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ELETROTÉCNICA E ELETRÔNICA Professor Me. Fábio Augusto Gentilin GRADUAÇÃO Unicesumar Acesse o seu livro também disponível na versão digital. C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância; GENTILIN, Fábio Augusto. Eletrotécnica e Eletrônica. Fábio Augusto Gentilin. Maringá-Pr.: Unicesumar, 2019. Reimpressão 2020. 290 p. “Graduação - EaD”. 1. Eletrotécnica. 2. Eletrônica. 3. EaD. I. Título. ISBN 978-85-459-1782-3 CDD - 22 ed. 607.12 CIP - NBR 12899 - AACR/2 Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828 Impresso por: Reitor Wilson de Matos Silva Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi NEAD - Núcleo de Educação a Distância Diretoria Executiva Chrystiano Minco� James Prestes Tiago Stachon Diretoria de Graduação e Pós-graduação Kátia Coelho Diretoria de Permanência Leonardo Spaine Diretoria de Design Educacional Débora Leite Head de Produção de Conteúdos Celso Luiz Braga de Souza Filho Head de Curadoria e Inovação Tania Cristiane Yoshie Fukushima Gerência de Produção de Conteúdo Diogo Ribeiro Garcia Gerência de Projetos Especiais Daniel Fuverki Hey Gerência de Processos Acadêmicos Taessa Penha Shiraishi Vieira Gerência de Curadoria Carolina Abdalla Normann de Freitas Supervisão de Produção de Conteúdo Nádila Toledo Coordenador de Conteúdo Crislaine Rodrigues Galan Designer Educacional Crislaine Rodrigues Galan Projeto Gráfico Jaime de Marchi Junior José Jhonny Coelho Arte Capa Arthur Cantareli Silva Ilustração Capa Bruno Pardinho Editoração Robson Yuiti Saito Qualidade Textual Ariane Andrade Fabreti Ilustração Marta Sayuri Kakitani Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos com princípios éticos e profissionalismo, não so- mente para oferecer uma educação de qualidade, mas, acima de tudo, para gerar uma conversão in- tegral das pessoas ao conhecimento. Baseamo-nos em 4 pilares: intelectual, profissional, emocional e espiritual. Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil estudantes espalhados em todo o Brasil: nos quatro campi presenciais (Maringá, Curitiba, Ponta Grossa e Londrina) e em mais de 300 polos EAD no país, com dezenas de cursos de graduação e pós-graduação. Produzimos e revisamos 500 livros e distribuímos mais de 500 mil exemplares por ano. Somos reconhecidos pelo MEC como uma instituição de excelência, com IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos entre os 10 maiores grupos educacionais do Brasil. A rapidez do mundo moderno exige dos educa- dores soluções inteligentes para as necessidades de todos. Para continuar relevante, a instituição de educação precisa ter pelo menos três virtudes: inovação, coragem e compromisso com a quali- dade. Por isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia, metodologias ativas, as quais visam reunir o melhor do ensino presencial e a distância. Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento de uma sociedade justa e solidária. Vamos juntos! Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está iniciando um processo de transformação, pois quan- do investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou profissional, nos transformamos e, consequente- mente, transformamos também a sociedade na qual estamos inseridos. De que forma o fazemos? Crian- do oportunidades e/ou estabelecendo mudanças capazes de alcançar um nível de desenvolvimento compatível com os desafios que surgem no mundo contemporâneo. O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens se educam juntos, na transformação do mundo”. Os materiais produzidos oferecem linguagem dialógi- ca e encontram-se integrados à proposta pedagógica, contribuindo no processo educacional, complemen- tando sua formação profissional, desenvolvendo com- petências e habilidades, e aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, estes materiais têm como principal objetivo “provocar uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta forma possibilita o desenvolvimento da autonomia em busca dos conhe- cimentos necessários para a sua formação pessoal e profissional. Portanto, nossa distância nesse processo de cresci- mento e construção do conhecimento deve ser apenas geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos fó- runs e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe das discussões. Além disso, lembre-se que existe uma equipe de professores e tutores que se encontra dis- ponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em seu processo de aprendizagem, possibilitando-lhe trilhar com tranquilidade e segurança sua trajetória acadêmica. A U TO R Professor Me. Fábio Augusto Gentilin Fábio Augusto Gentilin é Mestre em Engenharia Elétrica (MEEL - UEL, 2012), Especialista em Automação de Processos Industriais (Cesumar, 2008), Engenheiro de Controle e Automação (UniCesumar, 2015), Tecnólogo em Automação Industrial (Cesumar, 2006) e Técnico em Eletrônica (Colégio Graham Bell, 1999). É coordenador dos cursos de Engenharia Elétrica, Engenharia de Controle e Automação - Mecatrônica e Engenharia Mecânica da UniCesumar - Centro Universitário de Maringá EAD. Coordena os cursos de especialização em Engenharia Mecatrônica e especialização em Sistemas Elétricos de Potência. Foi professor dos cursos de graduação em Engenharia Elétrica, Engenharia de controle e automação e Tecnologia em Automação Industrial, além de ministrar aulas também em cursos de especialização e extensão nas áreas de Eletrônica Embarcada e Informática Industrial. Atuou na indústria eletrônica no segmento de energia em telecomunicações na divisão de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) de 2001 a 2009 e atua como docente do ensino superior desde 2007, além de ter ministrado aulas também em cursos técnicos. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/8899424045058024 SEJA BEM-VINDO(A)! Caro(a) acadêmico(a), este livro de Eletrotécnica e Eletrônica foi desenvolvido para aten- der ao estudante de Engenharia de Produção, atendendo aos pré-requisitos de forma- ção e vocação do curso. O enfoque deste livro levou em consideração o perfil de Engenharia de Produção que utiliza os recursos tecnológicos para orientar suas metas e decisões estratégicas, explo- rando ao máximo detalhes que vão estimular o estudante a imersão no mundo da tec- nologia Eletrotécnica e dos recursos oferecidos pela Eletrônica, cada vez mais presente nos processos produtivos. O livro é dividido em 5 unidades, onde os assuntos têm início na Eletrotécnica, passando por assuntos intermediários como Instalações elétricas, Acionamentos Elétricos e a Ele- trônica em suas formas analógica e digital, para finalmente demonstrar suas aplicações em Eletrônica aplicada, que se dá na última unidade. Na unidade I, o estudante terá contato com a Introdução à Eletrotécnica e os Conceitos básicos de eletricidade, além de conhecer os Materiais isolantes, condutores e semicon- dutores e os efeitos da corrente elétrica, produzindo as Grandezas elétricas fundamen- tais. Já na unidade II, os estudos apontam para as Instalações elétricas, suas Normas regula- mentadoras e as definições de Sistemas Elétricos de Potência (SEP), com relação a Ge- ração, Transmissão e distribuição de energia elétrica, além de permear o ambiente de Noções de Luminotécnica. Ao estudar a unidade III deste livro, o aluno de Engenharia de Produção deve aprender os conceitos demáquinas elétricas e seus principais tipos, além de ter contato com uma introdução aos acionamentos elétricos. Este tema remete a uma importante denomina- ção, atualmente, utilizada com frequência e abordada nessa unidade: a eficiência ener- gética. Com os conhecimentos da unidade IV, o aluno terá noções de Eletrônica, em termos de Componentes eletrônicos, seus circuitos, Eletrônica Digital, sinais digitais, assim como os Circuitos digitais combinacionais e sequenciais, além da Eletrônica Analógica, os si- nais analógicos e seus respectivos circuitos. Por fim, na unidade V o estudante terá contato com as aplicações da Eletrônica e sua sinergia, mesclando a Eletrônica Analógica com a Digital e demonstrando aplicações de Eletrônica de Potência, instrumentação, controle, comunicação e instrumentação in- dustrial. Este livro foi escrito com base em tecnologias, atuais apontando para situações onde o Engenheiro de Produção possa contribuir com o aumento da produtividade de um processo, utilizando o melhor dos recursos tecnológicos de eletrônica e eletrotécnica. Bons Estudos! APRESENTAÇÃO ELETROTÉCNICA E ELETRÔNICA SUMÁRIO 09 UNIDADE I ELETROTÉCNICA 15 Introdução 16 Introdução à Eletrotécnica 17 Materiais Isolantes, Condutores e Semicondutores 31 Grandezas Elétricas Fundamentais 61 Considerações Finais 66 Referências 67 Gabarito UNIDADE II INSTALAÇÕES ELÉTRICAS 73 Introdução 74 Instalações Elétricas 88 Sistemas Elétricos de Potência (SEP) 93 Noções de Luminotécnica 103 Considerações Finais 109 Referências 110 Gabarito SUMÁRIO 10 UNIDADE III MÁQUINAS ELÉTRICAS E ACIONAMENTOS 115 Introdução 116 Tipos de Máquinas Elétricas 130 Introdução aos Acionamentos Elétricos 143 Eficiência Energética 150 Considerações Finais 156 Referências 157 Gabarito UNIDADE IV ELETRÔNICA 161 Introdução 162 Introdução à Eletrônica 204 Eletrônica Digital 210 Eletrônica Analógica 222 Considerações Finais 229 Referências 231 Gabarito SUMÁRIO 11 UNIDADE V ELETRÔNICA APLICADA 235 Introdução 236 Eletrônica Aplicada 247 Eletrônica de Potência 254 Instrumentação Industrial 278 Considerações Finais 287 Referências 288 Gabarito 289 CONCLUSÃO U N ID A D E I Professor Me. Fábio Augusto Gentilin ELETROTÉCNICA Objetivos de Aprendizagem ■ Apresentar os conceitos relacionados à Eletrotécnica e as características elétricas dos materiais, alinhado com as principais grandezas elétricas. ■ Conhecer a natureza dos principais tipos de materiais utilizados na fabricação dos elementos de eletricidade e eletrônica. ■ Entender as principais grandezas elétricas, os fundamentos de corrente, tensão, resistência e potência e calcular parâmetros de consumo de energia elétrica. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Introdução à Eletrotécnica ■ Materiais isolantes, condutores e semicondutores ■ Grandezas elétricas fundamentais INTRODUÇÃO A Eletrotécnica está presente em todas as áreas onde há o consumo de energia elétrica e se refere aos processos envolvidos desde a geração desta grandeza até a entrega e o uso nas instalações do consumidor final. Os profissionais atuantes na área de Eletrotécnica precisam ter qualificação técnica e extremo alinhamento com normas técnicas e de segurança para atuar nos diferentes ambientes onde a eletricidade está presente e representando um perigo invisível. Quando nos referimos à eletricidade, é bastante comum nos lembrarmos de fios e cabos, postes, torres de transmissão e todos aqueles equipamentos que conduzem a eletricidade até os nossos lares e também para as indústrias e demais empresas, além de alimentar a iluminação das cidades e vias. É comum também relacionarmos ao fator consumo, que se refere ao quanto teremos de pagar pelo uso da eletricidade. A relação entre o uso da eletricidade e o investimento realizado na sua manutenção está diretamente relacionada à área de atuação da Eletrotécnica, que será abordada nesta unidade de acordo com a área de atuação do profissio- nal Engenheiro de Produção. Também serão abordados temas relacionados às características elétricas dos dispositivos para fazer menções às análises necessárias ao entendimento dos conceitos fundamentais, além de abordar a área de geração, transmissão e dis- tribuição de energia elétrica, que são os pilares da Eletrotécnica e dos sistemas elétricos de potência (SEP). Para finalizar esta unidade, será abordado também o tema Luminotécnica, que se refere à esfera da iluminação e das suas características sob o ponto de vista operacional e mantenedor, uma vez que o custo relacionado à demanda de energia para a iluminação é de importante relevância. Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 15 INTRODUÇÃO À ELETROTÉCNICA Nesta unidade, estudaremos um pouco a respeito da Eletrotécnica e de suas principais características sob a ótica de um Engenheiro de Produção, uma vez que, sob o ponto de vista do gestor do fluxo de materiais, a contratação de demanda de energia elé- trica representa um custo significativo e que deve ser utilizado com responsabilidade. Primeiramente, vamos incluir você, estudante, no universo da Eletrotécnica, conceituando alguns pontos estruturais elementares que se fazem necessários para o entendimento do estudo até o final da unidade. CONCEITOS BÁSICOS DE ELETRICIDADE Quando nos referimos à eletricidade, nos deparamos com várias definições que se referem ao movimento de elétrons em materiais condutores ou à presença de características elétricas de um material em específico. Nesta unidade, abor- daremos a eletricidade no âmbito prático, pressupondo o campo de atuação do engenheiro de produção, mas sem deixar de lado os conceitos fundamentais. ELETROTÉCNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E16 Materiais Isolantes, Condutores e Semicondutores Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 17 Ao observarmos a natureza, notamos que nos dias mais secos (com baixa umidade relativa do ar) é comum presenciarmos pessoas levando choques elétri- cos ao descer de seus carros ou ao tocar a maçaneta de uma porta. É interessante também notar a atração ou a repulsão que um copo plástico descartável sofre quando aproximamos as mãos dele depois de uma longa caminhada. Estes e muitos outros efeitos naturais estão relacionados à eletricidade e fazem parte do nosso dia a dia (COTRIM, 2003). Basicamente, a Eletrostática e a Eletrodinâmica explicam claramente cada um dos fenômenos citados, o que não é o objetivo deste livro, mas que precisam ser citados para o entendimento dos conceitos futuros. MATERIAIS ISOLANTES, CONDUTORES E SEMICONDUTORES A maioria (senão todos) os materiais na natureza manifestam características elé- tricas de acordo com a natureza de sua composição. Sabemos que cada material é composto de moléculas e que cada molécula, por sua vez, é formada pela ligação entre áto- mos com as suas próprias características eletrônicas, por exemplo, o número de elétrons na sua camada de valência (órbita ou camada mais distante do núcleo). Esta característica define a capacidade de condução de corrente elétrica que um determinado material possui. A Figura 1 apresenta uma representação genérica de um átomo de Berílio (Be). Veja que a última órbita mais distante do centro (núcleo do átomo) é a camada de valência (LOURENÇO; CRUZ; JÚNIOR,1996). Figura 1 - Átomo de Berílio (Be). Apenas um elétron da camada de valência: condutor. ELETROTÉCNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E18 Antes de entrarmos no assunto dos materiais, façamosuma analogia que nos permita entender melhor a função de cada estrutura. Por exemplo, quando falamos de corrente elétrica, nos referimos ao movimento dos elétrons livres em um condutor, “pulando” de átomo em átomo vizinho, de modo a configurar um movimento orientado pela polaridade do gerador ou fonte. Imagine se o condutor elétrico fosse um tubo, e dentro desse tubo introdu- zíssemos bolas de gude de modo a preencher todo o seu volume interno. Este seria nosso condutor elétrico em repouso. Se em uma das extremidades desse tubo, conseguíssemos inserir uma bola de gude a mais, o resultado seria que, neste momento, a bola de gude da outra extremidade seria empurrada pelas demais e sairia do tubo, pois cada uma das bolas intermediárias empurram umas às outras, de modo a promover esta transferência de energia mecânica. Caso pudéssemos introduzir bolas de gude ininterruptamente na entrada do tubo, teríamos, da mesma maneira, bolas na mesma proporção saindo do outro lado do tubo, conforme mostrado na Figura 2. Tubo com bolas de gude em repouso Tubo com bolas de gude em movimento Uma bola empurra a outra Força de entrada Movimento resultante Figura 2 - Corrente elétrica: analogia com um tubo e bolas de gude Fonte: o autor. Isto seria uma movimentação de bolas de gude dentro de um tubo e, portanto, uma “corrente de bolas de gude”. Na eletricidade, as bolas de gude podem ser relacionadas com os elétrons e, nesta analogia simples, o condutor seria o tubo, e a força que insere as bolas de um lado do tubo seria como a diferença de poten- cial entre os polos da pilha. Na Figura 3, observamos um circuito elétrico composto de uma fonte de ener- gia elétrica (pilha), condutores de cobre, um interruptor e uma lâmpada. A pilha é o agente propulsor da corrente elétrica, esta que só pode ocorrer se um caminho fechado existir. Este caminho fechado é o que denominamos de “circuito elétrico”. Materiais Isolantes, Condutores e Semicondutores Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 19 Pilha Fio Lâmpada Chave Figura 3 - Circuito elétrico simples. Quando a pilha está carregada, afirmamos que há uma diferença de potencial elétrico entre os polos positivo e negativo da pilha. Isto significa que há mais elétrons em um extremo da pilha (polo negativo) do que no outro (polo posi- tivo), então há uma constante insistência desses elétrons presentes no polo negativo em se recombinar com o polo positivo, pois na natureza há uma cons- tante necessidade de equilíbrio, que atua no sentido de manter para cada carga positiva, uma negativa. Quando há um caminho para que esses elétrons possam sair do polo negativo e chegar até o polo positivo, então há um circuito fechado, ou circuito elétrico, assim como em uma corrida de carros, os quais percorrem uma pista fechada. Da mesma forma, os elétrons se locomovem no condutor de cobre. Uma vez estabelecido o circuito, os elétrons iniciam um movimento por meio desse caminho impulsionados pela diferença de potencial da pilha, força esta que é tão intensa quanto maior for a diferença de concentração de elétrons entre o polo positivo e o polo negativo. A Figura 4, a seguir, mostra uma representação de um condutor elétrico sendo percorrido pela corrente elétrica. Note que os elétrons “livres” são aqueles que se deslocam de átomo a átomo no condutor. Para que esses elétrons pos- sam ser livres, ou seja, para que possam se “libertar” de seus átomos originais e “saltar” para o próximo átomo, é necessário que seja introduzida energia que, neste caso, se dá por conta da diferença de potencial entre os polos positivo e negativo da pilha. ELETROTÉCNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E20 Elétrons livres Átomos dos elementos metálicos Prótons Nêutrons Figura 4 - Fluxo de corrente elétrica em um condutor metálico. Perceba que, quando todas as cargas positivas do polo positivo receberem uma carga negativa, podemos dizer que o sistema está em equilíbrio e, neste caso, a pilha está descarregada. Para facilitar o entendimento do estudo da corrente elétrica, imagine que o átomo, provido basicamente de elétrons, prótons e nêutrons, possui elétrons mais fortemente unidos ao núcleo. Esses elétrons apresentam maior dificuldade em se libertar do núcleo do átomo e, por sua vez, ocupam órbitas mais próximas do núcleo, já os elétrons mais distantes do núcleo estão fracamente ligados ao núcleo, assim, se aplicarmos energia nesse átomo, por exemplo, energia potencial elétrica, esses elétrons posicionados na camada de valência podem ser estimulados a se des- prender da órbita de seu átomo original e migrar para a órbita do átomo vizinho (como as esferas do tubo que assumem a posição das outras, quando empurradas). No momento em que os elétrons de um átomo entram em movimento de átomo em átomo, temos o que conhecemos como corrente de elétrons, ou “cor- rente elétrica”. É importante salientar que um átomo com um elétron em sua camada de valência apresenta maior facilidade em fornecê-lo para o processo descrito do que um átomo que tem mais de um elétron em sua última órbita. A facilidade com que os elétrons se movimentam em um dado condu- tor depende das características de cada material que o compõe. Este é um dos aspectos que classifica um material como condutor, semicondutor ou isolante. Materiais Isolantes, Condutores e Semicondutores Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 21 MATERIAIS CONDUTORES Normalmente, consideramos um material como condutor quando ele apresenta, em sua camada de valência, um elétron (por exemplo, o cobre). A Figura 5 mos- tra a configuração de um átomo de cobre, onde fica visível o único elétron em sua camada de valência. Embora haja cobre em abun- dância na natureza, este material, quando processado na forma de condutores elétricos, é de valor ele- vado e, muitas vezes, é misturado a outros tipos de materiais para conferir a resistência mecânica necessária, assim, dificilmente, encontraremos condutores comer- ciais compostos de cobre puro. Outros materiais que possuem a mesma característica do cobre em conduzir corrente elétrica são, Massa atômica: 63.546 Con�guração eletrônica: 2, 8, 18, 1 Cobre Figura 5 - Átomo de Cobre (Cu): um elétron na camada de valência. ELETROTÉCNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E22 por exemplo, o ouro e a prata, porém, estes materiais são de valor extremamente elevado, o que não justificaria o uso em condutores elétricos de uso comum, sendo ambos utilizados na fabricação de componentes eletrônicos específicos e em aplicações, onde outras características exigem que os materiais em questão sejam utilizados. A Figura 6 mostra a configuração eletrônica do ouro e da prata. Ouro Prata Massa atômica: 196.96 Con�guração eletrônica: 2, 8, 18, 32, 18, 1 Massa atômica: 107.86 Con�guração eletrônica: 2, 8, 18, 18, 1 Figura 6 - Configuração eletrônica do ouro e da prata: (a) ouro e (b) prata. Um elétron na camada de valência. MATERIAIS SEMICONDUTORES Materiais Isolantes, Condutores e Semicondutores Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 23 Materiais classificados como semicondutores simples apresentam, em sua com- posição, átomos de um mesmo material com quatro elétrons em sua camada de valência (tetravalentes), como é o caso do silício (Si) e do germânio (Ge). Silício Germânio Massa atômica: 28.085 Con�guração eletrônica: 2, 8, 4 Massa atômica: 72.63 Con�guração eletrônica: 2, 8, 18, 4 Figura 7 - Átomos de semicondutores: (a) silício e (b) germânio. Quatro elétrons na camada de valência. O Silícioé encontrado em abundância na crosta terrestre e o seu processamento produz inúmeras aplicações como matéria-prima para a fabricação de diversas áreas, desde pequenos componentes eletrônicos até painéis fotovoltaicos, utili- zados para a conversão de energia solar em energia elétrica. Quando um material é composto puramente de átomos de Silício (por exem- plo), temos a representação dada na Figura 8. Note que para cada elétron de um átomo, há outro correspondente no átomo adjacente, assim, não há predo- minância negativa ou positiva, pois, neste caso, temos uma pastilha composta puramente por um único tipo de átomo. ELETROTÉCNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E24 Átomo de Silício e e ee Si e e ee Si e e ee Si e e ee Si e e ee Si e e ee Si e e ee Si e e ee Si e e ee Si e e ee Si e e ee Si e e ee Si e e ee Si e e ee Si e e ee Si e e ee Si e e ee Si Figura 8 - Ligação covalente de átomos de semicondutor (Si) Fonte: o autor. FORMAÇÃO DE SEMICONDUTORES TIPO P E TIPO N Há derivações dos semicondutores que são necessárias para a fabricação de com- ponentes eletrônicos que, por sua vez, dependem da mistura de átomos de outros materiais com mais ou com menos elétrons em suas camadas de valência, junto de uma estrutura-base constituída de átomos semicondutores. Este processo é denominado dopagem e tem como objetivo atribuir ao material características elétricas predominantemente positivas (P) ou negativas (N). Na fabricação de componentes eletrônicos como diodos, transistores e Materiais Isolantes, Condutores e Semicondutores Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 25 circuitos integrados, é necessário produzir semicondutores do tipo P e do tipo N (Figura 9). Nos materiais do tipo P há maior concentração de portadores posi- tivos denominados de “lacunas”, e nos materiais semicondutores do tipo N há a predominância de portadores de cargas negativas, que são os elétrons. O processo de dopagem do semicondutor silício, para se obter um material do tipo P, consiste em adicionar pequenas quantidades de átomos trivalentes, ou seja, com três elétrons em sua camada de valência, como é caso do alumínio, do gálio, do índio e do boro. Neste caso, a pastilha de material do tipo P terá muitos átomos tetravalentes de silício e alguns átomos trivalentes de boro, por exemplo, e com isto, haverá sempre a falta de um elétron (o átomo de boro tem apenas três em sua camada de valência) para se recombinar com o elétron do átomo de silício e, com isto, há o surgimento de uma estrutura denominada de “lacuna”. As lacunas são classificadas como os portadores positivos do semicondu- tor. Quando há predominância de lacunas em uma porção de material semicondutor, afirmamos que este material possui portadores majori- tários do tipo P (Figura 10). Figura 9 - Semicondutores integrados: funções computacionais embarcadas. ELETROTÉCNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E26 Átomo de Silício (tetravalente) Átomo de Boro (trivalente) e e ee Si e ee B e e ee Si e e ee Si e e ee Si e e ee Si e e ee Si e e ee Si e e eB e e ee Si e e ee Si e e ee Si e e ee Si e e ee Si e e ee Si e e ee Si e e ee Si e e ee Si Lacuna Figura 10 - Formação do semicondutor do tipo P: dopagem com elemento trivalente Fonte: o autor. Quando se deseja produzir materiais semicondutores com portadores majo- ritários do tipo N (mais eletronegativos), utiliza-se o processo de dopagem do semicondutor com elementos pentavalentes, assim, haverá mais elétrons sem recombinação no material. Alguns exemplos de materiais pentavalentes utili- zados na dopagem de semicondutores são: o antimônio, o arsênio e o fósforo, conforme Figura 11. Perceba que, neste caso, o átomo de arsênio apresenta cinco elétrons, por- tanto, pentavalente. Quando este átomo é combinado com átomos de silício, há “sobra” de elétrons, pois o silício só pode se recombinar com quatro elétrons (tetravalente), então, o material composto da dopagem de semicondutor puro (Si ou Ge) com elemento pentavalente (As) produz portadores majoritários negativos, e esta porção de material é denominada de semicondutor do tipo N. Materiais Isolantes, Condutores e Semicondutores Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 27 Átomo de Silício (tetravalente) Átomo de Arsênio (pentavalente) e e ee Si e ee e e As e e ee Si e e ee Si e e ee Si e e ee Si e e ee Si e e ee Si e e e ee As e e ee Si e e ee Si e e ee Si e e ee Si e e ee Si e e ee Si e e ee Si e e ee Si e e ee Si elétron “sobrando” Figura 11 - Formação do semicondutor do tipo N: dopagem com elemento pentavalente Fonte: o autor. Praticamente todos os dispositivos eletrônicos utilizam semicondutores que são responsáveis pelas telecomunicações modernas, tendo larga utilização na fabrica- ção de componentes eletrônicos e optoeletrônicos utilizados em computadores, aparelhos de TV, smartphones etc. O LED (light-emitting diode), ou Diodo Emissor de Luz é um tipo de semi- condutor que emite luz quando percorrido pela corrente elétrica. A sua cor é determinada pela sua dopagem, ou seja, pela mistura de átomos de dife- rentes naturezas configurações eletrônicas ao semicondutor para produzir o efeito luminoso desejado. A emissão de luz se dá no momento em que ocorre a corrente elétrica, por meio da junção semicondutora e o elétron salta de um nível de energia mais alto para um nível de energia mais baixo, emitindo luz neste processo, diferentemente dos diodos comuns, em que essa energia é dissipada na forma de calor. Fonte: o autor. ELETROTÉCNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E28 MATERIAIS ISOLANTES É comum remeter a materiais como a borra- cha, o plástico e o vidro quando nos referimos a materiais isolantes, pois estes materiais, normal- mente, são utilizados quando o efeito de isolação é desejado. Mas, afinal, isolação em relação a quê? Quando nos referimos a materiais isolantes, é preciso lembrar que o termo isolante pode- ria se referir, por exemplo, à isolação acústica ou à isolação térmica, mas não é este o contexto desta unidade, pois este tópico se refere à isola- ção elétrica. Se é isolação elétrica, devemos isolar o que se refere ao elétron em movimento, ok? Nesta linha de pensamento, devemos nos recordar do que foi apresentado nos assuntos anteriores com uma breve ideia do que seria a corrente elétrica, que é a movimentação dos elétrons em um meio condutor. Esses elétrons que se movem devem estar em algum lugar para que possam sair se deslocando. Nós vimos que eles fazem parte de um determinado átomo e, normalmente, são elétrons livres, pois são fracamente presos ao núcleo e ficam posicionados na camada de valência. O que ocorre é que, na maioria dos materiais isolantes, o número de elétrons presentes na camada de valência é de oito elétrons ou mais e, com isto, dificilmente seria possível fazer com que estes portadores de cargas negativas entrassem em movi- mento, ou seja, promover a corrente elétrica em um material composto de átomos com oito elétrons na camada de valência seria praticamente inviável, mas há limites! Como devemos imaginar, na natureza, não encontramos todos os materiais compostos apenas por um único tipo de elemento, ou seja, há combinações de impurezas com elementos-base em maior quantidade e outros que conferem atri- butos desejados, como resistência à tração, pressão, temperatura etc. Impureza é toda a substância diferente do material mais predominante na amostra, exemplo: boroé a impureza adicionada ao silício para promover a dopagem e a formação do material semicondutor do tipo P . Materiais Isolantes, Condutores e Semicondutores Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 29 Contemplando essas características, observamos que alguns materiais possuem a capacidade de isolar eletricamente superfícies dentro de limites significativos, mas até quanto posso considerar segura essa isolação? Vamos entender os limites. Considere o circuito da Figura 12. A fonte de tensão V é a responsável por “impulsionar” os elétrons a passarem pelo caminho sinuoso do resistor R , logo a cor- rente elétrica I depende da intensidade de força aplicada para ser maior ou menor. I V R Figura 12 - Primeira lei de Ohm: corrente elétrica Fonte: o autor. A equação que define o funcionamento desse circuito é descrita pela primeira lei de Ohm: I V R A= = [ ] Equação 1: Primeira Lei de Ohm. Mais adiante, abordaremos com detalhes cada elemento relacionado à corrente elétrica. Neste momento, observe apenas a relação entre as grandezas: A intensidade de corrente I (medida em Ampère) é diretamente propor- cional à tensão V (medida em Volt). Isto significa que quanto maior a tensão V maior a corrente I . Em termos de elétrons, significa mais elétrons passando pelo condutor por intervalo de tempo. Mas o que isto tem a ver com os mate- riais isolantes? Sim! Os isolantes! Estes materiais têm a ver com o denominador dessa Equação 1, a parte chamada de resistência R (medida em Ohm - símbolo Ω). É este o ponto. Imagine que o valor do resistor R da Equação 1 seja de 1.000.000 W . Se a tensão V for de 12 V , qual será o valor da corrente I no circuito? Utilizando ELETROTÉCNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E30 a Equação 1 e substituindo os valores, fica: I V R A A= = = −12 1 000 000 1 2 10 125 . . , . ou µ Se alterarmos o valor de R , diminuindo-o pela metade (para 500 000. W ), automaticamente o valor da corrente dobraria, logo conclui-se que a corrente é inversamente proporcional à resistência, e quanto maior o valor da resistên- cia, menor a corrente. Os materiais isolantes são aqueles que apresentam valor de resistência elevada, logo, a corrente que pode circular por meio deles é muito baixa ou insignificante. Então, todo material ou meio que apresente oposição à circulação de corrente pode assumir características isolantes? Na verdade, não, mas os materiais iso- lantes aplicados a pequenas diferenças de potencial (Volts) não permitem fluxos de correntes, ou são tão pequenas que chegam a ser desprezíveis. Normalmente, para isolar a corrente elétrica, utiliza-se materiais como o plás- tico, a borracha, a cerâmica, o fenolite, a fibra de vidro, o vidro, entre outros, mas lembre-se: a capacidade de isolar a diferença de potencial que um dado mate- rial ou meio possui está relacionada a mais do que o próprio material. Tem a ver com as condições climáticas (umidade relativa do ar), distância entre os elemen- tos, frequência dos sinais etc. Há, no Brasil, normas que regulamentam as atividades profissionais e que, nor- malmente, fazem referência à ABNT e, para o caso em questão, no que tange às instalações elétricas, temos a norma ABNT NBR 5410, que se refere a insta- lações elétricas de baixa tensão. Na NBR 5410, estão definidas as regras para instalações elétricas e aterramen- to, uso de materiais isolantes, cuidados com a proteção e demais regras a se- rem seguidas pelo profissional que atua em eletricidade na área de instalações elétricas. Já a norma que se refere à segurança em serviços com eletricidade é a norma NR-10, que trata de procedimentos de segurança individuais e co- letivas. Fonte: o autor. Figura 13 - Condutores elétricos isolados: a capa plástica isola os materiais condutores de potenciais. Materiais Isolantes, Condutores e Semicondutores Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 31 Para uma última análise sobre este assunto, podemos nos referir aos materiais isolantes quando olhamos para uma placa de circuito impresso de um equipa- mento eletrônico, cujos componentes estão isolados pelo material da placa que, normalmente, é de fibra de vidro, fenolite ou cerâmica, para um poste onde os condutores estão afastados por espaçadores ou isoladores, ou ainda, agru- pados, mas com capas de plástico capazes de isolar milhares de Volts (Figura 13). Em nossas casas, é comum observarmos as tomadas e os plugues que interli- gam os eletrodomésticos à rede elétrica, todos revestidos de plástico, mas, por dentro, possuem terminais com potenciais elétricos de elevado valor e, portanto, devem ser protegidos do contato direto ou acidental. A Figura 14 mostra um exemplo comum do uso de tomadas elétricas em uma régua. Este caso é bastante crítico e oculta um perigo silencioso que pode originar incêndios e catástrofes, dependendo da situação. O corpo humano não é um organismo elétrico e, no entanto, todas as suas células recebem estímulos elétricos por meio de membranas. Este potencial elétrico é produzido por um gra- diente eletroquímico que, por meio do sistema nervoso central, atua nos tecidos dos músculos e resulta nos movimentos. O que ocorre é que o poten- cial elétrico enviado aos tecidos para promover um movimento é muito pequeno, da ordem de Figura 14 - Régua de tomadas: sobrecarga silenciosa. ELETROTÉCNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E32 milivolts 1 0 001 10 3 mV V ou, V . Quando recebemos um choque elétrico, o potencial normalmente é da ordem de Volts (ou de centena de Volts), e o impacto que nosso organismo recebe é semelhante ao de realizar um esforço descomu- nal (COTRIM, 2003). O impacto desta exposição a um potencial muito elevado resulta em contrações musculares de mesma proporção, ou seja, de milhares de vezes a intensidade normalmente recebida pelo organismo. Embora um homem adulto tenha 65% de seu corpo constituído por água, temos outros tecidos e demais elementos que constituem ossos e órgãos e que juntos apresentam dada resistência à circulação dos elétrons da ordem de 500 a 500 000. W , dependendo da parte do corpo e de cada indivíduo. Desta forma, podemos estimar o valor da corrente elétrica que um choque elétrico pode pro- mover por meio dos tecidos do corpo humano (COTRIM, 2003). GRANDEZAS ELÉTRICAS FUNDAMENTAIS Na natureza, há diversas variáveis que foram nomeadas para que possamos interagir e estudar os fenômenos que nos cercam. Estes nomes, muitas vezes, remetem ao sobrenome do pesquisador que descobriu o efeito, como a grandeza temperatura que, na maioria dos países, é medida em Celsius em homenagem ao astrônomo sueco Anders Celsius (1701-1744), ou a grandeza potência que é medida em Watts em homenagem às descobertas realizadas por James Watt (1736-1819). Além destes exemplos, há muitos casos onde grandezas importantes e fre- quentes em nosso meio se manifestam e recebem denominações relacionadas aos seus respectivos pesquisadores. Nesta seção, serão abordadas as principais grandezas elétricas mais utiliza- das e as suas características. Grandezas Elétricas Fundamentais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 33 TENSÃO, CORRENTE E RESISTÊNCIA ELÉTRICA As três primeiras grandezas estudadas na maioria dos cursos que envolvem a eletricidade, definitivamente, são essas: a resistência, a tensão e a corrente. Para explicar cada uma delas, devemos retornar o nosso olhar para as seções ante- riores, onde falamos a respeito da Primeira Lei de Ohm (Figura 12 e Equação 1) (SADIKU; ALEXANDER, 2013). Tensãoelétrica A tensão elétrica é a força que impulsiona os elétrons, é o agente motivador, que faz com que os elétrons entrem em movimento. É comum associar a tensão elé- trica com a força eletromotriz, que é um tipo de tensão proveniente da conversão eletromecânica de energia (LOURENÇO; CRUZ; JÚNIOR,1996). Normalmente, já temos o contato com a tensão elétrica logo cedo, quando ainda somos crianças e ganhamos um brinquedo eletrônico que precisa de pilhas para funcionar. Se você pegar a sua pilha e olhar nas inscrições laterais, deverá ver algo em torno de 1 5, V . Este é o valor da tensão da pilha. É o valor da capa- cidade que a pilha tem em “empurrar” os elétrons por meio dos condutores em um circuito fechado. Quanto maior a tensão, maior a corrente elétrica. As pilhas e as baterias são classificadas como acumuladores ou fontes de tensão. Há diferentes tipos de acumuladores, sendo recarregáveis ou não, e possuem dife- rentes tensões disponíveis, como: 1 2 1 5 3 6 9 12 24, ; , ; ; ; ; ; V V V V V V V etc. (Figura 15). ELETROTÉCNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E34 Os acumuladores recarregáveis podem ter valo- res diferenciados, de acordo com o seu projeto, por exemplo, 4 7, V , encontrado em baterias de apare- lhos celulares ou em células de baterias de laptops. A tensão elétrica é medida em Volt ( V ) e representada pela letra u , fazendo menção ao físico italiano Alessandro Volta (1745-1827), desenvolvedor da pilha elétrica em 1799. A tensão é aquela grandeza que se relaciona com a dife- rença de potencial (também dada em Volt), que se refere à comparação entre dois pontos com cargas. Quando há diferença de concentração de cargas, então podemos dizer que a diferença de potencial (d.d.p.) é diferente de zero, e podemos, com isso, promover o fenômeno da corrente elétrica. O instrumento utilizado para medir a tensão elétrica é o voltímetro (Figura 16) e normalmente se encontra nos formatos digital e analógico. (a) (b) Figura 16 - Voltímetros (a) analógico e (b) digital (uma das funções do multímetro). A medição de tensão pode ocorrer a partir de uma bateria, pilha ou fonte de alimentação, que são exemplos de fontes de tensão. A Figura 17 mostra um exemplo de medição de tensão elé- trica em uma fonte de alimentação de bancada: Figura 15 - Diferentes modelos de acumuladores: pilhas e baterias. Figura 17 - Medição de tensão elétrica em fonte de alimentação ajustável Fonte: o autor. Grandezas Elétricas Fundamentais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 35 A Figura 17 apresenta, à esquerda, a fonte de alimentação de bancada, que pode ser ajustada para fornecer valores de tensão possíveis entre os limites de 0 a 30 V e, à direita, o multímetro digital, instrumento multimedidas, com a escala de tensão selecionada. Na Figura 18, o diagrama elétrico representa os instrumentos conforme a Figura 17 (fonte de tensão e voltímetro). vFonte de tensão + - Voltímetro Figura 18 - Diagrama elétrico de medição de tensão: fonte de tensão e voltímetro Fonte: o autor. A tensão pode ser contínua (Vcc) ou alternada (Vca). Vcc e Vca significam tensão em corrente contínua e tensão em corrente alternada, respectivamente, devido ao seu comportamento no domínio do tempo. A tensão contínua é aquela que encontramos nos terminais de uma pilha ou de uma bateria e tem polaridade constante no tempo, ou seja, uma vez que tenhamos uma diferença de potencial, esta será entre dois terminais fixos positivo (+) e negativo (-). A Figura 19 mostra uma bateria e o exemplo dos polos positivo e negativo distintos (LOURENÇO; CRUZ; JÚNIOR,1996). Para realizar a medição da tensão elétrica, utiliza-se o voltímetro associado em paralelo com a fonte de tensão, posicionando os terminais do instrumento com a polaridade de acordo com a do instrumento (positivo do voltímetro no polo positivo da bateria, ou gerador e negativo do voltímetro no polo ne- gativo da bateria ou no gerador). A polaridade invertida pode ser visualizada com o sinal de negativo (-) na tela do voltímetro digital, mas pode representar a colisão da agulha do voltímetro analógico, causando avarias. Logo, se faz importante identificar a polaridade antes de utilizar instrumentos analógicos. Fonte: o autor. ELETROTÉCNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E36 (a) bateria (b) pilha Figura 19 – Bateria (a) e pilha (b): identificação dos polos positivo e negativo. O sinal de tensão sempre corresponde a uma referência que chamamos de poten- cial zero ou “negativo”, assim, a diferença de potencial ocorre entre o terminal negativo até o terminal positivo. Se o valor da tensão for de 1 3, V , significa que há potencial de 1 3, V entre o terminal negativo e o terminal positivo. A tensão contínua Vcc� � é contínua no domínio do tempo. No entanto, esta denominação permite haver a variação do valor da tensão dentro dos limites fixados entre os terminais positivo e negativo. Vejamos o exemplo dado na Figura 20. No tempo t1, a tensão era de 12 7, Vcc, e no tempo t2, a tensão passou a ser 11 8, Vcc. Perceba que mesmo o valor da ten- são sofrendo variação, a tensão permanece contínua, pois se refere a uma variação com referência ao terminal negativo (zero) e que permaneceu dentro do quadrante, sem alternância para nível inferior à referência. A tecnologia desenvolvida até o nosso tempo aprendeu a armazenar ener- gia de diversas maneiras, seja na contenção de águas para acionar turbinas em um a hidrelétrica ou na compressão de molas para realizar esforço e, além disso, há a possibilidade de armazenar energia elétrica (em corrente contínua) por meio do uso de baterias, que recebem este nome pelo fato de poderem ser recarregadas. Fonte: o autor. Grandezas Elétricas Fundamentais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 37 U (V) 12,7 11,8 0 t1 t2 t(min) Voltímetro Polo negativo Polo positivo BATERIA Figura 20 - Tensão de descarga da bateria: valor contínuo variável Fonte: o autor. Caso a tensão tenha um comportamento variável de um valor máximo positivo até um valor máximo negativo, passando pela referência zero, podemos classi- ficar esse sinal de tensão como de tensão alternada, assim denominado Vca. Normalmente, a tensão alternada tem este comportamento devido à forma com que foi produzida: em uma máquina rotativa conhecida como alternador. Figura 21 - Alternador utilizado em geradores de energia elétrica: tensão alternada. Essa máquina faz parte do que conhecemos como gerador que, acionado por uma força externa (queda d’água de uma represa em uma hidrelétrica, motor a combustão interna de um gerador estacionário etc.), produz a tensão alternada de acordo com a velocidade de rotação do eixo e o seu movimento circular. ELETROTÉCNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E38 Se nos recordarmos da trigonometria, podemos pensar em termos de fun- ções e, assim, explicar melhor o que ocorre. Veja na Figura 22, que a partir de 0° para a direita da interseção dos eixos x e y, podemos ver o avanço do sinal, aumentando seu valor de 0 até 1 em y, atingindo o ponto p 2 90� � . Depois deste momento, o sinal diminui de 1 até zero em y no ponto onde o eixo x é igual a p � �180 . y=seno(x) Figura 22 - Função seno: comportamento que descreve a tensão alternada. Note que, deste ponto em diante, o sinal inicia uma jornada que se dá abaixo do eixo" "x , produzindo valores negativos de " "y . Quando isto ocorre, dizemos que o sinal tende a −1 e atinge esse valor em 3 2 270p � � . Logo após esse ponto, o sinal retorna ao ponto zero em 2 360 0p � � � � , fina-lizando o seu ciclo de trabalho ou operação, definindo o seu período. Deste momento em diante, o sinal começa um novo ciclo idêntico ao anterior. Este processo ocorre igualzinho no gerador de tensão alternada. Cada giro com- pleto do eixo da turbina ou da máquina síncrona é um período completo, de 0 a 360° e, por convenção, deve ter esse comportamento cíclico 60 vezes por segundo, caracterizando, assim, a frequência de 60 Hz da rede elétrica que temos no Brasil. Grandezas Elétricas Fundamentais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 39 Para entender um pouco da geração de tensão alternada, convenhamos que quando o eixo de um alternador está em repouso, este está no referencial zero. Quando o seu eixo inicia o seu movimento, os seus terminais iniciam a conversão de ener- gia mecânica aplicada no eixo em energia elétrica, comportando-se de acordo com a função seno já recapitulada anteriormente (KAGAN; OLIVEIRA; BORBA, 2005). Figura 23 - Gerador de uma fase: sinal alternado de tensão (Vca) (ID:148942673) Agora, o estudante pode entender de maneira mais clara como ocorre a forma- ção do sinal de tensão alternada. Converta apenas as coordenadas dadas entre as Figura 22 e Figura 23, entendendo que onde chamamos de “ y ” na Figura 22, é amplitude de tensão na Figura 23, e o que é “ x ” na Figura 22, é ângulo em graus na Figura 23. Você já pensou sobre armazenar energia elétrica em corrente alternada? Como seria o equipamento capaz de armazenar tensão elétrica alternada? Quais seriam as vantagens em se investir em um projeto que faça isto? ELETROTÉCNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E40 Veja, na Figura 23, que em 0° , a amplitude de tensão é igual a zero. Na medida em que o eixo inicia o seu movimento (semiciclo positivo) variando de 0° até 90° , a amplitude aumenta até o seu valor máximo, que poderia ser 127 V , 220 V , dependendo da capacidade do alternador. Quando o movimento ultra- passa os 90° , a amplitude diminui até novamente encontrar o ponto “ 0 ”, onde o ângulo é de 180° . Deste ponto em diante, tem início o semiciclo negativo e a alternância de positivo para o negativo (por este motivo é que se denomina alternada a amplitude de tensão). Partindo dos 180° para os 270° , o sinal alternado de tensão diminui até atingir o seu valor extremo negativo, que seria −127 V , −220 V , dependendo do gerador, pois a polaridade do sinal (-) indica que o valor da tensão é negativo em relação à referência zero. Após este ponto, o sinal aumenta novamente e chega até os 360° com zero de amplitude ( 0 V ). É neste momento que se inicia um novo período. O sistema de geração mostrado representa a geração monofásica de tensão alternada. A Figura 24 mostra como são os sinais provenientes de um gerador trifásico, onde cada fase produz tensão com frequência de 60 Hz , mas com defasagem de 120° entre si. Figura 24 - Alternador de um gerador trifásico: fases defasadas em 120° (ID: 512760046) Este tipo de gerador (trifásico) é útil em instalações industriais onde há máqui- nas acionadas mecanicamente por motores elétricos. Grandezas Elétricas Fundamentais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 41 Corrente elétrica A corrente elétrica é a grandeza que só existe se houver um caminho fechado para sua circulação, conforme a Figura 25. Este conceito geralmente é aplicado a circui- tos elétricos com condutores metálicos, mas também sabemos que há circula- ção de corrente elétrica por outros meios, como gases, líquidos e materiais sólidos não metálicos, dependendo da tensão e da frequência aplicadas. A Figura 26 mostra um instrumento conhecido como amperímetro, utilizado para medir a intensidade de corrente elé- trica em um circuito. A Figura 27 apresenta um exemplo de medição de corrente, onde a fonte de tensão impulsiona os elétrons a circula- rem pelo circuito e pela carga alimentada (resistor). Na Figura 28 é exibido o diagrama elétrico da medição de corrente elétrica. Observe que o amperímetro deve ser asso- ciado em série com a carga alimentada. Caso a ligação do instrumento não seja em série, pode haver avarias no amperímetro e, por este motivo, alguns instrumentos modernos (multímetros) são protegidos internamente por fusíveis. Figura 26 – Amperímetro: instrumento utilizado para medir corrente elétrica I V R Figura 25 - Corrente elétrica: dependência de um caminho fechado para fluir Fonte: o autor. Figura 27 - Medição de corrente elétrica: circuito em corrente contínua Fonte: o autor. ELETROTÉCNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E42 I i Fonte de tensão Amperímetro Carga alimentada Figura 28 - Diagrama elétrico da medição de corrente: amperímetro associado em série com a carga Fonte: o autor. A corrente elétrica é medida em Ampère (A) em homenagem ao físico francês André-Marie Ampère (1775-1836) e representada pela letra i. Esta grandeza é a consequência de uma cadeia de eventos anteriores. Costuma-se dizer que a ten- são é a causa, e a corrente é a consequência, pois se não há força (diferença de potencial) para impulsionar os elétrons de um condutor a saírem de seus áto- mos e saltarem em direção ao próximo adjacente, então, não haverá corrente (BALBINOT; BRUSAMARELLO, 2011). Veja a representação na Figura 29. Figura 29 - Corrente de descarga de uma bateria: diminui a sua amplitude na mesma proporção que a tensão Fonte: o autor. Perceba que à medida que a bateria descarrega por meio da resistência R, o valor da corrente em t1 diminui de 250 mA para 200 mA em t2 . Grandezas Elétricas Fundamentais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 43 A corrente elétrica é definida como a variação de cargas elétricas Q em um inter- valo de tempo t, assim, a corrente elétrica pode ser equacionada como a Equação 2: i Q t A= =D D [ ] Equação 2: corrente elétrica. Normalmente, relacionamos a corrente elétrica a variáveis que podemos mensu- rar mais facilmente, como a tensão e a resistência, logo, nos referimos à corrente elétrica como a Primeira Lei de Ohm, onde a corrente é diretamente proporcio- nal à tensão e inversamente proporcional à resistência. Da mesma forma que a tensão, a corrente, consequentemente, pode assumir características contínuas e alternadas, ou seja, se a sua amplitude no tempo varia de sua referência até um valor máximo, sem alternar de quadrante (ou inver- ter o seu sinal), podemos afirmar que se trata de corrente contínua ou “ CC ”, normalmente, encontrada em pilhas, baterias, saída de fontes de alimentação de computadores ou carregadores de celular. Já lhe ocorreu que, em dias secos, após uma caminhada ao ar livre, quando você se aproximou de alguém ou de um objeto e estendeu a sua mão, antes mesmo de tocá-lo, houve um choque elétrico? Uma faísca? Este fenômeno só ocorre quando há diferença de potencial entre os corpos que se aproximam até uma distância suficiente para, desta forma, a isolação do ar não ser o bas- tante para impedir que os elétrons do corpo mais eletronegativo migrem ao outro corpo, a fim de se recombinar com as outras cargas de potencial posi- tivo. ELETROTÉCNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E44 Se o sinal de corrente, porém, alternar entre os quadrantes (havendo alteração de polaridade), esta é denominada corrente alternada, ou “CA ”, normalmente, encontrada na rede elétrica disponibilizada pela concessionária local ou por geradores estacionários. O que o estudante deve sempre se lembrar em relação à corrente elétricaé que ela é a consequência de um conjunto de fatores, ou seja, da existência de uma diferença de potencial e de um circuito fechado que interliga a fonte de diferença de potencial até uma carga que, em nossas representações, foram ado- tadas como resistores. Quando existe corrente elétrica circulando por um circuito, há diversos efei- tos que passam a surgir em função do movimento dos elétrons, como o efeito Joule, que se manifesta, dissipando energia em forma de calor, ou o próprio campo magnético que surge em torno do condutor percorrido pela corrente, que depende diretamente de sua amplitude. A corrente alternada tem uma característica oscilatória que depende do com- portamento da fonte de tensão geradora, ou seja, sabemos que para haver corrente, é necessário que haja tensão, logo, se a tensão for contínua, na maioria dos casos, a corrente terá comportamento contínuo, porém, se a fonte de tensão for alter- nada, a corrente terá as mesmas características, pois a corrente é função da tensão. A Figura 30 mostra um exemplo de sistema trifásico (três fases com corrente alternada). Perceba que quando a corrente de qualquer uma das fases está com a sua amplitude máxima, 120° depois, outra fase também está com o seu máximo potencial. Na mesma Figura, observe como exemplo quando a fase “ B ” está em 90° , a sua amplitude é máxima, e quando o ângulo é igual a 210° , a fase “ A ” é a que apresenta o seu potencial máximo. O comportamento senoidal é dado em fun- ção da tensão alternada, que ocorre na mesma forma e no mesmo ângulo. Este efeito se repete com a fase “C ” e continuará assim enquanto fluir corrente pelo circuito. Grandezas Elétricas Fundamentais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 45 Figura 30 - Corrente alternada em sistema trifásico: defasadas em 120° Fonte: o autor. A corrente elétrica é responsável por determinar as dimensões dos condutores, sendo que há várias regras normatizadas a serem respeitadas, incluindo fatores de correção por temperatura e agrupamento dos condutores. A regra gira em torno de um número que se define para o cobre como 3 A por mm² de área de seção transversal do condutor, ou seja, um cabo de 1 mm�2 pode conduzir uma corrente de até 3 A (sem levar em consideração fatores de correção por agru- pamento ou temperatura, apenas para uma referência) (COTRIM, 2003). Resistência elétrica A maioria das literaturas da área define a resistência elétrica como “a propriedade de um material em se opor à circulação de corrente elétrica”, mas esta mesma resis- tência, ao definir o valor da corrente elétrica, influencia diretamente em seu valor e, consequentemente, no diâmetro dos condutores, além de determinar a capaci- dade de fornecimento de energia que uma fonte de alimentação deve apresentar. A composição físico-química de um condutor define como os elétrons do material formado podem ser mais ou menos “livres” para circular. Desta forma, quando se deseja limitar a corrente em um circuito, manipula-se o tipo de material que constitui a resistência elétrica de modo a obter um componente denominado “resistor”, ou “resistência”, que é comercializado para atender às necessidades de cada caso. ELETROTÉCNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E46 Na indústria, pode-se verificar resis- tores de tamanhos que variam desde milímetros (utilizados em circuitos ele- trônicos), como resistências tubulares de centímetros ou metros de comprimento, fabricadas em espiral para atender a necessidades específicas, por exemplo, fornos de altas temperaturas, prontos para suportar potências de milhares de Watts (isto será abordado mais adiante). A Figura 31 mostra um exemplo de resistência de aquecimento utilizada em fornos elétricos domésticos. Este tipo de elemento resistivo é fabricado para aten- der a aplicações de potências elevadas e de baixa precisão. Os pequenos resistores, aqueles utilizados em circuitos eletrônicos, pos- suem encapsulamentos padronizados que podem suportar de miliWatts até alguns Watts de potência, pois são fabricados para atender a aplicações de precisão (Figura 32). Figura 31 - Resistência de aquecimento de um forno elétrico: potência elevada e baixo valor de resistência. Grandezas Elétricas Fundamentais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 47 Figura 32 - Resistores aplicados em circuito eletrônicos Quando procuramos uma empresa de Engenharia Elétrica para contratar um ser- viço de instalação elétrica, é muito comum a equipe de projeto perguntar qual é a carga instalada (que depende muito dos tipos de cargas: podem ser indutivas, capacitivas e resistivas), pois dadas as características da carga é que os conduto- res e conexões serão dimensionados. É válido lembrar que, na maioria das casas, há dispositivos que operam como resistências, como é o caso do chuveiro elétrico, do secador de cabelos, do forno elétrico, do ferro de passar etc. Todos estes exemplos apontam para um mesmo efeito: aquecimento, ou em outras palavras, o Efeito Joule. A resistência elétrica é definida pelas Leis de Ohm e é representada pela letra “ R ”. Recebe a sua unidade Ohm (W) em homenagem ao físico alemão Georg Simon Ohm (1789-1854). A Primeira Lei de Ohm (já mencionada) se refere à interação entre a ten- são e a corrente e é dada pela Equação 1. Isolando-se a resistência na Equação 1, fica a Equação 3: R V I = = [ ]W Equação 3: equação da resistência elétrica. Leve sempre em consideração que todo condutor apresenta uma dada resistência, principalmente, o cobre, a qual pode variar de acordo com a temperatura. Para ilustrar esta propriedade, há um coeficiente de resistividade ρ de acordo com a Segunda Lei de Ohm, em que a resistência elétrica é diretamente proporcional à resistividade do material (ρ) e o seu comprimento (L), porém, inversamente, proporcional à sua área de seção transversal (A) (Equação 4): ELETROTÉCNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E48 R L A � � �r [ ]W Equação 4: Segunda Lei de Ohm. A resistividade do material (r) é dada em Wm e sofre variação de acordo com a temperatura. O Quadro 1 apresenta a resistividade elétrica de alguns materiais para a temperatura de 20 °C . Quadro 1 - Resistividade elétrica dos materiais Classificação Material Resistividade (Wm ) Metais Prata 1 6 10 8, � � Cobre 1 7 10 8, � � Alumínio 2 8 10 8, � � Tungstênio 5 10 8� � Platina 10 8 10 8, � � Ferro 12 0 10 8, � � Ligas Latão 8 0 10 8, � � Constantã 50 0 10 8, � � Níquel-Cromo 110 0 10 8, � � Mineral Grafite 4000 10 8� � a 8000 10 8� � Isolantes Água Pura 2 5 103, × Vidro 1010 a 1013 Porcelana 3 0 1012, × Mica 1013 a 1015 Baquelite 2 0 1014, × Borrachav 1015 a 1016 Âmbar 1016 a 1017 Fonte: adaptado de Lourenço, Cruz e Júnior (1996). Grandezas Elétricas Fundamentais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 49 Para temperaturas diferentes desse valor, deve-se calcular o novo valor de resistividade, utilizando a Equação 5: r r a� � � �� �0 1 DT Equação 5: influência da temperatura sobre a resistividade. Onde: r= Resistividade do material à temperatura T [Wm ]. r0 = Resistividade do material à temperatura T0 [Wm ]. DT T T� � 0 = variação de temperatura [ °C ]. a = Coeficiente de temperatura do material [� �C 1 ]. O Quadro 2 apresenta o coeficiente de temperatura de alguns materiais: Quadro 2 - Coeficiente de temperatura Classificação Material a [� �C 1 ] Metais Prata 0 0038, Alumínio 0 0039, Platina 0 0039, Cobre 0 0040, Tungstênio 0 0048, Ligas Níquel-Cromo 0 00017, Niquelina 0 00023, Latão 0 0015,Mineral Grafite − −0 0002 0 0008, , a Fonte: adaptado de Lourenço, Cruz e Júnior (1996). O instrumento utilizado para medir a resistência elétrica é denominado Ohmímetro, também em homenagem ao inventor Georg Simon Ohm. O ins- trumento dispõe de terminais que se conectam ao resistor e faz com que uma corrente circule por este, conforme indicado na Figura 33. ELETROTÉCNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E50 I Resistor sob teste Ohmímetro Ω Figura 33 - Medição de resistência elétrica Fonte: o autor. É em função da oposição à corrente que for apresentada pelo resistor sob teste que o instrumento indica o seu valor, pois é de acordo com a queda de tensão sobre o resistor em teste que é calculado e indicado o valor de sua resistência, podendo ocorrer em um visor analógico por meio de um ponteiro em uma escala graduada ou em um instrumento digital, com display de cristal líquido. A Figura 34 apresenta dois tipos de instrumentos que podem ser utilizados, o analógico (a) e o digital (b). É necessário considerar que o instrumento analó- gico apresenta a sua escala crescente de resistência invertida em relação à escala de tensão, sendo que o menor valor de fundo de escala de tensão é o maior valor de resistência do fundo de escala do instrumento. Com o aquecimento dos cabos, a resistência tende a aumentar e, com isso, surge um efeito denominado “queda de tensão”, pois como o condutor re- presenta uma resistência que varia conforme a temperatura sofre alterações, este condutor, percorrido pela corrente elétrica, passa a dissipar potência e, com isto, parte da energia que deveria ser transferida para a carga alimenta- da é perdida “pelo caminho” nos condutores. O comprimento dos condutores influencia muito no efeito da resistência do condutor e, assim, quanto maior a distância entre a instalação da fonte de energia, mais energia é perdida ao longo dos condutores. Fonte: o autor. Grandezas Elétricas Fundamentais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 51 (a) (b) Figura 34 – Ohmímetro: (a) analógico e (b) digital. É importante ressaltar que para medir uma resistência, é necessário que ela esteja livre de potencial, ou seja, desconectada do circuito, pois qualquer corrente que circule pelo elemento em teste durante a leitura de resistência pode interferir no valor ou até danificar o instrumento de medição. A medição de resistência vista a partir de um instrumento real é dada na Figura 35: (a) (b) Figura 35 - Medição de resistência elétrica: resistor com código de cores, ou seja, (a) medição e (b) resistor fixo às garras (tipo jacaré) Fonte: o autor. Os resistores possuem um código de cores para definir o seu valor ôhmico, res- peitando a sequência de cores e o padrão utilizado para a sua fabricação (SEDRA; KENNETH, 2012). Assim, apenas combinando as cores de um resistor é possível ELETROTÉCNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E52 determinar o valor de sua resistência e a sua tolerância. A Figura 36 apresenta uma tabela de cores para resistores: 4 Faixas Cor Preto Marrom Vermelho Laranja Amarelo Verde Azul Violeta Cinza Branco Ouro Código de Cores de Resistores Prata Multipli- cador Tolerância 1º Dígito 2º Dígito Figura 36 - Tabela de cores para resistores. Todas as variáveis mencionadas, até aqui, podem ser medidas, utilizando um único instrumento moderno denominado “multímetro” ou “multiteste”, que reúne, no mesmo instrumento, as funções de amperímetro, voltímetro e ohmímetro, e em modelos mais equipados, há funções como frequencímetro, capacímetro, indutímetro e até funções gráficas que permitem acompanhar um sinal e o seu comportamento. A Figura 37 apresenta alguns modelos de mão utilizados com frequência no dia a dia do profissional atuante em indústrias e em bancadas de manutenção. Grandezas Elétricas Fundamentais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 53 Figura 37 – Multímetro: reúne em um único instrumento várias funções Fonte: o autor. Para ilustrar os conceitos vistos até aqui, vamos realizar a solução de alguns exer- cícios contemplando a tensão, a corrente e a resistência. Exercícios resolvidos Exercício 1: um dado condutor de cobre de seção cilíndrica apresenta diâmetro de 6 0, mm e comprimento de 1 5, m e está sendo aplicado para alimentar um equipamento com tensão de 220 V e corrente de 20 A . A resistividade deste material (à temperatura de 20 °C ) é de 1 7 10 8, � � Wm. Calcule: a) O valor da resistividade do material para a temperatura de 50 °C . b) O novo valor de resistência do condutor para a nova temperatura de 50 °C . ELETROTÉCNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E54 Solução: a. Levando-se em conta que o material que compõe o condutor é o cobre (resistividade = 1 7 10 8, � � Wm @20 °C ) e que o seu diâmetro de 6 0, mm ( 6 0 10 3, � � m) com comprimento de 1 5, m , fica: 1º passo: determinação da resistência “ R0 ”: Primeiramente, precisamos calcular a área para substituir na variável A . Como o condutor apresenta seção cilíndrica, calcula-se a área onde temos a variável A na Equação 4, assim: R L A A r r D R L r 0 2 0 2 2 � � � � � � � � � r p r p fazendo , e sabendo que fica: RR L D R 0 2 0 8 2 1 7 10 � �� � � � � � � � � r p substituindo os valores, fica: , �� � � � �� � � �� � � � � 1 5 6 0 10 2 9 0 10 3 2 0 4 , , . , p R W b. Aplicamos a nova temperatura para calcular o valor da resistividade do material para a temperatura de 50 °C . Por tabela, sabemos que r0 81 7 10 cobre m� �, . W e α = −0 0040 1, C : Substituindo os valores na Equação 5, fica: r r a r � � � �� � � � � �� 0 8 1 1 7 10 1 ∆T substituindo os valores, temos: , [ 00 0040 150 20 2 58 10 8 , ] , � �� � � � �r mΩ Grandezas Elétricas Fundamentais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 55 Com esta informação (r � � �2 58 10 8, mW ), podemos calcular o valor da resistência oferecida pelo condutor a 50 °C (desconsiderando os efeitos da dila- tação do material): R L A R R C C C 50 50 8 3 2 50 2 58 10 1 5 6 0 10 2 1 � � � � � � � � � � � �� � � �� � r p , . , , . ,, ,368 10 1 3683� � ou mW W Respostas: a. O valor da resistividade do cobre para a temperatura de 50 °C é r � � �2 58 10 8, .mW . b. A resistência do condutor sob a temperatura de 50 °C será de 1 368 10 3, � � W . Exercício 2: Um chuveiro elétrico alimentado com 127 V consome cor- rente de 43 3, A na posição inverno. Já na posição verão, o chuveiro passa a consumir a corrente de 23 62, A . Calcule: ■ O valor da resistência quando o chuveiro estiver na posição inverno. ■ O valor da resistência quando o chuveiro estiver na posição verão. Solução: a. Na posição inverno, a corrente é de 43 30, A , e a tensão é de 127 V , logo, temos pela Equação 3: R V I = = = 127 43 3 2 93 , , W ELETROTÉCNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E56 b. Na posição verão, a corrente é de 23 62, A , e a tensão é de 127 V , logo, temos pela Equação 3: R V I = = = 127 23 62 5 37 , , W Potência elétrica Quando o assunto é energia, todos nós lembramos da conta de luz. Isto é fato! Principalmente, em tempos, em que só se fala em alternativas para economizar recur- sos e tornar mais eficiente aquele equipamento ou processo. Vivemos em uma fase de desenvolvimento constante das soluções energéticas para todos os fins, sejamcorporativos ou domésticos, sem- pre apontando para soluções do tipo “onde custaria menos para fazer mais”, ou “em busca da bateria que podemos recarregar em um segundo e a sua carga teria a duração de um mês”. Somos dependentes das tecnologias que consumimos, e para aproveitar as suas van- tagens, precisamos conhecer os seus limites. A resistência tende a aumentar quando há o aumento de temperatura no condutor. Esta propriedade é mais pronunciada nos metais puros, que são classificados como materiais com coeficiente positivo de temperatura. Já nos gases ionizados e no grafite, a resistência diminui com o aumento de temperatura, sendo assim, classificados como materiais com coeficiente negativo de temperatura. Fonte: Lourenço, Cruz e Júnior (1996). Grandezas Elétricas Fundamentais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 57 Esta seção tem como objetivo contemplar uma das mais importantes partes do estudo da eletricidade, a potência elétrica. Potência esta que não existe ape- nas na eletricidade, mas será abordada de maneira complementar ao que já foi estudado em relação à tensão, à corrente e à resistência. Iniciaremos o estudo da potência elétrica, partindo da tensão (que produz o movimento dos elétrons) e da corrente (que faz com que seja produzido calor). Adotemos uma analogia com a mecânica, imaginando quando uma força apli- cada a um corpo produz movimento e, portanto, realiza trabalho, convertendo a energia potencial em energia cinética. Associamos esse fato à fonte de tensão, que nada mais é do que a fonte de energia potencial disponível, na forma de terminais positivo (+) e negativo (-). Quando essa fonte é associada a uma determinada carga (pode ser um resistor), surge o que chamamos de corrente elétrica (que é a movimentação dos elétrons, logo, a energia potencial da fonte de tensão convertida em energia cinética). Como a fonte de tensão produz movimento dos elétrons livres e estes coli- dem uns com os outros de modo a produzir calor (mais pronunciadamente em materiais com características resistivas), há o surgimento da dissipação de calor. Como acontece na superfície de um ferro de passar ou dentro de um forno elétrico. Em eletricidade, a velocidade com que a tensão realiza o trabalho (repre- sentado pela letra “t” – medido em Joules) para que um elétron possa entrar em movimento, saindo de uma posição inicial e chegando a uma posição final, é chamada de potência elétrica, e a letra que simboliza esta variável é P . Logo, a unidade de medida de potência elétrica é Joule por segundo ( J s ), mas con- vencionado como Watt, ou simplesmente W , em homenagem a James Watt (1736-1819), que idealizou e desenvolveu vários estudos e descobertas relacio- nadas à potência. Devemos considerar que se a energia (representada pela letra E ) é a capa- cidade de realizar trabalho, associando a energia E à potência P , podemos afirmar que a Equação 6: P t E t J s W= = = = t D D [ ] [ ] ELETROTÉCNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E58 Equação 6: potência e energia. Onde a potência elétrica é igual ao trabalho realizado pelo elétron ao se deslo- car de um ponto “ A ” até um ponto “ B ” durante um intervalo de tempo Dt ou potência elétrica é a energia E consumida em um intervalo de tempo Dt . De maneira mais prática, relembrando dos conceitos de causa-consequên- cia (tensão-corrente), concluímos que o produto da tensão pela corrente define a potência elétrica (Equação 7): P V I W� � � [ ] Equação 7: potência elétrica - relação entre a tensão e a corrente. O instrumento utilizado para medir a potência elétrica é o Wattímetro, que uti- liza a tensão e a corrente para calcular o valor da potência e pode indicar a sua amplitude por meio de uma tela de cristal líquido nos modelos digitais, ou por meio um ponteiro em uma escala graduada nos modelos analógicos. a) b) C) Figura 38 - Alicate Wattímetro: (a) exemplo de uso em CC, (b) exemplo de uso em CA e (c) modelo analógico É muito importante que o estudante entenda a potência sempre relacionada aos eventos naturais à sua volta, não apenas na eletricidade ou eletrotécnica, mas na capacidade de realizar o trabalho que uma força tem dentro de um intervalo de tempo. Por exemplo, quando um motor elétrico aciona um eixo de uma esteira que transporta caixas em um depósito, para realizar o trabalho de deslocar as caixas, que representam carga (peso), esse motor tem a capacidade de deslocar a caixa de A até B em um intervalo de tempo. Se um segundo motor possui a capacidade de transportar a mesma carga em menos tempo, podemos dizer que o segundo motor é mais potente do que o primeiro, pois consegue realizar mais trabalho por intervalo de tempo. Grandezas Elétricas Fundamentais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 59 Energia Não poderíamos deixar de estudar a energia E , já mencionada anteriormente. Neste material, ela assume o papel de Energia Elétrica Consumida por um cir- cuito dentro de um intervalo de tempo. No Brasil, assumimos que essa energia é aquela que contratamos e pagamos todos os meses na tarifa, cujo próprio nome diz: “conta de energia”. A energia consumida relaciona a potência elétrica “P” (medida em kW) con- sumida durante um período que, normalmente, é de um mês, mas a unidade do tempo, neste caso, é a hora (h), então, a energia elétrica é aplicada às instalações elétricas medida em kWh . Logo: E P t kWh� � �D [ ] Equação 8: energia - relação entre a potência consumida em um intervalo de tempo. O instrumento que realiza a medição da energia é o medidor de consumo de energia elétrica, e todos os consumidores das redes concessionárias devem uti- lizá-lo para que seja totalizada a potência consumida ao longo do período. A Figura 39 apresenta dois modelos que descrevem as inovações tecnológicas no desenvolvimento dos instrumentos de medição de consumo de energia elétrica. ATENÇÃO Algumas áreas da ciência ou alguns países podem adotar unidades diferen- tes para as mesmas grandezas e, muitas vezes, nos deparamos com conver- sões entre unidades de potência, quando observamos a medida em CV, W ou HP, porém, o estudante deve sempre se lembrar que seja aplicada na área mecânica ou elétrica, a potência representa o mesmo conceito. Fonte: o autor. ELETROTÉCNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E60 a) b) Figura 39 - Medidor de consumo de energia elétrica: (a) modelo tradicional eletromecânico e (b) modelo moderno digital. Exemplo 1: Para ilustrar o estudo da energia, adotaremos um caso simples, porém, de uso de todos: o banho. Considerando que uma pessoa utiliza um chuveiro elétrico para tomar banho e este opera com potência de 5800 W (posição inverno) durante um tempo médio de 10 minutos, quanto seria o valor pago pela energia elétrica consumida durante esse banho ao longo de um mês, sabendo- que na localidade o custo do kWh é de R$ , 0 5? Solução: Primeiramente, precisamos entender que o chuveiro fica ligado durante 10 minutos, o que, em horas, equivale a 0 16, h. Aproximando o mês para 30 dias, fica: D Dt t� � � �0 16 30 4 8, , h Consumindo a potência de 5800 5 8 W kW= , , pelo tempo de 4 8, h ao custo de R$ , 0 5 por kWh , fica: E P t kWh� � � � �D 5 8 4 8 27 840, , , Grandezas Elétricas Fundamentais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 61 Precificando, o custo do banho (Cbanho ) fica: Cbanho � � �27 840 0 5 13 92, , ,R$ Logo, se o kWh custar R$ , 0 5 , o preço do banho seria de R$ 13 92, mensais (sem os impostos). Nos casos em que nos referimos à energiaproveniente de acumuladores, como pilhas e baterias, não utilizamos um medidor de consumo de energia, pois não somos tarifados por este uso, mas podemos estimar a capacidade de fornecimento temporal de um acumulador, utilizando o conhecimento adquirido de energia. Vamos exemplificar, utilizando o caso de uma bateria de um smartphone, que tem a capacidade de fornecer 1800 mAh com tensão de 5 0, V . Considerando que o smartphone consuma uma potência de 0 5, W , quanto tempo a bateria poderia mantê-lo funcionando? Para esse exemplo, devemos considerar a bateria 100% carregada. Inicialmente, precisamos definir qual a capacidade de potência fornecida pela bateria, os dados da corrente e da tensão. Assim: P V I P P� � � � � � ��. W5 1800 10 93 A informação é que a bateria tem capacidade de manter a corrente de 1800 mA por uma hora 1800 mAh� � , mantendo a tensão nominal em 5 V . Desta forma, podemos afirmar que essa bateria possui energia de 9 Wh . Se o aparelho consome 0 5, W , será possível mantê-lo em funcionamento durante o período dado por: E P t t E P � � � � � �D D h9 0 5 18 , Concluímos, então, que a bateria do smartphone poderá mantê-lo em pleno funcionamento por 18 h. Após este tempo, a corrente informada pelo fabricante da bateria (1800 mAh ) pode não mais permanecer a mesma e, com isto, pode haver decremento da tensão e o aparelho deverá desligar-se. ELETROTÉCNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IU N I D A D E62 CONSIDERAÇÕES FINAIS Na Unidade 1 deste livro, abordamos conceitos relevantes sobre a eletricidade dentro dos critérios da Eletrotécnica e sob o ponto de vista de um Engenheiro de Produção, alinhando conceitos fundamentais que relacionam a tensão, a cor- rente, a resistência e, consequentemente, a potência e a energia elétrica, ao seu uso e às métricas de utilização. Sabemos que a eletricidade por si só pouco teria utilidade se não fosse apli- cada a algo útil, assim, todos os componentes e equipamentos que conhecemos, atualmente, fazem com que a eletricidade possa contribuir no modo de vida das pessoas e no desenvolvimento em diversas áreas, desde a produção de alimen- tos até as pesquisas espaciais e a cura de doenças. Os diferentes tipos de materiais utilizados para a fabricação de componentes elétricos e eletrônicos definem as suas limitações e também a sua aplicabilidade nas diversas áreas, como na condução de eletricidade, desde a sua geração até o local onde ela será consumida, ou mesmo na conversão de um formato de cor- rente em outro. Destes princípios, vimos que as diferentes tecnologias de materiais condu- tores, semicondutores e isolantes consistem na base utilizada para a fabricação da maioria dos dispositivos, atualmente, produzidos no mundo, desde ferros de passar a supercomputadores. Um fato importante que deve ser destacado é que, atualmente, somos limitados a determinadas tecnologias que estão passando por modernizações, permitindo a elaboração de novos materiais que podem ser utilizados na fabricação de bate- rias, as quais têm agora o agravante ambiental, visto que representam um grande problema em seu descarte e em sua vida útil, relativamente, curta, além de cada vez mais dependermos de baterias para alimentar os nossos dispositivos mais utilizados, como smartphones, tablets etc. É de extrema importância o enten- dimento desses temas para a imersão na próxima unidade deste livro, pois os fundamentos de eletricidade aplicados em Eletrotécnica são básicos para que os conceitos de instalações elétricas e demais temas relacionados sejam assimilados. Além da Eletrotécnica, as áreas de máquinas elétricas, eletrônica, automação etc. utilizam muitos dos conceitos básicos que são introduzidos nessa unidade. 63 1. Uma máquina de mistura de tintas opera com motor elétrico de 2 kW de potência durante 4 h por dia, durante 5 dias por semana, em média. Saben- do que um mês tem 4 5, semanas (em média): a) Calcule o consumo mensal de energia elétrica que o referido motor repre- senta em kWh . b) Considerando que o custo do kWh é de R$ , 0 55 , quanto custa, por mês, para que este motor seja utilizado? 2. Qual o valor da resistividade elétrica de um condutor de platina com seção circular de 3 0, mm , sendo que a resistência indicada pelo ohmímetro é de 0 073, W e o comprimento é de 1 0, m ? 3. Considere dois condutores de cobre com diferença de potencial de 24 V en- tre si, conduzindo corrente de 2 400. A . Calcule o que se pede: a) Qual a corrente que circulará por meio do corpo de uma pessoa que tocar os dois condutores ao mesmo tempo, considerando que a resistência da região do corpo da pessoa é da ordem de 100 000. W ? b) Considerando que a corrente elétrica mínima para promover uma parada cardíaca (fibrilação ventricular) é de 30 mA , há risco de morte no caso pro- posto? 4. Em uma residência há dois chuveiros, sendo o chuveiro “A” alimentado em 127 V , e o chuveiro “ B ” alimentado em 220 V . Ambos os equipamentos for- necem potência de 5400 W . Responda: a) Qual dos dois chuveiros consome mais energia por mês, considerando que os dois operam igualmente durante 15 minutos por dia, 30 dias por mês (considerar R$ , 0 55 o custo de 1 kWh )? b) Em que aspecto, considerando os modelos deste problema, um chuveiro pode ser mais econômico do que outro? c) Sabendo que a resistência elétrica do chuveiro entra em contato com a água e a sua superfície não é blindada, ou seja, a fase (vivo) entra em contato com a água, como pode o chuveiro não dar choque elétrico? Explique o porquê de sua resposta com subsídios. 64 5. Na etiqueta de um carregador de baterias utilizado em smartphones estão im- pressos os seguintes dados: tensão de saída de 5 V e corrente de saída de 1 5, A . Considerando os dados do carregador, assinale a alternativa correta: a) A capacidade de corrente do carregador é de 1500 mA e a potência máxi- ma é de 7 5, W . b) A potência máxima do carregador é de 7 5, V , pois a bateria do celular re- presenta uma resistência de 33 W . c) A resistência da bateria é de 3 33 1, W− . d) O uso desse carregador custa R$ , 3 93 por dia para carregar uma bateria de1400 mAh . e) A capacidade de corrente do carregador é de 15 000. mA e a potência má- xima é de 75 kW . 6. Um liquidificador com potência de 1000 W e alimentado em 127 V conso- me corrente de 7 87, A . Calcule a corrente de um liquidificador de mesma potência, se a sua tensão de alimentação fosse de 220 V . 65 Como seriam as comunicações entre as pessoas sem a existência de computadores e smartphones? Como seria possível estabelecer contato em tempo real com outra pessoa que está a quilômetros de distância sem os dispositivos eletrônicos com os quais estamos acostu- mados? A fabricação de smartphones e computadores só é possível graças aos semicondutores, que permitem a fabricação de componentes minúsculos e com funções fantásticas, que vão desde o simples condicionamento de um sinal até as tomadas de decisões, tudo por meio da lógica presente em um programa embarcado na memória estática e fabricada a partir do silício. Os satélites mais sofisticados utilizam processadores avançados para permitir que os dados das comunicações sejam entregues com rapidez no local desejado e a previsão do tempo possa ser calculada com fidelidade, graças ao uso de recursos de telemetria e geoprocessamento, todos fabricados com componentes baseados em semicondutores. Os carros modernos controlam a emissão de gases e o fluxo de combustível, por meio de sensores e controladores que se adaptam à temperatura, de modo a funcionar sempre de acordo com suas especificações, mesmo que um combustível tenha maior concen- tração do que outro. Tudo isso, automaticamente, graças à capacidade de armazena- mento e processamento dos semicondutores integrados. Os grandes motores são acionados por equipamentos que precisam controlar a veloci- dade de partida, mantendo-seo torque constante, realizando milhares de cálculos por segundo, de modo a fornecer apenas a parcela de potência necessária ao movimento da máquina, minimizando desperdícios. Ação possível graças aos controladores integrados e às chaves de potência transistorizadas, todos a base de semicondutores. As aeronaves modernas são monitoradas e controladas, quase que integralmente, por dispositivos capazes de mensurar as variáveis e de calcular trajetórias baseados em dis- positivos semicondutores, enviando a sua posição relativa a uma base de controle de tráfego e ajustando o seu percurso por meio de recursos computacionais dependentes de semicondutores. O computador que foi utilizado para escrever este texto depende do funcionamento em conjunto de milhões de semicondutores para que palavras possam ser expressas e a informação seja disseminada até você, estudante. Os semicondutores são o nosso presente e promovem o futuro de toda uma geração. Fonte: o autor. MATERIAL COMPLEMENTAR Instalações Elétricas Hélio Creder Editora: LTC Sinopse: prestes a completar meio século da primeira publicação, Instalações Elétricas chega à sua 16ª edição como a maior referência bibliográfi ca sobre o tema na literatura técnica brasileira. Hélio Creder, ícone da Engenharia no país, deixou legado indelével, tanto no mercado profi ssional, quanto no meio acadêmico. Uma equipe renomada, liderada pelo professor Luiz Sebastião Costa, cuidou com esmero e profundo saber da atualização desta incomparável obra. Objetiva e didática, esta publicação consegue aliar teorias à prática com maestria, no que consiste em uma das características mais importantes e valiosas a profi ssionais da área e também a docentes e estudantes de graduação em Engenharia, além de cursos tecnólogos e técnicos. O conteúdo foi atualizado de acordo com as especifi cações vigentes na área (em especial a Norma ABNT NBR ISO/CIE 8995 1:2013), uma das premissas imprescindíveis a um livro que pretenda discorrer sobre o tema. A utilização de ferramentas computacionais (como o programa DIALux) auxilia na aprendizagem efi ciente de projeções e instalações. Comentário: livro clássico e obrigatório para aqueles que desejam estudar as instalações elétricas e os Sistemas Elétricos de Potência. Captando o Sol (2015) Sinopse: este documentário mostra a explosão da indústria de energia solar sob várias perspectivas, desde o dono de uma fábrica de painéis na China até um americano que faz curso de instalador na Califórnia. Comentário: um fi lme que relata fatos curiosos sobre o mercado de energia solar na prática. REFERÊNCIAS 67 REFERÊNCIAS BALBINOT, A.; BRUSAMARELLO, V. J. Instrumentação e Fundamentos de Medidas. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2011. BRASIL. Norma Regulamentadora n. 10, de 08 de junho de 1978. Segurança em instalações e serviços em eletricidade. Disponível em: < http://www.ccb.usp.br/ar- quivos/arqpessoal/1360237189_nr10atualizada.pdf>. Acesso em: 19 dez. 2018. COTRIM, A. A. M. B. Instalações Elétricas. São Paulo: Pearson, 2003. KAGAN, N. O.; BARIONI, C. C.; BORBA, E. J. Introdução aos sistemas de distribuição de energia elétrica. São Paulo: Blucher, 2005. LOURENÇO, A. C.; CRUZ, E. C. A.; JÚNIOR, S. C. Circuitos em Corrente Contínua. São Paulo: Érica, 1996. SADIKU, M. N. O.; ALEXANDER, C. K. Fundamentos de Circuitos Elétricos. 5. ed. Por- to Alegre: Bookman, 2013. SEDRA, A. S.; SMITH, K. C. Microeletrônica. 5. ed. São Paulo: Pearson, 2012. GABARITOGABARITO 1. a) Solução: Dados: P kW W= = 2 2000 Tempo: 4 5 20 h x dias h semana= / 20 4 5 90 h x semanas mês h mês, / /= E P t kWh E � � � � � . [ ]D 2000 90 180 kWh Logo: R: o consumo mensal de energia elétrica é de 180 kWh . b) Solução: C E kWh Tarifa C C � � � � ( ). , , 180 0 55 99 00R$ Logo: R: para que esse motor seja utilizado o valor mensal será de C = R$ 99 00, . 2. Solução: Dados: Diâmetro = 3,0 mm, A r Dcircular � � � �p p 2 2 2( ) , assim: A A m circular circular � � � � � � � p ( , ) , 3 0 10 2 7 068 10 3 2 6 2 GABARITO 69 Se R = 0 073, W e Comprimento de1 0, m . R L A R A Lplatina platina platina � � � � � � � � � r r r m0 073 7 068 10 6, ,W 22 6 1 0 5 16 10 , , m rplatina m� � � W R: a resistividade do condutor de platina será de 5 16 10 6, � � Wm . 3. a. Solução: Dados: I A U V = = 2400 24 Rpessoa = 100 000. W I V R � � � � 24 100 000 240 10 6 . I= A Logo: R: a corrente que circulará pelo corpo da pessoa será de 240 10 6� � A . b. R: não há risco de morte, dado pela corrente de 240 10 6� � A (240 Am ) que é muito menor do que a corrente de 30 mA , porém, salvo essa resposta para a resistência da parte do corpo onde R = 100 000. W. Em outras regi- ões do corpo, deve ser recalculado o valor da corrente. GABARITO 4. a. Solução: Dados: Chuveiro “A” alimentado em 127 V e o chuveiro “B” alimentado em 220 V . Ambos com potência de 5400 W . I I t chuveiro A chuveiro B A A 5400 127 42 51 5400 220 24 54 1 , , ∆ 55 minutos = 0,25 h 30 dias = 7,5 h/m AP Pchuveiro chuveeiro E P t B W da fica: kWh 5400 5400 7 5 40 5∆ , , � �� Cálculo do custo ( C ): C P tarifa C C 40 5 0 55 22 27, , , R$ 22,27 por mês R: os dois chuveiros consomem a mesma energia, pois operam durante o mesmo tempo e fornecem a mesma potência de 5400 W = R$ 22,27 por mês. b. Solução: Dados: I I chuveiro A chuveiro B A A = = = = 5400 127 42 51 5400 220 24 54 , , R: o chuveiro B de 220 V pode ser mais econômico em relação aos con- dutores da instalação elétrica, pois podem ser mais finos, uma vez que a corrente que circula é de 24 54, A em 220 V , enquanto que em 127 V para a potência de 5400 W , a corrente seria de 42 51, A, logo com con- dutores de maior diâmetro e de custo mais elevado. GABARITO 71 c. Solução: R: com o devido uso do condutor de aterramento do chuveiro ligado cor- retamente ao condutor da instalação (que está conectado ao eletrodo de aterramento), o potencial presente na resistência não isolada produz cor- rente elétrica pela água no interior do chuveiro e que flui pelo terminal de aterramento próximo da resistência. Caso não haja a conexão do condutor-terra do chuveiro com o condutor de aterramento, a corrente tende a circular pela água e pelo corpo do usuário do chuveiro, podendo causar choque elétrico. 5. a) Solução: Resposta correta: alternativa A. I A= 1 5, P V I� � � � �5 1 5 7 5, , W R: a capacidade de corrente do carregador é de 1500 mA , e a potência má- xima é de 7 5, W. 6. a) Solução: I P V I� � � �1000 220 4 54/ , A R: a corrente consumida pelo motor do liquidificador alimentado em 220 V será de 4 54, A . U N ID A D E II Professor Me. Fábio Augusto Gentilin INSTALAÇÕES ELÉTRICAS Objetivos de Aprendizagem ■ Apresentar os principais termos relacionados a instalações elétricas. ■ Compreender sobre os Sistemas Elétricos de Potência (SEP) e métodos de geração alternativa de energia (energia solar, eólica e demais fontes de energia existentes). ■ Aprender sobre Luminotécnica e suas principais características. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Instalações elétricas ■ Sistemas Elétricos de Potência (SEP) ■ Noções de Luminotécnica Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 75 INTRODUÇÃO Quando o projeto de uma edificação é realizado, uma das grandes preocupações é com relação às instalações elétricas que deverão ser executadas. Essa etapa do projeto é papel do Engenheiro Eletricista dimensionar, avaliar e executar junto de sua equipe técnica, de acordo com as normas estabelecidas e vigentes em nosso país, como por exemplo, a NBR-5410 que se refere às instalações de baixa ten- são que observamos em nossas residências. Em nosso livro, iremosabordar o conceito de instalações elétricas sob a ótica de um Engenheiro de Produção, com viés de quem observa o sistema e busca os pontos de interesse para monitoração e composição de indicadores de desem- penho, a fim de tomadas de decisões estratégicas. Nesta unidade, iremos contemplar os temas relacionados aos Sistemas Elétricos de Potência (SEP) e suas particularidades, além de explanar as princi- pais características dos sistemas de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. Esta área tem observado grande movimentação, atualmente, por conta das tecnologias de energias alternativas (eólica, solar, biomassa, etc.). Ainda passamos por grandes desafios, de um lado, frente às necessidades de uma sociedade modernizada pelas atuais tecnologias e suas expectativas, e do outro, as limitações tecnológicas que ainda enfrentamos no que diz respeito a geração, transmissão e uso eficiente da energia elétrica. Por este e muitos outros motivos é que ressaltamos a importância do conhecimento relativo ao conte- údo desta unidade. É importante ressaltar que o conteúdo dessa unidade é de extrema impor- tância informativa aos engenheiros de produção e que as atividades de projeto e execução de obras de eletricidade são de atribuição profissional de um enge- nheiro eletricista e cabe ao conselho regional de engenharia (CREA) fiscalizar tal exercício profissional de acordo com as diretrizes impostas pelo CONFEA (Conselho Federal de Engenharia). Ao fim, esta unidade aborda conceitos importantes de Luminotécnica e suas principais características de utilização, como os mais comuns tipos de lâmpadas e seu uso nos mais diversos ambientes. INSTALAÇÕES ELÉTRICAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E76 INSTALAÇÕES ELÉTRICAS As instalações elétricas ocorrem de acordo com normas que definem parâme- tros de segurança e padronização. Todo profissional atuante deve se alinhar a essas normas para poder executar serviços em eletricidade. De acordo com o potencial elétrico envolvido, há normas distintas que definem as regras específicas para trabalhos em instalações elétricas, como por exemplo: ■ NBR 14039:2003 - Instalações elétricas de média tensão de 1,0 kV a 36,2 kV ■ NBR 5410 - Instalações elétricas de baixa tensão ■ NBR 5444 - Símbolos gráficos para instalações elétricas prediais ■ NBR 5419 - Proteção de estruturas contra descargas atmosféricas Além da norma de segurança em instalações e serviços em eletricidade - NR 10. De acordo com a norma NBR 5410, seguem algumas definições básicas rela- cionadas a instalações elétricas de baixa tensão: Instalações Elétricas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 77 ATERRAMENTO ELÉTRICO O aterramento elétrico é o recurso utilizado para atribuir segurança a pessoas, equipamentos e para a instalação elétrica em uma edificação. O aterramento é a ligação ao potencial mais neutro de todos, a terra aos dispositivos de segurança e proteção. Consiste em uma haste de metal (eletrodo de aterramento) aterrada no solo e condutores que percorrem toda a instalação elétrica. O aterramento, normalmente, é utilizado para proteger a instalação de des- cargas atmosféricas, interligando o para-raios, para desviar potenciais elevados e perigosos e para desviar ruídos provenientes do funcionamento de equipa- mentos elétricos e eletrônicos. De acordo com a norma NBR 5410, há alguns esquemas de aterramento que determinam como os demais possíveis esquemas podem ser realizados. São eles: esquemas TN, TT e IT. O esquema TN utiliza um condutor diretamente aterrado, sendo as carca- ças (ou massas) dos dispositivos ligadas a esse condutor através de condutores de proteção específicos. Esse esquema de aterramento permite três variações: TN-S, TN-C-S e TN-C, diferenciando-se de acordo com a disposição dada entre o condutor neutro e o condutor de proteção, conforme Figura 1: L1 L2 L3 N PE L1 L2 L3 PEN PE N Aterramento da alimentação Aterramento da alimentação Massas Massas TN-S L1 L2 L3 PEN Aterramento da alimentação Massas Massas TN-C TN-C-S Massas Massas Figura 1- Esquema de aterramento TN e suas variantes Fonte: ABNT (2004 p. 15 a 16) INSTALAÇÕES ELÉTRICAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E78 O esquema TN-S é aquele onde condutor neutro e o condutor de proteção são distintos, porém, interligados. Já no esquema TN-C-S, as funções dos condutores neutro e de proteção são combinadas em um único condutor, em algumas partes, podendo ter ramos do circuito com dois condutores. No esquema TN-C, as funções do condutor neutro e de proteção são com- binadas em um único condutor integralmente. Talvez esse seja o esquema mais comum em instalações residenciais (ABNT, 2004). O esquema TT apresenta a característica de que cada dispositivo tem seu pró- prio eletrodo de aterramento, mesmo existindo o condutor de aterramento da instalação elétrica disponível. É utilizado quando os dispositivos desempenham funções específicas e requerem individualização de aterramento, por exemplo, instrumentos de medição e instrumentação, equipamentos com elevada emis- são de ruído conduzido (EMI conduzido), etc. Imagine se todos pudessem realizar suas instalações elétricas de acordo com seu conhecimento, sem a necessidade de padronização ou atendimen- to à normas? Como seria a aparência de nossas cidades e casas? E em termos de acidentes com eletricidade, o que mudaria? Fonte: o autor. Instalações Elétricas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 79 L1 L2 L3 N Aterramento da alimentação Massas Massas PE L1 L2 L3 N Aterramento da alimentação Massas Massas PE PE Figura 2- Esquema de aterramento TT Fonte: ABNT (2004 p. 16) No esquema de aterramento IT, todas as partes energizadas (vivas) são isola- das da terra ou, em um ponto da instalação, é aterrada com a utilização de uma impedância (resistência elétrica), conforme a Figura 3 (ABNT, 2004). L2 L3 N L1 L2 L3 N Massas PE A B. 1 B. 2 B. 3 B Aterramento da alimentação Massas Massas PE PE 1) 1) L2 L3 N Massas PE 2) Impedância Aterramento da alimentação Impedância L1 L2 L3 N Massas Massas PE 1) Aterramento da alimentação Impedância L1 L2 L3 N Massas Massas PE 1) Aterramento da alimentação Impedância Figura 3- Esquema de aterramento IT Fonte: ABNT (2004, pág. 17) INSTALAÇÕES ELÉTRICAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E80 EQUIPAMENTO ELÉTRICO O equipamento elétrico destina-se ao uso da eletricidade para realizar uma ou mais funções elétricas, por exemplo, atuar na geração, transmissão ou distribui- ção de energia elétrica. Além disso, também podem utilizar a energia elétrica para realizar funções aplicadas a máquinas, transformadores ou dispositivos de medição, proteção e controle. Há equipamentos elétricos que atuam na conver- são de energia elétrica em outra forma de energia, como a energia térmica, a energia mecânica, a energia sonora, etc. (Cotrim, 2003 p. 3). Aparelho elétrico Aparelho elétrico é o termo para designar determinados equipamentos de uso da ele- tricidade e os equipamentos de medição, conforme os exemplos (Cotrim, 2003 p. 3): ■ Aparelho eletrodoméstico: São aparelhos de uso residencial, como máqui- nas de lavar roupas, chuveiro, liquidificador, aspirador etc. ■ Aparelho eletroprofissional: São aparelhos destinados ao uso profissional com eletricidade, por exemplo: máquinas de escrever elétricas, compu- tadores, impressoras etc. ■ Aparelho de iluminação: São aparelhos destinados a iluminação de ambien- tes, por exemplo: lâmpadas, reatores, luminárias e seus acessórios etc. Linha elétrica A linha elétricaé composta de um conjunto de um ou mais condutores e seus elementos de fixação e proteção. Seu objetivo é transportar energia elétrica ou transmitir seus sinais (Cotrim, 2003 p. 3). Instalações Elétricas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 81 Dispositivo elétrico O dispositivo elétrico é aquele que exerce uma função dentro de um circuito elé- trico, que pode ser de manobra, comando, proteção ou controle, podendo ser parte integrante de uma unidade maior dentro da instalação. Nas ações de manobra, os dispositivos atuam, comutando o acionamento de máquinas e dispositivos, por exemplo. Podemos citar os disjuntores, chaves seccionadoras e contatores como sendo dispositivos de comutação que realizam manobras de circuitos. Ao atuar como comando, os dispositivos elétricos operam na ação des- tinada a realização da manobra, enquanto que na proteção, os dispositivos elétricos atuam automaticamente para proteger a instalação elétrica de pos- síveis situações críticas, como sobrecargas, sobretensões, curto-circuito, etc. Os dispositivos de controle atuam, estabelecendo o funcionamento de equipa- mentos elétricos, de modo que exerçam suas funções em determinadas situações que podem ser configuradas ou programadas de acordo com a necessidade. Carga elétrica A carga elétrica determina o regime de exigência, ao qual um circuito se submete, ou seja, o tipo e a intensidade de esforço representada pela entidade acoplada ao circuito, exigindo da instalação e da fonte de energia proporcional estrutura para condicionar seu funcionamento pleno. Há, basicamente, três tipos de cargas elétricas: resistivas, capacitivas e indutivas. As cargas resistivas são aquelas representadas pelos chuveiros elétricos, fer- ros de passar, fornos elétricos etc. Na maioria dos casos, assumem a função de elementos que convertem a energia elétrica em energia térmica. INSTALAÇÕES ELÉTRICAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E82 Já as cargas capacitivas são utilizadas em circuitos, onde se deseja corrigir o fator de potência e introduzem reatância capacitiva ao circuito. Normalmente, são representadas por bancos de capacitores de correção de fator de potência. Esse tipo de carga assume armazenamento de tensão e mesmo sem fornecimento de energia, pode acumular tensão residual. No caso das cargas indutivas, temos como exemplo os motores elétricos, transformadores, eletroímãs, etc. Esse tipo de carga normalmente compreende grande parcela de carga instalada em plantas industriais com máquinas movi- das a motor elétrico e aponta para uma característica marcante: potência reativa. Essa característica pode comprometer o sistema elétrico da empresa, uma vez que atinge limite máximo imposto pela concessionária de energia e implica em multa. O baixo fator de potência de motores elétricos e o superdimensionamento de motores e transformadores podem causar o aumento de potência reativa, o que pode ser minimizado com o uso de banco de capacitores de correção de fator de potência. POTÊNCIA INSTALADA Assim como a carga elétrica, a potência instalada define todas as cargas dentro de uma instalação elétrica em termos de potência total, levando em conta o consumo de corrente de cada elemento associado a instalação e sua tensão de trabalho. Um exemplo, seria realizar o levantamento da potência individual de cada um dos dispositivos de uma instalação, desde iluminação até dispositivos como chuveiros, motores, máquinas etc. e realizar sua soma de todos os elementos. No Quadro 1, segue um exemplo da potência instalada em uma determinada filial de uma empresa: Instalações Elétricas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 83 POTÊNCIA INSTALADA - FILIAL NORTE Item Quantidade Descrição Potência individual (W) Potência do circuito (W) 1 75 Lâmpada LED - iluminação 50 3.750 2 16 Motor trifásico 3.000 48.000 3 10 Chuveiro elétrico 5.400 54.000 4 2 Forno elétrico 10.000 20.000 5 7 Aparelho de ar condicionado 12000 BTU 1.600 11.200 Potência total (W): 136.950 Quadro 1 - Potência instalada do exemplo Fonte: o autor É válido lembrar que quando um dispositivo elétrico é novo, normalmente, consome a potência definida pelo fabricante em sua etiqueta de identificação e especificações elétricas, porém, ao longo de seu uso, os dispositivos podem aumentar seu consumo de energia, por conta do desgaste natural das peças ou condições de operação, tornando a monitoração da potência instalada dever de grande importância para a sustentabilidade do processo. Falta elétrica O conceito de falta elétrica ou simplesmente fuga elétrica resume-se ao evento de circulação de corrente elétrica por um caminho diferente do usual, podendo ser para o potencial de terra (aterramento) ou através de outro elemento condutor associado, como é o caso de condutores que se tocam e configuram o curto-cir- cuito. Pode ocorrer de maneira direta (contato direto) acidental ou proposital. Figura 4: Relé de sobrecarga INSTALAÇÕES ELÉTRICAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E84 A falha elétrica ocorre quando, por exemplo, há falta de isolação entre um ou mais condutores e o potencial do condutor estabelece a corrente elétrica por um caminho diferente do usual, por exemplo, quando os condutores de cobre isolados por uma camada fina de esmalte aquecem excessivamente dentro de um motor elétrico, atingindo temperatura que rompe a isolação, permitindo assim que a corrente flua pelas chapas de metal do estator e através da carcaça do motor, frequentemente, conhecido como “fuga para a carcaça ou terra”. A falta pode ser configurada também quando ocorre um arco entre as par- tes de potenciais diferentes e assim estabelece-se o fluxo de corrente. Sobrecarga, sobrecorrente, sobretensão e curto-circuito Os termos sobrecarga, sobrecorrente e sobretensão apresentam semelhança no que se refere ao elemento em sua denominação “sobre” que remete a ultrapassar seu limite seguro ou operacional para o qual foi projetado, assim, sobrecarga é confi- gurado quando a carga acoplada a um circuito ultrapassa seu limite operacional, por exemplo, o motor de uma bomba de recalque que em seu funcionamento nor- mal teve seu eixo bloqueado e assim passou a exigir mais corrente para suprir a demanda iminente, porém, sobrecarregando o sistema elétrico. Esse tipo de evento pode causar o sobreaquecimento do enrolamento do motor e sua queima. Para proteger a instalação elétrica contra sobrecargas são utilizados relés de sobrecarga, que são equipados de um elemento bimetálico capaz de se inflexionar quando determinada temperatura ocorra nos condutores de potencial e com isso, ocorra a aber- tura do circuito de comutação (desligamento do contator, por exemplo), protegendo a instalação do evento de sobrecarga. A Figura 4 apresenta um exemplo de relé de sobrecarga utilizado no acionamento de motores de indução trifásicos. Instalações Elétricas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 85 A sobrecorrente tem a mesma conotação de sobrepor os limites operacionais, nesse caso, no quesito corrente elétrica, pois quando um condutor assume mais corrente que aquela para o qual foi projetado faz com que haja colisões demasiadas entre os elétrons no condutor e, por consequência, tem-se o sobreaquecimento, levando a ruptura da camada de isolação dos condutores. Isso pode acarretar na fuga à terra ou no curto-circuito entre outros con- dutores próximos. Um exemplo seria o motor da bomba anteriormente citado, onde a corrente aumenta à níveis críticos por conta do bloqueio do eixo do motore assim, a corrente no enrolamento estatórico atinge patamares elevadíssimos, promovendo o aumento de temperatura dos condutores e, consequentemente, pode ser detectado por um elemento bimetálico ou elemento fusível que atua para proteger a instalação do evento ao qual se sujeita. Os fusíveis e os disjuntores são exemplos de dispositivos de proteção contra sobrecorrente elétrica (Figura 5). (a) (b) (c) Figura 5- Dispositivos de proteção contra sobrecorrente - (a) fusíveis e (b) disjuntor. Para reunir em um só dispositivo ação de proteção contra sobrecarga e sobre- corrente, foi desenvolvido o disjuntor-motor, que atua de acordo com o relé de sobrecarga e conforme o disjuntor, protegendo a instalação quando ocorra um dos dois eventos, sobrecarga ou sobrecorrente, respectivamente, além de prote- ger também contra eventos de curto-circuito. A Figura 6 apresenta um exemplo do uso de disjuntor-motor. INSTALAÇÕES ELÉTRICAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E86 Figura 6- Disjuntor-motor. Quando ocorre o evento de sobrecorrente, o elemento fusível atua, fundindo seu elo fusível e torna-se inutilizado (à menos que seja recondicionado), neces- sitando ser substituído. Já o disjuntor pode ser rearmado e atua na proteção sempre que houver sobrecorrente, sem a necessidade de substituição. No caso do disjuntor-motor, este dispositivo substitui os fusíveis e o relé de sobrecarga, pois contempla a proteção contra sobrecorrente, curto-circuito e sobrecarga. A sobretensão é quando a tensão atinge níveis elevados, acima de seus limi- tes operacionais, podendo resultar na ruptura da isolação entre os condutores ou em danos a componentes associados ao circuito. Esse evento pode ser resultado de contato entre condutores, quando um condutor de potencial elevado entra em contato com outro condutor de menor potencial, fazendo com que um valor de tensão acima do desejado para o referido circuito seja aplicada, causando danos aos dispositivos a ele associados. É frequente registrar eventos de sobretensão quando motores de elevadas potências são desligados de maneira abrupta, causando oscilações na tensão da rede ou até mesmo quando ocorrem descargas atmosféricas que atingem os condutores de eletricidade, levando potenciais de tensão elevadíssimos aos dispositivos, causando danos irreversíveis. Figura 7- Monitor de fase ou relé de falta de fase Instalações Elétricas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 87 Para minimizar os danos causados pela sobretensão, existem dispositivos capazes de monitorar o referido evento e seccionar o circuito para proteger as instalações e dispositivos associados. São os conhecidos monitores de fase ou relés de falta de fase, que atuam monitorando os níveis de tensão e comparando- -os com valores limite, sobre os quais a rede deve atender, caso ocorra evento de sobretensão, por exemplo, um contato muda de estado e o elemento de comuta- ção (contator, por exemplo) é desligado, protegendo assim as instalações elétricas. É bastante difundido seu uso nos eventos de falta de fase, ou seja, quando uma das fases não está presente ou apresenta potencial abaixo do normal. A Figura 7 apresenta um exemplo de monitor de fase. Outro dispositivo aplicado a eventos de sobretensão, mas aplicável a even- tos transitórios e descargas atmosféricas, é o varistor. Este componente é capaz de operar com a tensão da rede no sentido de conduzir os potenciais excessivos para o terminal de terra, o seja, desviam para o eletrodo de aterramento todo potencial acima da tensão da rede, com isso, apenas a tensão de operação é trans- ferida para a carga. Os varistores ou supressores de surto apresentam curva de atuação em velocidade muito elevada, podendo atender a deman- das da ordem de nano segundos, com isso, transitórios de tensão (oscilações de tensão) que ocorram muito rapidamente podem ser desviados para o aterramento por meio desse dispositivo de proteção. A Figura 8 (a) apre- senta um diagrama, contemplando o exemplo de uma instalação elétrica com dispositivos de proteção contra sobretensão (supresso- res) denominado de proteção em três níveis para fornecimento de energia, tipo 1 e tipo 2 instalados separadamente e tipo 3. Já em (b), há uma foto com exemplos desses dis- positivos (Contact, 2014). INSTALAÇÕES ELÉTRICAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E88 (a) (b) Figura 8- Proteção em três níveis para fornecimento de energia, tipo 1 e tipo 2 instalados separadamente e tipo 3 – (a) diagrama elétrico e (b) fotos dos dispositivos físicos (Contact, 2014 p. 12). O evento de curto-circuito é uma situação em que ocorre uma corrente de falta entre dois condutores, em outras palavras, há circulação de corrente em baixa impedância “Z” (baixa resistência “R” à circulação dos elétrons), o que resulta em alta amplitude de corrente, pois, se a impedância tende a zero, a corrente tende ao infinito, dada uma tensão “V”, de acordo com a Equação 1: I V R V Z = = Fazendo I tendendo ao infinito (I → ∞), temos: I V Z →∞= → 0 Equação 1 Instalações Elétricas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 89 “Se a impedância entre os condutores tende à zero, a corrente tende ao infinito”. Assim, durante o curto-circuito, a corrente de falta que flui em baixa impedân- cia entre os condutores tende a valores elevados e precisam ser limitados para que a instalação elétrica mantenha sua integridade. Para proteger as instalações elétri- cas de eventos de curto-circuito, utilizam-se normalmente fusíveis e disjuntores. Corrente diferencial-residual ( IDR ) A corrente diferencial-residual, representada pela sigla IDR é pela definição: “a soma dos valores instantâneos das correntes que percorrem todos os condutores energizados (vivos) do circuito considera- do, em dado ponto P” (Cotrim, 2003 p. 5). Em resumo, para a leitura do estudante de Engenharia de Produção, consi- dere que, em um sistema trifásico, temos três fases A, B e C, além do condutor Neutro (N) Figura 9: Figura 9- Sistema trifásico (Fonte: Autor). Devemos reconhecer que no ponto P a soma das correntes I1, I2, I3, e IN deve ser igual a zero (Equação 2), assim a corrente diferencial residual é igual à zero: I I I IN1 2 3 0+ + + = Equação 2: Corrente no sistema trifásico Caso a soma das correntes da Equação 1 for diferente de zero, significa que há corrente diferencial-residual “IDR”, ou seja, há corrente de fuga ou de falta entre uma das fases e a terra. Assim, podemos afirmar que (Equação 3): I I I I IDR N= + + +1 2 3 Equação 3: Corrente diferencial-residual. INSTALAÇÕES ELÉTRICAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E90 Na prática, o ponto P pode ser uma pessoa que acidentalmente tem contato com um dos condutores energizados (vivos) e quando a corrente circula através de seu corpo até a terra, onde o mesmo está apoiado sobre seus pés, atinge deter- minado valor que pode ser letal. Para proteger as pessoas desse efeito, existe um dispositivo denominado Disjuntor “Diferencial-Residual”, ou simplesmente “DR”. Esse dispositivo é instalado na entrada de alimentação de uma edificação e monitora a corrente de fuga entre os condutores alimentadores e a terra. Na iminência de fuga de corrente para a terra, em caso de choque elétrico ou mal funcionamento de um equipamento elétrico ou eletrônico, este DR atua de modo a desenergizar a rede elétrica da edificação, protegendo assim as pessoas con- tra choques elétricos. Sistemas Elétricos de Potência (SEP) O Sistema Elétrico de Potência (SEP) é composto dos segmentos de Geração, Transmissão e Distribuição de energia elétrica. Todaa infraestrutura necessária para gerar, transportar e entregar a energia elétrica produzida ao usuário final, doméstico ou corporativo está envolvido pelo SEP. Quando a energia é gerada na usina, ela é transmitida pelas linhas de transmissão e chega até as subestações nas cidades, onde poderá ser distribuída para uso dos clientes (usuários domés- ticos ou empresas, por exemplo). Um caso curioso ocorre quando um chuveiro elétrico comum é instalado em uma instalação que tenha DR. Caso a resistência do chuveiro não seja blindada, ocorrem fugas entre as fases e a terra e o disjuntor atua para pro- teger o sistema impedindo o funcionamento do chuveiro, logo, em instala- ções com DR, recomenda-se o uso de chuveiros com resistências blindadas. Fonte: o autor Sistemas Elétricos de Potência (Sep) Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 91 Na matriz energética brasileira, a mais tradicional forma de se gerar ener- gia é a partir de usinas hidroelétricas, porém, há outras fontes de energia que se dividem em usinas termoelétricas, parques eólicos, usinas solares, usinas nucle- ares, micro geração com biodigestores, etc. As políticas nacionais evoluíram (talvez tardiamente) com relação ao uso das energias renováveis, no sentido de explorar o potencial energético da geração eólica e solar, mas ainda muito deve ser feito para avançarmos no uso de aerogerado- res (geradores eólicos) e sistemas à base de painéis solares, por exemplo, no que chamamos de bitributação ou ICMS que é tributado (praticamente) duas vezes, que ocorria na maioria dos estados brasileiros e que atualmente está diminuindo, de forma a tornar mais viável o investimento e as novas alternativas energéticas. (a) (b) (c) (d) Figura 10- Geração de energia: (a) usina nuclear, (b) usina eólica, (c) usina solar e (d) usina hidroelétrica. No processo de geração de energia elétrica, devemos reconhecer também as demandas de geração a partir de cogeração de energia, com base no aproveita- mento de resíduo industrial, como, nas usinas de álcool e açúcar, que processam a cana de açúcar para produção de álcool e açúcar. O resíduo e o bagaço de cana que, em outro momento da história, eram considerados um problema para se INSTALAÇÕES ELÉTRICAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E92 eliminar e gerava custos de descarte, hoje, é utilizado como combustível para as caldeiras que acionam a turbina do gerador de eletricidade. Eletricidade essa que alimenta o próprio processo em termos elétricos e seu excedente chega a ser comercializado, alimentando pequenas cidades próximas à localidade da usina. No que tange os sistemas de transmissão de energia elétrica, entendemos o pro- cesso de conduzir a eletricidade para as localidades onde serão condicionadas a potenciais de distribuição. No processo de transmissão, a energia elétrica per- corre o caminho entre a usina geradora de energia e a sua cidade e para vencer toda essa distância é que o potencial elétrico é elevado, pois, quanto menor a corrente, menor também será a área de seção transversal do condutor, ou seja, se a corrente for menor, os condutores serão mais finos e com isso, mais baratos. Por outro lado, para se conseguir uma diminuição, no diâmetro dos condu- tores, é preciso aumentar a tensão elétrica, isso exige isolações maiores e com isso os condutores de transmissão são posicionados em linhas elevadas, supor- tadas por torres de transmissão, conforme mostrado na Figura 11. A energia elétrica que utilizamos na atualidade é comercializada sob altos custos, dado aos métodos e fontes disponíveis, sendo de uso restritivo e li- mitado ao poder aquisitivo das pessoas. Quais seriam outros métodos que poderiam possivelmente substituir no futuro as fontes atuais de energia elé- trica de maneira sustentável e acessível a todos? Fonte: o autor. Sistemas Elétricos de Potência (Sep) Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 93 Figura 11- Torres de linhas de transmissão de energia elétrica. Assim como o formato da eletricidade que recebemos em nossas residências, a eletricidade é transportada quase que em toda a sua totalidade da usina até nos- sas cidades em corrente alternada, pois é o formato mais econômico e, portanto, mais eficiente de transmitir energia elétrica na maioria dos casos, entretanto, há linhas de transmissão em corrente contínua, como é o caso do “Elo de corrente contínua” com sistema de transmissão formado por duas linhas, conduzindo ±600 kV (600 mil volts) gerados em corrente alternada e convertidos para cor- rente contínua antes de serem transmitidos. A extensão da linha do elo de corrente contínua é de aproximadamente 810 km e percorre a distância entre as subestações de Foz do Iguaçu (PR) e Ibiúna (SP). Como a distribuição é feita em corrente alternada para uso dos consumi- dores, a conversão de corrente alternada para corrente contínua (CA/CC) é feita por meio de oito conversores em cada subestação. Esse sistema começou a operar em 1984. A Figura 12 apresenta o aspecto de uma subestação de energia elétrica. INSTALAÇÕES ELÉTRICAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E94 Figura 12- Subestação de energia - fim das linhas de transmissão e início da distribuição. Quando a energia é transmitida, os potenciais variam desde sua geração até sua distribuição, apresentando as seguintes opções (Cotrim, 2003): ■ Potencial de geração: 12 kV a 24 kV; ■ Potencial de Transmissão: 138 kV a 735 kV (grandes consumidores); ■ Potencial de Sub-transmissão 23 kV a 138 kV (cidades menores ou indús- trias de médio porte); ■ Potencial de distribuição industrial: 4,16 kV a 34,5 kV (pequenas indús- trias e shoppings); ■ Potencial de distribuição residencial: menor que 1000 V (residências, microempresas e comércio). Quando o assunto é distribuição, podemos concluir, por meio das informações acima, que os potenciais entregues às empresas são elevados e significam ponto de atenção com a segurança nessas áreas. É a distribuição, dentro do SEP, que entrega e mantém funcionando a energia elétrica para permitir que sua vida funcione conforme o esperado, nos potenciais de nossos eletrodomésticos, dispositivos eletrônicos, computadores, iluminação etc. Para conseguir que os potenciais se ajustem aos padrões dos equipamentos domésticos, é necessário que haja conversão de potenciais, para isso utilizamos transformadores de distribuição, conforme mostra a Figura 13. Noções de Luminotécnica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 95 No Brasil, é comum que os transforma- dores de distribuição sejam fornecidos para converter a tensão de 13,8 kV em tensões de 220 V medidas entre as fases e 127 V medidas entre uma fase e o con- dutor neutro, dependendo da região do país, por exemplo, no estado do Paraná a tensão encontrada nas tomadas da maioria das residências é de 127 V, já em Santa Catarina, a tensão é normal- mente de 220 V (Kagan, et al., 2005). Normalmente, nos casos onde o sistema é de 127 V, o terminal neutro (N) é aterrado (secundário do trans- formador ligado em estrela), assim, o retorno de qualquer potencial que entre em contato com o condutor neutro será conduzido para a terra (Cotrim, 2003). NOÇÕES DE LUMINOTÉCNICA Imagine-se estudando, lendo um bom livro, preparando-se para uma avaliação em uma sala silenciosa e climatizada (Figura 14), uma mesa ajustada e espa- çosa, sentado em uma poltrona confortável, tempo, clima e silêncio ideais, mas, imagine que a luz não está adequada. Há pouca luminosidade! Infelizmente a leitura não será das melhores. Pensando nesse aspectocomo exemplo, essa lei- tura deve indicar alguns pontos importantes para o entendimento de algumas tecnologias e suas aplicabilidades. Figura 13: Transformador de distribuição de energia elétrica INSTALAÇÕES ELÉTRICAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E96 Figura 14- Sala de estudo - iluminação deve ser adequada a leitura. A Luminotécnica é a área da eletricidade que estuda os sistemas de iluminação, baseado nas características de cada ambiente a ser iluminado e nas tecnologias disponíveis a serem aplicadas, respeitando-se normas que definem a intensidade de iluminação que cada ambiente deve oferecer para permitir as ações espera- das em cada situação. Alguns termos indispensáveis devem ser definidos para o entendimento dos assuntos dessa seção: ■ Eficiência Luminosa: É a relação entre o fluxo luminoso emitido pela lâmpada e a potência consumida. Sua unidade de medida é o lm/W e o seu símbolo é “n” (EMPALUX, 2018). ■ Intensidade Luminosa: É a quantidade de luz emitida por uma fonte luminosa em uma determinada direção. Utilizada em lâmpadas refletoras, onde a intensidade luminosa está ligada ao ângulo do fecho. Sua unidade de medida é a Candela - Cd cujo símbolo é “I” (EMPALUX, 2018). ■ Fluxo Luminoso: É a quantidade de luz emitida por uma lâmpada em todas as direções. Sua unidade de medida é o lúmen (Im) e seu símbolo é “O” (EMPALUX, 2018). Corresponde à quantidade de luz produzida em 1 segundo por uma radiação eletromagnética com X = 555 nm e fluxo radiante de 1/680 W (Cotrim, 2003 p. 437). ■ Iluminância: É a quantidade de luz que chega a um ponto. Sua unidade de medida é o Lux e seu símbolo é “E”. Noções de Luminotécnica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 97 A luminária é o aparelho que reúne todos os recursos para que a luz seja pro- duzida na intensidade e direção desejada. Para isso, contempla toda a estrutura mecânica e elétrica para fixação e manutenção adequadas. O dimensionamento da quantidade de elementos necessários em um dado ambiente depende das necessidades específicas e recomendadas pela norma NBR 5413, conforme o Quadro 2 (ABNT, 1992) e não será detalhado nesse livro por exigir pré-requisitos técnicos do curso de Engenharia Elétrica, sendo, portanto, abordadas nessa seção as informações mais relevantes de orientação ao profis- sional da área de Engenharia de Produção. Há métodos utilizados para determinar o número de luminárias em cada área, levando em conta sua classificação, conforme o Quadro 2, que dependem da tecnologia da luminária escolhida, por exemplo, se o ambiente exige o uso de lâmpadas LED ou mesmo de lâmpadas de vapor de mercúrio. Para tanto se faz necessário conhecer um pouco sobre cada tecnologia em uso. Quadro 2: Iluminância por classe de tarefas visuais ILUMINÂNCIA POR CLASSE DE TAREFAS VISUAIS CLASSE ILUMINÂNCIA (lux) Tipo de atividade A (Iluminação geral para áreas usadas interruptamente ou com tarefas visuais simples) 20 - 30 - 50 Áreas públicas com arredores escuros 50 - 75 - 100 Orientação simples para permanência curta 100 - 150 - 200 Recintos não usados para trabalho contínuo; depósitos 200 - 300 - 500 Tarefas com requisitos visuais limita- dos, trabalho bruto de maquinaria, auditórios B (Iluminação geral para área de trabalho) 500 - 700 - 1000 Tarefas com requisitos visuais nor- mais, trabalho médio de maquinaria, escritórios 1000 - 1500 - 2000 Tarefas com requisitos especiais, gravação manual, inspeção, indústria de roupas. C (Iluminação adicional para tarefas visuais difíceis) 2000 - 3000 - 5000 Tarefas visuais exatas e prolongadas, eletrônica de tamanho pequeno 5000 - 7500 - 10000 Tarefas visuais muito exatas, monta- gem de microeletrônica 10000 - 15000 - 20000 Tarefas visuais muito especiais, cirurgia Fonte: ABNT, 1992 (on-line) Figura 15 - Lâmpada incandescente. INSTALAÇÕES ELÉTRICAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E98 TIPOS DE LÂMPADAS Nessa seção serão apresentados os principais tipos de lâmpadas utilizados na atualidade e suas principais características e aplicações. • Lâmpada incandescente Este tipo de lâmpada é sem dúvida o mais tradicional modelo encontrado na maioria das residências há décadas e que nos últimos anos veio sendo substitu- ída por modelos mais eficientes. É composta de base, bulbo, filamento e demais suportes inter- nos confinados com o gás. O filamento é espiralado e fabricado em Tungstênio devido ao alto ponto de fusão e baixo ponto de evaporação que lhe conferem a maior eficácia sobre a maioria dos metais. A Figura 15 apresenta uma lâm- pada incandescente comum. A luz nesse tipo de lâmpada é resul- tado do aquecimento do filamento de Tungstênio que é percorrido pela corrente elétrica e atinge elevada temperatura em con- tato com os gases Nitrogênio ou Argônio (que são normalmente usados na fabricação desse tipo de lâmpada). Já o Criptônio é um tipo de gás inerte que apresenta menores perdas, mas seu uso é restrito a lâmpadas especiais por conta de seu custo elevado. O material da sua base é geralmente alumínio, níquel ou latão e pode ser roscado (identificado pela letra “E” de Edison) ou do tipo baioneta (identificado pela letra “B” (Cotrim, 2003 p. 441 a 442)). Figura 16- Lâmpada de descarga Noções de Luminotécnica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 99 • Lâmpadas de descarga As lâmpadas de descarga emitem luz por conta da contínua descarga elétrica em um gás ou vapor ionizado. Em alguns casos, há a combinação com a lumines- cência de fósforos, que são excitados pela radiação da descarga (Cotrim, 2003 p. 442). Este tipo de lâmpada exige o uso de limitador de corrente ou reator asso- ciado ao seu circuito. Nas lâmpadas de descarga há eletrodos de Tungstênio e um metal emissivo, além do gás (que pode ser a base de mercúrio ou sódio, por exemplo), o qual preenche seu bulbo de vidro alcalino-silicato transparente (no caso de lâmpa- das de baixa pressão de mercúrio ou fluorescentes tubulares). Para seu acionamento é necessário o uso de um reator que tem como obje- tivo limitar a corrente elétrica de seu acionamento além de utilizar ignitores ou starters que facilitam a ionização do gás dentro do bulbo, facilitando a condu- ção de elétrons e, consequentemente, a emissão de luz. A Figura 16 apresenta uma lâmpada de descarga típica. • Lâmpada fluorescente tubular Em uma lâmpada fluorescente tubu- lar, a luz é produzida pela ativação de pós fluorescentes, por meio da energia ultravioleta da descarga no interior do bulbo. Normalmente, o formato de seu bulbo é tubular e longo, apresentando um eletrodo em cada extremidade e confina vapor de mercúrio sob baixa pressão, junto de uma pequena quantidade de gás inerte para facilitar a partida. INSTALAÇÕES ELÉTRICAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E100 A composição do pó fluorescente ou fósforo que reveste as paredes interiores desse tipo de lâmpada determinam a cor da luz emitida e sua faixa de potências pode variar entre 15 até 110 W, podendo ou não necessitar de ignitor. A Figura 17 apresenta uma lâmpada fluorescente tubular. Nesse tipo de lâmpadas, são utilizados reatores que, atual- mente, apresentam rentabilidade superior, pelo fato de serem eletrônicos e aplicarem sinal de alta tensão, em fre quência mais intensa, acionando a lâmpada mais rápido e com maior rendimento, comparado aos mode los tradicionais. • Lâmpada fluorescente compacta Esse tipo de lâmpada contempla várias características da lâm- pada fluorescente tubular, com a vantagem de ter apenas uma base de fixação, as características positivas da lâmpadaincandes- cente, porém, consumindo menos energia com maior eficiência energética e luminosa, pois converte mais energia elétrica em luz do que em aquecimento. A partir de meados de 1998, no Brasil, as pessoas passa- ram a substituir suas lâmpadas incandescentes por modelos fluorescentes compactas e, depois desse momento, vários modelos mais eficientes e menores foram sendo lançados. É bastante comum que na embalagem do produto sejam dis- ponibilizadas pelo fabricante dados comparativos entre a potência necessária em uma lâmpada fluorescente compacta para equivaler à uma lâmpada incandescente e é notório que Figura 17- Lâmpada fluorescente tubular. Noções de Luminotécnica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 101 uma lâmpada incandescente que consuma 100 W produza a mesma intensidade luminosa que uma lâmpada fluorescente compacta de 24 W, por exemplo. A Figura 18 mostra alguns mode- los de lâmpadas fluorescentes compactas. Este modelo normalmente está disponí- vel entre as faixas de potência entre 5 e 55 W1 (Cotrim, 2003 p. 444). • Lâmpada a vapor de mercúrio Esse tipo de lâmpada é comum ser encon- trado nas faixas de potências entre 80 e 1.000 W. Utiliza um reator para seu acionamento e apresenta dois eletrodos (principal e auxi- liar) unidos por meio de um resistor que emite luminescência suficiente para ionizar o gás interno e iniciar a descarga. A Figura 19 mostra um exemplo de lâmpada de vapor de mercúrio e sua utilização. Este tipo de lâmpada normalmente é utilizado na iluminação pública, mas atualmente, os atuais programas de eficiência energética estão substituindo esse modelo por lâmpadas mais eficientes, como a lâmpada LED, por exemplo. Esse tipo de lâmpada não reproduz as cores com riqueza, pois o arco do de mercúrio emite boa parte de sua energia luminosa na região do espectro lumi- noso de ultravioleta. Artifícios como utilizar revestimento de fósforo no interior de seu bulbo produz um componente vermelho que melhora a reprodução de cor (Cotrim, 2003 p. 445). 1 Referência que pode sofrer alterações de acordo com a necessidade de cada fabricante, atualizando a faixa de oferta de potências comerciais. Figura 18- Lâmpada fluorescente compacta. Figura 19- Lâmpada a vapor de mercúrio. Figura 21- Lâmpada de luz mista Fonte: Philips (2018, on-line) Figura 20- Lâmpada de vapor metálico Fonte: Philips (2018, on-line) INSTALAÇÕES ELÉTRICAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E102 • Lâmpada de vapor metálico Essa tecnologia de lâmpadas apresenta as características das lâmpadas de mer- cúrio, porém, para aumentar sua efi cácia e a reprodução de cores, é adicionado iodeto em sua construção, como é o caso do índio, tálio e sódio. Na Figura 20, é possível ver um exemplo de lâmpada de vapor metálico. Sua utilização é dedicada a iluminação de ambientes como está- dios e vias públicas em centros de cidades, onde há a necessidade de realçar detalhes e cores com nitidez e a faixa de potências para esse modelo de lâmpada é de 400 a 2000 W (Cotrim, 2003 p. 445). • Lâmpada de luz mista Trata-se de uma arquitetura mista entre lâmpada incandescente e lâmpada de descarga, pois apresenta fi lamento e eletrodo dentro de um bulbo de vidro reves- tido com fósforo e preenchido com gás. Essa lâmpada emite luz agradável dado a soma das características do fi ltro exercido pela camada de fósforo com o aque- cimento estabelecido pelo fi lamento (Cotrim, 2003 p. 445). Sua aparência pode ser vista em um modelo mostrado na Figura 21. Este tipo de lâmpada não requer rea- tor para seu acionamento e deve ser ligada diretamente à rede elétrica, assim como uma lâmpada incandescente comum. • Lâmpada de sódio de alta pressão Este tipo de lâmpada utiliza sódio, mercúrio e xenônio, no interior de seu bulbo de vidro, que atuam na limitação e estabilização da luz, além da condução do calor produzido. Noções de Luminotécnica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 103 Para suportar a temperatura de 700 ºC, no vapor de sódio, é utilizado vidro duro e componentes internos de alumínio sinterizado e sua utilização se dá, prin- cipalmente, em iluminação pública em alturas elevadas, dado a sua capacidade de operar em faixas satisfatórias de reprodução de cores e intensidade luminosa (Cotrim, 2003 p. 445). A Figura 22 apresenta o aspecto físico desse tipo de lâmpada. • Lâmpada LED A mais inovadora e revolucionária tecnologia dos últimos anos, no que se refere a iluminação, sem dúvidas é a tecnologia de lâmpadas LED. LED que significa “Diodo Emissor de Luz” e que foi adaptado ao uso como lâmpada nos últimos anos e já ocupa lugar de destaque nas residências e prédios corporativos, além de ambientes públicos com abrangência mundial. A Figura 23 apresenta mode- los que ilustram a ideia de lâmpada LED. (a) (b) (c) Figura 23- Lâmpada LED. Há, entretanto, diversos tipos de invólucros para essa tecnologia de lâmpadas, sendo que diferentes aplicações determinam seu aspecto, variando desde uso em residências, faróis de veículos automotores, iluminação pública, lanternas até mesmo equipamen- tos médico-hospitalares (Figura 24). As vantagens do uso da lâmpada LED estão associadas ao seu baixo con- sumo de energia, eficiência luminosa, vida útil, tamanho reduzido, resistência mecânica, baixa dissipação de calor, etc. Figura 22- Lâmpada de sódio de alta pressão Fonte: Philips (2018, on-line) INSTALAÇÕES ELÉTRICAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E104 Com relação ao custo ainda há muito o que melhorar, pois ainda se trata de um item fabricado essencialmente no exterior e por esse motivo há tari- fas que incidem sobre a importação do produto, mas com o fortalecimento das indústrias e de fornecedores nacionais certamente será mais interessante a relação de custo-benefício desse tipo de tecnologia de lâmpada. • Lâmpadas: Características importantes A Figura 25 (EMPALUX, 2018) apresenta uma relação da eficiência luminosa em diferentes tipos de lâmpa- das. Observe que uma lâmpada incandescente tem a capacidade de produzir uma taxa de luz por unidade de potência na ordem de 10 a 15 lm/W, enquanto que uma lâmpada de vapor de sódio consegue produzir de 80 a 150 lm/W, isso significa que a eficiência de cada tipo se justifica pela tecnologia utilizada, rela- ção custo, benefício, aplicação e etc. que devem ser avaliados em cada caso. 150 140 130 120 110 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 70 a 130 45 a 55 20 a 35 50 a 100 15 a 25 10 a 15 75 a 100 80 a 150 LEDlm/W Vapor de mercúrio Luz mista Fluores- centes Halógenas Incandes- centes Vapor metálico Vapor de sódio Figura 25- Eficiência Luminosa em lâmpadas Fonte: EMPALUX (2018, on-line) Figura 24- Exemplo de iluminação pública utilizando-se lâmpada LED. Considerações Finais Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 105 Analisando em termos de vida útil, que se define como a expectativa de durabi- lidade de uma fonte luminosa, considera-se que o fim da vida útil de uma fonte luminosa ocorre em torno de 70% do seu fluxo luminoso (EMPALUX, 2018). Veja como é a vida útil para cada uma das tecnologias abordadas nessa sessão (Figura 26): 32.000h 30.000h 28.000h 26.000h 24.000h 22.000h 20.000h 18.000h 16.000h 14.000h 12.000h 10.000h 8.000h 6.000h 4.000h 2.000h 0h 20.000h a 32.000h 24.000h 10.000h 6.000h a 8.000h 1.500h a 2.000h 750h a1.000h 15.000h 28.000h a 32.000h LEDlm/W Vapor de mercúrio Luz mista Fluores- centes Halógenas Incandes- centes Vapor metálico Vapor de sódio Figura 26- Vida útil de uma fonte luminosa Fonte:EMPALUX (2018, on-line) Note que a lâmpada LED oferece vida útil entre 20.000 h e 32.000 h, enquanto que as lâmpadas incandescentes oferecem no máximo 1000 h de tempo de vida útil. CONSIDERAÇÕES FINAIS Na unidade 2 deste livro, abordamos assuntos relacionados às instalações elétri- cas e às normas técnicas que regem seu dimensionamento e utilização, fatores primordiais a serem respeitados para trabalhos em eletricidade. Para finalizar, foram expostos conceitos relacionados à Luminotécnica, com vistas aos dados que se fazem relevantes a um Engenheiro de Produção, no que se refere ao sistema de iluminação a ser utilizado. Certamente, já passamos por momentos em que a energia elétrica foi inter- rompida por motivos de mal tempo ou um acidente qualquer que deixou o bairro INSTALAÇÕES ELÉTRICAS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIU N I D A D E106 ou mesmo parte da cidade, por longas horas, sem energia elétrica. Este fenô- meno nos faz refletir o quanto somos adaptados e dependentes da eletricidade e de nossos equipamentos. Quando alguma parte do processo de geração, transmissão ou de distribui- ção de energia deixam de funcionar corretamente, passamos por transtornos que podem interferir, até mesmo, na maneira com que nos comunicamos atualmente, pois a internet pode deixar de funcionar, o telefone (embora tenha sistema de baterias e gerador diesel na central telefônica) pode interromper suas atividades e, com isso, o conforto de uma vida no século XXI passa a parecer mais com o século XVIII, em que não havia luz elétrica, porém, naquele tempo, as pessoas estavam preparadas para isso e, hoje, não estamos. A mesma ideia se aplica aos sistemas de iluminação que trazem a claridade as nossas ruas e casas e correspondem a uma despesa significativa para usuá- rios domésticos e industriais. É também um dos principais motivos que leva o governo a impor o horário de verão, que se aplica para que o consumo de energia elétrica da iluminação pública não coincida com o momento em que a maioria das pessoas está em casa tomando banho. É importante ressaltar que os tipos de sistemas de iluminação que estudamos, nesta unidade, permitem a seleção pela tecnologia mais sustentável, de modo que converta a maior parte da energia consumida em energia útil ou, neste caso, luz, pois, o uso das lâmpadas é na maioria dos casos de longo prazo e na medida em que podemos optar por tecnologias mais eficientes, optamos por instalações que respeitam o meio ambiente e, assim, podem ser sustentáveis. Todos esses assuntos foram trabalhados para dar sequência nas demais uni- dades, deste livro, que pretende oferecer as noções fundamentais de Eletrotécnica e Eletrônica. 107 1. Em uma instalação elétrica residencial uma criança tocou com o dedo na toma- da e recebeu choque elétrico e o dispositivo DR atuou, desligando a rede para proteger a vida da criança. Descreva como o dispositivo DR detectou o evento de choque elétrico. 2. O aterramento elétrico está presente na maioria das instalações elétricas e deve seguir o que está previsto na norma NBR 5410. De acordo com os concei- tos de aterramento elétrico, é correto afirmar que: a) O aterramento elétrico se aplica apenas em casos onde a carga instalada ultrapassa os 22 MW. b) Deve ser implementado em todas as instalações. c) Só devem ter aterramento elétrico os imóveis com data de construção pos- terior a 2015. d) Os esquemas de aterramento mais frequentes são o TNC-IT e o TTNCS. e) A haste de aterramento só pode ser fabricada em latão, pois, é considera- do um ótimo condutor e não oxida em contato com o solo, enquanto que o cobre não permite essa utilização por conta da ferrugem provocada em contato com o solo. 3. Quando um indivíduo entra em contato direto com uma das fases de uma insta- lação elétrica pode haver a circulação de corrente para o circuito de terra, resul- tando em graves danos quando o fluxo da corrente atinge órgãos vitais do corpo. Sobre os conceitos relativos a corrente diferencial-residual, é correto afirmar que: a) Os efeitos do choque diminuem se o indivíduo utilizar luvas e calçados iso- lados, pois são feitos de materiais que dificultam a circulação de corrente elétrica. b) A corrente que circula no ato do choque não importa e sim a tensão, pois a corrente não circula por tecido humano, apenas a tensão elétrica. c) A corrente diferencial é aquela medida entre uma fase e o neutro da instala- ção e não inclui o terminal de aterramento. d) Os dispositivos capazes de proteger as pessoas de choques elétricos são de- nominados de DRs, que significam Disjuntores Reversos e seu uso é obriga- tório segundo a NBR 5410. e) A corrente diferencial-residual é a soma das correntes das fases multiplicada pela corrente do neutro de uma instalação. 108 4. O uso de aterramento elétrico em uma instalação residencial pode evitar cho- ques elétricos quando pessoas entram em contato com seus eletrodomésti- cos, como no caso de chuveiros, refrigeradores e máquinas de lavar. Em caso de uma descarga atmosférica que atinge um poste e seus condutores, o que ocorreria a uma pessoa que está tomando banho em um chuveiro de 5400 W alimentado em 127 V sem o devido aterramento? 5. Assinale a alternativa que apresenta o valor da corrente que circulará pela re- sistência do chuveiro da questão 4, considerando que o potencial do raio é de 500.000.000 V. a) 358,78.108 A. b) 28,3.1088 A. c) 1.67,108 A. d) 0,735.105 A. e) 13,4.106 A. 6. Assinale a alternativa que apresenta o valor da potência dissipada no chuveiro, no momento da descarga atmosférica da questão 5. a) 12,876.1012 w. b) 33,585.1016 w. c) 1,133.1015 w. d) 138,44.1023 w. e) 8,389.1016 w. 109 A relação entre a área de Engenharia de Produção e a geração de energia elétrica é bas- tante próxima, uma vez que tendo a eletricidade como um tipo de energia e, sendo assim, há custos para que essa grandeza possa se manter dentro dos patamares dese- jados, podemos tratar a energia elétrica como um recurso e, sendo assim, esse recurso precisa ser gerido de maneira responsável, logo, o uso de energia elétrica deve ser feito, respeitando-se os limites sustentáveis, com planejamento e ações voltadas a preservar a integridade operacional que o uso eficiente da energia elétrica prevê. No que tange aos sistemas de geração de energia elétrica, devemos observar que há uma série de ações propostas a ajudar na análise de viabilidade ou manutenção dos sistemas produtivos existentes, estabelecendo o equilíbrio entre a maximização da produção e ao, mesmo tempo, a minimização das despesas relacionadas ao consumo de energia. Pensando no aspecto sustentável aplicado aos sistemas de geração de energia, é preci- so levar em consideração os custos relacionados a aquisição de insumos que permitam a conversão de energia a partir de elementos naturais, como o vento ou a energia so- lar, porém, os recursos tecnológicos existentes apresentam custo elevado e rendimento baixo, o que nem sempre é viável, logo, devem ser realizadas análises para apurar a via- bilidade de cada caso. Um outro ponto, sob a ótica da utilização da eletricidade em ambientes industriais já existentes, como máquinas e processos. Deve o profissional de Engenharia de Produção questionar as equipes técnicas quanto ao tempo que cada processo exige para produ- zir determinada demanda e quanta energia é consumida, nesse intervalo, para permitir comparação com resultados relativos a operação do mesmo processo, quando a máquina estava nova, e inferir se a mesma ainda reúne condições de operar ou se deve ser substi- tuída. Por fim, cabe ao Engenheiro de Produção investigar e cruzar dados de consumo de ener- gia elétrica dedicados a iluminação a sistemas de ar condicionado, para que a gestão do recurso energético seja feita de maneira responsável e sustentável, pois, se a empresa visualiza os pontos onde pode diminuir desperdícios haverá crescimento,caso contrá- rio, surpresas podem surgir e o reflexo pode atingir a todos os funcionários. Fonte: o autor. MATERIAL COMPLEMENTAR Captando o Sol (Catching the Sun) - 2015 Sinopse: Documentário mostra a explosão da indústria de energia solar, sob várias perspectivas, desde o dono de uma fábrica de painéis na China até um americano que faz curso de instalador na Califórnia. Comentário: [Filme relata fatos curiosos sobre o mercado de energia solar na prática. ] Nessa seção serão apresentados os links de acesso a fontes de informação da internet alinhados com os temas desta unidade: • ABINEE: Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica: http://www.abinee.org.br/ • Iluminação Philips: http://www.lighting.philips.com.br/educacao/lighting-university • ABNT: Associação Brasileira de Normas Técnicas: http://www.abnt.org.br/certifi cacao/ downloads • FLUKE: http://www.fl uke.com/fl uke/brpt/home/default • TEKTRONIX: https://www.tek.com/?zct=BR REFERÊNCIAS ABNT. 1992. NBR 5413 Iluminância de interiores. Rio de Janeiro : ABNT, 1992. ______. NBR5410:2004 - Instalações elétricas de baixa tensão. Rio de Janeiro : ABNT, 2004. ANEEL. 2018. Lâmpadas. aneel.gov.br. [On-line] ANEEL, 2018. [Citado em: 2 de agos- to de 2018.] http://www2.aneel.gov.br/aplicacoes/aneel_luz/conteudo/lampadas. html. Contact, Phoenix. Proteção contra sobretensão e fontes de alimentação 2013 / 2014. 2014. COTRIM, A. M. B. Instalações Elétricas. São Paulo : Pearson, 2003. EMPALUX. Eficiência Luminosa. Informações Luminotécnicas. [On-line] EMPALUX, 2018. [Citado em: 2 de junho de 2018.] http://www.empalux.com.br/?a1=l. KAGAN, N.; OLIVEIRA, C.C.B. de; BORBA, E. J. Introdução aos sistemas de distribui- ção de energia elétrica. São Paulo: Blucher, 2005. Philips. A solução mais confiável para a iluminação de estradas. MASTER SON-T PIA Plus. [On-line] Philips, 2018. [Citado em: 1 de junho de 2018.] http://www.ligh- ting.philips.com.br/prof/lampadas-e-tubos-convencionais/descarga-de-alta-inten- sidade/son-sodio-de-alta-pressao/master-son-t-pia-plus. ______. Descarga de alta intensidade. HPI-T. [On-line] Philips, 2018. [Citado em: 1 de junho de 2018.] http://www.lighting.philips.com.br/prof/lampadas-e-tubos- -convencionais/descarga-de-alta-intensidade/mh-hpi-iodetos-metalicos/hpi-t. ______. ML Luz Mista Descarga de Alta Intensidade - Philips Lighting. ML Luz Mis- ta. [On-line] Philips, 2018. [Citado em: 1 de junho de 2018.] http://www.lighting.phi- lips.com.br/prof/lampadas-e-tubos-convencionais/descarga-de-alta-intensidade/ ml-luz-mista/ml. 111 GABARITO 1. Quando um indivíduo entra em contato direto com a rede há circulação de cor- rente do ponto de contato para o aterramento, configurando o desbalancea- mento da soma das correntes das fases e do neutro que devem ser igual a zero, nesse caso, será diferente de zero e assim o dispositivo aciona seu sistema de proteção, que desenergiza imediatamente o ponto de contato. 2. Alternativa correta: (b). 3. Alternativa correta: (a). 4. R: Os elétrons impulsionados pelo raio tendem a se deslocar até o ponto mais neutro, que normalmente é a superfície da terra, assim, é possível que uma pes- soa, tomando banho em um chuveiro elétrico sem aterramento, possa receber, a descarga por estar imersa em água, durante a circulação do fluxo de elétrons quando o raio atinge o poste de distribuição, assim, um chuveiro sem aterra- mento corresponde a um sério risco de choque elétrico. 5. Solução: Dados: • Potencial do raio: 500.000.000 V • Potência do chuveiro 5400 W • Tensão do chuveiro 127 V Cálculo da corrente em 127 V: I P V I= = → =5400 127 42 51, A Cálculo da resistência do chuveiro: GABARITO GABARITO 113 R V I R= = → =127 42 51 2 98 , , Ω Cálculo da corrente em 500.000.000 V: I V R I= = → = ×500 000 000 2 98 1 67 108. . , , A Alternativa correta: (c). R: A corrente que irá circular pela resistência do chuveiro será de 1,67 x 108 A. 6. Solução: Dados: • I = 1,67 x 108 A • V = 500.000.000 = 500 x 108 V Cálculo da potência dissipada pela resistência, quando percorrida por uma descarga de 500.000.000 V: PD = V x I = 500 x 10 6 x 1,67 x 108 PD = 8,389 x 10 6 W R: A potência dissipada pela resistência do chuveiro, enquanto percorrida pela corrente (que foi impulsionada pela descarga atmosférica de 500.000.000 V) foi de 8,389 x 106 W. 7. Alternativa correta: (e). U N ID A D E III Professor Me. Fábio Augusto Gentilin MÁQUINAS ELÉTRICAS E ACIONAMENTOS Objetivos de Aprendizagem ■ Apresentar os conceitos de máquinas elétricas e as suas características sob a ótica de um Engenheiro de Produção. ■ Demonstrar os acionamentos elétricos mais usuais aplicados em máquinas elétricas. ■ Conceituar a eficiência energética e as suas contribuições. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Tipos de máquinas elétricas ■ Introdução aos acionamentos elétricos ■ Eficiência energética Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 117 INTRODUÇÃO Caro estudante, seja bem-vindo(a) ao estudo das máquinas que revolucionaram o mundo em que vivemos e que continuam a evoluir a cada dia, melhorando a qualidade de vida das pessoas e a produtividade no ambiente industrial. Desde que os primeiros estudos dos fenômenos relacionados ao eletromag- netismo foram desenvolvidos, a partir de 1831, por Michael Faraday (KOSOW, 2005), inúmeras aplicações da eletricidade foram desenvolvidas em torno de aplicações com iluminação, movimentação de cargas, acionamentos de eixos em máquinas operatrizes, comunicações etc. As diversas áreas de aplicação da eletricidade revolucionaram a maneira com que o mundo realizava as suas tarefas, e como ele passou a realizar após o seu desenvolvimento, pois os recursos possíveis com esta tecnologia facilitam a maneira de executar tarefas que antes eram impraticáveis. As máquinas elétricas que abordaremos, nesta unidade, se restringem ao ambiente de conversão eletromecânica de energia, que compreende os transfor- madores e motores elétricos acionados em corrente contínua e corrente alternada, os quais são amplamente aplicados em máquinas e em equipamentos industriais na operação de processos produtivos. Inicialmente, estudaremos os principais tipos de máquinas elétricas e as suas aplicações e, posteriormente, os fundamentos de conversão eletromecânica de energia, no que tange às atribuições de um Engenheiro de Produção, com maior vigor no acionamento elétrico de motores assíncronos trifásicos, que corres- pondem a grande parte da carga instalada na maioria das indústrias e possuem consumo significativo de energia elétrica, fator que motiva o uso de tecnologias relacionadas à eficiência energética. A eficiência energética é, sem dúvida, um tema importantíssimo e que será abordado, nesta unidade, onde você, estudante, poderá entender como ocorre a relação de valor entre a eletricidade que consumimos e o que realmente é pro- duzido de útil, ao longo deste processo, levando em consideração as limitações dos equipamentos utilizados e as condições de uso. MÁQUINAS ELÉTRICAS E ACIONAMENTOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E118 TIPOS DE MÁQUINAS ELÉTRICAS Diferentes aplicações sugerem diferentes tipos de máquinas elétricas, que podem se diferenciar facilmente em relação à dinâmica de seu uso. Logo, destacaremos, nesta unidade, as máquinas que operam de maneira estática e aquelas que promo- vem o movimento para realizar as suas ações, as máquinas de operação dinâmica. Para explicar com maiores detalhes, devemos nos referir a alguns princípios de eletromagnetismo que, nesta unidade, serão tratados de maneira simplificada. PRINCÍPIOS DE ELETROMAGNETISMO O eletromagnetismo teve os seus estudos iniciados por Michael Faraday que, em 1831, permitiuo desenvolvimento da maioria das tecnologias que utilizamos atualmente em termos de recursos elétricos, dos quais somos praticamente depen- dentes em nosso modelo de vida. Nesta seção, abordaremos o eletromagnetismo básico que permite o entendimento do funcionamento das máquinas elétricas. Tipos de Máquinas Elétricas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 119 Indução eletromagnética Antes de iniciar os estudos com o eletromagnetismo, resgataremos o nosso conhe- cimento básico relacionado aos itens mais próximos. Por exemplo, um simples ímã. Um ímã é um elemento que produz naturalmente fluxo magnético que, ao encontrar um condutor metálico em seu caminho (propagação), tem como resul- tado o surgimento de uma diferença de potencial (d.d.p.) induzida. Podemos concluir com isto que, quando um condutor “corta” o espaço de propagação de campo magnético, há uma tensão induzida nos terminais deste condutor, mas é necessário que o ímã esteja em movimento para que essa d.d.p. se sustente. A indução eletromagnética é um fenômeno que podemos observar quando movimentamos um ímã no núcleo de um indutor, conforme a Figura 1. Este fenômeno é reversível, ou seja, quando um campo magnético encontra um condutor, há o surgimento de uma d.d.p. e, quando uma corrente percorre um condutor metálico, surge um campo magnético em torno desse condutor. Esta rever- sibilidade será abordada no funcionamento das máquinas elétricas apresentado nessa unidade. MÁQUINAS ESTÁTICAS As máquinas estáticas são aquelas que, na execução de suas ações, não promo- vem movimento significativo ou não possuem partes móveis. O movimento significativo se refere ao fato de o movimento realizado ter função para a refe- rida máquina. Por exemplo: o movimento ocorrido nos condutores do indutor de um transformador percorrido por corrente elétrica (que é ínfimo), não faz parte da ação esperada para a referida máquina elétrica. Como exemplo, pode- mos citar os transformadores, os reatores, as bobinas, os eletroímãs etc. (Figura 2). Figura 1 - Indução Eletromagnética MÁQUINAS ELÉTRICAS E ACIONAMENTOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E120 Neste tipo de máquina, a corrente elétrica que percorre os seus conduto- res promove ações que remetem à conversão de potenciais elétricos e, portanto, não se espera movimentos de seu funcionamento, mesmo que existam implici- tamente entre os condutores de seu bobinado. Figura 2 - Exemplos de máquinas estáticas O funcionamento das máquinas estáticas, como no caso do transformador, é o seguinte: o transformador é um dispositivo que possui enrolamentos de cobre em forma de bobinas para que o fluxo magnético se concentre em uma dada região de interesse: o núcleo. O campo magnético produzido com a circulação de corrente (I) pelo enrolamento primário se propaga pelo núcleo e induz uma d.d.p. no enrolamento secundário, conforme a Figura 3. TRANSFORMADOR d.d.p. ip REDE ELÉTRICA PR IM Á RI O SE CU N D Á RI O Figura 3 - Transformador Fonte: o autor. No caso do transformador ideal, sem levar em consideração as perdas existen- tes, a potência do primário (PP) é igual a potência do secundário (PS), conforme a Equação 1 (KOSOW, 2005): P PP S= Equação 1 Tipos de Máquinas Elétricas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 121 Sabendo que P=V x I e substituindo na Equação 1, fica (Equação 2): V I V IP P S S× = × Equação 2 Onde: VP: Tensão no enrolamento primário. IP: Corrente no enrolamento primário. V: Tensão no enrolamento secundário. IS: Corrente no enrolamento secundário. De acordo com a Equação 2, há uma relação direta entre a corrente do primá- rio (IP) e a corrente do secundário (IS), pois o campo magnético produzido pela circulação de corrente no enrolamento primário tem como consequência uma d.d.p. induzida no secundário (Figura 4). TRANSFORMADOR ip is REDE ELÉTRICA RL CARGA PR IM Á RI O SE CU N D Á RI O Figura 4 - Transformador com carga acoplada Fonte: o autor. Se acoplarmos uma carga nos terminais do enrolamento secundário, surgirá uma corrente IS que depende do valor da resistência da carga, conforme a Equação 3: I V R AS S L = = [ ] Equação 3 Onde: RL: resistência na carga (W ). MÁQUINAS ELÉTRICAS E ACIONAMENTOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E122 Para atender à igualdade da Equação 1, onde PP = PS, quando há o surgimento de uma corrente no secundário, haverá como consequência uma corrente pro- porcional no enrolamento primário. Este princípio permite que, ao variarmos o valor de RL, haja uma variação de IP de mesma proporção. Este conceito é de fundamental importância para o entendimento do funcionamento das máqui- nas elétricas. MÁQUINAS DINÂMICAS As máquinas dinâmicas são aquelas que, ao serem percorridas pela corrente elétrica, promovem movimento, normalmente, em uma parte móvel acoplada magneticamente a uma parte estática da mesma máquina. Como exemplos, podemos citar os motores elétricos, solenoides, relés, contatores etc., conforme a Figura 5. Figura 5 - Exemplos de máquinas elétricas dinâmicas Certamente, quando nos referimos às máquinas dinâmicas, nos lembramos mais frequentemente dos motores que, como o próprio nome diz, são utilizados para mover algo. Esta máquina elétrica possui um conjunto de componentes que, por sua vez, promovem o movimento de um eixo por ação de um campo magnético produzido no interior de sua estrutura. Tipos de Máquinas Elétricas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 123 Motor elétrico de indução O mais frequente tipo de motor em ambiente industrial é o motor de indução trifásico, que consiste em uma máquina dinâmica com três enrolamentos conec- tados à rede elétrica. Diferentemente do transformador, o motor possui partes móveis ligadas a um eixo, ao qual acoplamos cargas mecânicas. O fato curioso é que se fizermos uma analogia entre o motor e o transfor- mador, podemos comparar o enrolamento primário do transformador com o enrolamento do estator do motor (Figura 6). Estes dois casos são semelhantes e operam estaticamente, ou seja, sem movimento, logo, o estator consiste na parte está- tica de um motor de indução. O rotor do motor de indução é semelhante ao enro- lamento secundário de um transformador, só que, neste caso, há movimento no rotor e não no transformador. O rotor é suportado por mancais e rolamentos para que o seu eixo possa entrar em movimento rotacio- nal livremente. O comportamento da corrente em termos de causa e consequência é semelhante no sentido da dependên- cia entre as entidades do primário e secundário, mas com um implicante: no motor de indução trifásico, os condutores do rotor estão em curto-circuito, e no transformador há uma carga com resistência RL maior do que zero. Figura 6 - Enrolamento do estator de um motor (parte estática) O que aconteceria com a corrente nos condutores do enrolamento primário de um motor elétrico se o seu eixo estivesse bloqueado? MÁQUINAS ELÉTRICAS E ACIONAMENTOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E124 Isso faz com que, quando ener- gizado, o enrolamento do primário produzirá corrente elevadíssima para que o rotor inicie o seu movimento à medida que o eixo acoplado ao rotor atinge velocidade nominal (ou pró- xima disso). Nesta proporção, há a diminuição do valor da corrente até que se atinja a velocidade nomi- nal e, com isso, o valor da corrente nominal. A Figura 7 mostra um motor de indução trifásico com os seus principais componentes (rotor, estator,unidade de ventilação e tampas de proteção). Existem diversos tipos diferentes de motores elétricos acionados em corrente contínua e alternada, desde motores pequenos utilizados em nossos aparelhos smartphones (no circuito de vibração) até motores de centenas de cavalos de potência utilizados por indústrias em todo o mundo. As características de cada tecnologia justificam a sua utilização, que depende do tipo de carga a ser acionada e até do grau de proteção contra partículas de poeira ou água. Neste livro, adotaremos o motor assíncrono de gaiola de esquilo como o objeto de nosso estudo. APLICAÇÕES DE MÁQUINAS ELÉTRICAS ESTÁTICAS E DINÂMICAS Figura 7 - Motor elétrico de indução trifásico em vista explodida Tipos de Máquinas Elétricas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 125 Aplicações de máquinas estáticas Normalmente, as máquinas elétricas estáticas realizam tarefas de conversão de potenciais elétricos, como os transformadores, que podem ser elevadores, iso- ladores ou rebaixadores de tensão elétrica. No sistema elétrico de potência, quando a usina hidrelétrica gera energia e a transmite para que possa ser utilizada pelas pessoas em suas casas e empresas, o potencial elétrico não está adequado ao uso e, portanto, precisa ser rebaixado para que ele possa alimentar um eletrodoméstico, por exemplo, pois a tensão é distribuída em milhares de volts e chega às nossas residências no formato de 127 V ou 220 V . Neste caso, o papel do transformador é rebaixar a tensão de 13,8kV (por exemplo) para os potenciais que podemos utilizar em nossos equipamentos. Nos casos em que há risco de choques elétricos, são utilizados, normalmente, transformadores isoladores, que oferecem a mesma tensão da entrada na saída, porém, não possuem a referência no terminal de terra, como é o caso dos trans- formadores de distribuição e, com isso, o contato em um dos terminais desse transformador não teria uma corrente circulando para a terra e, desta forma, não causaria choque elétrico, como no caso da rede de distribuição. Quando um equipamento opera em 220 V e, na instalação, temos a disposição apenas de 127 V, utiliza-se o transformador elevador, que permite a elevação de potencial para a utilização do equipamento alimentado em tensão mais elevada. É sempre importante observar que o transformador é uma máquina elétrica que converte um potencial em outro, e a potência dessa máquina deve ser res- peitada, pois além de haver perdas no processo de conversão, as quais geram aquecimento, ultrapassar a capacidade de potência do transformador faz com que a sua temperatura atinja níveis elevados e, assim, os condutores podem entrar em curto-circuito, pois há a ruptura da camada isolante envolvente, danificando permanentemente essa máquina. MÁQUINAS ELÉTRICAS E ACIONAMENTOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E126 Há transformadores que são utilizados para o acionamento de motores elétricos, onde um circuito de comando varia as saí- das do transformador de modo que o motor assuma diferentes níveis de tensão no tempo e assim possa ser acionado com carga aco- plada e ao mesmo tempo, uma partida “um pouco mais suave” do que a partida direta. Há também o exemplo dos reatores uti- lizados nos sistemas de iluminação. Estes reatores promovem a elevação de tensão uti- lizada para ionizar o gás presente dentro de uma lâmpada e que representa baixo ren- dimento, ou seja, baixa taxa de conversão de energia, com perdas que comprometem a eficiência energética. Com o advento da eletrônica e os dispo- sitivos aplicados no controle de velocidade de motores, foi possível desenvolver recursos cada vez mais eficientes para converter poten- ciais com alto rendimento e baixos níveis de desperdício de energia elétrica. É o caso dos conversores estáticos e das fontes chaveadas. As fontes chaveadas são dispositivos que convertem a tensão da rede elé- trica, normalmente, disponível entre as tensões de 100 V a 240 V, em corrente alternada com tensões de valores diversos e em corrente contínua, como 3,3V, 5V, 12V, 24V etc., isoladas da rede elétrica por um circuito eletrônico que opera em alta frequência (acima de100 kHz). Os conversores estáticos, utilizados para o acionamento de motores elétri- cos trifásicos, apresentam, geralmente, chaveamento interno em alta frequência e comutação das fases de saída, variando de 0 a 60Hz (chegando a valores pró- ximos de 300 Hz, de acordo com o modelo), para que um motor assíncrono possa ser acionado de maneira suave e controlada, com o mínimo desperdício Figura 8 - Transformador utilizado em acionamento de motores (partida compensadora) Figura 9 - Modelo de conversor estático: acionamento de motores elétricos trifásicos Tipos de Máquinas Elétricas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 127 de energia elétrica possível. Como exemplo, temos os inversores de frequência e os soft-starters, conforme mostrado na Figura 9. Aplicações de máquinas dinâmicas Os motores elétricos trifásicos são, sem dúvida, os dispositivos que mais repre- sentam o ambiente industrial quando o assunto é movimento, seja no interior de uma máquina ou no transporte de materiais dentro de uma planta industrial, representando grande parte do consumo de energia elétrica. Alinhado com o uso responsável da energia elétrica, os fabricantes de moto- res elétricos passaram a utilizar, nos últimos anos, materiais e técnicas com a denominação de motores de alto rendimento, ou seja, que possuem elevada taxa de conversão de potência de entrada para a saída. Em termos práticos, imagine um motor que tenha uma potência nominal de 5000W (5 kW) e rendimento de 85%. Esta é a potência que o motor consumirá quando estiver assumindo a sua carga máxima em seu eixo, mas não significa que ele está entregando essa amplitude de potência à máquina, pois há perdas durante o processo de conversão e, no exemplo dado, o motor deverá ter uma perda de 15% neste processo. A capacidade percentual que uma máquina elétrica possui de converter na saída a potência recebida em sua entrada, é denominado rendimento, represen- tado pela letra η, o qual relaciona a potência da saída com a potência da entrada. Uma máquina é tão melhor quanto mais próximo de 1 (ou 100%) for seu rendi- mento, mas, na prática, não temos esta situação em condições normais de uso. Normalmente, um motor de alto rendimento é aquele que converte a maior Os conversores estáticos utilizados para acionar motores elétricos são co- nhecidos também como “chaves estáticas”, pois comutam a rede elétrica de maneira rápida e eficiente e não possuem partes móveis, como no caso dos contatores, daí o termo “estático”. Fonte: o autor. MÁQUINAS ELÉTRICAS E ACIONAMENTOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E128 parte da potência de entrada em potência útil em seu eixo, chegando a núme- ros próximos a 95% ( =95%)h . Os motores elétricos modernos são acionados por conversores estáticos (inversores ou soft-starters, mas também há outras técnicas de acionamento uti- lizadas que fazem com que o motor seja conectado à rede elétrica abruptamente e haja picos de corrente. Isto pode danificar a rede e os demais dispositivos nela conectados, além de diminuir a vida útil do próprio motor. Quando um motor elétrico é utilizado para acionar uma esteira que trans- porta produtos sensíveis, é muito importante não haver um acionamento abrupto, ou a carga sobre a esteira poderia cair e quebrar, logo, a partida deve ser a mais suave possível. Este feito é realizado com a utilização dos conversores estáticos e redutores de velocidade, que multiplicam o torque do motor e, ao mesmo tempo, reduzema sua velocidade. O torque de um motor é a força de rotação que o eixo do motor realiza para vencer o momento de inércia da máquina (ou conjugado resistente da máquina). Quando o motor é conectado à rede elétrica, há o surgimento de um campo eletromagnético que promove o movimento do rotor. O campo magnético produzido nos enrolamentos do estator do motor opera de acordo com a frequência da tensão que o alimenta, assim, se um motor opera em 60 Hz, este possui um campo magnético denominado “campo girante”, que atua com velocidade síncrona (Ns) proporcional a esta frequência. A expressão que define a relação entre a velocidade síncrona, a frequência ( f ) e o número de polos de um motor é dada na Equação 4: N f p rpmS = × =120 [ ] Equação 4 Onde p é o número de polos do motor que depende exclusivamente de suas características construtivas. Quando o rotor do motor elétrico assíncrono inicia o seu movimento, pode- mos dizer que o seu conjugado (torque) está vencendo a inércia que o mantinha em repouso e, quando a rotação nominal do eixo do motor é atingida, significa que este momento de inércia foi vencido e o motor se encontra em velocidade nominal. Tipos de Máquinas Elétricas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 129 Durante esse processo, podemos entender que, no instante inicial, o eixo do motor estava em repouso com velocidade NN = 0 rpm , e a velocidade do campo girante atua sobre o rotor com a velocidade síncrona igual a relação dada na Equação 4, logo, se a frequência da rede for de 60 Hz e o motor for de 4 polos, teremos a velocidade síncrona (NS) de: N f rpmS = × =120 4 1800 Em acionamento de motores elétricos trifásicos é comum utilizar o termo “escor- regamento” (s) para definir a diferença entre a velocidade síncrona (NS) e a velocidade do eixo do motor (NN), de acordo com a Equação 5. A sua unidade de medida é o rpm (rotações por minuto) e pode ser expressa como fração da velo- cidade síncrona (Equação 6) ou também em % de escorregamento (Equação 7). O escorregamento pode ser calculado pelas equações (Equação 5, Equação 6 e Equação 7): s rpm N N rpmS P( ) [ ]= − = Equação 5 ou s N N N S N S = − Equação 6 ou s N N N S N S (%) [%]= − × =100 Equação 7 Como o motor em estudo é assíncrono e a velocidade do eixo do rotor (NN ), teoricamente, nunca se iguala à velocidade do campo girante (NS), pois quando o motor está vazio (sem acoplamento de carga ao eixo), é possível que a veloci- dade do eixo do rotor se aproxime da velocidade de campo girante, por motivos construtivos, sempre haverá escorregamento, mesmo que em pequena escala, MÁQUINAS ELÉTRICAS E ACIONAMENTOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E130 pois o eixo do motor girará em uma velocidade que tende à velocidade de campo girante, na tentativa de se igualar a ela. Na medida em que a carga no eixo do motor aumenta, a tendência é aumentar o escorregamento. Neste raciocínio, podemos determinar o valor da velocidade nominal de um motor a partir da Equação 8: N N s rpmN S= × − =1 100 % [ ] Equação 8 Assim, para o caso de um motor sem carga acoplada, com escorregamento pra- ticamente nulo, fica: N N N NN S S S= × − = × =1 0 100 1( ) ∴ ≈ N NN S Este efeito é bastante visível quando observamos o funcionamento de um eletro- doméstico que utiliza motor, como um liquidificador. Quando inserimos uma substância muito densa para ser triturada, como gelo, por exemplo, o motor parte com velocidade menor até vencer a resistência da substância e, à medida em que esta é triturada, a hélice consegue, de forma gradativa, girar livremente e, assim, o motor atinge a velocidade nominal (NS). Embora no exemplo dado, o motor do eletrodoméstico e o motor trifásico sob estudo não sejam os mesmos tipos de motores, a condição é semelhante e ocorre com frequência no ambiente industrial, quando uma máquina acionada por motor elétrico sofre oscilação na carga acoplada ao eixo. Em outras palavras, o aumento de torque para vencer o esforço exigido pela máquina. Essa oscilação na velocidade do eixo, cuja consequência é o surgimento ou o aumento do escorregamento, é um assunto que tratamos com técnicas de acio- namento de motores, utilizando dispositivos inteligentes, os quais realizam a monitoração da velocidade do eixo e estimulam o motor para que este se man- tenha constante (ou próximo disso) à velocidade nominal. Estamos falando das chaves estáticas denominadas inversores de frequência. Tipos de Máquinas Elétricas Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 131 Exemplo: Determine o escorregamento percentual de um motor de IV polos, operando na frequência de 50 Hz, sabendo que a velocidade em seu eixo é de 620 rpm . Dados do exemplo: Frequência: 50 Hz . Polos do motor: IV = 4 polos. NN = 620rpm Solução: ■ 1º passo: cálculo da velocidade síncrona (NS) para o motor: de acordo com os dados do exemplo, a frequência da rede de alimenta- ção é de 50Hz e o número de polos é de 4, temos: N rpmS = × =120 50 4 1500 ■ 2º passo: cálculo do escorregamento percentual s (%) do motor do motor com 620rpm no eixo: s N N N S N S (%) ,= − × = − × =100 1500 620 1500 100 58 66 % s(%) ,= 58 66 % ■ 3º passo: conclusão. Quando o eixo de um motor é bloqueado, há elevação na corrente elétri- ca que circula pelos condutores que o alimentam na tentativa de vencer a condição do bloqueio. Até que ponto é seguro para o motor continuar a aumentar a corrente e, com isso, a temperatura em todo o acionamento? MÁQUINAS ELÉTRICAS E ACIONAMENTOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E132 O resultado encontrado de escorregamento percentual nos permite concluir que, naquele dado momento, o eixo do motor está com um escorregamento que corresponde a 58,66% da velocidade síncrona, ou seja, inferior à velo- cidade que o campo girante impõe que o eixo esteja (1500 rpm) , pois, certamente, naquele instante de tempo, o motor ainda não venceu total- mente o momento de inércia representado pela carga acoplada ao eixo, logo, está em uma aceleração que deve tender à velocidade nominal (NS). INTRODUÇÃO AOS ACIONAMENTOS ELÉTRICOS Neste capítulo, estudaremos os métodos de acionamentos elétricos mais utiliza- dos na indústria para a partida de motores de indução trifásicos, desde topologias simples (de baixo investimento, mas com poucos recursos de controle e grande impacto na rede) até partidas com controle em malha fechada que custam mais, porém, oferecem diversos recursos e compromisso com o uso responsável de energia elétrica. PARTIDA DIRETA No acionamento de motores de indução pelo método da partida direta, os enro- lamentos do motor são conectados diretamente à rede elétrica por meio de um dispositivo de comutação (FRANCHI, 2007). Quando um motor elétrico opera muito tempo em velocidade baixa, o sis- tema de ventilação forçada (hélice acoplada internamente ao eixo) não é capaz de promover circulação de ar suficiente para trocar calor com o am- biente externo e, com isso, pode ocorrer sobreaquecimento do motor, resul- tando em redução do tempo de vida útil ou até mesmo na queima de seus enrolamentos. Fonte: o autor. Introdução aos Acionamentos Elétricos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 133 A partida direta, sem dúvida, é a mais simples das topologias de partidas de motores de indução e consiste em ligar o motor à rede elétrica, pressionando um botão, e a desligá-lo, pressionando outro botão. Parece simples sob o ponto de vista operacional, porém, é devastador para a rede elétrica quandoo motor apresenta características de médio e grande porte, pois quando um motor elétrico é acionado diretamente ligado à rede elétrica, a corrente de partida é de 5 a 6 vezes o valor da corrente nominal do motor (aquela que é consumida quando o eixo do motor está girando em velocidade nominal), conforme mostrado na Figura 10 (WEG, 2004). Observe na Figura 10 que o torque é proporcional à corrente e que, no momento inicial, onde o motor está desligado (% de velocidade igual a zero), o torque de partida é muito elevado e diminui à medida em que a velocidade tende a 100%, assim, a corrente, quando ocorre a partida, é muito elevada, e diminui conforme a velocidade do eixo se aproxima de seu valor máximo. A Figura 11 mos- tra os diagramas elétricos de uma chave de partida direta. 0 100% velocidade0 500 - 600 200 % c or re nt e % to rq ue 100 torque máximo torque intermitente 150% torque de corrente nominal torque de partida torque mínimo Figura 10 - Curva torque x velocidade e corrente x velocidade Fonte: WEG (2004, p. 30). MÁQUINAS ELÉTRICAS E ACIONAMENTOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E134 (a) (b) L1 F1 K1 FT1 F2 F3 F21 F22A A B B S0 S1 L2 L3 1 1 2 3 4 5 1 13 K1 K1 A2 95 96 FT1 A1 14 3 3 5 6 2 2 4 4 M U1 V1 W1 3- 6 Figura 11 - Chave de partida direta: (a) diagrama de comando e (b) diagrama de força Fonte: WEG (2013, p. 4). Este tipo de partida é indicado para pequenas máquinas, com motores de potên- cias reduzidas, bastante comum em máquinas de pequeno e médio porte com baixa inércia de partida. PARTIDA ESTRELA-TRIÂNGULO No acionamento de motores de indução pelo método da partida estrela-triângulo, os enrolamentos do motor são conectados à rede elétrica mediante dois estágios, inicialmente, associando o motor em estrela com corrente menor e, logo após o tempo ajustável, os enrolamentos são associados em triângulo (Figura 12), onde cada bobina é ligada em paralelo com duas fases e, portanto, este acionamento assume a rede elétrica de maneira mais “suave” se comparado com o acionamento direto. Introdução aos Acionamentos Elétricos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 135 L2 L2 L1 L1 1 43 5 2 220V 6 L3 L3 1 3 4 6 5 2 (a) (b) 380V 22 0V Figura 12 - Associação de bobinas na ligação estrela-triângulo: (a) estrela e (b) triângulo Fonte: WEG (2016, p. 19). O diagrama elétrico (de comando) utilizado para este tipo de chave de partida é mostrado na Figura 13: Circuito de comando FT1 95 96 98 21 22 132543131313 14 21 2221 22 31 32 X1 X2 A1 A2 SH1 A1 A2 A1 A2 A1 A2 KT1 KT1 K3 K3 K1 K1K1 K2 K2 K2 K2 KT1 K3 K2 2628441414 15 18 16 14 SH1 SH1 Figura 13 - Diagrama de comando da chave de partida estrela-triângulo Fonte: WEG (2016, p. 21). MÁQUINAS ELÉTRICAS E ACIONAMENTOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E136 O diagrama elétrico de força para esse tipo de acionamento é visto na Figura 14: Circuito de comando 1 1 1 2 2 FT1 K1 K3 F23 T1 H1 H2 X1 X2 F21 F22 K2 2 M 3 3 3 3~ 6 4 4 5 6 5 64 1 1 1 1 2 F1 F2 F3 F1 F1 F2 F2 F3 F3 2 2 N(PE) L1 L2 L3 1 1 1 1 1 2 2 1 2 1 2 1 2 2 2 2 1 2 2 3 5 64 1 2 3 5 64 5 B A Figura 14 - Diagrama de força da chave de partida estrela-triângulo Fonte: WEG (2016, p. 21). Esse tipo de ligação exige que o motor possua 6 terminais acessíveis para liga- ção das bobinas ao circuito de acionamento. A ideia é que no primeiro estágio (estrela) do acionamento, as bobinas são associadas como fossem receber a ten- são de trabalho UT vezes 3 3 assim fica ( )UT ´ , mas recebem a tensão de trabalho e, com isto, a corrente é reduzida. Após determinado tempo, na asso- ciação do segundo estágio (triângulo), as bobinas são associadas diretamente à rede elétrica e, assim, assumem a corrente nominal prevista para a sua impe- dância. A Figura 15 apresenta o comportamento do torque e da corrente em um acionamento do tipo estrela-triângulo. Introdução aos Acionamentos Elétricos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 137 co nj ug ad o/ co rr en te t1 = comutação estrela-triângulo t1 Rotação (rpm) Ι∆ ΙY C∆ CY Figura 15 - Curva de torque e corrente na partida estrela-triângulo Fonte: WEG (2004, p. 40). Onde I∆ e C∆ são, respectivamente, a corrente e o conjugado em triângulo, e IY e CY são, respectivamente, a corrente e o conjugado em estrela. Observe que a cor- rente em estrela é muito menor do que a corrente em triângulo, e que no tempo tl ocorre a comutação de estrela para triângulo, onde há um pico de corrente (IY). Esta característica permite que um motor seja acionado de maneira menos impactante (para a rede e para a carga), pois, primeiro, inicia-se o movimento do eixo com baixa intensidade de corrente, e, logo após vencer o momento de inér- cia da máquina (quando o torque do motor já está reduzido), associa-se, então, as bobinas à rede diretamente, mas com baixo impacto. Ou seja, ainda há certo impacto na rede, porém, muito menor do que aquele que seria em acionamento direto, visível na curva I∆ da Figura 15. Mesmo sendo mais suave do que a chave de partida direta, esse tipo de acionamento ainda é impactante e envolve muitos componentes, sendo um acio- namento de grandes dimensões, embora, atualmente, os fabricantes ofereçam soluções compactas para esta opção. MÁQUINAS ELÉTRICAS E ACIONAMENTOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E138 PARTIDA COMPENSADORA No acionamento de motores de indução pelo método da partida compensadora, os enrolamentos do motor são conectados à rede por meio de um transformador que rebaixa a tensão a níveis inferiores à tensão nominal, durante um intervalo de tempo ajustável e, posteriormente, associa o motor direto na rede elétrica. Com isso, a corrente de partida é menor e mais suave do que a corrente de partida direta. Normalmente, o acionamento de motores com chave compensadora é utilizado quando temos uma carga elevada acoplada ao motor, então, um trans- formador reduz a tensão da partida por um intervalo de tempo curto, pois a temperatura nos enrolamentos do transformador pode aumentar durante a par- tida, e o motor só deve ser acoplado à rede após parte (ou a totalidade) da inércia da carga acoplada ter sido vencida. O diagrama de força é mostrado na Figura 16, e o diagrama de comando é mostrado na Figura 17 para a chave compensadora. L1 L2 L3 F1 K1K2 K3 FT1T1 65%65%65% 2 4 6 1 3 5 2 4 6 1 3 5 2 4 6 1 U1 V1 M 3~ W1 3 5 2 4 6 1 3 5 10 0% 0% R 0% S 0% T 10 0% 10 0% 80 % 80 % 80 % F2 F3 A B Figura 16 - Chave de partida compensadora: diagrama de força Fonte: WEG (2013, p. 34). Introdução aos Acionamentos Elétricos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 139 A B F21 1 2 4 14 15 16 31 A1 A2 A1 A2 A1 A2 A1 A2 32 3 13 14 13 14 13 22 21 22 21 44 43 F22 FT1 KT1 KT1 K2 K2 K2K3 K3 K3K1 K1 K1 K1 S0 S1 9695 18 l Figura 17 - Chave de partida compensadora: diagrama de comando Fonte: WEG (2013, p. 34). PARTIDA COM SOFT-STARTER A partida com chaves estáticas oferece suavidade no acionamento de um motor de indução, característica inexistente nos acionamentos anteriormente citados. Esta característica é possível graças ao advento da eletrônica embarcada e de recursos de eletrônica de potência que permitem o controle do disparo de tiris- tores, os quais conduzem a corrente para o motor. Assim, é possível estabelecer uma partida sem picos decorrente que, por sua vez, impactam no funciona- mento de outros equipamentos instalados na mesma rede elétrica. Os benefícios do uso de soft-starters são inúmeros, mas podemos elencar os principais: ■ Partida e parada de motores elétricos com rampa de aceleração e desace- leração de tempos programáveis. MÁQUINAS ELÉTRICAS E ACIONAMENTOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E140 ■ Proteções contra sobrecarga e curto-circuito embutidas no mesmo equipamento. ■ Tamanho reduzido. ■ Possibilidade de integração com sistema de automação industrial. ■ Acesso a parâmetros remotamente. ■ Facilidade na instalação etc. A Figura 18 apresenta um exemplo de instalação elétrica onde o acionamento do motor é realizado por um soft -starter. A Figura 18 apresenta um exemplo de instalação elétrica onde o acionamento do motor é realizado por um soft -starter. Figura 18 - Exemplo de instalação do acionamento de um motor com soft -starter Fonte: WEG (2015, p. 118). Introdução aos Acionamentos Elétricos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 141 Na Figura 19, podemos observar a curva de partida e de parada do motor de uma bomba (gira-para). Veja que há um tempo dedicado para realizar a par- tida (configurável em um parâmetro denominado P102) e um tempo dedicado à parada da máquina (configurável pelo parâmetro P104). As rampas de par- tida e parada mostradas representam os tempos de aceleração e desaceleração do motor, respectivamente. U(V) P101 P102 P103 P105 0 P104 t(s) Partida Parada100%Un Figura 19 - Gráfico da partida e da parada de um motor elétrico utilizado em controle de bombas Fonte: WEG (2015, p. 145). PARTIDA COM INVERSOR DE FREQUÊNCIA Quando pretendemos manter controle sobre a partida, parada e a velocidade do eixo de um motor, mesmo depois de acionado, precisamos de um equipamento que reúna recursos tecnológicos que permitam a variação de corrente com pre- cisão, a alta velocidade de resposta, a robustez, o alto rendimento e o acesso a parâmetros funcionais. Estes atributos se aplicam ao inversor de frequência. O inversor de frequência é um equipamento que realiza as funções de um soft-starter referentes à partida e à parada de um motor por meio de rampas de aceleração e de desaceleração, e ainda permite que o motor assuma diferen- tes velocidades ao longo do tempo, por meio de controle sobre a frequência e a tensão disponibilizada ao motor. Com isso, podemos afirmar que podemos con- trolar a velocidade do eixo de um motor, mesmo depois do acionamento deste. A Figura 20 apresenta um exemplo de inversores de frequência instalados em uma planta industrial onde há máquinas que exigem o acionamento e o con- trole sobre a velocidade. MÁQUINAS ELÉTRICAS E ACIONAMENTOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E142 Normalmente, os inversores de frequência utilizam, para esse fim, IGBTs em suas etapas de potência, responsáveis por comutar a tensão ao motor, contro- lado por microcontrolador com um programa que realiza o cálculo (milhares de vezes por segundo) do quanto deve ser disponibilizado de energia para o motor ao longo de seu acionamento. Este tipo de partida permite que o operador defina qual a velocidade do eixo de uma máquina por meio de potenciômetro no painel frontal do inversor, ou remotamente no painel de controle da máquina, por meio de comunicação de rede remotamente em uma sala de controle, ou através de sinais por conecto- res denominados bornes. O acesso aos parâmetros de um inversor de frequência permite ao sistema de automação monitorar qual o consumo de energia que o motor representa e isto pode ser armazenado de maneira organizada para que sejam tomadas deci- sões estratégicas em relação ao histórico de uso, pois um mesmo motor pode passar a consumir mais energia depois de determinado tempo devido a desgas- tes e a demais situações que precisam ser monitoradas, além de prever possíveis falhas por meio de manutenção preventiva ou preditiva. Figura 20 - Inversores de frequência atuando no controle de velocidade de motores elétricos Introdução aos Acionamentos Elétricos Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 143 A Figura 21 apresenta um exemplo de ligação de um inversor de frequência a um motor elétrico de indução trifásico. Figura 21 - Ligação do inversor de frequência em motor elétrico Fonte: WEG (2008, p. 3-11). O inversor de frequência é conhecido por produzir distorção harmônica (ruído) que pode interferir no funcionamento de outros equipamentos instalados nas proximidades dele, então, recomenda-se que os condutores metálicos que con- duzem sinais de comunicação, como, cabos de rede de comunicação, devem ser instalados, separadamente, das vias onde os cabos de potência passam. Este cui- dado previne falhas de comunicação e minimiza a chance de perdas de dados. Como seria possível controlar a velocidade de um motor elétrico se os co- mandos enviados pelo dispositivo de controle se perdessem por conta de ruídos provenientes de equipamentos como o inversor de frequência? MÁQUINAS ELÉTRICAS E ACIONAMENTOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E144 O analisador de espectro é o instrumento capaz de mensurar a intensidade de cada componente de frequência que um sinal possui, assim, é possível estudar como o ruído está afetando determinado sinal de dados quando um motor é acionado. A Figura 22 mostra o exemplo de um analisador de espectro e um sinal sob estudo. Este equipamento é capaz de demonstrar o sinal obtido em fun- ção da frequência, possibilitando, assim, que seja avaliada a sua influência sobre a frequência do sinal de comunicação. O uso de recursos que tornam o acionamento de motores mais suave e com níveis reduzidos de desperdício de energia permitiu o desenvolvimento de tec- nologias cuja eficiência energética é possível, ou seja, estas tecnologias deixam de ser utópicas e passam a fazer parte da realidade da indústria e das instalações que utilizam motores. A eficiência energética é uma das maiores preocupações no segmento de energia e será o nosso próximo assunto desta unidade. Figura 22 - Analisador de espectro e sinal obtido em estudo Em ambientes industriais, é comum a utilização de redes industriais que conduzem dados do processo até os dispositivos e controladores em um ambiente onde há condutores repletos de ruídos radiados e conduzidos, en- tão isolar os dados dos ruídos requer técnicas que envolvam a utilização de filtros e blindagens especiais. Fonte: o autor. Eficiência Energética Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 145 EFICIÊNCIA ENERGÉTICA Quando falamos a respeito de energia elétrica, é comum lembrar de algo pare- cido com uma torre de transmissão de energia, além de raios, postes etc. Sim, pois esta é, sem dúvida, a forma mais frequente com que costumamos “ver” como a energia chega até nós. Sabemos que a eletricidade é invisível, logo, para que possamos sentir a sua presença, precisamos aplicá-la a algo que realize algum trabalho, senão ela não teria sentido ou função. Este uso da energia vem sendo experimentado pela humanidade há muitos anos, desde que as primeiras experiências aplicadas foram desenvolvidas a partir do século XIX com a invenção da lâmpada por Thomas Edison, em 1879. Houve outros experimentos com eletricidade anteriores a este momento, porém, a invenção da lâmpada marcou a sua descoberta, tida como uma das primeiras e mais relevantes experiências da área. Atualmente, já temos bons exemplos da utilidade da eletricidadeem nossas vidas, seja em âmbito industrial ou residencial. Quase todo o conforto que desejamos nos moldes modernos depende da eletricidade para funcionar, como o uso dos fabulosos e cada vez mais surpreendentes smar- tphones, até computadores que só funcionam graças ao trabalho realizado pela eletricidade. Até mesmo os refrigeradores que temos em nos- sas casas, na maioria dos casos, são elétricos, assim como os fornos de micro-ondas, ou as nossas lâmpadas, ou os nossos chuveiros que, quase sempre, são elétricos. Como seria a vida das pessoas se algum fenômeno natural condenasse o uso de eletricidade no planeta e nenhum dispositivo eletroeletrônico pudesse funcionar? A qual tempo da História retornaríamos e como viveríamos? MÁQUINAS ELÉTRICAS E ACIONAMENTOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E146 As pessoas estão cada vez mais dependentes da eletricidade, seja para conservar os seus alimentos ou para se comunicar, trabalhar, dirigir etc. Logo, faz cada vez mais sentido nos preocuparmos com o seu uso, com o quanto temos e o quanto cada equipamento que utilizamos consome. Vimos anteriormente, neste livro, que a eletricidade, ao realizar um trabalho, pode dissipar calor, sendo esta capa- cidade relacionada diretamente com o rendimento de uma máquina, que é mais eficiente quando converte mais energia de sua entrada para sua saída, ou seja, perde menos energia ao realizar o seu trabalho e a converte em algo útil. Em outras palavras, podemos fazer uma analogia com o conceito de con- sumo de combustível de carros. Imagine dois carros: A e B. Considere que o carro A possui uma autonomia de 12 km, e o carro B pode fazer 6 km/litro . Em uma viagem de 120 km de distância, o carro A consumiu 10 litros, e o carro B consu- miu 20 litros do mesmo combustível e ambos chegaram ao destino ao mesmo tempo. Qual é o carro mais eficiente? Certamente você já respondeu que é o carro A. Isto é óbvio, pois o B consome exatamente o dobro do combustível para realizar o mesmo trabalho. Com cer- teza, o A possui motor silencioso, motor ajustado, aerodinâmica adequada etc., enquanto o B apresenta motor barulhento, carcaça pesada, motor com recursos de corrida etc. Para o objetivo do exemplo dado, o carro A é o mais eficiente, pois realiza a função para a qual ele foi concebido e consome menos recursos energéticos para isso. Na eletricidade também é assim. É preciso ficar atento(a) e sempre fazer uso responsável da energia que temos à disposição, pois está cada vez mais caro obtê-la, e a cada dia novos meios de sua obtenção vêm sendo desenvolvidos, seja em fontes renováveis (usinas solares, eólicas, termoelétricas, biomassa etc.), ou por meio de reações químicas ou mesmo pela queima de combustíveis fósseis. Figura 23 - Escala de eficiência energética Eficiência Energética Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 147 Vem crescendo a cada dia o número de pessoas que investem em energia solar com a intenção de diminuir as despesas com a energia fornecida pela con- cessionária. Este cuidado com o uso da energia é resultado de muito esforço para melhorar a qualidade do seu uso, que resulta em realizar as mesmas tarefas com menos energia. Este pensamento permite que uma cidade que consome menos energia, para manter os seus serviços, a tenha “sobrando” para outras pessoas utilizarem e, com isso, é possível que o rateio desse uso resulte em redução dos preços. Por outro lado, quando há muitas pessoas utilizando a energia elétrica ao mesmo tempo, as concessionárias podem não conseguir atender à necessidade e para sanear este problema, são instituídas as tarifas de horário de ponta (18h às 21 h), quando o uso da eletricidade em nossas casas coincide com o momento em que o sistema de iluminação pública (que corresponde a uma das maiores cargas instaladas em nossas cidades) entra em operação. Já nos deparamos, algumas vezes, com situações onde precisávamos utilizar o telefone celular e não havia carga na bateria, o que causou muito transtorno. Há aparelhos que mesmo novos suportam apenas um dia de carga, gra- ças aos seus recursos de comunicação e à tela colorida sensível ao toque. Para tornar mais eficientes as nossas instalações elétricas, devemos contemplar nossos equipamentos, sempre verificando qual o consumo de energia de cada um. No Brasil, existe uma etiqueta que prevê, em uma escala de consumo, o comportamento do equipamento, como um aparelho de ar-condicionado ou um refrigerador. A Figura 23 apresenta a escala de eficiência energética que permite ao usuário identificar o consumo de energia de seu eletrodoméstico ou mesmo do seu carro, desde o mais eficiente ou econômico (A++) até o menos eficiente (G). Assim, é possível decidir se vamos dirigir o carro A ou o carro B em nossas instalações. A monitoração do consumo de ener- gia de cada dispositivo é fundamental para que possamos avaliar se é viável MÁQUINAS ELÉTRICAS E ACIONAMENTOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E148 manter um equipamento ou se devemos substituí-lo, pois enquanto o equipamento está novo, é possível que ele se enquadre na escala informada pelo fabricante, mas após alguns anos de uso, o desgaste natural das peças pode tornar uma máquina, ainda funcional, em um transtorno desperdiçador de energia, o que corresponde a prejuízo ativo. TECNOLOGIAS APLICADAS PARA EFICIÊNCIA ENERGÉTICA Nesta seção, serão apresentadas algumas tecnologias utilizadas na atualidade para promover a eficiência energética e possibilitar o uso responsável deste recurso do qual dependemos tanto: a energia elétrica. Geração de energias alternativas Atualmente, é comum observar construções modernas de edificações que já con- templam instalações de sistemas de geração de energia fotovoltaica e até mesmo eólicas, fato que não se observava há menos de cinco anos. Esta realidade aponta para uma tendência que teve início no Brasil na década de 90 e que apenas agora ganhou força, graças ao alinhamento governamental que está aplicando políticas que viabilizam a comercialização e o uso dessa tecnologia de geração de energia, porém, ainda engatinhamos na direção do desenvolvimento e da autonomia para o uso destes valiosos recursos. A matriz energética brasileira é mantida (na maior parte) pelas usinas hidrelétri- cas, além da contribuição das usinas eólicas, térmicas e solares. Atualmente, é possível a conexão de microgeração de energia à rede de distribuição da concessionária de energia. Este processo pode gerar créditos para a troca por demanda consumida pelo mesmo responsável pela geração. Em outras palavras, um usuário da rede elétrica que consome energia em sua unidade de consumo, pode abater parte deste consumo com os créditos da energia gerada e entregue à rede. Quando a geração é conectada à rede, podemos dizer que ela é classificada como on-grid (Figura 24) e funciona conforme comentado antes. Quando a geração de energia não é conectada à rede da concessionária, o Eficiência Energética Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 149 sistema de geração é classificado como off-grid (Figura 25), e o potencial ener- gético produzido é consumido pelos próprios dispositivos nele conectados ou armazenado em baterias para uso posterior. Há menos de um ano atrás, muitos estados brasileiros possuíam a incidência de carga tributária elevada sobre a energia, que era entregue à rede pela microge- ração de energia fotovoltaica, fazendo com que aquele que gera energia e a entrega para o sistema de distribuição pague pelo envio, e depois pague novamente pelo uso final em sua unidade de consumo. Este processo era denominado de bitributação e tornavainviável o investi- mento em equipamentos que retornavam o valor em longo prazo (cerca de 12 anos para uma instalação residencial comum). Com a redução dos impostos para a compra e o uso das tecnologias de gera- ção distribuída, os projetos com painéis fotovoltaicos se tornaram mais viáveis, entretanto, ainda há muito a se fazer para evoluir nesse processo, uma vez que um painel de boa qualidade ainda não apre- senta eficiência satisfatória. A eficiência de um painel solar é a capacidade percentual que este dispo- sitivo tem em converter a energia solar incidente em energia elétrica, ou seja, se um painel solar apresenta eficiên- cia energética de 17%, logo, de toda a potência luminosa incidente sobre a sua superfície, apenas 17%, serão converti- dos em energia elétrica ou energia útil. Os motivos que limitam a eficiência Figura 24 - Instalação de sistema de geração fotovoltaica on-grid SISTEMA RESIDENCIAL DE PAINÉIS SOLARES PAINEL SOLAR INVERSOR CONTROLADOR DE CARGA BATERIAS APARELHOS ALIMENTADOS EM CORRENTE ALTERNADA Figura 25 - Instalação de sistema de geração fotovoltaica off-grid MÁQUINAS ELÉTRICAS E ACIONAMENTOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E150 dessa tecnologia que há mais de 20 anos se desenvolve para uso comercial estão relacionados ao material atualmente explorado para a fabricação dos painéis, o silício. No Brasil, ele é abundante, mas ainda não temos tecnologia para fabricar os módulos fotovoltaicos com eficiência superior e, assim, ficamos na dependência de países com mais desenvolvimento tecnológico para processar a matéria-prima que temos em painéis com valor agregado. A tendência é que mais pessoas utilizem recursos de microgeração de energia elétrica nos próximos anos e que este fator permita o crescimento do mercado de equipamentos e recursos energéticos, tanto na geração de energia solar quanto nos sistemas eólicos, os quais ganham cada vez mais espaço na matriz energética mun- dial. A Figura 26 mostra uma planta residencial com sistema de geração alternativa baseado em geração solar e eólica. Na Figura 26, é possível notar que existe a possibilidade de uma residên- cia ou ambiente comercial utilizar geração de energia alternativa, seja ela on-grid ou off-grid. A segunda opção tem o agravante de estar relacionado às baterias. Estas têm vida útil reduzida e custam muito caro. Por este motivo, a conexão à rede no sistema on-grid ainda é o mais viável. O assunto relacionado à geração alternativa de energia certamente é muito amplo e não haveria como mostrar todas as tecnologias exis- tentes, porém, são estas as mais utilizadas atualmente. Na sequência, serão abordados os dispositivos que permitem a qualificação da energia para o uso de máquinas elétricas. Figura 26 - Energias alternativas: produzindo a própria energia elétrica ENERGIA ALTERNATIVA PARA SUA RESIDÊNCIA PAINEL SOLAR INVERSOR CONTROLADOR DE CARGA BATERIAS TURBINA EÓLICA APARELHOS ALIMENTADOS EM CORRENTE ALTERNADA Eficiência Energética Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 151 Acionamentos de motores elétricos por chaves estáticas Conforme estudamos nesta unidade, há dispositivos que permitem a partida e a parada de motores elétricos, utilizando recursos de eletrônica de potência. Esta técnica de acionamento permite que a partida de um motor seja suave, dimi- nuindo o desperdício de energia e também os prejuízos com partidas de motores, pois cada vez que um motor é acionado por chave de partida direta, toda a cor- rente consumida entre 0% e 100% de sua velocidade nominal acima da corrente nominal de trabalho é utilizada para vencer o momento de inércia, já no aciona- mento por chave estática, a corrente nominal é quase a mesma do acionamento, havendo mínimo desperdício durante as partidas sucessivas. Este fato nos remete ao uso responsável da eletricidade, principalmente, no acionamento de motores em máquinas e processos que realizam ciclos de liga e desliga repetitivos ao longo de seu turno de trabalho. Nesta unidade, abordamos assuntos importantes referentes aos tipos de máquinas elétricas, aos principais tipos de acionamentos elétricos e à eficiência energética, assuntos correlatos que geram certa dependência dado ao fato de que o funcio- namento das máquinas elétricas influencia diretamente na maneira com que a energia elétrica é administrada. Nas próximas unidades, trataremos de assuntos mais específicos a respeito de eletrônica e de sua ligação com o mundo onde vivemos, o qual pretendemos tornar mais produtivo, sob a ótica de um Engenheiro de Produção. A indústria de equipamentos de ar-condicionado e refrigeradores apostou na tecnologia de inversores para a fabricação de seus dispositivos, de modo que os aparelhos mais econômicos são equipados com este recurso, o qual permi- te minimizar o número de vezes que o motor é ligado e desligado ao longo de seu funcionamento. Fonte: o autor. MÁQUINAS ELÉTRICAS E ACIONAMENTOS Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IIIU N I D A D E152 CONSIDERAÇÕES FINAIS Na Unidade 3 deste livro, abordamos assuntos relacionados às máquinas elétri- cas e às suas principais características básicas, como transformadores e motores de indução trifásicos. Atualmente, houve grande evolução no segmento de máquinas elétricas e de acionamentos norteados pela necessidade de se obter maior eficiência e, com isso, menos despesas com desperdícios de energia. Em alguns países, as exigências são ainda mais rigorosas do que no Brasil e, assim, os equipamentos movidos a energia elétrica precisam oferecer conversão de energia próxima de valores uni- tários, ou seja, quase sem perdas. Com base nos princípios funcionais esperados para uma máquina elétrica e na busca pela eficiência energética, são desenvolvidas técnicas de acionamentos que permitem minimizar as perdas com partidas de motores e, ao mesmo, tempo aumentar a vida útil das máquinas. Esta foi a contribuição das chaves estáticas (soft-starters e inverso- res de frequência) diante de topologias de acionamentos por elementos de comutação (contatores), que geram correntes de partida elevadas e desperdícios de energia. A eficiência energética está, sem dúvida, relacionada ao uso da energia com responsabilidade. Para isso, precisamos utilizar a eletrônica para desenvolver equipamentos mais eficientes e conectáveis a bases computacionais, pois pre- cisamos mensurar para controlar, como no caso dos dispositivos utilizados na Internet das Coisas (IoT). As diversas inovações que a ciência proporcionou, nos últimos 20 anos, no segmento de eletrônica e máquinas elétricas, permitiu que a indústria usufrua, atualmente, da possibilidade de integrar os seus recursos em palavras de dados, as quais percorrem os barramentos de rede e fornecem importantes informações para a tomada de decisão estratégica por parte do gestor do processo. No estudo da eletrônica, que será feito nas próximas unidades deste livro, o estudante terá a oportunidade de conhecer um pouco mais sobre as tecnologias que são aplicadas à melhoria dos processos industriais e baseadas em componen- tes eletrônicos que substituem os antigos transformadores de baixa frequência, pesados e de grandes dimensões, pelo chaveamento de alta frequência com con- trole de potência e de pequenas dimensões. 153 1. Um transformador alimenta uma carga com tensão no seu secundário de 12V e corrente de 2A. Se a tensão no enrolamento do transformador é de 127V, qual a corrente no enrolamento primário? 2. Calcule o escorregamento percentual para os casos: a) Motor de VI polos, com 450 rpm de velocidade nominal e acionado com frequência de 60 Hz . b) Motor de IV polos, com 1450 rpm de velocidade nominal e acionado com frequência de 50 Hz . 3. Explique asdiferenças entre máquinas estáticas e máquinas dinâmicas. 4. Determine como é possível reduzir o custo de energia elétrica referente às par- tidas de motores elétricos de indução trifásicos. Apresente argumentos que confirmem as suas afirmações. 5. Uma empresa com consumo de energia de 500 KMh dedicados apenas à ilu- minação adotou um sistema de energia solar para a economia da tarifa junto à concessionária, porém, ao realizar os cálculos, a empresa descobriu que o retorno do investimento se dará ao longo de seis anos. Aponte uma solução que poderia reduzir o tempo de retorno do investimento. Utilize argumentos que sustentem o seu posicionamento. 6. A eficiência energética é um parâmetro que define o quanto utilizamos a ener- gia de maneira útil e inteligente. Dado este conceito, defina como é possível otimizar a eficiência energética de uma indústria com máquinas e processos já operantes há cinco anos e que, aparentemente, não possui indicadores nega- tivos de desempenho. 154 AUTOMAÇÃO COMO FERRAMENTA DE ANÁLISE DE EFICIÊNCIA ENERGÉTICA O Brasil representa uma nação em desenvolvimento, onde o seu crescimento econômico é dire- tamente proporcional ao consumo das diversas fontes de energia. Atualmente, a demanda de energia tende a ser maior que a oferta, e esta situação tem gerado grande preocupação com a possível falta de energia. Diante dessa realidade, as políticas governamentais direcionam esforços para diversificar a matriz energética do país. No entanto, gerar mais energia não é suficiente, pois existe a necessidade de, além de diversificar as fontes de energia, economizar no uso e eliminar o desperdício (ELETROBRÁS, 2006). Entre os setores econômicos que consomem mais energia no Brasil, o segmento industrial se desta- ca. Segundo os dados do Balanço Energético Nacional (EPE, 2013), tal setor é responsável por 35,1% do consumo total de energia no país. Neste segmento, a eletricidade se enquadra como a principal fonte de energia, e entre as indústrias que mais consomem energia elétrica, a de cimento ocupa o 9º lugar (BAJAY, GORLA e DORILEO, 2010). Assim, visando a proporcionar um consumo eficiente de energia elétrica para o setor de cimento e, consequentemente, para a matriz energética do país, escolheu-se um sistema em funcionamen- to em uma indústria cimenteira para a realização de análises de eficiência energética por meio da implantação da automação. O Sistema de Abastecimento de Água foi escolhido devido à sua operação ser essencial para os processos produtivos de fabricação de cimento e por apresentar vários pontos de desperdício de energia elétrica. O controle dos níveis de água dos reservatórios era do tipo liga/desliga, onde os comandos para as bombas eram enviados sem nenhum critério de segurança, quanto ao tempo e a quantidade de água disponível no sistema. O sistema funciona 24 horas, e em funcionamento normal as bombas realizavam 48 ciclos de traba- lho, o que significava que as bombas ligavam e desligavam 48 vezes por dia. O acionamento elétri- co das bombas centrífugas era do tipo partida direta, provocando elevação de corrente durante a partida. O pico da corrente de partida provoca aquecimento nos enrolamentos dos motores e, por conseguinte, essa elevação de temperatura causa desgastes na isolação do cobre, e também eleva- ção da corrente elétrica no painel CCM. Essa situação provoca diminuição da vida útil dos motores, sobrecarga na rede elétrica e desperdício de energia. Solução proposta: para diminuir a corrente de partida das bombas centrífugas, foram modificados os acionamentos para soft-starter e inversor de frequência. A aplicação do inversor de frequência objetivou não somente a redução da corrente de partida, mas também o controle da vazão da bom- ba. Por meio do controle de velocidade, foi possível manter o nível dos reservatórios de água cheios, não sendo necessárias 48 partidas por dia. Esta solução também diminuiu o desgaste do motor devido ao número elevado de partidas/dia, visto que manteve a bomba em operação contínua. Apesar do sistema já possuir um controle automático, foi identificado que ele apresentava fragili- dades que acarretavam em consumos desnecessários de eletricidade. Com a implantação de uma nova automação, os controles e acionamentos do sistema foram modificados visando a redução do consumo e o uso de energia elétrica sem diminuir a demanda, ou seja, sem alterar a sua utili- dade para os processos produtivos. Fonte: adaptado de Amaral (2014). Material Complementar MATERIAL COMPLEMENTAR Máquinas Elétricas e Transformadores Irving L. Kosow Editora: Globo Sinopse: a presente obra oferece material pertinente utilizado sobre o assunto, levando-o em plena conta e com o sentido adequado de sua importância relativa. Dirigida ao estudante de Engenharia Elétrica e Eletrônica, tem a vantagem de ser originalmente concebida para autoensino. Inclui material de texto bastante detalhado, exemplos ilustrativos indicando solução de problemas e muitos tópicos específi cos destinado a motivar o leitor, o que permite ao leigo ou ao técnico não universitário o acesso às informações apresentadas, além de abrir uma larga perspectiva para o treinamento a nível operacional prático de especialistas em máquinas elétricas. Comentário: excelente referência acerca de máquinas elétricas e acionamentos. Aborda máquinas estáticas e dinâmicas em sua essência Máquinas Elétricas e Acionamento Edson Bim Editora: Campus Sinopse: Máquinas Elétricas e Acionamento é livro-texto para a disciplina Máquinas Elétricas e Conversão Eletromecânica de Energia presente nos cursos de Engenharia Elétrica. Dentre os tópicos desenvolvidos no livro estão Circuitos Magnéticos, Transformadores, Princípios de Conversão Eletromecânica de Energia, Confi guração Básica e Princípios de Máquinas Elétricas, Máquinas de Corrente Contínua, Máquinas de Indutância, Geração de Torque e até uma introdução ao controle vetorial de máquinas. Comentário: ótima referência para entender matematicamente o funcionamento das máquinas elétricas e os seus respectivos acionamentos. MATERIAL COMPLEMENTAR No site da Schneider Energia, é possível conferir temas sobre efi ciência energética e as soluções simples para a gestão integrada de energia. Web: <https://www.se.com/br/pt/download/document/efi ciencia_energetica/>. Assista ao documentário do History Channel sobre Nikola Tesla, pai da eletricidade moderna. Web: <https://youtu.be/n2W-foNTfQo>. Conheça a história por trás da invenção da lâmpada por meio deste documentário do History Channel chamado “Thomas Edison - A Invenção da Lâmpada”. Web: <https://youtu.be/QNoEU88mqrA>. Neste vídeo, confi ra a Cummins Power Generation, a única fornecedora mundial de sistemas de energia comercial PowerCommand pré-integrados. Web: <https://youtu.be/2qDtxtsbp-M>. De Volta Para o Futuro (1985) Sinopse: o fi lme conta a história de Marty McFly (Michael J. Fox), um adolescente que volta no tempo até 1955. Ele conhece os seus futuros pais no colégio e acidentalmente faz a sua futura mãe fi car romanticamente interessada por ele. Marty deve consertar o dano na história fazendo com que seus pais se apaixonem e, com a ajuda do Dr. Emmett Brown (Christopher Lloyd), encontrar um modo de voltar para 1985. Comentário: o fi lme relata a relação existente entre as necessidades de um grupo de pessoas em viajar no tempo e a sua dependência de energia elétrica para alimentar a suposta máquina do tempo. REFERÊNCIAS AMARAL, C. N. Automação Como Ferramenta de Análise de Eficiência Energética. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE AUTOMÁTICA. 20., 2014. Belo Horizonte. Anais... Belo Horizonte: UFMG, 2014. FRANCHI, C. M. Acionamentos Elétricos. São Paulo: Érica, 2007. KOSOW, I. L. Máquinas Elétricas e Transformadores. São Paulo: Globo, 2005. WEG S.A. Automação Guia de Seleção de Partidas. Jaraguá do Sul: WEG, 2013. ______. Guia de aplicação de Inversores de Frequência. 2. ed. Jaraguá do Sul: WEG, 2004. ______. Inversorde Frequência CFW-11. Manual do Usuário. Jaraguá do Sul: WEG, 2008. ______. Motores Elétricos - Guia de Especificação. Jaraguá do Sul: WEG, 2016. ______. Soft Starter SSW-08. Jaraguá do Sul: WEG, 2015. 157 GABARITOGABARITO 1. Dados: • VP =127 V • VS =127 V • IS = 2 A • IP = ? Solução: V I V IP P S S× = × I V I VP S S P = × = × =12 2 127 0 188, A I IP P= =0 188 189, A ou mA 2. Dados: Calcule o escorregamento percentual para os casos: a) Motor de VI polos, com 450 rpm de velocidade nominal e acionado com fre- quência de 60 Hz . b) Motor de IV polos, com 1450 rpm de velocidade nominal e acionado com fre- quência de 50 Hz . Solução: a) 1º passo: cálculo da velocidade síncrona (NS) para o motor: De acordo com os dados do exemplo, a frequência da rede de alimentação é de 60 Hz e o número de polos é de 6, temos: NS = × =120 60 6 1200 rpm 2º passo: cálculo do escorregamento percentual s (%) do motor com 450 rpm no eixo: s N N N S N S (%) ,= − × = − × =100 1200 450 1200 100 62 5 % s(%) ,= 62 5 % b) 1º passo: cálculo da velocidade síncrona (NS) para o motor: De acordo com os dados do exemplo, a frequência da rede de alimentação é de 50 Hz e o número de polos é de 4, temos: GABARITO 159 NS = × =120 50 4 1500 rpm 2º passo: cálculo do escorregamento percentual s (%) do motor com 1450 rpm 1450 rpm no eixo: s N N N S N S (%) ,= − × = − × =100 1500 1450 1500 100 3 33 % s(%) ,= 3 33 % 3. R: As máquinas estáticas apresentam as seguintes características: • Operam sem partes móveis. • Exigem baixa manutenção. • São pouco flexíveis. As máquinas dinâmicas são conhecidas por: • Possuem partes em movimento. • Consumirem altos níveis de corrente de partida. • Permitem economia de energia com acionamentos estáticos. 4. R: Para reduzir o custo de energia com acionamento de motores de indução tri- fásicos, é necessário utilizar chaves de partida estáticas, como inversores de fre- quência ou soft-starters, pois a partida suave desse tipo de acionamento reduz a corrente de partida característica das chaves de partida direta que, normalmen- te, é de cinco a seis vezes maior do que a corrente nominal do motor utilizado em plena carga. 5. R: Para reduzir o tempo de retorno dos investimentos, seria interessante reduzir a carga tributária que incide sobre a compra dos painéis solares e demais itens do projeto, assim como a fabricação destes no Brasil, que possui matéria-prima em abundância para a fabricação dos painéis fotovoltaicos. 6. R: Primeiramente, é necessário mensurar para sempre controlar. Desta forma, a instrução é: realizar uma medição sistemática do consumo individual de energia das máquinas da empresa e cruzar o consumo que cada uma deveria ter em plena carga. Dessa forma, seria possível avaliar qual delas está com consumo ele- vado ou necessitando de ações corretivas, pois quando uma máquina consome mais energia do que o necessário, significa que o seu rendimento está baixo e, consequentemente, a sua eficiência energética. Isto pode significar a manuten- ção ou até a troca da máquina. U N ID A D E IV Professor Me. Fábio Augusto Gentilin ELETRÔNICA Objetivos de Aprendizagem ■ Introduzir os conceitos fundamentais básicos da Eletrônica e as suas aplicações na indústria para Engenheiros de Produção. ■ Apresentar as características da eletrônica digital e as suas principais aplicações. ■ Conhecer as características da eletrônica analógica e as suas principais aplicações. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Introdução à Eletrônica ■ Eletrônica digital ■ Eletrônica analógica INTRODUÇÃO Assim como em muitas outras áreas, a Eletrônica teve o seu maior salto de desen- volvimento histórico a partir da década de 40, época onde a Segunda Guerra Mundial se estabeleceu (1939 a 1945). Naquela época, havia uma corrida pelo desenvolvimento de soluções que pudessem trazer vantagens estratégicas aos diferentes lados da guerra, como telecomunicações, transporte, controle etc., e a tecnologia daquele tempo estava limitada ao que há várias décadas já era utilizado. Foi então que, logo após o fim Segunda Guerra Mundial, uma equipe de pesqui- sadores deu um passo gigantesco na história da eletrônica (e para o bem de todos nós): descobriram o Transístor. A descoberta foi feita em 1947 pela equipe de pes- quisadores composta por John Bardeen e Walter Houser Brattain nos laboratórios da Bell Telephone, localizado em Berkeley Heights, Nova Jersey, Estados Unidos (atualmente Nokia Bell Labs). A demonstração da descoberta ocorreu em 23 de dezembro de 1948 com a equipe formada por Bardeen, Brattain e William Bradford Shockley. Mais tarde, em 1956, foram laureados com o prêmio Nobel de Física. A partir daí tudo mudou. A maneira com que os fabricantes de tecnologia pensavam os seus projetos e os produtos que seriam oferecidos. Muitas possibi- lidades antes impraticáveis se tornaram possíveis com a descoberta deste valioso recurso, possibilitando que a humanidade saísse da era dos dispositivos eletro- mecânicos e passasse à era da integração em massa. Esta tecnologia permitiu o desenvolvimento de outros dispositivos, como os circuitos integrados, que agregam funções específicas dentro de um único encap- sulamento, envolvendo lógica digital ou circuitos especiais para funções analógicas, como amplificadores de sinal, os quais, antes dessa invenção, ocupavam muito espaço, e agora podem ser facilmente alojados dentro de pequenos gabinetes portáteis. Os avanços da Eletrônica tornaram possível o advento dos computadores, pois impulsionaram o desenvolvimento dos primeiros processadores que, atu- almente, utilizamos em nossas casas, seja em nossos computadores pessoais ou em nossos dispositivos móveis (aparelhos celulares, gadgets, tablets etc.). Na área da saúde, o advento da Eletrônica embarcada possibilitou a criação de novos equipamentos capazes de facilitar o diagnóstico de doenças por meio de Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 163 ELETRÔNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E164 técnicas de imagens, graças aos avanços da área de hardware e software embarcados. Na área da defesa, a Eletrônica tem papel crucial no desenvolvimento de téc- nicas de transporte de armamentos e pessoas, com comunicações e controle de dispositivos remotamente, como é o caso dos drones, veículos não tripulados capazes de percorrer trajetórias distintas e flexíveis, de acordo com a necessidade. Nesta unidade, nos aventuraremos pelo mundo da Eletrônica e as suas apli- cações de acordo com o esperado para um Engenheiro de Produção, explorando as diferenças fundamentais entre a eletrônica digital e a analógica. INTRODUÇÃO À ELETRÔNICA Nesta unidade, estudaremos a eletrônica sob o ponto de vista de um Engenheiro de Produção, que visa a entender a dinâmica de um processo, a estudar as suas limitações e a propor soluções para aumentar o desempenho geral com o uso de recursos tecnológicos existentes na atualidade. Serão abordadas as principais características da Eletrônica em duas partes: eletrônica digital e eletrônica analógica. Primeiramente, antes de entrar em deta- lhes dessas duas partes, introduziremos o conceito geral da Eletrônica em uma linguagem que pretende transmitir os conceitos básicos para o entendimento desta revolucionária tecnologia que invadiu o mundo em que vivemos. DEFINIÇÕES A Eletrônica é definida como o ramo da ciência que utiliza componentes associa- dos em circuitos para a realização de tarefas e funções específicas vinculadas ao movimento do elétron em suas malhas. Em outras palavras, a Eletrônica estuda o movimento dos elétrons em diferentes componentes que podem realizar tare- fas como armazenar dados, processar informações, emitir luz etc. Introduçãoà Eletrônica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 165 Não há apenas uma aplicação para a eletrônica, ao contrário disto, há infinitas aplicações. Desde emitir luz por meio de um diodo emissor de luz (LED) até con- trolar as funções de um satélite em órbita, ou mesmo processar todos os dados da internet enquanto realizamos uma pesquisa em um site de busca. Atualmente, vivemos em um mundo repleto de Eletrônica. Não há uma adaptação dela a nós, e sim, o contrário, as pessoas é que precisam se ajustar a esta realidade. Isto é muito fácil de perceber quando observamos um idoso adquirindo um smartphone e iniciando o aprendizado da nova ferramenta para acessar a sua conta bancária. Quase não há mais espaço para a evolução sem a dependência dos recursos eletrônicos, pois praticamente todo o mercado conhecido depende da Eletrônica, seja para movimentar dinheiro no banco ou para dar partida em seu automóvel. Quando o assunto é telecomunicações, esta dependência aumenta ainda mais. Qual o impacto de ficar sem conectividade com a internet por um mês, sem “contato” com outras pessoas por meio dela? Avalie em termos pessoais e profissionais. ELETRÔNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E166 A Eletrônica existe sempre quando temos um circuito formado por componentes ele- trônicos, especialmente fabricados para realizar tarefas específicas e necessárias para que uma ação desejada seja realizada. Por exemplo, para que a sua estação favorita de rádio seja sintonizada, alguns componentes devem ser associados e alimentados devidamente dentro do seu rádio, assim como no aparelho celular ou smartphone. Na sequência, abordaremos alguns componentes eletrônicos e as suas fun- ções para o entendimento básico do funcionamento de circuitos eletrônicos, assunto que também será abordado na sequência. COMPONENTES ELETRÔNICOS Para iniciar o nosso estudo da Eletrônica, começaremos pela parte tangível, ou seja, aquilo que se pode ver. Assim, é mais produtivo em termos de memoriza- ção dos termos associados às suas formas visuais e à funcionalidade. Esta seção será dividida em componentes não semicondutores (também conhecidos como componentes passivos) e componentes semicondutores. Componentes não semicondutores Os componentes dessa seção são aqueles que, em sua composição, são feitos de materiais como cerâmica, cobre, carvão, cromo e outros metais que não são semicondutores. Resistor Os resistores são componentes que podem ser fabricados em diversos tipos de materiais, como o filme metalizado, o carvão, o níquel cromo etc., e as suas prin- cipais funções são limitar a corrente, dividir a tensão ou produzir calor a partir da circulação de corrente elétrica (aquecimento de água, ambientes, fornos etc.), pois o resistor também atua com o efeito Joule (aquecimento). A Figura 1 mostra alguns tipos de resistores utilizados em eletrônica, adequados para o uso em pla- cas de circuito impresso. Introdução à Eletrônica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 167 O resistor é dimensionado, levando-se em conta a sua potência, logo, as suas dimensões e a necessidade de maior área de dissipa- ção de calor dependem deste parâmetro. Assim, um resistor de 5W é construído para suportar a potência de até 5W sem que a temperatura nestas condições danifique a sua estrutura, da mesma forma que um resis- tor de 1/8W (1/8W = 0,125W) é fabricado para esta amplitude de potência apenas. Os diferentes tipos de encapsulamentos de resistores dependem de seu uso, podendo ser fixados em uma placa de circuito impresso por meio de furos ou na própria superfície. A Figura 2 mostra o desenho de um resistor e o seu projeto dimensional para a montagem em placa de circuito impresso por meio de furos (through-hole). (a) BL BW LEL LD PL BW LEL (b) PL 2 Borda externa de montagem do componente Borda externa do símbolo do componente (serigra�a) Figura 2 - Resistor em etapa de projeto: montagem por meio de furos (through-hole) em placa de circuito impresso Fonte: Mitzner (2007, p. 103). Na Figura 3, é possível ver alguns resistores já fixados e soldados na placa de cir- cuito impresso (PCI): Figura 1 - Tipos de resistores ELETRÔNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E168 Quando o resistor possui características de altas potências e dissipação de calor em temperaturas elevadas, é necessário o uso de dissipadores de calor, que são normalmente perfis de alumínio fabricados para alojar o resistor em seu inte- rior e conduzir o calor produzido na sua superfície para a atmosfera de maneira eficiente. Uma outra configuração de resistores é dada no encapsulamento projetado para a montagem em superfície (SMD – Surface- Mount Device), que pode ter diferentes tamanhos de acordo com a necessidade para o mesmo valor de resistência ôhmica, assim como nos resistores com encapsulamentos through-hole. O Quadro 1 mostra alguns encapsulamentos mais comuns utilizados na fabricação de resistores. Figura 3 - Componentes montados e soldados na PCI: técnica de montagem through-hole Figura 4 - Resistor de potência montado em dissipador de calor Introdução à Eletrônica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 169 Quadro 1 - Tipos de encapsulamentos de resistores SMD ENCAPSULAMENTOS DE RESISTORES SMD ENCAPSULAMENTO DIMENSÕES (mm) DIMENSÕES (mils) 2512 6 30 3 10, ,´ 0 25 0 12, ,´ 2010 5 00 2 60, ,´ 0 20 0 10, ,´ 1812 4 6 3 0, ,´ 0 18 0 12, ,´ 1210 3 20 2 60, ,´ 0 12 0 10, ,´ 1206 3 0 1 5, ,´ 0 12 0 06, ,´ 805 2 0 1 3, ,´ 0 08 0 05, ,´ 603 1 5 0 08, ,´ 0 06 0 03, ,´ 402 1 0 5´ , 0 04 0 02, ,´ 201 0 6 0 3, ,´ 0 02 0 01, ,´ Fonte: adaptado de Mitzner (2007). Perceba que há encapsulamentos extre- mamente pequenos, por exemplo, o encapsulamento 201, que apresenta 0,6 x 0,3 mm de tamanho. Este tipo de componente é de difícil substituição, pois o seu tamanho e a massa reduzidos dificultam até o posi- cionamento e a soldagem, que normalmente é feita por meio de soprador de ar quente. A Figura 5 mostra uma placa de circuito impresso com diversos componentes solda- dos em SMT (Surface-Mount Technology). Observe aqueles componentes que possuem o sufixo R antes de um número, por exemplo: R1076 ou R281. Estes são os resistores. Perceba que para diferentes resistores, há tamanhos distintos de acordo com a sua potência. Figura 5 - Componentes SMD em PCI: destaque para os pequenos resistores ELETRÔNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E170 É importante salientar que os resistores são sensíveis à variação de temperatura e, como a sua temperatura de corpo pode variar quando percorrido pela cor- rente elétrica, podemos verificar variação no valor da resistência (valor ôhmico), o que não é interessante quando utilizamos esse componente em circuitos de precisão, como instrumentos eletrônicos, por exemplo. Para contornar esta sensibilidade à temperatura, alguns modelos de resisto- res são fabricados em materiais com estabilidade térmica mais apurada, de modo que, para determinadas faixas de variação de temperatura, não há variação sig- nificativa de resistência. Normalmente, os resistores com esta capacidade são fabricados em filme metalizado (VISHAY FOIL RESISTORS, 2018). O parâmetro que determina a estabilidade térmica é o TCR (Temperature Coefficient of Resistance), que é medido em ppm/ºC (partes por milhão por grau Celsius). Este parâmetro é importante para a escolha do resistor a ser utilizado, e a sua definição é dadapor: TCR R R R T T ppm= − × −( ) × =−2 1 1 2 1 10 6 [ ] Equação 1 Onde: TCR é o coeficiente de temperatura da resistência, R2 é o valor da resis- tência na temperatura de operação (W ), R1 é o valor da resistência na temperatura da sala (sem circulação de corrente) (W ), T1 é a temperatura de operação ( °C ) e T1 é a temperatura da sala ( °C ). A Figura 6 apresenta um gráfico que demons- tra o TCR para dois tipos de resistores diferentes, sendo um resistor fabricado em tecnologia Z-Foil e outro resistor com tecnologia NiCr (Níquel-Cromo). Observe a variação de TCR com a variação da temperatura da sala. A potência dissipada por um resistor depende da queda de tensão sobre o seu corpo multiplicado pela corrente que circula por seu elemento resistivo e, des- ta maneira, podemos encontrar para um mesmo valor ôhmico diferentes po- tências disponíveis. Ex.: resistor de 10 x 1 WkW , resistor de 10 x 5 WkW e resistor de 10 x 10 WkW . Mesma resistência disponível em várias potências. Fonte: o autor. Introdução à Eletrônica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 171 4 2 0 -2 -4 -6 -8 -200 -100 0 100 200 Desvio da temperatura da sala (ºC) NiCr Z-Foil TC R (p pm /º C) Figura 6 - Gráfico do TCR em dois resistores diferentes Fonte: Vishay Foil Resistors (2018, p. 5). Exemplo resolvido: Calcule o valor do TCR para o resistor de 10 kW (valor nominal), sabendo- -se que a temperatura da sala de testes é de 25 4, °C , a resistência apresentada nesta temperatura é de 10 06, kW , e que ao inserir o resistor em regime de operação, ele passou a apresentar o valor ôhmico de 10,33 kW com a temperatura de 35 7, °C . Solução: De acordo com a Equação 1, temos: TCR R R R T T ppm= − × −( ) × =−2 1 1 2 1 10 6 [ ] Substituindo os valores, fica: TCR TCR = × − × × × −( ) × = −10 33 10 10 06 10 10 06 10 35 7 25 4 10 2 605 3 3 3 6, , , , , , ×× °−10 9 ppm c/ ELETRÔNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E172 Conforme já vimos na Unidade 1 (resistência elétrica), há resistores que uti- lizam códigos de cores para indicar o seu valor ôhmico e tolerância. Normalmente, para resistores com código de cores de seis faixas, a 6ª faixa indica o coeficiente de temperatura em ppm C/ ° (Figura 7). Digito Faixas Faixas Faixas Digito Código de cores de resistores Digito Multiplicador Tolerância Coe ciente de Temperatura º º º � � � � � � Figura 7 - Tabela de cores para resistores de seis faixas Capacitor O capacitor tem a função de armazenar tensão elétrica. É dotado de duas pla- cas isoladas entre si. A estas placas são conectados terminais que podem ser: Introdução à Eletrônica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 173 • Positivo e negativo nos casos de capaci- tores polarizados, por exemplo, os capa- citores eletrolíticos (Figura 8) ou Separador Caneco Terminal Lâmina do Catodo (-) Lâmina do Anodo (+) Figura 8 - Capacitor eletrolítico: polarização definida nos terminais • Apenas duas placas sem polarização, como no caso dos capacitores cerâmicos (Figura 9). Figura 9 - Capacitores diversos sem polaridade Frequência Os capacitores são amplamente utilizados em circuitos de tempo, ou seja, osci- ladores. Estes circuitos operam com uma variável denominada “frequência”, que pode ser definida como o número de ciclos completos que um sinal percorre durante o tempo de 1 segundo. Como exemplo, podemos apontar a corrente alternada do sistema de distribuição elétrica no Brasil, que é de 60 oscilações por segundo, logo, 60 Hz. Veja o gráfico da função seno na Figura 10: quando o sinal inicia, o seu ciclo possui 0° com amplitude também igual a zero. Depois de um tempo, o sinal passa a aumentar o valor de sua amplitude na mesma pro- porção que aumenta o seu ângulo até o seu valor máximo com amplitude igual a 1 no ângulo de 90° . A partir deste estágio, o sinal decresce até 180° e passa por 0 novamente, seguindo até a sua amplitude mínima, em -1 no ângulo de 270°, de onde passa a aumentar o seu valor até novamente alcançar o valor 0 no ângulo de 360°. Neste estágio, há o fim do ciclo. Deste ponto em diante, inicia-se outro ciclo. ELETRÔNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E174 Cada ciclo possui um período de duração de tempo, que pode ser mais rápido (sinais de altas frequ- ências) ou mais lento (sinais de baixas frequências). O período “T” é o tempo em segun- dos que um ciclo completo (de 0º a 360º) leva para acontecer, Já a fre- quência “f” é o inverso do período e, assim, o cálculo que define a relação entre período e frequência é dado na Equação 2 (BOYLESTAD, 2004): T f s= =1 [ ] Equação 2 Assim, para a frequência da rede elétrica (sistema de distribuição brasileiro) de 60 Hz, o período que o sinal da tensão apresenta é de: T f s= = =1 1 60 0 016666, Ou seja, a cada 0,016666 segundo (aproximadamente 0,0167 s), um ciclo com- pleto é percorrido pelo sinal que vai de 0 até a sua máxima amplitude, e deste valor passa por 0, vai até a sua mínima amplitude e retorna a 0 , de onde reini- cia o ciclo e um novo período, conforme a Figura 11: Figura 10 - Função seno Introdução à Eletrônica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 175 Período de um sinal am pl itu de d o si na l 0, 00 00 0, 00 42 0, 00 83 0, 01 67 0, 01 25 tempo em segundos 1,5 1 0,5 0 -0,5 -1 -1,5 Figura 11 - Período de um sinal de 60 Hz Fonte: o autor. Normalmente, os capacitores assumem funções que podem ser de: ■ Filtro. ■ By-pass. ■ Acoplamento ou desacoplamento de sinais etc. Utilizado como filtro, o capacitor atua, por exemplo, em circuitos de fontes de alimentação no estágio posterior à retificação do sinal. Como by-pass, é comum observar os capacitores sendo utilizados para desviar as componentes de alta frequência do sinal de alimentação para o terminal de terra, como na alimen- tação de um circuito integrado sensível. Já na aplicação como acoplamento ou desacoplamento de sinais, o capacitor realiza o papel de conectar o sinal com características de corrente alternada a um circuito amplificador que opera em corrente contínua. É muito comum esta situação em amplificadores de áudio ou sinais diversos. ELETRÔNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E176 Capacitância A capacitância é a medida da capacidade de armazenamento de cargas “Q” que um capacitor possui em determinado potencial elétrico “V”, conforme a Equação 3: C Q V F= =[ ] Equação 3 Onde “C” é a capacitância em farads (representado pela letra F ou seus múltiplos e submúltiplos, ex.: nF pF, , etc.), Q é a carga elétrica armazenada entre as suas placas em coulombs (C) e “V” é a diferença de potencial entre as placas, medida em volts (V). Em termos mais tangíveis, podemos determinar a capacitância em função da área de suas placas A, da constante dielétrica do capacitor ou permissividade relativa er e da distância entre as placas d, conforme a Equação 4: C A d Fr= =e [ ] Equação 4 Note que, à medida em que a distância entre as placas diminui, a capacitância aumenta, logo, quanto mais fina for a camada isolante, maior será a capacidade de armazena- mento de cargas, levando em consideração que o capacitor opera com restrições de tensão de trabalho, ou seja, a tensão máxima que pode ser aplicada entre os seus ter- minais sem que ocorram danos permanentes ao componente, conforme a Figura 12: O físico alemão Heinrich Rudolph Hertz (1857-1894) desenvolveu pesquisas com ondas eletromagnéticas que permitiramo desenvolvimento das tele- comunicações atuais e diversos estudos relacionados às correntes e tensões alternadas. A unidade de medida de frequência é o “hertz” ou “ Hz ”, em ho- menagem a este pesquisador. Fonte: adaptado de Boylestad (2004). Introdução à Eletrônica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 177 Placa A Placa B Terminal 2 Terminal 1 Dielétrico (camada isolante) d Figura 12 - Capacitor de placas Fonte: o autor. O dielétrico do capacitor é a camada isolante que separa as duas placas e pode ser composta de vários tipos de materiais, cada um com suas propriedades espe- cíficas. Alguns exemplos de dielétricos são: ar (vácuo), poliéster, polipropileno, papel, stiroflex, óxido de alumínio etc. Para cada tipo de dielétrico há um valor de constante er , por este motivo, utilizamos o termo “r” subscrito que remete a relativo, ou seja, er é a constante dielétrica relativa de um determinado mate- rial ou permissividade relativa que compõe o dielétrico do capacitor e que pode ser consultada em uma tabela, conforme mostrado no Quadro 2: Quadro 2 - Constantes dielétricas de alguns materiais MATERIAL εr Vácuo 1 Água 30 88- (dependendo da temperatura) Vidro 3 7 10, - PTFE (Teflon) 2 1, Polietileno (PE) 2 25, Poliamida 3 4, ELETRÔNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E178 Polipropileno 2 2 2 36, ,- Poliestireno 2 4 2 7, ,- Dióxido de titânio 86 173- Titanato de estrôncio 310 Titanato de estrôncio com bário 500 Titanato de bário 1250 10 000 - . (dependendo da temperatura) Polímeros conjugados 1 8. até 100 000. (dependendo do tipo) Titanato de cobre e cálcio > 250 000. Fonte: adaptado de Clipper Controls ([2018], on-line)1. A permissividade relativa (er ) pode ser descrita como a permissividade do material do dielétrico do capacitor em relação à permissividade do vácuo e, para calculá-la, precisamos saber o valor de er, que é a permissividade de um deter- minado material. De posse desta informação, podemos obter a permissividade relativa a partir da relação dada na Equação 5: e e er = 0 Equação 5 Onde e0 é a permissividade do vácuo. O seu valor é de 8 8541878 10 12, × − F/m (Farads por metro). Há, entretanto, fontes de informações que já fornecem os valores de constantes dielétricas na internet e podem ser consultados para maio- res informações e projetos específicos (CLIPPER CONTROLS, [2018], on-line)1. Exemplo resolvido: Calcule a capacitância do capacitor de placas com área de 0 013, † cm separadas entre si por uma camada isolante fabricada em poliamida de espessura igual a 1 73 10 6, × − m . Introdução à Eletrônica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 179 Solução: Dados: er = 3 4, Conversão da área dada em cm2 para m2 : 1 m = 1 m x 1 m , sendo 1 m = 100 cm, �ca: 100 cm 100 cm 2 = 10.000 cm aplicando-se regra de 3 simples, �ca: 2 10 000. cm = 1 m 0,013 cm = x m x = 0,013 x = 2 2 2 2 10 000 0 013 10 00 . , . 00 x = 1,3x10-6 m-2 x Lorem ipsum 13cm² = 1 3 10 6 2, - mx d = 1 73 10 6, - mx Cálculo da capacitância C A d F C F C F r= = = = = - - e [ ] , , , , , 3 4 1 3 10 1 73 10 25 549 25 549 6 6 x x ou C F= 25 549, Uma das características importantes do capacitor é sua reatância capacitiva “ XC ”, que consiste em uma restrição à passagem de corrente, que é inversamente pro- porcional à frequência de seu sinal, ou seja (Equação 6) (BOYLESTAD, 2004): ELETRÔNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E180 X f CC = × × × =1 2 p [ ]Ω Equação 6 Onde 2´p é uma constante, C é o valor da capacitância do capacitor e f é a fre- quência do sinal. Essa informação nos permite concluir que, em sinais de corrente contínua com frequência igual a 0, a reatância capacitiva tende ao infinito, ou seja, é um circuito aberto, e com sinais de corrente alternada ou de frequências maiores do que 0 , a reatância capacitiva diminui à medida em que a frequência aumenta, pois são inversamente proporcionais. Indutor O indutor é um dos componentes mais utilizados, tanto quanto os capacitores e resistores. Está presente em diversos dispositivos, como motores, relés, trans- formadores, eletroímãs, solenoides, autofalantes etc. A indutância é medida em Henry (H) e seus múltiplos e submúltiplos ( , ,1 1 20 H m H etc.). Esta grandeza depende da geometria do indutor e dos materiais que o compõem, que dependem da aplicação. Por exemplo, em transformadores de distribuição, normalment, e são utilizados condutores de cobre enrolados em núcleo de aço-silício, já em circuitos de conversores que operam em altas frequências, o núcleo é em ferrite. Uma das características importantes do indutor, representado pela letra “L” é a sua reatância indutiva XL, que corresponde a uma restrição à passagem de corrente que depende da frequência (Equação 7) (BOYLESTAD, 2004). Introdução à Eletrônica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 181 X f LL = × × × =2 p [ ]Ω Equação 7 Diferentemente dos capacitores, nos indutores, a reatância indutiva (XL) aumenta quando a frequência aumenta e diminui se a frequência diminui, logo, são dire- tamente proporcionais. Este efeito influencia diretamente no acionamento de motores de indução que, ao serem acionados por um inversor de frequência, devem manter o torque constante e, para que isto ocorra, a tensão deve ser adi- cionada na mesma proporção da frequência em escala, conforme podemos observar na Figura 13 com a curva V/F (tensão/frequência). Figura 13 - Curva V/F de acionamento de motor de indução Fonte: adaptado de WEG (2004). Como podemos observar na Figura 13, à medida em que a tensão é fornecida ao motor, na mesma proporção é inserida a frequência, assim, podemos manter a corrente constante no estator do motor, da ordem da sua corrente nominal. A Equação 8 mostra a relação entre a corrente, a tensão e as resistências do enro- lamento do motor (WEG, 2004): ELETRÔNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E182 I V X R A L = + = 2 2 [ ] Equação 8 Na Equação 8 , I é a corrente que circula pela bobina do estator do motor de indução. Perceba que V é a tensão fornecida ao motor de acordo com a escala da Figura 13, onde, na medida em que V aumenta, f aumenta proporcionalmente e, com isso, XL também aumenta, pois, de acordo com a Equação 7, são direta- mente proporcionais. Se XL aumenta na Equação 8, automaticamente, haveria um efeito inverso em I que deveria diminuir, uma vez que é inversamente proporcional, porém se adiciona tensão V proporcionalmente para estabilizar o valor da corrente que se mantém constante. Na Equação 8, a variável R refere-se à resistência do enrolamento de cobre que pouco representa influência acima de 30 Hz comparado ao valor de reatân- cia indutiva XL (WEG, 2004). Há inúmeras aplicações de indutores, capacitores e resistores que gostaríamos de abordar, mas que seriam além dos propósitos deste livro, logo, as próximas seções serão referentes a tópicos aplicados desses componentes como integran- tes da Eletrônica de maneira abrangente. Quando motores de indução e transformadores são superdimensionados, podem produzir baixo fator de potência, pois aumentam a potência reativa de uma instalação que é monitorada pela concessionária, e esta pode apli- car multas à empresa responsável pela baixa qualidade do uso da energia em seus equipamentos e processos. Fonte: adaptado de Franchi (2007). Introdução à Eletrônica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 183 Componentes semicondutores Nesta seção, serão abordados os componentes que se destacam por permitir a integração de funções em um circuito de reduzidas dimensões, o controle de potência, os recursos de inteligência embarcada, a emissão de luz em diversos comprimentos de onda e muito mais. Estamos nos referindo aos semicondutores. Diodos Os diodos são os mais simples semicondutores que abordaremos neste livro. São estruturas fabricadas para funções específicas como: retificação de sinais, regulação de tensão, sintonia de sinais de áudio e vídeo, emissão de luz, acopla- mento de sinais etc. Abordaremos aqui os diodos em sua funcionalidade e os principais tipos (MALVINO, 1995). Estrutura do diodo semicondutor O diodo semicondutor é composto de uma junção pn que recebe esta nomenclatura graças à sua arquitetura baseada na junção de duas pastilhas de semicondutor, sendo uma com portadores majoritários positivos (p), e a outra com portado- res majoritários negativos (n). A Figura 14 mostra a estrutura interna de um diodo retificador onde pode- mos observar as pastilhas de semicondutor compostas de portadores majoritários positivos, dando origem ao elemento do tipo p, e a pastilha com portadores majo- ritários negativos, que dão origem ao elemento do tipo n. A junção das duas pastilhas é denominada de camada de depleção. O símbolo do diodo também é representado na Figura 14, onde podemos observar a presença dos terminais A de anodo e K de catodo. Observe que o terminal A se refere à pastilha do tipo p enquanto que o terminal K se refere à pastilha do tipo n do diodo. ELETRÔNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E184 Portadores majoritários positivos (p) Portadores majoritários negativos (n) DIODO SÍMBOLO DO DIODO DIODO EM ENCAPSULAMENTO COMERCIAL faixa que indica o catodo Junção “pn” ou Camada de Depleção A A K K Figura 14 - Diodo semicondutor: estrutura interna e símbolo Fonte: o autor. O diodo pode ser polarizado direto ou inversamente e apresenta comportamen- tos característicos que definem a sua região de operação. Polarização direta do diodo Na polarização direta do diodo, o potencial positivo da fonte de tensão é conec- tado ao terminal anodo do diodo (A) e o potencial negativo é ligado no catodo ( K ) dele. Com a tensão aumentando (eixo x do gráfico da Figura 15), os elétrons estimulados pela fonte repelem os elétrons do material semicondutor da pasti- lha do catodo do diodo, estes que migram para a região da camada de depleção, atraindo os portadores da pastilha vizinha (anodo) a se agruparem na periferia da junção pn , promovendo o estreitamento da camada de depleção. A concentração de elétrons de um lado e de cargas positivas do outro aumenta até que a tensão da fonte atinge aproximadamente 0 7, V , onde ocorre a ten- são de joelho. Neste momento, a corrente flui plenamente por meio da junção, conforme a Figura 15. Esta é a configuração mais comum para a polarização de diodos retificadores ou de sinal. Introdução à Eletrônica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 185 i i 0 0,7 v Tensão de joelho A K DIODO Fonte de Tensão Variável Estreitamento da camada de depleção Figura 15 - Polarização direta do diodo Fonte: o autor. Na polarização reversa (diodo inversamente polarizado), o terminal catodo do diodo é ligado ao potencial positivo da fonte de tensão e o terminal anodo é conectado ao potencial negativo da fonte. Com isso, há o afastamento dos poten- ciais que antes ficavam na periferia da camada de depleção e agora passam às bordas externas das pastilhas, atraídos pelos potenciais da fonte que possuem polaridades opostas (Figura 16). VR Avalanche Ruptura Corrente de fuga A KDIODO Fonte de Tensão Variável Aumento da camada de depleçãoi i v Figura 16 - Polarização reversa do diodo Fonte: o autor. Com o aumento da tensão reversa, há o aumento da camada de depleção que pode atingir determinado valor tal, que ocorre o efeito avalanche, onde o diodo é permanentemente inutilizado (ruptura da junção). Normalmente, este efeito ocorre acima dos 50 V para os diodos retificadores. Há, entretanto, diodos que ELETRÔNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E186 são projetados para operar na região reversa (inversamente polarizados): são os diodos reguladores zener, que possuem uma tensão reversa do valor da sua ten- são nominal e que pode ser de diversos valores como 4 7 12 24, , , V V V etc. Os diodos zener são utilizados quando se deseja limitar uma tensão em um valor específico para que seja fixado um valor de tensão de referência, por exemplo. A maior parte dos diodos são fabricados com silício (Si), que é o material semicondutor mais abundante atualmente, mas há algumas tecnologias que utilizam materiais como germânio, Arseneto de Gálio (GaAs), Arseneto de Gálio Índio (InGaAs), fosforeto de Índio (InP) etc. e dependendo da aplicação, que pode ser desde a fabricação de diodos retificadores ou mesmo de dispositivos optoeletrônicos, como fotodetec- tores ou diodos emissores de luz (LED). Tipos de diodos Há muitas aplicações para os diodos e as suas funções norteiam os seus projetos e, assim, diferentes diodos apresentam diferentes propósitos, sendo: ■ Diodo retificador: é utilizado para retificar sinais. Aplicado em circui- tos de fontes de alimentação e muitos outros onde se deseja bloquear um semiciclo de um sinal alternado e conduzir o outro a fim de se produzir, como resultado, um sinal contínuo. ■ Diodo Zener: muito utilizado para regular tensões de referência de potencial em circuitos ou para regular a tensão de alimentação de um determinado componente ou circuito. ■ Diodo Schottky: é um diodo que opera em frequências elevadas, em aplicações inviáveis aos diodos retificadores que não atendem às altas velocidades de comutação. Este diodo não apresenta camada de deple- ção e quando utilizado para retificar sinais de baixas tensões. ■ Diodo varactor ou varicap: é um diodo com efeito capacitivo que varia a sua capacitância em função da tensão aplicada em seus terminais (uti- liza a variação da largura da camada de depleção para atuar como um capacitor variável). Este diodo é muito utilizado em circuitos de sintonia de FM e VHF, presente nos circuitos de rádio e TV. Introdução à Eletrônica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 187 ■ LED: Diodo Emissor de Luz. Este, sem dúvida, é conhecido pela maioria das pessoas da atualidade, pois é muito utilizado em dispositivos portáteis e em diversos equipamentos elétricos para emitir luz de acordo com o sta- tus de funcionamento. A luz emitida pelo LED se dá pelo salto do elétron de uma órbita para outra durante a circulação de corrente pela junção, corrente esta que tem limites de acordo com o fabricante. Já a cor do LED depende do material utilizado para a fabricação da pastilha de semicon- dutor e a sua dopagem, e não apenas da cor da lente (MALVINO, 1995). No caso do LED e de demais diodos, é importante salientar que quando ocorre a condução de corrente pela junção, a corrente pode atingir valores elevadíssi- mos, tendendo, teoricamente, ao infinito. Logo, para estabelecer a corrente de operação do diodo, analisaremos o caso do LED e do dimensionamento de seu circuito de limitação de corrente. Primeiramente, devemos identificar o modelo de LED que temos. Neste exem- plo, adotaremos um LED de 5 mm com as especificações dadas pelo fabricante: ■ VD = 2 0, V (é a tensão de trabalho do LED). ■ IL = 10 mA (é a corrente adotada para este LED). ■ VS = 12 V (é a tensãoda fonte que utilizaremos para acionar o LED). Para limitar a corrente no LED, precisamos utilizar um resistor em série de acordo com a Figura 17. i i 0,7 v Corrente tendendo ao in�nito Corrente limitada em 10mA Emissão de luz 10 mA VS RL VD LED Figura 17 - Polarização do LED Fonte: o autor. Cálculo do valor da resistência do resistor limitador RL : ELETRÔNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E188 R V V IL S D L = − = − × = ×− 12 2 10 10 1 103 3 Ω ou RL =1 kΩ Cálculo do valor da potência do resistor limitador RL: ■ como a tensão do LED é de 2 V e temos 12 V na fonte, os res- tantes 10 V ficarão sobre o resistor GaAs, logo, a tensão VRL é de: V V V VRL F D= − = − =12 2 10 , assim, se V VRL =10 , e circula por ele uma corrente de 10 mA , de acordo com a equação da potência, fica: P V I= . Onde: P PRL= = ? I IL= = × − 10 10 A = 10 mA3 Adaptando a equação da potência, fica: P V IRL RL L= = × × −. = mW10 10 10 1003 Resultado: O resistor, para atender ao LED especificado, deve ser de 1 k x 100 mWW . Comercialmente, este resistor será comercializado em potência de 1 8 0 125 125/ , W W mW=( ), o que atende à potência para o caso dado. Os demais componentes abordados por esta unidade dependem direta- mente dos diodos para existir e funcionar. Utilizam a mesma teoria de funcionamento dos diodos agregados a situações e associações que pro- duzem componentes com a capacidade de controle e armazenamento de dados que os processos industriais modernos solicitam. V VRL= = 10 V Introdução à Eletrônica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 189 Transístores Os transístores se dividem em famílias as quais, nesta unidade, abordaremos apenas as mais frequentes: transístor bipolar e transístor MOSFET. Este com- ponente nasceu com o propósito de amplificar sinais de tensão e corrente e pode ser utilizado hoje por inúmeras aplicações, desde o simples acendimento de uma lâmpada controlada remotamente até a fabricação de poderosos microprocessa- dores que utilizam milhões de transístores em seus projetos. Transistor bipolar O transístor bipolar é um dispositivo com duas junções, como se fossem dois diodos associados, mas com algumas peculiaridades, conforme a Figura 18. Observe que no transístor bipolar há a presença das estruturas: Símbolos dos transitores bipolares Circuito de polarização de um transitor NPN PNP C B E C B E NPN n coletor p base n emissor Fonte de Tensão variável Fonte de Tensão da carga RL Rb i e i b i c Figura 18 - Polarização de um transístor bipolar Fonte: o autor. ■ Base. ■ Coletor. ■ Emissor. ELETRÔNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E190 Existe uma junção entre a base e o emissor (BE) e uma outra junção entre a base e o coletor (BC). A base é onde inserimos o sinal de controle para o transístor. É um sinal de baixa intensidade que será amplificado no coletor e terá como caminho final o emissor que assume a soma das correntes, pois, de acordo com a Equação 10, fica: i i ie c b= + Equação 10 Onde: ie é a corrente no emissor, ic é a corrente que circula pelo coletor e ib é a corrente que circula pela base do transístor. O ganho de corrente de coletor “ bcc ” na configuração emissor comum é dado por Sedra e Smith (2012): bcc c b i i º Equação 11 Da Equação 11, podemos deduzir que a corrente de base ( ib ) pode ser obtida por: i i b c cc º b Equação 12 Assim, a corrente do coletor depende da corrente da base e do ganho fixado em projeto. Normalmente, ao analisar a folha de dados de um transistor (datasheet), podemos selecionar um valor de ganho que esteja dentro da faixa de operação deste componente, estabelecendo-se uma reta de carga, e daí dimensionar a cor- rente na base para produzir, como efeito disso, a corrente desejada no coletor, respeitando sempre os limites operacionais do componente. Normalmente, os transístores bipolares são oferecidos como NPN e PNP, tendo as mesmas características, porém, com polaridades opostas, sendo úteis em aplicações onde há a necessidade de cada modelo. De acordo com a necessidade, as indústrias de transístores fabricam os compo- nentes com características voltadas a alguma tendência do mercado, por exemplo, Introdução à Eletrônica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 191 modelos que se aplicam a circuitos de transmissores de rádio têm características de fabricação específicas para esta aplicação, e aqueles aplicados em comutação de correntes elevadas em baixas frequências já atendem a outras necessidades e, por este motivo, há uma gama de modelos e de encapsulamentos que suportam diferentes valores de potência e dissipação de calor. A Figura 19 mostra alguns modelos de encapsulamentos utilizados na fabricação de transístores. Uma grande parte do uso dos transís- tores se resume a controlar a potência sobre determinada carga utilizando, para isso, um pequeno sinal, ou seja, com um sinal de apenas alguns mili- volts mV( ) é possível produzir ações de grandes potências, como o volume de áudio de uma caixa de som que recebe o sinal de um instrumento musical com poucos milivolts e com baixa potência o qual, ao passar pelo estágio de amplificação, produz um som que pode ser ouvido a centenas de metros. Além disso, os transístores podem ser utilizados no projeto de circuitos inte- grados onde assumem funções específicas de acordo com a necessidade, mas, para fins de entendimento de um Engenheiro de Produção, são assumidas duas áreas de atuação desse componente: ■ Amplificador. ■ Chave. Como amplificador, o transístor amplifica o sinal de entrada no circuito devi- damente polarizado para obter, como resultado, o sinal de entrada multiplicado por um ganho. Assim, um sinal de baixa intensidade pode acionar uma carga de grandes proporções, como acionar um alto-falante de grande potência, o enro- lamento de um transformador, um motor de passo etc. Figura 19 - Encapsulamentos de transístores ELETRÔNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E192 No caso de transístores atuando como chave, podemos fazer uma analogia com um interruptor que, ao receber um sinal de entrada, liga uma carga, e na ausência desse sinal, desliga a carga. Por exemplo, uma lâmpada cujo circuito com capacidade de pequeno sinal aciona, utilizando um transístor, pois a lâm- pada exige corrente acima da capacidade máxima do circuito de acionamento, e o transístor assume esta responsabilidade conduzindo a corrente da lâmpada pelos terminais coletor-emissor. A Figura 20 mostra dois exemplos de circuitos com transístores, sendo o da esquerda um amplificador de áudio, e o da direita, um circuito onde o transís- tor atua como chave. Transistor atuando como ampli�cador Transistor atuando como chave Fonte de sinal de baixa potência Circuito de acionamento R1 R3 R4 R2 R5 Lâmpada Transitor C4 C3 C1 Transistor Auto-falante Vcc Vcc Figura 20 - Modos de atuação do transistor: amplificador e chave Fonte: o autor. Na operação como chave, a corrente ib pode ser obtida, analisando a tensão do circuito de acionamento como sendo vi , a tensão da junção base-emissor ( vBE ) como sendo de 0 7, V para transístores de silício, e o resistor limitador de cor- rente na base Rb (na Figura 20 aparece como R5 ), conforme Equação 13: i v v Rb i BE b = − Equação 13 Exercício resolvido: ■ Calcule a corrente no coletor de um transistor de silício, onde a tensão de acionamento é de 5 0, V , o ganho bcc = 150 , e o resistor utili- zado para limitar a corrente na base é de 4 7, kW . Introdução à EletrônicaRe pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 193 Solução: ■ Cálculo da corrente na base ( ib ): i v v Rb i BE b = − = − × =5 0 7 4 7 10 0 91483 , , , mA ou ib ≈ A915 µ ■ Cálculo da corrente no coletor ( ic ): b bcc c b c cc b c c i i i i i i ≡ → = × → = × × = −150 915 10 137 25 6 , mA Os transístores bipolares controlam a corrente no coletor de acordo com a corrente aplicada na base, assim, é possível variar a intensidade luminosa da lâmpada da Figura 20 (ligada no coletor do transístor), variando a corrente na base pelo circuito de acionamento. Os transístores consistem na base dos principais dispositivos eletrônicos que utilizamos na atualidade e são os protagonistas do mundo de inovação que pode- mos utilizar em termos de dispositivos inteligentes e plataformas embarcadas. Sem esse dispositivo, não teríamos os computadores, celulares, injeção eletrô- nica nos veículos, nem sistemas automatizados que temos hoje. MOSFET O MOSFET (Metal Oxide Semiconductor Field Effect Transistor) é um transis- tor que atua diferentemente do transistor bipolar. Esta tecnologia baseia-se no campo elétrico formado no interior do componente para controlar a abertura e o fechamento de um canal, por onde flui, por sua vez, a corrente elétrica uti- lizada para acionar uma carga que pode ser a bobina de um transformador ou motor, um alto-falante, ou até mesmo resistências de aquecimento de um forno. Algumas vantagens substanciais dos MOSFETs é que esta tecnologia opera, dis- sipando muito menos calor do que os transístores bipolares, portanto, com maior eficiência aliada à velocidade de comutação, permitindo o controle com precisão em circuitos de resposta ultrarrápida, como em fontes chaveadas, por exemplo. ELETRÔNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E194 A desvantagem é que o MOSFET não apresenta a linearidade que os transís- tores bipolares possuem em sua arquitetura funcional, sendo, desta forma, útil para determinadas aplicações, enquanto os bipolares o são em outras. Esta unidade contemplará apenas o tipo de MOSFET mais comum, que é o tipo “enriquecimento”. Este componente conta com três terminais: Gate, Dreno e Source, conforme Figura 21: Canal N Canal P Figura 21 - MOSFETs e sua simbologia A estrutura dos MOSFETs é amplamente utilizada para a fabricação de circui- tos integrados dada as suas dimensões extremamente reduzidas que possibilitam a integração em elevada escala (VLSI – Very Large Scale Integration) em mais de 200 milhões de transístores em uma mesma pastilha de circuito integrado (SEDRA; SMITH, 2012). A Figura 22 apresenta a estrutura física do MOSFET e as suas características internas: Introdução à Eletrônica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 195 Figura 22 - Estrutura física do MOSFET em algumas configurações (ID.: 531373156) Observe na Figura 22 que há uma camada de S Oi 2 no topo de cada uma das configurações. Esta camada isolante é nada mais do que sílica (principal matéria prima para o vidro), que isola o terminal “Gate” ou “porta” do canal do MOSFET. O canal é por onde a corrente a qual se deseja controlar circulará (entre os ter- minais Dreno e Source). Quando se aplica potencial positivo, por exemplo, no Gate, ocorre uma rea- ção e uma atração (ou repulsão) dos portadores do canal, dependendo do tipo do MOSFET, se ele é de canal P (portadores majoritários positivos) ou se ele é de canal N (portadores majoritários negativos). Assim, um sinal pulsante no Gate pode ligar ou desligar várias vezes por segundo o fluxo de corrente no MOSFET e, assim, controlar uma carga ligada em seu Dreno. Figura 23 - Encapsulamentos de MOSFETs ELETRÔNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E196 Esta técnica é muito utilizada em fontes de alimentação chaveadas, as mes- mas utilizadas nos computadores, carregadores de baterias de celulares etc. Para essas aplicações, os encapsulamentos são parecidos com os já mostrados ante- riormente (Figura 23) para montagem em placa de circuito impresso com soldagem via furação ou SMD. Há, entretanto, aplicações onde os MOSFETs são solicitados em grande escala, para correntes de centenas de amperes. Nesses casos os encapsulamentos são diferentes e admitem montagem com cabos diretamente parafusados em seu gabinete Figura 24. Figura 24 - MOSFETs para altas correntes Assim como os MOSFETs, há também os IGBTs (IGBT - Insulated Gate Bipolar Transistor) ou Transístor Bipolar de Porta Isolada, que são uma junção da tecno- logia bipolar com o MOSFET, reunindo as características dos dois dispositivos. São amplamente utilizados em acionamentos elétricos e fazem parte dos circui- tos dos inversores de frequência. A isolação entre o Gate (porta) do IGBT e o canal formado pelo coletor-e- missor dele permite a atuação com a alta impedância de entrada de um MOSFET e com as características de acionamento de um transístor bipolar (Figura 25). Introdução à Eletrônica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 197 Além dos transístores, há dispositivos semicondutores que podem controlar a potência de outros dispositivos. São os tiristores, assunto das próximas seções. Tiristores Controlar a quantidade de potência que um dispositivo pode desenvolver (a tempe- ratura em um chuveiro, a velocidade do eixo de um motor, a corrente na saída de um transformador etc.) é desafiador e solicita o uso de componentes especiais que per- mitam o controle do fluxo de corrente a partir de sinais de entrada. Alguns tipos de semicondutores permitem o controle sobre a corrente a partir de pulsos que são inse- ridos em um terminal específico: são os conhecidos tiristores, largamente utilizados em equipamentos que incluem o controle de potência em seus projetos, como chu- veiros eletrônicos, acionamento de motores de indução com velocidade variável etc. O nosso estudo dos tiristores abordará os mais comuns tipos: ■ SCR. ■ TRIAC. Na Figura 26, podemos observar a simbologia para os tiristores, além de um semicondutor utilizado para o disparo denominado DIAC. Figura 26 - Tiristores G = Gate C = Coletor E = Emissor C G E Figura 25 - Símbolo do IGBT Fonte: o autor ELETRÔNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E198 Os tiristores são utilizados quando há a necessidade de controle de potência em frequências que normalmente tangem os 60 Hz , o que limita a sua aplicação em grandes dimensões, pois com tal velocidade, os elementos magnéticos geral- mente são de grande porte e pesados (transformadores), como no caso de fontes de alimentação tiristorizadas comparadas com fontes chaveadas. Nas fontes chaveadmas, a frequência interna chega a operar em faixas de 400 kHz ou mais e, por este motivo, os elementos magnéticos são menores e mais leves, enquanto que nas fontes lineares a diferença de peso (massa) pode ser da ordem de 10 vezes, ou seja, uma fonte linear de 2 kW pode pesar em torno de 50 kg com as dimensões de um refrigerador, enquanto uma fonte chaveada da mesma potência pesa em torno de 5 kg e apresenta as dimensões aproxima- das de um livro de 600 páginas. Nas instalações elétricas, os tiristores foram muito utilizados em circuitos de acionamento de iluminação com temporização (minuterias) e controle de veloci- dade para motores monofásicos (ventiladores de teto) (Figura 27), além de atuar nos estágios de saída das chaves estáticas das soft-starters. Figura 27 - Tiristores: encapsulamentos e utilização prática Circuitos integrados Uma maneira de minimizar o tamanhodos circuitos utilizados nos equipamentos eletrônicos foi encapsulá-los em um único invólucro com terminais que possam acessar o seu conteúdo interno. Esta ideia utilizando os semicondutores, espe- cialmente o silício, permitiu que muitos circuitos pudessem ser miniaturizados em micrômetros e encapsulados em invólucros padronizados no mercado, con- forme exemplo dado na Figura 28. Introdução à Eletrônica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 199 Observe na Figura 28 que o encapsu- lamento é grande para que possa ser manipulado com facilidade. Na ver- dade, o circuito está na parte quadrada, inserida na janela de vidro do compo- nente, que representa menos de 10% do tamanho total do encapsulamento. Os terminais metálicos interligam a sensível pastilha de semicondutor ao mundo externo, permitindo que o componente seja inserido em uma placa de circuito interno onde exer- cerá as suas funções. Há muitos tipos diferentes de encapsulamentos disponíveis para circuitos integrados e um mesmo tipo de encapsulamento pode atender a diversos mode- los de circuitos integrados diferentes, que podem ser famílias lógicas em alto nível de integração, tecnologias C-MOS, TTL, circuitos osciladores, memórias, amplificadores operacionais, circuitos dedicados, microcontroladores, transcei- vers etc. (Figura 29). Figura 29 - Encapsulamentos de circuitos integrados e aplicação e placa de circuito impresso O grande boom dos circuitos integrados se deu na década de 70 (embora já havia sido desenvolvidos alguns projetos na década de 60), onde os primeiros micro- processadores já delineavam o caminho dos primeiros computadores pessoais que revolucionariam a vida das pessoas em todo o mundo com inovações irre- versíveis. Graças aos circuitos integrados podemos ter smartphones, tablets, computadores etc. Figura 28 - Circuito integrado de uma memória EPROM (826408) ELETRÔNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E200 Sem o desenvolvimento dos circuitos integrados, um computador pessoal talvez nunca pudesse ser construído dado as dimensões gigantescas e o desco- munal consumo de energia elétrica, como o computador ENIAC que, em 1946, consumia 160 kW de potência. Atualmente, a miniaturização é do nível de nanômetros e a integração de transistores e demais componentes em um circuito integrado é tão grande que funções de um computador podem ser concentradas em um único componente capaz de realizar tarefas automáticas e milhares de cálculos por segundo, como no caso dos microcontroladores e microprocessadores que temos em nossos smartphones modernos. Não podemos deixar de citar os maiores responsáveis pelo desenvolvimento das tecnologias que temos na atualidade em termos de circuitos integrados pro- gramáveis, o Z80 , o mais imponente microprocessador entre as décadas de 70 e 80, o qual inspirou a maioria dos demais microprocessadores modernos que até hoje utilizam a sua arquitetura em seu núcleo. A Figura 30 mostra um exemplo do microprocessador em encapsulamento DIP. Figura 30 - Microprocessador Z80 (ID.: 1040827732) Nas próximas seções, serão apresentados exemplos de circuitos eletrônicos onde são aplicados alguns dos componentes já mencionados nesta unidade. Introdução à Eletrônica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 201 OS CIRCUITOS ELETRÔNICOS Nesta seção, serão apresentados exemplos de circuitos de fontes de alimentação onde são aplicados componentes eletrônicos para ilustrar o seu uso em aplica- ções fundamentais da Eletrônica. Fontes de alimentação As fontes de alimentação são os circuitos essenciais para o funcionamento da maioria dos dispositivos da atualidade. Seus circuitos são constituídos por eta- pas de conversão da corrente alternada, variando geralmente entre 100 e 240 V para corrente contínua em níveis de tensão aceitáveis pelos circuitos integrados e demais elementos. Neste livro, reconhecemos as fontes de alimentação linea- res e chaveadas. Fonte de alimentação linear As fontes de alimentação lineares são aquelas que convertem a tensão alternada da rede elétrica da concessionária em níveis de tensão contínua com o uso de transformador de entrada, onde ocorre a isolação entre a tensão de entrada e a tensão de saída. O uso do transformador de entrada agrega robustez, mas ocupa grandes proporções e peso no projeto da fonte. As fontes lineares normalmente possuem alguns estágios entre a rede elé- trica e a carga, sendo (Figura 31): Figura 31 - Diagrama de blocos de uma fonte de alimentação linear regulada Fonte: o autor. ■ Proteção: é onde ocorre a proteção contra curto-circuito e descarga atmos- férica (em casos especiais) e é constituído de fusíveis e varistores. ■ Transformação: é onde normalmente ocorre o rebaixamento da tensão alternada. Pode ter mais de um estágio, onde uma ou mais tensões são deri- vadas. O estágio de transformação apresenta o transformador monofásico ELETRÔNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E202 que isola a tensão da rede dos demais circuitos. ■ Retifi cação: é o estágio onde a tensão alternada passa a ser contínua. Normalmente é composta de diodos retifi cadores. ■ Filtro: é responsável por linearizar o sinal pulsante resultante do estágio de retifi cação e utiliza capacitores para realizar esta tarefa (normalmente eletrolíticos). ■ Regulação: este estágio mantém a tensão de saída constante e regulada para que haja estabilidade no valor da tensão nominal mesmo que a tensão de entrada sofra variações. Este estágio é composto por circuitos integra- dos, reguladores de tensão ou diodos zener, de acordo com a necessidade. A Figura 32 apresenta uma fonte de alimentação com três tensões de saída, sendo uma saída simples (tensões reguladas por U3) e as demais simétricas, pois apre- senta potencial positivo e negativo com referência comum (tensões reguladas por U1 e U2).por U1 e U2). Figura 32 - Exemplo de f onte de alimentação linear regulada Fonte: o autor. Fonte de alimentação chaveada Este tipo de fonte de alimentação não apresenta isolação da rede elétrica por meio de um transformador (conforme na fonte linear) e atua com comutação em alta Introdução à Eletrônica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 203 frequência (acima de 50 kHz , podendo chegar a 500 kHz ou mais) para converter a tensão de entrada em valores de saída de acordo com a necessidade. As fontes de alimentação chaveadas são utilizadas na maioria dos equipamentos atuais, como computadores, monitores, carregadores de baterias, televisores, CLPs etc. O fato deste equipamento utilizar comutação em alta frequência promove propagação de distorção harmônica (radiada e conduzida) em componentes de frequências, as quais podem interferir no funcionamento de equipamentos pró- ximos. Para minimizar esta interferência eletromagnética, são implementados filtros nos circuitos dessas fontes, deste modo, a maioria das fontes chaveadas é organizada nos moldes do diagrama de blocos da Figura 33. REDE ELÉTRICA Proteção Filtro Comutação em alta frequência Reti�cação Reti�cação, �ltro e regulação SAÍDA PARA CARGA Filtro de Emi Figura 33 - Diagrama de blocos de uma fonte chaveada típica Fonte: o autor. Os estágios de proteção, retificação e filtro são semelhantes aos utilizados nas fontes lineares, já os demais são compostos de: ■ Filtro e EMI (Electromagnetic Interference): este estágio é responsável por filtrar os ruídos de entrada e de saída da fonte para que esta não emita dis- torção aos demais equipamentos e para que não sofra influência destes. ■ Comutaçãoem alta frequência: este estágio é composto de circuito de con- trole de comutação em alta frequência, que consiste em manter a tensão da saída constante, mesmo com variação de carga na saída (dentro dos limites do projeto) e mantém controle sobre os níveis de corrente a fim de proteger a integridade dos componentes por meio de estratégias em alta frequência, como o PWM (Pulse Width Modulation). ■ Regulação e filtro: neste estágio, o sinal de corrente contínua pulsante é filtrado e regulado, além de ser filtrado para que as componentes de alta frequência não sejam transferidas para a carga. A Figura 34 mostra um exemplo de diagrama eletrônico de uma fonte de ali- mentação chaveada com topologia de conversor flyback. ELETRÔNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E204 Figura 34 - Conversor Flyback: presente na maioria dos dispositivos eletrônicos modernos Fonte: adaptado de (Power Integrations inc, 1997 p. 6). O conversor flyback é uma topologia de fonte chaveada que se aplica, muito frequentemente, na maioria dos equipamentos eletrônicos modernos, como computadores, monitores, televisores, carregadores de baterias para celulares e demais dispositivo móveis etc. devido às dimensões reduzidas, ao baixo custo e à densidade de potência, o que atende às necessidades da maioria dos circuitos eletrônicos, atualmente, fabricados para uso doméstico e industrial. No exemplo da Figura 34, foi utilizado um modelo de circuito integrado muito comum na fabricação de fontes chaveadas, o TOP221, que apresenta uma ampla família de controladores PWM para conversores flyback. Entretanto, há outros aplicados também a outras topologias, as quais serão estudadas mais tarde neste livro. + - USD735 1N3613 820pF 100pF 470pF 1N3613 1N 36 13 UC3842 VCC ISOLATION BOUNDARY DC OUT 4700µF 0.01µF 0.01µF 0.01µF 0.0047µF 400V220µF250V AC INPUT 16V 4.7k 150k 10k 4.7 673.3 4W 56k 3.6k 20k 1W 1W 10µF 10V 20V (6V 2-5A) T1 NOTES T1: Coilcraft E-4140-B Primary - 97 turns single AWG24 Secondary - 1 tums 4 parallel AWG22 control - 9 tums -3 parallel AWG28 0.85 20k 2.5k 1k UFN432 2 6 7 5GND 3 27 1 8 4 OUT V COMP FB CUR SENVREF V /CR T Os conversores flyback compõem praticamente todos os equipamentos ele- trônicos que utilizamos. Estão cada vez menores e com maior capacidade graças ao desenvolvimento de novos materiais para a fabricação de compo- nentes que operam em frequências cada vez maiores e, consequentemente, com dimensões reduzidas. Fonte: o autor. Introdução à Eletrônica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 205 Além das fontes de alimentação, será apresentado um circuito utilizado quando há a necessidade de condução de corrente em dois sentidos (não simultâneos), uma ponte H. Este circuito é empregado no acionamento de um motor de cor- rente contínua de um robô e utilizado para deslocar este para frente (corrente em um sentido) ou para trás (corrente no sentido inverso). Outro exemplo é o acionamento de uma pastilha de efeito Peltier para promover o aquecimento ou o resfriamento de uma superfície. A Figura 35 mostra o circuito da referida ponte H, que recebe, nos termi- nais denominados “carga”, a conexão do motor ou da pastilha de efeito Peltier. R5 R2 CI1 CI3 GND_CTRL MOC3102 1 2 3 6 5 4 270R R2 CND_CTRL GND_CTRL CND_CTRLMOC3102 1 2 3 6 5 4 1 2 3 6 5 4 1 2 3 6 5 4 270R R7 R10 10k R20 10k 270R R17 270R 10k R1 10k R11 10k R6 CI2 MOC8102 CI4 MOC8102 10k R16 10k C1 PWM_DIREITA PWM_ESQUERDA H DIREITA H ESQUERDA 100UF R5 10k C3 100UF C2 100uF Q1 12V_PWR 12V_PWR_ON GND_PWR 12V_PWR 12V_PWR 12V_PWR R3R3 R13 12R R8 12R 12R BC337 Q4BC337 Q7 BC337 Q9 IRLZ44N Q2 BC327 Q5 BC327 Q8 BC327 R1410k R4 10k R9 10k R18 12R Q10 BC337 Q11 BC327 R19 10k CN4 CARGA' CARGA” 1 2 1 2 CN5 Q3 D5 D6 D7 D8 C6 1n 1n C7R27 150k R28 150k C8 1n 1n C9R29 150k R30 150k A A A A BY V2 7- 60 0 BY V2 7- 60 0 BY V2 7- 60 0 BY V2 7- 60 0 k k k k IRLZ44N Q6 IRLZ44N Q12 IRLZ44N C4 100UF CARGA Figura 35 - Ponte H – estágio de potência: acionamento em quatro quadrantes Fonte: o autor. Na próxima seção, será abordada a eletrônica digital e as suas principais carac- terísticas para o entendimento de um Engenheiro de Produção. Quando precisamos empregar um motor de corrente contínua para acionar um eixo com potência constante, é necessário manipular as suas corrente e tensão de maneira rápida, sem que este perca potência. Assim, a PWM se aplica e permite controle sobre a velocidade e o torque do motor utilizado ou a temperatura na pastilha de efeito Peltier. Fonte: o autor. ELETRÔNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E206 ELETRÔNICA DIGITAL Quando capturamos uma imagem com a câmera de um smartphone e a arma- zenamos em sua memória, registramos um momento para a visualização futura. Assim, uma nuvem que estava no céu no instante em que fotografamos o pôr do sol agora não está mais lá, enquanto em nosso dispositivo móvel podemos des- frutar da beleza gravada na memória por tempo indeterminado. Essa foto pode parecer bem colorida e com alta definição, mas acredite, não passa de um arranjo de bits. Isto mesmo, zeros e uns (000 e 111s) armazenados em um componente eletrônico quase invisível. É difícil de acreditar, não é mesmo? A eletrônica digital evoluiu significativamente nos últimos anos e propor- cionou tecnologias que facilitam a vida das pessoas e a solução de problemas de maneira automática em tarefas que antes dependiam da intervenção humana, tarefas essas que hoje podem ser programadas e automatizadas por software embarcado. Essa revolução aconteceu nas últimas décadas e mudou a vida das pessoas. Bem-vindo(a) ao mundo digital! O mundo onde a lógica prevalece e os dispo- sitivos funcionam com base na tomada de decisões de programas embarcados, como no aparelho de ar-condicionado ou no sistema de injeção eletrônica dos carros modernos que simplesmente estabilizam as variáveis (temperatura e ace- leração do motor, respectivamente) sem a necessidade de intervenção humana. SINAIS DIGITAIS Os sinais digitais, ou sinais discretos, são definidos em apenas dois níveis, ou seja, podem assumir apenas dois valores distintos, ou 0 ou 1 (Figura 36). Em outras palavras, um sinal digital permite que possamos prever qual será o valor a ser assumido no tempo, sendo ligado ou desligado, não havendo valores inter- mediários possíveis. Eletrônica Digital Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 207 desligado ligadoNível lógico t (ms) 1 0 Figura 36 - Exemplo de sinal digital: apenas dois níveis possíveis Fonte: o autor. Este tipo de sinal é utilizado largamente em computadores, telecomunica- ções, memórias, dados armazenados em pendrives ou cartões de memória etc. Certamente, a maior parte do que se produz em termos de informações atu- almente é digital por meio de imagens, textos, números e demais formas de expressão que utilizamos. A ideia por trás de um sistema digital é bastante complexa, embora pareça simples, dadas as características limitadas do sinal, as suas apli- cações vêm evoluindo desde o grande advento de seu uso em meados da década de 70, onde a maioria dos principais componentes foi de fato uti- lizada em sistemas comerciais, tais como calculadoras, computadores pessoais, videogames etc. Diversas famílias de componentes que atuam com eletrônica digital são desenvolvidos desde então e, atualmente, o mercado oferece soluções micro- controladas cada vez mais poderosas em termos de recursos embarcados em módulos minúsculosque podem controlar processos complexos, dada a sua capacidade de interação com software, pois em termos de hardware, sabemos que os processadores só processam dados digitais (considerando as operações da ULA), logo, um microcontrolador que atua diretamente com seu firmware (código embarcado no microcontrolador) possui maior interação com os pro- gramas se comparado a circuitos não-digitais. ELETRÔNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E208 SISTEMA DE NUMERAÇÃO BINÁRIO E A LÓGICA BOOLEANA Os sistemas de numeração surgiram para permitir a manipulação de dados por parte de sistemas digitais e, ao longo do tempo, foram desenvolvidos sistemas diferentes de acordo com as estruturas existentes em termos de hardware e sof- tware. Como exemplo, podemos citar o sistema decimal, que é aquele ao qual estamos acostumados e que permite a expressão de números 0, 1, 2,... ... 9, 10, 11,... ...20, ...30,... ... 100, ...200, ... etc. O sistema binário permite apenas 0 ou 1 que, atualmente, é o sistema mais utilizado em eletrônica digital. Já os sistemas octal e hexadecimal são sistemas de numeração que utilizam sequências diferenciadas, sendo de 0 até 7 8 =( )octal e de 0 até F F =( )15 . O sistema octal possui 8 dígitos, sendo 1 2 3 4 5 6, , , , , e 7 . É utilizado em computadores digitais e apresenta a seguinte estrutura dada no Quadro 3 (TOCCI; WIDMER, 2003): 84 83 82 81 80 8 1- 8 2- 8 3- 8 4- 8 5- Quadro 3 - sistema de numeração octal Fonte: adaptado de Tocci e Widmer (2003). A equivalência entre os sistemas binário e octal pode ser dada da seguinte maneira (Quadro 4): Dígito octal 0 1 2 3 4 5 6 7 Equivalente binário 000 001 010 011 100 101 110 111 Quadro 4 - Equivalência entre sistema octal e binário Fonte: adaptado de Tocci e Widmer (2003). O sistema hexadecimal também é muito utilizado em computação e opera com 16 caracteres, sendo: 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 A B C D E, , , , , , , , , , , , , , e F , onde a equivalência dos valores é dada conforme o Quadro 5: Eletrônica Digital Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 209 Quadro 5 - Equivalência entre os sistemas de numeração decimal, hexadecimal e binário HEXADECIMAL DECIMAL BINÁRIO 0 0 0000 1 1 0001 2 2 0010 3 3 0011 4 4 0100 5 5 0101 6 6 0110 7 7 0111 8 8 1000 9 9 1001 A 10 1010 B 11 1011 C 12 1100 D 13 1101 E 14 1110 F 15 1111 Fonte: adaptado de Tocci e Widmer (2003). Os sistemas de numeração são amplamente utilizados em computação em termos de processamento de dados e dimensionamentos de sistemas digitais. Entretanto, a conversão entre as unidades não faz parte desse livro e o aluno de Engenharia de Produção pode realizar, utilizando-se de uma calculadora científica comum, que normalmente inclui esse recurso. ELETRÔNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E210 CIRCUITOS DIGITAIS COMBINACIONAIS E SEQUENCIAIS Na eletrônica digital há termos para descrever classes diferentes de lógicas, sendo elas a lógica combinacional e a sequencial. A lógica combinacional é aquela que reserva as “combinações” entre níveis lógicos e, normalmente, produz resultados baseados neste critério. Assim, temos à disposição elementos denominados de “portas lógicas” que atuam com as operações básicas: NÃO ou NOT (negação), E ou AND (multiplicação) e OU ou OR (soma). Assim, quando são combinados dados em uma porta lógica E entre “zeros” e “uns” (0s e 1s), sabemos que o resultado será sempre 0, pois qualquer valor multiplicado por 0 é igual a 0, já a lógica OU soma os valores aplicados em sua entrada, e a lógica NÃO inverte o valor de entrada para o valor de saída, ou seja, se entrar 1, sai 0, e se entrar 0, sai 1. A combinação das três portas (NÃO, E e OU) permite a construção das demais portas existentes. A Figura 37 mostra os símbolos para algumas das prin- cipais portas lógicas disponíveis. Para atuar em lógica combinacional, onde o resultado de uma expressão lógica depende do estado das entradas, sem levar em consideração parâmetros variáveis, como tempo e contagem, por exemplo, as portas da Figura 37 atendem plenamente à solução da maioria dos problemas, entretanto, quando há contagem de eventos, temporização e demais variá- veis que sofrem alterações, existe a lógica sequencial, que atende a estes casos com soluções específicas. Na lógica sequencial, os eventos ocor- rem de acordo com pulsos que podem ser oriundos de um oscilador com base de tempo estabelecida (clock) e combina também sinais de bloqueio (reset) que podem definir o fim de uma contagem ou temporização. Figura 37 - Portas lógicas Eletrônica Digital Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 211 Os recursos utilizados para transmitir dados entre dispositivos, como entre a memória e o processador, ou mesmo entre a memória e o mostrador (display) de um dispositivo que exibe um vídeo ou foto depende da gestão complexa dos dados, o que exige tecnologia adequada, por exemplo: flip-flops, latches, multi- plexadores, registradores de deslocamento etc. Quando um sistema de controle digital precisa realizar uma tarefa, o pro- cessador deve armazenar o estado anterior da tarefa que estava sendo executada para que, quando finalizar a tarefa atual, ele possa saber onde retornar e conti- nuar o ciclo lógico. Desta maneira, há a necessidade de não apenas combinar estados, mas analisar sequências e estabelecer prioridades com base em variá- veis que podem representar limites de tempo, contagem ou condições impostas do sistema, como o estouro de um contador, por exemplo. Os flip-flops são estruturas capazes de armazenar o estado lógico de um bit, sendo, desta forma, útil para a construção de algumas tecnologias de memórias utilizadas até mesmo em computadores pessoais, e justamente é esta a grande diferença existente entre a lógica combinacional e a sequencial: a capacidade de armazenar o estado lógico anterior por grande ou indeterminado intervalo de tempo, mais conhecido como memória, e os flip-flops são, sem dúvida, os prin- cipais elementos desse componente indispensável à existência de computadores ou de dispositivos computacionais da atualidade (TOCCI; WIDMER, 2003). C C CD D SD 1SD 1RD 1Q 1CP 1D 1Q CP C C C Q Q QD CP FF SD RD Q C C C (b) (a) C C 1 3 2 5 6 4 Figura 38 - Flip-Flop: (a) diagrama funcional e (b) diagrama lógico Fonte: Nexperia B. V. (2017, p. 20). ELETRÔNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E212 Há uma infinidade de recursos, componentes, circuitos e aplicações que fazem uso da eletrônica digital, o que a torna muito abrangente, mas no que tange ao entendimento de um estudante de Engenharia de Produção, este material se reserva a apontar as principais características para fins de esclarecimento básico sobre o assunto. ELETRÔNICA ANALÓGICA A eletrônica analógica talvez seja a mais antiga das eletrônicas. Esta área do conhecimento já teve o seu início antes mesmo do surgimento dos semicondu- tores, já com os circuitos concebidos a partir do uso de válvulas termiônicas que são amplamente utilizadas até hoje na fabricação de amplificadores de áudio, devido à sua capacidade de reproduzir com fidelidade os sons que a maioria dos dispositivos semicondutores poderiam distorcer, dadas às suas características de funcionamento. A Figura 39 mostra alguns exemplos de válvulas termiônicas. Os receptores de rádio e amplificadores são exemplos de uso massivo de válvulas que, ao longo de décadas, faziam parte de seus circuitos. No entanto, atualmente, o uso de válvulaseletrônicas restringe-se à algumas aplicações espe- ciais, pois as suas características de fragilidade, tensão de trabalho, rendimento etc. não se comparam ao nível de sofisticação que os semicondutores chegaram, mesmo para aplicações em áudio e sinais de pequena amplitude. A Figura 40 apresenta o aspecto visual de um amplificador de áudio dos anos 50. Era deste tipo de equipamento que os músicos dispunham, na época, para amplificar o som de seus instrumentos musicais. As câmeras digitais normalmente utilizam memórias de acesso rápido para permitir o armazenamento da imagem obtida com a máxima velocidade pos- sível, necessário ao registro de eventos onde a parte fotografada realiza mo- vimento. Fonte: o autor. Eletrônica Analógica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 213 Atualmente, os modernos smartphones possuem sistemas de som embarcado, com amplificador e recursos ultrassensí- veis que podem reproduzir músicas com qualidade extraordinária dentro de um equipamento que, por sua vez, cabe den- tro do bolso e possui ainda a capacidade de armazenar um acervo musical gigan- tesco, dependendo apenas do tamanho de sua memória. Há também exemplos de microdis- positivos com funções inteligentes, por exemplo, pronunciar o nome da música e do artista ou o nível atual de carga da bateria (sem ter que olhar para um mos- trador). A Figura 41 mostra um exemplo de MP3 player que pode armazenar deze- nas senão centenas de músicas em sua memória, com 29 mm x 31,6 mm, pesando 12,5 gramas, aproximadamente (APPLE, 2017, on-line)2. Figura 40 - Amplificador valvulado de 195 Figura 39 - Válvulas termiônicas ELETRÔNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E214 Podemos notar que, com o avanço das tecno- logias, o tamanho dos dispositivos diminuiu e este fato permitiu o surgimento de uma nova eletrônica. Para entender melhor sobre essa tec- nologia, serão abordados assuntos que destacam as suas principais características. SINAIS ANALÓGICOS Um sinal analógico descreve o comporta- mento natural de uma variável, tal como ela se manifesta, aumentando ou diminuindo a sua intensidade na mesma velocidade, trans- mitindo a noção de sua dinâmica. Em outras palavras, considere um altímetro analógico utilizado no painel de instrumentos de uma aeronave (Figura 42). Este instrumento permite a noção da alti- tude que a aeronave desenvolve durante o voo. Uma alteração na elevação ou na queda de alti- tude é rapidamente detectada e exibida pelo instrumento que, então, manifesta tal grandeza por meio do giro dos seus ponteiros, que é tão rápido quanto a variação de altitude. Esta noção é necessária para o piloto controlar a aeronave sem a total dependência de instrumentos digi- tais os quais, em caso de pane elétrica, podem não mais funcionar, enquanto que na maioria dos instrumentos analógicos, não há depen- dência da eletricidade para funcionar. Figura 41 - MP3 player: armazenamento e reprodução de áudio customizado Figura 42 - Altímetro de um helicóptero Eletrônica Analógica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 215 Este mesmo exemplo pode se esten- der a um velocímetro analógico de um carro que, por meio de um pon- teiro, pode informar ao condutor a velocidade, e a sua modulação per- mite entender o quão rápido o veículo assumiu a nova velocidade em caso de aceleração ou desaceleração. Esta característica é importante quando precisamos observar um fenômeno natural que possui comportamento variável em determinado intervalo de tempo, podendo assumir qualquer valor dentro de limites finitos, porém sem uma definição. Um exemplo de sinal analógico é a temperatura de um ambiente, que pode variar entre um valor mínimo e um valor máximo, mas pode assumir qualquer valor dentro desses intervalos, conforme mostrado na Figura 43. Perceba que não há como prever exatamente o valor que a temperatura assumirá, no entanto, sabemos quais são seus limites. Normalmente, quando tra- tamos de sinais analógicos, nos referimos a sinais provenientes de sensores, os quais realizam a medição de variáveis que possuem este comportamento, como a intensidade luminosa, a vazão, a temperatura, a pressão, o nível etc. Como seria a reação de um piloto de avião se o altímetro fosse apenas digi- tal e o tempo com que o instrumento exibe a altitude é mais lento do que a variação desta? Seria possível realizar uma manobra evasiva em caso de variação brusca? Figura 43 - Gráfico de um termômetro: registro do comportamento analógico da variável ELETRÔNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E216 Para processar os sinais analógicos, podemos realizar o seu registro, con- forme mostrado na Figura 43, onde os dados estão confinados a uma página de papel ou podemos digitalizar o sinal por meio de conversores analógico-digitais. Estes convertem o sinal analógico em um arranjo de bits que pode ser armaze- nado na memória para registro. Algumas entidades são resistes ao uso de registradores de variáveis digitais pelo fato de permitirem adulteração, portanto, para manter o registro de tempe- ratura de uma câmara fria em um abatedouro ou laticínio, é comum o uso de um registrador de temperatura eletromecânico e um digital para manter o registro da variável no formato impresso e digital, respectivamente, a fim de comprova- ções futuras em caso de problemas com lotes de produto. É comum associarmos o termo analógico com o comportamento de uma vari- ável natural, por exemplo, a temperatura. Assim, o sensor que realiza a medição dessa variável produz um sinal que é análogo ao comportamento da variação tér- mica, portanto, analógico. Deste modo, os sinais que sofrem variações no tempo sem valor definido possuem características que os classificam como analógicos. Os sinais, de maneira geral, podem ser alternados ou contínuos. Um sinal contínuo é aquele que se propaga no mesmo quadrante, por exem- plo, dado um sinal que percorre o quadrante positivo, se este não alternar para o quadrante negativo, se a sua variação for sempre positiva (amplitude igual ou maior do que 0), não houve alternância de quadrantes, assim, é classificado como um sinal contínuo, conforme Figura 44 (a). Um sinal alternado é aquele que transita do quadrante positivo para o nega- tivo, e por essa transição ou alternância entre o semiciclo positivo e o negativo, classifica-se por sinal alternado, conforme Figura 44 (b). Sinal contínuo Sinal alternado Sinal analógico Sinal analógico Alternância Sem alternância Quadrante positivo Quadrante negativo Quadrante positivo Quadrante negativo t (ms)t (ms) (b)(a) U (V) U (V) Figura 44 - Tipos de sinais: (a) sinal contínuo e (b) sinal alternado Fonte: o autor. Eletrônica Analógica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 217 Exemplos de sinais contínuos são as pilhas e baterias, e os sinais alternados são típicos da rede elétrica da concessionária, sinais de áudio etc. Há diversas análises que podem ser feitas em termos de sinais, classifican- do-os como periódicos, determinísticos etc. que não serão abordados por este livro (HSU, 1995). Na próxima seção, serão apresentados alguns circuitos de eletrônica analógica para fins de entendimento básico sobre o assunto. CIRCUITOS E APLICAÇÕES DE ELETRÔNICA ANALÓGICA Os circuitos de eletrônica analógica seguem os conceitos já citados, anterior- mente, referindo-se a sinais que podem assumir qualquer valor no tempo dentro de seus limites mínimo e máximo. Por exemplo, podemos observar com frequên- cia circuitos desse tipo nos amplificadores de áudio utilizadospara instrumentos musicais nos receptores de rádio mais elaborados e também nos antigos (atual- mente, há receptores integrados). Quando precisamos amplificar o sinal de um sensor utilizado para medir uma variável, devemos entender os limites de operação deste sensor, por exem- plo, um sensor de temperatura que opera entre os limites de − °55 C até 150 °C . Esta variação, conhecida como SPAN ou alcance, é a diferença entre o valor máximo e o valor mínimo que um sensor pode medir de uma variável. No caso do exemplo, o SPAN é: Os dataloggers, ou registradores digitais de dados, são os dispositivos capa- zes de registrar o valor de variáveis ao longo do tempo e armazená-los na memória para fins de consulta futura. Fonte: o autor. ELETRÔNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E218 Considerando que o sensor incrementa um sinal de 10 mV C/ ° (10 milivolts por grau Celsius) (TEXAS INSTRUMENTS, 2017), quando a temperatura for de− °55 C , o sinal oriundo do sensor será de 0 V , e quando a temperatura atingir 150 °C, o valor máximo da tensão na saída do sensor (UMÁX) será de 2 05, V , pois: UMÁX = ⋅205 10 2 05ºC mV = V, Assim, esquematicamente, fica: Faixa de Temperatura 150°C T(°C) 102,5°C -55°C Faixa de Temperatura 2,05V U(V) 1,025V 0V Figura 45 - Relação entre a variável temperatura e o sinal do sensor Fonte: o autor. Como os controladores industriais operam com sinais padronizados entre 0 e 5 V (microcontrolador) ou 0 a 10 V CLP( ), um sinal variando entre 0 e 2 05, V não atende exatamente ao padrão e deve ser condicionado, assim, um circuito ampli- ficador deve ser utilizado para amplificar o sinal de modo que este, ao variar de 0 e 2 05, V , forneça uma variação de acordo com o padrão do controlador. Para amplificar sinais, existem diversos circuitos amplificadores operacionais de precisão oferecidos pelo mercado e que são muito utilizados pelos fabricantes de instrumentos e equipamentos industriais modernos nos circuitos de condicio- namento analógico, como é o caso dos modelos INA115, OPA187, INA1620, etc. Na sequência, será apresentado um exemplo de circuito de condiciona- mento de sinais para exemplificar o uso de circuitos de eletrônica analógica em SPAN = =150 55 205C (- C- ) Eletrônica Analógica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 219 aplicações industriais. Circuito de condicionamento de sinais para sistemas de medição baseados na reflexão difusa do infravermelho próximo O circuito da Figura 46 mostra um exemplo de condicionamento de sinais para o sistema de medição baseado na reflexão difusa do infravermelho próximo, onde na etapa de conversão de corrente em tensão é inserido o sinal do sensor que, posteriormente, passa por amplificação (GENTILIN et al., 2016). Figura 46 - Circuito de condicionamento de sinal Fonte: Gentilin et al. (2016, p. 20). Na Figura 47, observamos um estágio responsável pelo ajuste do sinal em ter- mos de ganho e desvio (offset) e o estágio de detecção de pico, onde o sinal é capturado pelo microcontrolador e digitalizado. Vo˝ 50 kΩ 2 kΩ 100 kΩ POT3 OP07E POT34 R14 CI4 V STAB BP_OUT Figura 47 - Estágios de ajustes e detecção de pico do sinal Fonte: Gentilin (2012, p. 26). Os circuitos apresentados pela Figura 46 e pela Figura 47 são exemplos de ele- trônica analógica, atuando no condicionamento de sinais. Circuitos como estes ELETRÔNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E220 são comuns em instrumentos de medição em todas as áreas. Há, entretanto, uma infinidade de circuitos de eletrônica analógica, desses podemos citar os circuitos ressonantes ou de sintonia, frequentemente, utili- zados nos equipamentos de rádio. Atualmente, em dispositivos móveis, como aparelhos de celular, por exemplo, é comum encontrar circuitos de sintonia de rádio FM. A Figura 48 mostra um exemplo de circuito de rádio FM fabricado para atender ao projeto de dispositivos móveis. GAIN STABILIZATION RESAMP LIMITER POWER SUPPLY SOFT MUTE MPX DECODER LEVEL ADC IF CENTER FREQUENCY ADJUST TUNING SYSTEM AGC vco ÷2 N1 IF COUNT MUX SW PORT XTAIL OSCILLATOR DEMOD I/Q-MIXER 1st FM TEA5767HN 1 D1 D2 L3 L2 40 39 28 37 36 35 2 3 4 5 FM antenna 100pF 27pF 27pF 4.7 nF 22 nF 22 nF 22 nF 33 nF33 nF47 nF47 nF47 nF rightMPXOUT left 1 nF 22 nF 22 nF 10 nF 39 nF 18 kΩ n.c n.c n.c n.c n.c 4.7 kΩ 34 33 32 31 30 29 28 27 26 25 24 23 22 20 21 19 18 17 16 15 14 13 12 11 1098 DA CL MSD860 BUS enable 32.768 kHz or 13 MHz BUS mode R/W 76 22 µF 120 nH vcc vcc Iref vcc(osc) 12 kΩ 33 kΩ 10 kΩ 10 kΩ 10 kΩ 47 kΩ 100 kΩ vDD Prog. div. out pilot mono Ref. div. out I²C-BUS 3-WIRE BUS SDS Figura 48 - Circuito de sintonia integrado TEA5767/68 Fonte: Philips Semiconductors (2002, p. 2). Não podemos deixar de citar que, quando nos conectamos a uma rede sem fio (Wi-Fi) ou trocamos dados entre dispositivos utilizando o Bluetooth, estamos Eletrônica Analógica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 221 utilizando “rádios” que enviam e recebem dados sem a necessidade de condu- tores metálicos. A sua relevância, embora microscópica dada a miniaturização atual, é de extrema grandeza e aplicabilidade. A Figura 49 apresenta um diagrama funcional de um componente eletrônico microcontrolador com a capacidade de se comunicar por meio da tecnologia Wi-Fi. Figura 49 - Diagrama funcional do microcontrolador com capacidade de comunicação Wi-Fi Fonte: Espressif Systems (2018, p. 6). Devemos reconhecer também a utilização de uma tecnologia que avança a cada dia em aplicações e usos no Brasil, seja no controle de acesso ou na logística Como seria a vida das pessoas contemporâneas se simplesmente não hou- vesse mais comunicação sem fio entre dispositivos? Quais as adaptações seriam necessárias para continuar a se comunicar sem o uso de tecnologias wireless? ELETRÔNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E222 dentro de empresas, ou mesmo no campo. A tecnologia que permite a identifi- cação de um objeto ou indivíduo sem contato e com dados substanciais é o RFID (Radio-Frequency Identification, do inglês “identificação por rádio frequên- cia”), e utiliza circuitos de eletrônica analógica para operar, permitindo o acesso de pessoas ou animais, identificação de produtos em linhas de produção auto- maticamente, acesso de veículos por cancelas em vias públicas etc. (Figura 50). Figura 50 - Controle de acesso de veículo com RFID (ID.:1023250240) A tecnologia RFID utiliza um equipamento que emite campo magnético no espaço e uma etiqueta ou TAG com dados gravados na memória. Quando a eti- queta entra no espaço de alcance do campo magnético do leitor, o próprio campo pode induzir a uma tensão capaz de alimentar o circuito contido na etiqueta e, Eletrônica Analógica Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 223 desta forma, esta envia os seus dados, que são interpretados pelo leitor. Os dados podem ser customizados e conter informações importantes sobre o indivíduo ou apenas um código único que, ao ser reconhecido, é associado ao usuário ou ao produto, assim, um TAG pode ser utilizado para identificar pes- soas, objetos, animais, veículos etc. A Figura 51 mostra alguns exemplos de uso da tecnologia RFID, onde em (a) podemos observar um rebanho de ovelhas sendo monitorado por um drone equi- pado com leitor RFID, enquanto que em (b), são mostrados TAGs normalmente utilizados para o controle de acesso a ambientes restritos, em (c), observamosum exemplo de utilização do RFID em controle de estoque de vestuário. (a) (b) (c) Figura 51 - Exemplos de utilização de RFID Sem dúvida, há diversas aplicações onde a eletrônica pode contribuir para um processo produtivo, e a cada dia surgem novas formas de melhorar o modo com que conduzimos uma manufatura, entretanto, os limites deste material se reser- vam a expor uma introdução que permite ao aluno de Engenharia de Produção explorar demais áreas dentro da Eletrônica de acordo com a sua área de atuação. ELETRÔNICA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. IVU N I D A D E224 CONSIDERAÇÕES FINAIS Na Unidade 4 deste livro, abordamos a Eletrônica em sua essência nos pontos relativos à sua aplicação de maneira geral e ampla dentro do cenário onde um Engenheiro de Produção atua, além de contemplar os conceitos básico que este profissional deve dominar para atuar em relação a essa tecnologia que evolui diariamente. Alguns itens mais pontuais, como os componentes eletrônicos mais comuns, as limitações e características, permitiram entender a influência de variáveis sobre o seu funcionamento, inclusive exemplos de cálculo que permitem esti- mar parâmetros funcionais relevantes sob o ponto de vista de aplicabilidade de determinados componentes, como no caso dos resistores, onde a temperatura pode influenciar em seu valor ôhmico e a influência da frequência sobre o valor da reatância. Todos estes aspectos foram abordados no sentido informativo intro- dutório, para que o estudante de Engenharia de Produção possa ter parâmetros em suas decisões quando se deparar com a Eletrônica. Além do aspecto geral da Eletrônica, foram apresentados estudos direcio- nados a duas vertentes dela: a eletrônica digital e a eletrônica analógica. Nestes capítulos, foram abordados assuntos de relevância que permitem o entendimento de cada área e as suas aplicações, norteando o uso de tecnologias e limitações importantes que podem definir o desempenho de um processo, pois o entendi- mento e a diferenciação entre as diferentes tecnologias são necessários quando a tomada de decisões requer conhecimento tecnológicos que possam auxiliar na solução de problemas. Alguns circuitos de eletrônica analógica e digital foram exemplifi- cados nessa unidade apenas para que o estudante tenha uma leitura básica dos principais componentes utilizados, de modo a promover a interface entre seu uso e o tipo de alimentação elétrica, além de demais fatores limi- tantes específicos de cada caso. Esta diversidade nos permite entender que a Eletrônica é um campo de dimensões praticamente infinitas, onde teremos a oportunidade de estender os nossos estudos na próxima unidade, onde algumas aplicações serão abordadas no aspecto industrial da Eletrônica. 225 1. Os resistores são componentes capazes de oferecer uma imposição à circula- ção de corrente elétrica e o valor de sua resistência pode variar de acordo com a temperatura. Conforme os seus conhecimentos sobre resistores, assinale a alternativa correta: a) O parâmetro que determina a estabilidade térmica de um resistor é o TCR, e é medido em Ω− °1 / C , pois a sua função é informar o quanto um resistor é capaz de conduzir eletricidade com a variação de temperatura. b) Há diferentes tipos de encapsulamentos de resistores no mercado, sendo que para cada tipo há valores de resistência distintos que não ocorrem em outros grupos de encapsulamentos. c) O parâmetro que determina a estabilidade térmica de um resistor é o TCR, e é medido em ppm C/ ° . d) Os resistores de níquel cromo são mais estáveis que os resistores de tecno- logia Z-Foil. e) Os resistores utilizam códigos de cores para determinar o seu valor de re- sistência, e uma faixa define o TCR que, normalmente, é a 2ª faixa em um resistor de quatro faixas. 2. Os capacitores são componentes fundamentais para a elaboração de circuitos eletrônicos, desde os mais simples até os mais complexos. Com base nos tipos funcionamento dos capacitores, assinale a alternativa correta: a) Os capacitores são utilizados em circuitos de tempo e a sua capacitância depende da área de suas placas e da distância entre elas, além de uma cons- tante dielétrica definida pelo material de sua composição. b) Em um capacitor, a área de suas placas é inversamente proporcional à sua capacitância. c) Um capacitor eletrolítico não permite polarização, logo, pode ser associado em qualquer posição no circuito. d) A constante dielétrica do Titanato de Bário é dez vezes menor do que a da poliamida. e) A reatância capacitiva é diretamente proporcional ao valor da capacitância e ao produto do quadrado da frequência. 3. O diodo é um dos semicondutores mais utilizados em circuitos eletrônicos, o que possibilita a fabricação de dispositivos inteligentes integrados. Em relação aos diodos semicondutores, assinale a alternativa correta: a) O LED é um tipo de diodo que pode ser associado inversamente polarizado para emitir luz. 226 b) O diodo Schottky não possui camada de depleção e, por isto, ele se adequa a condições especiais de alta velocidade. c) O diodo varicap não se aplica a circuitos de sintonia, pois o seu efeito capaci- tivo poderia atrasar o sinal e não poderia operar em altas frequências. d) A cor emitida pelo LED depende apenas da frequência do sinal aplicado em seus terminais. e) A corrente que circula por um LED é inversamente proporcional à tensão aplicada para a sua alimentação. 4. Analise afigura a seguir, onde uma lâmpada é acionada, a partir de um transís- tor bipolar. De acordo com o conhecimento de transístores bipolares, assinale a alternativa correta: a) A corrente circula pelo coletor independe da corrente da base. b) Este transístor é de efeito de campo. c) A lâmpada brilhará mais se a tensão da fonte de tensão variável for menor. d) A corrente do emissor é igual a diferença entre a corrente na base e a cor- rente no coletor. e) O ganho de corrente no coletor depende da corrente da base, assim, quanto maior a corrente na base, maior o brilho da lâmpada. 227 5. Os MOSFETs são aplicados em diversos tipos de equipamentos onde há a ne- cessidade de comutação de cargas indutivas em altas velocidades e possuem uma variação que reúne a tecnologia bipolar ao efeito de campo, que produz o IGBT. Baseando-se nesta afirmação, assinale a alternativa correta: a) Os MOSFETs não permitem montagem em placas de circuito impresso, limi- tando-se apenas a aplicações onde cabos devem acessar os seus terminais. b) Os IGBTs são conhecidos por não possuírem isolação entre a sua porta (Gate) e o canal (coletor-emissor), assim, eles podem ser utilizados em inversores de frequência e alto desempenho. c) Os amplificadores de áudio não podem utilizar transístores, pois isto distor- ceria a qualidade de reprodução de som e, assim, utilizam apenas circuitos integrados. d) Nos MOSFETs existe uma camada de vidro que isola o Gate do canal do tran- sístor, permitindo, assim, que a corrente seja controlada entre o dreno e o source. e) Os circuitos integrados não utilizam transístores em sua composição, pois esta tecnologia é muito lenta e aqueceria em demasia os encapsulamentos. 6. As aplicações de eletrônica digital e analógica permitem inúmeras possibili- dades, desde o projeto de simples fontes de alimentação até a elaboração de complexos computadores. Com base nos conhecimentos adquiridos nessa unidade, assinale a alternativa correta: a) As fontes de alimentação lineares são mais robustas do que as fontes comu- tadas ou chaveadas, pois contam com transformador de entrada, simplifi- cando o projeto, mas encarecendo a sua fabricação e aumentando significa- tivamente o seu peso se comparadas às fontes chaveadas. b) Os sinais analógicos são aqueles que representam as variáveis mais antigas, aquelas que só podemos medir com o uso de um ponteiro e de uma escala graduada e possuem valores definidos no domínio do tempo. c) A eletrônica digital é totalmenteindependente da eletrônica analógica, po- dendo ser utilizada para resolver os mesmos problemas de maneira singular. d) O RFID é um recurso que foi desenvolvido em 1992 pela Texas Instruments e aplica-se na identificação de itens com TAGs personalizados. e) Um sinal alternado é todo sinal que oscila, mesmo sem inverter o seu sinal, ou seja, de positivo para negativo e de negativo para positivo. 228 DISPOSITIVOS DE CARBONETO DE SILÍCIO NA ELETRÔNICA DE POTÊNCIA: UMA REVISÃO O silício é a matéria-prima mais utilizada no desenvolvimento de semicondutores. A pe- rícia no manejo deste material, adquirida em anos de trabalho e pesquisa no mundo inteiro, permite criar e melhorar processos de purificação, de crescimento de cristais, de gravura, de deposição de camadas, etc. Isto, somado ao fato da extrema abundância do silício, faz deste material a base do mercado eletrônico mundial. No entanto, os limites físicos do silício têm aberto as portas para o estudo de um grupo de novos elementos e compostos, chamados de semicondutores de banda larga (WBS, wide band semiconductors). Alguns dos mais conhecidos WBS são: o Carboneto de Silício (Silcon Carbide – SiC), o nitreto de gálio (Gallium Nitride – GaN) e o diamante. Estes elementos e compostos têm melhor rendimento em relação ao manuseio de tensão e potência, à redução de perdas, ao incremento da velocidade de comutação, etc. Estas melhoras são baseadas no fato que os semicondutores de banda larga têm uma menor concentração de portadores intrínsecos (4-37 vezes), maior campo elétrico de ruptura (7-20 vezes), maior conduti- vidade térmica (3-13 vezes) e maior velocidade de deriva de elétrons saturados (2-2,7 vezes) do que o silício (Elasser & Chow, 2002). O Carboneto de Silício (SiC) apresenta mais de 150 politipos. O 4H-SiC e o 6H-SiC são os dois polítipos que maior atenção tem recebido e, portanto, que tem mais dispositivos desenvolvidos a nível comercial (Chow, 2000). De acordo com diferentes figuras do mérito, o SiC supera, em rendimento, a outros ma- teriais de banda larga, como o Arseneto de Gálio (GaAs), além do Si (Elasser & Chow, 2002). Mesmo com todas suas vantagens, nem todos seus politipos são práticos. Embora o 3C-SiC seja muito promissor, as dificuldades para obter um crescimento crista- lino de qualidade relegaram-no de modo ostensivo (Gupta & Jacob, 2005). Comparando o 4H-SiC e o 6H-SiC, destaca-se que o primeiro oferece uma mobilidade de elétrons várias vezes maior ao longo do eixo c, uma baixa energia de ionização para os dopantes (Elasser & Chow, 2002), e maior energia de gap Eg, o que favorece uma menor fuga de corrente em altas temperaturas. 229 Com relação ao Si, o SiC tem o dobro da velocidade de saturação, permitindo maior manejo de corrente e largura de banda (Agarwal et al., 1996). Embora o SiC tenha ren- dimentos elevados, em comparação com o Silício, ainda existem sérias dificuldades em seu processamento, tais como o controle preciso do gradiente de temperatura no interior do sistema de crescimento para formar lingotes ou a necessidade de fazer a dopagem, usando técnicas como implantação de íons em vez de utilizar processos con- vencionais, devido às baixas constantes de difusão de impurezas do SiC (Kimoto, 2010). No entanto, o problema que gerou o maior atraso na massificação deste composto foi o defeito de microtubagem (micropipe defect), que produz um furo de pequeno diâme- tro que pode se estender por todo o material, na direção do crescimento, levando isto a uma falha do dispositivo em alta tensão (Palmour, Singh, Glass, Kordina, & Carter, C. H., 1997). Porém, em 2007, já foi possível obter pequenas microtubagens de somente 0 75 2, cm- ou mesmo densidades de microtubagens zero para pastilhas de três pole- gadas (Millán, 2007). Outra desvantagem do SiC são os deslocamentos, que abrangem: deslocamento de pa- rafuso com uma densidade de10 23 cm- , deslocamento de plano basal com uma den- sidade de algumas dezenas por cm-2 , e deslocamento de borda com densidade de 100 1000 2- - cm (Hudgins, 2013). Em 2012, a indústria CREE resolveu muitos destes problemas e anunciou que está em capacidade de produzir pastilhas de 150mm de 4H-SiC com elevados padrões de qua- lidade (Balakrishna, 2012). Nos últimos anos, essas melhorias no processo de produção aumentaram notavelmente a quantidade de aplicações comerciais, não sendo estranho encontrar comercialmente diodos de barreira Schottky de 1 2, kV a 50A ou DMOSFET de 1 2, kV a100 A . Em termos gerais, o aumento de tensão de bloqueio para todos os dispositivos com WBS é considerável, pois a tensão de bloqueio mínima dos dispositivos em SiC é quase a tensão de bloqueio máxima dos dispositivos em Si. Isto faz o SiC ser extremamente atraente para o desenvolvimento de produtos destinados a aplicações de alta potência. Fonte: adaptado de Bueno e Silva (2014). MATERIAL COMPLEMENTAR Microeletrônica (5ª edição) Pearson Prentice Hall Autores: Kenneth C. Smith e Adel S. Sedra Sinopse: o livro tem como objetivo desenvolver no leitor a capacidade de analisar e projetar circuitos eletrônicos analógicos e digitais tanto na forma discreta como integrada. Além disso, embora trate das aplicações de circuitos integrados (CIs), dá ênfase ao projeto de circuitos transistorizados para que o conhecimento que está contido no âmbito interno de um CI possibilite aplicações inteligentes e inovadoras de tais componentes. Comentário: referência obrigatória para o estudo da Eletrônica. O Instituto Newton C. Braga traz em seu site várias novidades sobre o universo da Eletrônica. Web: <http://www.newtoncbraga. com.br/>. Assista ao documentário A Descoberta do Transístor: Um Documentário de 1953. Ele foi produzido após a criação do transístor nos laboratórios da Bell, alguns anos antes do anúncio do prêmio Nobel de Física. Web: <https://youtu.be/-4Qdp8ws5c4>. Neste link, há o vídeo chamado A História do Transístor. Ele mostra como o transístor é considerado por muitos uma das maiores descobertas ou invenções da história moderna, tornando possível a revolução dos computadores e equipamentos eletrônicos. Web: <https://youtu.be/Xsv03w9YJqI>. O link a seguir narra o processo de criação do processador. Web: <https://youtu.be/ znlQZ_KMu_0>. 007 - Operação Skyfall (2012) Sinopse: o roubo de um HD contendo informações valiosas sobre a identidade de diversos agentes infi ltrados em células terroristas espalhadas ao redor do planeta, faz com que James Bond (Daniel Craig) vá atrás do ladrão. REFERÊNCIAS BOYLESTAD, R. L. Introdução à análise de circuitos. 10. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2004. BUENO, D. A. A.; SILVA, E. R. C. Dispositivos de Carboneto de Silício na Eletrônica de Potência: Uma Revisão. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE AUTOMÁTICA. 20., 2014, Belo Horizonte. Anais... Belo Horizonte: UFMG, 2014. ESPRESSIF SYSTEMS. ESP8266EX Datasheet. [S.l.], [s.d.]: 2016. Disponível em: <ht- tps://www.espressif.com/sites/default/files/documentation/0a-esp8266ex_da- tasheet_en.pdf>. Acesso em: 21 dez. 2018. FRANCHI, C. M. Acionamentos Elétricos. São Paulo: Érica, 2007. GENTILIN, F. A. Condicionamento de sinais para sistemas de medição baseados na reflexão difusa do infravermelho próximo. 2012. Dissertação (Mestrado em Engenharia Elétrica) - Centro de Tecnologia e Urbanismo, Programa de Pós-Gradua- ção em Engenharia Elétrica, Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2012. GENTILIN, F. A. et al. Development and testing of a hardware platform for measuring instruments based on near-infrared diffuse reflection. Measurement, v. 86, p. 14-25, may 2016. HSU, H. P. Signals and Systems. New York: Schaum, 1995. MALVINO, A. P. Eletrônica. v. 1. São Paulo: Makron Books, 1995. MITZNER, K. Complete PCB Design Using OrCad Capture and Layout. Oxford: Newnes, 2007. NEXPERIA B. V. 74HC74; 74HCT74 Dual D-type flip-flop with set and reset; positive edge-trigger. [S.l.]: Nexperia B. V. Product Data Sheet. 03 dec. 2015. Disponível em: <https://assets.nexperia.com/documents/data-sheet/74HC_HCT74.pdf>.Acesso em: 21 dez. 2018. PHILIPS SEMICONDUCTORS. Current-mode PWM controller - Product specifica- tion. Sunnyvale: Philips Semiconductors, 1994. ______. TEA5768 single-chip FM stereo radio. [S.l.]: Philips Semicondutors. Product Data Sheet. 2002. Disponível em: <http://pdf.datasheetcatalog.com/datasheet/ philips/TEA5768.pdf>. Acesso em: 21 dez. 2018. Power Integrations inc. “TOP221-227-TOPSwitch-II Family Three-terminal Off-line PWM Switch.” TOP221-227. eletrônica. Power Integrations inc. Sunnyvale, CA, Cali- fornia, 1997. SEDRA, A. S.; SMITH, K. C. Microeletrônica. 5. ed. São Paulo: Pearson, 2012. 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Alternativa B. 4. Alternativa E. 5. Alternativa D. 6. Alternativa A. GABARITO U N ID A D E V Professor Me. Fábio Augusto Gentilin ELETRÔNICA APLICADA Objetivos de Aprendizagem ■ Entender as principais aplicações da eletrônica na indústria e como ocorre a interação entre eletrônica analógica e eletrônica digital. ■ Compreender as principais aplicações de eletrônica de potência na indústria. ■ Apresentar os conceitos fundamentais de instrumentação industrial. Plano de Estudo A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade: ■ Eletrônica aplicada ■ Eletrônica de potência ■ Instrumentação industrial INTRODUÇÃO Caro(a) estudante, nesta unidade, estudaremos as principais aplicações da Eletrônica em ambiente industrial e que se destacam em aplicações onde um Engenheiro de Produção pode contribuir com seus conhecimentos. Inicialmente, esta unidade abordará a eletrônica e as suas aplicações de maneira ampla e, na sequência, entenderemos como as eletrônicas digital e ana- lógica podem contribuir juntas para a melhor produtividade de um processo, além de conhecer o essencial sobre eletrônica de potência e instrumentação. Com esses conhecimentos, o estudante poderá entender como utilizar a estru- tura de uma empresa em termos de recursos tecnológicos e promover melhorias tanto no aspecto mantenedor como no de projeto sustentável. Ao longo de cada assunto serão trabalhados exercícios que têm como objetivo fixar os principais conceitos necessários ao entendimento e fomentar a pesquisa por parte de cada estudante, o que deve ocorrer de acordo com sua área de atua- ção na indústria, uma vez que diferentes regiões podem apresentar orientações de mercado específicas. A eletrônica aplicada abordada, nesta unidade, tem como objetivo apresentar algumas situações onde ocorre a sintonia entre a eletrônica digital e a analógica de modo complementar, de acordo com as características de cada tecnologia. Já na eletrônica de potência, o estudante terá a oportunidade de aprender sobre con- versores chaveados em alta frequência sob a ótica de um Engenheiro de Produção. Quando estendemos a eletrônica ao ambiente industrial, encontramos a ele- trônica industrial, que se apresenta como o último assunto abordado por esta unidade e que engloba as aplicações desta tecnologia na fabricação de equipa- mentos complexos, cuja capacidade é controlar máquinas e processos com base no uso de recursos de hardware e software embarcados em plataformas eletrô- nicas de potência. Esperamos que você, estudante, tenha a melhor experiência em termos de tecnologia aplicada de Eletrônica na indústria e que a sua curiosidade permita avançar nas literaturas indicadas para sempre crescer profissionalmente em uma área em plena evolução. Ótimos estudos! Introdução Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 237 ELETRÔNICA APLICADA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E238 ELETRÔNICA APLICADA Nesta seção, estudaremos algumas aplicações de Eletrônica que são referenciais para o estudante de Engenharia de Produção e que permitem analisar a siner- gia entre as tecnologias analógica e digital, de modo a examinar as interações e os benefícios de seu uso. APLICAÇÕES DE ELETRÔNICA ANALÓGICA E DIGITAL Ao longo de nossos estudos, tivemos a oportunidade de conhecer algumas tecno- logias envolvendo a Eletrônica em termos de componentes e até alguns exemplos de circuitos. Nesta unidade, conceituaremos algumas aplicações de eletrônica analógica e digital combinadas para que o estudante de Engenharia de Produção possa entender a importância da sinergia entre essas duas áreas tão importan- tes, dividindo os principais conceitos em três partes: ■ Aplicações de instrumentação eletrônica. ■ Aplicações de controle. ■ Aplicações de comunicação de dados. Eletrônica Aplicada Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 239 Aplicações de instrumentação A instrumentação é a área da eletrônica aplicada responsável pelo desenvolvimento de instrumentos que permitem a medição de variáveis por meio de elementos sensíveis eletroeletrônicos, como sensores multivariáveis (nível, vazão, tempe- ratura, pressão, umidade etc.). Os instrumentos eletrônicos são capazes de realizar a conversão da variação do sinal proveniente do elemento sensível para um sinal elétrico padronizado em níveis de tensão capazes de serem interpretados por um controlador, como no exemplo visto na unidade anterior, onde um sensor de temperatura varia o seu sinal de saída em . 10 mV. a cada grau Celsius. Este sinal, até então analógico, é condicionado e posterior- mente entregue ao controlador microprocessado, que é digital, possibilitando, assim, a sua interação com plataformas de software, tão frequentes atualmente em nosso meio. Para que um CLP possa processar os dados analógico de um processo indus- trial, este precisa de placas de circuitos capazes de converter os sinais dos sensores de campo (analógicos) para sinais digitais, interpretáveis pelo microcontrolador da CPU para posterior disponibilização a base de dados da empresa onde com- putadores e servidores podem acessar, registrar e processar os valores de acordo com a necessidade (Figura 1). Sinal analógico Sinal digital Sinal digital Sinal digital Sinal analógico CPU Cartão de entradas analógicas Servidores Estação de trabalho SENSOR Circuito decondicionamento Interface de comunicação Microprocessador Conversor analógico/ digital padrão elétrico barramento de dados ba rr am en to d e da do sProcesso industrial sinal condicionado Figura 1 - Conversão de dados analógicos em digitais Fonte: o autor. ELETRÔNICA APLICADA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E240 Observe que o sinal analógico oriundo do sensor passa por uma conversão analó- gico-digital para que possa ser interpretado pelo circuito digital microprocessado na CPU, e, então, ser processado e encaminhado via interface de comunicação para servidores e computadores de estações de trabalho. Ao longo do processo de conversão edos processamento dos sinais, os cir- cuitos analógicos e digitais operam em parceria, de modo a complementar as necessidades da arquitetura de um controlador que permite a integração de dados de natureza analógica em tecnologias digitais, como é o caso dos compu- tadores e redes de dados. Em específico, podemos citar que as aplicações em instrumentação normal- mente possuem dois aspectos: um aspecto relativo às características da variável a ser mensurada e outro aspecto que se relaciona à digitalização (processo de converter o valor da variável analógica em um dado digital). Muitos estudantes, neste momento, podem se perguntar: “Por que digitalizar?”. A resposta é simples: não podemos operar com dados analógicos em computadores, pois os micropro- cessadores só realizam processamentos digitais e, assim, precisamos converter as variáveis analógicas em digitais para viabilizar este processo. A conversão de dados analógicos em digitais é realizada por circuitos que recebem o sinal condicionado na entrada e produzem um dado número de bits na saída e que pode ser maior ou menor de acordo com a resolução do circuito conversor analógico-digital (ADC). Assim, quanto maior o número de bits de um ADC, maior será a definição do sinal de entrada em bits na saída, ou seja, mais bits de resolução significa traduzir o sinal de entrada analógico em sinal de saída digital com mais detalhes. Uma analogia bastante tangível para este caso é o que fazemos quando desejamos medir uma dada distância entre os pontos A e B, utilizando uma régua simples. O que ocorre é que a menor distância medida pela régua é 1 0 1 0 10 3, , . mm m−( ) , sendo assim, entre 1 0, mm e outro não sabemos exata- mente qual é o valor da distância, caso a medida esteja intermediária entre dois traços de 1 0, mm , que pode ser uma dimensão de uma peça mecânica, por exem- plo, e teremos a incerteza sobre esta medida. Para resolver esses casos existem os instrumentos de medição com maior resolução e que podem medir na ordem de m m 1 0 10 6, . −( )µ , como é o caso do instrumento conhecido como micrômetro. Eletrônica Aplicada Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 241 Na conversão de um sinal analógico para digital é a mesma situação. Se utiliza- mos um ADC de maior resolução, o sinal é mais detalhado, enquanto que em um sinal de baixa resolução temos grande incerteza sobre o valor mensurado, assim, podemos observar sensores que informam o valor com uma casa decimal e outro que informam 6 casas decimais à direita da vírgula (ou ponto), de acordo com a necessidade de cada caso e onde seja justificado o seu uso, já que quanto maior a resolução de um instrumento, maior é seu valor em termos de investimento. A Figura 2 (a) mostra um exemplo multímetro com mostrador de 3 12 dígitos, limitado a medições com poucas casas decimais, adequado para medir grandezas elétricas, onde não se exige alta precisão. Já na Figura 2 (b), pode- mos observar outro instrumento, mas com a capacidade de 7 12 dígitos em seu mostrador, indicado para atuar em laboratório de pesquisa com ajustes de circuitos de precisão. (a) (b) Figura 2 - Instrumentos de medição eletrônicos: (a) 3 ½ dígitos (ID.:1338588) e (b) 7 ½ dígitos Fonte: SMAR Automação Industrial (2014). Os circuitos de eletrônica analógica que se aplicam à instrumentação devem ser imunes a influências externas que classificamos como ruídos. Os ruídos são aqueles sinais indesejados que se misturam com o sinal de interesse. Por exem- plo: um sensor produz um sinal de 0 50 a mV , correspondendo à variação de pressão de 3 15 a psi para a etapa de condicionamento, porém, há ruídos que se misturam ao sinal e introduzem uma leitura incorreta da variável, fazendo com que o instrumento seja inconfiável. Os ruídos normalmente ocorrem na forma conduzida (por meio dos condutores de alimentação dos sensores) ou irradiada (por meio de ondas ele- tromagnéticas). Existem ainda ruídos que são produzidos no instante em que ocorre a condução de corrente no semicondutor. ELETRÔNICA APLICADA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E242 Uma característica que os sinais ruidosos apresentam é a frequência, que, normalmente, é diferente da frequência do sinal mensurado, e quando o sinal de ruído se mistura ao sinal de interesse, aquele passa a apresentar um sinal composto por várias componentes de frequência. A Figura 3 mostra dois sinais onde em (a) observamos o sinal de interesse somado ao sinal de ruído e em (b) observamos o sinal sem os componentes de sinais ruidosos de alta frequência. Figura 3 - (a) Exemplo de sinal com ruído e (b) sinal filtrado Fonte: o autor. O sinal de interesse (do sensor) possui frequência de 1 kHz e o sinal de ruído manifesta uma frequência de 40 kHz (aproximadamente). Com o uso de téc- nicas de filtragem de sinal, utilizando um filtro passa-baixa sintonizado em 1 100 kHz Hz± , apenas o componente de 1 kHz passa ao estágio seguinte, enquanto que o componente de 40 kHz é retido no filtro. É bastante comum encontrarmos problemas com ruídos quando existem equipamentos próximos ao instrumento que operam com chaveamento em altas frequências, como o caso de reatores eletrônicos, máquinas de solda, inversores de frequência, fontes chaveadas etc. Para evitar a influência dos sinais ruido- sos, são utilizadas técnicas de filtragem (para ruídos conduzidos) e blindagem (para ruídos irradiados), assim os equipamentos atendem a normas de compa- tibilidade eletromagnética, termo conhecido internacionalmente como EMC (Electromagnetic Compatibility). Eletrônica Aplicada Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 243 Para que um equipamento eletrônico possa ser comercializado no Brasil, ele deve atender às normas de compatibilidade eletromagnética. Um exemplo é a Anatel, que estabelece rigores para atendimento às normas aplicáveis a todo tipo de equipamento eletrônico que utilize meios de comunicação eletrônica, assim, um smartphone, por exemplo, deve apresentar um selo da Anatel, indicando que passou por testes e atende às normas estabelecidas, caso contrário, não poderia ser comercializado em território nacional. Em outros países existem outras normas vigentes de acordo com os rigores necessários e as características de cada região, sendo mais ou menos criteriosas, de acordo com a necessidade. Em todos os casos, os dispositivos eletrônicos, normalmente, são submetidos a testes em laboratório em um procedimento deno- minado homologação para atender às normas estabelecidas, conforme registro da Figura 4, onde um drone é submetido a testes de compatibilidade eletromag- nética a fim de atender às exigências normativas. A norma ABNT NBR IEC 61000-4-3:2014 estabelece definições e regras para Compatibilidade Eletromagnética (EMC): Ensaios e técnicas de medição - Ensaio de imunidade a campos eletromagnéticos de radiofrequências ir- radiados, elaborada pelo Comitê Brasileiro de Máquinas e Equipamentos Mecânicos (ABNT/CB-04). Fonte: adaptado de ABNT (2014). Imagine se não houvesse normas para regulamentar o uso de dispositivos que utilizam telecomunicações. Como seria possível que um telefone se co- municasse em meio a tantos tipos diferentes de meios de comunicação que se sobrepõem em frequência e em padrões elétricos? Certamente, um seria o ruído do outro e poucos conseguiriam completar uma simples chamada. ELETRÔNICA APLICADA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E244 Uma vez atendidas as normas e o equipamento apresentasse apto a operar em ambiente específico, sem que o seu funcionamento interfira no funcionamento dos demais ou sem que os demais possam influenciar no seu funcio-namento normal, o equipamento recebe um selo de atendimento à norma para a qual foi testado e aprovado, como o selo da Anatel, por exemplo. Aplicações de controle Na área de controle, a eletrônica analógica tem suas contribuições mais rele- vantes na elaboração de circuitos de controle de processos industriais e demais máquinas que exijam este recurso, como veículos automotores, aeronaves etc. Quando o assunto é controle, é comum ouvir profissionais da área se referi- rem às ações de controle (PID – Proporcional, Integral e Derivativo, por exemplo), mas os elementos de controle que realizam estas técnicas são, na maior parte dos casos, eletrônicos, ou seja, são circuitos que realizam o processamento de sinais de entrada e produzem um sinal de saída para que um elemento final de controle possa Figura 4 - Drone sendo submetido a testes de EMC em laboratório de homologação especializado Um Celular Legal apresenta o selo Anatel, que indica a certificação do apa- relho e garante ao consumidor a compatibilidade com as redes de telefonia celular brasileiras, a qualidade dos serviços e a segurança do consumidor, se- gundo os requisitos estabelecidos pela Anatel, além de condições de garantia e assistência técnica. O selo normalmente está localizado no corpo do apare- lho, atrás da bateria, ou no manual. Fonte: Anatel (2015, on-line)1. Eletrônica Aplicada Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 245 atuar, por exemplo, uma válvula que deve abrir ou fechar tão mais rápido ou lento quanto se deseja, de acordo com a dinâmica do processo e das ações de controle. Para controlar um processo industrial, é necessário que o circuito tenha a capacidade de comparar os valores das variáveis de entrada e de saída. Sendo assim, é possível estabelecer um sinal de erro ou de desvio entre o valor dese- jado (setpoint) e o valor atual (variável do processo). Há controladores analógicos baseados em amplificadores operacionais, que se tratam de circuitos integrados analógicos capazes de integrar sinais e realizar operações diversas, como amplificar um sinal de baixa intensidade, por exem- plo, e que associado a componentes externos, como resistores e capacitores, consiste em circuitos aplicáveis em controladores analógicos, conforme mos- trado no exemplo de um controlador PID da Figura 5: PROPORCIONAL DERIVATIVA INTEGRAL MV SP DV PV SENSOR REFERÊNCIA VCC VCC 27.0 VOUT Figura 5 - Controlador analógico PID Fonte: o autor. Observe no circuito da Figura 5 que o exemplo apresenta um controlador de temperatura, onde o sinal de saída (MV – Variável Manipulada) atua em um aquecedor, de acordo com a necessidade verificado pela diferença (DV) entre os sinais do sensor de temperatura (PV) e o sinal de referência (SP). É em fun- ção de DV que os estágios Proporcional, Integral e Derivativo (PID) vão atuar, tão rápido ou tão lento quanto se deseja e de acordo com os valores dos resisto- res e capacitores associados em suas malhas. ELETRÔNICA APLICADA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E246 Atualmente, a maioria dos controladores é baseada em microcontroladores, assim, possuem ajustes realizados por software, mas a ideia do uso de eletrônica analógica é bastante válida e aplicável onde o espaço físico é limitado e os ajus- tes realizados não necessitam de intervenção remota, além do custo envolvido no projeto, que se torna mais acessível quando o controlador é analógico (fator importante para a fabricação em grande escala). Aplicações de comunicação de dados Quando empunhamos os nossos smartphones ostensivamente com o intuito de acessar as últimas notícias do grupo de contatos ou das redes sociais, estamos fazendo uso da tecnologia que estamos estudando neste momento. Toda vez que acessamos um site, fazemos o download de um arquivo ou simplesmente enviamos uma mensagem para um colega, estamos operando um aplicativo específico que de nada serviria caso a eletrônica não existisse para permitir a sua interatividade. Neste exemplo, as eletrônicas analógica e digital estão juntas, tanto na troca de dados pelo meio eletromagnético (rede Wi-Fi, por exemplo) quanto no processamento e na digitalização dos dados de entrada e saída em seu dispositivo computacional. Quando uma estação de rádio é sintonizada e podemos ouvir a música que está sendo transmitida ou a fala enigmática do narrador da partida de futebol, Durante a Segunda Guerra Mundial, a decodificação da comunicação do exército inimigo se tornou um dos principais objetivos das tropas aliadas, permitindo salvar muitas vidas, uma vez que a posse da informação de pon- tos de ataque permitia a tomada de decisões estratégicas. Quais seriam as informações estratégicas de nosso tempo? Como decodifi- car dados que representam situações críticas no ambiente industrial com as tecnologias atuais? Eletrônica Aplicada Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 247 estamos utilizando a eletrônica analógica e podemos utilizar a eletrônica digital, pois há circuitos de receptores de FM que, atualmente, podem ser integrados em um chip de silício e (conforme vimos anteriormente), estão presentes em mui- tos modelos de smartphones modernos. Entretanto, ao ligar este rádio e variarmos as estações, estamos, na verdade, realizando a seleção da estação que desejamos ouvir. Este processo consiste em alterar o ponto de oscilação de um circuito que entra em ressonância com a frequência da estação que desejamos sintonizar e que, na verdade, a frequência nada mais é do que a portadora da estação. Esta portadora é uma onda que “transporta” os dados transmitidos, como a música, a fala etc., assim como mostrado na Figura 6. EMISSORA DE AUDIO RECEPTOR DE AUDIO PORTADORA Σ AMPLIFICADOR AMPLIFICADOR CIRCUITO DE SINTONIA AUDIO Modulador Antena Antena Processamento Digital de Sinais Σ Demodulador Processamento Digital de Sinais Figura 6 - Transmissão de sinal de rádio Fonte: o autor. A portadora é um sinal com comprimento de onda definida (geralmente é a frequência da rádio que sintonizamos), e os sinais de áudio a serem transmitidos, como a fala ou uma música, por exemplo, apresentam comportamento variável no tempo. No estágio do demodulador, os sinais (portadora e áudio) são reunidos em um só na forma de um sinal composto, que é amplificado a fim de ter potência suficiente para ser transmitido sem fios, por meio de uma antena no formato eletromagnético. Uma vez no espaço, o sinal composto (áudio e portadora) induz magneticamente nas antenas dos receptores próximos (dentro de um raio de distância finita) uma dife- rença de potencial que é, então, captada pelo circuito de sintonia. Este devidamente “filtra” a frequência sintonizada para que o demodulador realize a separação entre a portadora e o sinal de áudio, que é reforçado pelo amplificador para, desta forma, excitar o alto-falante, que reproduz o áudio originalmente transmitido. ELETRÔNICA APLICADA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E248 Em todos os estágios dados na Figura 6, podemos observar a presença ou da eletrônica analógica (circuito de sintonia, amplificador) ou da eletrônica digital (demodulador – processamento digital de sinais). Atualmente, as tecnologias de transmissão de dados são adeptas do uso das duas eletrônicas, formando-se uma apenas, mas com estágios distintos, de acordo com a sua dinâmica, podendo ser integrados em chips ou montados com componentes discretos, sempre servindo ao mesmo objetivo: permitir a comunicação entre dispositivos. Em receptores de rádio digitalizados, normalmente, encontrados em painéis de veículos automotores, é comum observar o circuito de sintonia e os estágiosde amplificação (estágio de potência) representados por circuitos analógicos, assim como o gerenciamento todo realizado por um ou mais microcontrolado- res, que permitem memorizar as estações preferidas, ajustar a equalização do som, exibir a estação em mostrador digital, informar o nome da estação ou da música a ser reproduzida, entre outros. A relação de uso das eletrônicas analógica e digital é praticamente infinita, observada em eletrodomésticos, equipamentos industriais e hospitalares, gad- gets etc. O entendimento esperado de um estudante de Engenharia de Produção, neste momento, é o fato de a união das tecnologias permitir o desenvolvimento de soluções mais completas e eficientes, maximizando a produtividade e a confiabi- lidade de sistemas analógicos, antes, sem indicadores de desempenho, possíveis, atualmente, graças a digitalização de processos. Os amplificadores operacionais integrados são componentes que surgiram com o intuito de atender a projetos de eletrônica analógica durante a déca- da de 60 e o seu avanço permitiu o desenvolvimento de diversas soluções que hoje atuam no interfaceamento de sinais analógicos para o mundo di- gital. Fonte: Júnior (2015). Eletrônica de Potência Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 249 ELETRÔNICA DE POTÊNCIA O estudo da eletrônica de potência é bastante amplo e remete a diversas áreas, desde a geração de energia elétrica e a conversão eletromecânica até elementos de conversores estáticos, muito comuns em fontes de alimentação chaveadas em alta frequência. Poderíamos estudar, continuamente, as características de componentes ele- trônicos ou circuitos, mas este não seria o objetivo deste livro, então, esta unidade se restringirá ao ramo da eletrônica de potência representado pelos conversores eletrônicos e as suas principais características. CONVERSORES Os conversores chaveados são processadores de potência que recebem na sua entrada determinada potência e a convertem em sua saída do modo mais eficiente possível, minimizando as perdas ao longo do processo e que ocorrem mesmo nos melhores projetos, pois há a dissipação de energia em forma de calor, as corren- tes parasitas, a resistência elétrica dos condutores etc. (Figura 7). ELETRÔNICA APLICADA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E250 CONVERSOR Potência de saída Potência de entrada Perdas de potência Figura 7 - Conversor de potência Fonte: o autor. A ideia que originou os conversores provém do princípio de Antoine Lavoisier com a sua máxima: “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. Sendo assim, não se cria energia, e sim, se converte um determinado potencial em outro por diferentes motivos, por exemplo: a necessidade de alimentar um circuito com 12 Vcc e o potencial disponível é 220 Vca , neste caso, um conversor rebaixador deve ser utilizado, já no caso onde a tensão da rede é de 127 Vca e precisarmos de um potencial de 415 Vcc , o conversor é elevador. Quando a tensão de entrada possui valor igual a tensão de saída, então se utiliza um conversor isolador. Existem conversores CC-CC (corrente contínua para corrente contínua), CC-CA (corrente contínua para corrente alternada), CA-CC (corrente alternada para corrente contínua) e CA-CA (corrente alternada para corrente alternada). A justificativa para cada tipo de conversor se dá de acordo com a necessi- dade. Por exemplo, para alimentar o microprocessador de seu computador, que opera em 3 3, Vcc a partir da tensão da rede da concessionária de127 Vca , é necessário utilizar um conversor CA-CC rebaixador isolado, pois além dos valo- res de tensão serem extremamente maiores, a frequência de um sinal alternado da rede deve ser convertida para um sinal de corrente contínua e, assim, pro- mover o funcionamento do referido componente. As técnicas de converter potenciais e as suas características são diversas, inclusive compartilham as suas funcionalidades em um universo onde há tecnolo- gias de conversores que operam em alta frequência, conhecidos como conversores chaveados, e os conversores que operam com a frequência da rede da concessioná- ria 60 Hz( ) que, normalmente, são maiores e mais pesados, mas muito robustos. Os conversores chaveados são muito utilizados em circuitos de fontes de ali- mentação, por exemplo, onde temos a tensão de entrada maior do que a tensão Eletrônica de Potência Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 251 de saída, e a corrente de entrada é alternada e a de saída é contínua. Perceba que há dois pré-requisitos neste exemplo: amplitude de tensão e formato da corrente (contínua ou alternada). Um conversor chaveado realiza a conversão de corrente alternada para contí- nua, portanto, trata-se de um conversor CA-CC (corrente alternada para corrente contínua). Existem diversos tipos de conversores chaveados, entre eles, aborda- remos os conversores CC-CC, citando os exemplos a seguir. Conversores não-isolados: ■ Buck. ■ Boost. ■ Buck-Boost. ■ Cuk. ■ Sepic. ■ Zeta. Conversor isolado: ■ Flyback. Todos os conversores apresentados na sequência serão ilustrados com a fonte de tensão de entrada e a carga acoplada em sua saída, conforme mostrado na Figura 8: tensão de entrada tensão de saída (carga) Figura 8 - Exemplo de conversor CC-CC e identificação de entrada e saída Fonte: o autor. Os conversores que serão apresentados na sequência, de Buck até Zeta, pos- suem a mesma referência entre a entrada e a saída e, assim, são classificados como não-isolados. ELETRÔNICA APLICADA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E252 Conversor Buck O conversor Buck apresenta a característica de reduzir a tensão de saída em relação à entrada, mantendo-se a mesma polaridade entre a saída e a entrada (MELLO, 1996). Buck Figura 9 - Conversor Buck Fonte: o autor. A sua configuração, formada pelo indutor e o capacitor, favorece o baixo índice de ruído para a carga, porém, tem elevado ruído para a fonte de entrada (Figura 9). Conversor Boost O conversor Boost tem a característica de elevar a tensão de entrada na saída, ou seja, é um conversor elevador de tensão. Esta tecnologia é utilizada com fre- quência em estágios intermediários de conversores chaveados de potências da Há diversos outros tipos de conversores importantes como as topologias Half-bridge, Full-Bridge, Push-Pull, entre outros, que fazem parte dos con- versores industriais e proporcionam a alimentação das centrais telefônicas necessárias para que as telecomunicações funcionem. Eles também mere- cem toda a nossa atenção. Fonte: adaptado de Mello (1996). Eletrônica de Potência Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 253 ordem de 2 kW e tem como principal objetivo atuar na correção do fator de potência do retificador (Figura 10). Boost Figura 10 - Conversor Boost Fonte: o autor. Este conversor apresenta alto índice de ruído na saída e a polaridade da carga é a mesma da fonte de entrada. Conversor Buck-Boost O conversor Buck-Boost é capaz de elevar ou rebaixar a tensão da saída em rela- ção à tensão de entrada, e a polaridade da tensão na carga é invertida da tensão da fonte de entrada. O nível de ruído deste conversor é elevado, tanto para a carga quanto para a fonte de entrada (Figura 11). Buck-Boost Figura 11 - Conversor Buck-Boost Fonte: o autor. Conversor Cuk No conversor Cuk, a tensão da saída tem polaridade invertida em relação à ten- são de entrada e assume-se que a sua operação é de elevador e rebaixador de tensão de acordo com a necessidade do projeto (Figura 12). ELETRÔNICA APLICADAReprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E254 Cuk Figura 12 - Conversor Cuk Fonte: o autor. A sua topologia, utilizando indutores na entrada e na saída, resulta em baixos níveis de ruído, tanto para a tensão de entrada, quanto para a tensão de saída e os seus indutores podem ser montados no mesmo núcleo. Conversor Sepic No conversor Sepic, a polaridade da tensão na carga é a mesma da fonte de entrada e, assim, pode promover tensão na saída maior ou menor do que na entrada. Já o ruído para a fonte de entrada é baixo e elevado para a carga devido aos pulsos de corrente que circulam pelo diodo (Figura 13). SEPIC Figura 13 - Conversor Sepic Fonte: o autor. Um exemplo de aplicação é como regulador de tensão, por exemplo, em circuitos de excitação, onde o chaveamento do transistor permite controlar a amplitude de tensão na saída. Conversor Zeta O conversor Zeta tem como características o alto nível de ruído na entrada, a mesma polaridade da entrada na saída e baixo ruído nesta. No conversor Zeta, é possível elevar ou abaixar o valor da tensão de saída de acordo com as necessidades Eletrônica de Potência Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 255 do projeto (Figura 14). ZETA Figura 14 - Conversor Zeta Fonte: o autor. Conversor Flyback Sem dúvida, este é um dos mais utilizados (se não for o mais encontrado), atual- mente, em aplicações onde é necessário alimentar uma placa-mãe de computador, carregar a bateria do aparelho celular ou do laptop, alimentar os circuitos de seu aparelho de TV ou monitor de vídeo etc. O conversor Flyback apresenta isolação entre a tensão de entrada e de saída e, com isto, pode operar com tensões de entrada elevadas e tensões de saída de poucos volts, pois conta com transformador de alta frequência (Figura 15). A sua comutação ocorre no enrolamento primário de um transformador que induz em seu secundário uma tensão diretamente proporcional ao número de espiras do referido enrolamento e, assim, o sinal pulsante aplicado na base do transistor é replicado no secundário, onde é posteriormente retificado, fil- trado e entregue à carga. Flyback Figura 15 - Conversor Flyback Fonte: o autor. ELETRÔNICA APLICADA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E256 O transformador pode ter múltiplos enrolamentos secundários e, com isto, permite que haja várias tensões de saída, adequado a circuitos que possuem a necessidade de vários níveis de tensão, como 5 3 3 12 12 V V V V, , , , - etc. Na próxima seção estudaremos um pouco de Eletrônica aplicada nos instrumen- tos de medida industriais, em uma área conhecida como instrumentação industrial. INSTRUMENTAÇÃO INDUSTRIAL Nesta seção, abordaremos o presente tema no contexto da indústria e que remete aos elementos sensíveis utilizados em automação industrial, os quais permitem a visibilidade de processos e a tomada de decisões estratégicas: a instrumenta- ção industrial. Esta área da Engenharia é responsável por projetar e implantar dispositi- vos capazes de mensurar as mais diversas grandezas da indústria, como: vazão, nível, pressão, temperatura, pH etc. A eletrônica embarcada está presente na maioria dos dispositivos modernos que atuam na instrumentação e capazes de converter a variação de uma grandeza em um sinal elétrico que, por sua vez, pode ser transmitido a uma entidade de processamento e controle e, posteriormente, armazenado para análise e histórico. Atualmente, as comunicações eletrônicas, aquelas que ocorrem por meio de computadores e dispositivos portáteis são, sem dúvida, indispensáveis, mas para que essas comunicações funcionem, dependemos dos equipamentos que produzem a alimentação elétrica de todo o sistema. Como seria possível a existência das tecnologias de comunicações eletrônicas se não existissem as fontes de alimentação adequadas ao volume de potência necessário para tal aplicação? Instrumentação Industrial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 257 Figura 16 - Sensor eletrônico industrial: eletrônica analógica e digital no mesmo equipamento. Os instrumentos industriais eletrônicos mais utilizados na indústria são os senso- res industriais que evoluem a cada dia, permitindo a monitoração de parâmetros cada vez mais específicos e importantes para o controle de qualidade dos pro- dutos de uma manufatura. Quando pensamos nas mais modernas tec- nologias utilizadas na medição de dados de processo, nos deparamos com a família dos transmissores, capazes inclusive de armazenar certa “inteligência” embarcada em alguns casos, o que remete à lógica de controle em alguns, onde o instrumento possui a função de operar um elemento final de controle, como uma válvula em uma linha de vapor, por exemplo (Figura 17). Esta possibilidade permite que um equi- pamento seja, ao mesmo tempo, sensor e controlador do processo, além de fornecer os dados em formato padronizado para o acesso a bases computacionais, como redes corpora- tivas e bancos de dados relacionais. Figura 17 - Válvulas de controle automático em linhas de vapor ELETRÔNICA APLICADA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E258 No que se refere aos circuitos eletrônicos utilizados para a medição de variá- veis em ambiente industrial, esta unidade se limitará ao atendimento das principais e mais predominantes variáveis de processo: ■ Temperatura. ■ Pressão. ■ Vazão. ■ Nível. Faremos uma análise do princípio básico de funcionamento de cada sensor em rela- ção à Eletrônica envolvida para a leitura do valor da variável, mas antes, devemos entender a estrutura mínima para que um sensor possa fornecer os dados desde a fase de aquisição até o seu armazenamento pós-processamento. Na Figura 18, podemos observar a figura do sensor dentro da estrutura de aquisição de sinais. Elemento sensível Condicionamento de sinal Processamento digital de sinal Interface de comunicação Armazenamento interno SENSOR BARRAMENTO DE DADOS (REDE) PCCLP SERVIDORES IHM Figura 18 - Diagrama em blocos de um sensor industrial moderno Fonte: o autor. Observe que o sensor é dividido em cinco blocos, onde estão presentes as fun- ções de elemento sensível, condicionamento de sinal, processamento digital de sinal, armazenamento interno e interface de comunicação. O elemento sensível deve ser identificado como a parte do sensor que detecta a variável de interesse e produz sinal proporcional à sua variação. Neste estágio, o padrão do sinal elétrico normalmente é de baixa amplitude e deve ser condi- cionado pelo próximo estágio. Instrumentação Industrial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 259 No estágio de condicionamento de sinal, o sinal de baixa amplitude do ele- mento sensível é amplificado, linearizado e filtrado para que tenha condições de ser aplicado ao estágio de processamento. O estágio de processamento digital de sinal é onde os dados já condiciona- dos são processados em termos de análise estatística para que o valor mensurado seja definido e possa ser armazenado em memória. O armazenamento interno consiste em memória retentiva, normalmente, do tipo flash, com o funcionamento semelhante ao de um pendrive. Este recurso permite ao sensor a implementação da função de registrador, pois armazena uma quantidade finita de dados que podem ser utilizados para futuras análises e para a produção de gráficos analíticos. Uma vez armazenados, os dados podem ser disponibilizados por meio de interface de rede e, assim, compartilhados com controladores lógico-programá- veis, computadorespessoais, servidores de dados, interfaces homem-máquina etc. Nossa análise permite reconhecer a interação do sensor com as demais bases. Assim é possível analisar cada um dos tipos separadamente. SENSOR DE TEMPERATURA A medição de temperatura é realizada por diversos métodos, onde a maioria dos casos aplicados envolve as tecnologias baseadas em termistores (ou termoresis- tências - RTDs), termopares e sensores eletrônicos integrados. Termorresistência (RTD) Os termistores são os elementos sensíveis à temperatura que apresentam variação de resistência elétrica quando ocorre a variação de temperatura em sua superfí- cie. Nos termistores que apresentam coeficiente positivo de temperatura (PTC), quando a temperatura aumenta, a resistência elétrica também aumenta, e nos termistores que apresentam coeficiente negativo de temperatura (NTC), quando a temperatura aumenta, a resistência diminui. ELETRÔNICA APLICADA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E260 Na instrumentação industrial, em termos de termistores, normalmente, utiliza-se o PTC como elemento sensível com curva de resposta de valores padro- nizados. No caso do PT100 (exemplo de PTC industrial e conhecido no Brasil como termorresistência), quando a temperatura é igual a 0 °C , a resistência elé- trica é de100 W . Quando a temperatura aumenta, a resistência a acompanha, e quando a temperatura diminui, a resistência também diminui na mesma pro- porção com curva de resposta, conforme a Figura 19: 107 Ω 105 104 103 102 101 100 0 50 100 150 200 250°C RPTC TPTC TPT0724-X B59840C0120A070 B59860C0120A070 B59850C0120A070 B59830C0120A070 Figura 19 - Curva de resposta da resistência em função da temperatura em PTCs Fonte: TDK Corporation (2018, p. 7). Os termistores também são utilizados em circuitos de proteção contra sobre- carga, partida suave em fontes de alimentação, circuitos de bloqueio por so- bretemperatura etc. e estão presentes na maioria dos equipamentos eletro- eletrônicos modernos, desde ferros de passar até fontes de alimentação de computadores. Fonte: o autor. Instrumentação Industrial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 261 O termo mais conhecido para este tipo de medidor de temperatura é o RTD (Resistance Temperature Detector), que atua monitorando a variação de resis- tência de uma junção bimetálica, a qual é, normalmente, fabricada em platina. Este tipo de elemento sensível é capaz de realizar medidas com erros de até 0 0001, °C (BALBINOT; BRUSAMARELLO, 2011). Os valores de resistência pelas temperaturas dados pela norma DIN-IEC-751 para termistores (ou termorresistências) podem ser consultados em tabela (LAKE SHORE CRYOTRONICS, 2014). O comportamento gráfico da resistência em função da temperatura é mostrado na Figura 20, que apresenta a variação de -200 até 660 ºC , faixa de trabalho dos RTDs do tipo PT100. Geralmente, esse tipo de sensor é alocado em bainha de metal com cabeçote, onde os dados da temperatura são transmitidos por meio de cabo, com ligações que podem variar de dois a quatro fios. Dentro do cabeçote é instalado o circuito de condicionamento para conver- ter o padrão elétrico do RTD para padrão de 4 20 a mA ou em protocolo de comunicação de rede industrial, dependendo da tecnologia de cada caso. 350 300 250 200 150 100 50 0 RE SI ST ÊN CI A (Ω ): TEMPERATURA (ºC): -2 00 -1 80 -1 60 -1 40 -1 20 -1 00 -8 0 -6 0 -4 0 -2 0 0 20 40 60 80 10 0 12 0 14 16 0 18 0 20 0 22 0 24 0 26 0 28 0 30 0 32 0 34 0 36 0 38 0 40 0 42 0 44 0 46 0 48 0 50 0 52 0 54 0 56 0 58 0 60 0 62 0 64 0 66 0 Figura 20 - Resistência em função da temperatura para RTDs de platina Fonte: Lake Shore Cryotronics (2014, p.1-2). Observe que a curva se aproxima de uma reta, e que se utilizarmos o coeficiente estatístico de verificação R2 (mínimos quadrados) sobre o conjunto de dados, constatamos que esta aproximação é de 0,99921. Mesmo assim, para a determi- nação de valores de resistência para diferentes temperaturas, devemos utilizar as seguintes regras: ELETRÔNICA APLICADA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E262 ■ Para temperaturas abaixo de 0 °C: R t R A t B t C t t( ) [ ( ) ]= × + × + × + × − ×0 2 31 100 Equação 1 Onde: - R t( ) = resistência do termômetro de platina, medido em W à tempe- ratura t ( t em °C ). - R0 = resistência a 0 °C [W ]. - A B C, e = são coeficientes de calibração e seus valores são: ■ A = 3 9083 10 3, × − ( ° −C 1 ). ■ B = − × −5 775 10 7, ( ° −C 2 ). ■ C = − × −4 183 10 12, ( ° −C 4 ). ■ Para temperaturas acima de 0 °C : R t R A t B t( ) ( )= × + × + ×0 21 Equação 2 Exemplo de cálculo: Calcule a resistência de um RTD de platina para a temperatura de − °14 C . De acordo com a Equação 1, fica: R t R A t B t C t t( ) [ ( ) ]= × + × + × + × − ×0 2 31 100 Substituindo os valores na equação, fica: R t( ) [ , ( ) ( , ) ( ) ( ,= × + × × − + − × × − + −− −100 1 3 9083 10 14 5 775 10 14 4 1833 7 2 ×× × − − × −−10 14 100 1412 3) (( ) ) ( ) ] R t( ) [ , ( ) ( , ) ( ) ( ,= × + × × − + − × × − + −− −100 1 3 9083 10 14 5 775 10 14 4 1833 7 2 ×× × − − × −−10 14 100 1412 3) (( ) ) ( ) ] R t( ) ,= 94 516 Ω Instrumentação Industrial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 263 Arredondando, temos: R t( ) ,= 94 52 Ω Ao compararmos o valor obtido no cálculo com o valor dado pela norma DIN- IEC-751 (LAKE SHORE CRYOTRONICS, 2014) para a resistência do RTD em uma temperatura de -14 °C , temos a confirmação, conforme Quadro 1. Quadro 1 - Verificação do resultado: valores de resistência em função da temperatura (vista parcial) ITA- 90 ºC 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 ITA- 90 ºC -40 84.27 83.87 83.48 83.08 82.69 82.29 81.89 81.85 81.10 80.70 -40 -30 88.22 87.83 87.43 87.04 86.64 86.25 85.85 85.46 85.06 84.67 -30 -20 92.16 91.77 91.37 90.98 90.59 90.19 89.80 89.40 89.01 88.62 -20 -10 96.09 95.30 95.30 94.91 94.52 94.12 93.73 93.34 92.95 92.55 -10 -0 100.00 99.22 98.83 98.83 98.44 98.04 97.65 97.26 96.87 96.48 0 0 100.00 100.39 100.78 101.07 101.46 101.95 102.34 102.73 103.12 103.51 0 10 103.90 104.29 104.68 105.07 105.46 105.85 106.24 106.63 107.02 107.40 10 20 107.79 108.18 108.57 108.96 109.35 109.73 110.12 110.51 110.90 111.29 20 30 111.67 112.06 112.45 112.83 113.22 113.61 114.00 114.38 114.77 115.15 30 40 115.54 115.93 116.31 116.70 117.08 117.47 117.86 118.24 118.63 119.01 40 50 119.40 119.78 120.17 120.55 120.94 121.32 121.71 122.09 122.47 122.86 50 60 123.24 123.63 124.01 124.39 124.78 125.16 125.54 125.93 126.13 126.69 60 70 127.08 127.46 127.84 128.22 128.61 128.99 129.37 129.75 130.13 130.52 70 80 130.90 131.28 131.66 132.04 132.42 132.80 133.18 133.57 133.95 134.33 80 90 134.71 135.09 135.47 135.85 136.23 136.61 136.99 137.37 137.75 138.13 90 Fonte: Lake Shore Cryotronics (2014, p. 1). O mesmo raciocínio deve ser utilizado para obter o valor da resistência para temperaturas acima de 0 °C , porém, utilizando a Equação 2. O encapsulamento deste tipo de sensor é composto de uma estrutura que é fixada ao ponto onde se deseja realizar a medição da temperatura. Por exemplo, um tubo por onde é conduzido determinado fluido (vapor ou água). A Figura 21 mostra uma representação do encapsulamento do sensor de temperatura RTD com bainha metálica, bulbo e cabeçote. ELETRÔNICA APLICADA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E264 Perceba que a conexão deste instrumento ocorre por meio de base roscada diretamente na tubulação do processo e em uma abertura selada denominada poço de medição, devidamente ocupada com líquido de preenchimento para transferir o calor para o corpo dosensor que, por sua vez, apresenta variação de resistência com a temperatura. selo epóxi terminais de liga de platina capa isolante Detalhe da bainha metálica Detalhe do instrumento completo Detalhe do instrumento montado na tubulação bulbo ou sensor preenchimento com pó de óxido de magnésio bainha metálica base roscada para �xação no poço de medição bainha metálica poço de medição tubulação cabeçote capa isolante vazão de �uídocondutores para o CLP instrumento instalado na tubulação Figura 21 - PT100: detalhes construtivos e de instalação mecânica Fonte: o autor. Na Figura 22, são mostradas fotos dos sensores com cabeçote prontos para a montagem no pro- cesso industrial. O RTD é percorrido por uma corrente elétrica que varia de acordo com o valor da tem- peratura. Assim, o circuito de condicionamento realiza a medição da amplitude térmica a par- tir da queda de tensão de um resistor shunt, por exemplo, que é proporcional à variação de cor- rente na malha do RTD, conforme a Figura 23: Figura 22 - Sensor de temperatura industrial Instrumentação Industrial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 265 RTD resistor shunt fonte de tensão circuito de condicionamento + - VRSH instrumento de medição i Figura 23 - Diagrama em blocos do circuito interno do instrumento Fonte: o autor. De acordo com a Figura 23, o RTD é percorrido por uma corrente devidamente produzida por uma fonte de tensão interna do instrumento. Esta corrente per- corre um resistor shunt, que é um resistor com estabilidade térmica e valor ôhmico ínfimo, calibrado para apresentar determinada queda de tensão VRSH quando um valor conhecido de corrente circular por ele. Por exemplo, o modelo de shunt 100 50 mA mV/ , indica que quando uma corrente de 100 mA passar por este componente, haverá uma queda de tensão sobre ele de 50 mV . Valores intermediários ocorrem em escala linear, conforme a Figura 24. Com base nessa tecnologia, o circuito de con- dicionamento pode relacionar a variação de queda de tensão (DVRSH ) com a variação de tempera- tura (DT ) diretamente proporcionais, ou seja, podem ser descritas pela equação diferencial dada na Equação 3, onde a taxa de variação de tempera- tura (T ) no intervalo de tempo ( t ) é diretamente proporcional à variação de resistência do shunt ( RSH ) no intervalo de tempo ( t ), e também dire- tamente proporcional à queda de tensão no shunt (VRSH ) no intervalo de tempo ( t ). ∂ ∂ = ∂ ∂ = ∂ ∂ T t R t V t SH RSH Equação 3 100 50 0 50 25 0 corrente no shunt i (mA) queda de tensão do shunt V (mV)RSH Figura 24 - Escalas de queda tensão no shunt em função da corrente Fonte: o autor. ELETRÔNICA APLICADA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E266 A conclusão que o estudante deve considerar é que: em um RTD, com a varia- ção de temperatura, ocorre uma variação de resistência e, associando este fator à circulação de corrente, é possível estimar a variação de amplitude térmica por meio da monitoração da queda de tensão sobre um resistor, lembrando-se que, no caso do RTD, é necessária uma fonte de tensão para promover a corrente cir- culante pelo sensor a fim de estimar a temperatura. Termopar O termopar é uma tecnologia de medição de temperatura baseada no efeito Seebeck, onde uma junção bimetálica dada conforme a Figura 25, com junção fria e junção quente, permite a análise do efeito da diferença de temperatura sobre a associação de metais com densidades eletrônicas diferentes, aqui deno- minados arbitrariamente como metal A e metal B : variação de temperatura (∆T) metal “B” metal “A”junção fria junção quente fonte de calor Tb=T+∆TTa = Tamb i Figura 25 - Efeito Seebeck Fonte: o autor. Perceba que no lado esquerdo da Figura 25 temos a junção fria, onde a tempe- ratura Ta é a mesma temperatura ambiente (Tamb ). Entretanto, do lado direito da mesma figura, observamos que houve um acréscimo de calor (Tb ), promo- vendo uma diferença de temperatura entre a junção fria e junção quente. Esta condição faz com que os elétrons das junções dos metais envolvidos entrem em movimento, impulsionados pela diferença de temperatura, ocasionando o sur- gimento de uma corrente “ i ” na malha formada pelas junções. Ora, se há uma variação de corrente que é diretamente proporcional à varia- ção de temperatura, temos uma situação onde é possível associar este fato a uma Instrumentação Industrial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 267 variação de f.e.m. (força eletromotriz) ou tensão elétrica dada em mV . Esta relação permite que sensores sejam fabricados com o princípio de que, em um termopar, a variação de temperatura promove uma variação de f.e.m., que são diretamente proporcionais. Semelhante aos RTDs, os termopares são encapsulados em bainhas e fixa- dos por cabeçotes no processo e devem utilizar condutores com ligas metálicas semelhantes às ligas metálicas dos termopares, além de respeitar a polaridade dos condutores para não imprimir desvios à medida de temperatura, conforme mostrado na Figura 26. condutores de liga metálica semelhante ao termopar tipo J termopar tipo J cabeçote temperatura no cabeçote “T ”c temperatura no processo “T ”P registrador/ controlador de temperatura temperatura no instrumento “T ”I + + + - - - Figura 26 - Esquema de ligações de um termopar industrial Fonte: o autor. Como seria possível controlar a qualidade de alimentos como carnes, laticí- nios, bebidas etc. em câmaras frigoríficas, sem a monitoração da temperatura? ELETRÔNICA APLICADA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E268 A medição de temperatura, utilizando termopares consiste, na verdade, em medir a tensão em mV que uma liga bimetálica fornece. Para realizar a medição corre- tamente, devemos identificar a junta de medição, que é onde o sensor tem contato com a temperatura do processo (duto de vapor, forno etc.) e a junta-fria ou de referência, que se trata da junção no cabeçote, conforme mostrado na Figura 26. Nos termopares, para cada valor de temperatura, há um valor de f.e.m. dado em mV e, assim como nos RTDs, há uma relação direta e precisa que deve ser respeitada de acordo com o tipo termopar, sendo os principais tipos e faixas de medição de temperatura dados no Quadro 2: Quadro 2 - Tipos de termopares e suas faixas de temperatura TIPO DE TERMOPAR FAIXA (ºC) B 38 1800 a C 0 2300 a E 0 982 a J 184 760 a K -184 1260 a N -270 1300 a R 0 1593 a S 0 1538 a T -184 400 a Fonte: adaptado de Balbinot e Brusamarello (2011). As tabelas de valores de mV para temperatura em cada tipo de termopar podem ser acessadas diretamente no site do fabricante e, assim, servir de referência para consultas aos valores necessários à compensação da junta-fria ou junta de refe- rência. Um exemplo de fabricante nacional que disponibiliza todas as tabelas de valores de mV é a empresa Salcas (SALCAS, [2018], on-line)2. É importante saber que os termopares apresentam códigos de cores de acordo com a norma ANSI MC-96.1 (FIRST CAPITOL, [s.d.]). Cada tipo pode ser fabricado com ligas de diferentes metais, por exemplo: cobre-constantã (tipo T ), ferro-constantã (tipo J ), cromel-alumel (tipo K ) e etc. de acordo com as faixas de temperaturas e aplica- ções com determinadas resistências à corrosão, estabilidade térmica, linearidade etc. Instrumentação Industrial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 269 A fabricação de sensores de tem- peratura baseados em termopares é verificada por processos de calibra- ção, onde existem equipamentosdenominados “forno de calibração ou calibrador de banho térmico” que submetem o sensor a variações de temperaturas para que seja veri- ficada a sua resposta e, assim, a sua calibração, conforme mostrado na Figura 27: As aplicações de sensores de temperatura são diversas e não há como apresen- tar todas as situações possíveis, mas podemos citar alguns casos mais relevantes: ■ Fornos industriais (indústria alimentícia, química, metalúrgica etc.). ■ Mancais de eixos industriais (turbinas de cogeração, máquinas opera- trizes etc.). ■ Reações químicas industriais. ■ Temperatura de cura para pintura, fundição etc. ■ Temperatura de fluidos de processo (líquidos, gases etc.). ■ Temperatura de ambiente industrial em estágio de burn-in (teste de desempenho limiar). ■ Controle de qualidade etc. Sensores de temperatura monolíticos (integrados) Além dos sensores de temperatura com encapsulamento mencionados anteriormente, existem sensores de temperatura adequados ao uso em placas de circuito impresso ou até mesmo dentro de invólucros metálicos, porém, já são disponibilizados em encapsulamentos plásticos e oferecem os dados da temperatura em padrão elétrico definido, informando a variação térmica em termos de tensão (V C/ ° ), em corrente ( mA C/ ° ) ou até mesmo por meio digital, com pacotes de dados (bits). Figura 27 - Processo de calibração de termopar ELETRÔNICA APLICADA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E270 Alguns exemplos são: Quadro 3 - Sensores de temperatura eletrônicos integrados MODELO FAIXA DE MEDIÇÃO PADRÃO ELÉTRICO LM35 − ° °55 150 C a C 10 mV C/ ° AD592 − ° + °25 105 C to C 1 K/µ DS B18 20 − ° °55 125 C a C 1-Wire digital Fonte: o autor. Os encapsulamentos dos sensores de temperatura eletrônicos podem variar, desde a montagem em superfície (SMD) até a montagem em placas por meio de furos (through-hole). Diferentes fabricantes adotam os mais diversos tipos de encapsu- lamentos de acordo com suas especificidades. Seguem alguns tipos mais comuns: (a) (b) Figura 28 - Encapsulamentos dos sensores eletrônicos: (a) TO-92, (b) SOIC 8 pinos Os sensores eletrônicos apresentam faixas de temperaturas de até 150 °C (aproxi- madamente), inferiores aos sensores baseados em elementos RTDs ou termopares que podem atingir milhares de °C , dependendo do tipo, entretanto, represen- tam uma solução de baixo custo adequada à medição de temperatura interna de instrumentos e equipamentos de precisão. Uma informação importante que remete ao uso de sensores integrados é quando temos um equipamento que realiza medições de variáveis em ambien- tes onde a temperatura não é controlada, por exemplo, um espectrofotômetro, que deve realizar a medição de uma amostra com concentração de umidade, por exemplo, e independentemente da temperatura da sala onde o equipamento está, a leitura deve ser a mesma, para a mesma amostra, ou seja, a temperatura ambiente não pode influenciar nas medidas de um instrumento. Instrumentação Industrial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 271 Para minimizar as influências da temperatura sobre um processo de medição, vários instrumentos de precisão utilizam sensores de temperatura, internamente aos seus gabinetes, para realizar a compensação automática de temperatura sempre que houver a medição de sua variável, assim, quando o instrumento é calibrado em temperatura controlada de 25 °C , por exemplo, o fabricante do instrumento o submete a testes para estimar a sua curva de resposta em função da temperatura, assim, obtém a função de transferência que representa a res- posta do sistema e o quanto precisa compensar a leitura realizada por software, seja adicionando ou subtraindo valores ao valor mensurado a fim de corrigi-lo, de acordo com a temperatura mensurada no ambiente onde o instrumento está. A Figura 29 mostra um esquema de ligação entre o sensor de temperatura (baseado em RTD ou termopar) e o transmissor de temperatura. Há uma aber- tura na lateral do corpo do transmissor para permitir a visualização do circuito eletrônico interno. sensor de temperatura na placa placa de circuito impresso do transmissor cabo de interligação cabeçote transmissor de temperatura (vista lateral) sensor de temperatura do processo Figura 29 - Esquema de interligação entre sensor e transmissor de temperatura Fonte: o autor. Observe a existência de um sensor de temperatura integrado montado na placa de circuito impresso. Este componente é necessário para que o transmissor possa realizar a compensação automática de temperatura, corrigindo por softwares embarcados a influência da temperatura do ambiente onde o transmissor se encon- tra, pois, normalmente, é instalado em processos onde pode variar de − °10 C até ELETRÔNICA APLICADA Reprodução proibida. A rt. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. VU N I D A D E272 50 °C exposto às intempéries da natu- reza, e ainda assim, deve medir com precisão a temperatura informada pelo sensor de temperatura do processo. A Figura 30 mostra vários transmissores de temperatura industriais montados. A temperatura, sem dúvida, é a variável mais abundante em qualquer ambiente e ela também influencia na maioria dos processos. Nosso estudo se reserva em apresentar esta faixa de assuntos relacionados à medição ele- trônica de temperatura, e nas próximas seções, abordaremos as demais variá- veis de processo já mencionadas. SENSOR DE PRESSÃO A pressão é uma variável que submete muitos processos a seus efeitos, como o processo de aquecimento de água em uma caldeira, onde a pressão é variá- vel de importante monitoração devido aos riscos de explosão que este processo contempla. A variável pressão se refere à força aplicada em determinada área e pode ter a influência da própria ação gravitacional da qual, obviamente, nos lembramos todos os dias quando caminhamos pela terra, local onde todos os corpos estão submetidos a esta força gravitacional. Quando estudamos a variável pressão, devemos nos lembrar dos conceitos básicos relativos a ela. Por exemplo: pressão relativa ( PREL ), que consiste na pres- são de um ambiente específico, confinado (a pressão dentro de um pneu de um carro, ou dentro de uma bola de futebol ou mesmo dentro da linha pneumática de uma indústria). É denominada relativa porque é relativa a uma referência, que é a base para os estudos de pressão: a pressão atmosférica ( PATM ). Figura 30 - Transmissores de temperatura instalados em processo industrial Instrumentação Industrial Re pr od uç ão p ro ib id a. A rt . 1 84 d o Có di go P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . 273 A pressão atmosférica é a pressão exercida sobre a atmosfera terrestre em todos os corpos aqui depositados. Quando nos referimos à pressão absoluta ( PABS ), estamos informando que temos a pressão atmosférica somada com a pres- são relativa, logo: P P PABS REL ATM= + Há vários métodos de medição de pressão, cuja escolha da melhor técnica depende da necessidade e do local onde ocorrerá a medição. Por exemplo, em um laboratório de testes, há instrumentos que utilizam colunas de líquido que quebrariam facilmente se fossem utilizadas no processo industrial, já neste ambiente, encontramos sensores encapsulados em bases metálicas com transdutores robustos ao impacto, às vibra- ções, à umidade, à poeira e às variações de temperatura abruptas. Esta unidade se reserva em apresentar técnicas que envolvam a Eletrônica para mensurar a pressão. Atualmente, boa parte dos processos industriais modernos utiliza sensores baseados em células capacitivas. Este tipo de sensor é capaz de converter a variação de pressão em variação de capacitância de uma cápsula sensível e, assim, pro- cessar o dado do processo em um padrão elétrico padronizado