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O Capítulo 6 de O homem que confundiu sua mulher com um chapéu - e outras histórias clínicas (Oliver Sacks), aborda a temática “membros fantasmas”. A introdução ao tema é feita com a definição de membro fantasma: “fantasma”, no sentido empregado pelos neurologistas, designa a imagem ou lembrança de uma parte perdida do corpo, normalmente um membro, que persiste durante meses ou anos depois da perda. Após a definição da condição, o autor parte para uma abordagem histórica, desde a antiguidade, onde se tinham questionamentos sobre fatores mentais, ou seja, questionava se os pacientes com membros “fantasmas” eram loucos, fazendo com que a síndrome fosse considera uma desordem mental. Posteriormente essa hipótese foi refutada, e se inseriram as hipóteses fisiológicas e emocionais, trazendo os tópicos de mapa sensorial e representação cortical para discussão. Para ilustrar a diversidade desta condição, o capítulo traz quatro casos clínicos, cada uma com sua particularidade. São os casos: Dedo fantasma: Retrata o caso de um marinheiro que acidentalmente teve o dedo indicador direito decepado. Depois disso, durante quase quarenta anos ele foi perseguido por um intruso fantasma do dedo, estendido rigidamente como estava na ocasião em que fora decepado. Membros fantasmas que desaparecem: Tópico onde o dr. Michael Kremer questiona o valor do membro fantasma para o paciente. “Tenho certeza de que nenhum amputado com um membro inferior mecânico consegue andar satisfatoriamente com este enquanto a imagem corporal, em outras palavras, o fantasma, não lhe for incorporada”. Fantasmas de posição: Relata o caso do Charles D., que foi encaminhado por suspeita de distúrbios labirínticos, pois apresentava vertigens, quedas e tropeções. Mas depois de uma avaliação mais criteriosa, concluiu-se que seu caso tratava-se de uma variação rápida de ilusões de posição em constante mudança. Fantasmas – vivos ou mortos?: Caso de um paciente amputado acima do joelho, que possuía um pé fantasma, com presença de dor fantasma e espasmos. Na literatura, a fisioterapia apresenta-se com técnicas para prevenção da síndrome e também com estratégia para o tratamento e diminuição dos sintomas, como a dor fantasma. Na prevenção, o fisioterapeuta trabalha com dessensibilização do coto e técnicas de cinesioterapia. Quando a síndrome já está instalada, o tratamento fisioterapêutico mais relatado é o uso da terapia do espelho. A terapia do espelho tem como objetivo fazer com que o paciente tenha seu quadro de dor fantasma e incômodo diminuídos, através da reorganização da representação cortical. A técnica consiste em divergir informações cerebrais. Uma vez que contrapõe o input visual (fornecido pelo espelho) com a falta de input sensorial (o membro amputado não recebe input, pois não existe.) Apesar de já descrita e documentada na literatura, cada indivíduo que desenvolve a Síndrome do membro fantasma pode manifestar sintomas diferentes. A grande pergunta que nos resta é “Como a condição de membro fantasma se consolida?”, será por meios intrinsecamente fisiológicos ou também têm influência de fatores emocionais e psicológicos?! Com a grande diversidade nos casos, é difícil de obter uma resposta concreta. Outras referências: BARREIROS, B. A.; VILLAS BOAS, P. J. F; DA SILVA, T. R. Guia de orientações ao paciente amputado. Programa de Residência multiprofissional - Saúde do adulto e do idoso. Faculdade de Medicina de Botucatu. 2019. Alessandra de Oliveira Demidoff, Fernanda Gallindo Pacheco e Alfred Sholl-Franco. Membro-fantasma: o que os olhos não vêem, o cérebro sente. Ciências & Cognição. v 12, p 234-239. 2007.