Prévia do material em texto
Resumo Pneumologia P1 Testes de função pulmonar - Espirometria Tipos de exames de função pulmonar Espirometria simples com broncodilatação, incluindo manobras lentas e forçadas Medida de volumes pulmonares (pletismografia ou N2) Broncoprovocação Testes de exercício (ergoespirometria) Testes de avaliação da troca gasosa → Difusão de monóxido de carbono e Gasometria arterial Pulmão Zona condutora: espirometria avalia a condução e não a troca gasosa Árvore brônquica: ramificação em várias gerações Brônquios: componente cartilaginoso Bronquíolos: sustentação por tecido conjuntivo Zona respiratória: região de troca, o fluxo é laminar Volumes e Capacidades Pulmonares Determinantes dos volumes e capacidades - ação dos músculos respiratórios - Forças contrárias à expansão pulmonar: tensão superficial e forças elásticas do pulmão e da caixa torácica VC - capacidade vital: volume máximo de ar que pode ser expirado após uma inspiração max CI - capacidade inspiratória: vol. máx. inspirado após expiração normal VC - volume corrente: vol. inspirado e expirado a cada ciclo VRI - Vol. de reserva inspiratória: quantidade máx de ar que pode ser inspirada além de inspiração normal VRE - vol. de reserva expiratória: quantidade máx de ar que pode ser expirada além de uma expiração normal Volumes não medidos na espirometria: CPT - capacidade pulmonar total CRF - capacidade residual funcional: vol. de ar remanescente nos pulmões após uma expiração normal VR - volume residual: vol. que permanece nos pulmões mesmo após uma expiração forçada Determinantes do fluxo aéreo Ação da musculatura lisa brônquica → ação do SNA Volumes pulmonares → maior resistência em volumes pulmonares baixos Fluxo expiratório máximo O fluxo expiratório forçado é excelente medida da função pulmonar Altera-se em diversas doenças Limitado, principalmente, por propriedades intrínsecas do pulmão. Reprodutível num mesmo indivíduo Espirometria É a medida de ar que entra e sai dos pulmões Papel diagnóstico em indivíduos com sintomas respiratórios ou exposições potencialmente nocivas aos pulmões Avaliação pré-operatória Acompanhamento das respostas terapêuticas Contra-indicações: hemoptise, IAM recente, pneumotórax, descolamento de retina, cirurgias abdominais, neurológicas ou torácicas recentes Sala de exame: - Ambiente deve ser calmo e privado -Temperatura deve ser constante, o aumento da temperatura pode variar em até 5% dos valores de CVF e VEF1 - Horário do dia, aumento dos valores da função a partir do meio dia até o fim da tarde, ação de cortisol -Controle da pressão barométrica Orientações dadas ao paciente antes do dia do exame: - Não fumar 2 horas antes, não ingerir bebidas alcóolicas 4 horas antes - Refeições volumosas nas últimas 2 horas - Evitar cafeína pela ação broncodilatadora - Exercícios extenuantes podem induzir broncoconstrição - Não usar medicações inalatórias (tempo de suspensão varia com posologia) Para a realização do exame Técnico deve preencher dados do paciente: idade, sexo, raça, antropometria, carga tabágica, hipótese diagnóstica, uso de medicamentos Paciente deve repousar 5 a 10 minutos antes do teste Dentaduras devem ser mantidas, a menos que sejam mal-ajustadas Se o paciente apresenta expectoração em maior quantidade que o habitual o teste deve ser adiado Técnico deve explicar como será realizado o exames e que comandos efetuará Exame deve ser realizado pré e pós-broncodilatador Interpretação do exame 1º passo: Avaliar cabeçalho do exame: checar unidades de peso, altura, nome Avaliar o diagnóstico, carga tabágica, medicamentos 2º passo: Avaliar as curvas - devem ser “aceitáveis” Curva inaceitável é diferente de curva patológica 3º passo: Seguir algoritmo de laudo Valores normais CVF e CVL ---------------- ≥ 80% do predito VEF1 ------------------------ ≥ 80% do predito VEF1/CVF ----------------- ≥ 0,75 ou do limite inferior da normalidade Distúrbios de vias aéreas centrais Suspeita Obstrução Vias aéreas superiores: curva ex, ins ou ambas encontram-se achatadas após esforço máximo Fixa: Estenose subglótica - intubação ou traqueostomia prévias Extratorácica Variável: paralisia de uma ou ambas pregas vocais, tumores, lesões inflamatórias de laringe, bócio ex. bocio apertando a traqueia → quando inspira a coluna de ar que passa nao é suficiente para expandir → a curva da inspiraçao fica chata - mas na expiraçao o ar consegue empurrar → curva fica normal Intratorácica variável: tumores traqueais, tumores traqueais como Wegener, amiloidose, traqueomalácia na inspiraçao o ar empurra → curva fica normal a expiraçao o ar nao consegue empurrar → curva fica alterada, achatada Distúrbio obstrutivo → Diminuição de fluxos → a curva fica com uma concavidade Via aérea é estreitada e o fluxo interrompido VEF1 reduz muito mais que a CVF gerando um indice baixo Distúrbio restritivo → Diminuição de capacidades e volumes → é uma minicurva, a forma é normal mas ela é pequena VEF1 e CVF caem proporcionalmente levando a um índice normal a aumentado Laudo da espirometria Ato médico Interpretação e avaliação correlação clínica Laudo do exame é diferente de classificação de doenças (como asma, DPOC) IPVO - insuficiência pulmonar ventilatória obstrutiva IPVR → insuficiência pulmonar ventilatória restritiva Classificação da gravidade distúrbio ventilatório Obstrutivo Valor VEF1(%), na curva pré-broncodilatador Leve Moderado Grave 60 a 79 41 a 59 ⋜ 40 Restritivo CVF pré-bd ≤ 50% → grave Espirometria não permite classificação de distúrbios leves e moderados, sendo necessárias medidas de capacidade pulmonar total e volume residual Resposta ao broncodilatador Avaliar variação do VEF1 A resposta ao BD é positiva quando há aumento maior ou igual de 200ml E 12% https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfxcbjsJ82XBJb6lAFKfnQ3oZDdsZfcARoWyadK5fWyMfv2Cw/viewsc ore?viewscore=AE0zAgB_WzpuIucxDmVkli3nyffsAivfejv3J4IXJGI- Curva volume/tempo tem que ter até 6 segundos pra ser normal COMO AVALIAR A QUALIDADE DE ESPIROMETRIA? Função Pulmonar 2 Tipos de exames de função pulmonar: Espirometria simples com broncodilatação, incluindo manobras lentas e forçadas Pico de Fluxo Broncoprovocação Difusão de monóxido de carbono Medida de volumes pulmonares Cardio-pulmonar Força muscular respiratória Quantificação de shunt pulmonar Troca gasosas https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfxcbjsJ82XBJb6lAFKfnQ3oZDdsZfcARoWyadK5fWyMfv2Cw/viewscore?viewscore=AE0zAgB_WzpuIucxDmVkli3nyffsAivfejv3J4IXJGI- https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfxcbjsJ82XBJb6lAFKfnQ3oZDdsZfcARoWyadK5fWyMfv2Cw/viewscore?viewscore=AE0zAgB_WzpuIucxDmVkli3nyffsAivfejv3J4IXJGI- Broncoprovocação Indicação: dispneia, hiper-reatividade brônquica, tosse Como fazer: Carbacol, metacolina, exercício Objetivo: avaliar a queda do VEF1 com dose conhecida de irritante pulmonar Teste positivo: quando ocorrer queda dos valores acima de 20% com a dose titulada → é + quando tem tosse a esclarecer, ou dispneia a esclarecer Provoca a irritação das vias aéreas Vai induzir a pessoa a passar mal → depois faz broncodilatação Quando não fazer: - grande risco de complicação - Custo elevado pelo fármaco utilizado (relativo) - Equipe treinada para realização Medidas de volumes e capacidades Os volumes pulmonares podem ser avaliados através de três métodos funcionais: 1. Pletismografia de corpo inteiro → pessoa fica em uma cabine e respira dentro de um bucal 2. Wash Out (Lavagem) de nitrogênio 3. Diluição dos gases inertes Quando indicar: - Avaliar a perda de volumes para doenças restritivas - Caracterizar a perda da capacidade vital - Avaliar causalidade de dispneia - Problemas envolvidos: Custos, acessibilidade O que se mede pletismografia corpo inteiro - CPT, CRF, VR - Resistência de via aérea, condutância de via aérea - Espirometria simples - Teste de broncoprovocação Distúrbio obstrutivo → Diminuição de fluxos Distúrbio restritivo → Diminuição de capacidades e volumes 1 - Normal → pouco VR 2 - aumenta o Vr em detrimento a CV → aprisionamento de ar → não consegue soltaro ar → começa a reter 3 - hiperinsuflação → retém VR pois nao consegue soltar → tende a aumenta a CV para nao conseguir ventilar 5 - Misto → VR aumentado, CV reduzida → mantém uma CPT menor do que o normal → ocorre quando tem bolhas dentro do parênquima pulmonar → ocupa um espaço → geralmente ocorre em tabagistas Difusão de gases Teste de difusão de monóxido de carbono do ar inspirado para os glóbulos vermelhos dos capilares pulmonares Avalia o quao rapido que está passando o monóxido de carbono → essa mol. tem grande difusibilidade Relembrar da lei de Fick: A velocidade de transferência de um gás é proporcional a área desta membrana e ao gradiente de pressão parcial e inversamente proporcional à espessura desta membrana Quando indicar: Doenças pulmonares intersticiais; Diferenciar em causas extrapulmonares; Doenças vasculares pulmonares; Avaliação de risco cirúrgico de tórax Força ventilatória Pressão inspiratória máxima Pressão expiratória máxima Sniff Nasal Inspiratory Pressure – SNIP: quando paciente não apresentar prensa bucal adequada → se nao tem força muscular para fazer a prensa bucal tem q fazer esse sniff teste - pelo nariz Força não volitiva: força diafragmática: eletroneuromiografia/ estímulo eletroneuromagnético do nervo frênico → essa força não depende do quando faz o esforço Cardio-pulmonar Teste de caminhada; Teste shutle; Teste de escada; Teste ergoespirometria Teste de caminhada de seis minutos Critérios da American Thoracic Society (2002) Antes e após o teste: FC; FR; PA; SpO2 Percepção de dispneia e fadiga de membros inferiores segundo escala de dez pontos de Borg (A) O consumo de O2 (VO2) cresce quase linearmente com a taxa de trabalho até que a VO2 máx seja alcançada. (B) A princípio, a ventilação aumenta de forma linear com o consumo de O2, porém se intensifica com mais rapidez quando quantidades substanciais de lactato sanguíneo são formadas. A “quebra” evidente na inclinação muitas vezes é chamada de limiar anaeróbico (LA) ou limiar de ventilação ou limiar de lactato. O débito cardíaco aumenta mais lentamente do que a ventilação. Avaliação da troca gasosa Gasometria arterial e Oximetria de pulso Identificação e quantificação de Shunt pulmonar Identificação: Ortodeoxia; Cintilografia pulmonar; Ecocardiograma Quantificação: Saco de Douglas : FIO2: 100% Doença pulmonar obstrutiva crônica - (DPOC) Doença prevenível e tratável → Decorrente da inalação de gases e partícula tóxicas Caracterizada por obstrução ao fluxo aéreo: - obstrução de vias aéreas - destruição do parênquima pulmonar Gera: - Bronquite crônica - Enfisema pulmonar Fatores de risco Gases e partículas tóxicas - Poluição - Trabalho em locais com gases toxicos - Queima da biomassa (fogão a lenha) - Tabagismo ativo - Fumante passivo Fatores genéticos Idade avançada Sexo feminino Crescimento e desenvolvimento pulmonar Status socioeconômico Genético: deficiência de alfa 1-antitripsina → todo pct com dpoc tem que dosar a alfa 1 → mas obrigatoriamente tem que dosar em pcts muito jovens ou com carga tabágica baixa → menos de 40 anos ou fumou menos que 10 anos/maço Quadro clínico Tosse produtiva Dispnéia persistente e progressiva Sibilância Complicações: insuficiência respiratória crônica, exacerbação, morte Causa da tosse? metaplasia escamosa e hiperprodução de muco (hipertrofia das glândulas submucosas e cel. Goblet) → devido a bronquite → agressão do pulmão → produz mais muco → hiperplasia das cel produtoras de muco → excesso é liberado pela tosse Tem uma metaplasia nas cel ciliadas → vira ep escamoso → não consegue eliminar Causa da sibilância? estreitamento das vias aéreas Causa da dispneia? limitação da capacidade inspiratória, pela obstrução do fluxo aéreo → hiperinsuflação/ diminuição da capacidade inspiratória Manifestações sistêmicas da doença ● Caquexia → perda de peso e perda muscular ● Osteoporose ● Anemia da doença crônica → normocítica e normocrômica- ● Depressão e ansiedade ● Insuficiência coronariana ● Câncer de pulmão Exame físico Normal → estágios iniciais Hiperinsuflação → estágios avançados expansibilidade globalmente reduzida; frêmito difusamente reduzido; hipersonoridade na percussão; tórax em barril; MV difusamente diminuído, podendo ter crepitações grossas, sibilos, roncos Diagnóstico Sintomas: tosse, expectoração e dispneia Exposição a fatores de risco: tabagismo; poluição extra ou intradomiciliar; ocupação Espirometria: VEF1/CVF , 0,70 pós BD RAIO X COM HIPERINSUFLAÇÃO hipertransparência dos campos pulmonares retificação das cúpulas diafragmáticas aumento do diâmetro anteroposterior e verticalmente - aumento dos campos pulmonares aumento do espaço retroesternal Diagnósticos diferenciais: Asma; Bronquiectasias; Tuberculose; Bronquiolites; Insuficiência cardíaca Tratamento Objetivos: Controle de sintomas; Reduzir exacerbações; Melhora da qualidade de vida; Diminuição da mortalidade Tratamento: retirada do fator de risco → única medida capaz de reduzir mortalidade Tratamento: medidas não medicamentosas Vacinação: - Influenza anual → todos - Vacina antipneumocócica → < 65 anos e VEF1< 40% Atividade física Reabilitação pulmonar → programa estruturado - atividade fisica, aerobico e musculação Tratamento medicamentoso: resgate Broncodilatadores de ação curta INALATÓRIOS Beta2-agonistas (SABA): fenoterol, salbutamol Anticolinérgicos (SAMA): ipratrópio Devem ser usados nos momentos de exacerbação de sintomas Eficazes para controle dos sintomas e melhora de VEF1 (evidência A) Efeito melhor quando usados simultaneamente (evidencia A) Tratamento medicamentoso: manutenção Broncodilatadores de ação longa INALATÓRIOS Beta2 agonistas (LABA): formoterol, salmeterol, indacaterol, vilanterol Anticolinérgicos (LAMA): tiotrópio, glicopirrônio, umeclidínio Melhoram função pulmonar, dispneia, qualidade de vida (evidencia A) Reduzem taxas de exacerbação (evidência B) LAMA melhor que LABA para esta função Tratamento medicamentoso: anti-inflamatórios Corticoide INALATÓRIO (ICS): budesonida, fluticasona, beclometasona Corticoide ORAL: prednisona, prednisolona Devem ser usados, em ciclos curtos (5-7 dias), somente nos episódios de exacerbações Não devem ser prescritos para uso contínuo, devido efeitos colaterais (evidência A) Seguimento Reavaliar sintomas e história de exacerbação Avaliar técnica de uso dispositivo inalatório Avaliar aderência e tratamentos não-farmacológicos Oxigenoterapia domiciliar prolongada (ODP) Deve ser indicada quando paciente apresentar, na gasometria arterial: PaO2 < 55 mmHg ou SatO2 < 88% PaO2 < 60 mmHg ou SatO2 < 90%, se complicações da hipoxemia Cor pulmonale Policitemia (Hematócrito > 55%) Bronquiectasias A bronquiectasia consiste na dilatação e destruição de brônquios de grosso calibre causada pela infecção e inflamação crônicas. Quadro clínico Tosse produtiva constante → pelo acúmulo de secreção Grande quantidade de escarro muitas vezes purulento Infecções respiratórias de repetição → as bactérias se alimentam do escarro, umidade, quente → meio de cultura de bactérias Alguns pacientes podem apresentar sibilos Dispneia presente nos casos moderados - graves Hemoptise - sinal de alerta → o proc. inflamatório gera alteração nos vasos → neoformação de vasos → angiogênese → e esses vasos podem se romper - são vasos de circulação brônquica (irrigam o pulmao) e tem alta pressao, o paciente pode sangrar muito - Pode gerar choque hipovolemico, insuficiência respiratória Exame torácico: crepitações grossas difusas são principal achado. Podem apresentar hiperinsuflação, sibilos e roncos. - Vias aéreas tortuosas → geram crepitação grossa - Roncos → devido ao muco Principais causas de bronquiectasias - Congênita ou adquirida - Importante definir etiologia, pois para algumas há tratamento específico (ex: Fibrose cística, imunoglobulinopatias) Congênitas - Fibrose cística - Deficiência de alfa-1-antitripsina - Discinesia ciliar primária → cílios imóveis → estrutura do cilio fica deformado Adquiridas - Pós infecciosas → mycobacterium, fúngica,viral - mais comum: tuberculose Como diagnosticar bronquiectasias? Tomografia de tórax de alta resolução → avalia o interstício pulmonar, parênquima pulmonar - Dilatação brônquica - Sinal “trilho do trem” - Sinal “anel de sinete” Raio-X de tórax - não específico, mas em geral, mostra infiltrado reticular grosseiro, algumas vezes podendo-se ver as bronquiectasias Tratamento das bronquiectasias Evitar infecções: ● Vacinas (influenza e pneumococica) ● Monitorar infecções assintomáticas: culturas de escarro programadas ● Evitar acúmulo de secreção: fisioterapia, estimuladores de clearence mucociliar ● Tratar germes potencialmente patogênicos: Pseudomonas aeruginosa Tratar exacerbações prontamente Infecções e exacerbações relacionam-se com pior qualidade de vida, pior prognóstico e pior mortalidade Broncodilatadores e corticoide inalatório → apenas se asma ou DPOC associados Avaliar indicação de tratamento cirúrgico - bronquiectasias localizadas: ressecção de segmento/lobo/pulmão - bronquiectasias difusas: transplante pulmonar DPI - Doença pulmonar intersticial Introdução Grupo de doenças heterogêneas Acometem o interstício pulmonar através de um processo de inflamação/regeneração que leva a fibrose Podem acometer vasos, vias e espaços aéreos Deposição de colágeno (uniforme ou anômala) Qual a doença intersticial mais famosa no momento? Fibrose pulmonar idiopática → Tem tratamento muito caro e Não se sabe a causa dela Patogenia → transição epitélio-mesenquimal - Migração e ativação de células mesenquimais - Células epiteliais adquirem características de fibroblastos e miofibroblastos Fibroblastos e miofibroblastos - Resistentes à apoptose na FPI - fibroblastos → miofibroblastos - miofibroblastos são mais invasivos e com maior capacidade de produzir colágeno - Produção exagerada de matriz extracelular → destruição da arquitetura pulmonar Como podemos classificar as doenças pulmonares intersticiais? Pela causalidade Pela alteração histológica Pela alteração radiológica Classificação Causas conhecidas Causas desconhecidas Radiação Neoplasias Infecções Associadas a colagenoses Drogas Poeiras inorgânicas (Pneumoconioses) Poeiras orgânicas/sintéticas Aspiração Pneumonias intersticiais idiopáticas Sarcoidose Vasculites Linfangioleiomiomatose Histiocitose X Proteinose alveolar Pneumonias eosinofílicas Apresentação clínica Tempo de evolução: agudas ou crônicas Sintomas: dispnéia, tosse, hemoptise, extrapulmonares Antecedentes pessoais Avaliar as características mais frequentes de causalidade ● História ocupacional → saber todo histórico profissional ● Atividades de lazer ● Tabagismo ● Uso de medicações ● Neoplasias Exame físico Baqueteamento digital → devido a hipoxemia Saturação periférica Exame pulmonar: Expansibilidade e Crepitações em velcro Lesões associadas (eritema nodoso, artrite, deformidades, vasculites) Diagnóstico Raio X de tórax TC de alta resolução Laboratoriais → conforme suspeita clínica Espirometria Capacidade de difusão Gasometria arterial Broncoscopia (LBA e BTB) Criobiópsia Biópsia a céu aberto Tratamento Se causa conhecida, retirar a exposição Imunossupressão - corticoides - ciclofosfamida, azatioprina - antifibróticos Pense em DPI sempre que tiver casos de falsas pneumonias de repetição ou insuficiência cardíaca que não melhora (ex: clássicos) Micoses pulmonares Micoses humanas Micoses Superficiais: Acometem as camadas superficiais da pele e dos pelos Micoses Cutâneas: Acometem a epiderme mais profunda e invadem pelos e unhas Micoses Subcutâneas: Acometem a derme, tecido subcutâneo, músculos e fascias Micoses Sistêmicas: Acometem órgãos e sistemas internos Micoses Oportunistas: Acometem indivíduos debilitados Sistêmicas - Paracoccidioidomicose - Coccidioidomicose - Histoplasmose Oportunistas - Criptococose - Aspergilose - Mucormicose - Candidíase Patogenia micoses sistêmicas Fungos dimórficos, com capacidade de se reproduzir e sobreviver a 37ºC A infecção depende da interação fungo x hospedeiro - patogenicidade do fungo - quantidade de exposição ao fungo - imunidade do hospedeiro Pulmões: principal via de entrada dos fungos PARACOCCIDIOIDOMICOSE Agente etiológico: Paracoccidioides brasiliensis e P. lutzii Fungo termodimórfico - Endêmico das Américas Central e do Sul: 80% dos casos no Brasil Nicho ecológico é o solo (lavradores, construção civil) Fisiopatogenia Contato prolongado com solo: inalação de conídios Resolução (exposição pequena) → Predomínio de resposta Th1 Formação de complexo primário (latência de décadas) → forma crônica → Predomínio de resposta Th2 Infecção aguda/subaguda Forma Aguda/Subaguda (Juvenil) Menos de 10% dos casos - Jovens (< 30 anos) ou imunossuprimidos Fígado/Baço/Medula óssea/gânglios linfáticos Forma crônica 90% dos casos - 13 Homens : 1 mulher, 20-50 anos Tabagismo e etilismo aumentam risco da doença Comportamento lento, causando lesão no decorrer de vários anos. Multifocal: pulmão + cavidade oral/mucosa nasal/linfonodos/laringe/adrenal/pele Febre, emagrecimento, tosse produtiva, dispnéia progressiva Astenia, disfagia, disfonia, lesões cutâneas... Forma sequelar Fibrose do órgão acometido. Pode ser muito limitante Diagnóstico Exame direto: pode ser suficiente Cultura: lavado broncoalveolar, escarro, pele Teste sorológico: sensibilidade e especificidade - ambas variam de 85-100% Biópsia: cutânea, pulmonar Tratamento Antifúngicos: Itraconazol, anfotericina nas formas graves Casos leves: sulfametoxazol/trimetoprim cura aparente → o fungo fica inativo e quando cai a imunidade ele volta HISTOPLASMOSE Agente etiológico: Histoplasma capsulatum Distribuição mundial, originário das Américas do Norte e Central - Brasil: Regiões Sul, Sudeste e Nordeste Fungo termodimórfico:Até 35 graus: filamentoso - Acima de 35 graus: leveduras ovais que parasitam macrófagos Saprófita do solo; encontro com hospedeiro é acidental. Pode ser carreado pelo vento Altamente concentrado em acúmulo de fezes de aves e morcegos - Cavernas, galinheiros, ocos de árvores Fisiopatogenia Quantidade inalada x imunidade hospedeiro → determina forma clínica Inalação de microconídios → Fagocitose por macrófagos → Instalação dos macrófagos infectados no parênquima pulmonar → Transporte intracelular para sistema reticuloendotelial Formas clínicas Histoplasmose pulmonar aguda Imunocompetentes - Maioria: assintomático - Início 3 a 7 dias após contato: Febre, calafrios, mialgia, fadiga, tosse seca → autolimitado Imunossuprimidos - Pode evoluir para insuficiência respiratória aguda e morte - Diagnóstico diferencial com pneumonia bacteriana e Paracoco Histoplasmose pulmonar crônica Geralmente idosos portadores de DPOC Grave e potencialmente fatal Febre, fadiga, anorexia, perda de peso, tosse produtiva com escarro purulento e hemoptise, sudorese noturna Diferencial com TB (muitas vezes, coexistem) Lesão cavitária em ápice Histoplasmose disseminada Quase que exclusivamente em imunossuprimidos graves Calafrios, febre, anorexia, perda de peso, hipotensão, dispneia, hepatoesplenomegalia, lesões cutâneo- mucosas. Pode haver febre vespertina e sudorese noturna em alguns casos. Pancitopenia. alteração de enzimas hepáticas podem ocorrer Diagnóstico Cultura de fragmentos de biópsia ou aspirados traqueais / pulmonares Biópsia de medula óssea → Amastigotas de Leishmania sp. são bastante difíceis de diferenciar. Sorologias Biologia molecular Tratamento Antifúngicos - Itraconazol - Anfotericina casos graves, disseminados COCCIDIOIDOMICOSE Agente etiológico: Coccidioides immitis e Coccidioides posadasii Presente nas Américas, principalmente do Norte - Brasil: Nordeste → caçadores de tatu Presente no solo: regiões áridas - Fungo dimórfico Fisiopatogenia - Inalação de artroconídio (basta 1!!!) - Termomorfismo: formação das esférulas com endósporos - Ruptura das esférulas: Infecção aguda/subaguda - Esférulas intactas: formação granulomas latentes (reativação apenas em imunossupressão grave) Formas clínicas Forma Pulmonar aguda 60% assintomáticos - Descobertaem exame radiológico de rotina - Nódulos (solitário ou múltiplos) - Adenopatia hilar Diferencial com neoplasia pulmonar/linfoma 40% sintomáticos: sintomas dependem da carga fúngica. - Podem se assemelhar à infecção viral leve ou evoluir com insuficiência respiratória - Febre, perda de peso, fadiga, tosse seca e dor pleurítica - Eritema nodoso ou exantema maculopapular Forma pulmonar crônica Lesões regressivas nodulares ou cavitárias, que por vezes são um achado radiológico casual Pneumonia progressiva, em continuação a uma infecção primária, cujos sintomas não regrediram após 2 meses Doença pulmonar fibrocavitária; pela sua evolução crônica e progressiva, constitui importante diagnóstico diferencial com a tuberculose pulmonar crônica Forma disseminadas - 0.5% pacientes Em indivíduos imunossuprimidos Pele: pápulas ou abscessos cutâneos principalmente na face Articulações, principalmente joelhos (“reumatismo do deserto”) Ossos: osteomielite SNC: meningite ou abscessos cerebrais Diagnóstico ● Exame direto ● Cultura ● Histopatológico ● Sorologias Tratamento: Fase Aguda: sem necessidade Disseminação: Azólicos, preferencialmente itraconazol MICOSES OPORTUNISTAS CRIPTOCOCOSE Agente etiológico: Cryptococcus neoformans e Cryptococcus gattii Solo rico em nitrogênio (fezes de aves, pombos) Levedura capsulada, usualmente haplóide, globosa ou ovalada Capa polissacarídica e produção de melanina→ fatores importantes na patogenicidade do fungo, pois dificultam opsonização É uma doença OPORTUNISTA, atinge indivíduos imunossuprimidos, principalmente AIDS e transplantados Fisiopatogenia Após, inalação: opsonização e fagocitose Imunocompetente: resolve infecção, podendo permanecer pequenos focos latentes Imunocomprometidos: disseminação Inalação: opsonização e fagocitose por neutrófilos e macrófagos. Ação de células T são de extrema importância. Falhas na opsonização ou destruição Após fagocitose, pode destruir os neutrófilos, aumentando a disseminação hematogênica Quadro clínico Sistema nervoso central Tropismo pelo SNC: menor atividade de opsonização e rico em catecolaminas, que favorecem a produção de melanina pelo fungo Manifestação principal: meningoencefalite, geralmente afebril ou com febre baixa e hipertensão intracraniana Cápsula polisacarídica: aumenta a osmolaridade→ edema cerebral Outros sítios: Pode acometer: pele, mucosas, laringe, mamas, olhos, próstata Pulmões Imunocompetentes: infiltrados com resolução espontânea; nódulos residuais Imunocomprometidos: - Febre, tosse, dispneia, perda de peso - Nódulos isolados ou múltiplos - Geralmente associada com infecção SNC Diagnóstico Pesquisa direta (Tinta da China): LCR, Sangue, escarro/LBA Cultura Sorologia: látex (aglutinação por Ag específico) → alta Sensibilidade e especificidade Histopatológico (mucicarmina) Tratamento Fase de indução: parar o crescimento do fungo e diminuir carga parasitária - Anfotericina B + 5-flucitosina (5-FC) Manutenção: mínimo 2 sem após indução e cultura LCR negativa - Fluconazol. ASPERGILOSE Agentes etiológicos: Aspergillus fumigatus, Aspergillus flavus, Aspergillus niger, Aspergillus terreus Facilmente isolados de casas, especialmente dos porões, cômodos muito baixos, colchões, umidificadores, ductos de ventilação, vasos de plantas, pó, condimentos (p. ex., a pimenta) e amostras de maconha Conídios em suspensão nos ambientes hospitalar e ambulatorial. A aspergilose hospitalar está associada à reforma do edifício, construção nova, ar não filtrado, sistemas de ventilação contaminados e materiais à prova de fogo Infecção muito relacionada a imunossuprimidos - Transplante de medula óssea - Transplante de órgão sólidos - Usuários de corticóides crônicos - Outras imunodeficiências adquiridas ou congênitas Formas clínicas - Aspergilose invasiva aguda - Aspergilose crônica - Formas alérgicas da aspergilose Aspergiloma ”Bola fúngica” - Contamina cavernas/cavidades pré-existentes Tosse com escarro “acastanhado” Febre, hemoptise, dispneia, dor torácica e perda de peso pode ocorrer Tomografia de tórax - sinal de meia lua - bola móvel com posicionamento Tratamento Voriconazol ou Itraconazol Pode ser necessária ressecção cirúrgica Aspergilose invasiva Quadro de pneumonia ou traqueobronquite: febre, tosse produtiva, dispnéia, dor pleurítica e, eventualmente hemoptise Diagnóstico - Cultura de escarro ou lavado broncoalveolar (LBA) - Biópsia pulmonar - Galactomanana no LBA: polissacarídeo da parede celular do Aspergillus Tratamento Voriconazol; Anfotericina B lipossomal; Caspofungina Aspergilose broncopulmonar alérgica - Não é infecção! - Pacientes com história de asma ou fibrose cística - Broncoespasmo de difícil controle, tosse produtiva - Bronquiectasias centrais - Elevação de IgE sérica (> 1.000 ng/mL) e específica de Aspergillus fumigatus - Eosinofilia periférica - Sorologia + para aspergillus - Tratamento com corticoide oral e itraconazol Asma - Dispositivos inalatórios O que é asma? Heterogênea Inflamação crônica das vias aéreas Sibilos/dispneia/opressão torácica Variável em intensidade e no tempo (inter-dias/intra-dia) Obstrução variável ao fluxo aéreo Patogenia Fisiopatologia - inflamação TH2 Tem participação de eosinófilos Asma com inicio na infância é th2 - alergica Fisiopatologia - inflamação não-TH2 Tem participação de neutrófilos Mais difícil controle pois responde mal ao corticóide inalatório Fenótipos da asma Quadro clínico Sibilância, dispneia, opressão torácica - tosse seca Grande variabilidade de sintomas - Piora pela manhã e à noite → devido ao ciclo do cortisol → de madrugada tem diminuição dos corticóides endógenos gerando piora dos sintomas - Variam temporalmente e em intensidade Sintomas desencadeados por gatilhos - Tempo frio e seco → piora - Primavera também devido ao pólen Gatilhos dos sintomas de asma infecções virais, ar frio, alérgenos, poluição/queimadas, tabagismo, estresse emocional, risada, canto (- comum) Não adesão ao tratamento!!! Diagnóstico Diagnóstico CLÍNICO Achado de obstrução e/ou variabilidade ao fluxo aéreo na função pulmonar ● Resposta ao broncodilatador na espirometria: VEF1 aumenta ao menos 200 ml e 12%, na curva pós-BD, comparada com pré ● VEF1 aumenta > 200ml e 12% em 4 semanas (espirometrias comparadas) ● Variabilidade diária > 10% no pico de fluxo expiratório Sempre que possível, realizar espirometria antes do tratamento, pois há possibilidade de reversão total da obstrução após uso de CI Diagnósticos diferenciais ● DPOC ● Aspiração de corpo estranho ● Bronquiectasias/Fibrose cística ● Disfunção de pregas vocais ● Insuficiência cardíaca Comorbidades que podem interferir no controle da asma ● Rinite → sintomas altos/ via aérea superior ● Obesidade ● DRGE ● Depressão/ansiedade Controle x gravidade da doença Controle: limitações físicas e redução de riscos futuros ● sintomas noturnos e diurnos ● limitação atividade física ● uso de resgate ● classificada em controlada, parcialmente controlada, não-controlada ● avaliado nas últimas 4 semanas Gravidade: quantidade de medicamento necessária para atingir controle Tratamento Não farmacológico ● Higiene ambiental ● Cessação tabagismo, se for o caso ● Atividade física ● Vacinação influenza e pneumocócica Comorbidades: Identificar e tratar comorbidades que possam influenciar no controle da asma Tratamento farmacológico Corticoides inalatórios (CI): base do tratamento anti-inflamatório - (budesonida, fluticasona, mometasona, ciclesonida, beclometasona) Broncodilatadores de ação longa: - 𝜷2-agonistas de longa ação - LABA (formoterol, vilanterol, salmeterol, indacaterol) - anticolinérgico de longa ação - LAMA (tiotrópio) Broncodilatadores ação curta: Não devem ser usados isoladamente, sempre associados ao corticóide inalatório - 𝜷2-agonistas de curta ação (fenoterol e salbutamol) - anticolinérgico de curta ação (ipratrópio) Corticoide oral - Sempre utilizado nas exacerbações em ciclos “curtos” (5-7 dias) - Uso prolongado deve ser evitado, apenas para doença de difícil controle (etapa V)Antileucotrienos - podem ser usados quando controle não é obtido com a combinação LABA + CI - podem ser usados em crianças, quando LABA ainda contraindicado pela idade - menos eficazes em promover broncodilatação/controle da inflamação Imunobiológicos para th2 - Anti- IgE - Anti-IL5 e Anti-IL5α - Anti-IL4α - Anti-TLSP (em estudo) No seguimento... Verificar controle Verificar técnica de uso do dispositivo Avaliar controle ambiental Avaliar presença de gatilhos ou comorbidades que possam influenciar no controle Avaliar possibilidade de “step down” ou necessidade de “step up” Dispositivos inalatórios Uso do dispositivo deve ser verificado em todas as consultas técnica incorreta = subdose → não controle da doença Avaliar em toda consulta - técnica de uso dispositivo 1. Preparação (depende do dispositivo) 2. Exalar todo ar dos pulmões 3. Acoplar corretamente na boca, fechando os lábios ao redor do bocal 4. Inalação profunda e rápida 5. Segurar o ar, contando mentalmente, por 10 segundos 6. Repetir o processo, se prescrição > 1 puff (sempre 1 puff de cada vez) 7. Limpeza da boca após o uso, se corticoide inalatório. Uso do espaçador para aerossol ● idealmente todos de vem usar ● doentes graves com baixa capacidade inspiratória ● crianças pequenas ● idosos demenciados ● uso traqueostomia