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Resistência do corpo à infecção: imunidade e alergia
Imunidade: capacidade do corpo de resistir contra quase todos os tipos de microrganismos ou toxinas que tendam a lesar tecidos e órgãos. 
Imunidade adquirida: capacidade do corpo de desenvolver imunidade específica contra agentes invasores individuais como bactérias, vírus e toxinas letais e até mesmo tecidos estranhos de outros animais. Não se desenvolve até que o organismo seja antes atacado por bactérias, vírus ou toxinas
Imunidade inata: resulta de processos gerais, em vez de processos direcionados para micro-organismos patológicos específicos. Mecanismos:
· Fagocitose de bactérias ou outros invasores pelos leucócitos e pelas células do sistema dos macrófagos teciduais;
· Destruição de micro-organismos deglutidos pelas secreções ácidas do estômago e pelas enzimas digestivas;
· Resistência da pele à invasão por micro-organismos;
· Presença de certos compostos químicos e células, no sangue, que se prendem a microrganismos ou toxinas estranhos, destruindo-os.
Imunidade adquirida (adaptativa)
É causada por sistema imune especial formador de anticorpos e/ou linfócitos ativados que atacam e destroem organismos invasores específicos ou toxinas.
↳Tipos básicos de imunidade adquirida:
● Humoral (ou imunidade das células B) o corpo desenvolve anticorpos circulantes, que são moléculas de globulina no plasma sanguíneo, capazes de atacar o agente invasor.
● Mediadas por células (ou imunidade das células T): é dependente da formação de grande número de linfócitos T ativados, especialmente produzidos nos linfonodos para destruir o agente estranho.
1. Ambos os tipos de imunidade adquirida são iniciados por antígenos:
Antígenos: Cada toxina ou cada tipo de micro-organismo contém um ou mais compostos químicos específicos (proteínas ou grandes polissacarídeos), que são diferentes de todos os outros compostos e desencadeiam a imunidade adquirida.
Para que a substância seja antigênica, ela deve ter alto peso molecular, de 8.000 ou mais. O processo de antigenicidade depende usualmente de grupos moleculares que recorrem de forma regular, chamados epítopos, na superfície das grandes moléculas.
2. Os linfócitos são responsáveis pela imunidade adquirida:
Ficam situados, em maior número, nos linfonodos, mas também se encontram em tecidos linfoides especiais (baço, áreas submucosas do trato gastrointestinal, timo e medula óssea).
Na maioria dos casos, o agente invasor primeiramente penetra nos líquidos teciduais e depois é transportado para linfonodos ou outros tecidos linfoides pelos vasos linfáticos.
→Linfócitos T e B: 
Quase todos os linfócitos formados terminam, com o passar do tempo, no tecido linfoide, mas antes disso eles se diferenciam ainda mais ou são “pré-processados”:
● As células progenitoras linfoides que se destinam a formar linfócitos T ativados migram primeiramente para o timo, onde são pré-processadas (por isso linfócitos T, para designar o papel do timo).
No timo, os linfócitos T se dividem rapidamente e ao mesmo tempo desenvolvem diversidade extrema para reagir contra diferentes antígenos específicos.
↓
Um linfócito tímico desenvolve reatividade específica contra um antígeno e depois o linfócito seguinte desenvolve especificidade contra outro antígeno
O timo assegura que qualquer linfócito T que deixe o timo não vai reagir contra as proteínas ou com outros antígenos presentes nos tecidos do próprio corpo da pessoa; caso contrário, os linfócitos T seriam letais para seu próprio organismo em questão de dias.
A maior parte do pré-processamento dos linfócitos T no timo ocorre pouco antes do nascimento da criança e durante alguns meses após seu nascimento.
Como esse tipo celular de imunidade é o principal responsável pela rejeição de órgãos transplantados, pode ser feito transplante de órgão com muito menor probabilidade de rejeição se o timo for removido em período razoável de tempo.
● Os linfócitos B, são pré-processados no fígado, durante a parte média da gestação, e na medula óssea, no final da vida fetal e logo após o nascimento. Essa população celular foi inicialmente identificada em aves que têm um órgão de pré-processamento especial, chamado bursa de Fabricius (por isso, chamamos de linfócitos B).
Os linfócitos B são diferentes dos linfócitos T por dois motivos: 
· Em vez de todas as células desenvolverem reatividade contra o antígeno, como ocorre nos linfócitos T, os linfócitos B secretam ativamente anticorpos que são os agentes reativos (grandes moléculas proteicas, capazes de se combinar e destruir a substância antigênica);
· Os linfócitos B apresentam diversidade ainda maior do que a dos linfócitos T, consequentemente, formando muitos milhões de tipos de anticorpos dos linfócitos B, com diferentes reatividades específicas.
Depois do processamento, os linfócitos B, como os linfócitos T, migram para o tecido linfoide de todo o corpo, onde se alojam próximo, mas com certo distanciamento, das áreas de linfócitos T.
As células T ativadas e os anticorpos reagem de forma muito específica contra os tipos particulares de antígenos que desencadearam seu desenvolvimento.
↓
Clones de linfócitos: são todos os diferentes linfócitos que são capazes de formar anticorpo ou célula T específicos. 
→Milhões de tipos específicos de linfócitos são armazenados no tecido linfoide:
Cada um desses linfócitos pré-formados é capaz de formar somente um tipo de anticorpo ou um tipo de célula T, com tipo único de especificidade, e apenas o tipo específico de antígeno pode ativá-lo. Assim que o linfócito específico é ativado por seu antígeno ele se reproduz de forma muito ampla, formando números imensos de linfócitos duplicadores
→Origem dos diversos clones de linfócitos:
Centenas a alguns milhares de genes codificam os milhões de tipos diferentes de anticorpos e de linfócitos T.
· Para a formação de cada tipo de célula T ou B, o gene completo nunca está nas células-tronco originais, de onde as células imunes funcionais se diferenciam;
· Só são identificados segmentos do gene;
· Durante o pré-processamento das respectivas células de linfócitos T e B, esses segmentos do gene se misturam em combinações aleatórias, formando os genes completos.
→Mecanismos para ativar um clone de linfócitos:
Cada clone de linfócitos é responsável por somente tipo único de antígeno (ou por vários antígenos semelhantes, com quase as mesmas características estereoquímicas).
● Papel dos macrófagos no processo de ativação:
Revestem os sinusoides dos linfonodos, do baço e dos outros tecidos linfoides
A maioria dos microrganismos invasores é fagocitada e parcialmente digerida por eles e os produtos antigênicos são liberados no citosol do macrófago, que passam esses antígenos pelo contato direto célula a célula para os linfócitos, causando ativação dos clones linfocíticos especificados
Além disso, os macrófagos secretam substância ativadora especial que promove crescimento ainda maior e a reprodução de leucócitos específicos- interleucina 1.
● Participação das células T na ativação dos linfócitos B:
A maioria dos antígenos ativa, ao mesmo tempo, os linfócitos T e os linfócitos B. 
Algumas das células T que são formadas (células T auxiliares) secretam substâncias específicas- linfocinas que ativam os linfócitos B específicos.
Sistema dos linfócitos B:
→Formação dos anticorpos pelos plasmócitos:
Antes da exposição ao antígeno específico: os clones dos linfócitos B permanecem inativos no tecido linfoide. 
Chegada de antígeno: os macrófagos no tecido linfoide fagocitam o antígeno e o apresentam para os linfócitos B adjacentes. Além disso, o antígeno é apresentado às células T ao mesmo tempo, sendo formadas células T auxiliares ativadas→ extrema ativação dos linfócitos B.
Os linfócitos B específicos para o antígeno imediatamente se dilatam, tomando a aparência de linfoblastos→ se diferenciam ainda mais para formar plasmablastos (precursores dos plasmócitos)→ seu citoplasma se expande e o retículo endoplasmático rugoso prolifera→ começam a se duplicar→ o plasmócito maduro passa a produzir anticorpos degamaglobulina→ são secretados para a linfa e levados para o sangue circulante. 
Esse processo continua durante dias ou semanas, até que ocorram exaustão e morte do plasmócito.
→Células de memória:
· Alguns dos linfócitos formados pela ativação de clone de linfócitos B não se diferenciam em plasmócitos, mas formam novos linfócitos B semelhantes aos do clone original. 
Circulam por todo o corpo, para ocupar todo o tecido linfoide, entretanto permanecem inativados até que sejam novamente acionados por nova exposição ao mesmo antígeno.
↓
A exposição subsequente ao mesmo antígeno vai provocar resposta mais rápida e mais intensa de anticorpos, já que existem muito mais células de memória do que os linfócitos B originais do clone específico.
Observar que: a resposta secundária começa rapidamente após a exposição ao antígeno (geralmente, em horas), é muito mais potente e forma anticorpos por muitos meses.
OBS 2: A potência elevada e a duração da resposta secundária explicam porque a imunização é produzida usualmente pela injeção do antígeno em várias doses, a intervalos de semanas ou meses entre as injeções.
→Natureza dos anticorpos:
· São gamaglobulinas (imunoglobulinas);
· Constituem 20% das proteínas do plasma;
● Porção variável: é diferente para cada especificidade do anticorpo, e se liga ao tipo particular de antígeno.
● Porção constante: determina outras propriedades- mobilidade do anticorpo pelos tecidos, aderência às estruturas específicas nos tecidos, fixação ao complexo do complemento, facilidade com a qual os anticorpos passam através das membranas.
→Especificidade dos anticorpos: cada anticorpo é específico para antígeno determinado
Causa da especificidade: sua organização estrutural única dos aminoácidos nas porções variáveis das cadeias leve e pesada.
Quando o antígeno entra em contato com ele vários grupos prostéticos do antígeno se ajustam à imagem especular dos anticorpos, permitindo ligação rápida e firme entre o anticorpo e o antígeno.
Quando o anticorpo é muito específico, existem tantos locais de ligação que a conjugação antígeno-anticorpo é extremamente forte, sendo mantida por:
· ligação hidrofóbica;
· ligação por hidrogênio;
· atrações iônicas;
· forças de van der Waals. 
→Classes gerais de anticorpos: IgM, IgG, IgA, IgD e IgE
IgG→ anticorpo bivalente, forma 75% dos anticorpos da pessoa normal;
IgE→ é apenas pequena porcentagem dos anticorpos, está envolvido nas alergias;
IgM→ grande parte dos anticorpos formados durante a resposta primária, têm 10 locais de ligação, o que os tornam extremamente efetivos na proteção do corpo contra invasores, mesmo que não existam muitos desses anticorpos.
→Mecanismo de ação dos anticorpos:
● Pela ação direta dos anticorpos sobre os agentes invasores:
Os anticorpos podem ativar o agente invasor de várias formas: 
1. Aglutinação: múltiplas partículas grandes, com antígenos em suas superfícies, como as bactérias ou hemácias, são unidas formando grumos; 
2. Precipitação: o complexo molecular do antígeno solúvel (como a toxina do tétano) e os anticorpos ficam tão grandes que se tornam insolúveis e precipitam;
3. Neutralização: anticorpos cobrem os locais tóxicos do agente antigênico. 
4. Lise: anticorpos potentes são capazes de atacar, de modo direto, as membranas dos agentes celulares, causando sua ruptura.
OBS: Essas ações diretas dos anticorpos, não são suficientemente fortes para ter papel primordial na proteção do corpo contra o invasor. 
● Pela ativação do sistema do complemento:
Sistema de cerca de 20 proteínas, muitas das quais precursoras de enzimas.
Principais atores desse sistema: onze proteínas designadas de C1 a C9, B e D.
Todas essas proteínas estão normalmente nas proteínas plasmáticas, além de entre as proteínas que vazam dos capilares para os espaços teciduais. 
As precursoras de enzimas nas condições normais estão inativas, mas podem ser ativadas pela via clássica.
↓
Quando o anticorpo se liga a seu antígeno, um local reativo específico na porção constante do anticorpo fica descoberto ou ativado, e essa porção se liga diretamente à molécula C1 do sistema do complemento, iniciando uma “cascata” de reações sequenciais, começando pela ativação da própria proenzima C1. As enzimas C1 formadas ativam quantidades, sucessivamente, maiores de enzimas nos estágios finais do sistema, de modo que, a partir do pequeno início, ocorre a reação extremamente grande e amplificada.
Vários produtos finais são formados e muitos desses produtos causam efeitos importantes que ajudam a impedir lesões dos tecidos corporais causadas por micro-organismo ou toxina invasora:
1. Opsonização e fagocitose: Um dos produtos da cascata do complemento, C3b, ativa a fagocitose, tanto pelos neutrófilos quanto pelos macrófagos, fazendo com que essas células engolfem as bactérias presas a complexos antígeno-anticorpos (opsonização- aumenta, por centenas de vezes, o número de bactérias que pode ser destruído).
2. Lise: Um dos produtos mais importantes da cascata do complemento é o complexo lítico, que é a combinação de múltiplos fatores do complemento, sendo rotulado como C5b6789. Esse complexo exerce efeito direto de ruptura das membranas celulares das bactérias ou de outros micro-organismos invasores.
3. Aglutinação: Os produtos do complemento também alteram as superfícies dos micro-organismos invasores, fazendo com que fiquem aderidos uns aos outros, promovendo assim sua aglutinação. 
4. Neutralização dos vírus: As enzimas do complemento e outros produtos do complemento podem atacar as estruturas de alguns vírus, consequentemente, tornando-os não virulentos. 
5. Quimiotaxia: O fragmento C5a inicia a quimiotaxia dos neutrófilos e macrófagos, fazendo com que grande número desses fagócitos migre para a área tecidual adjacente ao agente antigênico. 
6. Ativação dos mastócitos e basófilos: Os fragmentos C3a, C4a e C5a ativam os mastócitos e os basófilos, fazendo com que liberem histamina, heparina e várias outras substâncias nos líquidos locais. Essas substâncias, por sua vez, provocam aumento do fluxo sanguíneo local, vazamento elevado de líquido e proteínas plasmáticas para o tecido e outras reações teciduais locais que ajudam a inativar ou a imobilizar o agente antigênico. Os mesmos fatores têm participação importante na inflamação e na alergia. 
7. Efeitos inflamatórios: produtos do complemento contribuem para a inflamação local. Esses produtos fazem com que 
· o fluxo sanguíneo já elevado aumente ainda mais; 
· o vazamento capilar de proteínas elevem ainda mais; 
· as proteínas do líquido intersticial coagulem nos espaços teciduais, impedindo o deslocamento do micro-organismo invasor pelos tecidos.
Sistema dos linfócitos T:
→Liberação de células T ativadas pelo tecido linfoide:
Exposição ao antígeno feita pelos macrófagos adjacentes
↓
Os linfócitos T do clone de linfócitos específicos proliferam e liberam, na linfa, grande número de células T ativadas de reação específica.
↓
Passam para a circulação e são distribuídas por todo o corpo, passando através das paredes dos capilares para os tecidos, voltando para a linfa e para o sangue, circulando várias vezes pelo corpo, algumas vezes durante meses ou mesmo anos.
Quando um clone de linfócitos T é ativado por antígeno, muitos dos linfócitos recém-formados são preservados no tecido linfoide para se transformarem em linfócitos T adicionais desse clone específico; de fato, essas células de memória se espalham pelo tecido linfoide de todo o corpo.
↓
Formação de células de memória que se espalham pelo tecido linfoide de todo o corpo.
→Células apresentadoras de antígenos: 
· Macrófagos;
· Linfócitos B;
· Células dendríticas (mais potentes, se localizam em todo o corpo e sua única função conhecida é a de apresentar os antígenos às células T).
A interação das proteínas de aderência celular é crítica para permitir a ligação das células T às células apresentadoras de antígenos durante tempo suficiente para que elas se tornem ativadas.
Os linfócitos B reconhecem antígenos intactos, mas os linfócitos T só respondem aos antígenos quandoeles se ligam às moléculas específicas, chamadas proteínas MHC, na superfície das células apresentadoras de antígenos, nos tecidos linfoides.
 Proteínas MHC: são codificadas pelo complexo principal da histocompatibilidade (MHC). As proteínas MHC ligam fragmentos de peptídeos das proteínas dos antígenos, que são degradados dentro das células apresentadoras de antígenos e depois transportados para a superfície celular. 
· Proteínas MHC I: apresentam antígenos para células T citotóxicas;
· Proteínas MHC II: apresentam antígenos para células T auxiliares. 
 Receptores de antígenos:
Os antígenos na superfície das células apresentadoras de antígenos se ligam às moléculas receptoras na superfície das células T.
Os receptores são compostos por uma unidade variável semelhante à porção variável do anticorpo humoral, mas sua parte no tronco está firmemente ligada à membrana celular de linfócito T. Existem cerca de 100.000 locais receptores na mesma célula T.
→Tipos de células T:
● Células T auxiliares: (são as mais numerosas)
Auxiliam as funções do sistema imune, atuando como reguladoras de todas as funções imunes.
Executam essa regulação por meio da formação de série de mediadores proteicos- linfocinas, que atuam sobre outras células do sistema imune e sobre as células da medula óssea. 
Linfocinas mais importantes secretadas pelas células T auxiliares:
· Interleucina 2, Interleucina 3, Interleucina 4, Interleucina 5 e Interleucina 6;
· Fator estimulante de colônias de monócitos-granulócitos;
· Interferon-g.
Na ausência de linfocinas produzidas pelas células T auxiliares, o restante do sistema imune fica quase paralisado.
↪As células T auxiliares que são inativadas ou destruídas pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), que deixa o corpo quase totalmente desprotegido contra doenças infecciosas, e assim leva aos efeitos debilitantes e letais da síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS).
Estimulação do crescimento e proliferação das células T citotóxicas e supressoras:
Na ausência de células T auxiliares, os clones para a produção de células T citotóxicas e supressoras são pouco ativados pela maioria dos antígenos. 
Interleucina 2: tem efeito estimulador, especialmente intenso, para o crescimento e a proliferação das células T citotóxicas e supressoras. Várias outras linfocinas têm efeitos menos potentes.
Estimulação do crescimento das células B e diferenciação para formar plasmócitos e anticorpos:
As ações diretas do antígeno para causar o crescimento de células B, a proliferação, a formação de plasmócitos e a secreção de anticorpos também são pouco intensas sem o auxílio das células T auxiliares.
Interleucinas 4, 5 e 6 (fatores estimulantes das células B ou fatores de crescimento das células B): exercem efeitos mais potentes sobre as células B. No entanto, quase todas as interleucinas participam da resposta das células B.
Ativação do sistema de macrófagos- os linfócitos:
· Retardam ou interrompem a migração dos macrófagos depois de serem atraídos por quimiotaxia para a área de tecido inflamada, causando grande acúmulo de macrófagos;
· Ativam os macrófagos para produzir fagocitose mais eficiente, permitindo que eles ataquem e destruam número cada vez maior de bactérias invasoras ou de outros agentes destruidores de tecidos.
Efeito de feedback estimulante sobre as células T auxiliares:
Especialmente a interleucina 2: exerce efeito de feedback positivo direto de estimular a ativação das células T auxiliares, atuando como amplificador, aumentando ainda mais a resposta das células auxiliares, bem como toda a resposta imune contra o antígeno invasor.
● Células T citotóxicas: são células Killer
Célula de ataque direto, capaz de matar microrganismos e algumas vezes até mesmo as células do próprio corpo.
1. As proteínas receptoras na superfície das células citotóxicas fazem com que elas se liguem fortemente aos organismos ou às células que contenham o antígeno de ligação específico apropriado;
2. Depois da ligação, a célula T citotóxica secreta proteínas produtoras de orifícios- perforinas, que literalmente perfuram orifícios redondos na membrana da célula atacada, fazendo com que o líquido flua do espaço intersticial com muita rapidez para a célula. 
Além disso, as células T citotóxicas liberam substâncias citotóxicas diretamente nas células atacadas, a célula atacada fica muito inchada, dissolvendo-se em pouco tempo.
As células killer citotóxicas:
· Podem se soltar das células vitimadas depois de perfurarem os orifícios e liberarem as substâncias citotóxicas, e seguir em frente, para destruir mais células;
· Podem persistir durante meses nos tecidos;
· Algumas são especialmente letais para as células dos tecidos que foram invadidas por vírus, porque várias partículas virais ficam retidas nas membranas das células teciduais, atraindo as células T em resposta à antigenicidade virótica;
· Também participam da destruição de células cancerígenas, células cardíacas transplantadas e de outros tipos de células estranhas ao corpo da própria pessoa.
● Células T supressoras: são reguladoras também
São capazes de suprimir as funções das células T citotóxicas e das T auxiliares.
↓
Limitação da capacidade do sistema imune de atacar os tecidos da própria pessoa (evitam que as células citotóxicas causem reações imunológicas excessivas)
↓
Tolerância imune
→Tolerância do sistema de imunidade adquirida aos tecidos da própria pessoa:
O mecanismo imune normalmente reconhece os tecidos da própria pessoa como sendo diferentes de bactérias e vírus.
Acredita-se que grande parte da tolerância se desenvolva durante o pré-processamento dos linfócitos T no timo, e dos linfócitos B na medula óssea. 
Também se acredita que durante o pré-processamento todos ou a maioria dos clones de linfócitos específicos para atacar as células da própria pessoa se autodestruam, devido à sua exposição continuada aos antígenos do corpo.
↪Doenças autoimunes: falha do mecanismo de tolerância 
Ocorre, em grande parte, quando a pessoa envelhece.
Doenças específicas resultantes de autoimunidade:
· Febre reumática, na qual o corpo fica imunizado contra os tecidos nas articulações e no coração, especialmente as válvulas cardíacas, após a exposição a tipo específico de toxina estreptocócica com epítopo em sua estrutura molecular, semelhante à estrutura de alguns dos autoantígenos do próprio corpo da pessoa; 
· Um tipo de glomerulonefrite, no qual a pessoa fica imunizada contra as membranas basais dos glomérulos; 
· Miastenia grave, na qual se desenvolve imunidade contra as proteínas receptoras de acetilcolina da junção neuromuscular, provocando paralisia;
· Lúpus eritematoso sistêmico (LES), no qual a pessoa fica imunizada contra vários tecidos corporais diferentes ao mesmo tempo, doença que causa dano extenso e inclusive morte se o LES for grave.
Imunização pela injeção de antígenos/imunidade ativa:
O próprio corpo desenvolve anticorpos ou células T ativadas em resposta à invasão de um antígeno estranho.
· A pessoa pode ser imunizada pela injeção de microrganismos mortos que não sejam mais capazes de causar doença, mas que podem apresentar parte de seus antígenos químicos (imunização contra a febre tifoide, coqueluche, difteria e muitos outros tipos de doenças bacterianas).
· A imunidade pode ser obtida contra toxinas que tenham sido tratadas com substâncias químicas, de modo que sua natureza tóxica tenha sido destruída, muito embora seus antígenos permaneçam intactos (imunização contra tétano, botulismo e outras doenças tóxicas semelhantes).
· A pessoa pode ser imunizada depois de ter sido infectada com microrganismos vivos que tenham sido atenuados- cresceram em meios de culturas especiais ou passaram por diversos animais até que tenham mudado, o suficiente, para não causar doença, mas ainda contêm os antígenos específicos necessários para a imunização (imunização contra poliomielite, febre amarela, sarampo, catapora e muitas outras doenças virais).
Imunização passiva:
Infusão de anticorpos, células T ativadas ou ambos, obtidos do sangue de outra pessoaou de outro animal que tenha sido ativamente imunizado contra o antígeno.
· Os anticorpos perduram no corpo do receptor por 2 a 3 semanas e durante esse tempo a pessoa fica protegida contra a doença invasora;
· As células T ativadas duram por algumas semanas se forem transfundidas de outra pessoa, mas durante apenas algumas horas ou dias se forem transfundidas de animal.
Alergia e hipersensibilidade:
→Alergia de ação retardada: ocasionada por células T ativadas
Ex.: urtiga (Toxi codendron)→ a toxina desse arbusto por si mesma não causa muito dano aos tecidos. Entretanto, com nova exposição causa a formação de células T auxiliares e citotóxicas ativadas. A seguir, após nova exposição à toxina da urtiga em 1 dia ou mais as células T ativadas se difundem, em grande número, do sangue circulante para a pele em resposta a essa toxina. Ao mesmo tempo, essas células T desencadeiam tipo de reação imune mediada por células.
O dano usualmente ocorre na área tecidual onde o antígeno instigante está.
→Alergia atópica (“tendência alérgica”): causada por excesso de anticorpos
A tendência alérgica é passada, geneticamente, dos pais para os filhos, e se caracteriza pela presença de grande quantidade de anticorpos IgE no sangue (chamados de reaginas ou anticorpos sensibilizantes). 
Quando um alérgeno (antígeno que reage, especificamente, a um tipo específico de anticorpo reagina IgE) entra no corpo, ocorre reação alérgeno-reagina, levando à subsequente reação alérgica.
Anticorpos IgE: têm forte propensão para o ataque de mastócitos e basófilos
· Um só mastócito ou basófilo pode se ligar a até meio milhão de moléculas de anticorpos IgE
· Quando o alérgeno, com vários locais de ligação, se liga a vários anticorpos IgE, que já se ligaram a um mastócito ou basófilo, isso gera alteração imediata na membrana do mastócito ou do basófilo, talvez resultante de efeito físico das moléculas do anticorpo para deformar a membrana celular.
· Muitos dos mastócitos e basófilos se rompem, outros liberam agentes especiais de imediato ou logo depois, incluindo: histamina, protease, substância de reação lenta da anafilaxia (mistura de leucotrienos tóxicos), substância quimiotática de eosinófilos, heparina e fatores ativadores de plaquetas
Essas substâncias provocam efeitos como: dilatação dos vasos sanguíneos locais, atração de eosinófilos e neutrófilos para o local reativo, aumento da permeabilidade dos capilares com perda de líquido para os tecidos e contração das células da musculatura lisa.
Tipos de reações alérgicas causadas dessa forma:
● Anafilaxia:
Quando um alérgeno específico é injetado diretamente na circulação, ele pode reagir com os basófilos do sangue e com os mastócitos nos tecidos situados imediatamente fora dos pequenos vasos sanguíneos, se os basófilos e mastócitos foram sensibilizados pela fixação às reaginas IgE
↓
Reação alérgica disseminada ocorre por todo o sistema vascular e nos tecidos intimamente associados
↓
Anafilaxia
A histamina é liberada na circulação e causa:
1. Acentuada vasodilatação em todo o corpo;
2. Maior permeabilidade dos capilares, resultando em perda acentuada de plasma pela circulação. 
A pessoa que, por acaso, experimente essa reação morre de choque circulatório em alguns minutos, a menos que seja tratada com epinefrina para se contrapor os efeitos da histamina. 
A mistura de leucotrienos (substância de reação lenta da anafilaxia) também é liberada por basófilos e mastócitos ativados. Esses leucotrienos podem causar o espasmo da musculatura lisa dos bronquíolos, desencadeando ataque semelhante ao da asma, algumas vezes levando à morte por sufocação.
● Urticária: resulta de antígeno que penetra em áreas específicas, causando reações anafilactoides.
A histamina liberada localmente causa
1.Vasodilatação, que inclui vermelhidão imediata;
2.Aumento da permeabilidade local dos capilares, levando a áreas circunscritas de edema da pele em alguns minutos.
A administração de anti-histamínicos à pessoa antes da exposição impede a urticária.
● Febre do Feno: a reação alérgeno-reagina ocorre no nariz.
A histamina liberada em resposta à reação causa: 
1. Dilatação vascular intranasal local com aumento da pressão capilar;
2. Elevação da permeabilidade capilar.
Esses dois efeitos causam perda de líquido para as cavidades nasais e para os tecidos profundos do nariz; o revestimento nasal fica edemaciado e secretório. 
O uso de fármacos anti-histamínicos pode evitar essa reação edematosa. Entretanto, outros produtos da reação alérgeno-reagina ainda podem ocasionar a irritação da mucosa nasal, desencadeando episódios de espirros.
● Asma: em geral, ocorre em pessoa de tipo “alérgico”. A reação alérgeno-reagina ocorre nos bronquíolos dos pulmões. 
Acredita-se que produto importante liberado pelos mastócitos- a substância de reação lenta da anafilaxia (uma mistura de três leucotrienos), cause o espasmo da musculatura lisa do bronquíolo. 
Consequentemente, a pessoa tem dificuldade de respirar até que os produtos reativos da reação alérgica tenham sido removidos.
A administração de anti-histamínicos tem menos efeito sobre o curso da asma, pois a histamina não parece desempenhar papel importante no desencadeamento da reação asmática.

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