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DESIGN THINKING Michael Peixoto de Brito Matrícula: 201512640131 RESUMO A resolução de problemas de forma tradicional geralmente é metódica e quase científica. Identifique um problema, defina as etapas a serem seguidas e as ferramentas a serem usadas para chegar a uma solução, depois atenha-se ao plano e espere pelo resultado desejado. É simples, mas nem sempre flexível, inovador ou eficaz. E se o problema identificado não for a verdadeira fonte do problema? E se as etapas não levarem à solução correta? Quem são as pessoas envolvidas no problema? Em vez de começar com um problema, o Design Thinking começa com a observação. Partirei dos conceitos básicos do Design Thinking, passando por suas etapas, métodos, e exemplos de casos, para que assim, possamos compreender um pouco mais sua importância nos dias de hoje. INTRODUÇÃO O design é um processo iterativo, e o Design Thinking, o modo como o design é pensado, está presente em cada etapa da jornada que começa com o briefing do cliente e termina com o trabalho pronto. Várias são as soluções possíveis para um determinado briefing, e elas podem se diferenciar umas das outras em termos de criatividade, viabilidade e orçamento. “Não dá para pegar o design com as mãos. Ele não é uma coisa. É um processo. Um sistema. Um modo de pensar.” -Bob Gill, Graphic Design as a Second Language. Design Thinking é um processo onde buscamos entender o usuário, o desafio, e redefinir problemas na tentativa de indentificar estratégias alternativas e soluções que podem não ter sido claras no primeiro nível de entendimento do problema. Ao mesmo tempo, Desgin Thinking promove uma solução básica para solucionar os problemas. É uma maneira de pensar e trabalhar uma série de métodos práticos. Design Thinking tem um grande interesse em desenvolver um entendimento da pessoa pra quem está sendo criado o produto ou serviço. Isso nos ajuda a observar e desenvolver empatia com os usuários. Design Thinking ajuda no processo de questionamento: questionando o problema, questionando as premissas, e questionando as implicações. É extremamente eficaz em encontrar problemas que ainda não estão completamento definidos, redefinindo o problema, criando ideias em sessões de brainstorm e adotando testes de campo nos protótipos. DESENVOLVIMENTO A noção de design como uma “forma de pensar” tem sua origem traçada a partir de 1969, nas ciências, no livro The Science of the Artificial, de Herbert A. Simon e mais especificamente na engenharia, à partir de 1973 , com Experiences in Visual Thinking, de Robert McKim. Rolf Faste, professor de Stanford, definiu e popularizou o conceito de “design thinking” como uma forma de ação criativa e foi adaptada a administração por David M. Kelley, colega de Faste em Stanford e fundador da IDEO, empresa de consultoria de design de produtos americana, que apesar de não ter inventado o termo, foi uma das primeiras formadoras de opinião sobre o tema. Atualmente, existe um grande interesse em design thinking e design cognitivo, tanto no mundo acadêmico como no mundo dos negócios, com uma demanda crescente por palestras e simpósios sobre o tema. As vezes, a melhor maneira de entender algo subjetivo e intangivel, como Design Thinking, é entendendo o que não é Design Thinking. Seres humanos desenvolvem naturalmente padrões de pensar em várias atividades e tem acessos comuns a informações. Isso faz com que apliquem as mesmas ações e pensem da mesma forma ou similar em várias situações, prevenindo o aprendizado de novas maneiras de entender, enxergar e resolver os problemas. Esses padrões de pensar podem ser referidos como esquemas, que são organizados como informações e relações entre coisas, ações e pensamentos que são simulados e iniciados na mente humana ao se deparar com algo que estimule o surgimento desses esquemas. Um único esquema pode conter várias informações. Por exemplo, temos um esquema para cachorros que predefine a presença de quatro patas, pelo, dentes afiados, calda, e um número de outras características perceptíveis. Quando a estimulação combina com o esquema, o mesmo padrão de pensamento surge na mente. Como esses esquemas são produzidos automaticamente, isso pode obstruir uma impressão mais cabível da situação ou prevenir a gente de ver o problema de uma maneira que vai permitir uma nova estratégia de solução. Maneiras inovadoras de resolver problemas também são conhecidas como “pensar fora da caixa”. Pensar fora da caixa pode gerar uma solução inovadora para um problema, porém, pode ser um desafio muito grande já que nós naturalmente desenvolvemos padrões comuns de pensamento. No centro do Design Thinking está a intenção de aprimorar produtos e serviços, analisando e entendendo como os usuários interagem com esses produtos e serviços. Também está o interesse e habilidade de fazer perguntas significantes e desafiar premissas. Um elemento do Design Thinking é de descartar premissas antigas ou já pensadas, para tornar possível questionar se elas são válidas ou não. Uma vez questionadas e investigadas as condições de um problema, o processo de gerar soluções vai ajudar a produzir ideias que refletem de fato as faces desse problema. Design Thinking oferece meios de ir mais fundo, fazer o tipo correto de pesquisa, testar os protótipos, os produtos e serviços. Designers usam o problema inicial como uma sugestão, não como problema final. Se recusam a tentação de ir imediatamente para a solução do problema inicial. Eles não tentam pesquisar uma solução até determinarem o problema real, e mesmo quando determinam, em vez de solucionar esse problema, param para considerar o grande leque de potenciais soluções. O processo de design geralmente envolve diferentes grupos de pessoas em diferentes especialidades; por esta razão, desenvolver, categorizar e organizar ideias para solucionar problemas pode ser difícil. Um jeito de manter o projeto aprumado e organizado, é usando métodos de Design Thinking. “Design Thinking entra nas capacidades que todos nós temos, mas que são deixadas para trás por práticas mais convencionais nas soluções de problemas. Não é apenas centrado nos seres humanos; é profundamente concreto e abstrato por si só. Design Thinking confia em nossa habilidade de ser intuitivo, de reconhecer padrões, de nos expressarmos em mídia em vez de palavras ou símbolos. Ninguém quer liderar um negócio baseado em sentimento, intuição e inspiração, preferem o racional, porém, pode ser tão perigoso quanto. A abordagem integrada no centro do processo de design sugere um “terceiro caminho”. -Tim Brown, Change by Dedsign, Introduction. ETAPAS DO PENSAMENTO Design é um processo que transforma o problema e o briefing em uma solução. Design Thinking envolve experimentar: rascunhos, protótipos, testes e conceitos diferentes. Hoje em dia existem muitas variações do processo de Design Thinking, e eles tem entre três a sete fases, estágios ou modos. Entretanto, todas as variações são parecidas pois compartilham do mesmo princípio. RESOLVENDO PROBLEMAS COM DESIGN THINKING 1 - CONHEÇA A FUNDO O PROBLEMA Imagine que em sua cidade não há atrativos turísticos, mas há alternativas que possam atrair possíveis turistas. Há muitas artesãs, a gastronomia é rica e fatos históricos aconteceram na cidade. Afinal, como atrair mais turistas e destinar a receita do turismo para melhorias na cidade, educação e saúde? Comece se aprofundando no problema, pesquise ao máximo reunindo informações sobre as atividades que são desenvolvidas na cidade, as pessoas relacionadas e o contexto em que elas as realizam. É importante também observar as interações que existem entre indivíduos. 2 - ENTENDA O SEU PÚBLICO Todo problema possui um contexto único definido pelas pessoas. No pensamento de design,a empatia envolve a compreensão das crenças, valores e necessidades do seu público-alvo. Envolve observar, ouvir e entender seu público. O envolvimento, interagindo com seu público, usuários ou clientes. Ir a campo, interagir, se envolver com as pessoas conhecendo-as, seus hábitos, suas habilidades, é um caminho muito assertivo. 3 - DEFINIR: ESTABELECER UM PONTO DE VISTA É hora de processar o que você aprendeu com seu público; compilá-lo em insights, conexões. O que todas as informações que você coletou têm em comum e o que elas dizem sobre seu público e o que elas precisam? Defina o desafio que você está enfrentando e avance para soluções. No Design Thinking, esse processo é descrito como o estabelecimento de um ponto de vista (POV): um resumo com os insights que você aprendeu sobre seu público e suas necessidades. A solução que você eventualmente encontrar será informada por este POV. 4 - IDEAÇÃO: CONCENTRE-SE EM POSSÍVEIS SOLUÇÕES A etapa ideação é a oportunidade de reunir todas as ideias. As boas ou as ruins. É um brainstorming. Aqui, não é o momento ainda de encontrar uma solução “perfeita”, mas sim criar tantas possibilidades quanto você puder. É o momento colaborativo e participativo. 5 - ANALISE AS IDEIAS Após várias ideias do processo anterior, é hora de organiza-las por grupos. Grupos de ideias com características em comum. Agora, selecione as melhores ideias e teste- as. É importante ficar atento quanto à realidade do problema — que pode ser, por exemplo, de recursos financeiros reduzidos. Por isso, é fundamental pensar em soluções que não tenham um custo muito alto e que sejam de fácil implementação. 6 - PROTÓTIPO: EXPERIMENTE VÁRIAS SOLUÇÕES O protótipo pode ser qualquer coisa, desde uma parede de notas post-it ou um storyboard até um item físico / digital ou uma atividade interativa. O processo de construção de um protótipo provavelmente ajudará a esclarecer ainda mais o problema e oferecerá novos insights ou novas soluções sobre as quais você não havia pensado antes. Na preparação para o estágio final de testes, é útil se os protótipos puderem ser observados ou experimentados pelo seu público ou usuário com o objetivo de solicitar feedback. 7 - TESTE: ENCONTRE A MELHOR SOLUÇÃO PARA SEU PÚBLICO O teste ajuda você a saber mais sobre suas possíveis soluções e mais sobre seu público. Dependendo de como o teste é realizado, ele pode levar de volta a qualquer um dos estágios anteriores: você pode descobrir que não definiu o problema corretamente ou não conseguiu entender se seu público-alvo precisa voltar à estaca zero. Como durante o estágio Empatia, observar e / ou ouvir seu público é fundamental aqui. Em vez de explicar o protótipo, permita que os usuários o experimentem por conta própria. Observar essa interação ajudará a revelar insights importantes sobre quais aspectos do protótipo estão ou não funcionando. Em seguida, incentive-os a fazer perguntas e dar seus comentários sobre a experiência. CASES DE SUCESSO 1 – NETFLIX Um dos maiores desafios da Netflix é a personalização . O comportamento dos usuá rios evolui ao longo de um período de tempo e suas necessidades crescem. Há milhares de algoritmos complexos para que tudo funcione de maneira eficiente. Por isso, é extremamente imperativo que a Netflix entenda as porcas e parafusos para fazer a manivela da máquina funcionar. Assim, uma maneira inovadora que a Netflix viu para garantir que o conteúdo permanecesse personalizado é trabalhar com padrões de comportamento de usuários existentes para nortear sua estratégia de aquisição de conteúdos, lançamentos. Dessa forma, filmes, seriados, documentários etc. são lançados somente após análi se e compatibilidade com o que as pessoas querem, pesquisam na plataforma. 2 – NATURA A Natura, empresa referência no mercado de cosméticos mundial, presente na América Latina e França, utilizou o Design Thinking para desenvolver novas ofertas de produtos e serviços, leves e divertidos, que ampliasse o relacionamento com o jovem consumidor da marca. A Livework Brasil, projetou junto com a equipe da Natura soluções que ocupam espaços relevantes no dia a dia do consumidor da marca. Foram diversas sessões de co-criação onde participantes tiveram a chance de redefinir sua relação com a marca e criar para dentro de seu universo. E, com isso, surgiram insights valiosos que funcionaram como trampolins para a criação de soluções diferenciadas e relevantes. 3 – VOLKSWAGEN O Quicas, um clube de carros compartilhados que atende uma grande variedade das necessidades dos clientes da Europa, incluindo as de estudantes, empresas comerciais e famílias, oferece o “Quicar Plus” e uma opção “Família”. Eles oferecem às pessoas a liberdade de utilizações mais longas e acessos compartilhados. Ao prestar um serviço unicamente confiável e conveniente, a Quicar tem conseguido levar um modelo emergente para a frente e criar, ao mesmo tempo, um novo mercado para Volkswagen. Para criar o Quicar, o Design Thinking foi essencial no processo. 4 – GE HEALTHCARE O designer Doug Dietz, da GE Healthcare, construiu uma máquina de ressonância magnética que o levou a ser indicado a um prêmio de design. Com a repercussão, ele decidiu ir a um hospital para ver a utilização do produto e, ao chegar lá, encontrou crianças aterrorizadas com o uso daquela máquina. Em nenhum momento, Doug havia pensado na experiência dos usuários, nem em seus sentimentos. Ao perguntar para enfermeira, ele obteve a seguinte informação: 80% das crianças deveriam ser sedadas para realização do exame e outras muitas precisavam ter o exame remarcado. Ele voltou para casa para tentar criar um produto melhor. Realizou com as técnicas do Design Thinking uma atividade de imersão feita com a participação de um grupo de pessoas para gerar alternativas viáveis e exequíveis para deixar o produto menos aterrorizante. Depois da experiência, Doug percebeu que poderia criar algo novo. O primeiro passo foi frequentara locais com crianças para entende-las e, depois, criar um ambiente agradável para elas. O resultado foi surpreendente: as crianças perderam o medo da máquina e a experiência se tornou divertida e nada aterrorizante. 5 – AIRBNB O AirBnB é uma plataforma que réune todos os tipos de acomodações e permite que as pessoas listem, descubram e aluguem temporariamente suas propriedades. São mais de 33 mil cidades e 192 países. A base de usuários do AirBnB é bastante diversificada. Às vezes surge a situação de que um pedido não corresponde ao estilo de vida do anfitrião ou as expectativas de como um “hóspede adequado” deve comportar-se. Mas há um problema frequente: quem aluga frequentemente rejeita quem quer alugar por não corresponder ao perfil "adequado" que se espera. Muitos nem respondem aos pedidos de aluguel. Com isso, a experiência do usuário é muito prejudicada. E a AirBnB muitas vezes precisa executar um modelo de plataforma multilateral, ou seja, que implica a mediação e a facilitação das relações de quem aluga com quem quer alugar. E precisa encontrar formas de resolver ou evitar tais conflitos, por exemplo. E eles estão usando o Design Thinking para aproximar quem aluga de quem quer alugar por meio da correspondência adequada de determinados perfis. Eles entenderam porque as pessoas rejeitam certos usuários, quais são as razões que ainda não foram entendidas e como elas podem ser abordadas. Criaram a iniciativa "Why Hosts Reject", resultante e ainda em curso para proporcionar a melhor experiência possível para o usuário. Eles utilizaram todas as etapas do Design Thinking, colheram muitos insights, realizaram mais de 100 pesquisas quantitativas (fechadas e abertas) com os anfitriões que recentemente disseram que “não”, utilizando insights de análises, bem como com entrevistas individuaisde acompanhamento com entrevistados selecionados. Encontraram uma série de problemas e razões frequentemente emocionais e logísticas. Surgiram que há informações insuficientes sobre o histórico do hóspede, mensagens estranhamente expressas com muitos erros de escrita, entre outras. Após a análise e síntese dos dados, a equipe finalizou com uma taxonomia em estrutura de árvore das razões pelas quais os anfitriões dizem não. Infelizmente, eles não divulgaram mais detalhes, mas agora com o próprio mapa de razões, a equipe está trabalhando com o método do Design Thinking para solucionar entendendo que algumas pessoas agem mais como gerentes da propriedade, enquanto outras estão mais preocupadas com as relações pessoais com o hóspede. De acordo com o AirBnB, o Design Thinking ajudou a formular as hipóteses, entender o problema, buscar soluções com boas ideias envolvendo toda a equipe. A equipe agora se concentra em situações em que problemas e personas estão envolvidos. 6 – METRÔ DE LONDRES O Metrô de Londres enfrentou um desafio enorme para transformar a sua cultura e práticas de trabalho. Era preciso realizar um programa massivo de mudança em relação ao atendimento ao seus clientes. Mais uma vez o Design Thinking entrou em ação: foi adotado o processo de design com quatro etapas: Analisar, Desenvolver Opções, Projetar & Testar e Pilotar & Validar. A cada etapa foram descobertos problemas e oportunidades que alimentaram o estágio seguinte. Foi criada dentro do Metrô de Londres uma equipe interna de atendimento ao cliente responsável por acompanhar e implementar as mudanças e, com isso, eles já venceram o prêmio de melhor equipe no “Rail Staff Award” de 2014. Por exemplo, a pergunta mais frequente na estação Covent Garden é sobre a localização da loja da Apple. É agora uma política do metrô ligar para a loja se um deficiente visual faz essa pergunta para que eles possam enviar alguém para acompanhá-lo até lá. 7 – SAMSUNG Antes de se tornar uma marca focada em design, a Samsung fabricava principalmente eletrônicos baratos e de imitação para outras empresas. Os produtos foram fabricados por engenheiros de acordo com os indicadores de preço e desempenho, e os projetistas só aderiram ao final do ciclo de vida da fabricação para tornar os produtos mais fáceis de usar. Com sede na Coréia do Sul, a equipe de design da Samsung percebeu que os empresários na Coreia e no Japão tinham o hábito de anotar notas ou agendas em cadernos de bolso. A observação levou ao "diário inteligente" completo com uma caneta: maior do que o smartphone existente da Samsung, menor do que o tablet e perfeito para escrever. A prototipagem e os testes foram seguidos, e os resultados levaram ao sucesso da série Galaxy Note ... e tudo começou com o processo de Design Thinking. 8 – PEPSICO Eles começaram a prestar atenção em como os consumidores interagiam com a marca e com a experiência geral do usuário. Por exemplo: entenderam como as mulheres gostam de lanchar e se preocupam com o quanto o produto pode manchar. A tomada de decisão foi estimulada com base em insights colhidos na etapa Empatia, do Design Thinking. A PepsiCo lançou uma nova linha de Doritos na China, que vem empilhada em uma bandeja e acondicionada em uma vasilha, em vez de em uma sacolinha. Quando uma mulher quer fazer um lanche, ela pode abrir a gaveta e comer da bandeja. Quando ela termina, ela pode empurrá-lo de volta. O chip também é menos barulhento para comer: as mulheres não querem que as pessoas as escutem. 9 – INTUIT A Intuit é uma empresa americana que cria soluções que simplificam a vida financeira de pequenas empresas, consumidores e profissionais das mais diversas áreas. Eles analisaram como eles poderiam usar o Design Thinking para desafiar a si mesmos e criar produtos e serviços maiores e melhores. Para começar, eles encorajaram um 'show and tell', onde eles pediram aos membros da equipe que trouxessem coisas que os inspiraram e falaram sobre os atributos específicos da 'coisa' que os impressiona. O departamento financeiro começou a avaliar a facilidade de um processo de compra e começou a explorar abordagens para simplificá-lo. O departamento de RH começou a analisar o processo de candidatura a uma vaga na empresa de forma holística. Com isso, se colocando no lugar do outro, muitos processos foram aprimorados. ADAPTANDO DESIGN THINKING AO DIA A DIA Agora que já se sabe um pouco sobre Design Thinking, suas etapas e casos de sucesso, devemos analisar qual o papel do Design Thinking e como ele pode ajudar no dia a dia. Os professores Bill Burnett e Dave Evans, da universidade de Stanford, há mais de uma década ministram o curso Designing Your Life. A partir dessa experiência, decidiram compartilhar para o mundo o cientificamente comprovado movimento Design para a Vida baseado no design thinking com o livro Designing for Life. Os professores adaptaram os estágios, métodos e etapas do Design Thinking para que todos possam usar no dia a dia. 1. CURIOSIDADE Quebre as regras. Coma algo novo. As melhores decisões são tomadas quando se tem várias opções, portanto, não se limite ao que é normal/confortável/mediano. A filosofia de quantidade em relação à qualidade das ideias é importante. A melhor solução nem sempre é óbvia. O inimigo da curiosidade é o julgamento. Bons designers e pensadores sabem que as melhores ideias vêm de lugares seguros, onde todos os pensamentos podem reverberar livremente. As ideias mais loucas podem não se tornar as vencedoras, mas, definitivamente sem elas, você não será capaz de partir do óbvio para algo realmente inovador. Desafio: Curiosidade é um convite para a exploração. Torne tudo uma grande brincadeira. Faça algo que nunca fez antes que o dia termine. Leia sobre histórias da sua vizinhança ou, melhor, pergunte sobre elas àquele tradicional comerciante da esquina. Aprenda mais sobre o seu hobby preferido. Curiosidade é contagiante. Espalhe-a. 2. ESTAR DISPOSTO A AGIR Agora que você explorou algumas das coisas sobre as quais tem curiosidade, comece a testá-las. Designers simplesmente não leem sobre possíveis soluções de design para um produto, eles as constroem e as prototipam. No movimento Design para a Vida, propomos a mesma coisa. O pensamento apenas leva você até certo ponto. Quando se está disposto a agir, você se torna comprometido em construir seu próprio caminho. O fracasso faz parte do design e constantemente leva a grandes resultados. A sua vida não é diferente. Cada protótipo é um passo na direção de uma vida mais feliz. Você pode prototipar a sua vida por meio de uma conversa, experiência ou brainstorm. Você pode gastar uma hora, um dia ou alguns meses em qualquer protótipo. Não há regras na criatividade a não ser continuar explorando. Desafio: Escreva três coisas que você deseja fazer, mas que ainda não encontrou tempo, habilidade ou dinheiro para realizar ainda. Não se preocupe em ter que dominar nada novo, apenas comece a explorar o que o seu desejo significa para você. Entreviste alguém que possua seu “emprego dos sonhos”, vá fazer uma aula de artes, assista a um show de improviso. Melhor ainda, convide a se juntar nessa jornada alguém que antes você teria vergonha ou medo. 3. REFORMULANDO Cada um de nós possuímos pensamentos obscuros que nos impedem de ganhar confiança. Essas são as nossas Crenças Disfuncionais. Nós conseguimos nos afastar desse tipo de pensamento reformulando-os. Reformular é como os designers destravam o pensamento. Quando você reformula um problema, tem-se certeza que se está trabalhando no problema certo. No Design para a Vida, são apresentados 12 conceitos-chave reformuladores que permitem a reflexão para que você possa avaliar seus viéses e se abrir para novas soluções. A não ser que o desafio seja algo fisicamente instransponível,a única coisa que pode te impedir de se tornar melhor é a sua mente. Fuja do modo de lamentação. Essa é a forma mais fácil de continuar nele. Construa seu próprio caminho até a solução. Não se preocupe em ter todas as respostas porque você começará a tê-las quando for prototipar. Desafio: Escreva de 2 a 3 pensamentos/ideias que você acredita que estejam limitando seu potencial. Pode ser: “não tenho dinheiro para tal coisa”, “não tenho tal habilidade para realizar tal tarefa”, etc. Amasse todos esses pensamentos e os jogue pela descarga. Eles podem ou não estar relacionados aos 12 conceitos para reformular sua vida apresentados no livro, mas de qualquer forma eles não lhe farão bem, razão pela qual você precisa se livrar deles. 4. CONSCIÊNCIA Design para a Vida é uma jornada. Parte do pensar como um designer e estar consciente do processo. O processo esse que é confuso, bobo, emocional e imprevisível. Você precisa se libertar do resultado final para estar aberto às soluções. Constantemente, não começamos algo porque não temos consciência de todo o processo. É normal. Lembre-se de estar disposto a agir. Veja novamente como você pode reformular suas crenças: Crença disfuncional: “Preciso descobrir de antemão qual seria a vida perfeita, fazer planos e então executá-los?” Sempre somos questionados sobre nossos “planos”. Francamente, eles não são do interesse de ninguém a não ser do seu. A sua comunidade, conhecida como time de designers (mais sobre isso abaixo), sabe que essa ideia de plano perfeito não existe. Reformule: “Existem ótimas possibilidades de vida (e de planos) para mim e posso escolher quais delas fazem sentido para o que eu quero ser amanhã”. Desafio: Escreva três coisas que você ainda gostaria de ser quando crescer e três coisas que você gostaria de mais ter na sua vida. Você se lembra do quanto acreditava como todas essas coisas seriam possíveis quando era criança? Elas continuam sendo possíveis mesmo você sendo adulto. Cada protótipo é um passo no processo de construir uma vida bem vivida e feliz. 5. COLABORAÇÃO RADICAL Os melhores designers sabem que criar valor a partir do design depende de extrema colaboração. Você não está (e não deveria estar) sozinho. Um artista pode criar uma obra de arte enclausurado em uma cabana na floresta, mas um designer não consegue criar a próxima mudança de comportamento estrutural e global sozinho. Muitas das melhores ideias virão de outras pessoas, basta você interagir com elas. Essencialmente, uma vida a partir do design, assim como o design como um todo, é um esporte coletivo. Crença Disfuncional: É a minha vida, preciso projetá-la por mim mesmo. Alguma vez a voz dentro da sua cabeça já lhe disse “você não é capaz de fazer isso” ou “você não poderia ser igual a eles”? Quando vemos as conquistas dos outros, temos a tendência a pensar que foi um feito solitário. Os humanos veem as ideias óbvias primeiro. A verdade é que essa pessoa não chegou lá sozinha, foi um processo, assim como será para você. Todos nós precisamos de ajuda. Aliás seria insalutar pensar de outra forma. Reformule: Você vive e projeta a sua vida em colaboração com outros. Quando mais cedo você criar um time de designers, isto é, pessoas que poderão ser seu suporte na vida, melhor. Engaje as pessoas que você ama e admira para trabalharem juntas com objetivo de melhorar individualmente a vida das pessoas, assim como a vida delas em comunidade. Essa é uma das diferenças fundamentais no modelo mental proposto pelo design thinking em relação a outras metodologias de “coaching” ou de estratégia. A comunidade. CARREIRA EM DESIGN THINKING A chave do trabalho de um Design Thinker é decodificar os anseios (conscientes e subconscientes) dos consumidores e responder à necessidades ainda não percebidas pelo mercado. Essas características se desdobram em curiosidade, empatia com o consumidor, capacidade de trabalhar em equipe e facilidade para lidar com as pressões do mundo corporativo. Mas o tipo de formação fica em segundo plano. Qualquer profissional pode atuar como Design Thinker, desde que reúna essas características citadas e outras fundamentais. Nesse meio o tipo de formação fica em segundo plano. O que conta é o perfil de cada profissional. Essas características se desdobram em curiosidade, empatia com o consumidor, capacidade de trabalhar em equipe e facilidade para lidar com as pressões do mundo corporativo. Na Love Mondays, Catho, Linkedin, no Vagas…portais de oportunidades já refletem: as empresas estão entendendo a importância do Design Thinking. Há oportunidades em áreas variadas que já exigindo essa habilidade com salários de R$ 5 a R$ 15 mil. Muitos profissionais e empresas já estão entendendo que o Design Thinking não é só para designers ou profissões relacionadas a áreas criativas. Muito pelo contrário, qualquer profissional das mais variadas áreas pode aprender e incorporar em suas atividades e, com isso, se valorizar no mercado. O Design Thinking desenvolve uma nova maturidade profissional e um modo de pensar diferenciado, por instigar a prática de muitas competências que hoje são fundamentais para que as organizações se mantenham relevantes. O mais impressionante é que muitos profissionais comentam que, após passar pelo processo, eles mudam a sua forma de pensar em todas as atividades e este desenvolvimento de competências tem sido o diferencial para estes profissionais. E estão conseguindo se reinventar na carreira. Quem se especializada em Design Thinking é responsável por mudar a forma como a empresa pode encarar tarefas valorizando quesitos como empatia, colaboração e experimentação, além de auxiliar na tomada de decisão, com margem baixa para o erro (embora faça parte do processo) e, portanto, mais assertividade em soluções inovadoras. Design Thinking é um mindset. Uma forma de olhar para os desafios, encarar os problemas, envolver as pessoas, propor soluções e testar sempre antes de implementar as coisas. Em uma sociedade que nos cobra respostas certas e rápidas, quando começamos a trabalhar com uma abordagem como essa, não só o nosso dia a dia muda, mas também a forma como nos relacionamos com as pessoas. Durante muito tempo as empresas e profissionais estavam atuando de uma forma míope, olhando só “de dentro pra fora”. Tentando otimizar processos internos, facilitar suas próprias vidas, tendo ideias que, para quem as teve, eram incríveis. Mas que na hora de colocar no mercado, ainda não estavam completas ou não resolviam o problema das pessoas. No começo, quando a abordagem foi resgatada, e envelopada com esse nome, só as empresas mais corajosas adotaram. O que fez com que hoje a gente possa ter vários cases de sucesso com a aplicação da abordagem e faz com que empresas mais conservadoras vejam o valor de se trabalhar dessa forma. Além de tudo isso, estamos em um momento muito mais colaborativo. As pessoas estão mais empoderadas, vendo que juntas têm mais força, conseguem chegar em melhores lugares, com transparência, colaboração e olhar para o ser humano. Tudo isso faz com que a abordagem do Design, que hoje é chamada de Design Thinking, esteja no espírito do nosso tempo e esteja tão em alta. Por todas essas evidência, movimentos e valores compartilhados que estão tão presentes nos dias de hoje. DIA A DIA DE UM PROFISSIONAL DE DESIGN THINKING O dia a dia de um profissional da área, consiste em se envolver com pessoas o tempo inteiro para que a colaboração seja aplicada e traga resultados muito melhores do que teriam se fossem pensados apenas por ele. Ao invés de sempre buscar ter as respostas prontas, devem tentar sempre fazer as perguntas certas para explorar todos os pontos, informações e possibilidades possíveis. Além disso, devem admitir que podem não ter a resposta certa de imediato e queinclusive não tenham a melhor solução, mas isso faz parte do processo. É de costume comum, se trabalhar com premissas e suposições, sempre tentando adivinhar se os usuários gostariam ou não do que irão propor. Como designers, quando isso acontece, o ponto principal é “Por que não perguntamos para eles?” e é tão simples quanto isso. Envolver as pessoas, do começo ao fim de um projeto ou solução de um problema. EMPRESAS QUE MAIS PROCURAM O PROFISSINAL DE DESIGN THINKING Acredita-se que o mercado vem amadurecendo e as empresas estão vendo mais o valor do Design para acelerar processos de absorção de conhecimentos, convergência de opiniões e ampliação de potencial criativo. E isso está fazendo com que empresas de outros segmentos busquem trabalhar com Design Thinking. Levantamentos recentes mostram que empresas financeiras, bancos e corretoras de valores, seguradoras, hospitais, escolas, entre outras, vem procurando cada vez mais esse tipo de serviço. O Design tem estimulado e agregado muito valor para pessoas e empresas que querem trabalhar com negócios novos. As startups são um super exemplo disso. Muitas delas nasceram com base na aplicação do processo de design, entendendo as pessoas com profundidade. Definindo um desafio de projeto, mapeando oportunidades, gerando ideias, testando e lançando iniciativas que estão mudando muito a forma como as pessoas se relacionam com empresas. Isso está deixando empresas enormes e com uma história de muitos e muitos anos bastante inseguras e ameaçadas por estarem entregando mais valor e mais relevância aos clientes. QUALQUER UM PODE ATUAR COMO DESIGN THINKER Sim, se você mergulha profundamente no entendimento das pessoas e dos contextos dos seus desafios e projetos, envolvendo diferentes perfis na hora de fazer pesquisas. Mapear caminhos, gerar ideias e realizar testes para melhorar entregas e validar pontos de vista. Estudar Design Thinking é sim muito importante para compreender de onde a abordagem veio, por que foi resgatada e por que é tão valorizada nos dias de hoje. DESIGN THINKING PARA CRIANÇAS Uma coisa é certa, a cada dia que passa e nos próximos anos irão surgir novos modelos de negócios e consequentemente a necessidade de novas profissões que irão demandar novas habilidades para as pessoas. E foi pensando nesse cenário que estamos vivendo, que o Museu de Design de Atlanta acaba de criar um novo curso para crianças da pré-escola ao ensino médio – um curso de Design Thinking. Apesar de já existirem diversos cursos voltados para crianças nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática, este será o primeiro que enfatiza a abordagem do Design Thinking, que foi desenvolvida para que se alcance a busca de soluções de problemas de forma coletiva e colaborativa. Segundo a diretora executiva do Museu de Design de Atlanta, Laura Fischer, a ideia do Museu é dar oportunidade às crianças de aprimorar suas habilidades em design enquanto elas aprendem outras tecnologias. Para o Museu, o Design é uma das ferramentas mais poderosas para enfrentarmos os grandes desafios que o século 21 está apresentando e que se as crianças começarem a pensar como designers, e com certeza elas poderão tornar o mundo um lugar melhor. Através deste curso a direção do Museu acredita que as crianças poderão também adquirir outras habilidades como aprender a desenvolver a empatia, trabalhar em colaboração, desenvolver o pensamento crítico, assumir riscos e tentar novamente quando as coisas não acontecem como elas esperam. CONCLUSÃO Design thinking é um processo aplicável a todas as esferas da vida. Para expandir isso, ele pode ser usado por todas as equipes de uma organização para resolver problemas complexos e encontrar soluções desejáveis. Resolver problemas, alcançar maior eficiência, atender melhor as necessidades das pessoas, focar no resultado final. A missão do Design Thinking é traduzir a observação em insights sobre produtos e serviços que melhorarão a vida e o dia a dia das pessoas. E o objetivo de melhorar vidas é um ponto importante para o processo de Design Thinking, já que encontrar soluções novas e criativas para os problemas de uma maneira que coloque as pessoas e suas necessidades em primeiro lugar, é sua principal característica. Com isto, conclui-se que o Design Thinking é uma maneira de pensar, que vem crescendo cada vez mais. Tanto como conceito profissional e coorporativo, quanto como maneira de pensar e agir no dia a dia das pessoas. REFERÊNCIAS 1 – Interaction Design Foundation www.interaction-design.org 2 – E-Book – Design Thinking – Como Resolver Problemas www.aprendeai.com 3 – Design Thinking – Ação ou Prática de pensar o design. Gavin Amborse e Paul Harris 4 – pt.wikipedia.org/wiki/Design_thinking 5 – www.udemy.com Design Thinking para crianças e jovens 6 – www.udemy.com Principles of Design Thinking.