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14- DOENÇA DIVERTICULAR

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1 
 
NEMOEL ARAUJO NUTRIÇÃO CLINÍCA 
DOENÇA DIVERTICULAR 
DOENÇA DIVERTICULAR: 
Diverticulose  situação de herniações saculares da 
parede do cólon, que se acredita resultar de constipação 
prolongada e aumento das pressões no cólon 
Mais comum no cólon sigmoide 
Maioria dos indivíduos  assintomática 
15 a 20%  cólicas 5%  diverticulite 
ETIOLOGIA: 
Elevação da pressão dentro do intestino grosso e enfra-
quecimento da musculatura do órgão 
 
 
 
SINTOMAS: 
Assintomática 
Dor abdominal localizada que é aliviada com a evacuação 
Constipação 
 
TRATAMENTO CLÍNICO E CIRÚRGICO: 
Diverticulite  antibióticos, dieta modificada ou repouso 
intestinal 
Inflamação, formação de abscesso, perfuração aguda, 
sangramento agudo, obstrução e sepse 
Cirurgia 
 
TRATAMENTO NUTRICIONAL: 
Diverticulose 
fibras  fezes macias e volumosas  eliminadas + rapi-
damente  menos esforços com a defecação  pressões 
intracolônicas menores 
Ingestão de fibras (25 a 38g/dia) aumentada gradual-
mente  pode causar inchaço ou gases 
 Líquidos (2 a 3L/dia) 
Diverticulite 
Dieta de  resíduo, elementar (dieta oligomérica) ou NPT 
 retorno gradual p/ dieta  fibra 
Refeições  gordura  contrações colônicas da muscula-
tura lisa  desconforto 
Dietas  teor de gordura inicialmente 
 
 
DIVERTICULOSE- FASE NÃO INFLAMADA – HERNIA-
ÇÃO NO INTESTINO RELACIONADA A CONSTIPA-
ÇÃO – DIETA LAXANTE – NESSA FASE SE TEM A 
BOLSA COM FEZES 
DIVERTICULITE FASE INFLAMADA- DIETA DE BAIXO 
RESIDUO – OU PODE SER NECESSÁRIO UTILIZAR 
TERAPIA NUTRICIONAL PARA DESCANSO 
 
IDOSO TEM TENDÊNCIA DEVIDO A FRAGILIDADE DA 
MUSCULATURA[PODE SER PRO PREDISPOSIÇÃO 
GENÉTICA 
PACIENTE RENAL PODE DESENVOLVER 
DIETA POBRE EM FIBRAS 
 
 
 
2 
 
KRAUSE 14ª EDIÇÃO 
A doença diverticular é uma das condições clínicas mais 
comuns entre as sociedades industrializadas. A diverti-
culose caracteriza-se pela formação de excrescências 
em forma de bolsas ou bolsos (divertículos) no cólon, os 
quais se formam quando a mucosa e a submucosa colô-
nicas herniam através de áreas enfraquecidas no mús-
culo. A prevalência de diverticulose é difícil de determinar, 
já que a maioria dos indivíduos permanece assintomática. 
Esta condição se torna mais comum à medida que as pes-
soas envelhecem, sobretudo naquelas com mais de 50 
anos (Peery et al., 2012). Diverticulite é uma complica-
ção da diverticulose que indica inflamação de um ou mais 
divertículos. Na maioria das vezes, representa uma reati-
vação da diverticulose; depois que se reduz em um perí-
odo de remissão, reverte ao estado de diverticulose. Nas 
populações ocidentais, a diverticulose é encontrada mais 
frequentemente no lado esquerdo, tipicamente no cólon 
sigmoide; isso contrasta com o envolvimento colônico di-
reito encontrado nas populações da África e Ásia (Fein-
gold e Whelan, 2008). 
Etiologia 
A causa da diverticulose ainda não foi claramente eluci-
dada. Estudos epidemiológicos têm implicado dietas po-
bres em fibras no desenvolvimento da doença diverticular. 
As dietas pobres em fibras reduzem o volume das fezes, 
predispondo os indivíduos à constipação e ao aumento 
das pressões intracolônicas, o que sugere que a diverticu-
lose ocorra em consequência de lesão do cólon induzida 
por pressão. No entanto, um estudo verificou que uma di-
eta pobre em fibras não se associava à diverticulose, e 
que uma dieta rica em fibras e evacuações mais frequen-
tes pode estar ligadas a aumento, e não diminuição, da 
chance de divertículos (Peery et al., 2012). Outros estu-
dos têm focalizado o papel da diminuição das concentra-
ções do neurotransmissor serotonina em causar diminui-
ção do relaxamento e aumento dos espasmos da muscu-
latura do cólon. Estudos também verificaram ligações en-
tre a doença diverticular e a obesidade, insuficiência de 
vitamina D, falta de exercício, tabagismo e certos medica-
mentos, incluindo anti-inflamatórios não esteroidais, como 
a aspirina e esteroides (McGuire et al., 2015; Peery et al., 
2012). 
Fisiopatologia 
Os mecanismos fisiopatológicos em evolução na diverti-
culose e na diverticulite sugerem que inflamação crônica, 
alterações da microbiota colônica, transtorno da função 
sensoriomotora colônica e motilidade anormal do cólon 
têm provavelmente papéis inter-relacionados no desen-
volvimento da doença diverticular (Strate et al., 2012). As 
complicações da doença diverticular variam de indolor, 
sangramento leve e alteração do hábito intestinal à diver-
ticulite. A diverticulite aguda inclui um espectro de inflama-
ção, formação de abscesso, sangramento, obstrução, fís-
tula e sepse por perfuração (ruptura). 
Tratamento Clínico e Cirúrgico 
O tratamento inclui antibióticos e ajuste da ingestão oral 
conforme tolerado. Os pacientes com casos graves de di-
verticulite com dor aguda e complicações provavelmente 
precisarão de internação e tratamento com antibióticos in-
travenosos (IV) e alguns dias de repouso do intestino. A 
cirurgia fica reservada aos pacientes com episódios recor-
rentes de diverticulite e complicações quando houver 
pouca ou nenhuma resposta à medicação. O tratamento 
cirúrgico para diverticulite remove a parte doente do cólon, 
mais comumente o cólon descendente ou o sigmoide. 
Dietoterapia 
Historicamente, tem sido comum na prática clínica reco-
mendar evitar frutas oleaginosas, sementes, cascas, mi-
lho e pipoca para prevenir sintomas ou complicações da 
doença diverticular. No entanto, um estudo de 18 anos 
não encontrou associação entre consumo de frutas olea-
ginosas, de milho ou de pipoca e sangramento diverticular 
(Strate et al., 2008). De fato, demonstrou-se uma relação 
invertida entre o consumo de frutas oleaginosas e pipoca 
e o risco de diverticulite, sugerindo um efeito protetor. 
Durante um episódio agudo de diverticulite ou sangra-
mento diverticular, a ingestão oral geralmente é reduzida 
até que os sintomas diminuam. Eventos complicados po-
dem precisar de repouso do intestino e de suporte de nu-
trição parenteral (NP). Uma vez retomada a ingestão oral 
ou em casos leves a moderados, é prudente começar uma 
dieta pobre em fibras (10 a 15 g/dia) como a dieta a pro-
gredir, seguida por um retorno gradual a uma dieta rica 
em fibras. 
Embora não haja evidências convincentes de que uma di-
eta rica em fibras reverta a fisiopatologia da doença diver-
ticular, há razoáveis evidências de que esse tipo de dieta 
melhore os sintomas diverticulares (Tarleton e DiBaise, 
2011). Uma dieta rica em fibras combinada a uma hidra-
tação adequada promove fezes pastosas e volumosas 
que são eliminadas mais rapidamente e precisam de me-
nos esforço na defecação. As ingestões recomendadas 
de fibras dietéticas, preferivelmente de alimentos, são de 
25 g/dia para mulheres adultas e 38 g/dia para homens. 
A ingestão de fibras deve aumentar gradualmente porque 
pode causar distensão abdominal ou gases. Se um paci-
ente não puder ou não quiser consumir a quantidade ne-
cessária de fibras, suplementos de metilcelulose ou fibras 
de Psyllium podem ser utilizados com bons resultados. 
Uma dieta rica em fibras, possivelmente com suplementa-
ção de fibras, é preconizada na diverticulose assintomá-
tica para reduzir a probabilidade de progressão da do-
ença, impedir a recorrência de episódios de sintomas e 
prevenir diverticulite aguda. A ingestão adequada de líqui-
dos deve acompanhar o alto consumo de fibras. O papel 
em potencial da microbiota bacteriana alterada na infla-
mação diverticular sugere que combinar terapia com pro-
bióticos e outras terapias pode dar certo no tratamento 
deste transtorno (Maconi et al., 2013).

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