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Macrocefalia Macrocefalia: É o crescimento anormal do PC, com valores superiores a 2 desvios padrão acima do percentil 95 para sexo, raça, idade e idade gestacional. A macrocefalia pode ser hereditária, causada por hidrocefalia ou estar associada a outros transtornos, como neurofibromatose e esclerose tuberosa. - Em aproximadamente metade dos casos de macrocefalia, não há comprometimento cognitivo. O crescimento craniano está relacionado com o crescimento cerebral e com a circulação do líquido cefalorraquidiano (LCR). Por esse motivo, qualquer situação que condicione o aumento do tamanho cerebral ou da quantidade de LCR vai refletir-se no tamanho do crânio. - O maior aumento do volume cerebral ocorre nos últimos 3 meses de vida intrauterina e durante os 2 primeiros anos após o nascimento. # Megalencefalia (ou macroencefalia): é o aumento do parênquima cerebral. Além da hereditariedade, também pode estar associado a outros transtornos, como tumores intracranianos, neurofibromatose e esclerose tuberosa. - A macrocefalia pode relacionar-se ao retardo mental (aproximadamente metade dos casos o desenvolvimento mental é normal). - A medição do PC deve ser realizada desde o nascimento até os 36 meses e em todas as consultas pediátricas. A evolução do crescimento do PC ao longo do tempo é um fator informativo muito importante, contribuindo como indicador de doença neurológica. - O PC aumenta 2 cm/mês durante os primeiros 3 meses de vida, 1 cm/mês até aos 6 meses e 0,5 cm/ mês entre 6 e 24 meses. No pré-termo, o PC em regra cresce 1 cm/semana nos primeiros 2 meses e 0,5 cm/mês nos 2 meses seguintes. Valores dos PC pela Organização Mundial da Saúde (OMS): • nascimento – meninas 31 a 36 cm; meninos 31 a 37 cm; • 1 ano – meninas 42 a 47 cm; meninos 43 a 48 cm; • 2 anos – meninas 44 a 50 cm; meninos 45 a 51 cm; • 3 anos – meninas 45 a 51 cm; meninos 46 a 52 cm; • 4 anos – meninas 46 a 52 cm; meninos 47 a 53 cm; • 5 anos – meninas 47 a 52 cm; meninos 47 a 53 cm. Etiologia e fisiopatologia: Trata-se de uma patologia rara, mais frequente no sexo masculino, com provável determinação genética, visto que podem ocorrer alguns casos em uma mesma família, caracterizando a macrocefalia benigna. Tipos de macrocefalia # Macrocefalias secundárias a patologia cerebral e do LCR Primárias: Inclui a macrocefalia familiar (constitucional) e a hemimegalencefalia, ambas de provável etiologia genética e as macrocefalias associadas a síndromes genéticas (acondroplasia, neurofibromatose, esclerose tuberosa, cromossomopatias, síndrome de X frágil, síndrome de Sotos e outras). # Secundárias (progressivas ou evolutivas): Ocorre na presença de lesões que ocupam espaço no cérebro (massas, coleções ou malformações vasculares). Inclui a hidrocefalia e a hidrocefalia externa benigna em lactentes com dilatação dos espaços subaracnóideos e sinais de hidrocefalia comunicante, mas sem repercussão clínica; incluem-se também os depósito de substâncias anômalas. # Macrocefalias secundárias a patologia óssea: Por fechamento precoce das suturas ou em situações de patologias ósseas. - Manifestações clínicas: Os sinais e sintomas são variáveis de acordo com a etiologia. - Diagnóstico e prognóstico: Muitas malformações podem ser detectadas ainda na fase intrauterina, pelas ultrassonografias durante o período gestacional. - Em crianças maiores, as causas de macrocefalia são mais facilmente identificáveis, pois, em geral, têm natureza adquirida. 1. Ultrassonografia de crânio: método rápido, seguro e de baixo custo na avaliação de recém- nascidos com macrocefalia. Muito utilizado no período gestacional. 2. Radiografia simples de crânio: comprovação da desproporção craniofacial. No lactente em situações normais ocorrem diferentes densidades radiológicas nos ossos cranianos, o tamanho da fontanela bregmática é variável e a largura das suturas pode ser grande. 3. Eletroencefalograma: na avaliação de pacientes com macrocefalia severa, pode oferecer indícios de hidranencefalia. 4. Transiluminação: é uma técnica simples de investigação diagnóstica que pode ser usada para detectar anormalidades maiores do SNC. Tem valor limitado pela falta de uma padronização técnica. No lactente, a transiluminação pode detectar várias anomalias, incluindo hidrocefalia, porencefalia, hidranencefalia e efusões subdurais. 5. Tomografia computadorizada: Tamanho, progressão dos ventrículos e espaços liquóricos, além de algumas alterações fisiopatológicas, como edema periventricular, desproporção do crescimento dos ventrículos e presença de alterações atróficas do cérebro. 6. Ressonância magnética: possibilita definição das malformações congênitas associadas. Tratamento: O tratamento clínico restringe-se a cuidados com a patologia principal. - A opção cirúrgica de tratamento é a colocação de válvula de derivação quando há hidrocefalia. A incidência de complicações decorrentes destes tratamentos ainda é alta. - Os tratamentos alternativos não operatórios precisam de resultados clínicos satisfatórios, além de medidas sintomáticas: antiepilépticos nas situações que cursem com convulsões, reabilitação, educação especial, intervenção precoce, medidas ortopédicas, apoio social e, em determinadas situações, aconselhamento genético. Macrocefalia constitucional Macrocefalia por hidrocefalia externa benigna: Mais frequente no sexo masculino. História familiar positiva Macrocefalia pode não estar presente ao nascimento, o PC vai crescendo até > P 95 Exame de imagem para diagnóstico. Distribuição predominantemente anterior do LCR (na atrofia cerebral, LCR distribuído anterior e posteriormente) DPM e exame neurológico normais. Hemimegalencefalia: Atraso mental Convulsões Hemiparesia. Hidrocefalia: Lesões ocupando espaço Cefaleias, vômitos, irritabilidade Atraso no DPM Alteração da morfologia da calota craniana Alterações/déficits neurológicos Doenças de depósito de substâncias anômalas: Síndromes genéticas Deterioração neurológica, atraso mental, convulsões Hepatoesplenomegalia, fenótipo peculiar Alterações psicológicas Craniossinostose: Deformidade craniana Hipertensão intracraniana Alterações visuais Doenças ósseas sistêmicas: Sintomatologia geral, vômitos, má progressão ponderal Anemia, alterações bioquímicas Deformidades esqueléticas