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Rosileide Oliveira Sistema de saúde e conceito ampliado de saúde ● Sistemas de saúde Um sistema de saúde é formado por um conjunto de agências e agentes, que têm como objetivo intervir na saúde de indivíduos, tendo o estado e a população como mediadores, em maior ou menor grau. Agência: organizações públicas e privadas, governamentais ou não, que têm como finalidade promover, proteger, recuperar e reabilitar a saúde. Ex.: Unidades Básicas de Saúde, hospitais, laboratórios. Agentes: trabalhadores que realizam ações de saúde. Ex.: médicos, enfermeiros, psicólogos, Agentes Comunitários de Saúde, gestores etc. Do ponto de vista da organização, os sistemas mais comuns são os fragmentados, cujos pontos de atenção não são interligados; e os integrados em rede, nos quais os serviços devem estar em comunicação para um processo de cuidado contínuo. Os sistemas de saúde refletem os valores que orientam os projetos de sociedade, podendo ser de duas formas: valores solidários e igualitaristas e valores individualistas. valores solidários e igualitaristas tendem a produzir sistemas mais includentes, que consideram a saúde como direito de todos e dever do estado, como ocorre no Brasil, Reino Unido e Canadá. Valores mais individualistas tendem a produzir sistemas segmentados, fragmentados e focalizados em determinados grupos, e são orientados pela lógica de mercado, com baixa regulação estatal, como ocorre nos Estados Unidos. Os sistemas de saúde correspondem ao modelo de proteção social de cada sociedade. Considerando a trajetória histórica das políticas de saúde no país, no Brasil, há uma mistura de três tipos de proteção social. Modelo residual até 1920: Proteção social incipiente, assistencialista, filantrópica. Modelo de Seguro social a partir de 1930: Contemplava trabalhadores formais urbanos que tinham direito à saúde mediante contribuições à previdência. Modelo de Seguridade Social depois de 1988: Contempla todos os cidadãos, que passam a ter direito à saúde de modo igualitário. Quando se fala em defesa do SUS, é fundamental que se atente para a diferenciação entre: Projetos que desejam um SUS residual e segmentado para pobres, atuando somente onde o setor privado não tenha interesse; Projetos de fato alinhados ao SUS constitucional da Reforma Sanitária e que têm uma perspectiva abrangente de saúde e sociedade. O SUS surge com uma proposta ampliada de saúde e considera a sua determinação social. Mas, o que isso significa? Todo o arcabouço estrutural, normativo e todas as práticas vigentes em um sistema de saúde são determinados pela visão que se tem sobre saúde e doença. E para essa questão não há resposta única, pois varia conforme a conjuntura econômica, social e cultural. Não há um limite explícito sobre onde acaba a saúde e começa a Rosileide Oliveira doença. O que sabidamente se pode afirmar é que ambos fazem parte de um processo interligado, denominado Processo Saúde-Doença. ● Processo saúde doença O entendimento acerca de saúde e doença ultrapassa o corpo biológico, as características físicas e ambientais. O modo como a sociedade se organiza determina o estilo de vida e as condições de trabalho da população, influenciando, assim, o seu estado de saúde. Duas pessoas que tenham sido diagnosticadas com a mesma doença, mas que vivam em condições distintas de acesso à educação, trabalho e lazer, manifestarão estados de saúde distintos, podendo uma delas se apresentar como alguém saudável. Do mesmo modo, duas pessoas que não tenham sido diagnosticadas com qualquer doença classicamente conhecida podem apresentar-se ambas doentes, ou uma doente e outra não. Diante disso, uma concepção ampliada de saúde significa que esta não se trata simplesmente da ausência de doenças. A ênfase nos elementos biológicos da saúde e da doença faz com que os profissionais e gestores da saúde imaginem que seu objeto de trabalho é a doença e não as pessoas. O processo saúde-doença Significa compreender a amplitude do processo saúde-doença, suas dimensões singulares, particulares e estruturais/coletivas. Todas essas dimensões afetam o processo e devem ser consideradas quando se reflete sobre a gestão de um sistema de saúde. Ao cuidar, ao propor políticas de saúde, não se deve ter em mente a hipertensão, a diabetes, o Acidente Vascular Cerebral, mas sim as pessoas, as quais têm histórias, famílias, culturas, cotidianos e situações econômicas distintas A gestão em saúde não pode se dar em um campo estéril, em que a singularidade das pessoas é ignorada e os recursos voltados para aquilo que conceituamos como patologias É preciso incorporar a história e a situação social das pessoas no diagnóstico, na terapêutica e na gestão em saúde e operar o sistema em uma rede de apoio intersetorial, acolhendo os usuários em sua integralidade. ● Determinantes sociais da saúde o SUS considera a determinação social da saúde, Existem diversos modelos que buscam explicar os elementos que mediam essa determinação. A Comissão Nacional de Determinantes Sociais da Saúde escolheu o Modelo de Dahlgren e Whitehead, que apresenta uma fácil visualização gráfica Rosileide Oliveira A análise do modelo reafirma o entendimento da saúde como campo que ultrapassa o componente biológico e que depende de políticas que modifiquem as condições estruturais em que a sociedade se organiza. Às políticas de saúde é necessário integrar: ● Ações para redução da pobreza, superação das iniquidades de gênero e etnicidade; ● Melhoria do acesso à educação, cultura e lazer; ● Fortalecimento da participação social. Antes do SUS, havia um sistema orientado por um modelo de atenção conhecido como modelo médico assistencial privatista. Porém, devido à incapacidade desse modelo de responder às necessidades e demandas da população, o modelo de atenção do SUS é constituído por outras bases, voltadas para a integralidade da atenção: ● Ênfase no trabalho em equipes multidisciplinares; Rosileide Oliveira ● Priorização das ações preventivas, tendo a APS, por meio das Equipes de Saúde da Família, como primeiro contato com o serviço de saúde e aquele capaz de resolver até 80% das necessidades de saúde da população; ● Vigilância dos riscos e danos em articulação com a APS; ● Articulação entre demanda espontânea e oferta organizada por grupos populacionais (mulher, adolescentes, pessoas com hipertensão). ● Regulação do acesso às especialidades por meio da APS, a qual atua como porta de entrada, como coordenadora da Rede de Atenção à Saúde (RAS) e como ordenadora do modelo de atenção à saúde. Referencias REIS, R. S. Sistema de Saúde e Conceito Ampliado de Saúde. In: UNIVERSIDADE FEDERAL DO MARANHÃO / UNIVERSIDADE ABERTA DO SUS. Curso Gestão em Saúde. Organização do SUS. São Luís: UFMA; UNA-SUS, 2021.