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Constituiçao comentada - STF

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e transferidos, por vontade própria, para outra agremiação no curso do mandato. (...) Resposta do
TSE a consulta eleitoral não tem natureza jurisdicional nem efeito vinculante. Mandado de segurança impetrado contra ato
concreto praticado pelo presidente da Câmara dos Deputados, sem relação de dependência necessária com a resposta à
Consulta 1.398 do TSE. O Código Eleitoral, recepcionado como lei material complementar na parte que disciplina a
organização e a competência da Justiça Eleitoral (art. 121 da Constituição de 1988), estabelece, no inciso XII do art. 23,
entre as competências privativas do TSE ‘responder, sobre matéria eleitoral, às consultas que lhe forem feitas em tese por
autoridade com jurisdição federal ou órgão nacional de partido político’. A expressão ‘matéria eleitoral’ garante ao TSE a
titularidade da competência para se manifestar em todas as consultas que tenham como fundamento matéria eleitoral,
independente do instrumento normativo no qual esteja incluído. No Brasil, a eleição de deputados faz-se pelo sistema da
representação proporcional, por lista aberta, uninominal. No sistema que acolhe – como se dá no Brasil desde a
Constituição de 1934 – a representação proporcional para a eleição de deputados e vereadores, o eleitor exerce a sua
liberdade de escolha apenas entre os candidatos registrados pelo partido político, sendo eles, portanto, seguidores
necessários do programa partidário de sua opção. O destinatário do voto é o partido político viabilizador da candidatura por
ele oferecida. O eleito vincula-se, necessariamente, a determinado partido político e tem em seu programa e ideário o norte
de sua atuação, a ele se subordinando por força de lei (art. 24 da Lei 9.096/1995). Não pode, então, o eleito afastar-se do
que suposto pelo mandante – o eleitor –, com base na legislação vigente que determina ser exclusivamente partidária a
escolha por ele feita. Injurídico é o descompromisso do eleito com o partido – o que se estende ao eleitor – pela ruptura da
equação político-jurídica estabelecida. A fidelidade partidária é corolário lógico-jurídico necessário do sistema constitucional
vigente, sem necessidade de sua expressão literal. Sem ela não há atenção aos princípios obrigatórios que informam o
ordenamento constitucional. A desfiliação partidária como causa do afastamento do parlamentar do cargo no qual se
investira não configura, expressamente, pela Constituição, hipótese de cassação de mandato. O desligamento do
parlamentar do mandato, em razão da ruptura, imotivada e assumida no exercício de sua liberdade pessoal, do vínculo
partidário que assumira, no sistema de representação política proporcional, provoca o desprovimento automático do cargo.
A licitude da desfiliação não é juridicamente inconsequente, importando em sacrifício do direito pelo eleito, não sanção por
ilícito, que não se dá na espécie. É direito do partido político manter o número de cadeiras obtidas nas eleições
proporcionais. É garantido o direito à ampla defesa do parlamentar que se desfilie de partido político. Razões de segurança
jurídica, e que se impõem também na evolução jurisprudencial, determinam seja o cuidado novo sobre tema antigo pela
jurisdição concebido como forma de certeza e não causa de sobressaltos para os cidadãos. Não tendo havido mudanças na
legislação sobre o tema, tem-se reconhecido o direito de o impetrante titularizar os mandatos por ele obtidos nas eleições
de 2006, mas com modulação dos efeitos dessa decisão para que se produzam eles a partir da data da resposta do TSE à
Consulta 1.398/2007." (MS 26.604, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 4-10-2007, Plenário, DJE de 3-10-2008.)
No mesmo sentido: MS 26.602, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 4-10-2007, Plenário, DJE de 17-10-2008; MS
26.603, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 4-10-2007, Plenário, DJE de 19-12-2008.
 
Constituição e o Supremo - Versão Completa :: STF - Supremo Tribunal Federal
http://www.stf.jus.br/portal/constituicao/constituicao.asp[19/12/2012 16:05:36]
"Ação direta de inconstitucionalidade – Art. 75, § 2º, da Constituição de Goiás – Dupla vacância dos cargos de prefeito e
vice-prefeito – Competência legislativa municipal – Domínio normativo da lei orgânica – Afronta aos arts. 1º e 29 da CR. O
poder constituinte dos Estados-membros está limitado pelos princípios da CR, que lhes assegura autonomia com
condicionantes, entre as quais se tem o respeito à organização autônoma dos Municípios, também assegurada
constitucionalmente. O art. 30, I, da CR outorga aos Municípios a atribuição de legislar sobre assuntos de interesse local. A
vocação sucessória dos cargos de prefeito e vice-prefeito põe-se no âmbito da autonomia política local, em caso de dupla
vacância. Ao disciplinar matéria, cuja competência é exclusiva dos Municípios, o art. 75, § 2º, da Constituição de Goiás fere
a autonomia desses entes, mitigando-lhes a capacidade de auto-organização e de autogoverno e limitando a sua
autonomia política assegurada pela Constituição brasileira. Ação direta de inconstitucionalidade julgada procedente." (ADI
3.549, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 17-9-2007, Plenário, DJ de 31-10-2007.) Vide: ADI 4.298-MC, Rel.
Min. Cezar Peluso, julgamento em 7-10-2009, Plenário, DJE de 27-11-2009; ADI 1.057-MC, Rel. Min. Celso de
Mello, julgamento em 20-4-1994, Plenário, DJ de 6-4-2001.
 
"O postulado republicano – que repele privilégios e não tolera discriminações – impede que prevaleça a prerrogativa de
foro, perante o STF, nas infrações penais comuns, mesmo que a prática delituosa tenha ocorrido durante o período de
atividade funcional, se sobrevier a cessação da investidura do indiciado, denunciado ou réu no cargo, função ou mandato
cuja titularidade (desde que subsistente) qualifica-se como o único fator de legitimação constitucional apto a fazer instaurar
a competência penal originária da Suprema Corte (CF, art. 102, I, b e c). Cancelamento da Súmula 394/STF (RTJ 179/912-
913). Nada pode autorizar o desequilíbrio entre os cidadãos da República. O reconhecimento da prerrogativa de foro,
perante o STF, nos ilícitos penais comuns, em favor de ex-ocupantes de cargos públicos ou de ex-titulares de mandatos
eletivos transgride valor fundamental à própria configuração da ideia republicana, que se orienta pelo vetor axiológico da
igualdade. A prerrogativa de foro é outorgada, constitucionalmente, ratione muneris, a significar, portanto, que é deferida em
razão de cargo ou de mandato ainda titularizado por aquele que sofre persecução penal instaurada pelo Estado, sob pena
de tal prerrogativa – descaracterizando-se em sua essência mesma – degradar-se à condição de inaceitável privilégio de
caráter pessoal. Precedentes." (Inq 1.376-AgR, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 15-2-2007, Plenário, DJ de
16-3-2007.)
 
"A questão do federalismo no sistema constitucional brasileiro – O surgimento da ideia federalista no Império – O modelo
federal e a pluralidade de ordens jurídicas (ordem jurídica total e ordens jurídicas parciais) – A repartição constitucional de
competências: poderes enumerados (explícitos ou implícitos) e poderes residuais." (ADI 2.995, Rel. Min. Celso de
Mello, julgamento em 13-12-2006, Plenário, DJ de 28-9-2007.) No mesmo sentido: ADI 3.189, ADI 3.293 e ADI
3.148, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 13-12-2006, Plenário, DJ de 28-9-2007.
 
"Governador e vice-governador do Estado – Afastamento do País por qualquer tempo – Necessidade de autorização da
Assembleia Legislativa, sob pena de perda do cargo – Alegada ofensa ao postulado da separação de poderes – Medida
cautelar deferida. A fiscalização parlamentar como instrumento constitucional de controle do Poder Executivo: governador de
Estado e ausência do território nacional. O Poder Executivo, nos regimes democráticos, há de ser um poder
constitucionalmente sujeito à fiscalização parlamentar e permanentemente exposto ao controle político-administrativo