser
configurado fundamentalmente pelas
variáveis da personalidade do
entrevistado.
-O que o entrevistador oferecer deve ser
suficientemente ambíguo para permitir o
maior engajamento da personalidade do
entrevistado.
-Limites devem ser mantidos e defendidos
pelo entrevistador.
-Limites que intervêm no enquadramento
da entrevista:
- Tempo (horário e um limite na extensão
da entrevista);
- Espaço (o quadro ou terreno ambiental);
- Papel (em nenhum caso, o entrevistador
deve permitir que seja
apresentado como um amigo).
-A abertura da entrevista não deve ser
ambígua, recorrendo-se a frases gerais
ou de duplo sentido.
-A entrevista deve começar por onde
começar o entrevistado.
-Deve-se considerar o quão pode ter sido
difícil o entrevistado chegar até a
entrevista.
-Qdo temos informações prévias do
entrevistado através de outras pessoas é
preciso informá-lo.
-Assim como o enquadramento, o fim da
entrevista deve ser respeitado (a reação à
separação, a avaliação do estado do
entrevistado).
-Entrevistas bem realizadas consomem
um tempo muito grande , do qual,
com frequência, não se dispõe,
especialmente em instituições (escolas,
hospitais, indústrias ...)
-A INTERPRETAÇÃO-
-Há posições variadas quanto a se deve
interpretar em entrevistas diagnósticas.
-Deve-se interpretar cada vez que a
comunicação tende a interromper-se ou
distorcer-se ou para relacionar aquilo que
o entrevistado esteve comunicando.
-A interpretação é uma hipótese que deve
ser verificada ou retificada no campo
psicológico pela resposta que
condicionamos.
-INFORME PSICOLÓGICO-
-É um resumo das conclusões referentes
ao objeto de estudo (a investigação).
-A ordem em que se redige o informe não
têm a ver com a ordem em que foram
coletadas as informações ou com a ordem
das deduções do entrevistador:
1) Dados pessoais:
2) Procedimentos utilizados:
3) Motivos do estudo:
4) Descrição sintética do grupo familiar:
5) Problemática vital:
6) Descrição dos padrões de conduta:
7) Descrições de traços de caráter e de
personalidade:
8) Resultados de cada teste e de cada
exame complementar:
9) Conclusão:
10) Incluir uma possibilidade prognóstica:
11) Orientação possível:

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