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Universidade Estácio de Sá M4- Farmacologia 1 Danielle Mistieri Matheus Introdução A farmacologia é uma ciência que estuda os fármacos, procurando descobrir como esses medicamentos agem no organismo vivo. Tendo o o b j e = v o d e e s t u d a r a c o m p o s i ç ã o d o s medicamentos, propriedades @sico-química, interações fármaco-fármaco, fármaco-alimento, e a toxicologia do medicamento. Conceitos da Farmacologia DROGA: Toda substância que ainda está passando pelo estágio de estudo cienGfico. REMÉDIO: Tem o sen=do mais amplo do que o medicamento. Costuma trazer um bem-estar para o indivíduo. “Todo medicamento é um remédio, mas nem todo remédio é um medicamento”. FÁRMACO: É a substância a=va capaz de atuar no organismo em sen=do benéfico. (ex: Dipirona sódica). Já foi estudado e já possui o seu efeito confirmado. - Princípio a=vo: existe uma denominação comum internacional (DCI) e denominação comum brasileira (DCB); MEDICAMENTO: Tem o obje=vo de curas, amenizar a dor e indica algum =po de tratamento. Obrigatoriamente tem a presença de um fármaco (princípio a=vo). Fármaco + Adjuvantes (cheiro, cor, etc). MEDICAMENTO DE REFERÊNCIA: É um =po de medicamento o qual a indústria teve um i n v e s = m e n t o e m p e s q u i s a q u e d u r o u aproximadamente uns 10 anos. Após a aprovação pela ANVISA, o medicamento é patenteado tendo uma garan=a de pelo menos 20, para que ele possa ser comercializado. MEDICAMENTO GENÉRICO: São medicamentos novos que podem ser comercializados 30% mais baratos do que os medicamentos de referência. Os medicamentos genéricos são cópias fiéis ao medicamento de referência, a única coisa que difere é a embalagem (presença de uma tarja amarela). Mesmo princípio a=vo e mesma concentração que o medicamento referência. Pode ser vendido de forma mais barata porque não realiza pesquisa clínica, apenas u=liza a “fórmula" já u=lizada no medicamento referência. MEDICAMENTO SIMILAR: Pode ter mudanças em alguns recipientes/adjuvantes. Mas tem que respeitar princípio a=vo, forma farmacêu=ca. Apresentam marca e nome fantasia (não são os primeiros no mercado). Pode diferir somente em caracterís=cas rela=vas ao tamanho e forma do produto, prazo de validade, embalagem, rotulagem, excipientes e veículo, devendo sempre ser iden=ficado por nome comercial ou marca. 1 Farmacocinética 1 Universidade Estácio de Sá M4- Farmacologia 1 Danielle Mistieri Matheus OBS: Os medicamentos de referência possuem uma i n t e r c a m b i a l i d a d e s o m e n t e c o m o u t ro s medicamentos de referência. O medicamento de referência pode ser trocado pelo genérico quando for autorizado pelo médico. O medicamento similar n ã o p o d e fa ze r i n t e r c a m b i a l i d a d e c o m medicamento genérico, mas pode fazer com o de referência. FORMA FARMACÊUTICA: É o estado final dos fármacos após serem subme=dos a operações farmacêu=cas. Tem como obje=vo melhorar a administração (quando possível melhorando a comodidade posolog ia e obtendo efe i to terapêu=co). Os critérios u=lizados para escolha de uma forma farmacêu=ca são: a natureza do fármaco, a atuação do fármaco (mecanismo de ação), local de ação e a dosagem (quan=dade em g, mg ou μg do fármaco). Pesquisa Clínica FASE PRÉ- CLÍNICA: Seria a fase inicial em que a droga ainda está sendo testada. São realizados os estudos bioquímicos, é iden=ficado a forma molecular da droga. Depois começam a fazer estudos em modelos experimentais/ em cobaias. Em seguida, inicia-se a testagem para iden=ficar a dosagem ideal. Na dosagem ideal, pega-se uma população cobaia e aplica-se a droga. Por exemplo, uma população com 100 camundongos em que foi aplicada a droga, se 50% dessa população depois de um tempo começa a morrer, isso vai ser iden=ficado como a dosagem mínima. Assim, vai ser testado a dosagem mínima e máxima, depois remetendo para humanos. FASE CLÍNICA: Pode ser dividida em três fases. FASE 1: Realiza-se testes em humanos saudáveis para entender como o medicamento se comporta. Portanto, o obje=vo é entender a farmacodinâmica do medicamento, minimizar os efeitos adversos que o medicamento possa trazer para o paciente, assim como melhorar a administração da forma farmacêu=ca. Normalmente leva até 3 anos. FASE 2: Tem um aumento no número de pacientes no qual o medicamento vai ser administrado, mas dessa vez, são administrados em pacientes com a doença. Normalmente são escolhidos pacientes homens: pouca alteração hormonal, não engravida, etc. Idosos, crianças e gestantes normalmente não fazem parte da população escolhida. Tem como obje=vo avaliar não só a eficácia do tratamento, mas avaliar também a dosagem ideal para os pacientes, os intervalos de administração (posologia) e a toxicidade que o medicamento pode trazer para esses pacientes doentes. Normalmente leva 3 anos. FASE 3: Tem um aumento maior no número de pacientes com a doença. Dessa vez, tem-se a presença de um grupo controle e um grupo com o placebo, e posteriormente, um grupo controle e um grupo padrão. Normalmente são realizada ensaios cegos, no qual o paciente não sabe o que está tomando assim como o pesquisador aplicando também não sabe (ensaio duplo cego), como forma de evitar viés. em como obje=vo avaliar não só a eficácia do tratamento, mas avaliar também a dosagem ideal para os pacientes, os intervalos de administração (posologia) e a toxicidade que o 2 Universidade Estácio de Sá M4- Farmacologia 1 Danielle Mistieri Matheus medicamento pode trazer para esses pacientes doentes. Normalmente dura 6 anos. FASE 4: É a úl=ma fase e o medicamento já pode começar a ser comercializado. Nessa fase, vai ser observado como esse medicamento vai agir na população geral e vai ser monitorado. Todos os medicamentos lançados no mercado sofrem farmacovigilância. Princípios da Farmacocinética Atualmente define-se como o estudo quan=ta=vo e cronológico dos processos metabólicos da absorção, distribuição, biotransformação e eliminação das drogas. Importância da FarmacocinéIca: 1. Determinação adequada da posologia de acordo com: • Forma farmacêu=ca (suspensão, cápsula, comprimido, injeção, etc); • Dose indicada no caso clínico; • Intervalo entre as doses; • Via de administração; 2. Reajuste da posologia, quando necessário, de acordo com a resposta clínica; 3. Interpretação de resposta inesperada ao medicamento, como, por exemplo, ausência de efeito terapêu=co ou presença de efeitos colaterais pronunciados; 4. Melhor compreensão da ação das drogas. Intensidade e duração dos efeitos terapêu=cos e tóxicos das drogas dependem da absorção, distribuição, metabolismo e eliminação; 5. Posologia em situações especiais, como, por exemplo, em pacientes com insuficiência renal, em hemólise, no tratamento de intoxicação aguda por medicamentos; 6. Pesquisa de aspectos da farmacociné=ca clínica de medicamentos novos, como por exemplo, a meia-vida, clearance renal, volume aparente de distribuição, alterações de biodisponibilidade, etc. PROBIEDADES FÍSICO-QUÍMICAS X ATIVIDADE BIOLÓGICA As propriedades @sico-químicas dos fármacos podem influenciar na fase da farmacociné=ca: • Na absorção (via de administração); • Distribuição (o fármaco chega ao seu des=no e fi n a l m e n t e e s t a b e l e c e o s e u e f e i t o farmacológico- o fármaco só tem efeito farmacológico quando ele chega ao seu local alvo); • Biotransformação (caracterís=ca lipo@lica - mais afinidade com gordura para ultrapassar a membrana plasmá=ca com mais facilidade, sem depender de nenhum transportador proteico/ metabol ização hepá=ca pelas enzimas citocromo P450 que metabolizam o fármaco com o intuito de transformar o fármaco em hidro@lico para facilitar a sua excreção); Caso não ocorra essa biotransformação o fármaco pode ser excretado pelas fezes; • Eliminação; Depois do fármaco ser absorvido ele passa para parte de farmacodinâmica, quandochega ao local 3 Universidade Estácio de Sá M4- Farmacologia 1 Danielle Mistieri Matheus de ação, estabelecendo o seu efeito farmacológico. Depois desse efeito, ele volta para corrente sanguínea, para sofrer uma metabolização hepá=ca e posteriormente ser excretada pela via preferencial, que seria a via renal. Divisão das Vias de Administração VIA ENTERAL: É uma via que u=liza o TGI. Seria a via oral, sublingual e retal. 1. VIA ORAL: É uma via segura, econômica, de fácil administração, não requer técnica estéril e tem fácil reversão em caso de erro (lavagem gástrica ou indução ao vômito). O fármaco pode ser absorvido no estômago ou no intes=no (maioria). Pode ser u=lizada para estabelecer efeitos locais ou sistêmicos. O fármaco vai ser absorvido pelos intes=nos e vai cair na veia porta, a qual desemboca no @gado. Esse fármaco pode sofrer um efeito chamado de efeito de primeira passagem, no qual o fármaco ao chegar no @gado é biotransformado antes de ser distribuído e ter sua ação farmacológica, tendo uma perda farmacológica. A par=r disso, aumenta-se a concentração do comprimido já calculando a possível perda (depende do fármaco). Formas farmacêu=cas disponíveis: comprimidos, d r á g e a s , c á p s u l a s ( g e l a = n o s a s , d u r a s , gastroresistente), líquidos (soluções, suspensões, elixir). Os fármacos líquidos são absorvidos de forma mais rápida do que as cápsulas que ainda precisam ser desintegradas. 2. VIA SUBLINGUAL: A administração é realizada debaixo da língua. O fármaco precisa acabar se desintegrando de forma rápida e eficiente, facilitando a absorção desse fármaco por essa via, por conta de sua intensa vascularização. É indicada em administrações de urgência, como em pacientes hipertensos. Não possível efeitos de primeira passagem, pois não está sendo absorvido no intes=no. 3. VIA RETAL: A administração é na cavidade retal e a sua ação é local e sistêmica. Normalmente em pacientes que não se adaptaram ao uso oral, que possuem problemas estomacais, não conseguem digerir o medicamento, etc. Muito u=lizado em paciente com náuseas e vômitos. VIA PARENTERAL: É uma via que não u=liza o TGI. Pode ser dividida em direta e indireta. A parenteral direta é aquela em que o fármaco é administrado por meio de injeção (tem a u=lização de uma agulha/fármaco líquido). A parenteral indireta é aquela que não u=liza agulha e não passa pelo TGI, como exemplo: uma pomada, colírio. Alguns exemplos: intravenosa (promove 100% de biodisponibilidade), intradérmica, subcutânea, intramuscular, respiratória, tópica, ocular, nasal, otológica e intratecal. 1. VIA INTRAVENOSA: A administração de medicamentos é diretamente na corrente sanguínea, podendo ser feita in bolus (o medicamento é colocado tudo de uma vez na corrente sanguínea do paciente) e infusão conGnua (administração grada=va na corrente do paciente, geralmente por meio do soro), e é considerada a via ideal em situação de emergência. Possui alta biodisponibilidade. Os acessos podem ser periféricos e profundos. OBS: Em uma questão de emergência a via parenteral direta é a mais adequada. Mas no dia a dia, a via enteral é a mais barata (não precisa ser estéril) e de fácil administração. 4 Universidade Estácio de Sá M4- Farmacologia 1 Danielle Mistieri Matheus Infusão de Medicamentos • Infusão em Bolus: administração IV em até 1 minuto; • Infusão rápida: administração IV em intervalos de 1 a 30 minutos; • Infusão lenta: administração IV em intervalos de 30 a 60 minutos; • Infusão conGnua: administração IV em intervalos superiores a 60 minutos, sem interrupção; • Infusão intermitente: nesse caso, o medicamento é aplicado via IV em um período superior a 60 minutos, apresentando interrupções; 2. VIA INTRADÉRMICA OU INTRACUTÂNEA: Administração nas camadas superficiais da pele em pequenos volumes (de 0,1 a 05 ml) e apresenta absorção lenta. Normalmente indicado em testes de hipersensibilidade e alergia, e em teste de PPD (teste tuberculínico). 3. VIA SUBCUTÂNEA OU HIPODÉRMICA: A administração é no tecido subcutâneo em pequenos volumes (sem exceder de 1 ml) e possui uma absorção lenta, conGnua e segura. É indicada em vacinas, an=coagulantes (heparina, clexane) e hiperglicemiantes (insulina). Os locais preferenciais de administração seria o abdômen, o braço e a coxa. A administração deve ser sempre intercalada (não fazer no mesmo lugar). 4. VIA INTRAMUSCULAR: A administração é realizada diretamente no tecido muscular, não deve exceder 2ml no braço e 5 ml no glúteo médio. Podem ser administrados fármacos na forma farmacêu=ca em suspensões aquosas ou soluções oleosas estéreis . É indicada principalmente para medicamentos que são irritantes e mais viscosos. Pontos de destaque da farmacocinética 1. ABSORÇÃO: Tem como finalidade transferir o fármaco do lugar onde é administrado para os fluidos circulantes (corrente sanguínea). A velocidade de absorção de um fármaco está estreitamente relacionada ao tempo necessário para que o fármaco a=nja o seu nível plasmá=co efe=vo. OBS: As principais propriedades @sico-químicos da m ó l e c u l a c a p a z e s d e a l t e r a r o p e r fi l farmacoterapêu=co são: • Lipofilicidade - coeficiente de par=ção; é definido pelo coeficiente de par=ção de uma substância entre a fase aquosa e a fase orgânica; • Coeficiente de ionização - PKa; 5 Universidade Estácio de Sá M4- Farmacologia 1 Danielle Mistieri Matheus Locais Principais de Absorção • Trato Gastrointes=nal - Mucosa Bucal: veia julgular, drogas fogem do @gado, suco gástrico; Ex: Nico=na, cocaína, esteróides; - Mucosa Gástrica: água, pequenas moléculas, drogas de natureza ácida fraca; Ex: Aspirina e fenobarbital; - Mucosa do Intes=no Delgado: principal e mais extensa; todos os =pos de transporte atuam nessa região; - Mucosa Retal: drogas que fogem do @gado, sangue vai direto para o coração; • Trato Respiratório - Mucosa Nasal: Cocaína e heroína; - Mucosa Traqueal e brônquica; - Alvéolos pulmonares - membrana biológica de fácil travessia (epitélio pavimentos simples), g ra n d e s u p e r @ c i e d e a bs o rçã o, r i ca vascularização sanguínea; • Pele; • Região subcutânea e intramuscular; • Mucosa genitourinária- vaginal, uretral, vesical; • Mucosa conju=val; • Peritônio; • Medula óssea; 2. DISTRIBUIÇÃO: Depois de administrada e absorvida, a droga é distribuída, isto é, transportada pelo sangue e outros fluidos a todos os tecidos do corpo. Existem duas etapas sucessivas de distribuição: - Fase inicial: órgãos nobres vastamente irrigados (coração, @gado, rim, cérebro, e outros órgãos altamente perfundidos); - Segunda fase: demais compar=mentos corporais (músculos, vísceras, pele e tecido adiposo); Fatores que modificam a distribuição: • Propriedades @sico-químicas de substância (hidrossolubilidade e lipossolubilidade, grau de ionização do agente tóxico no meio biológico); • Nível de proteínas plasmá=cas; • Maior ou menor grau de vascularização de determinadas áreas do organismo; • Composição aquosa e lípídica dos órgãos e tecidos; • Capacidade de biotransformação do organismo; Volume de Distribuição: O volume aparente de distribuição descreve a relação entre a quan=dade de droga no corpo inteiro e quan=dade e quan=dade existente no plasma. Dessa forma, quando maior esse volume aparente de distribuição, maior é a concentração tecidual da droga em comparação com a do plasma, portanto, maior é a dificuldade de excreção. Ele vai depender da droga (lipossolubilidade, polaridade, ionização, ligação com proteínas) e do paciente (idade, peso, tamanho corporal, hemodinâmica, concentração de proteínas plasmá=cas, patologias e gené=ca). Depósito de Armazenamento - reservatório de drogas Seriam os locais onde a droga se acumula, sendo normalmente diferente do local de ação da droga. A 6 Universidade Estácio de Sá M4- Farmacologia 1Danielle Mistieri Matheus substância armazenada fica em equilíbrio com a do plasma e é liberada a medida que a concentração plasmá=ca é reduzida. Principais síIos de armazenamento: proteínas plasmá=cas, reservatórios celulares, tecido adiposo, tecido ósseo, tecido conjun=vo e humor aquoso (depósitos menores). Conforme o nível de ação farmacológica vai diminuindo, abre-se esse reservatório para distribuir novamente essa molécula, sempre respeitando o nível efe=vo como forma de evitar efeitos tóxicos. OBS: Barreira Hematoencefálica • Di@cil penetração da droga; • Drogas apolares, lipossulúveis e de pequeno tamanho; ex: anestésicos, analgésicos e tranquilizantes; • Usos: combate à infecção no SNC através de an=microbianos; Drogas que precisam a=ngir o encéfalo (alterar a a=vidade do SNC - anestésicos, hipnó=cos, etc); 7