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1 OBSTETRÍCIA Rafaela Matos – 7º semestre – 2021.2 Doença Hipertensiva Específica da Gestação (DHEG) Hipertensão: É considerado hipertensão da gravidez ou uma DHEG quando houver uma alteração da pressão arterial depois de 20 semanas. ▪ TAS ≥ 140 mmHg ou TAD ≥ 90 mmHg ▪ Ao menos 02 medidas: o Se leve: com intervalo de 4 horas o Se grave: com intervalo de 15 minutos Regras para aferir: ▪ Paciente sentada ou deitada em decúbito lateral esquerdo para retirar a pressão do útero em cima da veia cava inferior ▪ 5 minutos de repouso antes da medida ▪ Medição na altura do coração ▪ Manguito apropriado → se for obesa, por exemplo, o manguito tem que ser maior ▪ Utilizar o mesmo braço para comparação das medidas Proteinúria: 1 2 3 1. Exame da urina de 24h é onde a mulher coleta o xixi por 24h e no resultado a proteinúria é ≥ 300 mg 2. Amostra isolada da urina da paciente e a relação proteína urinária – creatinina está ≥ 0,3 mg/dL 3. Quando se faz uma medida da urina no consultório por meio de uma fitinha e isso dá maior que 2+ Pode considerar proteinúria se tiver a presença de qualquer um dos 3! O que se mais usa na prática é o 2º quando se faz em laboratório e a proteinúria de fita que é o que se mais usa quando se faz no consultório Fisiopatologia: Pergunta: por que a gestante desenvolve um quadro específico de hipertensão na gravidez? Teoria da placentação anormal: 2 OBSTETRÍCIA Rafaela Matos – 7º semestre – 2021.2 - O cistotrofoblasto é uma parte do blastocisto - Quando a invasão do vaso sanguíneo não acontece ou é deficiente Paciente não gravida tem várias artérias espiraladas no endométrio. Já a paciente gravida tem 2 ondas de invasão trofoblástica, sendo elas: ▪ 1ª onda: ocorre no 1º trimestre e acontece a destruição da camada muscular dos vasos ▪ 2ª onda: 16-20 semanas e isso ocorre invasão miometrial da paciente, alargando muito mais o vaso Na paciente com pré-eclâmpsia, a 1ª onda acontece, mas a 2ª onda não ocorre de forma adequada e, por isso, a paciente desenvolve o quadro de hipertensão na gravidez. É por causa disso que a DHEG só é confirmada após a 20ª semana! Repercussões sistêmicas: → Essas consequências são temíveis 3 OBSTETRÍCIA Rafaela Matos – 7º semestre – 2021.2 ▪ Edema → muito importante nos MMII, MMSS e rosto ▪ Trombocitopenia → diminuição das plaquetas ▪ Endoteliose capilar glomerular (inflamação renal) ▪ Lesões isquêmicas no fígado ocorre por causa da trombose → aumenta o TGP também Classificação: ▪ Pré-eclâmpsia ▪ Hipertensão gestacional ▪ Hipertensão crônica ▪ Hipertensão sobreposta TUDO DIAGNÓSTICADO APÓS 20 SEMANAS Pré-eclâmpsia: Eclampsia → é a convulsão da paciente Síndrome Hellp → é a queda de plaquetas e distúrbios da coagulação Pré-eclâmpsia sem critérios de gravidade: ▪ Hipertensão com surgimento após 20 semanas de gestação + COM associação com proteinúria ▪ SEM critérios de gravidade - Manejo: Alguns estudos mostram que pacientes com pré-eclâmpsia sem critério de gravidade com IG ≥ 37 semanas possuem uma maior taxa de óbito e sofrimento fetal Pedir para paciente: ▪ Rotina DHEG: hemograma (hb/ht), LDH, ATS, ALT, ácido úrico, creatinina, proteinúria de 24h ▪ Avaliação fetal: USG com doppler → vai avaliar o fluxo de sangue da placenta para o bebê 4 OBSTETRÍCIA Rafaela Matos – 7º semestre – 2021.2 A mãe pode parir normal!! Pré-eclâmpsia com critérios de gravidade: ▪ Sinais de iminência de eclampsia → alterações visuais (pontinhos pretos), epigastralgia (dor no estômago), cefaleia intensa o As alterações visuais e cefaleia intensa são por causa do glutamato o Epigastralgia está relacionado a rotura hepática. A paciente as vezes fica tão grave que faz um quadro de plaquetopenia e trombose no fígado que ela rompe a capsula de Glisson ▪ PA elevada → TAS ≥ 160 mmHg ou TAD ≥ 110 mmHg; intervalo de 15 minutos ▪ Função hepática → dor epigástrica ou em hipocôndrio direito severa; aumento de transaminases (2x) ▪ Insuficiência renal → creatinina ≥ 1,1 mg/dL ou maior que o dobro da sua concentração sérica ▪ Trombocitopenia → plaquetas < 100.000 ▪ Edema pulmonar → não responsivo a medicação; sem outra causa que justifique Qualquer um desses classifica a paciente com pré-eclâmpsia!! Manejo: - Anti-hipertensivo oral: ▪ Somente deve ser introduzida se episódio de TAS ≥ 150 mmHg ou TAD ≥ 105 mmHg o Metildopa (1ª indicação) o Nifedipino o Hidralazina o Metoprolol Todas as medicações feitas via oral! Caso a paciente grávida chegue grave na emergência, com pressão arterial aferindo 16x11 mmHg, é indicado de fazer medicação venosa (hidralazina). Se fizer só medicação só faz efeito depois de 2 dias mais ou menos. Faz 5mg, espera 20 minutos, afere a pressão da paciente, se estiver alta ainda repete todo o processo. Isso pode chegar até 20mg. Se chegar à dose máxima e mesmo assim a pressão não abaixou deve-se pensar em interromper a gravidez. Esse quadro todo da paciente que desenvolve hipertensão durante a gestação se resolve até 12 semanas pós- parto - Magnesioterapia: → é utilizado para neuro proteção do cérebro do bebê quando ele é prematuro e tem mais de 32 semanas E evitar quadro de eclampsia na paciente!! ▪ Indicada para todos os casos de pré-eclâmpsia com critérios de gravidade + eclampsia + síndrome Hellp ▪ Iniciado 1h antes do parto até 24h após → mesmo depois que retira a placenta se deve fazer 5 OBSTETRÍCIA Rafaela Matos – 7º semestre – 2021.2 Importante gravar o de Zuspan (100% feito nos hospitais) e Pritchard (se faz quando há transferência de um local para o outro e não tem BIC)!!!!!!!! O esquema de Pritchard é uma adaptação do de Zuspan porque se você tiver em um local que não tem BIC disponível *BIC → bomba de infusão de continua “+ 10g IM” → 5g em cada nádega! - Atenção aos sinais de intoxicação de magnésio: 1. Reflexos profundos ausentes (patelar) 2. Diurese < 30 ml/h (SVD) 3. FR < 16 irpm Deve-se suspender!!! Se faz o parto com > 34 semanas, mesmo com o bebê prematuro, porque a paciente está muito grave e não faz mais sentido manter o bebê ali, uma vez que o pulmão dele está totalmente maduro. Essa paciente piora de uma hora para outra, por isso, os exames recentes são fundamentais IG < 24 semanas → discutir com a família a proposta de interrupção da gestação Eclampsia: Paciente epilética também engravida, logo, precisa se diferenciar as convulsões e se faz isso contando o tempo! Convulsão da epilepsia dura mais de 60 segundos. Estado pos igtal → bradicardia fetal - A paciente não entra em estado de mal epiléptico! Atenção: afastar os quadros de: epilepsia, ataque isquêmico transitório, uso de drogas, hemorragia / isquemia do SNC 6 OBSTETRÍCIA Rafaela Matos – 7º semestre – 2021.2 Manejo: !! Deve-se auscultar o bebê e espera-se que ele melhore após 5 minutos Não se pode fazer Diazepam, pois ele vai deprimir a mãe e o bebê, sendo que ambos podem ter complicações graves Síndrome Hellp: Enzima hepática geralmente maior que 40 Classificação de Mississipi: → quadro mais grave: classe 01 (porque a plaqueta está bem baixa). A classe 03 até se espera uma baixa na plaqueta Manejo: ▪ Avaliar interrupção da gestação: se fora de trabalho de parto → PSAC (cesárea) o Estabilizar o quadro 7 OBSTETRÍCIA Rafaela Matos – 7º semestre – 2021.2 o Anestesia geral se plaquetas < 70.000 → não se pode fazer raquianestesia pois a paciente pode ter uma hemorragia ▪ Avaliação laboratorial a cada 6 a 12 horas → por causa da meia vida da plaqueta ▪ Internar em UTI + USG abdome superior (avaliação hepática) ▪ Se IG < 34 semanas + mãe estável: aguardar 48h para fazer ocorticoide para amadurecer o pulmão do bebê! o Lembrar que se deve mandar a mãe para UTI, pedindo exames de sangue e monitorizando porque qualquer piora tem indicação de interromper Hipertensão gestacional: ▪ Hipertensão com surgimento após 20 semanas de gestação ▪ Que desaparece antes de 12 semanas pós-parto ▪ Sem associação com proteinúria ▪ Pode evoluir para pré-eclâmpsia // Avaliações periódicas no pré-natal ▪ Interrupção da gestação com 37 semanas Hipertensão crônica: ▪ Diagnosticada antes da 20ª semana de gestação ▪ Perdura após a 12ª semana pós-parto ▪ Geralmente apresenta ácido úrico normal ▪ 20-50% das pacientes com hipertensão crônica terão pré-eclâmpsia ▪ Pior prognóstico materno-fetal, doença mais precoce e agressiva → RASTREIOS! Manejo: - Drogas utilizadas: ▪ Metildopa ▪ Nifedipino retard ▪ Hidroclorotiazida ▪ Hidralazina ▪ Metoprolol - Quando iniciar? ▪ Iniciar terapia se TAS > 150 ou TAD > 100 mmHg o Meta: TAS 120-139 / 80-89 mmHg 8 OBSTETRÍCIA Rafaela Matos – 7º semestre – 2021.2 Manejo pós-parto: ▪ Retorno aos anti-hipertensivos de uso prévio ▪ Manter cifras tensionais TAS < 150 mmHg e TAD < 100 mmHg ▪ Amamentação e anti-hipertensivos: o Beta-bloqueadores: propranolol/labetol apresentam menor concentração no leite materno o BCC / IECA: seguros – pequena concentração no leite o Diuréticos: seguros, porém altas doses podem reduzir a quantidade do leite No puerpério, não se usa losartana porque ele diminui a quantidade de leite. Evita-se metildopa e BRA. Hipertensão crônica superajuntada: ▪ HAS que se agrava em algumas gestantes após 20 semanas o Aumento súbito da pressão o Aumento da proteinúria → não tinha ou piorou consideravelmente ▪ Se apresenta de forma precoce e tende a ser mais agressiva ▪ Aumento da chance de: o CIUR (feto restrito) o DPP Complicações da DHEG: ▪ Crescimento intrauterino restrito ▪ Deslocamento prematuro de placenta ▪ Síndrome Hellp ▪ Rotura hepática ▪ Prematuridade ▪ Amaurose na mãe ▪ Óbito fetal e materno ▪ Acidente vascular cerebral Quando interromper a DHEG? VIA DE PARTO OBSTÉTRICA! 9 OBSTETRÍCIA Rafaela Matos – 7º semestre – 2021.2 Prevenção da pré-eclâmpsia: → AAS 150 mg à noite + carbonato de cálcio 550g 3x ao dia → Se faz prevendo quando a paciente tem 1 critério de alto risco ou 2 critérios de risco moderado! Atenção: toda gravidez gemelar será introduzido a partir de 16 semanas IP médio de artérias uterinas = doppler! Referências: