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TROMBOSE VENOSO PROFUNDA (TVP) DEFINIÇÃO · Presença de coágulo no sistema venoso profundo (acompanha artérias na fáscia profunda dos músculos) · Tromboflebite: coágulo no sistema venoso superficial FISIOPATOLOGIA · Tríade de Virchow · Lesão endotelial: expõe o sangue ao tecido subendotelial, que possui colágeno, ativando plaquetas e formando um tampão fraco, que leva à ativação da cascata de coagulação (fatores de coagulação/teciduais) · Estado de hipercoagulabilidade: leva à uma resposta hemostática desproporcional diante de uma injúria tecidual · Estase venosa: leva ao aumento da concentração de fatores de coagulação, principalmente nas válvulas venosas, pois inibe a renovação de sangue e a diluição dos fatores · Turbilhonamento do fluxo sanguíneo: o fluxo sanguíneo normal é contínuo e laminar, ou seja, o sangue que está em contato com o vaso sanguíneo é essencialmente estacionário, e as camadas mais internas de sangue movem-se mais rapidamente no vaso. Em condições patológicas, o fluxo sanguíneo torna-se turbulento · Condições normais as plaquetas ficam no centro do vaso e as hemácias na periferia · Correntes sanguíneas circulares levam as plaquetas para a periferia do vaso, entrando em contato com o endotélio · Fatores que podem levar ao turbilhonamento: aumento da velocidade do fluxo sanguíneo, retorno agudo da circulação, superfícies ásperas na circulação (aterosclerose), estreitamento rápido do vaso sanguíneo, redução do fluxo sanguíneo (quando há aumento da viscosidade) · A formação de trombos no sistema venoso profundo leva à alterações hemodinâmicas, que são: · Perda da fasicidade respiratória: em condições normais o fluxo sanguíneo é fásico de acordo com a respiração no US, na TVP o fluxo torna-se contínuo · Aumento da pressão venosa e ausência de queda na deambulação · Distensão venosa: provoca dor EPIDEMIOLOGIA · 92% das TVPs acontecem na perna esquerda, devido à anotomia do cruzamento das artérias ilíacas sobre a veia ilíaca comum esquerda. Quando essa compressão é exacerbada temos a síndrome de Mary-Turner (vide IVC) · Fatores de risco: diretamente ligados à tríade de Virchow (imagem) · Medidas simples de profilaxia podem reduzir em até 70% a incidência da mesma nos pacientes clínicos e cirúrgicos. APRESENTAÇÃO CLÍNICA · Anamnese: dor, edema, empastamento muscular, dor à palpação de trajeto venoso, cianose, dilatação de veias superficiais, fatores de risco · Exame físico: · Dor acentuada pela deambulação e posição ortostática · Assimetria de membros por edema · Cianose · Palidez (em quadro avançado) · Flegmasia blanca dolens (inflamação branca dolorosa): sendo difícil de se palpar os pulsos periféricos em virtude de frequente vasoespasmo associado e edema do subcutâneo · Flegmasia cerúlea dolens (inflamação azul dolorosa): coloração do membro torna-se vermelho-violácea aumentando de intensidade com o membro pendente e melhorando com a elevação · Sinal de Homans: à hiperextensão do membro paciente refere dor na panturrilha · Sinal da bandeira: ao fletir-se o joelho, apoiando-se o pé na cama, a massa muscular não balança livremente · Sinal de Pratt: veias superficiais dilatadas · Sinal de Moses: sinal do “cacifo” no músculo · Sinal de Godet: edema do subcutâneo · Aumento de temperatura do membro · Gangrena venosa: um quadro extremo, onde o retorno venoso encontra-se tão comprometido, que a entrada de sangue no membro é interrompida · Dispneia, sensação de morte iminente, dor pleural e tosse com escarro hemoptoico sugerem que houve embolia pulmonar · Até 50% dos pacientes com TVP não tem sintomas clínicos COMPLICAÇÕES · Pode evoluir para TEP: o risco de EP é maior quanto mais proximal e quanto mais extenso o segmento venoso obstruído · Pode levar à Hipertensão Venosa Crônica/ Insuficiência Venosa Crônica: síndrome pós-trombótica com edema, dor, eczema, dermatite ocre, ulceração DIAGNÓSTICO · Dados clínicos · Escore de Wells :estima a probabilidade pré-teste de TVP, sendo útil na abordagem inicial, para definir qual exame será solicitado · TVP PROVÁVEL: ≥2 PONTOS · TVP NÃO PROVÁVEL: <2 PONTOS · O escore de Wells deve ser associado com outros meios diagnósticos adicionais como Eco Doppler com compressão venosa (para paciente de ALTO ESCORE) e D-dímero (para paciente de BAIXO ESCORE) · D-dímero: é um dos produtos da degradação da fibrina, pode estar presente em situações de formação e degradação de trombos, não sendo marcador específico de TVP · Alta sensibilidade e baixa especificidade para TVP · Alto valor preditivo negativo: um paciente que apresenta baixa probabilidade de TVP e um D-dímero negativo automaticamente exclui o diagnóstico de TVP TRATAMENTO · Objetivos: · Impedir crescimento do trombo · Prevenir TEP · Aliviar sintomas · Evitar recidivas · Impedir síndrome pós-trombótica/IVC · Anticoagulação · HEPARINAS 1. Heparina Não Fracionada (HNF): inibe fatores II e Xa (fora do trombo) · Vantagens: rápido inicio de ação e depuração, permitindo ajuste fino da posologia; monitorização do efeito terapêutico; não necessita de ajuste em pacientes renais; possui antídoto · Desvantagens: curta janela terapêutica; variação de biodisponibilidade muito grande pois se liga à reagentes de fase aguda diversos; não pode ser usada VO · Monitorização: TTPa 1,5-2,5 vezes acima do LSN; contagem de plaquetas pelo risco de trombocitopenia induzida por heparina a partir do 4º dia de tto · Administração: EV bolus 80UI/kg + 18UI/kg/hr em BI · Diluição: 1 frasco-ampola (25.000U/5ml) + 500ml SG 5% · Antidoto: protamina 2. Heparina de Baixo Peso Molecular (HBPM): menor ação plaquetária, pois tem menor efeito sobre a trombina · Enoxaparina (clexane), Dalteparina, Tinzaparina · Vantagens: maior disponibilidade por via SC; efeito anticoagulante prolongado, permitindo 1 a 2 aplicações diárias; efeito dose-resposta mais previsível; não necessita monitorização laboratorial; menor risco de complicações hemorragias e imunomediadas (trombocitopenia) · Administração: Enoxaparina 1mg/kg SC 12/12 hrs (posologia terapêutica para TVP) · Posologia profilática para TVP: 20-40mg SC 1x/dia · ANTAGONISTAS DE VITAMINA K (CUMARÍNICOS): inibem os fatores de coagulação vitamina K dependentes (II, VII, IX e X). Também inibe proteínas Ce S (anticoagulantes) · Varfarina e Marevan · Desvantagens: estreita janela terapêutica, necessitando de ajuste; necessita uso de heparina por 4-5 dias enquanto inicia-se tratamento com varfarina para que o paciente esteja completamente anticoagulado; muitas interações medicamentosas e alimentares · Monitorização INR 2-3 · Interações medicamentosas: AINEs, álcool, amiodarona, ciprofloxacino, fenitoina, fluconazol, metronidazol, paracetamol, omeprazol e bactrim aumentam o efeito da varfarina. Enquanto barbitúricos, carbamazepina, rifampicina, sucralfato reduzem a ação da varfarina · ANTICOAGULANTES ORAIS: inibidores diretos do fator Xa (converte protrombina em trombina) · Rivaroxabana (Xarelto), Dabigatrana · Vantagem: não necessita de monitorização laboratoria, pois não altera significativamente o TAP e o TTPA · CONTRAINDICAÇÃO PARA ANTICOAGULAÇÃO: sangramento ativo, trauma importante, cirurgia recente, trombocitopenia, hipertensão grave, filtro de veia cava inferior, neurocirurgia, AVCH, AVCI recente · Trombectomia (tratamento cirúrgico): após advento da cirurgia endovascular não é muito utilizado mais · Indicações: FLEGMASIA CERULEA DOLENS PCTES JOVENS, TVP ILIOFEMORAL, HISTORIA MENOS 5 DIAS, FLEBOGRAFIA OU DOPPLER COM IMAGEM DE TROMBO FLUTUANTE OU RECENTE · Tratamento endovascular fibrinolítico · Estreptoquinase: única aprovada pelo FDA · rtPa: alteplase