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ANATOMIA GLOMERULAR

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ANATOMIA GLOMERULAR
O metabolismo de carboidratos e lipídios gera energia e água, “sobrando” CO2, eliminado na respiração. O metabolismo de proteínas gera energia e “escórias nitrogenadas”, tóxicas residuais que possuem nitrogênio, se acumulam na falência renal, e precisam dos rins para serem eliminadas. 
Os rins possuem função de depuração/limpeza, metabólica, endócrina e participam do controle do equilíbrio hidroeletrolítico e ácido-básico.
CONCEITOS ANATÔMICOS BÁSICOS
O rim de um adulto tem diâmetro longitudinal de 11-12cm, ~ 150g.
Parênquima ou tecido renal propriamente dito: constituído por camada cortical externa e medular interna. Envolvido externamente pela cápsula renal, uma membrana de tecido conjuntivo. Ao redor dela, a fáscia de Gerota, gordura perirrenal. O hilo renal é a região central da borda côncava, por onde chegam os vasos e nervos que suprem os rins.
Camada cortical ou córtex renal: ~1cm, responsável pela depuração do sangue que chega aos rins, iniciando a formação do filtrado, precursor da urina.
Camada medular ou medula renal: formada por 10-18 Pirâmides de Malpighi, cujas:
Bases: fazem limite entre a zona cortical e a medular
Laterais: fazem contato com extensões de tecido cortical para a medula – colunas de Bertin
Vértices: fazem saliências, papilas renais, nos cálices, tendo 10-25 aberturas distais para passagem de urina formada. Cada papila se abre para um cálice menor.
O rim se divide em lobos, cada com uma pirâmide de Malpighi + tecido cortical adjacente. Todas as estruturas do néfron estão contidas nos lobos.
A urina começa a ser formada no córtex, caminha pela medula renal e passa através da papila renal caindo no sistema mielo calicial, onde a urina formada segue para uma rede de cavidades: cálices menores cálices maiores (confluência de 3 ou 4 cálices menores) pelve renal (de 2 ou 3 cálices maiores). 
Cálice menor (embaixo) com uma papila renal (seta). Nessa, as aberturas dos ductos de Bellini são por onde os túbulos coletores deságuam a urina no sistema calicial da papila, a urina cai no cálice menor 
· NÉFRON: Corpúsculo de Malpighi + Sistema Tubular
Unidade funcional microscópica dos rins. Responsável pela produção do filtrado glomerular nos corpúsculos de Malpighi e seu processamento no sistema tubular, principais da gênese da urina.
O rim possui ~0,5-6,4 milhões de néfrons: ~ 160 mil por cada lobo renal.
Zona medular: engloba alça de Henle e maior parte dos túbulos coletores
Zona cortical: corpúsculo de Malpighi, túbulos contorcidos proximal e distal, início do coletor
1. Corpúsculo de Malpighi
Tufo glomerular + Cápsula de Bowman
A artéria renal entra no parênquima pelo hilo renal e se ramifica em direção à periferia (córtex), onde o ramo arteríola aferente origina alças capilares glomerulares, que se enovelam para formar o redondo glorérulo, e se confluem para formar a arteríola eferente, que deixa o glomérulo.
No glomérulo, circula sangue arterial, cuja pressão hidrostática é controlada pela arteríola eferente, que possui mais músculo liso e pode contrair ou relaxar quando precisar. Quanto mais contraída arteríola eferente, maior pressão glomerular e maior volume do filtrado glomerular.
Cápsula de Bowman envolve os glomérulos e possui 2 folhetos:
• Folheto externo/parietal: forma “cálice” de epitélio apoiado em membrana basal, limite externo do corpúsculo, com camada celular uniforme contínua. 
• Folheto interno/visceral: sem camada contínua, é formado por podócitos, (corpos celulares) células especiais situadas junto às alças capilares glomerulares e um pouco distantes da membrana basal. Emitem prolongamentos primários, que originam os secundários, os quais “abraçam” as alças capilares e que, ao se cruzarem, delimitam espaços alongados, as fendas de filtração.
Entre os folhetos da cápsula, fica o espaço capsular, que recebe o filtrado glomerular.
 
Alça glomerular coberta por podócitos do folheto interno – fendas de filtração (espaço entre os prolongamentos – consideradas o epitélio do glomérulo)
 aumento 6000x: alças glomerulares envolvidas pelos prolongamentos podocitários
 corte longitudinal: membrana basal como única estrutura contínua
Como as células endoteliais são fenestradas e o folheto/epitélio visceral da cápsula de Bowman apresenta fendas de filtração, a única estrutura contínua que separa o sangue glomerular do espaço de Bowman é a membrana basal das alças glomerulares.
A membrana glomérulo-capilar é constituída de endotélio + membrana basal + fendas de filtração dos podócitos. Através dela o plasma é filtrado, originando a futura urina. Para uma substância sair na urina, tem que vencer 3 etapas: sangue – endotélio do capilar glomerular – membrana basal – fendas de filtração (epitélio). 
Mesângio é tecido conjuntivo de sustentação que dá suporte ao tufo capilar glomerular, preenchido por matriz mesangial. As células mesangiais ficam no espaço entre capilares e entre membrana basal e células endoteliais. O mesângio pode eliminar resíduos retidos no processo de filtração. Há pontos em que a lâmina basal envolve a circunferência de 2 ou mais capilares.
Corte transversal do tufo glomerular mostrando as fenestrações endoteliais (setas brancas), os pés dos podócitos formando fendas de filtração ou epitélio (vermelhas) e as células mesangiais (azuis) entre as alças envolvidas por uma única membrana basal (amarela).
Cápsula de Bowman conecta túbulos.
2. Sistema Tubular
Túbulo Contorcido Proximal + TC Distal + Túbulo Coletor + Alça de Henle
O filtrado formado nas alças, recebido pela cápsula de Bowman, depois percorre o trajeto dos túbulos renais (resto do néfron), sendo processado e entregue aos cálices como urina.
 
3. Aparelho Justaglomerular
Mácula Densa + Células Justaglomerulares
Antes das arteríolas aferentes se capilarizarem em glomérulos, sofrem modificação da camada média, onde passam a ter células justaglomerulares. No nível dessas no trajeto, túbulo contorcido distal se aproxima da arteríola aferente do mesmo néfron, sua parede se modifica formando a mácula densa.
Células justaglomerulares + mácula densa forma aparelho justaglomerular, estrutura histológica fundamental para haver comunicação entre fluido tubular e arteríola aferente – feedback tubuloglomerular, importante para regular a filtração glomerular.
· VASCULARIZAÇÃO RENAL
Artéria renal entra em cada rim pelo hilo, e antes de penetrar no parênquima, se ramifica até formar artérias interlobares, que seguem entre os lobos renais e, ao atingirem a base das pirâmides, originam as arciformes, que correm paralela à base, no limite entre córtex e medula. Dessas, saem as interlobulares, que percorrem perpendicular e em direção à cápsula, atravessando o córtex. Dessas, se originam as arteríolas aferentes, que formam as alças capilares dos glomérulos, que confluem nas arteríolas eferentes, que continuam o trajeto arterial e nutrem o parênquima renal. Essas formam os vasos peritubulares encarregados da reabsorção tubular e os vasos retos, arteríolas secundárias que se afunilam à medida que percorrem e irrigam a medula renal, que tem vascularização escassa e é uma muito sensível a pequenas alterações de perfusão.
Os glomérulos estão interpostos no sistema arterial periférico dos rins. Arteríolas eferentes nutrem o parênquima do córtex renal com sangue arterial; Vasos retos, a medula renal. 
Algumas doenças podem necrosar papila (região menos vascularizada), fazendo-a descolar da medula, cair no sistema mielo calicial e se tornar “cálculo renal”, com dor lombar, hematúria. Ex: anemia falciforme (hemácias falcêmicas tem grande adesão à parede vascular, podem obstruir vasos da medula e necrosar papila), DM (isquemia da papila), nefropatia por AINEs 
Reta: artéria interlobular
Antes da bolinha: arteríola aferente
Bolinha: tufo capilar glomerular
Depois: arteríola eferente
Cima: cortical. Baixo: medula
2 glomérulos interpostos entre suas arteríolas aferentes (da interlobular) e eferentes 
· ASPECTOS FISIOLÓGICOS
A gênese da urina inicia com a formação do filtrado glomerular nos corpúsculos de