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Renopatias Cápsula de Bowman: Formado por quatro regiões distintas e tipos celulares do glomérulo: • Tecido visceral: formado pelos podócitos que são células responsáveis pela filtração e estão em íntimo contato com os capilares • Tecido parietal: formado pelas células de • Espaço de filtração: também chamado de espaço de Bowman que é o local responsável pela circulação do filtrado glomerular • Tecido de sustentação: células mesangiais responsáveis pela sustentação e fagocitose de patógenos A mácula densa é a parte achadura na qual observamos várias células achatadas numa região tubular, que seria o túbulo distal na parte externa da cápsula de Bowman. Logo, essa mácula densa é o local de encontro do túbulo distal com o glomérulo renal. Essas células da mácula densa estimula as células justaglomerulares, que são um conjunto especial de células das arteríolas aferentes que sintetizam Renina. O túbulo contorcido proximal podemos observar a borda em escova nas células, além de um lúmen com uma parte mais escovada na histologia e um citoplasma mais róseo devido ao alto metabolismo. O túbulo contorcido distal só é percebido com a mácula densa e com o citoplasma mais pálido. Síndrome Nefrótica Há um desarranjo nas paredes dos capilares glomerulares que resulta em aumento da permeabilidade às proteínas plasmáticas, gerando proteinúria maciça que resulta em: hipoalbuminemia, edema proeminente, hiperlipídemia. As causas mais comuns são doenças autoimunes e algumas lesões glomerulares primárias. A proteinúria pode ser seletiva, quando há alguma alteração das cargas iônicas no sangue que geram um aumento do efluxo de albumina do sangue para o espaço de Bowman, ou não seletiva, quando há a passagem de proteínas relacionadas ao tamanho por lesão do podócito, mas com mais efluxo de proteínas gerais e não somente da albumina. Síndrome Nefrítica Quando há proliferação das células que compõe o glomérulo e há presença de infiltrado inflamatório por algo que gerou essa lesão na parede dos capilares, oligúrias, hematúria, azotemia (retenção de compostos nitrogenados) e hipertensão com retenção de líquidos, pouco edema e pouca proteinúria, com hemácia dismórfica e cilindro hemático na urina, podendo ter piúria, que é a saída de leucócitos na urina. Há então necessariamente um ativo que lesiona o rim com diminuição da taxa de filtração glomerular, tendo ativação da mácula densa, com ativação das células justaglomerulares e produção de renina, o que gera essa compensação com o aumento da retenção de líquidos. ** As causas relacionadas dessas síndromes são das glomerulonefrites. Glomerulonefrites 1. Formação de Imunocomplexos circulantes: São de ordem endógena, como de doenças autoimunes, e de ordem exógena como das infecções virais e o complexo antígeno-anticorpo circulante. Eles podem ser depositados em várias porções das células do glomérulo, sendo vistos em imunofluorescência. Os imunocomplexos depositados entre o podócito e a membrana basal é o tipo subepitelial, causando a glomerulonefrite difusa aguda. Ou seja, cada alocação e padrão do imunocomplexo está relacionado a uma doença diferente. *Podemos ter também imunocomplexos In Situ, que são antígenos que estão no próprio glomérulo, como na doença anti- membrana basal glomerular (AMBG), que é uma doença autoimune, ou que são formados somente lá no glomérulo. Para detecção, podemos usar a imunofluorescência, granular característico do circulante ou do in situ não-auto-imune, e o padrão linear é o da AMBG (imagem abaixo) já que fica um anticorpo ao lado do outro e gera esse padrão linear. 2. Doença da Lesão Mínima: É a causa mais comum de síndrome nefrótica na infância, que é uma lesão no podócito que gera uma proteinúria seletiva, com perda de albumina, função renal preservada e com bom prognóstico. A patogenia é desconhecida só se sabe que isso gera uma lesão no podócito, que ocasiona a disfunção imunitária com liberação de citocinas e isso possibilita a produção de citocinas, processo inflamatório e aumento da permeabilidade, com fusão dos podócitos (dos pedicelos que são os pés) e a hipoalbunemia. 3. Glomerulonefrite membrano-proliferativa: Pode ser do tipo I, quando há formação dos imunocomplexos e seu depósito subendotelial, sendo gerado por doenças como hepatites B e C, ou do tipo II, quando ocorre ativação excessiva do sistema complemento (como por mutação nos genes que sintetizam proteínas que regulam o sistema complemento, no gene H por exemplo, ou por ação de anticorpos anti-C3 convertase, ou consumo excessivo de C3) com depósito desses imunocomplexos dentro da membrana basal. É mais comum causar síndrome nefrótica, com casos de hematúria. É uma doença proliferativa, com hipercelularidade, principalmente por causa das células mesangiais, mais fácil de observar os padrões em folha de trevo e a pressão no capilar por espessamento da membrana basal dos capilres, devido à deposição dos imunocomplexos. Grande parte dos pacientes do tipo I evoluem pra perca da função renal, e a maioria do tipo II evoluem pra falência renal e necessitam de transplante. Distinguem-se os tipos com imunofluorescência. 4. Glomerulonefrite difusa aguda: Associada principalmente por estreptococos beta-hemolítico do tipo A, mas também por outros microrganismos. Também são por deposição de imunocomplexos contra esses patógenos, que normalmente se mostram pós-recuperação estreptocócica de uma faringotonsilite, com acúmulo na região subepitelial desses imunocomplexos (humps), o que gera esse espessamento da membrana basal e até da célula mesangial, o que chamamos de proliferação endocapilar, estreitamento o espaço de Bowman e tecido inflamatório local. A maioria dos pacientes apresentam síndrome nefrítica, com oligúria hematúria e febre. 5. Síndrome Nefrítica por IgA: É a causa mais comum no mundo de hematúria e inflamação no glomérulo, sendo que elas ocorrem pós-infecção no trato respiratório superior, com hematúria recorrente a cada uns 3 meses, que pode gerar lesão renal progressiva. O que acontece é a deposição no mesângio de IgA, que pode ocorrer por uma hiperprodução dessa imunoglobulina ou ativação excessiva do complemento no local, ou seja, de maneira geral, são indivíduos com suscetibilidade genética e que ficam super sensíveis após uma infecção. Observamos em pacientes com púrpura de Henoch-Schonlein que é uma doença sistêmica. 6. Glomerulonefrite rapidamente progressiva: De causa difusa, onde temos ruptura da alça dos capilares glomerulares, no qual ocasiona passagem de fibrina para o espaço de Bowman, estimulando a hipercelularidade da parede parietal da cápsula de Bowman, que é a chamada crescente (conjunto de células inflamatórias mono e multinucleados e epitélio proliferado). Com isso, o paciente apresenta síndrome nefrítica. Pode ser ocasionada por várias glomerulonefrites. O que acontece clinicamente é a passagem da síndrome nefrítica com progressão rápida à IRA grave. **Vemos na imagem a crescente, que é um tecido inflamatório aderido ao tecido renal basal que ocupa o espaço de Bowman e, assim, comprime o glomérulo, gerando a perda da função renal. 7. Doença anti-membrana basal glomerular (anti- MBG): É a produção de anticorpos direcionados, normalmente ocasionado por uma reação entre o colágeno da membrana basal, que tem um domínio específico não-colagenoso do colágeno do tipo IV, sendo que ele pode ser visto como um antígeno, iniciando-se a produção de anticorpos contra esse domínio, ligando-se na membrana basal e desencadeante do processo inflamatório. Na maioria dos casos, ocorre a ruptura da alça capilar e pode haver também a formação de crescentes. 8. Glomerulonefrite membranosa: Forma crônica de glomerulopatia por formação de imunocomplexos entre os antígenosdos podócitos e os anticorpos locais, causando dano nos capilares e, assim, espessamento da membrana basal como um todo. Opticamente observamos como um espessamento dos capilares anexos. Pouco processo inflamatório e Sd. Nefrótica. 9. Esclerose: Aumento da matriz extracelular com obliteração dos lúmens dos capilares com aderência ao folheto parietal da cápsula de Bowman, sendo ocasionado por várias doenças, como pela glomerulonefrite membranoproliferativa e também nefropatia diabética (toda região glomerular afetada) . 10. Hialinose: Acúmulo de material hialino e róseo que é um conjunto proteico, sendo visto em várias doenças, como na glomerulosclerose segmentar focal, onde vemos esclerose e hialinose de ditribuição em alguns glomérulos e em somente um segmento deste, daí o nome. *Vemos aderência de células à membrana parietal (esclerose) e regiões de hialinização, que são massas róseas Nefrite Túbulointersticial É a inflamação da pelve e do trato urinário inferior normalmente por infecção bacteriana, ou por outras ordens como uso de drogas, reações imunes e algumas desordens metabólicas. E é vista como 1.Pielonefrite aguda Inflamação supurativa comum do rim e da pelve renal, sendo que é causada em sua maioria pela E.coli infectando o trato urinário superior, ou até o inferior, por manipulação de cateteres urinários ou pela proximidade da uretra feminina com o ânus. As fases da infecção são: colonização bacteriana na uretra, cistite, junção vesicoureteral incompetente e, por fim, refluxo vesicoureteral. Na macroscopia vemos um rim cheio de abscessos e focos purulentos locais no córtex renal. Na histologia vemos locais de foco neutrofílico e necrose liquefativa (por infecção bacteriana). Nos túbulos temos material leucocitário. 2.Pielonefrite Crônica Pode ser por obstrução crônica ou uma pielonefrite aguda mal tratada com refluxo intrarrenal e vesicouretral, gerando fibrose, inflamação crônica e cicatrizes nos rins. Na microscopia podemos observar fibrose irregular, dilatação dos túbulos com cilindros coloidais, arterioesclerose e glomeruloesclerose (com adesão das células ao adjacente), hialinização e atrofia do parênquima renal. Lesão Tubular Aguda Doença associada que gera diminuição da TFG, o que diminui o aporte de oxigênio e nutriente para as células tubulares. Ela pode ser de duas origens: 1. LTA Isquêmica: Em crises hemolíticas, como em anemias e transfusões incompatíveis, podemos ter essa reação com redução do fluxo sanguíneo acentuado e hemólise intravascular. 2. LTA Tóxica: Ocasionada pela reação dos túbulos para com reativos exógenos, como nefrotoxinas, inseticidas, solventes orgânicos, o que ocasiona uma vasoconstricção local intensa e leva à diminuição da TFG. Em ambas as causas, temos alteração no sistema renina- angiotensina-aldosterona, o que gera constricção, células necróticas dos túbulos, formação de cilindros pigmentados (que são constituintes proteicos de Tamm-Horsfall, um tipo proteico secretado pela célula tubular normalmente, além do cilindro poder ter hemoglobina, mioglobina e outra proteínas), cristais de oxalato de cálcio ( aparência de fatia de abacaxi na lâmina). Como manifestação clínica temos oligúria, uremia, sinais de sobrecarga do fluxo renal, acidose sanguínea. Litíase É a formação de cálculos no sistema urinário e que também pode ser chamado de urolitíase. A maioria dos cálculos renais são de oxalato de cálcio e a minoria são de fosfato, amônia e ácido úrico. As causas ainda estão em estudo, mas as condições predisponentes são aumento da concentração de soluto, obstrução do caminho urinário e outros, mas desses, o que mais é observado é a supersaturação do componente no filtrado glomerular. Mais de metade dos pacientes que desenvolvem cálculos de cálcio têm hipercalciúria não associado à hipercalcemia, como por uma hiperabsorção de cálcio no intestino e prontamente hiperexcreção na urina, ou também por aumento da reabsorção tubular de cálcio. Na maioria dos pacientes com cálculos de cálcio, a maioria é de oxalato de cálcio, sendo que é recorrente em pacientes com hiperparatireoidismo, formação por nucleação nos túbulos coletores. Cálculos de estruvita (fosfato, amônio, magnésio): Em pessoas com a urina de pH alto, como por infecção bacteriana secundária, ou também por avitaminose A, que gera descamação do epitélio tubular e aumento da litíase. Se o cálculo tiver a aparência de um coral temos um cálculo coraliforme, associada à infecção bacteriana pela Proteus (são cálculos maiores e mais obstrutivos). Em pessoas com urina ácida, leucemia e gota, podemos ter cálculos de ácido úrico e, além disso, em pessoas com algumas alterações proteicas, podemos ter cálculos de proteína cistina, que também é associada à urina ácida.