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VIA AÉREA E RESPIRAÇÃO Os primeiros passos para identificar e controlar o comprometimento potencialmente fatal da via aérea são reconhecer os problemas envolvendo trauma maxilofacial, cervical e laríngeo e identificar os sinais objetivos de obstrução. IDENTIFICAÇÃO DO PROBLEMA · A obstrução da via aérea pode ser súbita e total, insidiosa e parcial e/ou progressiva e recorrente. · A taquipneia pode ser um sinal sutil, porém precoce de comprometimento da via aérea ou da ventilação. · A medida inicial mais importante é falar com o doente e estimular sua responsividade verbal. A presença de resposta verbal clara e apropriada indica que a via aérea está permeável, que a ventilação está intacta e que a perfusão cerebral está adequada. Trauma Maxilofacial · O trauma de face exige uma abordagem agressiva, porém cuidadosa da via aérea · Fraturas faciais podem ser associadas a hemorragias, aumento de secreções orofaríngeas e avulsões dentárias que dificultam a manutenção da permeabilidade da via aérea. · Fraturas da mandíbula principalmente fraturas bilaterais do corpo, pode levar à perda do suporte estrutural da via aérea. Trauma Cervical · Os ferimentos penetrantes do pescoço podem causar lesões vasculares que levam a hematomas cervicais expansivos, os quais podem resultar em obstrução da via aérea e as vezes exigindo tratamento cirúrgico. · O trauma cervical contuso ou penetrante pode causar ruptura da laringe ou da traqueia, seguido de obstrução da via aérea e/ou hemorragia maciça na árvore traqueobrônquica. · Nessas condições, torna-se imperativo assegurar uma via aérea definitiva. · Para evitar que se amplie uma lesão preexistente da via aérea, o tubo endotraqueal deve ser inserido cuidadosamente e, preferencialmente, sob visão direta. Trauma de Laringe · Embora a fratura de laringe seja uma lesão rara, ela pode se manifestar como obstrução aguda da via aérea. · Ela é sugerida pela seguinte tríade de sinais clínicos: · Rouquidão · Enfisema subcutâneo · Fratura palpável · Se houver insucesso na tentativa de intubação, a traquestomia de emergência é indicada, seguida de reparo cirúrgico da lesão. · A traqueostomia é um procedimento de difícil execução em situações de emergência, demanda um tempo maior e pode resultar em hemorragia profusa. · A cricotireoidostomia cirúrgica, embora não seja o procedimento de escolha nessa situação, pode constituir uma manobra salvadora da vida. · Obstrução parcial: Respiração ruidosa. · Obstrução total: A ausência de movimentos respiratórios · A tomografia computadorizada pode auxiliar na confirmação diagnóstica. SINAIS OBJETIVOS DE OBSTRUÇÃO DA VIA AÉREA · Paciente está agitado ou torporoso. · Agitação sugere hipóxia · Torpor sugere hipercapnia. · Cianose indica hipoxemia por oxigenação inadequada (sinal tardio) · Comprometimento da via aérea: se há tiragem intercostal e uso de musculatura acessória na ventilação; · Procura de ruídos anormais. · Obstrução. · Roncos, gorgolejos e estridores podem ser manifestação de obstrução parcial da faringe ou da laringe. · Rouquidão (disfonia) implica obstrução funcional da laringe. · Palpe a traqueia e determine, rapidamente, se ela está em posição central no pescoço. SINAIS OBJETIVOS DE VENTILAÇÃO INADEQUADA · Movimentos respiratórios assimétricos e inadequados. · Diminuição do murmúrio vesicular à ausculta. Preste atenção à FR. · Verificar no oxímetro se há saturação adequada TRATAMENTO DA VIA AÉREA · A oximetria de pulso e a medida do C02 expirado são fundamentais. · Sempre atento com a segurança da coluna cervical e evitar grandes movimentações. · Ofertar oxigênio. · A sonda de aspiração com ponta rígida é fundamental e deve estar sempre disponível. · Doentes que usam capacete e que necessitam de abordagem da via aérea precisam que sua cabeça e pescoço sejam mantidos em posição neutra até a remoção do capacete. A VIA AÉREA POTENCIALMENTE DIFÍCIL · Os fatores que podem indicar a dificuldade na execução de manobras para abordagem da via aérea são: · Lesões da coluna cervical (o próprio colar cervical atrapalha) · Artrite avançada da coluna cervical, · Trauma mandibular ou maxilofacial significativo, · Limitação na abertura da boca, · Obesidade · Variações anatômicas (micrognatismo, prognatismo e pescoço curto e musculoso). · Qualquer obstrução de via aérea representa um desafio imediato. TÉCNICAS PARA MANUTENÇÃO DA VIA AÉREA · Elevação do mento (chin-lift): · Tração da mandíbula: Tubo orotraqueal Não pode usar em pacientes conscientes, pois pode despertar o reflexo do vômito VIA AÉREA DEFINITIVA · Um tubo endotraqueal, com o balão insuflado abaixo das cordas vocais, devidamente fixado com fita ou cadarço, conectado a um sistema de ventilação assistida, com mistura enriquecida em oxigênio. · Há três tipos de via aérea definitiva: · tubo orotraqueal, · tubo nasotraqueal · via aérea cirúrgica (cricotireoidostomia ou traqueostomia). Intubação Endotraqueal · O doente com glasgow igual ou inferior a 8 exige intubação imediata. · Se não houver necessidade imediata de intubação, pode-se, então, providenciar radiografias da coluna cervical. · Os fatores determinantes mais importantes na escolha entre realizar uma intubação orotraqueal ou nasotraqueal são a experiência do médico e a presença de ventilação espontânea do doente. · A via orotraqueal seja realizada com maior frequência e apresente menos complicações em UTI · Contraindicações relativas para nasotraqueal: · Fraturas faciais, · Fraturas do seio frontal, · Fraturas da base do crânio e da placa cribiforme são · SINAIS DESSAS LESÕES: · Evidência de fratura de nariz · Olhos de guaxinim · Sinal de Battle (equimose retroauricular) · Extravasamento de líquido cefalorraquidiano (rinorreia ou otorreia). · Como saber se o tubo endotraqueal está corretamente posicionado? · Sugerido pela ausculta de murmúrio vesicular em ambos os pulmonares e pela ausência de borborigmos no epigástrio (intubação esofágica). · O detector de dióxido de carbono (idealmente um capnógrafo porém, se este não estiver disponível, pode-se usar um detector colorimétrico de C02) é indicado para auxiliar na confirmação da intubação correta da via aérea. A presença de C02 no ar expirado indica que a intubação foi bem-sucedida, mas não garante que o tubo endotraqueal esteja em posição correta. · O posicionamento adequado do tubo dentro da traqueia é confirmado de forma mais adequada por meio da radiografia de tórax. Via aérea cirúrgica · A impossibilidade de intubação da traqueia é uma indicação clara para o uso do plano alternativo de abordagem à via aérea que inclui a máscara laríngea, a máscara laríngea que permite a intubação ou uma via aérea cirúrgica. · Quando a via aérea estiver obstruída por edema de glote, fratura de laringe ou hemorragia orofaríngea grave ou quando o tubo endotraqueal não puder ser posicionado entre as cordas vocais, deve-se proceder à abordagem cirúrgica da via aérea (cricotireoidostomia ou traqueostomia). · A cricotireoidostomia cirúrgica é preferível à traqueostomia para a maioria dos doentes que necessitam de uma via aérea cirúrgica porque ela é mais fácil de ser realizada, apresenta menor hemorragia associada e requer menos tempo para sua execução do que uma traqueostomia de emergência. · Cricotireoidostomia · Por punção · Cirúrgica Cricotireoidostomia por punção · Envolve a inserção de um cateter sobre agulha pela membrana cricotireoidea em situações emergenciais para fornecer oxigênio ao doente em um curto espaço de tempo, até que a via aérea definitiva possa ser realizada. · A insuflação em jato é obtida com a inserção de um cateter sobre agulha de grosso calibre de diâmetro (12-14 em adultos e 16-18 em crianças) através da membrana cricotireoidea e em direção à traqueia abaixo do nível da obstrução. · O cateter é, então, conectado a uma fonte de oxigênio a 15 L/min (40 a50 psi) por meio de uma conexão em Y ou por meio de um tubo que apresente um orifício cortado na lateral.· A insuflação intermitente, um segundo sim e quatro segundos não, é realizada com o posicionamento do polegar sobre a extremidade aberta do conectar em Y ou sobre o orifício lateral. · O doente traumatizado pode ser oxigenado adequadamente por 30 a 45 minutos com essa técnica, mas somente doentes que possuam função pulmonar normal e que não apresentem lesões torácicas significativas podem ser oxigenados dessa forma. Cricotireoidostomia Cirúrgica · Faz-se uma incisão na pele que se estende pela membrana cricotireoidea. · Dilata a abertura com uma pinça hemostática curva · Insere um tubo endotraqueal (de preferencia 57 mm de diâmetro) · Não é recomendada para crianças menores de 12 anos · Ultimamente tem-se a percutânea como alternativa para a aberta. Não é muito seguro durante o atendimento ao politraumatizado, pois o pescoço do doente deve ser hiperestendido para posicionar adequadamente a cabeça para executar o procedimento com segurança. Indicações de Traqueostomia (principais): Obstrução VAS Intubação orotraqueal prolongada Edema (queimadura, anfilaxia, infecção) Indicações de Crico: TCE Trauma maxilo-facial Obstrução Contraindicações de crico: Trauma laríngeo Infecção laríngea Crianças < 12 anos CONTROLE DA OXIXENAÇÃO Máscara facial com fluxo de ate 10 L/min. Como alterações na oxigenação podem acontecer sem nenhum sinal clinico a oximetria de pulso deve ser utilizada todo o tempo. MANEJO DA VENTILAÇÃO Pode-se conseguir ventilação eficiente por meio da ventilação com dispositivo de máscara com válvula e balão. Sempre feito por 2 pessoas.