Constituiçao comentada - STF
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contrário, se
protai no tempo, pois o bem jurídico tutelado é violado de forma contínua e duradoura, renovando-se, a cada momento, a
consumação do delito. Tratando-se, portanto, de crime permanente. Não houve violação ao princípio da legalidade ou
tipicidade, pois a conduta do paciente já era prevista como crime pelo Código Florestal, anterior à Lei 9.605/1998. Houve,
apenas, uma sucessão de leis no tempo perfeitamente legítima, nos termos da Súmula 711 do STF. Tratando-se de crime
permanente, o lapso prescricional somente começa a fluir a partir do momento em que cessa a permanência.\u201d (RHC
83.437, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 10-2-2004, Primeira Turma, DJE de 18-4-2008.)
 
"O princípio constitucional da reserva de lei formal traduz limitação ao exercício das atividades administrativas e
jurisdicionais do Estado. A reserva de lei \u2013 analisada sob tal perspectiva \u2013 constitui postulado revestido de função
excludente, de caráter negativo, pois veda, nas matérias a ela sujeitas, quaisquer intervenções normativas, a título primário,
de órgãos estatais não legislativos. Essa cláusula constitucional, por sua vez, projeta-se em uma dimensão positiva, eis que
a sua incidência reforça o princípio, que, fundado na autoridade da Constituição, impõe à administração e à jurisdição a
necessária submissão aos comandos estatais emanados, exclusivamente, do legislador. Não cabe ao Poder Executivo em
tema regido pelo postulado da reserva de lei, atuar na anômala (e inconstitucional) condição de legislador, para, em assim
agindo, proceder à imposição de seus próprios critérios, afastando, desse modo, os fatores que, no âmbito de nosso
sistema constitucional, só podem ser legitimamente definidos pelo Parlamento. É que, se tal fosse possível, o Poder
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Executivo passaria a desempenhar atribuição que lhe é institucionalmente estranha (a de legislador), usurpando, desse
modo, no contexto de um sistema de poderes essencialmente limitados, competência que não lhe pertence, com evidente
transgressão ao princípio constitucional da separação de poderes." (ADI 2.075-MC, Rel. Min. Celso de Mello,
julgamento em 7-2-2001, Plenário, DJ de 27-6-2003.)
 
"As Leis 7.787/1989, art. 3º, II, e 8.212/1991, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer
nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de
\u2018atividade preponderante\u2019 e \u2018grau de risco leve, médio e grave\u2019, não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, CF,
art. 5º, II, e da legalidade tributária, CF, art. 150, I." (RE 343.446, Rel. Min. Carlos Velloso, julgamento em 20-3-2003,
Plenário, DJ de 4-4-2003.) No mesmo sentido: AI 625.653-AgR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, julgamento em 30-
11-2010, Segunda Turma, DJE de 1º-2-2011; AI 744.295-AgR, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 27-10-2009,
Primeira Turma, DJE de 27-11-2009; RE 567.544-AgR, Rel. Min. Ayres Britto, julgamento em 28-10-2008, Primeira
Turma, DJE de 27-2-2009; AI 592.269-AgR, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 8-8-2006, Segunda Turma, DJ
de 8-9-2006.
 
\u201cNão ofende o princípio da legalidade a decisão que, ao interpretar o ordenamento positivo em ato adequadamente
motivado, limita-se, sem qualquer desvio hermenêutico, e dentro dos critérios consagrados pela Súmula 288/STF, a
considerar como 'essencial à compreensão da controvérsia' a peça referente à comprovação da tempestividade do recurso
extraordinário.\u201d (AI 156.226-AgR, Rel. Min. Celso de Mello, julgamento em 3-12-1996, Primeira Turma, DJ de 14-2-
1997.)
 
\u201cA inobservância ao princípio da legalidade pressupõe o reconhecimento de preceito de lei dispondo de determinada forma
e provimento judicial em sentido diverso, ou, então, a inexistência de base legal e, mesmo assim, a condenação a
satisfazer o que pleiteado.\u201d (AI 147.203-AgR, Rel. Min. Marco Aurélio, julgamento em 18-5-1993, Segunda Turma, DJ
de 11-6-1993.)
 
\u201cNão afronta o princípio da legalidade a reparação de lesões deformantes, a título de dano moral (art. 1.538, § 1º, do CC).\u201d
(RE 116.447, Rel. Min. Célio Borja, julgamento em 30-3-1992, Segunda Turma, DJ de 7-8-1992.)
 
III - ninguém será submetido a tortura nem a tratamento desumano ou degradante; 
 
\u201cSó é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria
ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade
disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem
prejuízo da responsabilidade civil do Estado.\u201d (Súmula Vinculante 11.)
 
\u201cO uso de algemas durante audiência de instrução e julgamento pode ser determinado pelo magistrado quando presentes,
de maneira concreta, riscos a segurança do acusado ou das pessoas ao ato presentes.\u201d (Rcl 9.468-AgR, Rel. Min.
Ricardo Lewandowski, julgamento em 24-3-2011, Plenário, DJE de 11-4-2011.) No mesmo sentido: HC 103.003,
Rel. Min. Ellen Gracie, julgamento em 29-3-2011, Segunda Turma, DJE de 24-8-2011. Vide: Rcl 7.814, Rel. Min.
Cármen Lúcia, julgamento em 27-5-2010, Plenário, DJE de 20-8-2010; HC 91.952, voto do Rel. Min. Marco Aurélio,
julgamento em 7-8-2008, Plenário, DJE de 19-12-2008, HC 89.429, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 22-8-
2006, Primeira Turma, DJ de 2-2-2007.
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"Uso de algema. Alegação de contrariedade à Súmula Vinculante 11 do STF. Pedido de revogação da prisão cautelar.
Ausência de determinação judicial para o uso de algemas. Falta de prova da alegação de uso de algema. (...) Na espécie
vertente, o juiz reclamado apenas autorizou o uso de algemas, sem, contudo, determiná-lo, e deixou a decisão sobre a sua
necessidade, ou não, à discrição da autoridade policial que efetivamente cumpriria o mandado de prisão, tendo em vista as
circunstâncias do momento da diligência, acentuando a necessidade de acatamento da Súmula Vinculante 11 deste
Supremo Tribunal. Os documentos colacionados aos autos não comprovam o uso de algemas durante, ou após, a diligência
que resultou na prisão do reclamante, sendo certo que, se usadas, elas não o foram por determinação do ato reclamado."
(Rcl 7.814, Rel. Min. Cármen Lúcia, julgamento em 27-5-2010, Plenário, DJE de 20-8-2010.) Vide: Rcl 9.468-AgR,
Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgamento em 24-3-2011, Plenário, DJE de 11-4-2011; HC 89.429, voto da Rel.
Min. Cármen Lúcia, julgamento em 22-8-2006, Primeira Turma, DJ de 2-2-2007.
 
"A chamada Lei da Anistia veicula uma decisão política assumida naquele momento \u2013 o momento da transição conciliada
de 1979. A Lei 6.683 é uma lei-medida, não uma regra para o futuro, dotada de abstração e generalidade. Há de ser
interpretada a partir da realidade no momento em que foi conquistada. A Lei 6.683/1979 precede a Convenção das Nações
Unidas contra a Tortura e Outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes \u2013 adotada pela Assembleia
Geral em 10-12-1984, vigorando desde 26-6-1987 \u2013 e a Lei 9.455, de 7-4-1997, que define o crime de tortura; e o
preceito veiculado pelo art. 5º, XLIII, da Constituição \u2013 que declara insuscetíveis de graça e anistia a prática da tortura,
entre outros crimes \u2013 não alcança, por impossibilidade lógica, anistias anteriormente a sua vigência consumadas. A
Constituição não afeta leis-medida que a tenham precedido." (ADPF 153, Rel. Min. Eros Grau, julgamento em 29-4-
2010, Plenário, DJE de 6-8-2010.)
 
\u201cAs algemas, em prisões que provocam grande estardalhaço e comoção pública, cumprem, hoje,