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Sistemas legais do mundo:
 Sistema romano-germânico
 Common law
 Jurisdição mista (direito romano-germânico e
comum)
 Direito consuetudinário
 Lei islâmica (Sharia)
Common law
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Common law (do inglês "direito comum") é o direito
que se desenvolveu em certos países por meio das
decisões dos tribunais, e não mediante atos legislativos
ou executivos. Constitui portanto um sistema ou família
do direito, diferente da família romano-germânica do
direito, que enfatiza os atos legislativos. Nos sistemas de
common law, o direito é criado ou aperfeiçoado pelos
juízes: uma decisão a ser tomada num caso depende das
decisões adotadas para casos anteriores e afeta o direito
a ser aplicado a casos futuros. Nesse sistema, quando
não existe um precedente, os juízes possuem a
autoridade para criar o direito, estabelecendo um
precedente. O conjunto de precedentes é chamado
de common law e vincula todas as decisões futuras.
Quando as partes discordam quanto o direito aplicável,
um tribunal idealmente procuraria uma solução dentre as
decisões precedentes dos tribunais competentes. Se
uma controvérsia semelhante foi resolvida no passado, o
tribunal é obrigado a seguir o raciocínio usado naquela decisão anterior (princípio conhecido como stare
decisis). Entretanto, se o tribunal concluir que a controvérsia em exame é fundamentalmente diferente de todos
os casos anteriores, decidirá como "assunto de primeira impressão" (matter of first impression, em inglês).
Posteriormente, tal decisão se tornará um precedente e vinculará os tribunais futuros com base no princípio do
stare decisis.
Na prática, os sistemas de common law são consideravelmente mais complexos do que o funcionamento
idealizado descrito acima. As decisões de um tribunal são vinculantes apenas numa jurisdição em particular e,
mesmo dentro de uma certa jurisdição, alguns tribunais detêm mais poderes do que outros. Por exemplo, na
maior parte das jurisdições, as decisões de um tribunal de recursos são obrigatórias para os juízos inferiores
daquela jurisdição e para as futuras decisões do próprio tribunal de recursos, mas as decisões dos juízos
inferiores são apenas "persuasivas", não vinculantes. Ademais, a interação entre o common law, o direito
constitucional, o direito legislado e os regulamentos administrativos causam considerável complexidade.
Todavia, o stare decisis, o princípio de que os casos semelhantes devem ser decididos conforme as mesmas
regras, está no cerne de todos os sistemas de common law.
Os sistemas de common law foram adotados por diversos países do mundo, especialmente aqueles que
herdaram da Inglaterra o seu sistema jurídico, como o Reino Unido, a maior parte dos Estados Unidos e do
Canadá e as ex-colônias do Império Britânico.
Índice
1 Distribuição
2 História
2.1 Idade Média
[1]
Mapa-múndi com a indicação dos países que
adotam o common law (em azul escuro) ou um
sistema misto que inclui o common law (em azul
claro).
3 Ver também
4 Ligações Externas
5 Referências
Distribuição
O common law é a base dos sistemas jurídicos da
Inglaterra e do País de Gales, Irlanda do Norte, Irlanda,
do direito federal e estadual dos Estados Unidos (exceto
o direito da Louisiana), do direito federal e provincial do
Canadá (exceto o direito civil do Quebec), Austrália
(tanto o direito federal quanto o estadual), Nova
Zelândia, África do Sul, Índia, Malásia, Brunei,
Paquistão, Singapura, Hong Kong e muitos outros
países geralmente de língua inglesa ou membros da
Commonwealth (exceto Malta e a Escócia). Como
regra, todos os países que foram colonizados em algum
momento pela Inglaterra ou pelo Reino Unido usam o
common law, exceto os que já haviam sido colônias de
outro império, caso do Quebec (que segue o sistema
jurídico francês), da África do Sul e do Sri Lanka (que seguem o sistema romano-germânico de origem
neerlandesa), onde o sistema romano-germânico anterior foi mantido para respeitar os direitos civis dos colonos
locais. O sistema indiano de common law também é uma mistura de direito inglês com direito hindu local,
exceto no estado de Goa, que mantém o código civil português. O sistema jurídico da Nicarágua também
mescla o common law inglês com o sistema romano-germânico, devido à administração britânica da porção
oriental do país desde meados do século XVII até cerca de 1905, ademais de intervenções e influências
estadunidenses posteriores.
História
O common law desenvolveu-se originalmente sob o sistema inquisitório da Inglaterra durante os séculos XII e
XIII, como o conjunto das decisões judiciais que se baseavam na tradição, no costume e no precedente.
Instituições e culturas legais deste tipo assemelham-se às que existiram historicamente em sociedades nas quais
o precedente e o costume desempenharam, por vezes, um papel substantivo no processo legal, inclusive o
direito germânico e o direito islâmico.
O common law emprega um forma de raciocínio baseado em casos ou "casuísmo". Aplicado a casos cíveis, o
common law foi criado para compensar alguém por atos ilícitos chamados torts, quer dolosos, quer culposos,
e desenvolveu o ramo do direito que reconhece e regula os contratos. O procedimento adotado pelos tribunais
de common law é chamado adversarial system (algo como "sistema do contraditório"), também criado por
este sistema jurídico.
Alguns teóricos afirmam que o common law inglesa teria sido inspirada pela lei islâmica; Acadêmicos
como John Makdisi, Jamila Hussain e Lawrence Rosen argumentaram que diversas das instituições
fundamentais do common law inglesa derivaram ou foram adaptadas de instituições legais similares na lei e na
jurisprudência islâmica, e introduzidas à Inglaterra após a conquista normanda da Inglaterra pelos normandos,
que conquistaram e herdaram a administração legal do Emirado da Sicília (ver cultura árabe-normanda).
Idade Média
[2][3][4]
[5]
Antes da conquista normanda de 1066, a justiça era administrada principalmente pelos tribunais de condado,
presididos pelo bispo diocesano e pelo xerife, os quais exerciam jurisdição tanto eclesiástica quanto civil. O
julgamento pelo júri começou naqueles tribunais.
Ao tornar-se o primeiro rei plantageneta, em 1154, Henrique II institucionalizou o common law ao criar um
sistema jurídico unificado e "comum" a todo o reino que incorporava e elevava o costume local ao nível
nacional, abolia o controle e as peculiaridades locais e eliminava medidas arbitrárias e reintroduzia o sistema do
júri. Este chegava ao veredito por meio da avaliação do conhecimento comum local, não necessariamente
através da apresentação de provas, o que distingue dos tribunais do júri modernos.
Henrique II desenvolveu a prática de enviar juízes de seu próprio tribunal central para ouvir as diversas
controvérsias por todo o país. Seus juízes resolviam-nas de modo ad hoc, conforme a sua interpretação do que
era o costume aplicável. Os juízes reais retornavam a Londres e freqüentemente discutiam seus casos e
decisões entre si. As decisões eram registradas e arquivadas. Com o passar do tempo, surgiu a regra do stare
decisis (ou do precedente), segundo a qual o juiz estava obrigado a seguir a decisão pretérita de um juiz
anterior e a adotar a interpretação jurídica do juiz anterior, aplicando os mesmos princípios usados por aquele
magistrado quando os dois casos apresentassem fatos semelhantes. Com este sistema de precedentes, as
decisões "congelavam-se" e seu conteúdo perpetuava-se, e assim o direito pré-normando de costumes locais
desconexos foi substituído por um sistema elaborado e coerente de normas que era comum por todo o reino,
donde o nome common law.
A criação, por Henrique II, de um sistema judicial poderoso e unificado, que restringia de certa maneira a
autoridade dos tribunais eclesiásticos, provocou um conflito com a igreja, especialmente com Thomas Becket,
Arcebispo da Cantuária. Becket terminou por ser morto dentro da catedral da Cantuária por quatro cavaleiros
que pensavam agir em nome de Henrique. Naquela altura, Becket