1. Biosseguranca_dra_jane

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DisciplinaInfectologia1.741 materiais7.488 seguidores
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têm demonstrado cada vez mais que infecções com determinados tipos de vírus podem ter um papel importante no surgimento e desenvolvimento do câncer. Mais de uma dúzia de diferentes tipos de vírus já foram ligados às várias formas do câncer. Muitas vezes a presença de um vírus específico aumenta o risco do surgimento do câncer, ou acelera o seu desenvolvimento. Por exemplo, o vírus do HIV, causador da AIDS, afeta o sistema de defesa do organismo e torna os pacientes infectados mais propensos ao surgimento de uma variedade de cânceres.
Sabe-se hoje que em torno de 15% dos tumores que afetam humanos são causados por vírus. Em nosso meio, alguns dos tumores mais prevalentes estão etiologicamente ligados a vírus, como o câncer do colo do útero e os papilomavírus humanos (HPV), o hepatocarcinoma celular e os vírus da hepatite (HBV, HCV), os linfomas e o vírus Epstein-Barr (EBV).
Aparentemente, também bactérias são capazes de causar câncer. Elas conseguiriam isso por dois mecanismos: indução da inflamação e produção de compostos mutagênicos. O primeiro é melhor exemplificado pela Helicobacter pylori e o câncer gástrico. Já o câncer de cólon poderia se encaixar melhor no segundo mecanismo, com uma possível correlação com a presença de Citrobacter sp. ou Clostridium sp.
A presença de microrganismos em nosso corpo não significa que obrigatoriamente desenvolveremos doenças, muito ao contrário. Como exemplo, temos a contribuição positiva dessas populações para a proteção de nossa pele e mucosas contra a invasão de outros germes mais nocivos e também para a obtenção de nutrientes necessários à nossa saúde, como a vitamina K.
As principais atividades nocivas são as de parasitismo e de infecção. Normalmente, o homem (hospedeiro) e muitos microrganismos (parasitas) convivem em pleno equilíbrio. A quebra desta relação harmoniosa poderá causar doença.
É difícil atribuir a causa a apenas um elemento no caso de qualquer doença, pois a saúde humana é influenciada não apenas por fatores específicos, mas pela interação entre eles. A forma como a doença se desenvolve e os sintomas associados sempre têm múltiplas causas.
Contudo, o resultado final da doença pode ser muito mais influenciado pelas variáveis relativas ao agente, quando estas tiverem um peso significativo. Um exemplo é a raiva, cujo resultado final é a morte de quase 100% dos afetados.
O dano individual após exposição a um determinado agente biológico pode variar muito, desde nenhum até a morte.
As variáveis relativas ao agente incluem: 
patogenicidade e virulência;
produção de toxinas;
persistência, sobrevivência e multiplicação no ambiente;
velocidade de multiplicação;
transmissibilidade: capacidade do agente penetrar e se multiplicar no novo hospedeiro a partir de diferentes portas de entrada;
capacidade de mutar, recombinar e se adaptar: aquisição de resistência a fármacos, aumento na virulência, etc.
A intensidade do dano também é influenciada pelos fatores individuais da pessoa exposta, que podem incluir:
características gerais: idade e sexo;
características familiares: estado civil, idade dos pais, dimensão da família, posição na ordem de nascimento, privação dos pais, de um ou de ambos, e morbidade familiar por causas específicas;
características étnicas: raça, cultura, religião, grupo étnico e lugar de nascimento;
nível socioeconômico: ocupação, renda, nível de instrução, tipo e zona de residência, valor da taxa de IPTU e sinais exteriores de riqueza;
ocorrências durante a vida intrauterina e ao nascer: idade materna, número de fetos gestados (único ou gemelar), características e ocorrências durante o parto, condições físicas da mãe e ocorrências vividas durante a gestação;
características endógenas: constituição física, resistência individual, estado fisiológico, estado de nutrição, doenças intercorrentes e tipo de comportamento;
ocorrências acidentais: ocorrências estressantes, doenças e acidentes sofridos;
hábitos e atividades: atividades ocupacionais, medicamentos utilizados com certa constância, uso e abuso de inseticidas domésticos e agrícolas e abuso de drogas permitidas (álcool, fumo, medicamentos), uso e abuso de drogas ilícitas, tipo de comportamento alimentar, atividade física e lazer.
Qual o nível de informação necessário sobre a identidade dos agentes biológicos? 
O primeiro nível é aquele em que as informações existentes sobre os agentes orientam as ações de prevenção, de correção e o tratamento médico. Essas informações, amplamente documentadas e conhecidas, possibilitam que a suspeita da presença de um determinado agente inicie uma série de ações, dependentes da situação. Por exemplo: ao se observar a presença de roedores em um local de trabalho e sabendo-se (a partir da informação disponível) que eles podem ser portadores de Leptospira, devem-se tomar medidas para sua eliminação, mesmo desconhecendo se há algum agente (Leptospira) presente e sua identidade. Esse tipo de ação pode ser tomada antes que ocorra qualquer caso de doença entre os trabalhadores.
Assim, podem-se elencar todos os agentes prováveis em cada local de trabalho a partir das características e condições ambientais deste local. Nesses casos, a informação sobre a identidade dos agentes está sendo usada, porém apenas de forma indireta, já que a quantidade de informação disponível sobre os agentes permite essa extrapolação.
Em um nível seguinte somam-se os dados obtidos de investigações de casos às informações já disponíveis. Assim, ao se constatar a ocorrência de uma doença causada por um agente biológico, busca-se identificar qual é por meio dos sinais e sintomas e outras informações úteis. Ou seja, o objetivo é obter o diagnóstico da doença.
A identificação preliminar ou presuntiva de cada agente envolvido também é muito útil para esse diagnóstico, sendo mais simples e mais rápida de executar que uma identificação completa. Para a identificação presuntiva são necessários conhecimento e cuidados para identificar e isolar as espécies relevantes, distinguindo-as da microbiota normal. Um outro ensaio muito importante é o antibiograma, que permite verificar a quais antiobióticos o microrganismo é mais suscetível, informação muito importante para a definição de um tratamento. 
O próximo nível de informação agrega também a identificação completa de um microrganismo, por vezes incluindo até a determinação da cepa. Identificar e caracterizar bem o microrganismo envolvido é recomendável e desejável em situações de surtos, quando deve ser realizada uma investigação epidemiológica com o objetivo primordial de estabelecer a velocidade, a forma e a origem da transmissão. A identificação dos microrganismos suspeitos, pelo menos no nível de espécie, contribui para a caracterização da transmissão e esclarecimento do surto. Ainda mais importante, a identificação incompleta ou incorreta pode obscurecer problemas reais e tornar impossíveis investigações epidemiológicas retrospectivas.
A tabela apresenta a classificação dos agentes conforme o risco estimado. Os critérios para definir as classes de risco são: a gravidade da doença, a capacidade de disseminação do agente e a existência de tratamento ou profilaxia eficazes. Outros aspectos incluem a estabilidade do agente, sua endemicidade, modo ou via de transmissão, as perdas econômicas relacionadas, sua capacidade de se estabelecer e de se manter em uma população. Além disso, em uma coluna à parte há observações sobre possíveis efeitos tóxicos, alergênicos e carcinogênicos.
Em essência, a tabela indica por que avaliar os riscos biológicos. É uma forma simples de categorização dos riscos, devendo ser utilizada como apoio para a avaliação dos riscos biológicos. Comparada com as avaliações epidemiológicas e quantitativas do risco biológico, esta abordagem não busca determinar os níveis de doença associados a cada ocorrência de um dado agente. Assim, não há discrepância entre as conclusões e a realidade. Outra vantagem desta abordagem é que as soluções para minimizar os riscos serão categorizadas automaticamente, dirigindo as ações preventivas