Funcionamento das contas
142 pág.

Funcionamento das contas


DisciplinaContabilidade Básica23.413 materiais510.674 seguidores
Pré-visualização32 páginas
Na sequência, apenas o resultado líquido será mencionado para simplificar a apresenta-
ção da conta de resultados.
O funcionamento das contas
Foi visto no precedente capítulo que o balanço contabilístico sofre mutações devidas às
operações económicas que a mutualidade realiza. Para evitar estabelecer constantemente
um novo balanço e para conservar informações relativas a essas mutações, estas são regis-
tadas nas contas. Estas contas permitirão estabelecer a conta de resultados e o balanço do
exercício.
Este capítulo explica o papel, a organização e o funcionamento das contas. Contudo, não
é suficiente para produzir uma formação completa na matéria. O objectivo aqui é de dar
explicações acessíveis aos administradores das mutualidades a fim de reforçar a sua capa-
cidade de dialogar com os contabilistas e de utilizar os documentos produzidos pela con-
tabilidade.
2.1 A conta
Uma conta é um quadro que permite registar as operações que modificam uma rubrica do
balanço ou da conta de resultados.
A utilização das contas permite:
\ufffd conservar uma pista das operações registadas cronologicamente e de forma contínua
nas diferentes contas em função da sua natureza;
\ufffd dispor a qualquer momento de informação sobre o estado da caixa, as dívidas, os pro-
dutos, os encargos, etc.;
\ufffd facilitar o estabelecimento das contas anuais (balanço e conta de resultados) do exercí-
cio, assim como, estatísticas e indicadores respeitantes ao funcionamento.
Parte IV \u2022 A contabilidade de uma mutualidade de saúde 129
Apresentação
Uma conta apresenta-se sob a forma de um quadro cujo traçado pode ser efectuado de
dois diferentes modos:
\ufffd débito e crédito separados,
\ufffd débito e crédito reunidos (esta apresentação é sobretudo adaptada às contas de tesou-
raria: caixa, banco, etc.). 
130 Guia de gestão das mutualidades de saúde em África
BIT/STEP
A apresentação material da conta deve, obrigatoriamente, indicar:
\ufffd a data efectiva da operação;
\ufffd a natureza da operação (descrição), por exemplo: Factura Fevereiro 2002 (factura nº 48);
\ufffd os montantes colocados no débito da conta;
\ufffd os montantes colocados no crédito da conta;
Exemplo
Débito e crédito separados
Em Março de 2002, a conta da Mutualidade de Saúde Espoir, destinada a registar as prestações
doença reembolsadas ao Hospital Bonne Santé, apresenta-se assim:
Conta: 6021 \u2013 Hospital Bonne Santé
Débito e crédito reunidos
Em Março de 2002, a conta bancária da Mutualidade Espoir apresenta-se assim:
Conta:5211 \u2013 Caixa Popular de Mogo
\ufffd o saldo inscrito numa coluna específica (débito e crédito reunidos) ou debaixo da
coluna débito ou da coluna crédito (débito e crédito separados).
Regras de utilização
\ufffd Cada quadro de conta deve ser dedicado a uma única conta;
\ufffd Uma mutualidade deve abrir progressivamente e utilizar unicamente as contas que lhe
são úteis ( ver adiante a secção sobre o plano contabilístico);
\ufffd As contas de encargo e de produtos são abertas no decurso do exercício em função
das necessidades. Contrariamente às contas de balanço, não há transporte de saldo
de um exercício para outros;
\ufffd O registo das operações nestas diferentes contas devem ser feitos linha após linha.
A recolha da informação deve ser feita em tempo real, isto é, no momento em que a
operação é realizada.
\ufffd As contas são encerradas no último dia do exercício contabilístico. Para proceder ao
fecho da contabilidade, totaliza-se o débito depois o crédito, a diferença entre estes
dois totais corresponde ao saldo da conta que será inscrito na coluna cujo total é o
mais baixo (débito e crédito separados).
\ufffd As contas de balanço são reabertas no início de um novo exercício. Para reabrir uma
conta de balanço, inscreve-se o transporte do saldo do precedente exercício no débito
se este saldo estiver devedor, ou no crédito, se estiver credor.
Parte IV \u2022 A contabilidade de uma mutualidade de saúde 131
As contas servem para registar as operações financeiras e os fluxos. 
Estes caracterizam-se por:
\u2714 a sua origem;
\u2714 o seu destino;
\u2714 o seu montante.
O funcionamento
das contas
Exemplo
Fecho e reabertura da conta caixa
Conta: 57 \u2013 Caixa
Estas características dos fluxos estão na base da contabilidade em
partidas dobradas, para a qual:
\u2714 a origem de um fluxo interessa a uma conta;
\u2714 o seu destino interessa a outra conta.
Cada operação interessa, portanto, a duas contas pelo menos.
A questão é saber de que lado de cada conta deve ser inscrito o
montante da operação. Para fazer isso, é necessário, antecipada-
mente, distinguir as contas de balanço e as contas de gestão.
\u2714 As contas de balanço que reagrupam:
\u2013 no activo, as contas que representam os
bens duradouros e circulantes da mutua-
lidade (o emprego dos recursos). Estas
contas são contas devedoras. O seu
valor aumenta por causa dos débitos e
diminui por causa dos créditos;
\u2013 no passivo, as contas que representam
a origem dos recursos. Estas contas são
contas credoras. O seu valor absoluto
diminui por causa dos débitos e
aumenta por causa dos créditos.
\u2714 As contas de gestão que compreendem:
\u2013 as contas de encargos, cujo aumento é
registado no débito e a diminuição no
crédito;
\u2013 as contas de produtos que, inversa-
mente, aumentam pelo crédito e dimi-
nuem pelo débito.
O saldo de uma conta mede a diferença entre os montantes inscritos
no débito e os inscritos no crédito. Quando o total dos montantes
inscritos no débito de uma conta é superior ao total dos inscritos no
crédito, diz-se que o saldo é devedor. Inversamente, quando o total
da coluna crédito é superior ao da coluna débito, diz-se que o
saldo é credor. Quando os totais das duas colunas são iguais, diz
se que o saldo é nulo.
As contas são reagrupadas num documento chamado livro - razão.
O livro- razão constitui, assim, uma ferramenta essencial da contabi-
lidade da mutualidade. Pode apresentar-se por diversas formas, das
quais, a principal e a mais prática, é fazer figurar cada conta numa
ficha cartonada, no rosto e no verso. Os registos são feitos de forma
contínua no rosto e, depois, no verso. Quando uma ficha está com-
pletamente preenchida, utiliza-se uma nova, junta à primeira. Estas
fichas são conservadas, quer numa caixa, quer num classificador
(sendo esta segunda solução a mais prática).
O livro-razão
O saldo de uma
conta
132 Guia de gestão das mutualidades de saúde em África
BIT/STEP
2.2 O plano contabilístico
A escrituração de uma contabilidade exige uma organização metó-
dica. Uma das primeiras tarefas a realizar, aquando da abertura da
contabilidade de uma mutualidade de saúde, é determinar a rela-
ção das contas que serão abertas. Esta relação faz parte do plano
contabilístico da mutualidade que apresenta os procedimentos e a
organização contabilísticos.
Cada conta é identificada por um número de código de forma a:
\u2714 simplificar a classificação;
\u2714 referenciar rapidamente cada conta;
\u2714 precisar o tipo de contas (classe) ao qual pertence uma dada
conta.
Para elaborar o seu plano contabilístico, uma mutualidade deve, em
primeiro lugar, ter em atenção o Plano Contabilístico Geral em vigor
no país. Este plano contabilístico apresenta a relação das contas, os
princípios e as regras, assim como, a terminologia preconizadas ou
impostas pelo Estado. Contudo, pode ser adaptado às característi-
cas da mutualidade.
A utilização deste Plano Contabilístico Geral, eventualmente
mediante as necessárias adaptações, apresenta diversas vantagens. 
Permite, nomeadamente, implementar uma linguagem comum entre
todas as mutualidades que adoptam a mesma prática respeitante à
terminologia, ao registo das operações nas contas, à apresentação
dos documentos contabilísticos, etc.
Cada Plano Contabilístico Geral propõe uma relação de contas
subdividida em classes e segue uma codificação que permite a clas-
sificação das operações.
Encontrar-se-ão, por exemplo, pelo menos sete classes divididas em
duas grandes categorias de contas:
\u2714 As contas de balanço:
\u2013 Classe 1: Contas de capitais;
\u2013 Classe 2: Contas de imobilização;
\u2013 Classe 3: Contas de stock;
\u2013 Classe