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Aula 02 – Farmacotécnica II • Grânulos, pellets e esferoides O granulado pode já vir pronto, nem sempre é necessário preparar, compra-se de acordo com as especificações. O pellet é menos usual, em contrapartida, os esferoides são mais utilizados. → Granular: é uma operação farmacêutica de dar forma utilizada para aglomerar substâncias pulverizadas através da aplicação de pressão ou adição de aglutinantes (que podem ser na forma de pó ou solução). → Granulação: É o processo através do qual partículas em pó são conduzidas a se aderirem umas às outras para formar entidades multiparticuladas grandes denominadas grânulos. O tamanho do pó é preservado, tais como suas características prévias, mas sim, tem-se a união de diversos pós, como um cacho de uva. Então a fluidez do grânulo é maior que a do pó. • Razões para granular - Evitar a segregação de constituintes numa mistura de pós (risco da mistura perder a homogeneidade) - Melhorar as propriedades de fluxo da mistura (garantindo a homogeneidade da dose, peso médio correto, não se perde tempo para encher cápsulas, material de fluidez melhor) - Aumentar a densidade e com isso, reduzir o volume (densidade bulk próximo da densidade tapped, índice de Carr menor e fator de Hausner menor, facilitando diversos processos) - Melhoras as características de compactação da mistura - Reduzir incompatibilidades e aumentar a estabilidade (menor superfície de contato dos componentes, menor intimidade devido menor área de contato) • Métodos para granulação 1. Granulação por via seca: mistura de pós seguida de compactação e calibração( quebrar o material para um tamanho próximo do desejado para a forma farmacêutica, não destruindo o grânulo, mas quebrar forçando a passagem através de uma malha até atingir um tamanho específico). Como o amido, que possui alta umidade na composição, permitindo que um agente aglutinante seco seja adicionado e isso já confere pode coesivo que permite a união dos pós. 2. Granulação por via úmida: tem-se a mistura de pós, em seguida a umectação, granulação, secagem e calibração. Resulta num material mais compacto e é mais facilmente controlado o tamanho desse material. Validar: tornar válido as características e propriedades de torque e concentração de aglutinante para produzir um padrão que torna possível detectar o ponto final para obtenção do granulo posteriormente. • Componentes utilizados - Ativos: não obrigatório. Mebendazol DC: compressão direta - Diluente: amido, lactose, celulose microcristalina, fosfato de cálcio, manitol, sorbitol etc. - Aglutinante: amido, carmelose, macrogóis, hietelose, povidona, hipromelose, goma acácia, xarope etc. - Desagregante: amido, croscamelose, crospovidona, lactose, amidoglicolato de sódio, carbonatos etc. - Deslizante: talco, dióxido de silício coloidal - Lubrificante: estearatos, lauril sulfato de sódio, estearilfumarato de sódio. Utiliza-se em granulação por via seca. → Depende especificamente do tipo de forma farmacêutica. O lauril sulfato de sódio granulado – não libera pó durante seu manuseio e evita a irritação nos olhos e nariz, existe no comercio na forma de grânulo, facilitando demais o uso durante preparações. Ludipress: possui diluente, aglutinante e um desagregante, na forma de granulado, onde só se faz necessário adicionar o princípio ativo e algum diluente, desagregante etc. Geralmente utilizado para produzir formas de princípio ativo em pequenas quantidades. Paracetamol DC 90: granulado possui 90% de paracetamol, possuindo diluente, desagregante e aglutinante, sendo de compressão direta. Carbonato de cálcio granulado: CaCO3 + amido ou CaCO3 + povidona (como aglutinante, preferencialmente). Mebendazol granulado: Mebendazol + povidona + LSS + crospovidona • Técnicas A granulação do diluente com o granulado tende a ser realizado para evitar a segregação. Não se adiciona desagregante quando no diluente, já se tem uma característica desagregante. O lubrificante só é utilizado quando a forma acaba aderindo à máquina, deslocando o produto das peças da máquina. • Equipamentos: Máquina de comprimir do tipo excêntrica, em que no exemplo acima, se tem a granulação por via seca, utilizando de misturadores, como nas aulas de pós e de compactadores. O nome do equipamento acima é máquina de comprimir do tipo excêntrica, e tem-se a compactação do material que ainda não se denomina comprimido, mas chamado briquete. Na porção inferior, o platô fica em movimento e o alimentador fica fixo, é a chamada máquina de comprimir rotativa. A sua hélice que empurra o material pode estar na horizontal e na vertical. Na granulação por via seca, quando se realiza a calibração, o material mais grosso fica para ser quebrado e segue, e o que é mais fino, acaba retornando com a intenção de compactar novamente. • Calibração: O oscilante se movimenta em duas direções, indo e voltando, e assim, ele força a passagem do grânulo por uma malha. Já o moinho granulador possui dois discos cheios de dentes que giram um contra o outro, e na passagem dos comprimidos ou briquetes, eles são quebrados, e como inferiormente se tem um tamis, o que for mais grosso, fica retido para granular novamente e o mais fino retorna para a compactação. • Equipamentos para umectação A adição do líquido é realizada nos 4 cantos da malaxadeira, não deixando cair toda a substância aglutinante. Na porção inferior, tem-se o leito fluidizado que possui um insuflamento de ar, que adicionar o ar, criando e fazendo com que o conteúdo interior flua com facilidade, com o líquido, fazendo um spray que se encontra com as partículas, molhando-as e induzindo que com o contato entre as partículas, tem-se a agregação delas. Quando o líquido para de ser adicionado, tem-se apenas o processo de secagem, portanto, no leito pode-se misturar, granular e secar, tal como se faz possível calibrar o pó de acordo com as condições desejadas e impostas ao equipamento. Risco controlável: validação do processo de limpeza, avaliando a quantidade de resíduo do processo anterior e corrigindo o processo de limpeza se necessário. No high speed mixer, tem-se a mistura lenta (aglutinação) e a mistura rápida (desagregação) de maneira que se tem o material homogeneamente úmido. Depois ele é espalhado em camada fina e direcionada para ser secado em estufas. O mesmo equipamento é utilizado para realizar a calibração do grânulo, com um dispositivo que já faz a tamisação, eliminando o material muito fino (de menor fluidez). • Equipamentos utilizados para secagem de granulação por via úmida É necessário abrir o equipamento para que a umidade retirada do material úmido e não acabar expondo o material seco a mesma umidade. É interessante falar que o leito fluido faz todos os processos por etapas, iniciando pela mistura e granulação por umectação, posteriormente tem-se a secagem e direcionando para a calibração e em seguida, compressão. • Caracterização da qualidade Semelhante a dos pós, por meio da distribuição granulométrica devido ao seu tamanho. Faz-se a vibração para permitir que o material se acomode e passe pela malha. O cálculo é realizado através da noção sobre massa retida em malha específica ou intervalo de malhas. - Determinação da fluidez: Medida do ângulo de repouso estático ou dinâmico, tem-se a medida da velocidade. É esperado que o ângulo de repouso seja menor que na sua forma de pó, porque a granulação melhora a fluidez do material. - Densidade aparente, índice de carr e fator de Hausner - Determinação da umidade • Pellets São pequenos pedaços, cujo formato pode ser cilíndrico ou esférico, consistindo em massas mais compactadas que os grânulos, podendo ser revestidos ou não. A pelletização é o nome dado ao processo através dos quais são obtidos aos pellets. Pode ser através da extrusão, extrusãoseguida de esferonização ou ainda a pelletização em panela. Exemplo dos pellets gastrorresistentes, como omeprazol, pantoprazol. • Vantagens: • Processo de obtenção Se ele estiver na forma de macarrão, ele não vai para a tamisação. O segundo processo que usa a panela de drageamento é muito demorado. Todos podem receber revestimento. • Extrusão No caso da extrusão, tem-se um orifício de maior comprimento, em que se tem a passagem sob pressão da massa úmida através do orifício resultando em forma cilíndrica. Na imagem a direita, tem-se a evidência de um erro, em que acabou acontecendo maior exposição e retenção de ar durante a extrusão. • Esferonização • Friabilidade de grânulo: fragilidade analisada para reparar se o grânulo ao sofrer atrito e queda, acaba se desfazendo e se transformando em pó. Outro equipamento também analisa quanto tempo leva para que a forma sofra degradação. Pré-formulação • Higroscopicidade Características do insumo e sua relação com o ambiente: então, tem-se a relação com o ambiente úmido na qual o insumo pode estar sendo exposto. Existe o risco de uma umidade condensável, em que a umidade condensa nas superfícies. É importante salientar o cuidado na perda de umidade de materiais, então é necessário perceber todos os efeitos do ambiente sobre o inumo. No caso de materiais deliquescentes, tem-se chance alta de se liquefazer, tal como existe o risco de um material ser eflorescente e adquirir água proveniente da umidade do meio. Existem consequências reversíveis e irreversíveis, como o caso do cristal que se torna líquido, e não consegue ser revertida para o cristal novamente. É necessário controlar as condições ambientais do processo na qual o insumo é manipulado, e dependendo das condições, tem-se a necessidade de adicionar agentes dessecantes. Se o material é muito higroscópico, tem-se a necessidade de tipos mais específicos de dessecante ou maior quantidade. Cristais de cloreto de magnésio, cápsulas sesqui-hidratadas, em que são adicionadas agentes ou excipientes que não captem a umidade da cápsula gelatinosa, não alterando-a e tornando-a quebradiça. Pode-se dessecar o insumo antes do uso: exemplo do amido. Também é possível substituir por um derivado mais estável, como um pró-fármaco. A medida da higroscopicidade de insumos ou materiais, é realizada através da medição da quantidade de peso agregada quando ela é exposta a ambiente de umidade controlada, com o uso de um hidrômetro. Para controlar, tem-se a possibilidade de acondicionar na geladeira e ter cuidado de não abrir ainda frio. Pode-se realizar a medida cinética de adsorção de água, perda por dessecação ou termogravimetria (faz uso de equipamento com termo balanças em que se mede quanto de massa é perdida ao longo do tempo em que se tem o aquecimento, pode ser realizada em atmosfera inerte – não permitindo a decomposição, ou na atmosfera de oxigênio – sujeito a decomposição). As consequência disso é a alteração na fluidez, na densidade, na estabilidade e podendo permitir a contaminação do material por microrganismos, tal como favorecer a ocorrência de interação, como a hidrólise. • Cristalinidade: É preciso compreender que a matéria é cristalina, co-cristal ou polimorfo, além de saber se é um hidrato ou solvato, em que cerca de 1/3 dos insumos farmacêuticos ativos são hidratos. É necessário entender características como se o material é amorfo ou cristalino, verdadeiramente. No caso de polímeros, tem-se alguns como materiais amorfos e que não apresentam picos de cristalinidade. O processo de amorfização acontece através do revestimento, que acaba reduzindo a formação de cristais, ou seja, não permite a retomada ao seu estado cristalino. Difração de raio X: caracterização de insumos que apresentam polimorfismo e que impacta a biodisponibilidade, como o que acontece com a carbamazepina, detectando também o polimorfo. Cada uma das representações acima, tem-se o polimorfo, apresentando características de arranjo diferente, causadas devido as energias e condições do ambiente, que definem diversas formas, gerando o chamado polimorfismo de cristais. O amorfismo não possui nenhuma organização! Pode-se ter uma combinação de fármaco e solvente, formando estruturas intercaladas, que podem formar o solvato ou o hidrato. A junção com sais também apresenta aspecto cristalino diferente do que seria o seu estado normal. O co- cristal é a substância interagindo com outra, de maneira a aumentar, diminuir ou modificar alguma característica do sólido. Os hidratos são menos solúveis que o material anidro, significando que são menos reativos, apresentando menos solubilidade, desde que a hidratação não seja tão exagerada a ponto de permitir a proliferação de microrganismos (até tri-hidratado). Como exemplo, tem-se a Glibenclamida solvatada com pentanol ou tolueno, é mais solúvel que a forma não solvatada, o benefício é que se tem a possibilidade de excreção do pentanol, que é tóxico. O polimorfismo se encontra em diversos tipos de substâncias, depende da maneira que você estuda e identifica-os. Não é aleatório, mas pode ser controlada para que haja predominância de um tipo. • Polimorfismo: Apresenta efeitos sobre a morfologia (controle da formação de tipos específicos de polimorfos), densidade e índice de refração, molhabillidade (solvato é molhado com mais facilidade, diferente do anidro), ponto de fusão, solubilidade e estabilidade térmica. Modificando propriedades de superfície, como a energia livres, a forma como o arranjo se forma, buscando sempre uma homogeneidade e a distribuição das partículas do polimorfo. Já nas propriedades cinéticas, tem-se a possibilidade de alterar a dissolução e a cinética de reação no estado sólido. As propriedades mecânicas também são controladas. A confirmação acontece através do ponto de fusão, porque seus polimorfos têm pontos de fusão distintos. A microscopia com luz polarizada (cristais parecidos dificultam). A espectroscopia IR, em que quando se tem polimorfismo, caso o espectro da amostra não se apresente idêntico ao do padrão, é necessário dissolver em álcool etílico, e posterior evaporação até cristalizar, tem-se a evidência de estruturas cristalinas semelhantes, porque tiveram condições cristalinas semelhantes. Nesse caso, já se sabe que existe a suspeita de polimorfo. Quando o aspecto não se apresente dentro do padrão, não pode ser feita a mudança quando o fármaco apresenta apenas 1 único polimorfo de atividade, porque se você mudar, você acaba criando um viés, dizendo que o polimorfo sem atividade possui alguma atividade. A difração de raio x apresenta diferenças sutis que outros ensaios não poderiam destacar. • Interações: Fármaco-fármaco: fármacos fracamente ácidos com fármacos fracamente básicos Fenobarbital sódico com Cloridrato de fluoxetina Ceftriaxona sódica com Cloridrato de lidocaína (formação de precipitado que impossibilita o efeito de ambos) Fármaco-excipiente: AAS com estearato de magnésio: alcalinidade livre que favorece a hidrólise do AAS Folinato de cálcio com edeteato dissódico: o quelante rouba o sódio e torna o produto mais facilmente degradado Metronidazol com lactose: envolve energia do processo em que um açúcar redutor reage com um reagente que possui amina primária, que com a lactose que é redutor, tem-se uma reação chamada reação de Maillard, quando exposta a luz, intensifica-se. Excipiente-excipiente: Parabenos com polissorbatos, em que se diminui o efeito conservante de parabenos. É necessário identificar a interação, como utilizar as interações de maneira positiva, como evitar algumas interações negativas e como corrigi-las. • Planejamento de formas farmacêuticas - Indicação terapêutica do fármaco - Faixa etária para quem se destina - Biodisponibilidadedo fármaco - Estabilidade e propriedades físico-químicas do fármaco - Efeitos adversos antecipadamente conhecidos