RECOMENDAÇÕES PARA TERAPIA ANTI-RETROVIRAL EM ADULTOS INFECTADOS PELO HIV
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RECOMENDAÇÕES PARA TERAPIA ANTI-RETROVIRAL EM ADULTOS INFECTADOS PELO HIV


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manejo 
farmacológico, para prevenção de eventos cardiovas-
culares e outros. Este capítulo propõe-se a discutir os 
aspectos mais importantes da toxicidade anti-retrovi-
ral, sugerindo algumas medidas para seu manejo.
Dislipidemia, risco cardiovascular, 
hipertensão arterial e síndrome 
metabólica
O tratamento da síndrome de imunodeficiência 
adquirida pode acarretar o aparecimento de algumas 
condições associadas a maior risco de eventos vascu-
lares. São elas a dislipidemia, lipodistrofia, hipertensão 
arterial, resistência à insulina e intolerância à glicose. 
A dislipidemia encontrada nesses pacientes é maior 
que na população geral e é caracterizada por níveis 
de triglicérides elevados, aumento de colesterol total 
e de colesterol - LDL plasmáticos, além da redução 
de colesterol - HDL. Uma vez iniciado o tratamento 
anti-retroviral, espera-se que entre 33 a 82% dos pa-
cientes desenvolvam hipercolesterolemia, e 43 a 66% 
apresentem hipertrigliceridemia.
A mudança no perfil metabólico determina o de-
senvolvimento de resistência à insulina e, em alguns 
casos, de diabetes mellitus. A resistência à insulina, por 
sua vez, representa um importante fator de risco para o 
desenvolvimento de hipertensão arterial sistêmica. 
Em conjunto, dislipidemia, resistência insulínica, 
anormalidade na distribuição de gordura corporal e 
hipertensão arterial estão associadas ao quadro clínico 
caracterizado como síndrome metabólica. Alguns es-
tudos têm associado risco cardiovascular elevado com 
a presença de síndrome metabólica Tabela 1 .
O diagnóstico de síndrome metabólica inclui a 
presença de obesidade abdominal, como condição 
essencial, e dois ou mais dos critérios acima.
Pacientes que têm HIV devem sempre ser avaliados 
para identificar a presença de risco cardiovascular. A 
abordagem recomendada é utilizar a escala de risco de 
Framingham Tabela 2 .
Manejo da toxicidade 
do tratamento anti-retroviral
Guia de Tratamento62
Tabela.1
Critérios.diagnósticos.de.síndrome.metabólica
Critério Definição
OBESIDADE ABDOMINAL
Homens 
Brancos de origem européia e negros \u2265 94 cm
Sul-asiáticos, ameríndios e chineses \u2265 90 cm
Japoneses \u2265 85 cm
Mulheres
Brancas de origem européia, negras, sul-asiáticas, ameríndias 
e chinesas
\u2265 80 cm
Japonesas \u2265 90 cm
TG \u2265 150 mg/dL ou tratamento para hipertrigliceridemia
HDL Colesterol
Homens < 40mg/dL
Mulheres < 50mg/dL
Pressão arterial sistêmica
Sistólica 
ou
\u2265 130 mm Hg ou tratamento para HAS
Diastólica \u2265 100 mg/dL ou tratamento para DM
Tabela.2
Escores.de.risco.de.Framingham.(ERF).para.cálculo.de.risco.absoluto.de.infarto.e.morte.em.10.anos.para.homens.e.mu-
lheres.(Fase.2).-.Parte.1.de.2
Homens Mulheres
Idade Pontos Idade Pontos
20-34 -9 20-34 -7
35-39 -4 35-39 -3
40-44 0 40-44 0
45-49 3 45-49 3
50-54 6 50-54 6
55-59 8 55-59 8
60-64 10 60-64 10
65-69 11 65-69 12
70-74 12 70-74 14
75-79 13 75-79 16
Recomendações para Terapia Anti-retroviral em Adultos Infectados pelo HIV 63
Colesterol Idade Idade Idade Idade Idade Colesterol Idade Idade Idade Idade Idade
Total
mg/dL
20/39 40/49 50/59 60/69 70/79
Total
mg/dL
20/39 40/49 50/59 60/69 70/79
<160 0 0 0 0 0 <160 0 0 0 0 0
160/199 4 3 2 1 0 160/199 4 3 2 1 1
200/239 7 5 3 1 0 200/239 8 6 4 2 1
240/279 9 6 4 2 1 240/279 11 8 5 3 2
\u2265280 11 8 5 3 1 \u2265280 13 10 7 4 2
Fumo Idade Idade Idade Idade Idade Fumo Idade Idade Idade Idade Idade
20/39 40/49 50/59 60/69 70/79 20/39 40/49 50/59 60/69 70/79
Não 0 0 0 0 0 Não 0 0 0 0 0
Sim 8 5 3 1 1 Sim 9 7 4 2 1
HDL-colesterol (mg/dL) Pontos HDL-colesterol (mg/dL) Pontos
\u226560 -1 \u226560 -1
50-59 0 50-59 0
40-49 1 40-49 1
<40 2 <40 2
PA (sistólica, mm Hg) Não tratada tratada PA (sistólica, mm Hg) Não tratada tratada
<120 0 0 <120 0 0
120-129 0 1 120-129 1 3
130-139 1 2 130-139 2 4
140-159 1 2 140-159 3 5
\u2265160 2 3 \u2265160 4 6
Guia de Tratamento64
Tabela.2
Escores de risco de Framingham (ERF) para cálculo de risco absoluto de infarto e 
morte em 10 anos para homens e mulheres (Fase 2) - Parte 2 de 2
Total de pontos
Risco absoluto em 10 anos 
(%)
Total de pontos
Risco absoluto em 10 anos 
(%)
<0 <1 <9 <1
0 1 9 1
1 1 10 1
2 1 11 1
3 1 12 1
4 1 13 2
5 2 14 2
6 2 15 3
7 3 16 4
8 4 17 5
9 5 18 6
10 6 19 8
11 8 20 11
12 10 21 14
13 12 22 17
14 16 23 22
15 20 24 27
16 25 \u226525 \u226530
\u226517 \u226530
A estratégia de prevenção às doenças cardiovascula-
res é semelhante àquela recomendada pela IV Diretriz 
Brasileira de Prevenção de Aterosclerose (www.cardiol.
br), respeitando alguns itens específicos desse grupo 
populacional e seguindo a classificação de risco obtido 
pela escala de Framingham:
a. Se o risco cardiovascular inicial for baixo (\u2264 10%) e o 
paciente não estiver utilizando inibidor de protease, 
a avaliação deve ser repetida a cada dois anos;
b. Se o risco cardiovascular inicial for moderado (> 10 
e < 20%), independentemente do uso de Inibidor de 
Protease, recomenda-se avaliação a cada seis a doze 
meses;
c. Se o risco cardiovascular inicial for elevado (\u2265 20%), 
independentemente do uso de IP, iniciar a prevenção 
cardiovascular e repetir a avaliação depois de um 
mês e posteriormente a cada três meses. 
O tratamento da dislipidemia em PVH deve 
considerar as mesmas metas recomendadas para a 
população geral, após análise global dos demais fatores 
de risco. É recomendado sempre iniciar com medidas 
não farmacológicas, e na persistência da dislipidemia, 
iniciar manejo farmacológico, com extrema cautela.
A elevação dos níveis de triglicérides, fenômeno 
freqüente nesse grupo populacional, deve ser tratada 
quando os valores forem superiores a 500 mg/Dl. 
Quando essa alteração for acompanhada de doença 
cardiovascular preexistente, histórico familiar precoce 
de DCV ou HDL-C < 40 mg/Dl, o tratamento farma-
cológico deve ser considerado (Figura 1).
Recomendações para Terapia Anti-retroviral em Adultos Infectados pelo HIV 65
Figura 1
Manejo do risco cardiovascular
Para todo pa-
ciente HIV+ e em 
caso de mudança 
de ARV
Calcular o risco 
CV
Framingham
(Alto > 20%,
Médio 10-20%, 
Baixo < 10%)
Se risco médio ou 
alto, identificar os 
fatores responsá-
veis e ELABORAR
INTERVENÇÃO
Prevenção
PARE.DE.FUMAR!
Exercício e dieta (diminua 
gordura saturada, álcool, 
aumente vegetais, grãos 
integrais)
APÓS.3.MESES
Recalcular risco CV
Risco.desejável
=
população
Manter estilo de vida
Risco.acima.do.desejável
(IV Ditetriz Bras)
Estilo.de.vida.saudável
Adotar.estilo
de.vida.saudável!
VIDA.SAUDÁVEL,.SEM.FUMAR,.COM.EXERCÍCIO.E.
DIETA.
Recalcule o risco CV a cada 6 meses
ou a cada mudança de TARV
Farmacoterapia
PROBLEMA PRINCIPAL
TG (>500mg/DI) e
HDL-C (<40mg/DI)
Fibrato
Adicione óleo de peixe
LDL-C
Estatina
Associações de drogas
Tratamento
Intervenção.médica
Medidas.não.farmacológicas
Prevenção do tabagismo, controle nutricional e ati-
vidade física compõem um estilo de vida que contribui 
para o equilibro metabólico, redução da distribuição 
inadequada de gordura corporal e para a formação de 
massa muscular. 
A interrupção do fumo eleva as taxas de colesterol 
- HDL (o bom colesterol). Em pacientes com eleva-
ção do colesterol e dos triglicérides, o aumento do 
consumo de alimentos ricos em fibras e a restrição 
de alguns tipos de alimentos são necessários para um 
melhor controle metabólico. No caso de elevação de 
glicose e triglicérides, recomenda-se controle do peso e 
redução na ingesta de carboidratos simples (açúcares) 
e de gorduras saturadas e hidrogenadas (carne bovina 
gorda, frituras, chocolates, doces, etc.)
Manejo.farmacológico
Os medicamentos mais utilizados no tratamento 
da dislipidemia desses pacientes são os mesmos da 
população geral: fibratos e estatinas.
A - Fibratos: são a primeira escolha no tratamento 
da hipertrigliceridemia e da dislipidemia mista 
(aumento de colesterol e triglicérides) dos pacientes 
infectados pelo HIV, as mais freqüentes alterações 
observadas nessa população7, conforme a Tabela 3
.
Guia de Tratamento66
B - Estatinas: primeira escolha no tratamento