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1 Vitoria Araujo – Turma 7 - @vitoria_arjo Exame físico pediátrico Medidas antropométricas -Peso: ® Balança pediátrica: × Deve ser utilizada em crianças menores de 2 anos de idade, na qual a criança fica sentada e os recém nascidos, por sua vez, deitados. ® Balança de adulto: × Crianças maiores de 2 anos; -Estatura: ® É chamada de comprimento em crianças menores de 2 anos de idade, mensurada através do estadiômetro horizontal, sendo que o paciente fica em decúbito dorsal. Quanto à técnica, a haste fixa deve ficar na cabeça da criança, enquanto a haste móvel nos pés da criança. Ainda, é importante ressaltar que os pés da criança devem estar posicionados a 90 garus do plano em que o paciente está deitado. ® No que diz respeito às crianças maiores de 2 anos de idade, a estatura passa a ser denominada altura, realizada com o paciente em posição ortostática, através do estadiômetro vertical. Quanto à técnica, os pés da criança devem estar paralelos, enquanto os calcanhares, glúteos e dorso devem estar amparados no anteparo vertical. A cabeça deve estar reta e o olhar para o horizonte. Além disso, a medida da altura deve ser feita duas vezes e, se houver diferença correspondente a mais que 1 cm, a medida deve ser realizada novamente. *Ao nascer, a criança possui em média 50 cm de comprimento e, no decorrer do primeiro ano de vida, cresce 50% de sua altura de nascimento. Após isso, entre 2 a 6 anos de idade: 6 a 7 cm/ano; entre 6 e 12 anos de idade: 4 a 6 cm/ano e puberdade: 8 a 12 cm/ano. -Perímetro cefálico: ® O Perímetro Cefálico (PC) idealmente deve ser mensurado até o período da adolescência, embora isso não ocorra na prática. Entretanto, a medida do PC deve ser obrigatória ao menos até os 2-3 anos de idade. ® Posicionar a fita na proeminência occipital da criança e contorne a cabeça até chegar na glabela. Lembrar de nunca incluir o pavilhão auricular nessa medida, passe a fita atrás dele. *Ao nascimento, o perímetro cefálico é grande, devido as suturas ainda abertas, ao processo de maturação da bainha de mielina e maior acúmulo de líquido. Então, mede por volta de 34 cm. Já no final do primeiro ano deve crescer em 12 cm Aspectos gerais do exame físico -Avaliação do nível de consciência: ® Baseia-se na atitude da criança, a partir da observação de sua postura e interação com o ambiente. Espera-se que a criança esteja ativa e reativa, contudo, ela pode se encontrar hipoativa (prostrada, quadro álgico, dormindo) e/ou hiporreativa, significando que ela não interage com o ambiente e nem responde aos estímulos do exame físico. ® Atitude: × Atentar-se para sinais de dor que a criança possa apresentar, posição de cócoras em detrimento de cardiopatia cianótica... -Classificaça2o do estado geral: ® BEG -> Bom Estado Geral ® REG -> Ruim Estado Geral ® MED -> Mau Estado Geral -Grau de hidratação: ® Examinar com atenção: × Olhos (normais ou encovados?), lágrimas (na presença de choro), boca (salivação, seca, úmida?), sinal da prega. × Avaliar grau de hidratação através da fontanela, que se estiver deprimida, implica em desidratação. -Avaliação da cor: ® Normocorada; ® Hipocorada; ® Cianótica (central ou periférica); ® Acianótica; -Analisar esclera e mucosas: ® Anictérica; ® Ictérica; 2 Vitoria Araujo – Turma 7 - @vitoria_arjo -Avaliar condições de higiene: ® Caso a criança se encontre suja, deve-se pesquisar por algum grau de negligência e/ou maus tratos. -Estado nutricional: ® Pesquisar por desnutrição, magreza, obesidade. ® É essencial que o diário alimentar da criança seja feito de maneira detalhada, abrangendo os horários, hábitos e tipos de alimentação. -Avaliar perfusão capilar: ® É realizada ao elevar o membro superior acima do nível do coração e pressionar a polpa digital da criança durante 5 segundos, após isso, atentar ao tempo de reperfusão. Se o tempo for menor ou igual a 2 segundos, é dito que a perfusão capilar periférica é normal, enquanto se estiver aumenta, a perfusão está lentificada. -Avaliar pulsos: ® Simetria e amplitude (dos 4 membros); Icterícia -Trata-se do aumento dos níveis séricos de bilirrubina indireta ou não conjugada, caracterizada por níveis superiores a 1,3 a 1,5 mg/dL, ou da bilirrubina direta superior a 1,5 mg/dL, desde que esta represente mais do que 10% do valor de bilirrubina total. -Clinicamente, a icterícia torna-se visível a partir de níveis séricos de bilirrubina em torno de 5 a 6 mg/dL. É manifestada com coloração amarelada na pele e esclera. -Icterícia neonatal: ® As enzimas conversoras de bilirrubina são imaturas no recém-nascido, assim como a albumina, carreadora da bilirrubina indireta, apresenta-se em menor quantidade. Em suma, há sobrecarga de bilirrubina no hepatócito e menor captação, conjugação e excreção da bilirrubina. Lembrar, porém, que podem existir outros mecanismos de aumento da bilirrubina em neonatos e crianças maiores, inclusive com aumento da bilirrubina direta (que usualmente indica alterações hepáticas). -Classificação da icterícia do RN: ® A icterícia nos recém nascidos é classificada por abrangência pelas Zonas de Kramer, enquanto nas crianças mais velhas segue o padrão adulto, classificadas por intensidade em até quatro cruzes. × Zona 1: cabeça e pescoço; × Zona 2: tronco até umbigo; × Zona 3: hipogástro até coxas; × Zona 4: braços, antebraços e pernas; × Zona 5: mãos e pés; -Quem terá? ® Todos os recém nascidos terão a icterícia fisiológica (não toxica para o SNC), variando em intensidade (geralmente bebês com incompatibilidade Rh possuem sintomas mais intensos), uma vez que reflete uma adaptação neonatal ao metabolismo da bilirrubina indireta. ® O início costuma ser tardio, após 24 horas de vida. No RN a termo, o pico máximo ocorre entre o terceiro e o quarto dias de vida (valor da bilirrubina indireta em torno de 12 mg/dL), diminuindo na primeira semana de vida. No RN pré termo, o pico máximo ocorre entre o quarto e sexto dia de vida (valor da bilirrubina indireta em torno de 15 mg/dL), podendo se prolongar até o período do décimo ao décimo quinto dia de vida. -Quando é preocupante? ® Caso a icterícia tenha início precoce, isto é, ocorra em um intervalo menor que 24 horas de vida, é decorrente de um processo patológico. Este, pode alcançar concentrações elevadas de bilirrubina indireta e se tornar lesiva ao cérebro; nesse caso, estamos diante de um quadro de encefalopatia bilirrubínica, denominada Kernicterus. Se a icterícia for visível até abaixo da cicatriz umbilical, faz-se necessário encaminhamento para o hospital, onde o recém-nascido poderá ser tratado com fototerapia. A fototerapia é realizada nos casos em que a bilirrubina se encontra maior que 14 mg/dL, sua ação consiste na transformação da bilirrubina indireta impregnada na pele em bilirrubina direta (solúvel), a ser eliminada pelas fezes. Sinais vitais -Temperatura: ® Axilar normal: 35,9 ºC a 36,7 ºC ® Febre: ≥ 37,8 ºC -Frequência respiratória: ® Até 2 meses: 60 irpm ® 2 meses a 1 ano: 50 irpm ® 1 a 5 anos: 40 irpm ® 6 a 8 anos: 30 irpm ® Maiores de anos: 20 irpm -Frequência cardíaca: ® RN: 145 bpm; ® 1 ano: 130 bpm; 3 Vitoria Araujo – Turma 7 - @vitoria_arjo ® 2 anos: 120 bpm; ® 4 anos: 100 bpm; ® 10 anos: 90 bpm; -Pressão arterial: ® A Pressão Arterial deve ser aferida anualmente a partir dos 3 anos de idade, com exceção de pacientes que apresentem comorbidades. Por exemplo, obesos, cardiopatas, pacientes em uso de corticoide ou, ainda, aqueles que sabidamente já possuem elevação da Pressão Arterial. Nesses pacientes, a medida da pressão arterial deve ser feita precocemente e em todas as consultas pediátricas. ® Para que uma criança seja considerada hipertensa, faz-se necessário 3 medidas distintas da Pressão Arterial. Sempre considerar os maiores valores. Ademais, explorar o histórico familiar a respeito da hipertensão, visto que essa possui componente genético. Cabeça e pescoço-Crânio: ® Na inspeção do crânio, deve-se observar a simetria, ou ainda, assimetrias, em detrimento do fechamento prematuro das suturas, deformidades ósseas, bossa serossanguinolenta ou cefalohematoma (em recém nascidos), entre outras. ® Avaliar a presença de lesões, principalmente no couro cabeludo da criança. × Dentre as principais, destacam-se: infecções fúngicas, pediculose e áreas de alopecia. ® Palpar fontanelas: × Anterior: fechamento entre 14 e 18 meses; × Posterior: até os 2 meses; -Fácies: ® A fácies atípica é aquela considerada normal, quando a criança não possui nenhuma deformidade visível e/ou assemelha-se as características dos pais. Já a fácies típica é aquela que visivelmente possui diferenças em comparação com a atípica. ® Exemplos de fácies típica, cujas características são sindrômicas: Russel Silver (Macrocrania), Treacher Collins (implantação baixa das orelhas), Cockayne (envelhecimento precoce). Faz-se válido ressaltar que geralmente estão associadas a outras comorbidades -Cavidade oral: ® No que tange à dentição infantil, a arcada inferior, em geral nasce antes da arcada superior. Os incisivos centrais aparecem em torno dos 7 meses de idade, os incisivos laterais emergem por volta dos 8 meses de idade, os caninos entre 16 e 20 meses de idade, o primeiro molar entre 12 e 16 meses de idade e por fim, o segundo molar surge entre os 20 e 30 meses de idade; ® A partir da inspeção dos dentes da criança, assim como do conhecimento a respeito dos períodos esperados de crescimento deles, determinar se a criança possui atraso local ou global da dentição. No cenário em que há um atraso global da dentição, considerar a possibilidade de uma característica familiar (questionar os pais se possuíram atraso no desenvolvimento dos dentes) ou mesmo uma doença sistêmica. Por outro lado, o atraso local da dentição, geralmente é fruto de um defeito local, como dente supranumerário ou dente mal posicionado. ® A perda dos dentes, por sua vez, inicia-se próxima dos 7 anos de idade e, em geral, respeita a ordem de aparecimento deles. Então, espera-se que o primeiro “dente de leite” a ser perdido seja um incisivo central ® Alterações da cavidade oral: × Candidíase oral ou Monilíase oral: 1. Alguns fatores podem predispor ao desenvolvimento da candidíase oral, como: xerostomia, higiene bucal deficiente, anemia, doenças crônicas, infecções virais, uso crônico de ATB e corticosteroides, alimentação artificial, uso de chupeta. 2. Apresenta-se clinicamente como placas irregulares esbranquiçadas com ou sem eritema de superfície, na mucosa oral ou lingual. Pode estar restrita à cavidade oral ou disseminada, nos imunocomprometidos. 3. O tratamento é feito com Nistatina tópica e apresenta bons resultados terapêuticos. Além disso, orientar limpeza oral com água filtrada, higienização dos bicos de mamadeira e das mamas antes do ato de amamentar. × Fenda labial: 1. É a anomalia do maciço ósseo mais frequente ao nascimento. Ela pode ser completa ou incompleta, unilateral ou bilateral, simétrica ou assimétrica e estar associada ou não à fenda palatina. 2. Apesar de muito casos de fendas faciais não cursarem com outros problemas ou defeitos congênitos associados, sabe-se que o prognóstico fetal se altera profundamente quando estão presentes outras malformações associadas, aberrações cromossômicas ou, ainda, doenças gênicas. × Quelite angular: 1. Correspondente a uma infecção que envolve os cantos da boca, caracterizada por eritema, fissuração e descamação desta zona. 4 Vitoria Araujo – Turma 7 - @vitoria_arjo 2. Geralmente associado a deficiência nutricional. ® Examinar o palato da criança, procurando por fenda palatina, muitas vezes associadas com a fenda labial; ® Realizar a inspeção da úvula, na pesquisa por úvula bífida ou desvio de úvula. Por fim, inspecionar as amígdalas, na procura por placas purulentas, petéquias, hiperemia, hipertrofia, entre outras. -Ouvido: ® A inspeção do pavilhão auricular deve ser realizada, de modo a procurar por deformidades. ® Além da observação da região retroauricular na área da mastoide, uma vez que se houver hiperemia, pode indicar a presença de masteoidite. ® Na sequência, realizar a palpação e atentar a possíveis sinais de dores e sofrimentos durante o manejo do pavilhão auricular e região retroauricular. ® A etapa final do exame do ouvido consiste na otoscopia. × Nela, é observada a membrana timpânica, a qual espera-se que se encontre: côncava, translúcida (sendo que o examinador seja capaz de observar o cabo do martelo atrás da membrana timpânica), brilhante (deve-se visualizar o triângulo luminoso du rante a otoscopia), com coloração perolada e aspecto móvel (no caso do uso de um otoscópio pneumático). × Faz-se válido ressaltar que crianças muito chorosas durante a realização desse exame podem apresentar hiperemia da membrana timpânica, entretanto, sem significado clínico. × Além disso, os recém nascidos podem apresentar opacidade da membrana timpânica, também fisiológica. -Olhos: ® Os olhos devem ser inspecionados quanto a aspectos referentes a malformações, conjuntivites, obstrução do ducto lacrimal, entre outras condições patológicas. ® Conjutivites: × Viral: 1. Lacrimejamento, edema palpebral, prurido intenso e hiperemia. 2. Em geral, os sintomas e sinais variam de leves a moderados. 3. Em casos mais graves, pode-se pensar em infecção por herpes simples e varicela zoster. 4. Duração de 15-20 dias (adenovírus) × Bacteriana: 1. Ardor, prurido, hiperemia, secreção purulenta ou mucopurulenta e edema palpebral. 2. Bactérias mais frequentes são: Haemophilus influenzae, pneumococos, Moraxella catarrhallis, estafilococos. × Alérgica: 1. Hiperemia leve, prurido intenso, lacrimejamento, edema palpebral. × Oftalmia química: 1. Conjuntivite decorrente da manobra do �rede: instilação ocular de nitrato de prata a 1% para prevenção da oftalmia gonocócica, que pode levar à cegueira. 2. Feito na 1º hora de vida, independente da via de parto. 3. A conjuntivite gonocócica é frequente a partir do 2-3º dia de vida ® O teste do reflexo vermelho, realizado pela primeira vez na maternidade, deve ser repetido durante as consultas de acompanhamento pediátrico (puericultura) até os dois anos de idade -Pescoço: ® Deve-se observar o formato do pescoço, se há algum tipo de malformação, como pescoço alado e ou aumento de linfonodos, juntamente com o exame da palpação. Linfonodos -A ordem do exame, realizado através da palpação, deve respeitar o eixo crânio caudal para que nenhuma cadeia de linfonodos seja esquecida. -Palpar cadeias: ® Occipitais, retro auriculares, pré auriculares, cadeia cervical, supraclaviculares, axilares, epitrocleares, inguinais e poplíteos. -Um linfonodo é considerado aumentado na pediatria quando excede 1 cm. Porém, há algumas exceções, os linfonodos epitrocleares e os linfonodos axilares são ditos aumentados quando > 0,5 cm. Além disso, os linfonodos inguinais são considerados aumentados quando > 1,5 cm. Entretanto, se os linfonodos supraclaviculares forem palpáveis, independentemente do tamanho, isso implica em alterações da homeostase do organismo. Então, conclui-se que os linfonodos supraclaviculares nunca devem ser palpáveis, caso contrário, são sempre patológicos 5 Vitoria Araujo – Turma 7 - @vitoria_arjo -O linfonodo pode ser fibroelástico ou endurecido, pétreo. Também pode ser móvel ou fixo; Aparelho cardiovascular -Durante a inspeção, deve-se atentar ao estado geral da criança, uma vez que este pode ser um indicador de doença cardíaca congênita. Por exemplo, se estivermos diante de uma criança com baixo peso, aspecto de consumido e/ou dificuldade de ganho peso, possivelmente ela pode ser portadora de uma cardiopatia congênita. -Inspecionar tórax: ® Malformações e forma do tórax; × Pectus Excavatum -> Sd de Marfan -Palpação do ictus cordis: ® Tamanho: × Ictus de tamanho normalou difuso, aumentado; ® Propulsão: × Normal ou hiperpropulsivo (aumentado); ® Localização: × Varia de acordo com a faixa etária; × RN -> entre o 3º e o 4º EI lateralmente a linha hemiclavicular esquerda; × A partir dos 3 meses -> 4º EI lateralmente a linha hemiclavicular esquerda; × Por volta dos 9 meses -> atinge o 5º EI lateralmente a linha hemiclavicular esquerda; × Por volta dos 7 anos -> mesmo posicionamento do adulto; -A respeito da ausculta cardiovascular: ® Assemelha-se a do adulto, pelo fato dos focos de ausculta localizarem-se nos mesmos locais. Entretanto, alguns achados são diferentes, como a arritmia respiratória, conhecida também como arritmia sinusal. × Esta condição é frequente na faixa etária pediátrica, sendo determinada pelo aumento da frequência cardíaca na inspiração, e de modo semelhante, redução da frequência cardíaca no momento da expiração. ® A arritmia respiratória pode ser uma condição isolada e, portanto, não necessariamente relacionada com alguma doença. Entretanto, a arritmia respiratória pode se manifestar de maneira mais intensa em crianças que apresentam algum grau de hipóxia, como no caso de hipertrofia de adenoide. 6 Vitoria Araujo – Turma 7 - @vitoria_arjo Aparelho respiratório -Inspeção: ® Padrão respiratório; × Considera-se taquipneia quando, em repouso ou durante o sono, a frequência respiratória mantém-se persistentemente acima dos valores esperados para a faixa etária da criança. ® Sinais de esforço respiratório: × Tiragem: 1. Consiste na retração entre as costelas ou abaixo do gradil costal, devido ao uso da musculatura acessória. Indica dificuldade respiratória. 2. Pode ser classificada em intercostal, subcostal, supraesternal ou esternal. × Retração de fúrcula esternal: 1. Devido ao uso de musculatura acessória. × Batimento das aletas nasais: 1. Consiste na abertura e fechamento cíclico das narinas durante a respiração espontânea. × Gemência expiratória: 1. Resulta do fechamento parcial da glote (manobra de Valsava incompleta) durante a expiração para manter a capacidade residual funcional e prevenir o colapso alveolar nas situações de perda de volume pulmonar. 2. Indica um esforço respiratório grave ou mesmo insuficiência respiratória. 3. É um sinal comum nos RN acometidos pela Síndrome do Desconforto Respiratório (SDR). -A ausculta pulmonar pediátrica é feita da mesma maneira que nos adultos, isto é, usando a escala grega (ou seja, comparando os hemicorpos bilateralmente). ® Deve ser feita tanto no dorso, como no tórax da criança. Abdome -Inspeção: ® A forma do abdome pode ser globosa, ressaltando que os recém nascidos naturalmente possuem o abdome globoso devido a imaturidade da musculatura abdominal. Entretanto, deve-se diferenciar o abdome protuberante do recémnascido de um abdome globoso em detrimento de causas patológicas. ® Abdome globoso? × Dentre as situações patológicas que cursam com o abdome globoso, tem-se: ascite, obstrução intestinal, adiposidade, disfunção hepática congênita (esteatose, atrésia de vias biliares, infecções congênitas), Kwashiorkor (desnutrição proteico calórica). ® Abdome flácido? × Considere a existência da Sd. de Prunne Belly (autossômica recessiva), onde há mal formação da musculatura da parede abdominal e hipotonia muscular. × Se o abdome não fechar, pode ser que a criança tenha as vísceras expostas ao nascimento e, portanto, necessite de correção cirúrgica. ® Coto umbilical: × Avaliar: implantação, aspecto, presença de secreções ou mesmo de hiperemia na pele (pode indicar onfalite); × Leva cerca de 7 a 15 dias para cair; ® Hérnias umbilicais: × As hérnias umbilicais manifestam-se através de abaulamentos localizados na região da cicatriz umbilical, visíveis quando possuem tamanhos grandes. Entretanto, as hérnias de menor tamanho necessitam de uma manobra para tornarem-se visíveis, então nas crianças maiores e colaborativas a Manobra de Valsava é uma boa estratégia. Contudo, é falha quando se trata de lactentes e crianças pouco colaborativas, então pode-se observar o bebê ou criança no momento de choro, já que nele também ocorre o aumento da pressão intraabdominal e essa hérnia pode se exteriorizar, facilitando o diagnóstico. × Espera-se que as hérnias se fechem espontaneamente até os 5 anos de idade; -Ausculta: ® No que se refere a ausculta do abdome, avalia-se o peristaltismo, bem como sua intensidade que pode se encontrar normal, aumentada, diminuída ou então, abolida. ® Peristaltismo aumentado? × Pode ser um indicador de gastroenterites agudas e obstruções mecânicas. 7 Vitoria Araujo – Turma 7 - @vitoria_arjo ® Peristaltismo diminuído? × Tipicamente é uma condição presente no pós operatório de cirurgias abdominais. ® Peristaltismo abolido? × Considerar ílio paralítico *Observação: no lactente a ausculta encontra-se aumentada, devido ao intenso reflexo gastrocólico. -Palpação: ® Superficial e profunda × Pesquisar por sinais de dor ou tumorações; × É fundamental a pesquisa por visceromegalias, com a ressalva de que o fígado pode ser palpável nos lactentes (2 a 3 cm abaixo do rebordo costal direito) e crianças (1 a 2 cm abaixo do rebordo costal), de maneira fisiológica e sem repercussões clínicas. Em relação ao baço, não costuma ser palpável, embora sua ponta possa ser palpada fisiologicamente em 14% dos lactentes e em até 7% das crianças entre 2 e 7 anos de idade. Região inguinal -Inspeção: ® Procurar por abaulamentos localizados, decorrentes de hérnias inguinais. ® A hérnia inguinal pode ser disseminada, acometendo os grandes lábios nas meninas e a bolsa escrotal nos meninos. Entretanto, diferente da hérnia umbilical, a hérnia inguinal possui um alto risco de encarceramento. Nas meninas as regiões passiveis do encarceramento são os ovários e trompas, enquanto nos meninos, a alça intestinal. Genitais -Masculina: ® Inspecionar e posteriormente palpar testículos; × Verificar se eles se encontram na bolsa escrotal; *Observação: a descida dos testículos para a bolsa escrotal pode ocorrer até os 3 meses de vida do recém-nascido, assim, durante esse período é possível palpá-los na região inguinal. ® Alterações testiculares: × Criptorquidia: 1. Ausência do testículo na bolsa escrotal após os 3 meses de vida. 2. Mais comum nos prematuros. 3. Em geral sua localização é unilateral e à direita. 4. O tratamento cirúrgico é indicado e deve ser realizado entre os 6 e 12 meses, não ultrapassando os 18 meses de vida. Após esse período, caso a criptorquidia não tenha sido corrigida, há grandes chances de malignização ou de evolução para infertilidade. × Testículos ascendentes: 1. Quando testículos que inicialmente possuíam localização tópica, apresentam migração cranial. 2. Geralmente acontece por volta dos 8 a 10 anos de idade, em meninos com histórico de criptorquidia com desfecho espontâneo ou ainda, possuem testículo retrátil. Isto é, um testículo cuja mobilidade é aumentada, geralmente palpáveis na raiz da bolsa escrotal, mas facilmente levados para a base da bolsa escrotal com a palpação. 3. A conduta cirúrgica é reservada para os casos de testículos retrateis que evoluíram para testículos ascendentes ou quando há redução no diâmetro do testículo. × Hidrocele: 1. A hidrocele pode ser comunicante, implicando em comunicação com a cavidade peritoneal, refletida pelo acúmulo de líquido e aumento de volume na bolsa escrotal. 2. Mas também, a hidrocele pode ser dita não comunicante, e sem essa comunicação não há acúmulo de líquido nem o consequente aumento de volume da bolsa escrotal do menino. 3. Na maioria dos casos, a hidrocele se resolve espontaneamente até o 1º ano de vida, sendo o tratamento cirúrgico reservado apenas para os casos em que a hidrocele persiste além do período esperado. ® Observar aspecto e tamanho do pênis, bem como a exposição da glânde e exame do prepúcio; × Fimose é uma condição considerada normal atéos 3 anos de idade e é dita como patológica quando ultrapassa essa idade; × Parafimose: 1. Ocorre quando uma retração é realizada no prepúcio e este não consegue retornar para sua posição inicial. Isso leva a um estrangulamento e edema da glande e, portanto, é considerada uma emergência pediátrica. Ademais, a 8 Vitoria Araujo – Turma 7 - @vitoria_arjo balanopostite pode estar presente, sendo esta condição caracterizada pela infecção e inflamação da glande e do prepúcio. ® Verificar localização do orifício uretral; × A hipospádia consiste na saída da uretra na face ventral do pênis, enquanto na epispadia, a saída da uretra ocorre na face dorsal do pênis. ® Verificar corpo do pênis: × Membranoso: quando a pele da bolsa escrotal se estende sobre o ventre do pênis. × Embutido: Quando o pênis está escondido sobre o coxim gorduroso da sínfise púbica × Incluso: É aquele que se localiza dentro da sínfise púbica, como resultado de uma cirurgia de circuncisão. -Feminina: ® Deve-se observar a simetria de grandes lábios, levando em consideração que o edema é uma condição natural em recém nascidos, devido à grande descarga hormonal de estrogênio. ® Observar se há sinéquias: × Junções dos pequenos lábios na linha média. × Geralmente estão associadas a condições de má higiene ou vulvovaginites. × O quadro clínico costuma cursar com prurido e infecções de repetição. × Na maioria dos casos a postura conservadora é adotada, aguardando o desfecho espontâneo da sinéquia. Entretanto, caso haja persistência de sintomas como o prurido, é passível o tratamento com cremes tópicos a base de corticoides. × Se ainda assim não houver resolução da sinéquia, pode-se realizar a separação mecânica dos pequenos lábios. ® Observar a presença de vulvovaginites: × Deve-se procurar por hiperemia, presença de secreções, corrimentos, prurido. Pode estar associada a má higiene também, ou ainda, a irritantes químicos, como sabão em pó e sabonete. ® Também, atentar quanto a presença de pilificação ou tumoração, visualizar a coloração da mucosa da vulva e do introito vaginal, características do clitóris, pequenos lábios e hímen da menina Região anal -O exame da região anal deve ser realizado tanto em meninas quanto meninos, através da inspeção dessa região. ® Para tanto, com as mãos espalmadas e delicadamente, afastar as nádegas da criança a fim de expor o ânus. ® Deve-se observar se há algum tipo de fissura, plicomas, escape fecal, fístula. ® Atentar a presença de dermatites de fralda, assim como a possível associação com a candidíase. × Nesse momento, faz-se importante a orientação para os pais ou responsáveis da criança quanto as trocas frequentes de fraldas e uso de creme de barreira (óxido de zinco). × No caso da infecção por cândida associada, englobar o uso de Nistatina tópica junto ao creme de barreira. Membros superiores e inferiores -Simetria: ® É importante observar a simetria dos membros, tanto superiores quanto inferiores. ® E, ainda, atentar a assimetrias e suas possíveis causas. -Edema: ® A presença de edema deve ser avaliada e, assim como nos adultos, classificada em até 4 cruzes no prontuário. ® Para determinação da presença de edema, o Teste de Cacifo ou Sinal de Godet devem ser realizados. × No caso de edema, estes estarão positivos. -Malformações dos MMII: ® Genu varo: × Joelhos afastados com os tornozelos em contato. ® Genu valgo: × Joelhos aproxima-se da linha média e as pernas ficam divergentes, com um exagerado afastamento dos tornozelos. ® Pé torto congênito; × Deformidade complexa que compromete todos os tecidos músculo esqueléticos distais do joelho. × É um dos defeitos congênitos mais comuns do pé, entretanto, sua patogênese não foi totalmente esclarecida. 9 Vitoria Araujo – Turma 7 - @vitoria_arjo -Manobras de Barlow e Ortolani: ® Barlow: × É uma manobra provocativa de um quadril instável. × Esse teste determinará o potencial para a luxação do quadril examinado. × A coxa do paciente é mantida em ângulo reto e posição de adução até que uma força será exercida pelo joelho da criança em direção vertical ao quadril, em um esforço para deslocar a cabeça femoral do interior do acetábulo. A parte superior do fêmur é mantida entre os dedos indicador e médio e sobre o trocânter maior, e o polegar na região inguinal. × O examinador deve procurar por um sinal de “pistonagem” no quadril em exame, que poderá ou não ser acompanhado por um “ressalto”. ® Ortolani: × Teste de redução do quadril, ou seja, quando um RN com a articulação coxofemoral luxada é examinado, a cabeça femoral é reduzida no acetábulo. × A manobra é realizada com a criança em decúbito dorsal com os quadris e joelhos em posição de flexão de 90 graus, com as coxas em adução e com rotação interna leves. × O sinal de Ortolani é dito positivo quando ao efetuarmos o movimento de abdução dos quadris, este pode ser acompanhado por uma leve rotação externa /das coxas, proporcionando a sensação de um “ressalto” na articulação patológica. × Ainda, podemos ter sensação audível desse “ressalto”. A manobra deve ser realizada com delicadeza e não esforço. Pele e fâneros -Durante o Exame Físico da pele da criança, procurar por: ® Eritema; ® Púrpura (extravasamento sanguíneo de vasos); ® Hemangioma (má formação vascular. Quando plana possui caráter benigno); ® Lesões (assim como procurar classificá-las, por exemplo quanto a cor: × Hipocrômica, acrômica ou hipercrômica); ® Vesículas (herpes, varicela zoster); ® Pápulas; ® Urticárias; ® Lesões bolhosas nas palmas das mãos (na pesquisa por sífilis congênita); ® Pústulas (geralmente associadas a infecções secundárias; piodermites); ® Tumorações; ® Lesões que possam corresponder a indícios de maus tratos; ® Queimaduras solares 10 Vitoria Araujo – Turma 7 - @vitoria_arjo -Manifestações dermatológicas mais comuns: ® Cianose periférica; ® Descamação da pele; ® Vérnix caseoso (protege a pele do bebê no período intraútero); ® Mancha mongólica (acúmulo de melanócitos, benigna e comum em asiáticos); ® Lesões maculopapulares eritematosas (eritema tóxico é uma condição comum nos primeiros meses de vida da criança, devido ao contato da pele com o meio ambiente); ® Milio sebáceo (devido a descarga hormonal da mãe da criança); ® Miliária (“brotoeja”, pela obstrução das glândulas sudoríparas); ® Alergias/dermatite de contato; ® Alergia a proteína do leite de vaca.