Resumo de helmintos
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Resumo de helmintos

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Helmintologia

Leonardo Martins Caldeira de Deus – Med 137

Capítulo XVII – Esquistossomose Mansoni

XVII.1 – Agente Etiológico

 Filo: Platyhelminthes.

 Classe: Trematoda

 Família: Schistosomatidae.

 Espécies: Schistosoma mansoni.

XVII.2 – Morfologia e Habitat

 Dependendo do ciclo evolutivo, o S. mansoni

pode apresentar várias formas e diferentes habitats. Os

casais adultos vivem nos componentes do sistema porta, principalmente nos vasos da veia

mesentérica inferior, que drena sangue do intestino grosso. O macho (1,0cm) apresenta um canal

ginecóforo (fenda), onde permanece a fêmea (1,5cm). Ambos possuem ventosa oral e ventosa

ventral.

 As outras formas encontradas são:

 Ovos: presentes nas fezes ou presos na mucosa

intestinal ou no tecido hepático do paciente;

 Miracídio: encontrado dentro dos ovos maduros ou

nadando na água para penetrar um caramujo do gênero

Biomphalaria;

 Esporocisto: forma vista dentro do caramujo;

 Cercária: forma produzida no caramujo e que nada na

água até penetrar na pele de algum hospedeiro definitivo.

XVII.3 – Ciclo Biológico

Eliminação de fezes com ovos maduros → Liberação de miracídios quando os ovos entram em

contato com a água → Miracídio encontra caramujo Biomphalaria → Miracídio1 transforma-se

em esporocisto → Intervalo de 30-40 dias → Esporocisto pode originar outros esporocistou ou

1
 Um miracídio é capaz de produzir cerca de 300 mil cercácias, que vão sendo liberadas lentamente, durante a vida do

caramujo, que é de um ano aproximadamente.

Leonardo Martins Caldeira de Deus – Med 137

cercárias → Liberação das cercárias2 →Cercárias encontram hospedeiro definitivo → Perda da

cauda e transformação em esquistossômulos → Esquistossômulos caem na corrente

sangüínea e alcançam o fígado e veias do sistema porta intrahepáticos →Acasalamento de

vermes adultos → Migração dos vermes adultos para a veia mesentérica inferior →Postura de

ovos na submucosa 30-40 dias após penetração da cercaria.

 Os ovos colocados na submucosa podem tomar 3

caminhos:

 Alcançar a luz intestinal e completar o ciclo no

caramujo;

 Ficar presos na mucosa e formar os granulomas

intestinais;

 Voltar pela corrente sangüínea e ficar preso no tecido

hepático, onde formarão granulomas hepáticos.

 É válido ressaltar que a saída do ovo para a luz

intestinal é um resultado da resposta imune do hospedeiro, a

qual gera micro regiões de úlceras, que possibilitam ao ovo

adentrar a luz intestinal. Caso o paciente seja

imunossuprimido, os ovos ficarão retidos no tecido

XVII.4 – Patogenia e Sintomatologia

 A esquistossomose mansoni apresenta a senguintes fases:

 Fase Cutânea: formação de dermatite cercariana no local de penetração, com eritema e

prurido. Os sintomas aparecem cerca de 10 a 15 minutos após a penetração;

 Fase Intestinal: presença de granulomas na parede do reto e do sigmóide, causando dor,

diarréia mucossanguinolenta no início (fase aguda) e dificuldade de defecar (fase crônica);

 Fase Hepática: presença de granulomas no tecido hepático, os quais provocam fibrose

hepática e dificuldade na circulação do sangue em direção à veia cava. Esse quadro de

hipertensão portal aparece após vários anos após a infecção (fase crônica) e é acompanhado

por ascite (barriga d’água), varizes esofagianas e esplenomegalia em razão da hipertensão.

XVII.5 – Diagnóstico

2
 As cercarias saem do caramujo nos horários mais quentes e ensolarados do dia (entre 10 e 14 horas) e vivem por mais

de 24 horas. Contudo, só são capazes de penetrar na pele durante as primeiras 8 horas de vida.

Leonardo Martins Caldeira de Deus – Med 137

 O exame diagnóstico mais eficiente é o parasitológico, o qual deve ser feito, no mínimo, 40

dias depois da penetração pelas cercarias. Ainda pode ser realizada a biopsia retal, quando há forte

suspeita clínica com exame de fezes negativo e ensaios imunológicos como ELISA.

XVII.6 – Epidemiologia e Profilaxia

 A esquistossomose ocorre em regiões quentes e pobres do mundo, já que o sol é necessário

tanto para a existência do molusco, quanto das formas livres do parasita.

 Fonte de Infecção: humanos parasitados e alguns ratos ou bezerros;

 Forma de Transmissão: cercárias presentes na água;

 Via de Transmissão: através da água;

 Via de penetração: via cutânea. As cercárias ingeridas podem

continuar o ciclo ao penetrar na mucosa oral, porém morrerão ao

chegar no estômago.

A esquistossomose mansoni depende diretamente de quatro fatores: presença de humanos positivos,

hábitos de defecar próximo a córregos, presença de caramujo Biomphalaria, hábito de freqüentar

esses córregos, quer para uso na lavoura, quer para o lazer ou para lavar roupa. Dentre os caramujos

desse gênero, as espécies de maior relevância na esquistossomose são:

 B. straminea: libera pouca quantidade de larva, mas é possui grande importância no

Nordeste brasileiro;

 B. glabrata: libera grande quantidade de cercárias por dia (~4.000) e é o principal

responsável pela doença no Brasil;

 B. tenagophila: possui maior importância no Sul do Brasil e está mais relacionado a focos

endêmicos nessa região.

 A profilaxia dessa doença depende de educação sanitária, cívica e ambiental, construção de

esgotos sanitários e higiene pessoal. O combate ao caramujo é uma medida cara, pouco eficiente e

só recomendada em situações muito especiais, tais como pequenos focos peridomiciliares. Nesse

contexto usa-se patos, peixes ou outros caramujos competidores como controle biológico.

Concha de molusco do

Gênero Biomphalaria.

Leonardo Martins Caldeira de Deus – Med 137

Capítulo XVIII – Teníase e Cisticercose

XVIII.1 – Teníase

XVIII.1.1 – Agente Etiológico

 Filo: Platyhelminthes.

 Classe: Cestoda.

 Espécies: Taenia solium e Taenia saginata.

XVIII.1.2 – Morfologia e Habitat

 As duas espécies de tênia (ou solitária) acima

vivem no intestino delgado humano . Trata-se de

vermes longos que podem chegar a 4m (T. solium) ou

a 12m (T. saginata). Ambas são compostas por um

escólex (contém 4 ventosas), um colo (origina as

proglotes) e o corpo (contituído por centenas de

proglotes). As outras formas encontradas são:

 Ovos: possuem em seu interior a oncosfera

(ou embrião hexacanto);

 Cisticerco ou larvas: encontrados nos

músculos dos respectivos hospedeiros intermediários:

o suíno (T. solium) e o bovino (T. saginata).

XVIII.1.3 – Ciclo Biológico

Eliminação de fezes com proglotes cheias de ovos →

Ovos caem em pocilgas ou pasto → Suíno ingere os

ovos de T. solium → Ovos chegam no intestino e

liberam a oncosfera → Oncosfera cai na corrente

sanguínea e migra para os músculo →

Transformação em cisticercos maduros após 2meses → Humano come carne crua ou mal

cozida contendo cisticercos → Cisticercos chegam ao intestino e se exteriorizam quando

estimulados pela bile → Cisticercos se prendem ao intestino delgado pelo escólex → Início da

formação das tênias adultas → Início da liberação de proglotes após 2 meses da ingestão de

carne crua. O mesmo ocorre com a T. saginata, sendo o hospedeiro intermediário o bovino.

XVIII.1.4 – Patogenia e Sintomatologia

Taenia solium: E - escólex, com quatro ventosas e um rostro

armardo, seguida do colo ou pescoço; Pj - proglotes jovens; Pm -

proglotes maduras; Pg - proglotes grávidas, que saem junco com as

fezes do paciente.

Morfologia básica das tênias: à esquerda a Taenia solium e à

direit a Taenia saginata: A – escólex; B – proglotes jovens; C –
Proglotes grávidas; D – ovo, que é idêntico para as duas espécies
da Taenia.

Formas da Taenia solium: A – ovo (que é igual ao de T.
saginata); B – cisticerco invaginado; C – cisticerco
desenvaginado: 1 - escólex, mostrado
Julia Angeloni fez um comentário
  • Oi Isabella, será que você poderia enviar esse material por email?? Obrigada!
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