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Apostila Profª Nilma Bastos

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Poder em acepção ampla fala de Capacidade geral de agir, capacidade que aparece nas relações humanas, pelo predomínio da vontade de uma pessoa sobre as outras.
Nos vínculos entre órgãos públicos existe um predomínio de um sobre o outro (Sistema de freios e contra pesos) e nos vínculos funcionais, autoridades hierarquicamente superiores atuam com hierarquia sobre os agentes públicos por meio de ordens, instruções, fiscalizações na possibilidade de modificar ou desfazer decisões. Exemplos. Art. 70 da CR / art.302 do Dec. 2479/79.
Em regra o Poder se confunde, com o chamado Poder –dever, dotado de legitimidade (base na lei) e de titularidade (executado pelo agente público), onde o Estado tem a obrigação de tomar providências quando o que está em jogo é o interesse público. Também pode se confundir, com a idéia de funções (atribuições, competências ou encargos).
A capacidade, as atribuições ou os encargos advém da lei, repartindo estes entre os entes estatais. Essa divisão fala do princípio de divisão de poderes que se impõe como necessidade de ordem e disciplina para reger a condução de todo negócio estatal, discriminando o poder.
O Poder mesmo que discriminado ou “repartido” é uno, recebendo os Entes mera titularidade para exercê-lo. Para esse exercício haverá a denominada Tríplice capacidade que aparece como: Capacidade de auto-organização e normatização própria (organizam o Poder por meio do poder constituinte derivado-decorrente, fazendo sua legislação própria), autogoverno (o povo elegerá seus representantes) e capacidade de auto-administração (os Entes se auto–administram no exercício de suas competências administrativas, legislativas, e tributárias). 
3- Capacidade de auto-administração:
A capacidade que, mais nos interessa no momento é a de auto-administração, onde os entes se auto-administram no exercício de suas competências. A Constituição da República trouxe um título específico para a organização da Administração Pública: estrutura e função.
Quanto à estrutura esta é descentralizada e se desenvolve subjetivamente, como conjunto de órgãos e de pessoas jurídicas, as quais a lei atribui o exercício da função administrativa do Estado. Essa descentralização e distribuição de competência terão em vista a predominância do interesse. 
União – Interesse Geral (Competência Enumerada) / Arts. 21 e 22 da CR.
Estados-membros – Interesse regional (Competência Remanescente)/ Art.25 da CR.
Municípios – Interesse local (Competência Enumerada ou por Interesse local) / Art.29 da CR. 
Distrito Federal – Interesse regional + local (Competência Enumerada + Remanescente) / Art.25 e 29 da CR.
Essa divisão de poderes impõe-se como necessidade inerente à ordem e disciplina que devem reger a condução dos negócios públicos, discriminando o exercício do Poder Legislativo (poder soberano do povo), Poder Executivo (direção político-administrativo do Estado) e Poder Judiciário (aplicação da lei), com isso é possível constatarmos que por especialização a função dominante da atividade administrativa aparecerá no Poder Executivo e seus órgãos, embora seja possível vê-la em todas as outras na consecução de suas atividades, de acordo com sua competência.
I - Princípios Da Administração Pública:
Os princípios são os alicerces das ciências, nos dizeres de José Cretella Junior se subdividem em: Informativos constucionais ou meramente informativos. Dizem-se informativos, pois como um vetor orientam as atitudes da Administração Pública direta e indireta (primeiro setor), enquanto para o segundo e terceiro setor apenas informam o limite de atuação, não lhes sendo obrigatório, devido serem pessoas privadas.
Para melhor compreensão os princípios poderão ser subdivididos em:
Princípios Informativos Constitucionais: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, finalidade, eficiência; (art.37 da CR).
 
Princípios Informativos: Supremacia do interesse público, igualdade, legitimidade, razoabilidade e economicidade .
II - Princípios Informativos:
Princípio Da Supremacia do Interesse Público:
Esse princípio também é chamado de princípio da Finalidade pública, estando presente tanto no momento da elaboração da lei, como no momento da sua execução da lei pela Administração Pública. Para o legislador será inspiração, enquanto para o administrador haverá vinculação em toda sua atuação.
As normas de interesse público prevalecem sobre as normas de interesse individual, demonstrando esta supremacia e necessidade de vinculação do administrador. Apesar das críticas a esse princípio que realmente não é absoluto, algumas verdades permanecem:
1.	As normas de direito público, embora protejam reflexamente o interesse individual, têm o objetivo primordial de atender o interesse público;
2.	O direito passou a ser visto como meio de consecução da justiça social, do bem comum e do bem-estar coletivo;
3.	Houve uma ampliação das atividades assumidas pelo Estado para atender às necessidades coletivas, ampliando o próprio conceito de serviço público;
4.	O Estado em seu poder de polícia deixou de impor obrigações apenas negativas, e passou a impor obrigações positivas para abranger a ordem pública, econômica e social;
5.	Cresce a preocupação com os interesses difusos, como meio ambiente patrimônio público e artístico nacional;
Quando a lei dá ao administrador o poder de desapropriar, de requisitar, de intervir, de policiar, de punir, é porque tem em vista atender ao interesse geral, nunca admitindo o desvio da finalidade pública, sob pena do ato ser tido como ilegal (indisponibilidade dos interesses públicos). Essa ilegalidade poderá ser constatada, pois ainda que o interesse público tenha supremacia sobre o interesse individual, o seu limite é a lei.
Princípio Da Igualdade (divergência):
 
 Esse Princípio exige que todos estejam dentro das mesmas condições e aí sim, serem tratados de modo igual (art.5º da CR). Esse princípio também é chamado de isonomia ou generalidade, vedando toda discriminação sem o devido fundamento, sob pena de responsabilidade por ato lícito.
Exemplo – licitação, precatório, concurso público e etc.
Principio da Razoabilidade:
 O Princípio da razoabilidade veio produzir efeito, com maior potencialidade, na Nova Inglaterra, com o fito de obstaculizar a intromissão da Coroa Britânica nos negócios das 13 colônias, além de atuar em outras áreas como: determinando o devido processo legal e prevendo um controle sobre o poder legislativo.
 Na verdade esse princípio constitui-se em legado de inequívoco valor do constitucionalismo Ianque aos demais sistemas jurídicos contemporâneos.
Cumpre ressaltar, que hodiernamente o princípio pode aparecer em duas vertentes: garantia de cunho processual e meio de coibir os desmandos do Poder Público. (não quer invadir o mérito, e sim criar um limite a mais de controle). 
No cunho processual, essa garantia foi prevista na Constituição da República, artigo 5º, inciso LIV. Essa previsão trouxe inúmeras implicações:
- Determinação de ninguém ser julgado senão por juízo competente e pré-constituído;
- Exigir o devido processo legal, inspirando-se de forma notória na redação do constitucionalismo Americano, ou seja, o direito de uma ação em reação a sua violação.
Enquanto para coibir os desmandos poderá ser vislumbrado na Constituição da República não de forma expressa, e sim de forma implícita como meio de controle. Quando por exemplo o Poder Público age de forma inadequada, exorbitando os limites da legalidade e da discricionariedade (ato arbitrário).
* Parâmetros: 
Absurdo;
Eficiência (custo - benefício).
Audiência pública. 
Princípio da Proporcionalidade:
 
A lei 9784/99 em seu artigo 2º parágrafo único, fez referência dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade separadamente, mas nos dizeres de Maria Sylvia de Pietro: “A proporcionalidade é um dos aspectos contidos no primeiro. Isto porque o princípio da razoabilidade entre outras coisas exige proporcionalidade entre os meios de que se utiliza a administração e os fins que ela tem de alcançar”. 
Embora,