APOSTILA - Direito Financeiro
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APOSTILA - Direito Financeiro


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pelo Estado para produzir uma utilidade à comunidade social, como as despesas de assistência social; portanto, à luz deste critério, não se pode falar em despesa inútil, e mesmo as despesas de guerra podem produzir uma utilidade, como a independência nacional e a realização de unidade nacional, podendo, inclusive; esta utilidade ser de caráter econômico, pois o Estado quando evita ou limita uma invasão ao seu território, impede ou diminui um prejuízo econômico.
f) quanto aos efeitos econômicos:
1) despesa produtiva, que, além de satisfazer necessidades públicas, enriquece o patrimônio do Estado ou aumenta a capacidade econômica do contribuinte, como as despesas referentes à construção de portos, estradas de ferro, etc.;
2) despesa improdutiva é aquela que não gera um benefício de ordem econômica em favor da coletividade;
g) quanto à mobilidade:
1) despesa fixa é aquela que consta do orçamento e é obrigatória pela Constituição, não podendo ser alterada a não ser por uma lei anterior, e não pode deixar de ser efetivada pelo Estado;
2) despesa variável é aquela que não é obrigatória pela Constituição, sendo limitativa, isto é, o Poder Executivo fica obrigado a respeitar seu limite, mas não imperativa; daí o Estado ter a faculdade de realizá-la ou não, dependendo de seus critérios administrativo e de oportunidade, sendo de se citar, como exemplo, um auxílio pecuniário em favor de uma instituição de caridade, não gerando, por outro lado, direito subjetivo em favor do beneficiário;
h) quanto à competência:
1) despesa federal, que visa a atender a fins e serviços da União Federal, em cujo orçamento está consignada;
2) despesa estadual, que objetiva atender a fins e serviços do Estado, estando fixada em seu orçamento;
3) despesa municipal, que tem por finalidade atender a fins e serviços do Município, sendo consignada no orçamento municipal;
i) quanto ao fim:
1) despesa de governo é a despesa pública própria e verdadeira, pois se destina à produção e à manutenção do serviço público, estando enquadrados nesta categoria os gastos com os pagamentos dos funcionários, militares, magistrados, etc., à aplicação de riquezas na realização de obras públicas e emprego de materiais de serviço e à conservação do domínio público;
2) despesa de exercício é a que se destina à obtenção e utilização da receita, como a despesa para a administração do domínio fiscal (fiscalização de terras, de bosques, das minas, manutenção de fábricas, etc.) e para a administração financeira (arrecadação e fiscalização de receitas tributárias, serviço de dívida pública, com o pagamento dos juros e amortização dos empréstimos contraídos).
Classificação Da Lei Nº 4.320/64
Finalmente, deve ser mencionada a classificação adotada pela Lei nº 4.320, de 17/03/64, que estatui normas de direito financeiro para a elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, Estados, Municípios e Distrito Federal, tendo a referida lei procedido à classificação com base nas diversas categorias econômicas da despesa pública:
I) Despesas correntes são aquelas que não enriquecem o patrimônio público e são necessárias à execução dos serviços públicos e à vida do Estado, sendo, assim, verdadeiras despesas operacionais e economicamente improdutivas:
a) Despesas de custeio são aquelas que são feitas objetivando assegurar o funcionamento dos serviços públicos, inclusive as destinadas a atender a obras de conservação e adaptação de bens imóveis, recebendo o Estado, em contraprestação, bens e serviços (art. 12, §12, e art. 13):
1. Pessoal civil
2. Pessoal militar
3. Material de consumo
4. Serviços de terceiros
5. Encargos diversos
b) Despesas de transferências correntes são as que se limitam a criar rendimentos para os indivíduos, sem qualquer contraprestação direta em bens ou serviços, inclusive para contribuições e subvenções destinadas a atender à manifestação de outras entidades de direito público ou privado, compreendendo todos os gastos sem aplicação governamental direta dos recursos de produção nacional de bens e serviços (art. 12, § 2º, e art. 13):
1. Subvenções sociais
2. Subvenções econômicas
3. Inativos
4. Pensionistas
5. Salário-família e Abono familiar
6. Juros da dívida pública
7. Contribuições de Previdência Social
8. Diversas transferências correntes
II)Despesas de capital são as que determinam uma modificação do patrimônio público através de seu crescimento, sendo, pois, economicamente produtivas, e assim se dividem:
1. Despesas de investimentos são as que não revelam fins reprodutivos (art. 12, § 42, e art. 13):
I - Obras públicas
II - Serviços em regime de programação especial
III - Equipamentos e instalações
IV - Material permanente
V - Participação em constituição ou aumento de capital de em\u200bpresas ou entidades industriais ou agrícolas
2. Despesas de inversões financeiras são as que correspondem a aplicações feitas pelo Estado e suscetíveis de lhe produzir rendas (art. 12, § 5º, e art. 13):
I - Aquisição de imóveis
II - Participação em constituição ou aumento de capital de empresas ou entidades comerciais ou financeiras
III - Aquisição de títulos representativos de capital de empresas em funcionamento
IV - Constituição de fundos rotativos
V - Concessão de empréstimos
VI - Diversas inversões financeiras
3. Despesas de transferências de capital são as que correspondem a dotações para investimentos ou inversões financeiras a serem realizadas por outras pessoas jurídicas de direito público ou de direito privado, independentemente de contraprestação direta em bens ou serviços, constituindo essas transferências auxílios ou contribuições, segundo derivem diretamente da lei de orçamento ou de lei especial anterior, bem como dotações para amortização da dívida pública (art. 12, § 6º, e art. 13):
I - Amortização da dívida pública
II - Auxílios para obras públicas
III- Auxílios para equipamentos e instalações
IV - Auxílios para inversões financeiras
V - Outras contribuições
Princípio da Legalidade da Despesa Pública
Noção Geral
A despesa pública somente pode ser realizada mediante prévia autorização legal, conforme prescrevem os arts. 165, § 8º, e 167, I, II, V, VI e VII da Constituição Federal. Tal regra aplica-se inclusive às despesas que são objeto de créditos adicionais e visam a atender a necessidades novas, não previstas (créditos especiais), ou insuficientemente previstas no orçamento (créditos suplementares), em razão do disposto no art. 167, V, da CF.
As despesas ordinárias são aquelas que visam a atender a necessidades públicas estáveis, permanentes, que têm um caráter de periodicidade, e sejam previstas e autorizadas no orçamento, como o pagamento do funcionalismo público. Daí, se tais despesas não foram previstas, ou foram insuficientemente previstas, a sua execução dependerá também da prévia autorização do Poder Legislativo. Tal exigência justifica-se plenamente, pois caso o Poder Executivo pudesse livremente aumentar as despesas a votação do orçamento pelo Poder Legislativo não passaria, segundo Gaston Jèze, de uma formalidade meramente ilusória.
O Princípio da Legalidade e as Despesas Extraordinárias
Entretanto, a exigência da prévia autorização legal não se aplica às despesas extraordinárias porque, sendo urgentes e imprevisíveis, não admitem delongas na sua satisfação, como as decorrentes de calamidade pública, comoção interna e guerra externa (CF, art. 167, § 3º). Nestes casos, a autoridade realizará a despesa, cabendo ao Poder Legislativo ratificá-la ou não (Lei nº 4.320/64, art. 44). Observe-se que a autoridade pública deve ter muito cuidado na efetivação de tais despesas, uma vez que ficará sujeita a sanções, caso realize uma despesa considerando-a como extraordinária, sem que a necessidade pública atendida se revista das características exigidas.
Como um corolário do princípio da legalidade da despesa pública, a autoridade somente pode efetivar a despesa se for competente para tal e se cinja ao limite e fim previstos na lei.
A Não-Observância do Princípio da